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RESENHA: O Espetacular Homem-Aranha

O herói encapuzado, um estudante talentoso. O seu amigo de sempre, um fotógrafo dedicado. O maior herói de Nova York, um homem em busca de respostas. Emoção, tensão e realidade são postas em cheque em O Espetacular Homem-Aranha, onde mostra-se que o herói e sua identidade estão ainda mais próximas quando não se conhece seus segredos.

COMEÇO DIFÍCIL

Acabou a sessão de cinema. Peter Parker não ficou com Mary Jane, aparentemente Nova York não está tão segura com o fim dos últimos vilões e a personalidade do Homem-Aranha não parece tão esclarecedora para os cidadãos da cidade de Nova York.

Problema? É claro que não! Isso é excelente, pois parece que daqui a uns três ou quatro anos teremos um Homem-Aranha 4! Pois não parece que Sam Raimi concordou com tamanha reflexão após terminar sua terceira produção do aracnídeo.

Devido aos problemas que passou durante a produção do último filme com a Sony Pictures, o diretor decidiu se afastar da produção do Aranha.

E aí começou o efeito sanfona: os produtores insistiram e conseguira trazer não só Raimi, mas Tobey Maguire e Emma Thompson para uma quarta produção.

Porém, a não concordância das partes em acertar O Abutre como vilão do quarto filme, como queria Raimi desde o terceiro longa, fez com que sem uma carta branca da Sony Pictures ele desistisse de continuar a franquia.

O novo casal é menos romântico e mais natural.

Com o clima ruim que a saída do diretor provocou na produção e a decisão dos atores protagonistas de não aceitar uma produção sem Raimi levou a dententora dos direitos da série a realizar um ato um tanto quanto polêmico: iniciar a saga do zero!

UMA MISSÃO

Marc Webb foi alvo de uma difícil missão fazer com que um novo Homem-Aranha conseguisse uma grande aceitação do público sem que o fantasma deixado por Sam Raimi assolasse sua nova produção.

Algo dificil pela alta aceitação do filme anterior, algo difícil por o último filme da antiga franquia ter se passado há apenas cinco anos antes da data de estréia do novo longa.

Como tirar da cabeça do espectador o romance tão próximo dos contos de fadas que Peter Parker e Mary Jane viveram? Como evitar as comparações entre os novos e os antigos atores? Como provar que Peter Parker está vivendo a história do novo filme sem nunca ter vivido suas lutas contra o Duende-Verde, o Dr. Octopus ou o Venon?

O que parece ser comum nos quadrinhos não se aplica tão facilmente no cinema: a troca de atores não é como um novo traço de um novo desenhista, e um novo início de história não soa tão comum nas telonas como se vê nos infindáveis reboots que as editoras fazem com seus heróis em suas revistas.

A escolha foi acertada: o Lagarto foi tão espetacular quanto o Aranha!

A saída que Marc Webb encontrou para tantos possíveis conflitos foi simples porém duvidosa: contar a história não contada do herói, aguçando a curiosidade do espectador com um elemento básico na narrativa dos cinemas, mas que ficou de fora na última trilogia, o que aconteceu com os pais de Peter Parker?

O HERÓI

Baseado em uma HQ dos anos 90, O Espetacular Homem-Aranha dá início a uma trilogia de filmes que tem por fim mostrar a busca de Peter Parker pelo passado obscuro que envolve a morte de seus pais.

Inteligente, pouco descolado e muito tímido com as garotas, Andrew Garfield dá vida a um protagonista bem diferente do que costumávamos ver nos filmes de Raimi, e este erro de caracterização foi o principal erro de concepção do diretor.

Nos anos 60, quando Stan Lee e Jack Kirby criaram o herói, a magia dos super-poderes de Aranha que o franzino jovem nerd ganhou não significava apenas super-poderes, mas uma válvula de escape para o adolescente evitar, bullings, agressões e a própria timidez. Era uma necessidade.

Porém, o que vemos na pele de Garfield é uma mescla de adolescente rebelde e geek. Geek quando se trata de tecnologia, estudos e garotas. Rebelde quando se trata de educação com os mais velhos, responsabilidades e confusões na escola. Ou seja, os poderes são só uma vantagem para vencer os valentões nas inúmeras brigas que arranja.

Andrew Garfield vive um novo Aranha sem apagar o legado de Maguire.

Porém, se isso é um erro de adaptação, Marc Webb acertou em criar um herói mais próximo do público massivo, que assistem ao filme tanto quanto ao público.

O HOMEM

Hora do enredo. Se os filmes de Raimi transformaram o Homem-Aranha no Superman dos anos 2000, com vários traços da magia que Christopher Reeve esbanjava nos anos 70, Marc Webb quis aprofundar as questões introspectivas que afligem o ser humano em seu filme, como Christopher Nolan fez com Batman.

Mais realista e mais dramático, Peter Parker começa a ser alvo de diversas coincidências que aos poucos indicam o caminho para entender o que causou a morte de seus pais. Entre eles está o famigerado encontro com o Doutor Curt Connors, vivido por Rhys Ifans, que se transforma em O Lagarto após Peter lhe revelar a fórmula para a conclusão de uma pesquisa de fusão entre animais e humanos que o cientista está realizando.

Mesmo com o objetivo do Lagarto não ficar muito claro ao longo do filme, fazendo muitas vezes o espectador se perguntar se o Dr. Connors tem ou não controle sobre a fera que se tornou, a escolha do personagem foi o grande acerto do filme, fazendo com que as pontes de ligações das sequências de romance, ação e drama se nivelassem a cada aparição do vilão.

A nova trilogia tem tudo para ser um novo grande clássico!

As necessárias sequências um tanto quanto repetidas dos outros filmes foram essenciais, mas não feitas de maneira tão lapidadas quanto Raimi fez, provavelmente por o diretor não querer focar nelas. Mas mesmo assim deixaram um quê de nostalgia saudável.

O romance entre Peter Parker e Gwen Stacy, vivida por Emma Stone, o primeiro amor do Aranha nos quadrinhos, é interessante, porém muito mais colegial e casual que romântico e sedutor quanto como foi com Mary Jane.

O ARANHA

Criativo, divertido e real. Foi isso o que Marc Webb criou: um Homem-Aranha que complementa Peter Parker, mostrando o que um humano pode ser e fazer quando tem a determinação suficiente para tal.

Muito mais adaptável a possíveis crossovers (mais alguém pensou em Os Vingadores?) e muito mais agradável para o novo segmento de cinema em quadrinhos que está em franco crescimento há alguns anos, O Espetacular Homem-Aranha é o resultado de uma obra que mostra que a essência de um herói está nos quadrinhos, mas que a base cinematográfica é fundamental para que o sucesso em traço e tinta seja refletido nas telas do cinema.

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RESENHA: Homem-Aranha 2

A medida que envelhece o ser humano se depara com diversos testes e provações que, muitas vezes, vão lhe pesar durante toda a sua vida. Homem-Aranha 2 mostra que tais provações não são diferentes com heróis, muito menos se tais provações estivere tão próximas do admirador do herói.

Quando lançou o Homem-Aranha em 2003, certamente Sam Raimi sabia da responsabilidade que ele tinha em mãos: transformar o herói mais popular da Marvel em um produto que fosse interessante para os fãs de longa data, afinal foram eles que sonharam com um filme do personagem por anos a fil, e ao mesmo tempo prendesse a atenção de novos fãs e espectadores casuais.

A fórmula criada no primeiro filme (leia a resenha aqui) deu tão certo que reutilizá-la na sua continuação foi quase como vender uma nova edição de uma revista em quadrinhos: quem já leu quis mais e quem nunca leu comprou a história para conhecer o novo hit do segmento.

Batendo todos os recordes que podia, o Homem-Aranha 2 chegou ao cinema em 2004, apenas 1 ano após o lançamento da franquia nos cinemas, levando ao espectador um pouco mais do nerd que vendia fotos do novo herói, ou vilão segundo os jornais, de Nova Yorque enquanto enfrenta os problemas que todo adolescente vive na época da faculdade: relacionamentos, falta de dinheiro e crise existencial.

Dando vida a Peter Parker, Tobey Maguire e todo o elenco do primiro filme voltam em cena com um tema reciclado do filme anterior, mas não menos interessante para o espectador: até onde o peso de nossas responsabilidades devem chegar para guiar nosso caminho?

Dr. Octopus é o vilão perturbado que conquista o público sem roubar a cena do heroi.

Se é difícil para uma pessoa comum lidar com uma série de questões durante a vida, o que dizer de um herói? Grande parte do enredo do filme se passa enquanto Peter Parker vive o drama de ter de escolher entre amar Mary Jane e a manter segura, longe do Homem-Aranha, ou abandonar o amor de sua vida (que por vezes já deu sinal de sentir os mesmos sentimentos que ele) e proteger toda Nova Yorque dos perigos da criminalidade urbana.

A mistura dos dramas do Aranha vai se somando aos problemas que os coadjuvantes e o vilão do filme, Dr. Octopus (muito bem intepretado por Alfred Molina, criando uma sequência de fatos que aos poucos vão se explicando ou naturalmente se interpretando e amadurecendo o personagem de James Franco, Harry Osbourn, como estopim do filme.

Os pontos-chave do filme fazem com que o vilão escolhido seja o ideal para manter a sincronicidade dos dois filmes do herói, deixando o espectador satisfeito com a fidelidade dos quadrinhos e a originalidade da produção.

Os diálogos, os personagens e as situações que o filme apresentam, além de ricamente explorados pelo contexto do cenário cinematográfico, tem o apoio de Alfred Gough e Miles Millar, dois roteiristas que viviam o auge de suas carreiras escrevendo grandes roteiros para adolescentes no seriado Smallville.

De mocinho a vilão: o segundo longa mostra a transição de Harry Osbourne.

Com o apoio dos roteiristas, o diretor fã do herói soube mesclar o humano e o mítico dentro de Peter Parker, fazendo do Homem-Aranha 2 deu uma aula de como fazer uma continuação de um filme de super-herói para os cinemas, tanto que várias sequências de outros personagens seguiram muito da linha da produção de Sam Raimi para dar o tema a seus filmes.

Mas nenhuma qualidade técnica se compara a mensagem final do filme que o diretor soube explorar tão bem: a humanidade do herói presente nos quadrinhos persiste nas telonas e ao mesmo tempo que o protagonista do filme vive as dúvidas de ser um herói, a população nova-iorquina vive o drama de viver sem um herói.

Tal conceito de herói é muito bem abordado durante todo o filme, mas muito bem sintetizado no discurso da tia May, que novamente faz valer seu papel como o exemplo de pessoa mais velha que guia o amadurecimento do herói:

“O que um heroi faria?”, indaga Peter Parker.

Crianças [..] precisam de um herói, pessoas que se sacrificam pelos outros são um exemplo para nós. Todo mundo adora um herói, as pessoas fazem filas para vê-los para gritar seus nomes e daqui a uns anos eles contarão como ficaram na chuva durante horas para ver aquele que lhe ensinou a continuar acreditando. Eu acredito que exista um herói em todos nós, que nos mantém honestos, que nos dá forças, nos enobrece. E no fim nos permite morrer com orgulho, ainda que as vezes tenhamos que ser firmes e dsistir daquilo que mais queremos, até de nossos sonhos.