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RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco das Ruínas Antigas

Ao se falar de valor, fala-se de algo muito relativo. Tão difícil é saber o quanto de valor um objeto pode carregar em comparação com qualquer tipo de prognóstico praticado, é fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, os protagonistas tiveram a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas, a chance de valorizar seus personagens.

BRONZE, PRATA E OURO

Uma das características mais marcantes dentro do universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia, estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo e seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com capacidades que variam de líderes de missões, ao treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível encontram-se os cavaleiros de bronze, que não por coincidência, são os proagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas num nível baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens trilhassem um caminho que se tornou referência na construção de um mangá shonen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo ainda sendo bronze.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, a escolha foi bastante similar para a construção da linha evolutiva da narrativa: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso enfrentou em Palaestra (leia a resenha deste arco aqui) vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Haruto de Lobo se juntou a Kouga no fim do arco de Palaestra.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou para ser bem transmitida ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para amadurecer o roteiro e passar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

SUGANDO TODO O COSMO DA TERRA

Tendo início logo após Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze de morrerem pelas mãos do vilão Marte quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando mais novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a se utilizar de cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não se extinga, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que a Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões que Marte, pois em cada uma delas, em sua maioria, cavaleiros de prata traidores de Atena que apóiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga, Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Ária tem um inimaginável cosmo de luz em seu interior.

Haruto é um ninja (mas não é loiro, nem veste laranja), o que pode parecer muito estranho num primeiro ponto de vista. Encarnando o personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja (!). Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar um nova dimensão a Cavaleiros com os laços da sua cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano em Os Cavaleiros do Zodíaco.

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é a oposta da de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o começo e o surpreendente final do arco.

REVELAÇÕES COMO OS CAVALEIROS DO PASSADO

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões e novo tudo! Mas o que mais se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha guarda.

Além de revelarem e justificarem o porquê de estarem fora de batalha, pincelar um pouco da Guerra Santa do ano 2.000 contra Marte e revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para jóias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

No arco, um flashback revelou o que transformou as armaduras e o que impossibilitou Seiya e os outros de usarem seus cosmos.

Shun de Andrômeda, que virou uma espécie de médico de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuhou de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que aparentemente se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiriu de Dragão, que permanece sem os cinco sentidos nos Picos Antigos de Rozan, é quem motiva a Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar as rédeas daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é da fé e na esperança de um mundo de paz, que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo!

Apenas Yuna foi quem ficou a mercê de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi morta por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos que nas regras do Santuário impostas as mulheres.

Pavlin de Pavão conquistou tantos fãs quanto Yuna de Águia!

Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária, que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não perder sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo sequer foram citadas, Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros e mesmo Geki de Urso estar preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo as forças do mal.

Que Ichi nunca foi um personagem lá muito popular todos concordam, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso o fizeram, pois mesmo ele não teria submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente reformulada.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, argh!) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estes se dirigiam ao Ruína da Água.

De bronze à prata: Ichi decepcionou uma legião de fãs!

Ao final, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo que pegando o fã de longa data desprevenido com tal contexto para o personagem é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-la a uma nova geração de fãs.

TEMPO!

Mesmo passando as 6h30 da manhã de domingo no Japão, Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega rendeu uma boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e cia. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial.

Outro ponto é a trivialidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata em muitos episódios foram criados, mas mal puderam mostrar o que fazem, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos dos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzeados, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no timing correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Perdendo parte de sua vida, Shun ainda queima seu cosmo para ajudar Kouga e Ryuhou!

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão marca a história. Não é benéfico para uma história como Cavaleiros, onde os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que optou-se por fazer a história, sempre com começo meio e fim no enredo próprio do episódio, deixando um curta linha de raciocínio para o próximo episódio.

Além disso, a Toei pecou por vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto por sem ela não ser possível desfazer o funcionamento das ruínas.

A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhas com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está toda a família do cavaleiro de bronze, sua irmã Sonia e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden muitas vezes fica em cheque ao julgar as atitudes de seu pai.

Os vários flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam uma personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden busca uma constante aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, ao final das contas, formar uma família melhor que a dele, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o formado tão próximo do que é Marte.

FINAL DE TEMPORADA! FINALMENTE CAVALEIROS!

Uma característica marcante nos mangás shonens e principalmente em Os Cavaleiros do Zodíaco é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentavam, Seiya e os outros sempre tiveram a determinação necessária para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para poder, nem que fosse por um milésimo de segundo, superar e vencer o adversário.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação de personagens. Possivelmente por refletir os acomodados jovens dos anos 10 ao invés dos revolucionários dos anos 80, ou simplesmente por um erro da série, Kouga e os outros venciam, mas não por superar o adversário, mas ou por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada de episódios, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Éden de Órion era pretendido a se casar com Ária e se tornar o deus do novo mundo criado por Marte!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente da batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura de heroi num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente pode refletir o que é Os Cavaleiros do Zodíaco para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa visualmente, mas também cheia de razão de ser, pois não está atrelada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre seguir em frente, independente das quedas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram ao, somar tudo o que aconteceu com os personagens, amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir sustentar a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seu conceito sobre o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

Uma cena clássica dentro de Ômega: Ária e os cavaleiros de bronze!

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Novo filme CG para adultos, novo anime para crianças e Masami Kurumada consegue transformar Saint Seiya em Transformers…

Que 2011 seria um ano especial para Cavaleiros disso ninguém tinha dúvidas. Mas que grande parte das novidades só seriam concretizadas mais tarde também não seria novidade, já que a maioria das grandes produções foram iniciadas no próprio ano de 2011.

Assim, logo agora, no início de 2012, Masami Kurumada já pôde aprontar das suas e fazer o mais inesperado anúncio para a série: além do filme em CG (já anunciado no ano passado), Saint Seiya ganhará em 2012 uma nova animação.

Até aí tudo bem, afinal quanto mais animações de Os Cavaleiros do Zodíaco melhor! Todos os fãs aguardam ansiosos a terceira temporada de The Lost Canvas pela TMS, o anúncio de uma animação para o Episódio G, para o Gigantomachia, para o Next Dimension, para alguma das inúmeras guerras anteriores (talvéz até mitológicas) citadas durante o mangá e até, porque não, um remake da série clássica.

Mas o anúncio do roteiro da história foi de cair o queixo! Ninguém esperava a produção de um anime produzido pela Toei Animation com uma tmática voltada às crianças, algo entre Pretty Cure e Digimon, mais especificamente algo para o público entre 6 e 12 anos.

A nova animação recebe o nome de Saint Seiya Ômega. Ômega é a última letra do alfabeto grego, seria uma referência ao enredo da história, que se passará no futuro de Seiya e cia. E se você espera descobrir o que aconteceu com os cavaleiros de Atena em suas lutas contra os 12 deuses do Olimpo após a saga de Hades, pode tirar seu Pégaso da chuva, pois a história tem um quê de alternativo maior do que você pode esperar.  Olha só o quem são os personagens da história:

Seiya é o atual Cavaleiro de Ouro de Sagitário.
– O atual cavaleiro de Pégaso cham-se Kouga, filho adotivo de Saori Kido, que continua como Atena.
– Os melhores amigos (e irmãos de criação) de Kouga são Soma de Leão Menor e Ryuuhou de Dragão.
– A amazona de prata de Águia não é Marin, não usa máscara e chama-se Yuna.
– Ainda haverá a participação de Eden de Órion e Haruto de Lobo.
– O deus Ares será o vilão.

Saint Seiya Ômega: Kouga é Pégaso e Seiya é Sagitário!

Impossível não comparar este anime as investidas mercadológicas que a Hasbro faz com Transformers. Sempre que seus robôs gigantes estão com baixas vendas, uma nova animação spin-off é criada para alavancar as vendas. Seja com animais, no futuro ou no passado, os spins de Transformers servem com um verdadeiro caça-níquel e muitas vezes deixam o enredo de lado.

Analisando as últimas investidas de Kurumada com a franquia de Saint Seiya, a coisa parece seguir pelo mesmo caminho. A produção capenga de Hades Inferno e Hades Elíseos, o pouco apoio comercial a The Lost Canvas por parte do autor, a troca de dubladores, a demissão de Shigeyasu Yamauchi e o enredo apelativo de Next Dimension estão fazendo que a franquia cada vez mais perca em qualidade e ganhe em somas de dinheiro.

Saint Seiya Ômega parece vir apenas para completar um nicho que Kurumada ainda não tinha: o de crianças abaixo de 10 anos. Enquanto a série clássica vende para a fanbase de saudosistas, The Lost Canvas capta um novo público shonen e shoujo e o Episódio G cuida do público mais maduro.

Mercadológicamente a estratégia é muito boa. Vários produtos para vários nichos. Mas não seria melhor manter o nível do que já se tem antes de se aventurar a conquistar novos territórios?

Até agora os fãs não tiveram uma animação decente de Hades Inferno e Elíseos, a série clássica carrega o esteriótipo de “velha e ultrapassada” quando  é comercializada e exibida em países estrangeiros, o Prólogo do Céu (a melhor produção que Cavaleiros já teve) foi desvinculado do canône da história para dar lugar a um Next Dimension com ritmo de publicação mais baixo que Hunter X Hunter… Mas mesmo com tantos buracos a seres completados a aposta é uma animação totalmente nova e descabida que será 100% spin-off e chega para vender o universo para um público desinteressado na série…

O jeito agora é torcer para que o novo público realmente seja atingido e a franquia de Saint Seiya possa ter uma reerguida no Japão e no mundo. Mesmo com um horário ingrato, sendo exibido as 6h30 da manhã, vale lembrar que a série passará no domingo, dia que a tv japonesa mais tem audiência, podendo ser um indício que a Toei Animation realmente quer que o anime vá para frente.

Saint Seiya The Movie: a única esperança por qualidade e uma boa produção?

Entrementes, também devemos torcer para que o filme em CG, que teve uma nova imagem (espetacular, por sinal) seja realmente uma produção de qualidade e não mais um caça-níquel que os fãs mais maduros se acostumaram a cair.

E quem sabe num período próximo poderemos ver Saint Seiya em grandes produções (também caça-níqueis, verdade… mas pelo menos com qualidade a la Steven Spielberg) e ver Masami Kurumada assinar de vez o tratado Transformers para Seiya e os outros.

RESENHA: Samurai Sentai Shinkenger

A figura do samurai sempre foi muito cultuada no Japão e sinônimo do país para o ocidente. E não é para menos, todos os anos, os japoneses produzem dezenas de histórias com referências a esses guerreiros. Seja diretamente, como em Samurai X e Vagabond, ou indiretamente, em histórias de espada e kimono como Bleach, o samurai sempre está lá, representando toda a força e dedicação do povo japonês. Samurai Sentai Shinkenger foi a série Super Sentai que abordou a temática em 2009, e assim como os samurais, conseguiu resgatar todos os valores que a franquia havia perdido ao longo dos anos.

OS SENTAIS DOS 2000

Após as quebras de padrão iniciadas em Flashman (leia a resenha aqui) e as inovações criadas nos anos 90, o Super Sentai se tornou uma série consolidada no mercado japonês, sendo sempre garantia de retorno para as empresas envolvidas. Se os altos e baixos que a franquia sofreu nos anos 80 perturbava e por vezes se cogitou seu fim, nos anos 2000 a história era bem diferente: com a audiência  regular, um horário fixo e a injeção de fundos anual que a Disney e a Saban deram a Toei Company com a compra da séries para serem veiculadas no mundo como Power Rangers, a situação não poderia ser mais confortável.

Porém, essa acomodação e a transformação de inovação em regra acabou prejudicando o desenvolvimento do enredo dos Super Sentais. Com o sucesso de séries com enredo enredo extremamente infantilizado, como Abaranger e Caranger todas as séries dos anos 2000 passaram a focar esse enredo.

Parece estranho elucidar que uma série voltada para crianças não devesse ter um enredo infantil, mas é fato que desde o nascimento das séries tokusatsu, estas séries sempre possuíram um enredo mais dramático, geralmente cunhada em elementos da ficção científica. Com o chamariz das roupas coloridas, o enredo da séries serviam para, entre outras coisas, o amadurecimento da criança que a assiste, uma analogia ao que acontece com o personagem no decorrer das séries, como é muito visível em Jaspion (leia a resenha aqui).

Como líder do clã Shiba, Takeru permanece distante do grupo, isto está relacionado ao seu fatídico destino.

Entre uma e outra série que parecia um pouco mais virtuosa, parecia que o cenário só pioraria, tendo até séries Power Rangers mais espirituosas que seu irmão japonês (como acontece na relação Go-Onger e Power Rangers RPM). Felizmente, os super sentais tiveram uma revolução em 2009, quando a série daquele ano resolveu utilizar um tema que, mesmo que óbvio, nunca havia sido explorado: samurais.

DO JAPÃO FEUDAL PRA O SÉCULO XXI

Para os fãs de primeira viagem, o tema samurai pode até parecer corriqueiro para uma série oriental, mas aos veteranos, parece incrível que um tema desse nunca tivesse sido explorado antes, já que o tema possui uma vasta herança cultural perfeita para o tipo de séries que são os Super Sentais.

Takeru Shiba, o ShinkenRed, é o 18º sucessor do clã Shiba, o clã responsável por combater e aprisionar o lendário monstro Chimatsuri Doukkoku. Doukkoku é o líder de gendoushus, seres folclóricos do Japão que vivem no terrível Rio Sanzu, que tem seu nível determinado pelos humanos: quanto mais tristes, enfadonhos e desesperados, mais o nível do rio sobe e aproxima a possibilidade de Doukkoku de invadir o mundo humano.

Toda vez que um humano olhar por alguma fresta, seja ela a rachadura de uma parede, o vão entre dois móveis ou qualquer outra coisa, cria a possibilidade de um gendoushu invadir o mundo humano para aterrorizar os humanos e fazer a água do Rio Sanzu subir.

Juuzou abandonou o bushido para seguir com suas ambições de batalha.

Takeru, por ser o herdeiro dos Shiba tem o título de Tono, ou senhor feudal, e lidera uma equipe de quatro vassalos, formados por jovens que se unem ao líder no primeiro episódio, também herdeiros de outros clãs que, historicamente, serviram ao clã Shiba todas as vezes que Doukkoku se libertava do selo dos Shiba e voltava a atacar a terra.

BUSHIDO

Mesmo para o japonês moderno, é dificil conciliar o passado místico dos samurais com a realidade e essa é a primeira abordagem que Shinkenger faz nos primeiros episódios, quando os traços de personalidade de cada um dos quatro vassalos é posta em conflito com a liderança de Takeru, mesmo que todos eles tenham recebido previamente treinamento samurai de sua família e estão consientes do seu dever.

O preceito básico do samurai é o Bushido, ou caminho do samurai. Entre outras coisas o Bushido rege que um guerreiro deve ser leal ao seu Tono, ter espírito marcial, cultivar a sabedoria milenar de seu povo, preservar sua honra e se sacrificar pelo seus ideias. Mesmo sem saber seu nome, a visão que o ocidental tem do japonês é bem descrita pelo Bushido, graças a histórica conduta do país país durante a II Guerra Mundial e a reerguida econômica do século XX. Ainda hoje, esse preceito esta enraizado nas famílias japonesas, seja no trabalho, na escola ou na vida pessoal, se adequando a cada dia à nova dinâmica do Japão contemporâneo.

Em Shinkenger, cada personagem tem a sua maneira de encarar o Bushido: enquanto o ShikenBlue, Ryunosukke, leva este ao extremo, mostrando atitudes exageradas (e até certo ponto infantis) perante a autoridade do tono, os outros três vassalos não acreditam que ela realmente determine sua conduta.

O grupo se une, mas demora para os cinco partilharem os mesmos ideais.

Mako, a ShinkenPink possui muitas dúvidas sobre sua submissão a Takeru pelo histórico de sua mãe que serviu ao Tono anterior e foi condenada a cadeira-de-rodas por conta disso. Enquanto isso, Kotoha, a ShinkenYellow, busca sempre agradar a ShinkenRed, já que sua entrada para o grupo de vassalos aconteceu devido a uma doença que atingiu sua irmã mais velha, a até então, herdeira da vestimenta amarela dos Shinkenger.

Chiaki, o ShinkenGreen, é o oposto de Ryunosukke. Folgado e irresponsável, ele nega a utoridade do Tono e só aceita entrar para a equipe quando se sente pressionado a superar a força de Takeru, que se mostra muito superior aos dos vassalos.

O estilo impessoal de Takeru incomoda muito aos vassalos e força física passa a não ser motivo suficiente, com excessão de Ryunosukke, para que ele lidere a equipe. Muitas intrigas internas abalam o grupo até eles conhecerem o motivo da conduta distânte do tono: apesar de ser um legado destinado a ele, Takeru não domina a técnica do selo para aprisionar Doukokku, estando todo o peso do fim-do-mundo sob sua responsabilidade.

Confie sua vida  a nós, que nós confíamos nossa vida a você“. A promessa realizada entre os cinco num momento de extrema necessidade é o ponto-chave para que Takeru comece a se aproximar dos seus vassalos. Mas nada é comparado ao efeito que a chegada do ShinkenGold provoca no grupo.

Além de sushiman, Genta é um gênio das artes e utilização do Mojikara!

O SUSHIMAN

Desde Zyuranger é comum que mais integrantes se unam a equipe inicial nos seriados super sentai, em Shinkenger não é diferente e além disso, a presença do sexto integrante provocou uma mudança essencial para o decorrer da trama.

Genta, o ShinkenGold, é um sushiman que acaba de chegar a cidade. Quando pequeno, ele era o melhor amigo de Takeru, que o presenteou com um disco de samurai. Com seu talento, Genta descobre os poderes utilizados na peça e se torna o sexto vassalo de Takeru, ou como ele prefere se definir: o sushiman da história, já que ele sonha se tornar um sushiman cinco estrelas.

A presença de Genta provoca uma mudança radical em Takeru, com uma parte de sua infância convivêndo com ele, o personagem que por vezes irritava com sua impessoalidade, se paroxima cada vez mais de seus vassalos, criando um ambiente harmonioso e amistoso como nunca antes visto na mansão dos Shiba.

1, 2, 3… 20 ROBÔS! E CRESCENDO!

Apesar do rico folclore, das inúmeras referências ao passado histórico do seu país, de uma trama pessoal criativa e de personagens cativantes, há conceitos que são impossíveis de se largar num super sentai dos anos 2.000: a quantidade exorbitante de robôs e suas inúmeras combinações.

Apesar de todo o desenvolvimento de uma trama, o que move um seriado tokusatsu são as vendas de brinquedos que este pode gerar, por isso a queda de qualidade já abordada não mudou os resultados da franquia. E Shinkenger também levou isso a sério.

O gigante Shinken Ha Oh é a combinação de uma série de mechas samurais!

Só nos primeiros 10 episódios, o jovem japonês já conta com 12 opções robôs, singulares ou combinados, que entram no seriado com mais velocidade que os planos de Doukokku. Com a chegada de ShinkenGold, um filme e a pressão de novos inimigos, o número chega a quase 30 no fim da história. O gigante robô Shinken Ha Ho, formado por quase todos os robôs, chega a ser um trambolho tão grande que os gigantes monstros parecem só um detalhe quando ele entra em ação.

Muitas vezes a quantidade de robôs atrapalha o ritmo da história que acaba se limitando por conta do tempo necessário para dar o devido crédito ao robô. Porém, muitos episódios se mostram muito eficientes, sendo o episódio duplo destinado ao robô touro Ushi Origami um dos episódios com melhor mensagem levada ao público.

DOUKOKKU QUEM?

Shinkenger é muito atrativo visualmente. Não só pelo uniforme, a variedade de robôs trilha sonora motivante e a qualidade dos monstros, mas pela ambientação histórica que diversos episódios mostram, todos perfeitamente combinados com o enredo.

O maior destaque para episódios voltados a essa ambientação é Juuzou, um humano que foi atraído pelas forças dos gedoushu através dos desejos de combate provocados por Uramasa, uma espada enfeitiçada que o transformou em metade humano e metade gedoushu. Com cabelos cumpridos, vestimentas de época e flashbacks de sua vida durante o Japão feudal, suas aparições sempre são motivos de atenção, já que sua principal ambição é vencer ShinkenRed, o único humano, segundo ele, capaz de lhe dar o prazer de uma luta verdadeiramente desafiadora.

A luta entre ambos acontece por diversas vezes, mas o combate decisivo dos dois acontece no que pode ser considerado o apogeu de toda a história.

Pegando a todos de surpresa, descobre-se que Takeru é na verdade um Kagemusha, uma sombra do real tono. Com a finalidade de proteger o real herdeiro dos Shiba, Takeru é escolhido para ficar no lugar de Kaoru Shiba, a real ShinkenRed, devido a sua grande habilidade com mojikara, a energia que move os golpes dos samurais.

Com achegada da Kaoru, Takeru é colocado numa ituação parecida com a de Juuzou, onde sua vida de samurai não tem mais sentido, mas o desejo de lutar continua. O que Takeru não entende é que a origem de seu desejo parte da proteção a terra, enquanto de seu rival de um desejo avarento e individualista.

Kaoru Shiba é a primeira mulher a liderar uma equipe super sentai.

No antigo Japão, apenas o samurai com a mais alta patente podia montado a cavalos, e é assim
que o embate final de Takeru com Juuzou acontece, mostrando não apenas a classe, mas elucidando a autoridade que cada um dos dois conquistou durante a série.

Enquanto isso, os vassalos se sentem vivendo numa mentira, mas não pelo título de um tono falso, mas pela perda de um líder que provou ser digno do seu posto. Eles vivem o drama de cumprir a obrigação de vassalo protegendo a princesa Kaoru e a distância de um amigo.”Seria mais fácil se ela fosse uma princesa detestável” diz Chiaki a Genta quando este tenta coagir o grupo a ir atrás de Takeru.

Com o fim de Juuzou, a luta contra contra Doukokku até parece desnecessária e apesar de bem produzida, não teve todo o impacto que a somatória do drama dos dois tonos teve na luta contra Juuzou.

SENTAI DE ÉPOCA

Agrupar, mesclar e criar poder ser a série de verbos ideais para descrever um robô gigante dos seriados Super Sentai, mas também são perfeitos para descrever o resultado final de Shinkenger.

Com um tema atrativo para espectadores de qualquer idade, conceitos e ideias aplicadas de maneira a criar um contexto criativo para o desenvolvimento da trama, Shinkenger provou que mesmo carregando o legado de 33 anos da franquia nas costas, é possível criar histórias criativas, envolventes e originais a partir de uma fórmula que vai sendo reformada e reutilizada todos os anos.

Toda vez que um espectador assiste a um tokusatsu, a comparação com uma possibilidade da mesma história ser contada em animação vem a cabeça, já que diversas cenas e sequências poderiam ser muito melhor executadas sob o traço e tinta japonês para expressar diversas situações que o limitante humano não consegue produzir num live-action.

A força do inimigo obriga os guerreiros a uma luta final sem vestimenta samurai!

Mas com Shinkenger é diferente. Todas as cenas, mesmo as mais complexas, foram tão bem moldadas para se adequar a situação de live-action que as possibilidades de um anime se torna desnecessária.

A mensagem, além de muito bem passada, consegue transmitir algo concreto ao espectador, algo não só momentâneo, mas reflexivo e duradouro, capaz de se incorporar os preceitos de amizade, união e responsabilidade ao seu dia-a-dia, criando laços tão fortes quanto a união dos vassalos com seu tono ou como o samurai com seu bushido.

RESENHA: Choujin Sentai Jetman

O melhor Super Sentai de todos os tempos! Essa é a alcunha mais comum atrelada a Jetman quando o tokusatsu é mencionado nos meios de comunicação, seja ele japonês, americano, brasileiro ou europeu.  Essa alcunha é um pouco exagerada, mas uma coisa é certa, Jetman é muito, muito bom!

Talvéz pela bruta quebra de padrões que a série exerceu, talvéz pela alta quantidade de drama e romance ou simplesmente por referências muito oportunas, o super sentai é ainda muito admirado mesmo após duas décadas de seu encerramento, sendo o super sentai mais cultuado de toda a história.

DO PASSADO AO PRESENTE

Em 1991, os seriados super sentais completariam suas bodas de cristal. Quinze anos de boa audiência, muitos produtos atrelados a marca, muita venda de brinquedos e até licenciamentos internacionais não é para qualquer um, é praticamente toda uma geração que amadureceu junto com os esquadrões de heróis coloridos. Por isso a Toei Company decidiu que tal ano deveria ser comemorado em alto e bom estilo, projetando para aquele ano o tokusatsu que deveria ser o melhor seriado da franquia Super Sentai já produzido. Nasce o Choujin Sentai Jetman!

O Esquadrão dos Homens-Pássaro (numa livre tradução para o português) nunca foram licenciados no Brasil, mas sua fama extrapolou as fronteiras do Japão e chegou as terras tupiniquins em matérias de revistas especializadas (saudosa Herói Gold), locadoras de conteúdo japonês e mais recentemente com o advento da internet. E essa fama não é para menos, afinal, até hoje podemos sentir no gênero várias influências da série.

O mais recente super sentai em exibição no Japão, o Kaizoku Sentai Gokaiger (Esquadrão Pirata Gokaiger), por exemplo, utiliza-se de personalidades muito similares aos do quinteto de Jetman, variando apenas em alguns detalhes em sua composição.

UMA SÉRIE ORIGINAL

Em todo seriado Super Sentai existe um certo padrão definido para atender a todas as empresas envolvidas em sua produção, entre elas estão a participação obrigatória do robô, a aparição de todos os vilões principais, a aparição do “monstro da semana” e a transformação de todo o esquadrão. Esses padrões servem para apoiar, principalmente, a venda de bonecos da franquia, tida como o principal negócio da franquia. Porém, Jetman pareceu ignorar fatores mercadológicos e funcionais do gênero para contar sua história.

A história já começa diferente do usual. A Sky Force, base militar construída para a defesa da terra está prestes a condecorar cinco jovens que receberão o poder de vestimentas que se utilizam da recém descoberta energia birdonic. Nesse exato instante, a base é atacada pela força dimensional Vyran, grupo de vilões que passa de dimensão em dimensão conquistando mundos e fazendo seus seres vivos de escravos.

Até aí não há nada de diferente dos outros sentais, mas o caso é que o ataque resulta na morte de toda a Sky Force, inclusive 4 dos cinco jovens que receberiam a força do Birdonic, sobrevivendo apenas o astuto líder Ryu Tendo, o Red Hawk e a sua comandante Aya Odagiri.

Para completar, a energia dos outros 4 guerreiros que morreram se espalharam pela Terra, sendo recebidas pela doce milionária Kaori Rokumeikan (White Swan), do inocente agricultor Raita Ooishi (Yellow Owl), da hiperativa estudante Ako Hayasaka (Blue Swan) e do pavio-curto saxofonista Gai Yuki (Black Condor), porém os quatro não foram apresentados diretamente no primeiro episódio como aconteceram em todos os que o precederam, Gai e Ako aparecem apenas no segundo episódio, dando tempo aos roteiristas de elaborarem contextos que deixassem bem marcadas cada uma das diferentes personalidades dos cinco heróis.

Essa melhor distribuição de apresentação dos personagens não aconteceu apenas com os personagens principais, os mechas, que já em Flashman já haviam deixdo de aparecer no primeiro episódio de cada sentai, bateu seu recorde em deixar os espectadores aguardando a sua estréia. O Jet Icarus, principal robô da equipe, só foi dar as caras no episódio 6, após um longo treinamento dado da comandante e de Ryu aos novatos.

O DESENROLAR DA HISTÓRIA

Talvéz um dos pontos que tenham realçado o sucesso do seriado e atraído jovens e adultos para a história infantil, foi o clima de novela e a grande quantidade de romance para um super sentai. A história tem como foco a luta de Ryu em trazer as lembranças de Rye, sua noiva que teve sua memória apagada quando Vyran atacou a Sky Force, se transformando na temível comandante Maria. Até aí tudo bem, porém Kaori desenvolve grandes sentimentos por Ryu, que não podendo os corresponder, acaba tendo várias discussões e brigas com Gai, que se apaixona por Kaori, que também não pode corresponder aos sentimentos do rapaz. O quadrado amoroso vira quase que um pentagrama quando descobrimos que Raita também nutre sentimentos por Kaori, mas que teme admití-los por medo e rejeição.

Para quem pensou que o romance acabaria no heróis, se enganou, pois vilões também amam, mesmo se ao invéz de carne e osso tiverem metal e óleo em sua composição. Vyran é formado por mais três grandes líderes além de Maria: Grey, Radiguet e Tran.

Grey é o destaque dos três. Um robô fumante (!) todo negro com olhos semi-cerrados, sempre dão a impressão que ele é indiferente ao que acontece ao seu redor, mas que se apaixona perdidamente por Maria, que é alvo das obsessões de Radiguet que representando o amor possessivona história, quer a ex-militar como uma escrava.

Os únicos que ficam a par aos enlaces amorosos no seriado são Toran, que é uma criança e Ako, que mesmo sendo uma estudante do colegial tem um ou outro episódio voltado a garotos que tem uma “quedinha” por ela, que só está interessada em dinheiro e mais dinheiro.

DRAMA

O conflito de personalidades não para por aí, a alta dose de drama nos episódios rendeu sequências interessantíssimas ao tokusatsu. Uma delas que vale destacar é o episódio em que Radiguet é deposto de Vyran por Juzza, uma ex-imperatriz de Vyran que estava adormecida em um cometa da dimensão da terra. O vilão é transformado em um ser humano comum sem memórias, o que faz com que partes de sua personalidade nunca antes mostradas ficassem latentes: além de salvar uma garota da morte, ele se apaixona por ela e fica disposto a lhe dedicar a vida para todo o sempre.

Essa tendência de trazer modelos de vilões bonzinhos, não ficou restrito aos quatro grandes de Vyran. O caso mais notável foi Dryer Jigen, monstro secador de cabelos que por estar ao lado de Vyran pensa que precisa fazer maldades para cumprir com sua “função natural”, mas dessa vez Jetman consegue trazê-lo para o bem sem muito usar a força dos birdonic.

Aliás, outro ponto a considerar é que a força dos Birdonic e dos mechas, os principais atrativos para prener a atenção das crianças na TV, ficam em segundo plano em várias e várias ocasiões para dar lugar aos dramas amorosos.

Um problema de muitos super sentais que vieram antes de Jetman é a participação do robô que atrapalha o contexto da premissa criativa do episódio, mas em Jetman isso não acontece. A presença do robô é na maioria das vezes muito bem colocada e se a presença do robô não se faz necessária, ele é cortado. O interessante, é que mesmo com o corte dos mechas em mais um quarto dos episódios, o seriado apresenta quatro deles em seu acervo, além do já citado Jet Icarus, o quinteto possui o robô herdado do povo de Dimensia, o Jet-Garuda, que fundido ao robô primordial dos Jetman resulta no Great Icarus e por fim o todo entusiasmado Tetra-Boy, que não precisa de controle para lutar contra os inimigos.

FINAL DIFERENTE DE TUDO O QUE JÁ FOI FEITO

Para encerrar com chave de ouro, Jetman preparou diversas surpresas para o expectador. Uma das cenas de maior representatividade durante o desenrolar dos episódios foi quando Ryu abraça Maria e diz que mesmo ela sendo sua inimiga, ele vai lutar única exclusivamente pelo seu amor, sem ação, Maria se impressiona com o ato de inimigo. Pois bem, a cena se repete nos últimos episódios, mas diferente da primeira vez, é selada com um beijo que Ryu dá a força em Maria, o que lhe faz ter suas lembranças de volta. Aturdida por todas as maldades que fez com Ryu, ela tenta matar Radiguet, que não suportando a falta de subordinação de sua companheira, a atinge fatalmente.

Este episódio é o divisor de águas para o final da série. Ryu, afetado pela morte de Rie, tenta vencer Vyran sozinho, mas tem a ajuda dos seus quatro companheiros e até da comandante que aparece na última hora pilotando Jet-Garuda para a batalha final contra Radiguet.

Após o fim das batalhas, passam-se 3 anos e o futuro dos personagen é contado. Raita casa-se com Sa-chan, uma amiga de infância que lhe havia jurado matrimônio. Ako torna-se uma grande popstar da música e Ryu finalmente cede aos apelos de Kaori e também se casam. A amarga surpresa ficou por conta do que os roteiristas prepararam para Gai.

O Black Condor acaba de comprar o presente de casamento para Ryu e Kaori quando um trombadinha rouba a bolsa de uma senhora que passava na rua. Revoltado com isso, Gai vai atrás do bandidinho e lhe toma a bolsa, mas o pior acontece: o bandido portando uma faca rasga a barriga do ex-Black Condor. Com as últimas forças que lhe resta, o saxofonista vai até a porta da igreja e troca algums palavras com Ryu sobre a importância de tudo o que passaram juntos. Gai morre com um sorriso no rosto num banco de praça ao ver Ryu, Kaori e os outros tirando a última foto antes de partirem.

A morte do personagem mais cativante e interessante da história, é um baque para quem assiste, seja criança ou adulto. É possível interpretar tal sequência como uma crítica dos redatores a quem assite ao seriado: o quinteto de heróis arriscou a vida para defender os humanos dos perigos que um dominio do império Vyran representaria para os terráqueos, mas a morte do personagem se deu exatamente por aquele que ele passou 51 episódios defendendo: não adianta temer ou tentar se proteger de forças sobrenaturais e fantásticas se o maior perigo que o ser humano enfrenta é ele mesmo.

ALÉM DE JETMAN

Jetman fez tanto sucesso que foi adaptado para um mangá one-shot intitulado: Choujin Sentai Jetman: Toki o Kakete (em breve um matéria especial sobre o mangá aqui) onde um novo membro, Green Eagle entra para a equipe substituindo Black Condor.

Além disso, a série ainda ganhou uma trilogia de livros, onde foi possível abordar pontos não explorados em uma série infantil, indo mais a fundo nos relacionamentos e chegando até a abordar a sexualidade dos casais. A trilogia foi escrita por Toshiki Inoue, com capas ilustradas por Keita Amemiya e lançados pelo selo Tokuma Quest Bunko da editora Shogakukan.

A repercussão da série e de seu final ainda mexe com os ânimos de fãs e crianças por todas as partes do mundo, todos que acompanharam as aventuras da equipe sabem que os dramas e conflitos de personalidade passam não apenas grandes lições, mas grandes histórias.

Isso é ainda mais latente nos episódios que focam Ryu e Gai. Com personalidades tão distintas que se richam até mesmo ao pedirem bebidas, nota-se que o protagonismo é bem divido entre os dois, que representam os dois grandes tipos de personalidade do povo japonês, um mais contido e responsável e outro mais explosivo e relaxado. É interessante notar como Ryu se mantém determinado ao seu propósito mesmo com os apelos de Kaori, e como Gai oscila quando se depara com problemas com os pais da garota.

Além da facil identificação com os personagens, sejam eles heróis ou vilões Jetman ainda se beneficiou de um grande atrativo para compor sua fórmula de sucesso: os uniformes dos protagonistas foram baseados em um antigo anime de sucesso, Gatchaman, conhecido no ocidente como EagleMan, graças ao jogo Tatsunoko vs. Capcom.

Todos os elementos combinados somado a temática romântica de interesse de todas as idades e gêneros dão a Jetman o título de melhor tokusatsu de todos o tempos. Mas há detalhes que o seriado perde alguns pontos.

A composição dos monstros até mais ou menos até a o meio do seriado é muito iniciante, a maioria baseada em eletrodomésticos, que no início até é interessante, mas que fica um pouco previsível após alguns episódios. Do mesmo jeito, muitos monstros interessantes são descartados muito rapidamente, mesmo que em mais episódios que a maioria dos sentais, mas ainda muito cedo, provavelmente devido a dinâmica do mercado de brinquedos.

O fim de alguns dos personagens mais interessantes, Tran (que em seu fim já havia se tornado Tranza) pareceu composta muito de última hora, criando uma situação que não se liga vários aspectos do contexto passado pelo episódios para dar seu fim. Tal  problema não acontece em Flashman, por exemplo.

Mesmo com esses poréns, a escolha do tokusatsu para ocupar o topo da lista de melhores super sentais é muito bem justificada. Jetman é uma série que merecia vir para o Brasil e ampliar ainda mais a margem do fenômeno cult que ele desperta em quem assiste.

Novo filme d’Os Cavaleiros do Zodíaco em 2011!

Recentemente, Masami Kurumada, o autor de Saint Seiya, publicou em seu blog com uma imagem curiosa do protagonista de sua franquia mais cultuada em todo o mundo:

Assim, iniciaram diversas especulações na internet sobre a produção de um possível game da franquia, cujo o autor da série já havia sugerido estar em produção com uma antiga imagem também publicada em seu blog com os dizeres “Saint Seiya On Line”:

Além do game, o traço detalhado levou o fãs mais ardorosos a diversas outras conclusões, como por exemplo alguma produção voltada ao mangá seinen Episódio G, mangá de Megumu Okada, que assim como a imagem possui um traço muitíssimo detalhado.

As dúvidas apenas chegaram ao fim neste último fim-de-semana, quando no evento Jump Festa, no Japão, o estande da Toei Animation (estúdio que produziu a série de anime clássica, os OVAs de Hades e os filmes da franquia) passou a exibir um teaser envolvendo a imagem publicada pelo autor da série com o título “Kurumada Masami Project”:

Apesar de não deixar claro que se trata de um filme, o fato de estar sendo produido pela Toei Animation junto com as intenções declaradas da Toei Animation ao site brasileiro CavZodiaco de produzir um filme da franquia em 2011 em comemoração aos 25 anos da franquia, tudo leva a crer que se trata mesmo de um longa-metragem e não de um game.

O que surpreendeu a todos é o fato do filme ser produzido em computação gráfica, ao invés da tradicional animação em duas dimensões. Especula-se ainda, que este filme de Saint Seiya será a primeira animação a utilizar a tecnologia 3D produzida pela Toei Animation.

Muitos afirmam que a possibilidade do filme ser um live-action não está descartada. Porém, se a opção da Toei for um live-action, o mais provável é que estúdio faça algo parecido com seus filmes de tokusatsus (heróis japoneses da linha de Jaspion, Changeman e Kamen Rider), que apesar de ser uma qualidade interessante, não seria o melhor caminho aotado para uma franquia como Os Cavaleiros do Zodíaco, que durante toda a sua história, foi produzido em animação.

Um live-action só viria a calhar se fosse realizada por um estúdio americano, que conta com uma linguagem muito mais universal e com uma distribuição mais abrangente, sem contar os altos investimentos, patrocínio e diretores interessandos.

Quanto ao roteiro, espera-se que o filme se trate de um spin-of (assim como os 4 primeiros filmes produzido nos anos 80) ou se trate de uma animação do mais recente mangá da franquia, escrito pelo próprio criador da série, o manga Saint Seiya Next Dimension.

Porém, o natural é que a produção se trate mesmo de algo “a par” da história canônica de Saint Seiya. Nada de Next Dimension, Saga do Céu ou algo parecido. Como um spin-of, a produção poderá se aproveitar ao máximo do potencial da franquia, da qualidade de produção da Toei e ainda comemorar os 25 anos de Seiya e os outros em grande estilo. Até porque, uma história começar em animação e terminar em CG é algo um tanto quanto inóspito, ainda mais por Next Dimension ter traços tão interessantes (como Alone e as satélites) que seriam muito atrativos ver em movimento provida pela animação tradicional.

Especula-se ainda que poderia ser um remake de alguma parte da história, o que também seria interessante, mas um filme exclusivo, único e inovador é o que a série mais precisa agora para brilhar com toda a sua força em todo o mundo no ano de comemoração de suas bodas de prata.

Porém, todas essas possibilidades de roteiro não passam de especulação.

O fato é que dessa vez Masami Kurumada está por trás da produção, como diz o próprio título do projeto. Isso é um fator positivo para a franquia, principalmente pelo fato de impedir que o projeto se encerre por algo que o criador desaprove, como foi o Prólogo do Céu.

E por já estar sendo anunciado em mídias que não são apenas particulares de Kurumada já mostram que o projeto não será parado (ou “pausado”, para o mais otimistas) no meio do caminho como foi/é o jogo Saint Seiya Online da SEGA.

Mais uma vez Kurumada se mostrou o gênio do marketing da terra-do-sol-nascente. É incrível como o autor consegue despertar o interesse de milhões de fãs e de centenas de veículos do mundo inteiro com a história dos defensores de Atena. Essas informações a conta-gotas desperta ainda mais a curiosidade dos fãs e começa a criar cada vez mais raízes para o sucesso dessa nova investida do criador.

Agora o jeito é os fãs aguardar notícias. Lembrando que o próximo capítulo de Next Dimension sai nesta semana e as chances de Kurumada noticiar mais alguma exclusiva antes do Natal é bem grande.

Confira Dragon Soul em português!!!

Rodrigo Rossi, vocalísta da banda Thorn, gravou uma versão teste em português para a música de abertura do anime Dragon Ball Kai, que será dublado em outubro no Brasil para exibição nas telinhas tupiniquins.

A licenciante do anime, decidiu que a música em versão full será liberada para o público antes da exibição do anime, assim como foi em Os Cavaleiros do Zodíaco – The Lost Canvas, onde Rodrigo Rossi tambpem gravou a versão Full de Reino de Atena que tamém foi liberda antes para os fãs.

Confira agora a versão-teste que o site J-Box conseguiu com exclusividade:

Confira também a letra da canção:

Dragon Soul – Alma de Dragão
Intérprete da versão teste: Rodrigo Rossi

Voa, vamos, vem comigo
Vamos rumo ao paraíso
Unindo as forças
Nossa maior Genkidama explodirá

Posso sentir meu coração se energizar
Dentro de mim a aventura vai começar
No céu azul por entre as nuvens vou te levar
E todo o mal em cada inimigo vou derrotar

A emoção de combater
Os mais fortes até o fim
Me faz superar toda a dor
Seguirei em frente sem nenhum temor

Voa, vamos, vem comigo
Nossa hora é agora
Voando ao vento
Posso ser livre outra vez

Voa, vamos, vem comigo
Amanhã é um novo dia
Na sua alma está
O que você sempre sonhou encontrar
Dragon Ball

Todo o poder do universo em minhas mãos
Garantirei que nada possa te machucar
Com sua luz eu vencerei a escuridão
Você verá até o menor dos sonhos se realizar

Não se pode mais ocultar
Todo o seu poder de luta
Os limites ultrapassar
Sempre acreditando sem se entregar

Voa, vamos, vem comigo
Caminhando sempre em frente
Barreiras derrubar
Por um futuro melhor

Voa, vamos, vem comigo
Vamos rumo ao paraíso
Na sua alma está
O que você sempre sonhou encontrar
Dragon Ball