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8º Jund Comics reuniu mais de 300 fãs de cultura pop em Jundiaí-SP!

Foi realizado nos dias 23 e 24 de novembro no Museu Histórico e Cultural de Jundiaí – Solar do Barão a oitava edição do Jund Comics. Completamente gratuito, o evento já se consolidou na cidade como referência nas atividades de cultura pop, gerando diversos sub-eventos durante o ano, sendo o principal deles a Parada Cosplay, que teve 6 edições realizadas apenas em 2013, presente nos principais festivais da cidade, sempre atraindo cosplayers e fãs de toda a região, além de Campinas e São Paulo.

Com fim educativo, o evento ainda trouxe palestras de ilustradores, concurso cosplay, a peça Problemas na Torre da Liga coma Cia. de Teatro Techniatto, campeonatos de card games, concurso cultural de desenhos, campeonatos de games, entre outras atividades.

Confira abaixo, pelas lentes do fotógrafo Sander Jr. como foi o evento:

Ilustração do cartaz do evento criada por Célio Luigi!

Ilustração do cartaz do evento criada por Célio Luigi!

Jund Comics 2014 01 Jund Comics 2014 02 Jund Comics 2014 03 Jund Comics 2014 04 Jund Comics 2014 05 Jund Comics 2014 06 Jund Comics 2014 07 Jund Comics 2014 08 Jund Comics 2014 09 Jund Comics 2014 10 Jund Comics 2014 11 Jund Comics 2014 12 Jund Comics 2014 13 Jund Comics 2014 14 Jund Comics 2014 15 Jund Comics 2014 16 Jund Comics 2014 17 Jund Comics 2014 18 Jund Comics 2014 19 Jund Comics 2014 20 Jund Comics 2014 21 Jund Comics 2014 22 Jund Comics 2014 23 Jund Comics 2014 24 Jund Comics 2014 25 Jund Comics 2014 26 Jund Comics 2014 26.jpg27 Jund Comics 2014 28 Jund Comics 2014 29 Jund Comics 2014 30 Jund Comics 2014 31 Jund Comics 2014 32 Jund Comics 2014 33 Jund Comics 2014 34 Jund Comics 2014 35.2 Jund Comics 2014 35 Jund Comics 2014 36 Jund Comics 2014 37 Jund Comics 2014 38 Jund Comics 2014 39 Jund Comics 2014 40 Jund Comics 2014 41 Jund Comics 2014 42 Jund Comics 2014 43 Jund Comics 2014 44 Jund Comics 2014 45

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RESENHA: Greve de Sexo, Cia de Teatro Techniatto

Por séculos a força masculina superou a graça feminina nas mais diversas formas de organizações sociais. Mesmo na Grécia Antiga, berço da civilização ocidental, as mulheres eram obrigadas a ficarem a mercê das decisões democráticas dos homens. Em uma justa homenagem as mulheres, a Cia de Teatro Techniatto realizou em outubro de 2012, a peça Greve de Sexo, uma comédia baseada no clássico Lisístrata de Aristófanes que mostra como a união feminina é capaz de sobrepujar a todo e qualquer supremacia masculina.

A GUERRA DE POLOPONESO

Ambiente preparado. O telão com os agradecimentos da Techniatto aos seus patrocinadores e apoiadores já saiu do ar. A diretora da cia, Natália Carmelo, já fez suas considerações iniciais e agradeceu a todo o público presente. Seja no dia 19 de outubro, data de estreia da peça, ou no dia 30 de outubro, data da segunda apresentação, o público presente só imaginava uma coisa de uma peça chamada Greve de Sexo baseada numa comédia grega: rir logo quando os atores entrassem em palco.

O que ninguém esperava é que a entrada da primeira cena começasse com uma música épica, sugerindo uma guerra, e que os primeiros atores em palco entrassem armados com espadas, lanças, escudos e armaduras para iniciar o estopim de toda a história da peça: os combates entre Atenas e Esparta durante a Guerra de Poloponeso!

Quando Aristófanes escreveu sua peça, a cerca de 500 a.C, a sua revolta foi convertida em risadas para mostrar como uma Guerra que se estendia há quase 100 anos podia ser algo tão banal. O que Aristófanes não fez, foi mostrar toda a dramaticidade de uma Guerra durante sua comédia, algo que a Cia de teatro Techniatto fez questão de mostrar: a comédia é motivada por uma guerra, mas uma guerra não é brincadeira.

Lisístrata reúne gregas de todas as cidades-estado para iniciar seu grande plano!

Após os líderes dos exércitos chamarem seus melhores combatentes para o início do combate, o pior acontece: o maior guerreiro de Atenas cai perante a força do guerreiro de Esparta. Com um grito atemorizador, a plateia fica espantada ao ver uma mulher correndo até o palco até o seu marido morto e os guerreiros, ao verem uma mulher no meio da batalha, decidem cessar os combates por hora. Começa a história da mulher que perdeu tudo por conta da Guerra de Poloponeso: Lisístrata!

O JURAMENTO

Já sem fumaça no palco e com uma música mais leve, Lisístrata volta ao palco sem entender o atraso de suas companheiras. O público, ainda chocado, se pergunta se a comédia vai começar e se o motivo da peça se chamar Greve de Sexo vai ficar clara.

E logo a protagonista atende ao desejo do público. Com muitas mulheres vindas das mais diversas cidades da Grécia, inclusive Talassa de Esparta, Lisístrata conta que teve uma ideia para parar a Guerra de Poloponeso, que já levou embora tantos entes queridos das mulheres presentes: “Vamos fazer Greve de Sexo!”, diz ela.

Representando os mais diversos tipos de mulheres presentes, cada uma das atrizes tem uma reação que identifica uma possível postura do público e diverte pelo caricato mostrado: algumas entendem a importância, muitas se contradizem, algumas acham que Lisístrata está ficando louca, mas uma coisa todas tem em comum: ninguém quer ficar sem seus homens, afinal, como se já não bastasse ficar longe deles durante as batalhas, por que raios deveriam negar o afeto de seus companheiros nas poucas oportunidades que tem juntos?

Até os velhos de guerra são conquistados pelos encantos femininos!

Entre risadas e constrangimentos, as mulheres decidem aderir ao juramento da Greve de Sexo até que os maridos votem pelo fim da guerra. Não demora muito até que elas consigam se apoderar da Acrópole e de todo o tesouro grego pelo qual os homens lutam.

Se por um lado a ideia parece ter dado certo, a reação masculina teria início e as mulheres teriam de dar um jeito em cada uma de suas investidas.

HOMENS VS. MULHERES

São três as principais investidas dos homens para recuperar a companhia de suas mulheres: a brutalidade, a burocracia e a súplica.

Desconsolados pela fraqueza dos guardas da Acrópole e pelo desrespeito que das mulheres perante os anos dedicados a segurança e ao conforto da Grécia, três velhos veteranos de Guerra resolvem se vestir novamente a caráter e a invadir a Acrópole. Saindo pelo fundo do plateia, o público se delicia com o inteligente uso da ambientação do anfiteatro do Centro Universitário Padre Anchieta ao mesmo tempo que tolera os resmungos dos velhos que reclamam dos homens sentados na plateia prostrados sem ajudar a Grécia e das mulheres que certamente estão apoiando a causa de Lisístrata.

Diálogo entre Lisístrata e o pomposo Ministro tirou risadas e apoio da plateia!

Para enfrentar a brutalidade dos velhos, as mulheres de Lisístra deram um banho de interpretação e fizeram com que os bonachões velhos aposentados contivessem sua arrogância com a sensualidade de seus jarros de água.

O segundo a tentar frear a greve das mulheres é o Ministro de Atenas em pessoa, que traz consigo todo o seu exército de guerra. Diante do jeito burlesco e metido a superior realizado pelo ator João Vitor, é a própria Lisistrata, apoiada pela sua ousada companheira Cleonice, interpretada por Taís Rodriguez, que tem de dar um fim a racionalidade burocrática do Minístro.

Se os velhos representavam como uma relação desgastada pode levar um homem a se ver no direito de subjulgar uma mulher, a Cia Techniatto mostrou com o personagem do Ministro, que num mundo onde posições sociais são tão valorizadas, a superiodade financeira de um dos casais pode trazer não só o sentimento de domínio, mas a submissão burocrática por parte da mulher.

Enfrentar os velhos e o Ministro, além de espantar os soldados que ficam sem ação ao ter de enfrentar mulheres, o sexo frágil mostra sua força através da inteligência e da coragem.

É no terceiro embate que a coisa complica e cabe a Lisístrata encubir a pequena Mirrina dar um jeito no gigante que se aproxima: o “bocado de homem” Cinésias, que necessitado de sua esposa Mirrina, está disposto a fazer de tudo para a sua mulher.

Tamanho que faz diferença: a pequena Mirrina convence seu marido a votar pela paz!

O contraste de altura na escolha dos dois atores, Rodrigo Gavilha e Luci Santana, torna a cena ainda mais engraçada. Enquanto o soldado cheio de amor pra dar poderia se utilizar de força bruta e ter sua esposa novamente é a graça e a destreza da pequena Mirrina, com quase metade da altura de Cinésias, a convencê-lo da seriedade da Greve de Sexo e das condições para ambos voltem a se relacionar, mesmo que para isso, a própria Mirrina, como todas as outras mulheres na Acrópole tenham que conter a saudade de seus maridos.

É pouco depois da cena de Mirrina com Cinésias que acontece uma das inserções mais engraçadas da peça: desabalado com a partida de Mirrina, Cinésias reclama aos deuses a sua solidão. É quando o ator Ben Hur Machado chega em sua participação climax da história: interpretando o soldado gay “Lisístrato”, um adorador da conduta da protagonista, ele se joga nos braços de Cinésias, recebendo uma dura do soldado. O soldado faz uma série de cenas em várias partes da peça, sempre levando muitas risadas pela conduta inesperada de seu personagem, mas será impossível que algum dos espectadores da peça se esqueça do desempenho do ator junto a Cinésias.

CONCILIAÇÃO

A conciliação não vem fácil. Se para as mulheres aceitarem a Greve de Sexo proposta por Lisístrata se mostra um martírio ao longo da peça, rendendo as mais jocosas maneiras de “furar” a greve e fugir da Acrópole, a situação dos homens atenienses e espartanos se torna, nas palavras do próprio Embaixador de Esparta, interpretado por William Penna, “insustentável”!

A Conciliação submeteu os gregos mais ilustres às suas querelas.

Seguindo os preceitos de Aristófanes mas com um toque de originalidade de tinta e brilho, a Cia Techniatto personificou as negociações da paz entre Lisístrata e os célebres líderes de Guerra das duas cidades-estados em uma espécie de deusa em palco, uma mulher dourada representando o brilho que as mulheres tem e o verdadeiro tesouro que os homens precisam defender que até então estava guardado na Acrópole: não o tesouro da cidade-estado, mas a companheira ousada e compreensiva, que apóia seus homens em suas decisões mas também mostram o quão importante é o seu papel dentro do sistema em que vivem.

Tão importante quanto as várias lições que a peça passa durante cada uma de suas cenas para cada tipo de relação homem-mulher que se enfrenta numa sociedade ainda machista, é salientar o grande trabalho que a atriz protagonista da peça, Stephanie Leite, fez.

Apesar de ser sua segunda peça, a atriz demonstrou a força e a coragem que a mulher precisa ter para enfrentar o dia-a-dia conturbado de tempos que mesmo atravessando dois milênios continuam a fazer as mesmas questões de sempre: até onde pode chegar o amor de um homem e uma mulher.

Com o show de interpretação de Stephanie Leite e de cada um dos mais de 20 atores que integraram a peça, a Cia de Teatro Techniatto deu mais uma vez um show de produção. Desenvolvendo os personagens individualmente, cada ator pôde crescer em cada cena que participou, fazendo da Greve de Sexo um exemplo de persuasão, vitória e amor a arte de atuar: dentro e fora dos palcos.

A Cia Techniatto deu um show mais uma vez, mostrando que a arte de atuar se faz com paixão, força de vontade e superação!

* Clique aqui e leia a resenha do espetáculo A Fantástica Fábrica de Chocolate da Cia de Teatro Techniatto.

Techniatto anuncia sua nova peça de 2012!

Em uma justa homenagem as mulheres, a Cia de Teatro Techniatto prepara para os próximos dias 19 e 30 de outubro, uma peça baseada no texto clássico de Lisístrata, peça escrita em 411 a.C. por Aristófanes, escritor grego conhecido como o maior dramaturgo do século de Péricles.

A Greve de Sexo estará em cartaz no anfiteatro do Centro Universitário Padre Anchieta, e os ingressos já estão à venda na cantinas Gobb’s por R$3,00 (ou R$5,00 se preferir comprar no dia do espetácul0) + um quilo de alimento não perecível que a companhia vai doar para casa de caridade, em uma de suas muitas ações sociais em Jundiaí.

Abaixo, o cartaz oficial da peça, apresentado ao público após um período de teasers que invadiram os prédios do Grupo Anchieta no último mês:

Para mais informações acesse o site oficial da companhia clicando aqui.

RESENHA: O Caderno da Morte, em Jundiaí

Mesmo para o jundiaiene comum que passava pela Rua Barão de Jundiaí no centro da cidade, a movimentação incomum próximo do Centro das Artes já era o indicativo que algo diferente acontecia na cidade naquele dia 09 de junho. Com roupas coloridas ou cheias de preto, toucas de personagens de desenhos animados ou camisetas estampadas com super heróis, o público indicava que uma peça teatral incomum para a cidade estava prestes a começar. Nos bastidores, muita maquiagem, preparação de luzes e trilha sonora, revisão dos pontos da cena e muitas trocas de roupa davam vida a mais uma apresentação de O Caderno da Morte.

A PEÇA

No mundo dos admiradores  entusiastas da cultura pop japonesa é muito fácil encontrar fãs que, por identificação ou apreciação, se vestem com as mesmas roupas que seus personagens favoritos. Nos eventos que rúnem esse tipo de fã não é dificil encontrar performances  destes fãs, que encenam curtas cenas de seus animes, mangás e games preferidos.

Porém, nunca antes uma companhia de teatro ousou se utilizar das criações nipônicas para criar peças profissionais do gênero, levando a emoção e os personagens cativantes do oriente até os teatros. Pelo menos não até a Cia Zero Zero, da cidade de São Paulo, criar O Caderno da Morte.

Baseada no anime/mangá Death Note (leia a resenha aqui) de  Tsugumi Ōba e Takeshi Obata, a companhia foi a primeira (e até o momento a única) a conseguir uma autorização dos autores e da editora japonesa para adaptar a história que é sucesso nos quadrinhos desde o seu lançamento para os palcos do teatro.

Em Jundiaí a peça chegou até a Sala Glória Rocha através do blog O Bonde Andando, que a mais de 2 anos tentava, junto da Prefeitura Municipal da cidade trazer para Jundiaí a peça que repercute em todos os lugares por qual passa. E não foi diferente em Jundiaí.

Todos de pé com a chegada de L!

A ADAPTAÇÃO

Como adaptar um mangá de mais de 2000 páginas de mangá para um teatro de duas horas? Como adaptar 37 episódios com inúmeras cenas  sequências ardilosas para um palco como o do Glória Rocha? Essas eram as perguntas que mais nortearam as cabeças do público que esperava ansioso o início do espetáculo.

Death Note é um thriller policial que reinventou a maneira como o Japão e mundo via o gênero de mangás shonen, gênero de mangá voltado para o adolescente masculino que geralmente vem recheado de nanquim espirrado decorando as inúmeras páginas de sangue das histórias. Levar a obra para o teatro não é só um trabalho difícil mas que lida com um grande número de fãs que vai cobrar qualidade no mesmo nível da obra original.

Com recursos interessantes e inusitados, que se utilizam de tvs, videos, projeções em cortinas e outros pequenos elementos presentes no mangá que não poderiam faltar (c0mo a escrivaninha de Light ou a mesa de doces de L), a companhia se utilizou de um elenco rotatório, que se alternava na atuação dos personagens para trazer todos os personagens mais relevantes de toda a história para os palcos.

Assim como na história original, o embate psicológico entre Light e L está presente e é o destaque da peça, o que possibilitou novaas sequências, diálogos inteligentes e um jogo de luzes que salientava a personalidade distinta de cada um dos personagens.

Para aproximar o público dos personagens, a Cia Zero Zero ainda criou vários diálogos que remetem ao Brasil, piadas com personalidades e lugares característicos. Para cativar, várias falas foram criadas para gerar gargalhadas, principalmente para Ryuk e L.

Instigante e amedrontador! L e Ryuk foram os destaques da peça!

A PERFORMANCE

Após soar a terceira campainha não tem mais volta, um caderno cai no palco e começa a história. É hora de acompanhar o trabalho dos atores, se emocionar com uma adaptação e compartilhar dos mesmo sentimentos que atores e fãs tiveram com Death Note.

Mas a surpresa geral acontece quando não se vêem atores entrando no palco. Com uma adaptação tão humana e ao mesmo tempo tão performática, não são atores que sobem ao palco, mas legítimos Light Yagami, Ryuk, L, Misa e Soichiro Yagami.

Sob a direção de Alice K, os cinco atores da companhia entraram em tal sintonia com os personagens que após o espetáculo muitos dos cacuetes dos atores acabaram se atrelando aos personagens originais, fazendo com que a obra original e a sua adaptação se completassem.

Se o destaque inicial fica por conta do ator que interpretou Ryuk, com sua gargalhada característica, efeitos 3D, maquiagem penetrante e uma curvatura que deu vida ao personagem de traço e tinta, a entrada de L em cena provou que os personagens cativantes não estavam restritos a figuras monstruosas super produzidas.

Com vestimentas simples, porém muito fiéis ao do original, o ator de L soube trazer todo o ar infantil do personagem ao mesmo tempo que mostrou para que o maior detetive do mundo viera.

O ator de Light, além de uma voz forte e marcante, provou ser, ao lado de L, uma figura mítica dos quadrinhos, que provoca reflexão e discussões infinitas sob a sua conduta, seja nos desenhos animados do Japão, seja nos palcos da Cia Zero Zero.

O APLAUSO

A qualidade vista em O Caderno da Morte merece um retorno em um palco maior, como o do teatro Polytheama, que não só abrigaria mais espectadores, já que na Sala Glória Rocha o teatro lotou, mas também daria condições para uma maior divulgação de um trabalho que prima pela excelência.

Não teve jeito, após duas horas de espetáculo, um novo final eletrizante, empolgante e mesmo que impossível no original, muito bem construído dentro da peça de teatro, a Cia Zero Zero foi aplaudida de pé por um Glória Rocha lotado, que prestigiou a peça, deu muitas gargalhadas com L, Ryuk e o inesperado senhor PenPen, ficou tenso nos diálogos mais eloquêntes entre L e Light e se emocionou com uma peça original, bem construída, com atores de primeira categoria e um espetáculo merecedor de um bis.

O Caderno da Morte em cartaz hoje na Sala Glória Rocha

Baseado na obra de Tsugumi Ōba e Takeshi Obata, a companhia paulistana Zero Hora (a única autrizada a encenar a obra nos palcos em todo o mundo) acertou no ponto e trouxe para Jundiaí através do blog O Bonde Andando e da loja Flash Point a peça O Caderno da Morte, que será apresentado hoje na Sala Glória Rocha, as 19 horas.

A obra (leia a resenha aqui) retrata a vida de Light Yagami, o melhor aluno do Japão e possuidor de grande inteligência, que por acaso encontra o caderno pertencente ao Shinigami Ryuk (deus da morte na cultura japonesa), descobrindo que a pessoa que tiver seu nome escrito no caderno morrerá, com isso Light passa a ser um justiceiro, matando prisioneiros e acusados de crime por todo o mundo.

Logo suas ações são percebidas pelas pessoas que o batizam de Kira (Killer em inglês) e a polícia mundial entra em ação. No entanto a polícia percebe que não tem capacidade para solucionar o caso, assim aceita ajuda de um detetive excepcional que atende por “L”.

A partir desse momento são mostrados embates psicológicos e de grande inteligência de ambas as partes em busca da justiça e da verdade de cada um. Com humor, suspense e mistério desperta a dúvida e o debate pelo público sobre a justiça nos dias atuais.

Data: 09 de Junho de  2012 ás 19 horas

Teatro Glória Rocha – Rua Barão de Jundiaí, 1094 Jundiaí

Dúvidas: obondeandando@gmail.com ou deixar nos comentários

Ficha técnica

Direção geral: Alice K.
Adaptação teatral: Cia Zero Zero
Dramaturgia: Bruno Garcia
Trilha sonora: Gregory Slivar
Cenografia: Laura Di Marc
Figurinos: Patrícia Brito e Lívia de Paula
Iluminação: Eduardo Albergaria
Projeção: André Menezes
Direção de produção: Carla Estefan
Assistente de produção: Mariana Santos
Fotógrafo: Alexandre Sales

Pontos de Vendas:

Flash Point
Rua Marechal Deodoro da Fonseca, 357 – Centro – Jundiaí – SP
11 7440-2821

Teatro Glória Rocha Centro das Artes
Rua Barão de Jundiaí, 1094 – Centro – Jundiaí SP
11 4521 6922

RESENHA: A Fantástica Fábrica de Chocolate, Cia de Teatro Techniatto

Luzes ambientadas. Poltrona confortável. A ansiedade paira nos rosto de pais, alunos, amigos e demais espectadores. No palco apenas um telão apresentando uma gigantesca construção em ângulos dinâmicos. Por toda a platéia, uma música que deixa o clima cheio de fantasia e apreensão. Apagam-se as luzes após as considerações dos diretores. O público é apresentado ao inocente Charlie, sua amorosa família e o curioso Willy Wonka. É dado início a um dos maiores espetáculos já produzidos por uma companhia de teatro jundiaiense. Bem-vindo A Fantástica Fábrica de Chocolate.

“O ANFITEATRO NUNCA FOI TÃO DOCE”

Foi com essa frase singela, porém cheia de sabor, que os alunos das escolas e faculdades Padre Anchieta tiveram seu primeiro contato com a peça que fez todos rirem, se divertirem e se emocionarem, tanto pela performance dos atores que surpreendeu a todos os presentes durante as duas apresentações como pela adaptação tão criativa e bem elaborada como foi. O slogan acima não foi só um chamariz para um evento escolar, foi surpreendido mais do que bem produida pela Cia TechniAtto, que assina a peça.

A TechniAtto é uma companhia de teatro jundiaiense que existe há três, mas foi após uma parceria com as escolas e faculdades Padre Anchieta é que a companhia passou a chamar a atenção de todos os entusiastas da arte em Jundiaí.

Desde 2010, a companhia ficou responsável pelo curso de extensão em artes cênicas oferecido gratuitamente aos alunos de graduação do Ensino Superior e Ensino Médio da instituição. A iniciativa deu tão certo que já reune mais de 40 alunos e duas peças em seu port-fólio.

A primeira, Alice no País das Maravilhas, foi encenada pela primeira vez no ano passado e ultrapassou as barreiras do UniAnchieta, sendo apresentada na Sala Glória Rocha em junho desse e levada a um flash-mob no Parque da Cidade em outubro.

No comando de toda essa turma está Natalia “Nhoc” Carmelo que não pode ter escolhido citação melhor para dar início a primeira apresentação de A Fantástic Fábrica de Chocolate: Somos mais do MIL, somo UM.

FÁBRICA DE TALENTOS

Caiu do Umpa-Lumpa quem imaginou que o que encontraria no anfiteatro do Unianchieta nos dias 24 e 29 de novembro seria uma simples peça escolar. Quem esteve presente pode acompanhar uma produção profissional, com atores cheios de talento e uma sede de espetáculo surprendente.

Do sonho ao pessimismo: os quatro avós de Charlie compõem um mix de personalidades que se completam.

Logo na porta de entrada do anfiteatro do Uniachieta já era possível observar a criatividade da companhia. Assim como acontece em todo local de grandes apresentações artísticas, era possível ver um corinthiano cheio de gírias e fala mansa vendendo todo tipo de produtos que ele trouxe de “longe”. Entre o itens mais inusitados (e desejados!), havia os tabletes de chocolate Wonka. O corinthiano interagia com o público, fez bizarrices no palco, chamou a atenção do diretores e pouco antes do início da peça, foi expulso do local. Essa ação foi uma ação genial da companhia pois além de entreter o público até o início da peça ainda mostrava um pouco do talento que viria logo a seguir.

A Fantástica Fábrica de Chocolate é um clássico dos cinemas, não tanto por sua primeira versão nos anos 70, mas pela excelente produção e direção que Tim Burton produziu nos anos 2.000, seguindo fielmente a história original escrita por Roald Dahl e acrescentando detalhes que só o diretor é capaz e fazer. Assim, adaptar o filme para uma peça não é tarefa para poucos, mas a TechniAtto se saiu muito bem.

Logo após um vídeo para ambientar o clima de cidade grande e a pobreza da família de Charlie, o garoto sonhador que só come chocolates Wonka uma vez por ano, o público conhece alguns dos personagens mais carismáticos de toda a peça: os quatro avós de Charlie que não conseguem levantar da cama devido a idade avançada.

Enquanto o avô José (Marco Majer) é atencioso, esperançoso e cheio de vontade de contar histórias, o avô Jorge (Willian Penna) é o seu oposto, sempre pessimista e vendo as coisas pelo pior ângulo. No meio dos dois, as avós Josefina (Aine Toledo) e a avó Jorgina (Stephanie Leite) fazem o “meio-campo” sempre ponderando entre sonho e realidade. A organização dos atores no palco era proposital para que a personalidade dos quatro ficassem claramente expostas.

O pai de Michael Teeve se assusta quando o filho tem seu tamanho reduzido devido a sua irresponsabilidade.

Para apresentar os vencedores da promoção relizada por Willy Wonka para a visita até a sua fábrica, a Techniatto se utilizou de um recurso interessante, parodiado do original, mas com uma pegada mais brasileira, misturando o pessoal e o profissional do repórter “The Flash” (Guilherme Bourcheidt) e do âncora (Kleber Áqua) que trocavam disputas profissionais, distrações e conversas paralelas com os pais dos vencedores.

CHEGA O ANFITRIÃO

Passaram-se 40 minutos de peça e o público está ansioso para ver Willy Wonka de perto. Afinal, toda a história do personagem foi contada pelo vovô José, todos admiram e gostam dele apesar das suas excêntricidades, mas o público só tinha uma leve lembrança de sua figura devido a suas rápidas aparições nos vídeos apresentados.

A chegada de Willy Wonka não poderia ter sido mais suntuosa. Caminhando levemente pelos degraus do anfiteatro, o personagem surpreendeu a quem assistia por quebrar o esquema de entrada e saída dos atores que estava sendo feita até o momento.

A visita pela fábrica não poderia ter sido menos criativa e a cada sala que as crianças conheciam, uma nova decoração ia surgindo. Mas o destaque foi para as danças dos Umpa-Lumpas, sempre seguidas de uma marcha para acompanhar a saída de palco das quatro crianças mal comportadas. Cada marcha militar foi formatada para evidenciar os erros que os pais de Violeta Chataclete (Julia e Leticia Aleixo), Augusto dos Santos (Breno Souza Gola), Verônica Assalt (Vanessa Belotto) e Michel Teeve (Anderson Zanela) em sua educação.

O contraponto gerado por cada canção foi genial, como numa soma de 1+1= assim como a educação que os pais dos quatro visitantes da fábrica era falho pela falta de rigidez, a marcha militar representa exatamente a total inflexibilidade de uma educação também viciosa. Esse conflito contribuiu não só para a reflexão da mensagem da peça, mas como também para salientar como mesmo uma vida cheia de privações como a de Charlie e sua família poderia trazer o elemento essencial para a educação de qualquer um: amor.

O abraço final de Charlie, Wonka e seu pai dentista.

A CONTRUÇÃO DA MENSAGEM

E não é a toa que a marcha dos Umpa-Lumpas é estritamente militar. Convivendo com Willy Wonka, seria natural que os homenzinhos da inexistente terra do Acre (!) absorvessem traços da personalidade do chocolateiro. Assim como os Umpa-Lump herdaram a criatividade e a habilidade de Willy Wonka, eles também acabaram por absorver o temperamento militar que Wonka recebeu de seu pai dentista e que mesmo sem saber, aplicava a si e a sua fábrica.

Para contar a a história de Wonka, a parte alta do palco foi utilizada para mostrar o Willy cheio de cáries e seus conflitos com o pai. Destaque total para os berros rigorosos e excessivamento ásperos que o pai (Giacomo Biaggio) griatava em palco. Se algum pai presente na platéia já agiu assim (ou próximo disso) com um de seus filhos, certamente, nunca mais vai fazer algo ão insensato.

O arremate da peça vem como um bilhete dourado aos olhos dos espectadores: Charlie, após desistir de trocar a vida com sua família para ser o herdeiro de Willy Wonka, ajuda o chocolateiro a encontrar com o pai que ele não via a anos, mostrado que tolerância, compreensão e cuidado são só alguns dos pontos que devem ser levados em consideração em uma família que presa pelo amor e o respeito as diferenças de cada um.

A ASCENSÃO

Impossível não aplaudir de pé uma peça tão bem construída em tecnica e performance. O ator Ricardo Meirelles deu baile conduzindo a peça e as diversas passagens da peça dentro da fábrica de chocolate como Willy Wonka e Marco Majer merece destaque total pelo tom de voz tão natural e sincero do avô de Charlie que comoveu a todos, além de suas dancinhas inusitadas.

O elenco da peça somou mais de 35 atores!

Quem saiu do anfiteatro nas duas noites de apresentação ainda levou um brinde: de agora em diante não será mais possível disvincular o rosto inocente e sincero do ator Lucas Rodrigues do personagem Charlie. O laço que a figura do ator criada com o personagem foi tão perfeita que será dificil assitir aos filmes e se surpreender ao não encotrar o rosto do ator no DVD.

Durante o encerramento, ao se deparar com os mais de 35 atores e pessoal da técnica a mensagem que se leva é a de superação, estima e o sentimento de torcida para que a Cia. TechniAtto continu e a crescer e a levar mensagens tão bonitas e bem construídas para o público jundiaiense e alce vôos ainda mais altos, conquistando platéias por todos os cantos desse planeta, desde a Broadway até a Lumpalândia.

Um fim de semana provavelmente bom

Neste último fim de semana, Jundiaí teve noites provavelmente mais divertidas. Começou no dia 12 de março, as 21h, no teatro Polytheama, as três apresentações do espetáculo Improvável, realizado pela Cia. Barbixas de Humor.

Após conquistar a crítica e público na capital, o Improvável veio para o interior paulista.

Este, que é um dos mais bem-sucedidos espetáculos da capital, está em turnê pelo interior paulista nos últimos 2 meses, sendo sucesso a cada apresentação. Em Jundiaí, os ingressos esgotaram uma semana antes de seu início, o qu motivou os organizadores a realizarem mais duas sessões extras, uma no sábado e outra no domingo. E o que será relatado aqui, a partir de agora, é toda a sensação vivida por alguém que esteve presente no show nessa primeira sessão extra.

Com segurança reforçada, a produção cuidou dos mínimos detalhes para que tudo ocorresse conforme o esperado. Logo no saguão do teatro, eram colhidos sugestões de cenas e frases que iriam compor os joos do espetáculo.

Márcio Ballas foi o Mestre de Cerimônias da noite.

Após o soar da terceia campainha e dos recados dos patrocinadores (que não foram poucos!), entrou no palco aquele que seria o “Mestre de cerimônias” (MC) danoite: Márcio Ballas. Esbanjando simapatia e bom-humor (ainda bem), ele cuidou do aquecimento da platéia, conversando com alguma pessoas, ensaiando coros e gritos e ainda revelando nomes improváveis na platéia.

O palco característico já estava montado quando os Barbixas Anderson Bizzochi, Elídio Sanna e Daniel Nascimento entraram no palco junto com seu convidado especial, Allan Benatti.

Allan Benatti (a direita) foi o convidado nas apresentações em Jundiaí.

Foram encenados 6 jogos de improviso: o primeiro logo fez a alegria do público, mas foram os dois que o sucederam, o jogo do locutor e o conto-de-fadas improvável, que mereceram ser os grandes destaques da noite. Enquanto no primeiro os quatro atores simularam uma reunião de negócios no qual seria necessário que o protagonista (que os atores iam se alternando) demitisse alguém, no segundo foi contada a história de um pobre garoto que teve sua vida mudada por um furo na bota que usava. O resultado disso tudo foi a demissão do MC e o lançamento de uma bota de chocolate que o recheio sai pelo seu furo.

Daniel Nascimento em mais uma cena improvável.

Se estes dois últimos fossem gravados e colocados na galeria do canal de vídeos do youtube dos Barbixas, que a propósito é um dos mais acessados do mundo, abrilhantariam ainda mais a já excelente coleção de vídeos.

Infelizmente, o tão aguardados jogo das frases, do troca e das cenas improváveis, apesar de muito aguardados, pareceu não fluir tão bem, e o resultado foram piadas batidas e performances abaixo do nível dos três primeiros jogos.

Elidio Sanna foi o dono da empresa de chocolate no Conto de Fadas Improvável.

Independente disso, o espetáculo foi sensacional. Não é a toa quemos Barbixas são a equipe de teatro de improviso mais requisitada do país. Cada um deles,cada um com sua particularidade preencheram o palco de forma única e criativa, fazendo com que o espectador enxergue todo o cenário por trás de cada cena de cada ator.

Só o fato de estar vivendo o momento de criação junto com os atores, ai invés de ver tudo pronto na tela docomputador, já vale cada centavo do salgado ingresso cobrado.

Anderson Bizzochi: criatividade a mil em Jundiaí.

O bom desempenho desse fim de semana, somado ao bom histórico das apresentações de stand-up comedy realizados em 2009, pode estimular a vinda de novos espetáculos da capital, que provavelmente também serão sucesso como foi o Improvável.