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RESENHA: Batman – O Cavaleiros das Trevas

Justiça. Confundido com a cruz e a espada, um justiceiro cria esperança aos mais inocentes e terror aos mais difusos. Em Batman – O Cavaleiros das Trevas caos e o acaso se unem para contar a história do herói que Gothan precisa, mas que ela precisa aprender a merecer.

O CORINGA

Desde Titanic, não houve filme na história do cinema mais cheios de rumores, mais cheios de lendas, mais cheios de superstições ou simplesmente mais comentado em escolas, locais de trabalho ou numa conversa com os amigos do que Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Cercado por contextos e desconexos, o segundo filme do Homem-Morcego nas mãos de Christopher Nolan surpreendeu multidões no cinema e fora dele, seja com seus diálogos fortes ou com todos os acontecimentos envolvendo atores e produção.

Se o trabalho de marketing envolvendo o filme se tornou uma referência mundial para o chamado marketing de guerrilha (com ações que variaram desde shows com a esquadrilha da fumaça na Comic Con até caça ao tesouro na cidade de São Paulo), foram as tragédias envolvendo o acidente de Morgan Freeman, o caso da provável agressão de Christian Bale e a morte de Heath Legger que levou o filme a repercussões mundiais mesmo antes da estréia do filme em 2008.

Mas independente das previsões e do proveito que muitos meios de comunicação tiraram da situação, não foram tais acontecimentos que tiraram o brilho dos filmes na telona, um clássico dos tempos modernos e arrisca-se a dizer, o melhor filme de todos os tempos.

Até quando será necessária a existência de Batman em Gothan City?

E não é para menos, combinando a figura de um herói sombrio com a perpetuação do caos que um vilão imprevisível poderia propiciar, Christopher Nolan levou para os cinemas uma experiência nunca antes vivida por um expectador em qualquer tipo de arte.

De maneira muito mais contestadora e muito mais incisiva que Batman Begins, o segundo filme do reboot do Homem-Morcego se utilizou de toda uma mitologia para racionalizar em metáforas questões que levam o espectador a se perguntar a todo o tempo o que este faria se estivesse em Gothan City.

O CAOS

Não é a toa que Batman é um herói que sobrevive a décadas e para sempre seu legado será perpetuado através de suas revistas. Junto com Superman, o herói consegue englobar a todo tipo de espectador, primeiro o que prefere uma visão simplista e esperançosa e o segundo aqueles com uma visão complexa e menos clara do que será seu futuro.

Mesmo que criados numa visão durante a segunda guerra mundial, os valores e a simbologia deixadas, utilizadas e sumariamente reinventadas nos quadrinhos, tv e cinema formam uma rica visão ideológica para ser passada através das lentes de Hollywood, afinal qualquer tipo de idéia pode ser reinterpretada e aplicada em qualquer tempo que seja exprimida.

Coringa é como um cachorro atrás de um carro, se conseguisse pegá-lo, não saberia o que fazer com ele.

Christopher Nolan foi o diretor que mais pôde perceber isso ao filmar seu Batman. Sua Gothan foi formatada de mostrar toda a decadência que uma cidade com 33 milhões de habitantes pode criar. Seus habitantes, tão corruptíveis e ao mesmo tempo tão revoltados com a situação que criaram se tornaram cada vez mais humano com a condição que o diretor pôs a eles: um bizarro palhaço anarquista que só quer ver o circo pegar fogo.

Criado a partir de uma visão particular do diretor, Nolan levou aos cinemas através de uma atuação inigualável e memorável de Heath Ledger um Coringa ousado, irrefreável e muito possível de ser concretizado em um contexto como o de Gothan, seja na ficção ou na realidade.

O traço mais notável que foi dado ao personagem é a sua capacidade de parecer tão real, verdadeiro e próximo do espectador. Completamente louco e insano, o Coringa desperta tanta revolta quanto admiração do público.

A medida que o vilão coloca Batman em uma nova situação capciosa, Nolan vai provocando o espectador a refletir sobre o seu contexto de vida perante a cidade de Gothan, muitas vezes restritas e desejosas de uma resposta concreta do herói, coisa que, como na vida real, muitas vezes não viria.

EU ACREDITO EM HARVEY DENT

Do mesmo jeito que o Coringa foi formatado a partir de uma situação de Gothan City, o mesmo que Nolan fez com o alter-ego de Bruce Wayne em Batman Begins, o promotor de justiça Harvey Dent foi o resultado do encontro da cidade com o seu herói.

Batman, Harvey Dent e o comissário Gordon se unem na caçada contra o crime organizado da cidade!

Necessitada de um exemplo para continuar a seguir, Bruce Wayne e o comissário Gordon vêem em Dent a oportunidade ideal do símbolo Batman não ser mais necessário e a inspiração dos cidadãos parta de algo muito empírico que a figura do Homem-Morcego.

A conversão que Coringa provoca em Harvey até ele se tornar o Duas-Caras não foi por acaso. Além de feita em um tempo incomum para os filmes de super-herói ao único estilo Nolan de fazer cinema, a ascensão do vilão foi o complemento ideal para a conclusão do filme e a idéia geral da figura de Batman na cidade, um intermediário entre a condenada Sodoma e Gomorra e a transmutação em valorosa Metrópolis.

Não só o personagem como muito do contexto da cidade, de Coringa, do comissário Gordon e do próprio Batman vem de uma combinação genial de elementos das histórias O Longo Dia das Bruxas de Jeph Loeb e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.

Assim como nos filmes, uma das características principais dos quadrinhos é a humanização do herói e dos vilões, e a construção de cada uma de suas personalidades sem justificar as insanidades de suas ações.

Acrescentando a discussão sobre ética, moral, medo, caos e vingança que o filme trás em cada diálogo, todos muito bem construídos e claros, a formatação final do filme cria o ambiente perfeito para uma nova geração de filmes de super-heróis e uma nova visão de como se contar histórias através do cinema.

Segundo o Duas-Caras, o acaso é o mais justo dos decisores.

O CAVALEIROS DAS TREVAS

Estamos destinados a fazer isso para sempre“. Incrível como uma das frases do Coringa consegue ser tão clara e tão complexa ao mesmo tempo.

Se para os fãs a frase teve um significante que refletiu a permanente luta entre o bem e o mal do herói e do vilão, a filosofia interpretou tal colocação como o caos e as regras permanentemente moldadas através da essência do homem.

E se fosse avaliar os campos da psicologia, antropologia, comunicação ou qualquer outra ciência humana, tal embate entre Batman e Coringa poderia percorrer tamanhas interpretações e posicionamentos que tão ricos como os dois personagens, gerariam irreversíveis conteúdos para novas e eternas discussões.

RESENHA: A Invenção de Hugo Cabret

Expressão. Talvez esse seja a palavra que melhor consegue englobar todos os anseios do homem contemporâneo e de todas as outras eras. Por mais simples que o desejo possa parecer, para que este possa se concretizar é necessário que algo ou alguém expresse sua vontade de realizá-lo com todo o calor que o ser humano aprendeu a usar ao seu favor ao longo de sua história. A Invenção de Hugo Cabret mostra que qualquer realização depende de sua expressão, mesmo que essa tenha que partir de um princípio menos expressivo.

CONCERTANDO MÁQUINAS

O cinema quando somado a boa publicidade produz armadilhas engraçadas para os espectadores. Quem nunca foi ao cinema esperando um filme medonho de terror e se deparou com uma comédia bonachona das mais raspas de pé?

O efeito que trailer e o cartaz provoca muitas vezes não compartilha da mesma sintonia que o filme traz e depois de pago ingresso a quem se deve culpar? Ao briefing mal dado da produtora a agência que recebeu as fotos? Ao diretor que resolveu colocar apenas as melhores partes no trailer? Ou inocência repetida mais uma vez frente-a-frente da bilheteria?

Entre culpas e brincadeiras de mal gosto de milhões de dólares, muitas vezes o inesperado surpreende e o espectador que entrou no cinema esperando um filme infanto-juvenil cheio de situações fantasiosas se deparou com um drama muito mais que fantástico, capaz de emocionar as razões mais intrínsecas do homem.

Sim, isso é A Invenção de Hugo Cabret, um filme vendido como uma produção infantil de alta qualidade para não revelar um conteúdo profundo que poderia afastar o espectador mais casual do cinema.

Baseado no livro homônimo do título brasileiro (o título original do longa é simplesmente Hugo), o filme dirigido por Martin Scorsese conta muito mais que a história de um menino que vive sozinho em Paris, se transformando a medida que o tempo é contado num ode a história do cinema.

O autômato deixado pelo pai é a única ligação com o passado que faz Hugo avançar para o futuro.

EM SEU PROPÓSITO

Hugo Cabret é um menino que vê a Paris dos anos 30 a partir da visão do alto das paredes da torre do relógio de uma estação de trem, local onde ele passou a viver com o tio bêbado, que o abandonou posteriormente, após a morte de seu pai.

Sem freqüentar a escola, mas muito esperto graças a tudo o que o seu pai lhe ensinou sobre mecânica e o funcionamento das coisas, o garoto tem como grande objetivo concertar um autômato, última lembrança que ele tem do pai, mas para isso deve se manter no anonimato, já que na estação um desajeitado guarda leva todos os garotos não acompanhados dos pais para o orfanato da cidade.

Com uma introdução infantil, o espectador não espera o que está por vir a medida que a narrativa avança. Com poucas falas, muita trilha sonora e uma textura que impressiona os olhos a cada detalhe que se descobre ao redor da tela de cinema ou nas lacunas que o diretor vai deixando ao longo da história para preencher no final.

A visão de mundo que passamos a conhecer a partir do protagonista, interpretado maravilhosamente por Asa Butterfield, que já novo demonstra todo o seu talento, surpreende a cada lição de moral que ele dá nas diversas situações que se vê envolvido.

Por estar tão ligado as máquinas, Hugo cresceu interpretando o mundo como tal, cada um com sua função, cada um com seu propósito, cada um com sua razão de ser.

A medida que a narrativa avança, tais preceitos se tornam essenciais para o sentido final da trama, que justifica o porquê de seu cuidado com a fotografia, o pouco texto e a alta trilha sonora.

A medida que ajuda Isabelle, Hugo começa a descobrir ligações entre o autômato e a chave em forma de coração.

METACINEMA

A Invenção de Hugo Cabret é além de tudo uma justa homenagem a um dos maiores cineastas que o mundo já teve, sem o qual o cinema talvez nunca tivesse chegado até aonde chegou, ou pelo menos não de maneira tão rápida.

Georges Méliès esteve presente na primeira sessão de cinema que os irmãos Lumiere rodaram ainda no século XIX. A visão que teve de tal invento o impressionou tanto que o, até então, mágico vendeu tudo o que tinha para construir o primeiro estúdio de cinema europeu, onde criou as mais fantásticas formas de contar história.

Todos os truques de cena, trucagens de filmagens e diversos efeitos especiais utilizados no cinema até a invenção da computação gráfica foi iniciada com Méliès, que diferente dos Lumiere, viu o cinema como uma atraente maneira de contar histórias.

Refilmando varios dos filmes, mas agora em 3D, e utilizando muitos originais Martin Scorsese traz junto com Hugo Cabret um Méliès idoso e sem esperanças para contar a gloriosa história do cineasta.

Um filme que conta a história da produção dos filmes, eternizando e dando valor a arte da filmagem, que se banaliza cada vez mais hoje com a diversidade de câmeras e celulares que filmam em todo e em qualquer lugar.

Ben Kingsley interpreta Georges Méliès.

ACERTANDO OS PONTEIROS

“Eu concerto máquinas”. Sim, isso é o que Hugo Cabret faz. E com Méliès não é diferente. Colocando o cineasta num patamar onde nunca deveria ter saído, A Invenção de Hugo Cabret é uma aula de como filmes devem ser feitos.

Com uma mensagem simples mas muito profunda, o filme expressa toda a vontade de um homem em expressar suas ideias para que o espectador comece a expressar tudo o que mensagem do filme resgata do seu eu mais íntimo.

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Abaixo, você confere Le voyage dans la lune (Viagem à lua) de 1902, em que usou técnicas de dupla exposição do filme para obter efeitos especiais inovadores para a época, e que ainda hoje conseguem expressar toda a genialidade da arte de contar histórias do cinema.

Saint Seiya Ômega: primeiras impressões

Estreiou nesse 1º de abril (é verdade!) a nova animação produzida pela Toei Animation da meteórica franquia de Saint Seiya, ou Os Cavaleiros do Zodíaco no ocidente, intitulada Saint Seiya Ômega. Após tanta repercussão com diversos elementos que comporiam a série e uma avant-premier que entrou para a história da nipo-animação no Brasil, é hora de avaliar as primeiras impressões do trabalho final, que mesmo planejado para durar 52 episódios, já dá seus primeiros sinais de sucesso.

O ENREDO

Certamente o maior dos medos dos fãs de longa data residia no enredo que a trama traria para a franquia. A data escolhida para se passar a história (nos tempos atuais em 2012) e a envelhecimento que todos os personagens sofreriam já soava desagradável. Após saber de um novo Pégaso, de um filho de Shiryu e de um inimigo com cara de Digimon, a tensão só aumentou.

No primeiro episódio, não aconteceu nada que abalasse o conceito geral da obra. Kouga, um jovem criado na Mansão Kido por Saori e treinado por Shina de Cobra (ou Serpentário, no original) se recusa a se tornar um cavaleiro por não saber exatamente do que isso se trata. Sem conhecer Seiya, ele pouco se importa com o fato de ter sido criado quando criança por ele.

Se o treinamento que ele recebe não é o que mais lhe agrada, o jovem nutre profunda admiração por Saori, que o criou desde bebê. Apesar de não deixar claro no primeiro episódio, a deusa está sofrendo de algo que deixa seu corpo com uma aparência muito próxima das galáxias que formam o corpo de Marte, o vilão da história que, até onde se sabe, matou Seiya quando este tentou matar Kouga.

Sem Santuário e concentrado na conceitualização do protagonista e nos conceitos básicos da história (como a fonte da Cosmo Energia) que os novos telespectadores do Japão não estão acostumados, o episódio terminou com Kouga vestindo a armadura de Pégaso, que não tem mais a forma object e nem urna, agora guardada dentro de um cristal que Saori lhe entregara pouco antes de Marte ressurgir, vencer Shina e tentar sequestrar a deusa Atena.

Seiya agora veste a armadura de ouro de Sagitário!

Terminando com aquele gostinho de “quero mais” que a série clássica tanto tinha e que as novas produções da franquia pouco conseguiram alcançar, o início de Saint Seiya Ômega começou diferente de tudo o que já foi visto em Saint Seiya, mas com o espírito que todos os fãs queriam ver.

A ANIMAÇÃO

Um dos grandes impactos do anúncio da nova série foi a profunda transformação que alguns personagens passaram com o novo traço adotado pela Toei Animation. A nova roupagem não só deu nova cara aos personagens já conhecidos dos fãs, como também redefiniu as armaduras e o estilo do inimigo.

A começar por Saori e Seiya, que agora com 38 anos deveriam trazer um traço mais maduro caso alguma mudança nos seus traços fossem feitos, o novo conceito foi simplificado demais. Mesmo com os olhos parecidos com o que eram desenhados na série clássica, o formato da boca, do nariz e a magreza do corpo chegam a incomodar.

O perfil até colabora para o design de novos personagens, mas parece ter tirado aquele ar doce e sereno que Saori costumava ter e a emoção latente que o rosto de Seiya sempre expressava. A impressão que dá é que os desenhistas preferiram “caprichar” no traço de Kouga para que este logo se destacasse entre os novos telespectadores da saga e logo ganhassem sua preferência.

Mas nem tudo são rosas negras, pois a qualidade da animação surpreendeu muito. Apesar do traço utilizado ser muito próximo das produções mais infantis da Toei, a série é madura o suficiente para agradar a fãs de todas as idades, tanto em enredo quanto em qualidade de imagem.

Mais madura, o traço de Saori Kido, a Atena, estranha a primeira vista.

A qualidade movimentação dos personagens enche os olhos de qualquer um que assista ao episódio, principalmente após um trabalho tão estático da Toei com OVA’s das fases Inferno e Elíseos de Hades. A somatória da dinâmica com o traço ainda não chega ao nível de estúdios como o Mad House ou Studio Ghibli, mas estão na mesma qualidade das atuais animações do Estúdio Pierrot.

A TRILHA SONORA

Para quem esperava uma nova música de abertura, “caiu do Pégaso” quando foi anunciado que Pegasus Fantasy seria mais uma vez o tema de Saint Seiya. Depois, mais uma queda sofreram todos que escutaram a versão cantada por Shoko Nakagawa (nova dubladora da Saori) e Nobuo Yamada.

Começando por um melodia leve e emocional por Shoko, a música ganha toda a força e o dinamismo da voz de Nobuo Yamada, entrando em êxtase total com a combinação dos dois no refrão da música.

E como BGM’s (Background Musics), foram utilizadas muitas músicas inéditas e novas roupagem para velhas trilhas conhecidas do público compostas pelo premiado compositor Seiji Yokoyama ainda nos anos 80 durante a produção da série clássica.

DESTAQUES E DESASTRES

Algo muito, mas muito interessante aconteceu após eu assistir o primeiro episódio de Saint Seiya Ômega: nunca, em já quase 20 anos como fã da série, eu havia notado como a personagem Shina de Cobra é interessante. Extremamente habilidosa, honrando seu título de amazona de prata com capacidade para ser mestre, a breve troca de golpes com Marte e a sua astúcia ao treinar Kouga demonstraram como ela foi uma personagem mal aproveitada durante todo o desenvolvimento da série clássica.

Também temos o detalhe da armadura. Armadura essa que ainda parece estranha de se guardar num pingente de um colar. Atire uma pedra o fã que nunca ficou analisando parte por parte os encaixes do object da armadura no cavaleiro. Masami Kurumada, o autor da série, fez escola ao criar as armaduras que desmontadas se tornavam figuras de constelações, mas parece que a nova geração de fãs não terá tal experiência.

Com tal alteração na montagem das armaduras, fica inclusive uma dúvida nos produtos a serem lançados. O hobby de montar um Cloth Myth é comparável ao de colecionadores de automodelismo, que transpassa para a figura um pouco da sua paixão pelo esporte. Será que os novos bonecos da Bandai trarão junto com o novo conceito do anime uma nova forma de action figures de Os Cavaleiros do Zodíaco? É esperar para ver.

E já que o assunto são armaduras, muito interessante a ideia que adotaram para Kouga, Shina e os outros protagonistas. Próximo do que era na série clássica, porém mais dinâmico e arrojado, os trajes são perfeitos para cair no gosto da garotada japonesa e ser aprovadas pelo fãs da velha guarda.

Shina foi o destaque do primeiro episódio!

Como o traço das armaduras varia bastante de acordo com o autor que escreve para a franquia (vide o Episódio G) é muito viável que Ômega não repita as velhas fórmulas da série original. O único porém foi a armadura de Sagitário de Seiya: as asas muito retas e a espécie de cachecol que fica no colarinho da armadura ficaram um tanto quanto exageradas, não acompanhando o dinamismo das demais armaduras.

Outro ponto positivo foi Kouga, que mesmo carregando nas costas o legado de Tenma e Seiya, conseguiu se mostrar um protagonista interessante, com um passado a ser conhecido e uma personalidade contestadora capaz de chamar a atenção de novos fãs e honrar a armadura de Pégaso.

Não que a proposta da série consiga me agradar, mas o enredo em geral foi muito positivo dentro da mesma. Toda a história precisa de um motivo para ser contada, e a de Saint Seiya é a história de Seiya. É difícil imaginar que após tantos fenômenos ocorridos com os cavaleiros nos anos 80, o ciclo de Guerras Santas continuaria, o final de Saint Seiya sempre me pareceu perpetuar o fim da história. Logo, a história de Ômega me parece algo incabível, do nível de fanfics sonhadoras que gestalticamente quiseram seguir com a história com os cavaleiros de bronze na vestimenta de ouro.

Porém a proposta da série está aí e não adianta colocar as possibilidades virtuais que a série clássica dá para seguir com o enredo. Para avaliar Ômega, é necessário tomar por base a essência do universo de Ômega.

Kouga sente o peso de se tornar cavaleiro.

COSMO FINAL, AFINAL

Saint Seiya Ômega nasceu em um momento oportuno, e por isso mesmo é uma série oportunista. Não que isso seja ruim, todo anime é criado para gerar retorno para todas as partes envolvidas e a comemoração de 25 anos da série (na verdade em 2012 já são 26!) é uma situação que não pode ser disperdiçadas.

Para a Toei, criar algo novo de Saint Seiya é sempre uma maneira de colocar os holofotes em cima dela, a obra é consagrada dentro e fora do Japão e, com excessão dos EUA, é (junto com Dragon Ball Z) o principal cartão de visita do estúdio em todo o mundo.

O formato adotado em Saint Seiya é claramente voltado ao público internacional, com personagens com nacionalidades dos principais países em que a franquia faz sucesso, inclusive o Brasil.

O tom da série é muito próximo da emoção passada pela série clássica, ponto que considero o mais relevante em sua produção. Os efeitos especiais estão dentro do parâmetro que os japoneses costumam assistir, os personagens são cativantes e o ambiente é propício para que a franquia ganhe novos fãs no Japão e no mundo.

São apenas dois os pontos que podem barrar o sucesso da série. O traço muitas vezes é irritante e infantil, com narizes pontiagudos, falta de detalhes e certas deformidades, imperceptíveis para crianças abaixo de 10 anos, mas que incomodam os fãs de animação de longa data.

E por fim, o enredo que, apesar de bem contado, mediocriza a franquia no geral, transformando-a cada vez mais em produto (como são os tokusatsus da Toei, as séries Digimon e as produções de Transformers) e menos em fantasia, utilizando-se do racional sistema de Guerras Santas que Masami Kurumada criou para dar continuidade a série ao invés de encerrá-la como um épico.

Írá Kouga dar continuidade ao legado do lendário Seiya?

Sabendo como os japoneses são mestres na arte de contar histórias, é certo que Saint Seiya Ômega será mais uma produção genial. Mas se ela terá a mesma força motriz que comoveu o mundo e se ela é digna de continuar o legado iniciado nos anos 80, só o tempo irá dizer ao longo dos próximos 51 episódios da série.

RESENHA: Getsumen to Heiki Mina

Em dias de grande apelo midiático, se torna cada vez mais comuns que histórias se tornem franquias e estas, por sua vez, dêem origem a diversas outras formas de interação para a aprovação de cada vez mais nichos de públicos e mercados. Os grandes hits mundiais estão aí para provar que quando bem trabalhado, não mercado que não possa ser atingido. Do mesmo modo, Getsumen to Heiki Mina dá a receita ideal para quem quer afundar um hit: jamais vender morangos para quem quer cenouras…

UM INÍCIO INESPERADO

A concepção de um anime no Japão pode ser oriunda de muitas variáveis: mangás, games, cards, projetos de estúdio, grandes escritores, autores ou só mais um tapa buraco na grade da TV japonesa. Porém, com Getsumen to Heiki Mina a derivação foi um pouco além do que já se havia visto.

Quando foi exibido na tv, o seriado Densha Otoko (clique para ler a resenha aqui) chamou a atenção do público nipônico por sua maneira inteligente e divertida de tratar o romance inesperado entre Saori Aoyama, uma jovem filha de um casal milionário, e  Yamada Tsuyoshi, um otaku que sofre o preconceito hipócrita do Japão.

Entre as excêntricidades que Yamada fazia durante toda a série era assistir a um anime de uma garota com foguete em formato de cenoura que protegia a Terra do ataque de alienígenas, nascia Getsumen to Heiki Mina.

Logo de início, a abertura do seriado já era ilustrada com uma rica animação de Mina, com a personagem voando por entre frutas, aliens e trens, com uma qualidade altamente detalhada e grandes efeitos especiais que faziam até o otaku mais purista a querer assistir o anime que o protagonista de Densha Otoko tanto idolatrava.

Percebendo o ouro comercial que tinha nas mãos (as miniaturas de Mina, iguais as que Yamada tinha em seu quarto já estavam vendendo toneladas no Japão), o estúdio Gonzo, estúdio de animação que auxiliou na realização de Densha otoko, começou a produzir um anime de Mina. Porém…

QUERO SER REPÓRTER!

Com um nome e uma temática muito comum nos seriados tokusatsu e em animes dos anos 70 e 80, Getsumen to Heiki Mina parecia ser um anime que seguiria uma linha de história padrão dos animes no Japão, com um enredo voltado a salvar o mundo com uma heroína corajosa e que todas as crianças desejam ser. Porém, logo de início, as coisas pareceram ir para outro rumo.

Graças a um concurso em sua escola Mina Tsukuda ganhou um lugar na bancada de um programa jornalístico esportivo na tv local de sua cidade. Tudo isso não passaria de um jornalismo normal se os jogos esportivos não fossem o alvo de alienígenas que, fanáticos pelos esportes do planeta Terra, único local no mundo a realizar tais competições, vêem a Terra para sequestrar jogadores ou protestar por bons espetaculos.

Apesar de o Japão sempre ter sido protegido por Ootsuki Mina, uma guerreira da verdade e da justiça que usa os poderes das frutas para derrotar os aliens, a Força Coelho escolhe Tsukuda para se tornar Tsukuda Mina, que graças aos betacarotenos presentes nas cenouras do planeta Terra pode usar poderes especiais e livrar o mundo de uma vez por todas das ambições dos seres extra-terrestres.

JU JITSU

Getsumen to Heiki Mina ressalta vários pontos dos fetiches japones: seios fartos, jovens inocentes protagonistas em diversas poses sexys, amores platônicos, chefes intolerantes, esportes, super-heróis, robôs, alienigenas e diversos outros elementos misturados em uma comédia forçosa e superficial.

A qualidade da animação é muito inferior ao da abrtura de Densha Otoko.

Mesmo os pequenos mistérios que envolvem a protagonista, como a presença dos genes de Mina em seu DNA, a origem da Força Coelho e a identidade secreta do maior destaque sa série, Ootsuki Mina, não conseguem comover ou prender a atenção do espectador.

Um dos muitos pontos que foram abordados explorados em Densha Otoko é o comportamente “Moe“, uma gíria japonesa para otakus que nutrem um amor platônicos por personagens de animes e seus derivados, chegando ao ponto de virarem seguidores de suas dubladoras e ficarem excitados ao menor sinal sexual que a personagem insinue.

Chun-Li, May Shiranui, Serena Tsukino, Chichi, Bulma. Todas elas são símbolos do Moe. Os seios fartos, as curvas e os biotipos de Tsukuda e das outras Minas após suas transformações exploram bem esse lado do fã, mas o conteúdo por trás do anime chega a por em dúvida se mesmo os personagens cheios de Moe como os de Densha Otoko acabariam realmente desenvolvendo um amor platônico pelas personagens.

E se o Moe já é um ponto forçado, o que dizer do sensacional chute que a Mina dá no episódio 7 que os amigos de Yamada tanto comentam em Densha Otoko? O chute foi mais uma das muitas (quase todas) sequências mal elaboradas do anime, fazendo parte de mais uma de suas cenas cruas e deixando o mínimo de esperança dos fãs de Densha otoko por algo interessante em sua adjacência.

PYOOOO!

Casual, simples e sem mérito, essa é a melhor descrição de Getsumen to Heiki Mina.

Uma pena.

A variação de minas acontece para atingir a todos os público do Moe.

O anime tinha tudo para ser um sucesso de crítica e público, já que já nasceu com ambos já formados mesmo antes de ser transmitido pela primeira vez nas TVs japonesas. Se o vídeo de abertura fez Mina conquistar milhões de fãs asiáticos e ocidentais, os 11 episódios do anime frustraram até o menos exigente dos espectadores.

Com uma linha de história fraca e uma animação bem abaixo do tema de abertura de Densha otoko, Getsumen to Heiki Mina é a prova cabal que para o sucesso midático não basta que uma produção seja composta de idéias e preconceitos, mas de conteúdo e razão de ser, mostrando que a execução é a parte mais importante de qualquer estratégia de marketing, fazendo o insight de sucesso apenas mais um detalhe no grandioso, porém exigente mercado de animação mundial.

RESENHA: Bleach, a Saga dos Bounts

Vampiros fascinam o mundo desde a sua criação. Apesar de criados na Europa, o limite de seu alcance parece não ter fim, ultrapassando as fronteiras de países, mídias e autores.Numa saga intermediária entre um e outro canône, vampiros foram a temática ideal para Bleach durante a Saga dos Bounts, segmento da história que teve de tudo para ser um estouro, mas que se corrompeu tanto quanto um ser humano mordido por um vampiro.

DE DEUSES A VAMPIROS

Com as ascensão de Aizen e a tensão instalada na Soul Society com sua ida ao Hueco Mundo, Bleach alcançou seu ponto mais alto, fazendo cair o queixo mesmo daqueles que pouco esperavam da história. Esta resenha vai contemplar a Saga dos Bounts, temporada excluvisa do anime mas que conseguiu se encaixar perfeitamente dentro da cronologia da história.

Com os problemas da Soul Society resolvidos e o sumiço de Aizen, não haveria melhor local para acontecer a história do que a própria cidade de Karakura, que misteriosamente começou a ter seus habitantes atacados e mortos de forma muito estranha, muito similar a vampiros sugadores de sangue.

Estes são os Bounts, seres que sugam a reiatsu, energia espiritual, dos humanos para sobreviver e alimentar seus poderes sobrenaturais. O que intrigou os shinigamis foi que, apesar de eles saberem da centenária existência de estes seres, essa foi a primeira vez que os ataques dos Bounts chegou a um número tão exorbitante e letal.

Como resolver isso? É hora dos treze esquadrões colocarem em ação Ichigo Kurosaki, o humano mais sortudo de toda a terra, que durante a Saga da Soul Society (leia a resenha aqui) ganhou poderes de shinigami e, de quebra, se tornou o substituto do shinigami que cuidara de Karakura.

Kariya e todos os Bounts reunidos.

Ichigo, Orihime, Chad e Ishida, o último quincy, começaram a investigar os casos que parecem se agravar a cada instante. Apesar de afetados pelas consequências da batalha contra Aizen, sobretudo Ishida que chegou a perder seus poderes, as situações que eles se encontravam serviu de base para a criação de sua posição na história, que parecia, no início caminhar de maneira tão grandiosa quanto Tite Kubo, autor da série, conseguiu desenvolver no mangá. Pois é, só parecia.

E COMEÇAM OS PROBLEMAS

Bounts são seres que, apesar de alguns atritos com os shinigamis e os quincy no passado, haviam se resignado ao seu mundo e passaram a ter uma vida pacífica com os seres humanos. Os bounts, assim como os shinigamis, em nada se diferenciam dos seres humanos em sua aparência, mas diferentes destes, eles tem vida eterna.

Mas para mantê-la, é necessário sugar certa quantidade de energia espiritual das coisas vivas da terra. Apesar de há séculos estes seres estarem se alimentando de animais, o fato de humanos serem claramente atacados por essa criatura colocou em xeque as reais intenções do grupo.

O principal antagonista da saga é Jin Kariya, um bount que coagiu a uma grande parte de seus colegas de raça a iniciar um plano contra a Soul Society. Entre o grupo, ainda há um shinigami, Maki Ichinose, que possue fortes ligações com Zaraki Zenpachi, o capitão da 11ª primeira divisão dos 13 esquadrões da Soul Society.

Todos os elementos da saga vão sendo apresentados a conta-gotas, o que no início é muito interessante, já que a temática bount baseada em vampiros não só exige, mas chega a preencher todo o tom da história com muito mistério e suspense.

Rin Rin, Cloud e Nova são almas modificadas inseridas na saga exclusiva do anime.

O grande foco em Ishida no início da história, além de interessante devido ao histórico de guerras entre bounts e quincys, foi um diferencial muito bem planejado, já que o personagem não poderia participar da história como um lutador, já que o autor original tirou seus poderes no fim da saga da Soul Society.

A criação de mais três almas modificadas, Rin Rin, Cloud e Nova, além de manter as sequências engraçadas que a história sempre teve entre uma passagem e outra, ainda contribuiu para uma participação ativa de Kisuke Urahara, que além de sua popularidade, deixou muito o que mostrar na saga anterior.

Ou seja, tudo parecia muito bem estruturado e pronto para gerar uma história que, mesmo sem ligação com o autor original, tivesse tanta qualidade quanto o enredo original. Mas…

AS SOLUÇÕES INTENSIFICAM OS PROBLEMAS

Com o passar dos episódios é possível notar uma clara queda de conteúdo e uma certa apelação dos roteiristas. Talvéz pelo ritmo a passos lentos uma possível que uma abrupta queda de audiência da atração acabou impelindo os roteiristas a se utilizarem de elementos que trouxesse o espectador perdido de volta a TV.

Com a chegada de alguns capitães e tenentes dos 13 Esquadrões da Soul Society a história que primava pela qualidade do enredo virou um festival de pancadaria e desculpas para lutas dos personagens mais populares.

Esta saída, ainda que compreensível ja que sem audiência um programa de TV não tem porque continuar no ar, ainda teve outras consequências não só para a animação mas para a franquia em geral. Com a chegada dos populares shinigamis, a participação de Chad, Orihime e mesmo de Ishida na história diminuiu drásticamente.

Com Ichigo, Rukia e Renji guiando a história, uma certa miopia acabou por contagiar os espectadores que passaram a rejeitar cada vez mais as participações do trio não-shinigami, seja nas histórias canônes ou nos spin-off’s.

A surpresa de um shinigami aliado aos Bounts resultou em um desfecho contra Zaraki, o capitão do décimo primeiro esquadrão!

A questão será abordada mais para frente, quando os arcos do mangá forem analisados, mas é bom deixar claro que a falta de planejamento dos mais de 50 episódios (praticamente o mesma quantidade da saga da Soul Society, que conta com 64) deixando Ishida, Chad e Orihime na adjascência da história acabou por contaminar muito da história a seguir.

Mesmo o encaixe da história de Ichinose com Zaraki, mesmo sendo muito interessante, acabou por atrapalhar um pouco dos detalhes do passado do capitão do décimo primeiro esquadrão, detalhes que mesmo o autor não havia explorado.

O TEMPO E O VENTO

Mesmo num ritmo lento e com um desenvolvimento quebrado, não se pode dizer que tudo foi perdido ao final da saga, mesmo que o próprio final represente algo que também quebrou um conceito do protagonista.

Já que tudo estava perdido mesmo, tudo acabou acontecendo no final da saga dos Bounts, capitães venceram os principais representantes da raça, Ishida ressuscitou na história e ganhou poderes para vencer um dos vilões, a Soul Society retornou como palco da história e etc… Mas pelo menos Ichigo foi o responsável pelo encerramento do arco.

Sua luta final contra o doll de controle do vento Kariya foi memorável, destacando a performance de ambos em demonstrações de habilidade, garra e força de vontade. Mas o mais marcante foi o texto forte que o vilão dirigiu a Ichigo durante toda a batalha, instigando-o a desistir e a se voltar contra sua moral e ética que o próprio Kariya já havia perdido a tanto tempo como foi descrito em seu passado.

Porém, um erro fatal foi cometido e nenhum roteirista acabou percebendo. Até então, Ichigo nunca havia matado um oponente humanóide, apenas hollows. Mesmo assim, a vitória sob Kariya não mencionou em nenhum momento tal mudança de comportamento do personagem, dando a entender que sempre foi normal Ichigo matar seus oponentes ao fim das batalhas.

Apesar das falhas durante a saga, a luta final contra Kariya foi uma ds mais emocionantes de toda a hitória do anime!

FIM DO CICLO

Texto. Este foi o principal destaque da Saga dos Bounts. Mesmo oscilando diversas vezes, os roteiristas do estúdio Pierrot, responsáveis pela produção do anime, soubeam muito bem aplicar momentos tensos e dramáticos a série.

E foi com um grande texto que a série se encerrou, um texto que o próprio Tite Kubo escreveu em um capítulo extra do mangá durante a saga a seguir, finalizando a história dos Bounts da maneira mais integradora possível.

Mesmo que corrosiva ao anime, a Saga dos Bounts foi uma prova que spin-off’s podem ser muito bons sim, desde que, diferente do que acabou acontecendo, a linha escolhida para a produção seja pré-planejada e organizada de maneira que haja dúvidas da sua autênticidade quando o fã ligar a TV e resolver continuar a assistir seu anime favorito.

RESENHA: Comando Estelar Flashman

“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Numa mistura de heróico com nostálgico, esta é a frase que dava início ao seriado que trazia cinco jovens vestindo roupas coloridas combatendo formigas humanóides e monstros espaciais com um super robô para proteger a Terra de toda e qualquer força malígna que pudesse ameaça-la. Mesmo trazendo um enredo muito parecido com uma série que conquistou o Brasil um ano antes de sua exibição (ponto para quem se lembrou de Changeman), o Comando Estelar Flashman fez bonito por onde passou, seja no Brasil, na Europa ou no Japão, a série japonesa mostrou que o tom épico de sua frase de abertura não era só um mero chamariz, era o reflexo de um dos super sentais mais bem produzidos de toda a história!

SUPER SENTAI

Antes de falar de Flashman, é necessário explicar do que se trata o seriado. Com o sucesso de Power Rangers no ocidente desde os anos 90, os seriados japoneses de quintetos de super-heróis que deram origem aos esquadrões americanos foram um tanto quanto esquecidos.

Do mesmo jeito que Power Rangers é o nome de uma franquia, no Japão a franquia de heróis coloridos se chama  Super Sentai (do japonês, スーパー戦隊 Sūpā Sentai) e já tem mais de 35 anos de história. Na verdade, os próprios Power Ranger são releituras dessas séries japonesas, fazendo com que os produtores da Saban e/ou Disney economizem com a produção de design e efeitos especiais.

Criado pelo mangaká Shôtarô Ishinomori em conjunto com a Toei Company, gigante do entretenimento japonês responsável por diversas séries de super heróis e desenhos animados como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, os Super Sentais seguem uma fórmula básica: cinco jovens são recrutados para proteger a Terra de extra-terrestres malígnos usando trajes coloridos e robôs gigantes.

O tempo de exibição da série é sempre de um ano, com uma média 50 episódios por equadrão. Um episódio é exibido por semana e imediatamente ao acabar o ciclo de uma série, uma nova a substitui, para que a indústria envolvida com o sucesso desses heróis não perca o fôlego.

Mesmo preso a uma fórmula pronta, o Comando Estelar Flashman mostrou que seu enredo ia além e foi um divisor de águas para a franquia e superou qualquer expectativa da época.

A REVOLUÇÃO

A história de Flashman se passa antes do primeiro episódio, isso tanto dentro das gravações como nos bastidores da produção. Anualmente, o produtor Takeyuki Suzuki é convocado pela Toei Company para a criação do enredo de um novo Super Sentai  que irá substituir o que já está sendo exibido na TV.

Diferente de tudo o que já fora abordado nesse tipo de seriado, o produtor se inspirou em algo diferente. Durante a II Guerra Mundial, as crianças japonesas qu haviam perdido seus pais na Guerra ou que por ventura, a família não tinha mais condições de cria-las, foram enviadas para a China aos cuidados de pais adotivos. Vinte anos após o fim da guerra, as crianças comçaram a voltar ao Japão para reencontrar com a família e/ou parentes mais próximos. Observando isso, Suzuki decidiu que este seria o mote de criação de Flashman.

Mesmo sendo um tema delicado, ainda mais pela franquia se dirigir ao público infantil, o produtor, junto com os roteiristas resolveram seguir em frente e criaram diversas analogias ao contexto escolhido para a elaboração da história.

O primeiro ponto seria como encaixar os orfãso como protagonistas da história. Assim, estes seriam representados por crianças sequestradas por piratas espaciais e criadas em um planeta distante da Terra (o planeta Flash), ao qual precisam voltar para impedir que o Crusador Imperial Mess use os terráqueos em terríveis experiências genéticas. Para portegê-la, os cinco jovens sequestram do planeta Flash uma nave (o Star Condor) que contém armamentos, mechas e gemas que os transformam no esquadrão Supernova Flashman (do jaonês 超新星フラッシュマン Chōshinsei Furasshuman), rebatizado no Brasil como Comando Estelar Flashman.

Por serem criadas em um lugar com características diferentes de sua terra natal, estes adquiririam poderes especiais e comportamentos diferentes dos terráqueos. A casa novidade com que eles se deparam (um balão por exemplo) eles os tratam com grande entusiasmo e curiosidade, comportamento este baseado nos orfãos criados na China que, ao chegarem ao Japão, se surpreendiam muito com o crescimento e a tecnologia do país.

Mesmo sendo um plano audacioso, o roteiro deu certo, atraindo crianças e conquistando adultos, sendo até hoje, a quarta série (empatada com Google V) de Super Sentai que mais deu audiência no Japão.


PROTAGONISTAS CATIVANTES

Não só de enredo vive um seriado, os atores, a produção e no caso dos super sentais, as vestimentas, armaduras e design dos elementos que a ele integram são de crucial importância, visto que um dos pontos que mais atraem o público infantil é o espetáculo da imagem. E a seleção foi perfeita! Para formar os cinco protagonistas, foram chamados quatro atores veteranos dos super sentais e um novato, somando tradição e originalidade em um só elenco.

Din, interpretado por Tota Tarumi é o Red Flash. Com 25 anos, é o mais velho da equipe e também o líder deles. Apesar de no início ser um personagem mais frio e focado na missão de proteger os terráqueos, se mostra o mais caloroso dos cinco, assumindo o posto do altruista irmão mais velho da equipe. Como líder, possui um grande senso de justiça e sempre é o primeiro a tomar a iniciativa em momentos críticos.

Dan (no origial, Dai) interpretado por Kikachiko Uemura é o Green Flash. Apesar de ser interpretado por um ator novato, demonstrou toda a garra, força e determinação que o personagem pedia. Diferente de Din, que foi treinado no planeta Flash, Dan teve seu treinamento no satélite Green Star.

Go (no original Bum) interpretado por Yasuhiro Ishiwata é o Blue Flash. Sendo o mais inocente e brincalhão da equipe, conquistou facilmente o público mais infantil. Seu ataque, o laserball, mesmo sendo um dos de maior dificuldade de produção, é também um dos mais interessantes para a série, sendo utilizado como fator decisivo em diversos momentos.

Sara, a Yellow Flash, é interpretada por Yoko Nakamura. Sem dúvida Sara era a personagens mais interessante dos protagonistas, tanto a composição de seu personagem com incríveis raios de gelo provocados pelo bastão laser, a garota aprendeu no satélite Yellow Star a prever os movimentos do inimigo, sem contar que é a responsável pela mira da bazuca Cosmic Vulcan e da convocação do Cosmic Laser, golpe final do robô do grupo. Romântica e extrovertida, interessantes reflexões acerca do passado dos Flashman foram feitas pela personagem durante a série, sendo a representante máxima do amadurecimento dos super sentais.

Para finalizar, Lu, a Pink Flash, interpretada por Mayumi Yoshida é a pesonagem responsável por uma das trocas mais inusitadas da série. Na gravação dos inserts de abertura para o vídeo de abertura do seriado, a atriz fez uma expressão um tanto quanto “raivosa” em sua primeira aparição, um dos fatores que causou  sua baixa popularidade. Assim, ela foi a única personagem que teve sua performance regravada alguns meses depois da estréia da série.

MECHAS E VILÕES

Os heróis sao interessantes, mas sem sombra de dúvida, o destaque gráfico e comercial de Flashman acontecesse graças aos mechas e aos inimigos dos heróis.

Fora o plano de fundo mais adulto, a primeira grande revolução causada por Flashman foi a quebra de padrão logo no primeiro episódio. Um dos responsáveis pelo grande sucesso da franquia dos super sentais é a presença de um mecha gigante que ajuda os heróis nos momentos mais criticos. A presença do robô começou a ser usado na terceira série sentai, o Battle Fever, e a partir daí se tornou padrão, todos os episódios tem reservado 17 minutos para os heróis e 3 minutos para o robô.

Porém, logo no primeiro episódio da série o Poderoso Flash King, o robô da equipe, não dá as caras, sendo apenas apresentado no episódio posterior. Além disso o padrão cronométrico do robô é quebrado em Flashman ao longo dos episódios, tendo episódios sem a presença do mecha e episódios com batalhas mais longas que o usual.

Além disso, a série é a primeira a apresentar um segundo robô a uma equipe Sentai. Após a derrota do Flash King para um monstro do Crusador Imperial Mess, que se tornou um dos episódios mais dramáticos e cheios de ação da série, os Flashman recebem a ajuda de Barack, um habitante do planeta Flash que lhes traz o robô do Deus Titan, o primeiro guerreiro a usar o poder dos Flashman, o caminhão Titan Flash, que se converte em Titan Junior e mais tarde em Great Titan para vencer os inimigos mais poderosos.

Estima-se que a aparição desse segundo robô se deu por conta de uma queda de vendas do robô principal. Essa idéia deu tão certo, que hoje as séries de sentai apresentam diversos robôs, se multiplicando cada ve mais a cada nova série da franquia.

Deixando os circuitos e metais de lado, encontramos muita genética e experiências inóspitas do lado inimigo. Liderando o rusador Imperial Mess, o grande Monarca La Deus decide que a diversidade biológica da Terra é o local ideal para que seu subordinado mais próximo, o doutor Kepflen realize os desejos de Mess.

A grande maioria dos personagens do “lado negro da força” foram criados a partir de uma viagem que Takeyuki Suzuki fez ao Egito pouco antes do início da composição do tokusatsu. Nefer, Wandar e muitos outros trazem diversas referências do local.

Tão grandioso quanto a inspiração dos nomes e o design dos vilões (o melhor de toda a história dos super sentais) foi a idéia de conquista que está por trás de Mess. Ao invés da simples conquista da terra recorrentes na maioria dos super sentais anteriores a Flashman, La Deus e Kepflen misturam genes (na dublagem brasileira “bio-moléculas) com os seres terrestres como plano de fundo para a ação do vilões.

Para completar o time do mal, nenhum outro vilão fez uma participação tão grandiosa completa do que Kaura, o caçador espacial que sequestrou os protagonistas e aparece posteriormente ao início da série para dar um gás muito mais dinâmico tanto para as cenas de ação como para a complexa relação existente entre Kopfler e La Deus. Só a aparência diferenciada dele (barba, vestimenta negra, cablos tanpamdo um dos olhos) já impõe presença, mas a história envolta dele nos momentos decisivos da luta dos Flashman contra Mess lhe faz um dos vilões mais interessantes (senão o mais interessante) de toda a história dos 35 esquadrões tokusatsus.

A SÉRIE NO BRASIL

Produzida e exibida no Japão durante os anos de 1986 e 1987, Flashman chegou ao Brasil em 1989 com uma dificil tarefa: manter o sucesso que Jaspion (leia o review aqui) e Changeman haviam feito no Brasil desde 1986.

Assim como no japão, Flashman conseguiu grande sucesso e prestígio com o público brasileiro, sendo exemplo de conquista de audiência aos seus concorrentes que começaram a surgir aos montes após o sucesso de Jaspion. O tokusatsu foi exibido na Rede Manchete até 1994, quando passou na Rede Record e deu seu último suspiro na TV Gazeta até 1997.

Atuamente, Flashman pode ser encontrado em uma caprichada coleção de DVD’s da Focus Filmes, como 10 discos divididos em dois boxes digistack. A edição de colecionador inclui uma lata comemorativa, cartões postais e um encarte escrito por Ricardo Cruz com um pouco da história e detalhe inéditos dos bastidores da produção.

Assim como na TV, Din e cia parecem não terem descanso e também tiveram que cumprir uma importante missão para a Focus Filmes. “Queimada” com seus consumidores após erros esdruxulos nos boxes de FullMetal Alchemist, Changeman, National Kid e principalmente Jiraiya, o lançamento de Flashman em DVD teve o objetivo de recuperar a imagem da Focus Filmes com o público-alvo de tokusatsu e, para alegriar dos fãs, tudo ocorreu conforme o esperado.

Os DVDs seguem (quase) a mesma qualidade de som (dublada e legendada) e imagem de Jaspion (o melhor lançamento de seriado japonês  já realizado pela empresa), contém áudio-comentários de Ricardo Cruz e outros nomes do gênero tokusatsu no Brasil no primeiro box e uma tradução de legenda impecável.

A arte de capa ficou abaixo de todos os outros lançamentos da empresa, podendo ter sido melhor trabalhada e mais variada (Flash King repete duas vezes na luva do box da edição de colecionador). Os previews dos episódios poderiam ter sido dublados (já que nos anos 80 isso não foi feito) e há a falta das eye-catchs nos episódios do primeiro box.

E O RESULTADO FINAL É…

Nem é necessário perguntar se assistir aos 50 episódios de Flashman é uma tarefa compensadora. Engana-se quem achar que o retrô das imagens ou do vídeo de abertura de Flashman rfletem uma história desgastada pelo tempo. Surpreendendo todo e qualquer fã de super heróis e ficção científica, Flashman é o seriado ideal para quem quer unir efeitos especiais e uma história inteligente.

Apesar de dirigida ao público infantil, o enredo de Flashman surpreende por sua originalidade e criatividade. Se a “queda do robô” surpreende até o fã mais inveterado da franquia Super Sentai, o que dizer do público casual quando assitir a dramática luta contra o tempo e dedicação do grupo para encontrar respostas sobre o paradeiro de sua família ao fim do seriado?

Impossível não se emocionar com as histórias cativantes de cada um dos protagonistas cada vez que, muitas vezes na inocência acreditam ter encontrado algum ente familiar. Família, irmandade, união, amizade são só alguns dos sentimentos e lições mais importantes que o grupo precisou enfrentar em seu desejo de proteger a terra.

E o que dizer dos vilões mais amarguradamente complexados que os super sentais já enfrentaram? Numa mistura de Guerra nas Estrelas com Frankstein, os vilões se mostram personagens cada vz mais interessates, demonstrando personalidades e desejos que refletem os mesmos sentimentos que os humanos sentem a cada tipo de relação interpessoal que começa a ter.

Analogia histórica, personagens cativantes e panos de fundo que são atuais até hoje fazem de Flashman um seriado inesquecível tanto para quem era criança nos anos 80, como para que decidir assistir ao seriado pela primeira vez agora. Para finalizar, você fica com o vídeo de abertura do tokusatsu para relembrar a nostálgica frase com que iniciou esse review ou para conhecer um seriado que vai te emocionar a cada vez que você assisti-lo e reassisti-lo:

Vídeo em homenagem ao dia 7 de setembro

Recentemente montei um vídeo para a comemoração da Independência do Brasil para as festividades de uma escola pública da cidade de Itatiba. O texto e a narração, maravilhosos, ficaram a cargo de uma professora da escola e eu montei o vídeo.

Aproveitando a data de hoje, fica registrado minha homenagem à patria, resgatando um pouco da consciência histórica, amirando as conquistas e salientando os pontos que anseiam por mudanças.

REVIEW: filme “Ultraman Tiga, Dyna e Gaia – A Batalha do Hiperespaço”

Confesso que fiquei com um pé atrás quando li a notícia que Focus Filmes faria o lançamento no Brasil de 4 filmes da atuais séries da franquia Ultraman. Com um portfólio cheio de grandes títulos tokusatsus (incluindo National Kid e Jaspion), porque raios a empresa resolveu investir em títulos recentes do herói do planeta Ultra ao invés de continuar trabalhando com um público mais nostálgico como vinha fazendo anteriormente?

Despois que ganhei Ultraman Tiga, Dyna e Gaia – A Batalha do Hiperespaço como presente de aniversário de um amigo, a resposta me parece óbvia: porque tanto os veteranos como qualquer publico emergente de séries japonesas consegue se divertir com um título como esse.

O QUE É UM FILME ULTRA?

No Brasil, já foram exibidos quatro séries da franquia Ultraman. A primeira de nome apenas Ultraman e as suas continuações, Ultraseven e O Regresso do Ultraman, foram exibidos no Brasil nos anos 70, dentro do programa do Capitão Aza na extinta TV Tupi e depois reprisados na Rede Record (Ultraseven) e SBT (Ultraman e O Regresso de Ultraman) nos anos 80. A terceira série só veio as TVs basileiras no início dos anos 2000, quando Ultraman Tiga foi exibido pela Rede Record.

No Japão, as séries ultras já somam mais de 20 séries e diversos filmes. Esses filmes geralmente são lançados unindo heróis de várias séries, para aumentar ainda mais os faturamentos de séries passadas se aproveitando do sucesso da série atual, ou vice-versa. O que a Focus Filmes adquiriu são esses filmes.

O que eu colocava em dúvida era: porque eu, um consumidor de filmes que nunca viu nem Ultraman Gaia, nem Ultraman Dyna e mal lembro de Ultraman Tiga vou querer assistir esses heróis numa batalha no hiperespaço? Não ficaria eu meio perdido na história? Me martirizando por não entender ao filme pois não conheço o enredo original do seriado?

Felizmente, isso não acontece.

O ENREDO

Diferente do que a maioria possa imaginar, o enredo do filme A Batalha no Hiperespaço não depende de nenhum conhecimento da séries Gaia, Dyna, Tiga ou mesmo do próprio Ultraman.

Parece estranho ouvir isso, já que mesmo os filmes mais simples de Pokémon ou Os Cavaleiros do Zodíaco possuem algum relacionamento com a série que deixa o enredo muito mais interessante. Mas com esse filme ultra a coisa muda, a começar pelo ambiente da história.

Ao invéz de o filme iniciar em um planeta Terra invadido por monstros terríveis e assustadores que Gamu, o alterego de Ultraman Gaia, deverá encontrar e derrotar, o filme começa com um VHS sendo reproduzido pelo jovem Tsutomo, um garoto em idade escolar que adora as séries dos Ultraman.

O garoto gosta tanto dos heróis gigantes que sua mãe tem que esconder os vídeos do garoto, senão ele passa o dia inteiro assistindo aos seriados. Na escola a pressão nã é diferente, Tsutomo é constantemente alvo de bullying dos seus colegas de classe e dos estudantes mais velhos que o ridicularizam por “ainda” gostar desse tipo de série.

Triste por ser excluído da turma, o garoto acaba encontrando uma misteriosa bola vermelho-brilhante que pode realizar desejos. Não dá outra: o garoto pede para que Ultraman Gaia o ensine como enfrentar os valentões da sua escola.

Numa outra dimensão, Gamu acaba sendo trazido para o mundo real enquanto investigava algo no Triângulo das Bermudas (!). Após chamar a atenção de todos na cidade com vôos mais alucinantes que os realizados pela esquadrilha da fumaça, fugir das crianças fãs do herói e entrar numa loja de brinquedos que vendem bonecos, chaveiros e tudo o mais com a cara dele, Gamu acaba encontrando Tsutomo.

A felicidade do garoto estaria completa se não fosse (de novo) um dos valentões da escola, que se mostrando mais fã de Ultraman que o próprio Tsutomo, cria diversos monstros com a mesma esfera vermelha.

EDIÇÃO NACIONAL

O DVD da Focus Filmes caprichou no material. Vendido entre R$19,90 e R$24,90 em lojas virtuais e lojas especializadas em home-video, o DVD não traz nenhum conteúdo além do próprio filme (até a quantidade de trailers ficou meio rala), mas o que está lá está bem feito.

A embalagem é o estojo convencional com uma capa caprichada. Na frente Gaia, Dyna e Tiga com seus olhos profundos atraindo o consumidor  e com um verso trazendo cenas do filme. Pegando todos de surpresa, o encarte não traz nenhuma ilustração dentro do estojo, algo que estava virando de prache nos DVDs da Focus.

A qualidade do áudio e do vídeo estão excelentes, para não pegar o fã mais desprevinido como foram as pérolas dos boxes de Jiraiya. Mas o que mais surpreendeu foi a dublagem do filme.

O estúdio responsável pelo lançamento foi  a DuBrasil, que após desastres com as fases Inferno e Elíseos d’Os Cavaleiros do Zodíaco e maravilhas com os dois boxes de The Lost Canvas mostra que as derrapadas iniciais não mais se repetirão em seus próximos trabalhos.

Com a direção Hermes Baroli e Zodja Pereira, o dublador Fábio Lucindo (famoso por seus trabalhos com Ash Ketchun em Pokémon e Kuririn em Dragon Ball Z) para foi escalado para interpretar Gamu. Com a sua voz carismática de sempre, Lucindo se saiu muito bem.

Outra acertada foram as escolhas das vozes das crianças. Com uma mistura entre veteranos e novatos, Tsutomo, seus amigos e os valentões ganharam o tom ideal entre inocência e garra.

ENFIM, VALE A PENA?

Comprar, assistir, gostar. Talvéz essa não seja a ordem que todos os consumidores obedeceram para avaliar o filme, mas certamente essas três etapas aconteceram ao fã que tiver algum contato com A Batalha do Hiperespaço.

Mesmo quem não é muito fã do estilo herói Ultraman de tokusatsu vai ter uma boa experiência com o filme. Nunca fui muito chegado em ver pessoas comuns que ficam o dobro de tamanho de arranha-céus e destrói milhares de p´redios que a cada pisada que dá. Se é para ser gigante, que sejam robôs. Se é para ser um humano vs. robôs, que ele use espadas ou dê gritos de heroismo enquanto luta. Mas A Batalha do Hiperespaço conta muito muito mais que a trivial história de um humano com super-poderes e monstros que querem destruir a Terra.

Gaia, Dyna e Tiga deram seus lugares de protagonistas a uma criança inocente, que sonha em poder se divertir como uma criança normal ao mesmo tempo que sonha com os grandes feitos de seus heróis favoritos. Impossível não se identificar com ela. Quem nunca se empolgou com as grandes realizações de grandes heróis quando era pequeno? Quem nunca quis conhecer seu herói de perto, mesmo sabendo que tudo aquilo não passava de pura imaginação.

O pano de fundo de Ultraman não passa de um chamariz mercadológico para transmitir a mensagem final do filme: mesmo o ser mais simples do universo pode se tornar um grande heróis se, para isso tenha a força de vontade suficiente para vencer o medo e desafiar seu desafio: seja o valentão da escola ou seja o maior vilão interestelar comandante de todas as galáxias.

Para os adultos, há uma mistura de nostalgia com sonho. Para as crianças o exemplo e as consequências do bullying num contexto bem criativo. Para os fãs da série, um último suspiro do Ultraman Gaia, que deixará saudades. Pelo menos até o próximo filme unindo a família Ultra.

Abaixo, o trailer original do filme de 1999.

Um modelo de capa para o volume 1 de Sailor Moon S

Que Sailor Moon S será lançado pela CD&DVD Factory no Brasil sem a tão aguardada redublagem com o elenco dos anos 90, todo mundo já sabe. A novidade foi que nessa semana a arte de capa do primeiro volume do DVD foi anunciado (clique aqui para ver), mas para o desagrado dos fãs, a capa não convenceu.

Com uma arte comum e com muitos elementos utilizados nos tradicionais DVDs da Playarte, a CD&DVD Factory anunciou que, a pedido dos fãs, uma nova capa será produzida.

Acontece que após me deparar com primeira arte da capa, meu cérebro começou a fervilhar e milhares de idéias surgiram na minha mente. Assim, fiz um modelo de capa para o volume 1 de Sailor Moon S, que voê podem conferir abaixo:

Na arte eu coloquei todos os elementos legais envolvidos (textos e logos), inseri os créditos de produção e criei uma disposição mais soltas para as informações técnicas. Apesar de eu preferi o logotipo antigo, coloquei o novo, adaptando-o para a série S. Para o fundo, eu optei pelo rosa, salientando a nova identidade visual da série e dando a impressão de ser um papel de presente. Escolhi apenas a Serena e Tuxedo Mask para a frente, para não polui-la e deixar os personagens bem salientados, visto seu romance no decorrer da série. Para o verso optei pelas cinco sailors principais, tanto pelo seu protagonismo como para evitar spoilers para quem assiste pela primeira vez. A Lua faz seu papel decorativo ao mesmo tempo que evita que os elementos legais fiquem muito didáticos.

Lembrando que a arte oficial do DVD precisa utilizar os characters design e o material mandados pela Toei (que atualmente ficam a cargo do incrível fanartista italiano Marco Albiero). Por isso, apesar de eu ter enviado o material para a CD&DVD Factory, acredito que esse material não poderá ser aceito como oficial.

Lembrando também que este é um trabalho de fã, sem nenhum intuito comercial envolvido. Sailor Moon e todos os seus elementos relacionados tem seus direitos reservados, sendo assim proibido utilizar a arte acima para qualquer fim.

Estúdios Álamo fecha suas portas. Assista a uma entrevista com o atual dono a empresa e uma homenagem do dublador Nelson Machado.

É com muita dor no coração que escrevo este post. Os estúdios Álamo, a maior empresa de dublagem da cidade de São Paulo fechou suas portas no último dia 31 de maio. Depois de quase 40 anos de trabalho ininterruptos.

A empresa foi a responsável por uma quantidade enorme de dublagens de filmes, séries e desenhos animados no Brasil. E as vozes que por lá passaram marcaram a vida de muitos espectadores, tanto pela boa empostação de voz dos dubladores, como pela qualidade do áudio de cada trabalho da empresa.

Em homenagem ao estúdio, o dublador Nelson Machado (dublador de Kiko, do Chaves) preparou um documentário com uma entrevista com o atual dono da empresa o sr. Alan Stoll e colheu depoimentos de alguns dos coordenadores artísticos que a empresa já teve: Orlando Viggiani, Nair Silva, Eduardo Camarão, Angélica Santos e Wendell Bezerra.

No fim do video, o dublador ainda faz uma reflexão sobre como anda a cultura artística brasileira e o atual cenário do mercado de video e dublagem. O texto é um dos mais geniais que já vi e por isso gostaria que compartila-lo com os leitores do blog:

Assim como diz a entrevista, é possível que a Álamo retorne ao mercado da dublagem, mas em outro formato. Por isso, apesar das lágrimas nos olhos finalizo este post, não com um adeus, mas com um:

ATÉ BREVE, ÁLAMO.