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RESENHA: Os Vingadores – A Era de Ultron

O trabalho em equipe guiou a humanidade em suas ações mais memoráveis em todas as passagens da história! Os gênios sempre tiveram sua função singular, porém foi unindo forças que o homem dominou seu meio e passou a brincar de ser deus. Em Os Vingadores – A Era de Ultron uma equipe de gênios guia uma trama grandiosa!

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PREENCHENDO LACUNAS

Desde que o Marvel Cinematic Universe ganhou proporções massivas com a exibição de Os Vingadores (leia a resenha aqui), todos os fãs de cinema e quadrinhos passaram a “estudar” os elementos históricos dos personagens para adivinhar as tramas e os possíveis enredos dos filmes que o sucederam, que bateram recordes de público e crítica a cada produção.

Até chegar em Os Vingadores – A Era de Ultron, o segundo filme unindo os personagens do universo Marvel no cinema, foi abordada a depressão de Tony Stark em o Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), a morte de Loki em Thor – Mundo Sombrio (leia a resenha aqui) e a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América – O Soldado Invernal (leia a resenha aqui).

Todos estes temas já haviam sido abordados nos quadrinhos, o que levava os fãs a prever as suas consequências nos filmes vindouros. E parece que o diretor Joss Whedon levou essa tendência do público a sério ao formar o enredo base de Os Vingadores – A Era de Ultron, deixando para os fãs imaginar como algumas das condições iniciais do filme foram moldadas entre um filme e outro.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

A trama pouco aborda a queda da S.H.I.E.L.D. e apenas cita que a Torre Stark virou a base de operações dos Vingadores. Apesar de partir de Thor reunir os Vingadores novamente para resgatar o cetro de Loki na Terra, nada se diz de onde partiu a busca. Por fim, a depressão de Stark teria sido o ponto de partida para que ele e Bruce Banner sonharem em criar Ultron, a máquina de inteligência artificial perfeita para a proteção da humanidade.

NASCE ULTRON

Com a cena extra de Os Vingadores aparecendo Thanos, era de se esperar que o grande conquistador do universo da Marvel fosse o vilão do segundo filmes da super equipe de heróis.

Com o anúncio de Ultron fazendo a vilania, muitas das tramas previstas envolvendo as jóias do universo foram por água a baixo, porém, o diretor Joss Whedon sube mesclar muito bem a grande trama do Marvel Cinematic Universe com a trama coloquial de vencer Ultron.

Debochado e egocêntrico, a inteligência artificial de Ultron começa a estudar o que é “proteger a humanidade”, chegando a conclusão que uma equipe como os Vingadores é o maior perigo que a humanidade poderia enfrentar, e começar a colher materiais por todo o mundo para ficar forte o suficiente para deter a todos os heróis.

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

As catástrofes geradas por suas ações que matam humanos a máquina considera um pequeno sacrifício se comparada a grande salvação da humanidade em exterminar os Vingadores. Essa personalidade herdade de seu principal criador, Tony Stark, foi o diferencial que deu ao personagem um tom único e inovador para a história.

Criada e finalizada dentro do filme, Ultron nasceu das boas intenções megalomanicas de Tony Stark apoiadas por Bruce Banner, o que foi o estopim para uma troca de farpas entre os heróis.

Se no início do filme, a união dos heróis começa a produção da maneira mais extasiante possível, dando uma grande vitória a equipe indo direto ao ponto e mostrando que a equipe está muito bem estabelecida, é a desconfiança geral e as derrotas dos subgrupos gerados pelos problemas e situações criadas por Ultron que obriga a equipe a parar e repensar suas ações e refletir “o que é ser um Vingador”.

E AFINAL, O QUE É SER UM VINGADOR?

Gavião Arqueiro. O mais menosprezado personagem de toda a franquia Marvel nos cinemas ganhou um incrível destaque no filme ao ser o mais sensato ao responder a grande questão do filme.

Dono de uma maturidade invejável, Clint Barton mostrou que seu romance com a Viúva Negra não passou de mais uma história da imaginação dos fãs ao colocar todos os membros da equipe de heróis para fazer tarefas simples do dia-a-dia em sua casa de campo junto com sua esposa e filhos.

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

Nas cenas de ação, o arqueiro roxo fez piadas o tempo todo com sua condição desfavorável ao se comparar com todos os seus poderosos companheiros. Dando lições de moral ao companheiros de longa e curta data, o filme alcança seu apogeu moral nos diálogos e sequências que conflita com a Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

E por falar nos gêmeos, que não foram chamados nenhuma vez por suas alcunhas dos quadrinhos, muito bem eles foram inseridos na série. De maneira sutil e sem muito estardalhaço, os mutantes/milagres/inumanos (a Marvel não definiu exatamente o que eles são no seu universo cinematográfico) fizeram bonito, mostrando-se uma pedra no sapato quando vilões e importantes aliados quando heróis. A ótima atuação de Elizabeth Olsen e Aaron Johnson muito acrescentou aos personagens, que foram a adição mais interessante do filme.

Adicionado também foi Visão, o andróide nascido da união do material criado por Ultron para ser o seu corpo perfeito com a inteligência artificial Jarvis que sempre auxiliou Stark. Se o seu nascimento foi um dos pontos altos do filme, pouco o personagem acresceu na trama. Mesmo que com papel essencial na vitória contra Ultron no final, sua participação foi mais técnica que ideológica, acrescentando efeitos com poucas causas.

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

E na busca por respostas, o veteranos mostrara para que vieram. Enquanto Capitão América e Thor foram mais funcionais, mas mesmo assim donos de muitas das cenas de ação, o romance de Hulk e Viúva Negra foi o que materializou para o espectador as dificuldades e o peso de se carregar as responsabilidades de protetores da humanidade. Mais contido neste filme, Hulk teve de enfrentar sua condição de monstro mais uma vez após ser detido por Tony Stark com a armadura Hulk Buster!

O Homem de Ferro mais uma vez teve papel fundamental e a atenção principal do filme, tanto por não ter nenhum filme próprio nos próximos anos como para justificar o salário exorbitante de Robert Downey Jr. Sendo a fagulha que acendeu o problema Ultron no filme, Stark mais uma vez que teve que enfrentar conflitos de personalidade com outros personagens, o que muito provavelmente vai gerar, no futuro, novas consequências para novas tramas (alguém pensou em Guerra Civil?).

E COMEÇA UMA NOVA ERA

Os Vingadores – A Era de Ultron começou cheio de razão de ser, surpreendeu no início, se mostrou mais maduro em toda a trama, teve seu humor muito bem colocado e se mostrou maior e mais intenso que o seu predecessor.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

O filme acertou em cheio em utilizar o mesmo estilo de ação da luta contra Loki: enquanto a maioria dos heóis vai dando conta dos “bonecos de massa” do vilão principal, este é encarado por uma dupla ou trio de heróis, que vã se intercalando para dar igual atenção aos seus poderes.

Sua falha ficou em desenvolver muitas tomadas grandiosas muito coladas com a outra, exagerando na ação e deixando a trama, por muitas vezes, em segundo plano ou desconexas. Se o filme tivesse meia hora a mais (como o diretor queria!) esses problemas não tivessem acontecido e alguns fatos isolados, como a busca por respostas de Thor, o abandono de Hulk ou o fim de Ultron pudessem ter sido menos corridas.

Maior e muito mais ousado que o primeiro Vingadores. Mais maduro ao abordar as questões e os conflitos psicológicos dos personagens e ainda mais cheio de tomadas de ação de tirar o fôlego, o que mais define o filme é a palavra “mais”.

O mais completo de conteúdo, mais cheio de personagens, mais abrangente em todo o universo Marvel e o mais condensado filme de super herói que o cinema já teve.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

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RESENHA: Thor – O Mundo Sombrio

Colhendo os frutos de uma bem sucedida fase de grandes blockbusters no cinema, Thor – O Mundo Sombrio, veio como a carta coringa do estúdio para intensificar os elementos semeados em filmes anteriores e criar expectativas para as futuras produções.

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UM ESTÚDIO CHAMADO MARVEL

Só a Marvel Studios consegue ser a Marvel Studios. Com uma capacidade criativa capaz de unir o público casual e hard-core das histórias em quadrinhos no cinema, A Marvel Studios conseguiu renovar e quebrar os paradigmas de receio que cada nova produção de Hollywood causava nos fãs de quadrinhos após os sucessivos fracassos de crítica que outros estúdios faziam com seus heróis.

Como resposta a produções imediatistas, o projeto Vingadores conseguiu reunir em 6 filmes toda a magia e, principalmente, trabalhar a espectativa do fã, característica marcando de toda histórias em quadrinhos em qualquer parte do globo.

O que fazer depois de Vingadores (leia a resenha aqui) era a grande questão. Se o início conturbado de uma segunda fase para o estúdio veio com a estreia de um despreocupado Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), foi o segundo filme do Thor que tornou possível uma projeção de algo muito maior e muito mais conciso dentro de um universo que tem muito a oferecer e muito a se expandir.

A BASE: THOR E LOKI

Se em Homem de Ferro 3 os produtores pareceram meio preocupados de onde começar e para onde levar o herói, se apoiando em seu contexto, Thor – O Mundo Sombrio soube se aproveitar como nenhum outro filme da Marvel Studios da grande base do universo Marvel que tanto cativa públicos de gerações em gerações: a humanidade dos personagens.

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

Parece difuso a humanidade estar latente em um filme que tem deuses como temática, porém essa proximidade entre mortais e imortais que sempre conduziu as mitologias mais antigas e as solidificou para serem contadas e recontadas por toda eternidade. Sendo assim, para que a Marvel se concentrar em disputas de poder, se o que realmente interessa é o que restou da irmandade de Thor e Loki?

Se no primeiro filme do Thor (leia a resenha aqui), o relacionamento, a disputa, a inveja entre irmãos e o relacionamento com o pai tornou o filme rico de mensagens e moralmente reflexivo, é exatamente a quebra dos laços entre os personagens que sustenta toda a trama do segundo filme, fazendo os novos vilões parecerem desnecessários.

DESENVOLVENDO A TRAMA

Depois dos acontecimentos de Thor e Os Vingadores, Thor (Chris Hemsworth) luta para restaurar a ordem em todo o cosmo. Mas uma raça antiga de Elfos Negros, liderada pelo vingativo Malekith (Christopher Eccleston), um inimigo sombrio que antecede o próprio universo, e seu braço-direito, o jovem porém cruel Algrim (Adewale Akinnuoye-Agbaje), retorna para afundar novamente o universo em trevas.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin para saber como agir.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin antes de agir.

Diante de um inimigo que nem Odin (Anthony Hopkins) e nem seu reino Asgard podem combater, Thor deve embarcar em sua viagem mais perigosa e pessoal, que o reunirá com Jane Foster (Natalie Portman), que está possuída por um elemento superpoderoso chamado Éter, cobiçado pelos Elfos Negros, e o forçará a sacrificar tudo para salvar a todos. Thor terá que reconstruir Asgard, reunindo um exército para a batalha contra os Elfos Negros. Mas a única maneira de ele poder fazer isso é indo para o Mundo das Trevas, e a única pessoa que tem acesso para o lado negro de Asgard é seu irmão mais novo Loki (Tom Hiddleston), que está trancado em uma prisão.
Com a batalha se aproximando, Thor tem que negociar uma trégua com Loki. Thor, Loki e Jane embarcam em uma missão que pode definir o futuro dos Nove Reinos.

Com um enredo que tentou valorizar a participação de Natalie Portman, reunindo todos os personagens do primeiro filme e uma perfeita sincronia de acontecimentos, a produção acerta em cheio também a medida que conceitua Thor como um herói de grandes feitos, sendo o ponto chave de todo o desenvolvimento do universo criado pela Marvel Studios.

Loki é o maior destaque do filme!

Loki é o maior destaque do filme!

Até mesmo a localização da história na Inglaterra facilitou as possíveis “desculpas” para a necessidade de mais Vingadores no filme. Elevado a projeções de alto impacto, as batalhas, sejam elas na Terra ou em Asgard, em grupo ou em atuações solo, valorizaram o universo da trama e mostrou como Chris Hemsworth encarna o personagem como sempre o tivesse vivido.

Tão grandiosa foi a atuação de Tom Hiddleston. O drama da dualidade do personagem Loki colocou o ator em situações que variavam do cômico ao trágico, desenvolvendo o personagem cada vez mais e, ao que parece, tentando criar um rival de peso para o vilão Coringa dos filmes do Batman, até então, o único vilão das comics americanas capaz de rivalizar sua popularidade com outros heróis.

O drama de Loki, somado a trama paralela que a ele se desenvolve, incluindo uma das mais belas cenas envolvendo René Russo no papel de Friga, esposa de Odin e mãe adotiva de Loki, cria um ponto chave no filme que certamente será um dos elementos que guiarão todos os próximos filmes da Marvel Studios.

PELAS BARBAS DE ODIN!

Icônico, reflexivo, dinâmico, bem construído e bem desenvolvido. Thor – O Mundo Sombrio é (com o perdão do trocadilho) sem sombras de dúvidas o melhor filme da Marvel Studios, superando até mesmo o próprio filme dos Vingadores.

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Se a primira fase das produções do estúdio criou todo um público e uma vrdadeira legião de fãs, o segundo longa do deus do trovão entregou aos fãs algumas das principais premissas em continuações que faltam na grande maioria dos blockbuster: respeito ao fã, liberdade criativa inteligente e espaço para os atores mitificarem seu talento dentro de um universo que jamais deixará de crescer.

RESENHA: Os Vingadores

Unir sempre foi uma sábia solução de problemas que a história do planeta Terra sempre se mostrou muito eficiente. Na natureza, grandes grupos de insetos, vegetais e animais que se unem em colônias, pântanos e matilhas sobrevivem dia a dia. Na cidade, grandes corporações de empresas e pequenos grupos de humanos se juntam para sobreviver as armadilhas que o homem moderno criou. Em Os Vingadores, a união de super-heróis mostra que o universo dos quadrinhos só é bem adaptado para o cinema, quando é capaz de resistir a todas os perigos que uma produção de grande porte pode trazer.

Desde 2008, com a sugestão que os filmes Homem de Ferro (leia a resenha aqui e aqui) e O Incrível Hulk (leia a resenha aqui) deram em cenas no final de seus filmes, que os fãs de quadrinhos e os entusiastas do cinema aguardam até onde poderia chegar uma iniciativa tão ousada como a de unir em um único filme, heróis com históricos e pontos de vista tão diferentes entre si.

Nascidos como uma resposta a recém criada Liga da Justiça, da concorrente DC Comics, a equipe de heróis da editora Marvel uniu todos os maiores heróis que a editora tinha nos anos 60 para alavancar em um único título as vendas de todos os seus títulos.

O que parece uma solução simples e bem estruturada para os quadrinhos, afinal a criação de um título que interfere em todos os outros acaba gerando não apenas venda mas muito conteúdo para cada um dos heróis envolvidos, parecia desde a sua concepção uma ideia irrefutavelmente desesperadora para os cinemas, visto que uma equipe como os Vingadores reúnem personagens um tanto quanto distintos e por mais entusiasmada que uma equipe de produção possa parecer, as divergências entre diretores, redatores e estilos de filmagem são só algumas das divergências que poderiam interferir no resultado final do filme.

Até mesmo as produções mais parecidas com Os Vingadores, como os cinco filmes da franquia X-Men e a Liga da Justiça dos anos 80 se mostraram investidas muito vantajosas comercialmente, mas com muitas falhas de enredo, que poucam honram a sua criação original.

Herói vs herói: um clássico clichê nos crossovers das histórias em quadrinhos.

Porém, superando qualquer previsão negativista, o diretor Joss Whedon criasse uma obra prima ficcional e fazendo a primeira parte do chamado Marvel Cinematic Universe um marco na história do cinema.

Certamente o principal desafio do diretor seria conseguir equilibrar uma história consistente combinada com tantos personagens derivados dos cinco filmes que o antecederam. Graças a enorme experiência de Whedon com o seriado Buffy, a caça-vampires e Firefly, o diretor conseguiu cumprir uma tarefa fácil em um seriado mais quase impossível no cinema.

Separando o filme em três partes bem nítidas, e sem medo de se utilizar dos clichês presentes nas histórias em quadrinhos, o filme mostra a apresentação de cada um dos personagens, coloca os heróis para lutar entre si, desenvolve o vilão e produz a pancadaria final aliada a efeitos especiais de primeiríssima linha.

O mais surpreendente de tudo ainda é a combinação original que o filme traz entre drama, romance, suspense e comédia. Ao mesmo tempo em que a tensão toma conta da sala de cinema, logo altas risadas coletivas são provocadas em piadas muito bem encaixadas, sem forçar situações e com uma naturalidade impecável de performance ou de enredo para tais sequências.

Hulk: destaque total!

Mas o destaque total vai para Hulk. Se o filme do verdão em 2003 criou uma legião de odiadores do herói e se a produção de 2008, apesar de bem produzido com um elenco de primeira linha e já parte dos Marvel Cinematic Universe, não empolgou, o Hulk presente em Os Vingadores foi muito bem explorado, sendo o ícone das cenas mais engraçadas e que mais extravasam os ânimos dos expectadores.

Mark Ruffalo, mesmo estando pela primeira vez no papel do herói, pareceu sempre ser Bruce Banner, estando tão a vontade no papel do personagem quanto os atores veteranos da produção, se mostrando a escolha ideal e, queira Odin, definitiva para os cinemas.

Assim como o esperado do enredo central, Thor foi fundamental para a união do grupo e seu universo, apesar do mais distinto dos outros integrantes, se mostrou a peça chave para que a S.H.I.E.L.D criasse a equipe. Se um deus não parece bem o companheiro ideal para humanos, Chris Hemsworth trouxe mais uma vez toda a humanidade do herói.

Humanidade que mesmo os personagens menos populares como a Viúva Negra e Gavião Arqueiro, que não fazem parte da equipe inicial, e o agente Clint Barton, criado especialmente para as telonas, tiveram seus grandes momentos, adicionando muito a produção, cada um ao seu estilo e cumprindo funções específicas que o diretor destinou a cada um.

Funções tão bem encaixadas que mesmo o Homem de Ferro sendo o mais popular e teoricamente mais bem explorado nas telonas teve sua função específica, tanto nas missões como em sua concepção, não roubando a cena dos outros personagens e acrescentando partes de sua personalidade que os filmes anteriores ainda não haviam mostrado. Robert Downey Jr. se mostrou o destaque mais uma vez, protagonizando as cenas mais cabeças ao lado de Ruffalo, ficando cada vez mais difícil de desvincular a imagem do herói e do ator.

Loki foi o vilão ideal para a união de universos tão distintos entre si.

E para completar a equipe, o Capitão América, assim como Hulk, superou-se nessa produção. A trama facilitou que o herói mostrasse seu amadurecimento enquanto o filme se desenrolava, mostrando ao final o líder natural da equipe, algo difícil de se imaginar no personagem irritante em seu filme original (leia a resenha aqui).

Steve Rogers até fez parte de uma das cenas mais emocionantes do cinema (pare de ler este parágrafo não quer spoilers): em um ataque inimigo, o Capitão protege um senhor de terceira idade que se levantou contra o vilão da história. Até aí não passaria de uma cena comum de super-herói se o ator deste senhor não fosse Stan Lee, o criador do universo Marvel como ele é hoje. Foi o criador sendo protegido pela criação!

Unindo a equipe e desobedecendo o governo, Samuel L. Jackson interpretou Nick Fury como se estivesse interpretando ele mesmo. Nada mal, mas nada surpreendente também.

O enredo em si não traz nada de surpreendente, já que o caminho que levou Loki, interpretado genialmente por Tom Hiddleston, até o Tesseract era o esperado pelos fãs através das pistas deixadas em Thor (leia a resenha aqui) e em Capitão América, o Primeiro Vingador.

Com um texto interessante, cheios de frases que ficarão para a história do cinema, mas sem se aprofundar em aspectos psicológicos dos personagens, Os Vingadores é, sem dúvida alguma, o filme mais próximo dos quadrinhos que um estúdio e um diretor já criaram. Inclusive na deixa que o diretor deixa para os espectadores no final do filme após a passagem dos primeiros créditos finais do filme.

Numa situação que parecia fazer dos filmes de super heróis apenas uma força motriz para arrecadar dinheiro, a Marvel Studios provou que é possível sim fazer filmes de super-heróis que tragam conteúdo e aproveitem ao máximo o amadurecimento do segmento.

Um épico que merece ser assistido e reassistido!

A partir do filme, a história das histórias em quadrinhos nos cinemas se divide em antes e depois de Os Vingadores, fazendo com que Hollywood enxergue os super-heróis não como uma simples peça em sua estratégia de marketing, mas como a união de um universo que cresce a mais de 50 anos e, em grande estilo, transporta-se para o cinema como a vanguarda da linguagem cinematográfica mundial.

RESENHA: Thor

A lenda diz uma coisa, a ciência outra, mas há pontos em que elas se confundem. A crença, a fé e a realidade dependem de pontos-de-vista onde está em jogo a inocência ou maldade.  Thor ganhou vida para completar o ciclo de produções estreladas pelos fundadores de Os Vingadores, porém a magnitude com que a história foi contada transformou ele não no quarto filme de uma saga, mas num verdadeiro épico do cinema.


DA MITOLOGIA ÀS HQ’S

Nos anos 70, quando Stan Lee vivia a efervecência de sua criatividade, a produção e o desenvolvimento de heróis da editora Marvel sempre movimentava novas alternativas de universos e idéias a serem construídas.

Num ambiente propício para se apostar em novos universos e o amparo de idéias semelhantes da sua tradicional concorrente, a DC Comics, com heróis como a Mulher Maravilha, surgiu o primeiro herói da Marvel baseado em mitologia, nascia Thor.

Como o próprio nome do herói diz, Thor foi baseado no deus nórdico do trovão, filho de Odin e uma das figuras mais carismáticas e populares de tal mitologia nos países ocidentais.

Transmutando o universo mitológico para adaptá-lo as histórias em quadrinhos, Thor virou um misto de deus e humano, onde a medida que suas histórias avançavam elementos clássicos da mitologia nórdica e as maiores tendências dos quadrinhos se fundiam e, como nas diversas HQ’s, arcos contados e recontados se tornaram comuns.

Para levar a origem do herói até os cinemas, o diretor (e de quebra ator renomado também) Kenneth Branagh colheu todos os elementos que o herói reuniu por toda a sua história e, reunindo um elenco de primeira linha, deu origem ao maior filme do Universo Marvel já produzido.

Anthony Hopkins é o Odin do cinema.

UM TROVÃO DE PRODUÇÃO

Sempre que um filme de super-heróis conta com um elenco famoso demais, a tendência é que as personalidades nele envolvidos chamem mais a atenção do que a própria história. Mas com nomes de peso como Anthony Hopkins como Odin, Natalie Portman como a cientista Jane Foster e Rene Russo como Frigg, fica dificil de apostar num roteiro fraco.

Pegando o que cada um dos três filmes anteriores a Thor tinha de melhor e dando um toque de drama e emoção que vemos em todos os filmes de Kenneth Branagh como ator, Thor não foi desenvolvido, foi lapidado.

O drama de Homem de Ferro (leia a resenha aqui) foi aprimorado, o carisma dos personagens de O Incrível Hulk (leia a resenha aqui) foram mais variados e a qualidade dos efeitos especiais de Homem de Ferro 2 (leia a resenha aqui) foram superados.

Com mais ação, mais efeitos especiais, mais personagens, mais enredo e humor na dose certa, Thor é o filme ideal para agradar fãs quadrinhos, adoradores de ficção e o público casual do cinema.

CONFRONTO ENTRE IRMÃOS

Em duas horas seria dificil com que a história original dos quadrinhos pudesse ser desenvolvida em sua totalidade, mas as adaptações para o cinema foram bem fiéis ao conceito do herói e as mudanças foram essenciais para seu bom desenvolvimento.

Como filho favorito de Odin, Thor está prestes a receber o título seu pai Odin de rei de Asgard, um dos nove mundos previstos na mitologia nórdica (a Terra, ou Midgard, é um deles), quando gigantes de gelo atacam o castelo onde é feita a cerimônia.

O amadurecimento de um herói é abordada em Thor.

Dissoluto com o que aconteceu, Thor parte com Sif, os grandes três guerreiros e seu irmão Loki para vingar o acordo de paz que o rei dos reino dos gigantes de gelo, Laufey, acabara de quebrar com a invasão de Asgard.

Na verdade Thor age despeitado com situação, age com o orgulho ferido por os gigantes de gelo terem impedido sua coroação como rei. Com um invasão sem a aprovação de Odin, o deus supremo de Asgard não vê outra alternativa senão exilar o filho na Terra, onde deverá ser humilde o suficiente assumir o poder de rei.

Enquanto Thor, sem poderes, é ajudado na Terra pela cientista Jane Foster, Loki descobre que foi adotado por Odin e seu pai biológico é, na verdade, o próprio Laufey. Usurpando o posto de rei de Asgard de Odin, Loki inicia um meticuloso plano para aniquilar o irmão e invadir o reino dos gigantes de gelo, indo contra todos os preceitos que pai adotivo lhe ensinou.

A disputa de poderes, de orgulho e a volátil relação entre pai e filho é um ponto alto do filme, fazendo com que o espectador reflita, na condição humana, que de nada adianta ser deuses quando a disputa envolve a relação afetiva.

ELEMENTOS QUE CATIVAM

O universo da mitologia sempre foi fascinante e a riquesa de seus elementos é a premissa ideal para qualquer história. Em Thor, os elementos foram utilizados de maneira concreta e concisa, além de fazer a combinação ideal com elementos não apenas nórdicos, mas de todo o universo Marvel.

As referências aos outros heróis dos Vingadores são inúmeras, fazendo o fã de quadrinhos se divertir a medida que elas vão aparecendo, tendo como ponto máximo a primeira aparição de Gavião Arqueiro, um membro já recrutado pela S.H.I.E.L.D que comparilhará um lugar com os membros da super equipe da Marvel.

Loki é invejoso irmão de Thor!

Mas a riquesa de elementos não pára por aí. Cada elemento posto no filme tem a sua razão de ser, metaforizando diversas situações de comportamento, relacionamento e questões existenciais.

A medida que o filme avança e a medida que os laços existentes entre o galanteador Thor e apaixonada Jane Foster vão se estreitando o vaidoso, o arrogante e orgulhoso Thor vai amadurecendo, entendo grande parte do exílio que
seu pai o obrigou a fazer.

A personalidade ascendente de Thor é confrontada pelas atitudes frias e egosistas de Loki, que como rei, torna-se autoritário e absoluto, ainda que inteligente e preciso em seus planos.

A analogia do verdadeiro poder de um rei que Odin tanto quer que os filhos entendam é grandiosa a partir do momento que Mjonir, o martelo que contém o poder de Thor, se torna a grande analogia para tal.

Para finalizar, o filme ainda transforma Thor em um mártir, algo que não só cativa, mas eterniza um herói no cinema. Percebendo que nã poderá deter as maldições de Loki em destruir o mundo dos Gigantes de Gelo, Thor decide se privar de seu amor por Jane Foster, destruindo os caminhos que ligam Asgard a outro mundos.

A ponte entre os mundos faz uma metáfora aos caminhos para se conseguir o que ama. A parir do momento que Thor a destrói, ele sacrifica seus interesses por algo maior que a própria felicidade, entendendo o verdadeiro papel de um rei.

Apesar de o espectador já saber que tal sacrifício será quebrado em Os Vingadores, é impossível não se emocionar com tal atitude, onde a perspectiva de um deus loiro fortão é substituída pela de um grande herói.

Enquanto isso, há o paralelo de Jane, que procurava respostas como cientista. Thor foi sua maior resposta, mas com a separação dos dois ela continua buscando-o, assim como o amor sempre busca continuar a conquistar a pessoa amada.

O amor por Jane Foster faz Thor desenvolver a humildade necessária para se tornar rei.

PELOS PODERES DE THOR

Certamente não foi fácil para Kenneth Branagh conceber o filme de Thor. Com tantas referências mitológicas e um visual tão fora do comum, o herói parecia impossível de se encaixar ao contexto dos outros Vingadores. Mas a adaptação foi tão bem feita, o herói que mais parecia longe da realidade, se tornou o mais crível de existência.

Apesar do contexto complexo, a combinação entre Asgard e a Terra foi ricamente ilustrada, trazendo o universo de Thor para o espectador comum como algo fascinante e animador para futuros filmes da franquia, seja junto ou separado do projeto da S.H.I.E.L.D.

Cheio de ideologia e contado da maneira como todo filme de super-herói deve ser contado, a produção mostra que Hulk pode até ser o mais forte, o Homem de Ferro o mais inteligente e o Capitão América o mais patrióta, mas nada supera o coração d’O Poderoso Thor.