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RESENHA: Tokumei Sentai Gobusters

A energia sempre foi o que moveu o universo. Quando um pequeno ponto de pressão criou um Big Bang e expandiu todo o espaço, planetas e estrelas se formaram e o homem passou a manipular a energia de acordo com seus interesses. Em Tokumei Sentai Gobusters, uma forma de energia limpa chamada Enétron move vilões reais e cibernéticos a dominar o mundo, mas deixou o universo dos super sentais sem energia.

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O SUCESSOR DO MAIOR GRUPO DE TODOS!

Desde que foi anunciado, Tokumei Sentai Gobuster não recebeu uma tarefa fácil: suceder Kaizoku Sentai Gokaiger (clique aqui para ler a resenha), o 35º esquadrão da franquia Super Sentai que era capaz de se transformar em todas 34 equipes anteriores a eles, que atraiu o público adulto nostálgico e de quebra ainda conseguiu arrecadar o triplo de rendimentos de seu antecessor, Tensou Sentai Goseiger.

Visto que Gokaiger apresentava uma linha mais madura de enredo, optou-se por Gobuster seguir essa mesma linha de raciocínio, algo que por muito tempo deixado de lado nos sentais dos anos 2.000, onde as séries ganhavam um tom muito mais infantil e previsível para um espectador mais maduro.

Assim como ocorreu após as últimas três séries comemorativas da franquia, a equipe ainda foi formada por apenas 3 integrantes, despertando a curiosidade de que outros tipos surgiriam ao longo da série.

ENREDO CRIATIVO

Agora a vida urbana do mundo funciona através de uma fonte de energia conhecida como Enétron. Uma organização maligna chamada Varglas planeja ameaçar a cidade roubando esta energia. Um grupo de elite formado por três guerreiros, conhecidos como Tokumei Sentai Gobusters, protegem a cidade de qualquer ameaça. Juntamente com seus parceiros Buddy-Roids, eles devem parar Varglass de obter o Enétron.

A série começou com apenas três protagonistas, o que, em teoria, dá mais tempo para desenvolver suas personalidades.

A série começou com apenas três protagonistas, o que, em teoria, dá mais tempo para desenvolver suas personalidades.

Com uma sinopse simples, mas com vários elementos inéditos, Gobusters começou como uma equipe de operações especiais parecidos com espiões do tipo James Bond. Assim, logo no primeiro episódio, momentos bem característicos foram mostrados, como a facilidade de se enconder, atravessar prédios em silêncio e obter informações sem suspeitas.

A luta pelo Enétron foi uma premissa que pela primeira vez fugiu da básica receita: equipe do mal ou alienígenas que querem dominar a terra. O Varglas é uma entidade cibernética, criada a partir de um acidente de uma estação científica que estudava o Enétron, fazendo de seus integrantes e monstros tão peculiares quanto a sua origem.

Messiah é a entidade por trás do Varglass. Uma inteligência artificial que precisa de Enétron para poder se libertar do espaço virtual, recorrendo a seu servo Enter (e posteriormete também a Escape) para recolher a energia necessária.

Enter é um dos elementos mais interessantes da série. Metido a francês, o personagem é um avatar de um programa que serve a Messiah no espaço virtual. Utilizando seu notebook, o personagem envia vírus de computador a objetos simples do dia-a-dia para criar Metaroids, monstros feitos de tralha eletrônica, e trazer Megazords, robôs gigantes, que são baixados do espaço cibernético para a Terra cada vez que um Metaroid é criado.

Enter é o avatar que executa o roubo de Enétron!

Enter é o avatar que executa o roubo de Enétron!

Você não leu errado: Megazord. Como apelo nostálgico de um público que se formou no Japão com o sucesso das séries Power Rangers (que se utilizam das cenas dos Super Sentais para criar séries americanizadas da franquia japonesa), Gobusters se utilizou de algumas nomenclaturas da Saban (produtora de Power Rangers) para aproximar os públicos.

Além de se utilizar do nome dos robôs gigantes dos Rangers, os heróis da série ainda gritam “It’s Morphin Time“, o principal jargão de Power Rangers para se transformarem.

E as semelhanças não param por aí. Assim como a primeira série Power Rangers tinha um robô para auxiliar os heróis nas missões, uma série de robôs chamados Buddy-Roids foram criados como companheiros dos trio de heróis e ainda completar a personalidade deles.

Hiromu Sakurada, o Red Buster, é o líder do grupo e tem velocidade inacreditável, dando a impressão de que ele se teletransportar. Porém, assim como todos os heróis do grupo, ele possui uma fraquesa: seu corpo se congela quando vê uma galinha, um medo que sempre é tentado contornar por Nick Chida, um Buddy-Roid em forma de chita que serve como irmão mais velho de Hiromu e de transporte quando assume a forma de moto.

Dá gosto de ver as batalhas de Ace o robô vermelho de Hiromu!

Dá gosto de ver as batalhas de Ace o robô vermelho de Hiromu!

Ryuji Iwasaki, o Blue Buster, é o mais velho do trio e o mais racional. Apesar de uma força insuperável, seu traje facilmente sofre com superaquecimento se ele tenta combinar suas habilidades com as limitações de seus trajes, fazendo com que o seu Buddy-Roid Banana Gorisaki sempre de maneira mais passional para segurar as investidas de Ryuji.

Por fim, Yoko Usami, a Yellow Buster, é uma garota energética, que tem o poder de chutar e pular incrivelmente, porém, por ser ainda uma adolescente em fase de crescimento, Yoko fica cansada facilmente e requer doces para se recuperar, algo que o Buddy-Roid coelho Retasu Usada sempre a faz questão de lembrar, como uma babá.

Por fim, Gobuster ainda acertou na dose dos robôs. Diferente de Gokaiger que, assim como as séries mais clássicas, possui apenas um robô (com vários power-ups, mas isso é outra história) Gobusters optou por uma gama bem maior de robôs, mas que foram apresentados aos poucos, visto que as lutas com o uso dos robôs sempre fossem bem distribuídas nos episódios.

Como a existência do Metaroid é que provocava a vinda de um Megazord, os heróis sempre tem uma missão dupla: uma em Terra e outra com o uso dos robôs.

Para completar toda a trama, uma motivação altruista e ao mesmo tempo dramática: Hiromu, Ryuji e Yoko desejam salvar seus pais, todos cientistas que foram aprisionados no mundo virtual quando ocorreu o acidente na base de operações dos Gobusters quando os heróis ainda eram pequenos.

Beet Buster e Stag Buster  são o reforço do time!

Beet Buster e Stag Buster são o reforço do time!

Com uma construção de dar inveja a qualquer trama de sentai, a série começou com grandes expectativas de fãs da nova e da velha guarda. Mas…

EXECUÇÃO FALHA

Tokumi Sentai Gobusters é a prova cabal que planejamento não é tudo: é necessário uma execução ser realizada com maestria para que boas ideias consigam gerar a composição adequada.

Ao analisar episódio por episódio da série, é bem possível de se crer que houvessem divergências conceituais entre os roteiristas ou, no mínimo, uma imaturidade por parte destes, visto a repetência de temas e previsibilidade rotineira que séries como Shinkenger (clique aqui para ler a resenha) e Gokaiger tinha conseguido escapar.

Dá para perder a conta de quantos aniversários foram comemorados, além da quantidade de episódios voltados a ideosincrasia da formação dos personagens.

Mesmo quando episódios interessantes parecem dar uma guinada na série, a sua sequência não consegue manter O mesmo clima de tensão que os bons episódios conseguem despertar, o que faz com que tudo vá a ruínas.

Essa oscilação de climas e roteiros, foi o que mais afetou o desenvolvimento do personagem mais interessante da série: Masato Jin, o dourado Beet Buster.

Até Gavan Type-G deu uma ajudinha.

Até Gavan Type-G deu uma ajudinha.

Desde a sua aparição, o personagem foi rodeado por mistérios e parecia ser a chave para se compreender como formas de vida como Enter e Escape podiam conviver no mundo real, já que este também é um avatar vindo a terra através de sua consciência que se manteve a salvo quando ocorreu o acidente na base de operação que criou Messiah.

Jin é um excêntrico e cientista e como tal, havia criado um plano B caso um acidente ocorresse. Com apenas a sua mente, Jin conseguiu criar um Buddy-Roid no espaço real, o Beet J. Stag, que conseguiu trazer o avatar de seu criador para o mundo real, além de poder se transformar em Stag Buster, o prateado quinto membro dos Gobusters.

As tramas criadas com a chegada de Jin sempre foram alvo de fins de episódio, mas nunca foram desenvolvidos de maneira a guiar a história.

Uma grande possibilidade do porquê disto tudo é que, se os roteiristas já estavam perdidos entre criar uma série mais madura ou mais infantil, a pressão da TV Asahi por uma audiência mais próxima de Gokaiger e da Bandai pela venda de mais bonecos fizeram com que climax inusitados fossem criados, despertando pela primeira vez, uma espécie de segunda temporada em um Super Sentai.

Decididos a acabar com Messiah, os cinco Gobusters entram no mundo virtual para dar um fim nas ambições do vilão. Para tal, uma decisão dramática, e de última hora, diga-se de passagem, é tomada: eles sacrificam as almas de seus pais para utilizar um ataque definitivo com o robô Gobuster-Oh em Messiah.

A morte de Beet Buster surpreendeu a todos os fãs!

A morte de Beet Buster surpreendeu a todos os fãs!

Com a troca de tema de abertura e uma entre-saga excelente de três capítulos com a aparição de Gavan Type-G, o substituto do herói Gavan dos anos 80 que ganhou um novo filme para comemorar os 30 anos da franquia (morta) Metal Hero, Enter desperta como o principal vilão da história, utilizando-se do poder de Messiah que ele acumulou enquanto realizava suas missões.

A pressão foi tanta que a Toei Animation ainda produziu um final que A Toei Company havia prometido nunca mais realizar em um Super Sentai: matar um herói!

Ciente que com a destruição de Messiah sua mente não resistirá no mundo virtual por muito tempo, Jin decide se sacrificar para conter Enter enquanto os outros quatro heróis dão o golpe final no vilão.

Em um diálogo emocionante, digno de cinco estrelas, Beet Buster se juntou ao seleto grupo de heróis que se sacrificaram pela terra nos 36 anos de super sentai. Um ponto positivissímo para o fã que acreditava que finais mais emocionantes estivessem cortados da lista da franquia.

ENTRE ALTOS E BAIXOS

Num plano bem amplo, Gobuster é uma série excelente: uma grande metáfora do criador sendo controlado pela criação, da dependência do homem pela máquina, do papel da energia dentro da esperança de se realizar seus desejos.

Gobuster teve uma ideia madura, mas uma execução infantil.

Gobuster teve uma ideia madura, mas uma execução infantil.

Porém, a comercialização abrupta que move cada vez mais a existência da franquia Super Sentai fez com que a série se tornasse uma das experiências mais angustiantes de assistir.

Se a mensagem fosse passada de uma maneira direcionada, seja ela madura ou infantil, possivelmente a série pudesse ter tido um resultado final melhor, mesmo com as abruptas mudanças de enredo no meio da história.

A grande lição a se tomar com Tokumei Sentai Gobusters é que numa gama enorme de opções e proporções, muitas vezes, a opção mais simples é a mais sensata, seja para o personagem ou para o estúdio que com energia transformam o virtual em real.

RESENHA: Tokusou Sentai Dekaranger

O policial. A figura caracterizada tanto pela justiça como pelo temor é um dos personagens mais trabalhados em todas as modalidades de entretenimento. Seja pela proximidade da realidade quanto pela curiosidade que o ser humano tem pela tragédia, ele sempre está lá, seja filme, novela ou livro. Tokusou Sentai Dekaranger é o seriado de heróis coloridos que traz esse caricato de uma maneira tão heroica quanto curiosa.

A POLÍCIA VEM AÍ

É fácil se lembrar deles: todos heróis coloridos que combatem os perversos alienígenas que ameaçam dominar o planeta Terra. Não, não estamos falando dos famosos Power Rangers, mas sim da franquia de seriados japoneses que deram origem ao primo americano: os Super Sentais.

Por décadas esses heróis transmitem emoção, coragem e aventura a todos os japoneses, além de serem a primeira “escola” a educar as crianças do Japão a se aproximar dos mangás de ação que geram milhões em todo o mundo. A fórmula de jovens com roupas coloridas combatendo a alienígenas é a mesma desde sempre e sempre se mostrou muito eficiente, se reinventando mesmo contando sempre a mesma história.

Com tantos anos de existência, era de se esperar que a temática de policiais já tivesse sido usada neste tipo de seriado, porém a franquia dos Super Sentais só ganhou este tema em 2004, com a estréia do vigésimo oitavo seriado Super Sentai: o Tokusou Sentai Dekaranger, ou Esquadrão de Investigação Dekaranger, numa tradução livre.

Provavelmente os heróis coloridos tenham demorado mais de 28 anos para ganhar seu seriado policial por a Toei Animation ter se utilizado muito da temática em outras de suas franquias, em especial a dos Metal Heros.

Doggie lidera a força SPD da Terra!

Doggie lidera a força SPD da Terra!

Misturando elementos de sua tríade de policiais do espaço, Gavan, Sharivan e Shaider, com seu robocop Jiban e a trilogia de heróis de resgate, Winspector, Solbrain e Exxcedraft, a gigante japonesa deu origem a um universo criativo e cheia de referência aos seus seriados e aos seriados policiais de todo o mundo.

Mesmo a palavra Deka, não foi escolhida por acaso para dar origem ao seriado. Em japonês Deka é uma gíria para policial, algo próximo do “tira” usado no Brasil.

SPD: SPECIAL POLICE DEKARANGER

Logo de início, o espectador é apresentado ao principal destaque da série: o seu rico universo. E quando se fala de universo estamos falando, além dos elementos que compõe a história, de todo o universo intergaláctico que é composto por uma poderosa federação policial que defende o universo das forças do mal: a SPD, Special Police Dekaranger.

Espalhada por todo o universo não é de se estranhar que seus membros sejam também das mais diversas origens, com uma grande mistura de etnias e membros. A SPD se assemelha muito a Tropa dos Lanternas Verde, porém estes tem várias e várias cores de uniforme, sendo a maioria dos esquadrões de ação são formados por cinco jovens, além do comando e da equipe técnica.

O DekaMaster é um dos maiores policiais do universo!

O DekaMaster é um dos maiores policiais do universo!

Akaza “Ban” Banban é um dos mais dedicados e apaixonados membros dessa grande corporação, porém, como num mangá dos anos 2000, é um tanto quanto afoito ao encontrar soluções para as investigações  Ban, como gosta de ser chamado, se coloca em constante risco, destruindo o patrimônio publico e colocando os cidadãos comuns em perigo. Por isso, a história começa a ser contada quando o policial que usa traje vermelho, de DekaRed, é transferido para a Terra (sim! Ele é um também é um alienígena), na equipe de Doggie Krugger, um comandante com cara de cachorro que é oriundo do planeta Anubis e é um dos mais respeitados agentes da SPD.

Krugger é conhecido por apadrinhar e educá-los a aprender a agir em equipe. O cachorrão aposta que Ban é o complemento ideal para sua equipe, formada por quatro membros um tanto quanto previsíveis.

Como DekaBlue e líder da maioria das missões, Hoji é o membro mais responsável da equipe, sempre pronto para se sacrificar pelo seu companheiro. Parecida com ele, Jasmine, a DekaYellow, é um ESPer, um ser com habilidade especial que consegue ler os pensamentos de pessoas apenas ao tocar nelas sem as suas luvas.

Sen, o DekaGreen, é o mais quieto e também o mais inteligente da equipe, sempre ficando de ponta-cabeça, sua posição favorita, para desvendar os mistérios mais difíceis. Ao contrário dele, temos a estourada Umeko, a DekaPink, que adora um bom banho após o combate, se tornando o fetiche dos marmanjões japoneses mais adeptos do “moe”, a paixão de fãs por personagens femininas.

Swan é a maior policial técnica do universo!

Swan é a maior policial técnica do universo!

NADA DE IMPÉRIOS!

Com uma força de defesa tão grande, já era de se esperar que não haja na série um Super Império Galáctico (o vilão mais comum dos seriados Super Sentais) querendo dominar a Terra, fazendo com que o universo criado gerasse um vilão bem peculiar: um mercador de drogas, tecnologia e armas que se utiliza dos desejos e das repressões dos alienigenas refugiados na Terra.

Procurado por toda a galáxia por ter levado sete galáxias a destruição, o Agente Abrera também é o responsável pelos combates dos dekas com robôs, um elemento essencial em todos super sentai, já que é ele que constrói, e vende, as máquinas gigantes que destroem cidades diversas do Japão.

Tal feito faz com que todos os episódios hajam pelo menos 2 monstros: um de tamanho terreno e outro de altura colossal.

No início tal necessidade, no início, fez com que os produtores resolvessem fluir os episódios da série de maneira diferente dos seus 27 antecessores: cada caso resolvido por Ban e sua equipe seriam realizados em episódios duplos, tais como vários seriados americanos dos anos 70, porém tal sistemática pareceu não dar muito certo.

DekaBreak faz parte da elite da SPD.

DekaBreak faz parte da elite da SPD.

Apesar de ser produzido por fanáticos do entretenimento e por isso mesmo atrair muitos adultos, o público cativos da franquia Super Sentai ainda são as crianças. Passando um episódio por semana, os pequeninos acabavam se confundindo e perdendo o interesse por um seriado que não concluísse ou começasse uma história pela metade.

Mesmo acelerando as aventuras, a dupla de monstros semanal trouxe diversos pontos positivos a série, como o uso criativo de robôs, que pela primeira vez comumente se alternava com a ação dos heróis em Terra, sem contar que as ações de Dekaranger Robô, DekaWing, DekaBike, DekaBase e suas diversas combinações são sempre muito bem justificadas, não sendo um festival de mechas batalhando como samurais!

NÃO ME CHAME DE PARCEIRO!

Assim como na maioria da séries, o conflito de personalidades é o ponto mais maduro a se abordar. Mesmo com um tom mais bonachão como todas as séries sentais dos anos 2.000, mas muitos momentos são dignos de admiração.

O conflito de Ban e Hoji, que se nega a ser chamado de parceiro pelo DekaRed, gera diversas disputas desnecessárias, mas que Ban sempre releva graças a sua maneira simples e inocênte de ver as coisas.

A líder da Tokkiyu fez história mesmo aparecendo em apenas um episódio.

A líder da Tokkiyu fez história mesmo aparecendo em apenas um episódio.

Muito do amadurecimento dos personagens se devem a esses conflitos que são levados a extremos com a aparição de novos integrantes para a equipe, que somam o recorde de membros: oito.

Membro do esquadrão de elite Tokkiyu dos Dekaranger, Tetsu, o DekaBreak, vem para a Terra para solucionar um caso que o quinteto de Ban se mostrou incapaz de por um fim, e acaba. Porém, seu jeito racional acaba se atraindo pela forma apaixonante com que o DekaRed trata os casos e como o trabalho em equipe pode render grandes vitórias, decidindo ficar na Terra de maneira interina.

Além do deka de número IV, o próprio Doggie Krugger se torna um Deka em momentos de necessidade. Estampando o número 100 em sua armadura e em sua espada laser, o DekaMaster sempre arrasa em suas performances arrebatadoras.

Doggie só não permanece frio quando a agente técnica dos Dekarangers está em perigo. Swan Shiratori, a DekaSwan, é a maior gênio do universo, mas decidiu ficar na Terra ao lado de Doggie devido ao romance não declarado que ambos demonstram ao longo da série.

Mas não pense que para por aí. Apesar de serem oito na equipe, a Toei Animation não deixaria que a analogia com o número dez do nome da série caísse por Terra, fazendo com que duas integrantes do Dekaranger internacional somasse 10 rangers na série.

Marie é a DekaGold, décima ranger e exclusiva do filme!

Marie é a DekaGold, décima ranger e exclusiva do filme!

Durante a série, chega Lisa Teagle, a DekaBright, líder de Tetsu e de toda a tropa Tokkiyu. Depois, apenas no longa-metragem do título, é apresentada Marie, a DekaGold, que vem a Terra ajudar os Dekas e ainda render boas vendas de bonecos nas lojas de brinquedos.

JUDGMENT!

Poderia-se listar todos os elementos que a série tem aqui, porém, a lista nao teria fim. Se na maioria dos casos a solução parece óbvia para um adulto solucionar, a quantidade de referências ao contexto internacional da figura do policial é rica exatamente por privilegiar os fãs do gênero de longa data.

Cheia de casos, assassinatos, roubos e históricos que não deixam nada a dever para um super sentai de vilões regulares, Dekaranger cativa por sua quebra de padrão de série que se seguia nos seus anos anteriores e por ser o sentai mais democrático de toda a história: além de ser a série com o maior número de ranger mulheres (mesmo que com baixa participação), é uma das poucas séries que mostra a possibilidade de um convívio harmonioso de humanos com extra-terrestres, quebrando o paradigma de alienígenas todos tiranos.

A série demora mas mostra o seu porquê, ao mesmo tempo que mostra o porquê de Ban merecer ser o protagonista: um policial deve acreditar em seus instintos e se apoiar em sua competência para apostar nas pequenas probabilidades de se conseguir sucesso em soluções inesperadas, afinal, dar tudo de si por um mundo a beira do colapso, numa profissão onde se arrisca a vida todos os dias, já é uma pequena probabilidade de acontecer, mesmo tanta gente se arriscando pelo bem da terra todos os dias na profissão de policial.

Não há nada mais legal na série que ver toda a equipe junta!

Não há nada mais legal na série que ver toda a equipe junta!

RESENHA: Hikonin Sentai Akibaranger

A busca de reconhecimento é uma angustiante e muitas vezes traiçoeira necessidade social que muitos seres humanos sobrepõe a sua própria ideia de sucesso. Passando por comédias e dramas, comédias e filosofias, Hikonin Sentai Akibaranger surgiu com uma proposta jamais vista na franquia dos Super Sentais, mas foi tão bem produzida que jamais entrará para a augusta seleção de 36 equipes já criadas.

COMO TODO FÃ GOSTARIA DE SER

Por mais que a distinção entre o real e o ideal seja algo maduro o suficiente para se conviver, não há fã de super heróis que nunca se imaginou como um de seus ídolos.

Apesar de parecer criancisse, o desejo de aproximação da figura a que se admira acontece em todos os segmentos do entretenimento, do mundo profissional e da religião.

No meio da cultura pop japonesa, o cosplay é a projeção mais palpável desse desejo, onde entre devaneios e sonhos, os fãs podem se ver como personagens da ficcção para extravasar os seus sentimentos de uma maneira tão divertida quanto excêntrica.

Mas e se os fãs pudessem deixar de ser cosplayers e pudessem chegar até onde nenhum ser humano chegou, se tornando o herói tão sonhado em plena vida real? Esta é a proposta de Akibaranger.

UMA FRANQUIA INFANTIL PARA ADULTOS!

Fazendo uma sátira do comportamento do fã maduro da franquia Super Sentai (a mesma de Changeman, Flashman e Shikenger), a Toei Company inovou em 2012 levando ao ar duas produções de um mesmo gênero de heróis de roupas coloridas.

Otakus de Akihabara tem a oportunidade de virarem herois de verdade!

Tudo indica que tal investida teve origem na observação do mercado durante a comemoração de 35 anos de Super Sentai em 2011 com a produção de Kaizoku Sentai Gokaiger.

Lucrando com os heróis o dobro em vendas de bonecos em metade do tempo que a série anterior (Tensou Sentai Goseiger), a Toei e a Bandai perceberam um vasto nicho de fãs maduros dispostos a comprar muitas bugigangas dos heroís coloridos antigos.

Como Gokaiger era uma série focada ao público infantil, uma série focada nesse nicho adulto teria de trazer diversos elementos que, assim como é feito com as crianças, fizesse o público se identificar com a história.

Assim, o cenário ideal para a criação desse “sentai adulto” não poderia ser outro senão o bairro que mais atrai nerds, geeks e otakus da cidade de Tóquio: Akihabara.

DIRETO DE AKIHABARA

Os japoneses sempre foram muito bons para encontrar nichos, não é a toa que todo tipo de música, todo tipo de programa de tv e todo tipo de todo tipo de coisas vira sucesso lá, gerando lucros para a indústria do entretenimento e fidelidade dos consumidores.

Os guerreiros vencem Mesugurohyōmonchō. O nome dos vilões exagera a complexidade do nome dos vilões dos sentais originais.

Um misto de Santa Ifigênia e Bairro da Liberdade da cidade de São Paulo no Brasil, Akihabara é o bairro que se desenvolveu em Tóquio por vender tecnologia variada, de boa qualidade e com preços muito baixos.

Como tecnologia e video-game andam de braços dados desde o Atari, e o mundo dos mangás e animes são o mundo das ideias ideal para o desenvolvimento do enredo de jogos, todos esse nichos acabaram crescendo ao redor de Akihabara e muitos eventos com dubladores, cantores, tarde de autógrafos ou ações de lançamentos de produtos do segmento são feitos em Akihabara, atraindo nerds de todos os níveis.

Produtos novos e usados, raros, exóticos, comuns. Tudo é encontrado em Akihabara, inclusive pessoas como Nobuo Akagi, um entregador de 29 anos que é fanático por super sentais que já assistiu a todas as 36 séries que a Toei produziu e está cheios de tendências “moe”, um tipo de fetiche sexual japonês por persnagens de ficcção.

Também facilmente se encontram cosplayers em Akihabara, como Yumeria Moegi, uma senhorita adulta que mora sozinha após a morte da mãe (também cosplay e interpretada por Rica Matsumoto), mas que parece uma adolescente de 15 anos. Bobinha e inocente, ela é fanática por roupas kawaiis e acessórios fofinhos, sem necessariamente conhecer a origem dos personagens que interpreta.

E para completar o nicho que a Toei quis atingir com a série, entra em cena Mitsuki Aoyagi, uma estudante do Ensino Médio preste a entrar na faculdade que vê no anime Z-Cune Aoi a saída mais simples para fugir da pressão dos pais por sua aprovação no vestibular.

Z-Cune Aoi ganhou destaque no tokusatsu, que mostrou várias sequências animadas da heroina.

Com um líder vermelho e duas garotas fazendo as integrantes amarela e azul respectivamente, Hiroyo Hakase, dona de uma loja de Akihabara, conseguiu a equipe ideal para testar o experimento do seu pai, que levava pessoas até o mundo das ilusões atraves de seus devaneios. E a Toei, maior produtora de tokusatsus do Japão, conseguiu acertar no ponto para dar início a história de Akibaranger!

UM SENTAI NÃO OFICIAL

Com personagens tão próximos da realidade, um sentai como Akibaranger não poderia pertencer ao roll da Toei Animation. A própria exibição do seriado na tv é diferente.

As séries Super Sentai a décadas são exibidas nas manhãs de domingo em um horário com prado pela Toei para exibir seus seriados e desenhos animados.

Como nem todo trabalhador adulto tem ânimo para assistir um seriado num horário pré-determindo, Akibaranger foi posto para ser assitido em pay-per-vier num canal afiliado da TV Asahi com um novo episódio por 12 semanas, de abril a junho de 2012.

Assim, o grande contexto que norteia o seriado é conseguir atingir um “poder” suficiente no mundo das ilusões ao qual são enviados por Hakase para se tornarem oficiais e vencerem o Corporação Descaradamente Maligna Guerrilha Marketing B, onde a vilã Marushina parece a versão em carne e osso das mulheres-fetiche tão comuns em animes dos dias de hoje.

Seios fartos, pernas a mostra e até uma cena de nudismo caracterizam a tendência fetiche da vilã Marushina.

Apesar da grande sacada é ser feito em uma comédia bonachona, Akibaranger conseguiu momentos muito mais épicos que seus irmãos oficiais em diversos momentos.

Cheios de referências, músicas temas, e cenas de sentais antigos que Akagi se recorda a cada novo episódio esteriotipada da franquia ao qual a primeira equipe de um homem e duas mulheres são submetidas, Akibaranger se supera ao homenagear Kazuo Niibori, o dublê que fez todos os primeiros 15 rangers vermelhos, de Goranger até Jetman.

Se uma comédia japonesa pode parecer, a um primeiro momento, um pouco distante da realidade brasileira pela diferença de cultura e de fãs de ambos os países, a reviravolta de tramas, que acontece em mais da metade dos episódios, não só prende a atenção do espectador como faz dar gargalhadas pela inusual maneira como é colocada no contexto.

Chegando próximo do final, a série que parecia estar rumando para um desfecho padrão do sentais se supera mais uma vez ao se deparar com as forças de Hatte Saburo, o pseudônimo que a Toei Animation dá a equipe de criação de todos os super sentais desde Battle Fever J, primeira série feita sem o criador original, Shotaro Ishinomori.

Demorou até os heróis conseguirem executar seu roll-cal: o grito de guerra com o nome dos heróis!

Tal desafio, além de cheio de referências a teoria filosófica de George Berkeley concluiu a série como nenhuma outra, fazendo da série um marco na história da franquia e um divisor de águas para os próximos sentais, espera-se.

ROLL-CALL

Após 36 séries, o fenômeno Power Rangers pelo mundo e virar o sinônimo de séries tokusatsu, a franquia Super Sentai, além de ser a com o maior número de série, heróis e lucratividade, criou uma legião de fãs e uma cultura própria.

Hikonin Sentai Akibaranger, como nenhuma outra, soube se utilizar dessa cultura em benefício próprio, criando mais que uma história, mas uma verdadeira e justa homenagem aos milhares de profissionais que desde 1975 dão vida as histórias de heróis coloridos que dão força para adultos e ensinamentos preciosos as crianças.

Brincando com os piegas das séries oficiais, sem se privar de sequências politicamente incorretas de um seriado infantil, com reflexões sobre o que é e como é ser fã de algo nos dias hoje e com uma rica base de sustentação que deu origem a personagens inesquecíveis, Akibaranger pode até não ter se tornado um Super Sentai oficial, mas para sempre será o sentai oficial dos fãs que tanto admiram a magia dos seriados de super heróis japoneses.

RESENHA: Kamen Rider Decade

A partir do momento que se toma consciência de sua existência, o ser humano começa a se deparar com as questões mais primordiais e que mais provocaram os maiores pensadores de toda a história a refletir sobre uma resposta geral. Kamen Rider Decade começa uma jornada através de tais questões e mostra que como na filosofia, uma história também não precisa dar todas as respostas para se ter um fim.

UMA JORNADA ATRAVÉS DA DÉCADA

Há quem diga que Kamen Rider Decade já começou como um engano, tanto por seu fim inesperado (ou ainda esperado) como por sua criação incomum dentro do universo das produções da Ishimori Productions para a Toei Company.

Desde o ano 2000, a franquia dos motoqueiros mascarados assumiu um perfil muito semelhante ao das séries Super Sentai (como Changeman, Flashman, Jetman, etc), com uma série substituindo a anterior a cada ano, com uma média de 50 episódios e claramente caracterizadas com a finalidade de vender bonecos.

Em 2009, com o fim de Kamen Rider Kiva, os produtores da Ishimori Productions tinham em seus planos o lançamento de Kamen Rider W, porém as datas comemorativas do Japão não batiam com a estratégia de marketing que a equipe de produção tinha para o lançamento dos produtos e do desenrolar da história.

O jeito de evitar a reconstrução do roteiro e não perder o horário na TV Asahi, foi criar uma série tapa-buracos, previamente planejada para durar apenas 31 episódios e ainda se aproveitar do fato de esta ser a décima série criada a partir do reinício da série no ano 2000, criando uma história que homenageasse as chamadas séries Rider da Era Heisei. Nascia Kamen Rider Decade em um modelo mais profundo e mais psicológico, que logo pela abertura cantada pelo cantor GACKT, um fã da série) já se mostrava algo como nunca antes visto.

HENSHIN

Tsukasa Kadoya é um jovem de vinte e poucos anos que trabalha como fotógrafo para o Hikari Studio do senhor Hikari Eijirou e sua neta Hikari Natsumi. Sua razão de viver é simples: capturar com a lente de sua câmera (que ele mesmo construiu) uma imagem que possa representar toda a beleza do mundo. O problema disso tudo é que ele nunca conseguiu tirar uma única fotografia que não saísse cheia de borrões e fora de foco.

Apesar da compreensão do Hikari, Natsumi não tolera os gastos e as reclamações dos clientes das fotos de Tsukasa, fato que o sempre o deixou desconfortável, levando a pensar nos extremos de suas reflexões que ele não pertence ao mundo em que nasceu.

Um contexto tão pessoal, porém poético, dá início a história com o primeiro episódio mais espetacular de toda a história da franquia (e arrisco a dizer, de todas as séries tokusatsu já produzidas) onde um contexto épico passa a ameaçar o planeta.

A iniciar por um sonho premonitório de Natsumi onde o guerreiro conhecido como Kamen Rider Decade enfrenta e derrota todos os Kamen Riders da era Heisei e chegando a uma invasão coletiva a cidade que ameaça por um fim a ela, os primeiros traços do enredo começam a ser traçados.

Diferente de aliens ou seres monstruosos, o mundo de Tsukasa está ameaçado a acabar por um fenômeno que está unindo todos os nove mundos existentes, cada um protegido por seu Kamen Rider, provocando um evento que pretende trazer a criação através da destruição.

Natsumi tem a premonição do fim do mundo nas mãos de Decade!

Após monstros de todos os mundos ameaçarem o mundo de Tsukasa com os efeitos especiais mais incríveis de toda a história tokusatsu, Natsumi encontra o cinto de transformação do herói e um misterioso homem diz a Tsukasa que ele deverá viajar através de todos os mundos para restabelecer a paz em cada um deles e parar a destruição do seu.

O problema disso tudo é que em cada um dos nove mundos, Kamen Rider Decade é conhecido como “aquele que exterminará a todos os Riders”, provocando sempre muitas disputas com cada um deles antes que o problema que assola o mundo de cada um seja resolvido.

UM KAMEN RIDER QUE ESTÁ SÓ DE PASSAGEM

Não só pelo início com um enredo diferente de todas as séries da franquia já produzidas, mas pela sistemática adotada nos episódios onde não haviam o “monstro da semana” e sim um problema que percorria episódios duplos, Kamen Rider Decade surpreende pela audácia de sua concepção.

Porém, o que parecia algo cânone, unindo todas as nove séries anteriores, onde a maioria não contém nenhuma ligação entre si, começou a carecer de consistência a cada novo Rider que aparecia em cada um dos mundos, que a não ser pela armadura e pelo contexto do mundo não tinham nenhuma relação com a série que dava o nome ao personagem.

Com Riders alternativos que só existiam em Decade, a série seguiu até completar todos os mundos da Era Heisei e a partir daí quebrar o conceito inicial de nove mundos, criando novos mundos que apesar de muito interessantes, como o crossover de Riders e Sentais no mundo de Shinkenger e a participação do ator Tetsuo Kurata que reviveu seu papel como Kamen Rider Black e RX, quebraram a premissa do início da história.

Épico! Kamen Rider Black e RX voltam a ativa depois de quase 20 anos!

As coisas ainda pioraram com o fim da história contada num mundo onde os mundos se unem mas não é o mundo inicial da história, e os outros dois fins alternativos criados no filme All Riders vs Dai Shocker e Movie Taisen 2010.

Cada novo elemento bagunçado incluído da na história que nem a mente mais criativa dos fãs era capaz de encaixar de forma contundente, faz com que a frase que Tsukasa dizia a cada novo vilão que enfrentasse “Sou um Kamen Rider que está só de passagem”, fosse uma pista da inexistência de um fim para a história.

ANJO OU DEMÔNIO

A primeira coisa a se pensar de Kamen Rider Decade é uma história ruim, feita como mais um caça-níquel da Toei (o que não deixa de ser verdade), mas engana-se quem pensa que todos os inúmeros erros de concepção de Kamen Rider Decade possam privar a série de uma qualidade sem precedentes.

Com personagens cativantes, histórias que conquistam a todos os públicos e um protagonista com uma postura estranhamente indiferente e heróica ao mesmo tempo, as lições e os valores que Decade passa a cada episódio são tão profundos quanto divertidos de se assistir.

É incrível pensar como os produtores não conseguiram dar um fim de verdade a série, após assistir a todos os episódios e filmes é fácil encontrar todos os elementos e ganchos que criariam algo épico.

Decade carrega uma homenagem de mais de 40 anos da franquia Kamen Rider!

Kamen Rider Decade é uma história para curtir, para gostar, para delirar, mas não para se entender. Com tantos efeitos pós-Decade (como a criação de Gokaiger e o futuro filme já anunciado pela Toei estrelando Tsukasa), a série é a prova cabal que assim como na filosofia não são as respostas que movimentam o sucesso de uma teoria, mas sim a quanto ela possível de ser teorizada.

RESENHA: Kaizoku Sentai Gokaiger

O mundo precisa de heróis. Exemplos de conduta, coragem e persistência sempre foram essenciais para a formação e o desenvolvimento do caráter do ser humano e de sua postura perante o mundo. Não é fácil assumir o papel de herói e muito mais difícil é manter o esteriótipo a ser seguido por quem tanto o ama e admira. Ironicamente, foi fugindo do estigma de herói que Kaizoku Sentai Gokaiger conseguiu resgatar os valores mais essenciais e há tanto tempo perdidos na capciosa disputa da TV japonesa pela audiência fácil do inocente espectador infantil da terra do sol nascente.

FALANDO DE SUPER SENTAI

Quando se ouve falar em uma equipe de 5 heróis multicoloridos no ocidente, a primeira coisa que se vem à cabeça é Power Rangers. Mas mal meio mundo sabe que esta franquia estadunidense começou no Japão a muitos anos antes de Tommy e Kimberly cruzarem seus olhares pela primeira vez.

Criados pelo mangaká (do japonês, desenhista de histórias em quadrinhos) Shotaro Ishinomori em 1975, o primeiro sentai (do japonês, esquadrão)  conquistou milhões de crianças e adultos com quase dois anos de exibição ininterruptos no Japão e a partir de então gerou quase que anualmente uma série derivada da mesma idéia se extende até hoje no Japão.

Há tantos anos sendo exibido, diversas temáticas já foram utilizadas e diversos temas (alguns até repetidos) já foram abordados, entre eles, ninjas, polícia investigativa, dinossauros, viagem no tempo, samurais, etc… Assim, em 2011, a Toei Comapany, produtora das séries da franquia Super Sentai, preparou algo surpreendente e nostalgiante para os fãs de todas as idades: homenagear toda a franquia fazendo com que seu 35º sentai se transformasse em todos as 34 equipes que os precederam. Isso mesmo que você acabou de ler, os 5 membros do esquadrão pirata se transformam em TODOS os 199 heróis que vieram antes deles.

Gokaiger traz consigo o legado de 34 esquadrões super sentai.

O 35º aniversário de nada costuma ser a data mais comemorada para se homenagear algo, geralmente se usa os números das bodas mais comuns, mas visto que a Toei e outras produtoras já haviam homenageado algumas de suas principais séries de tokusatsu, e influenciado pela proximidade dos 20 anos de Power Rangers (que utilizam cenas das gravações originais japonesas para economizar com efeitos especiais), o esquadrão de número 35 pareceu ser uma boa oportunidade para tal empreitada.

SER PIRATA, SER HERÓI

Mesmo para (com o perdão do trocadilho) um marinheiro de primeira viagem, Kaizoku Sentai Gokaiger parece interessante logo no primeiro olhar e isso não se deve, apenas, pelos guerreiros poderem, em momento ou outro, se tranformarem em algum esquadrão que marcou a infãncia de algum marmanjo, mas sim por já no seu visual, os 5 heróis serem 100% originais.

Com uma temática baseada em piratas, tema muito popular no Japão devido a explosão de sucesso crescente de One Piece nos últimos 15 anos, os heróis ganharam vestimentas que muito se assemelham a chapéus, casacos, botas e armas de piratas clássicos. E mesmo vindos do espaço, sua nave e base secreta tem a forma de um barco, o Gokai Galleon, e contam com um papagaio, o Navi, que fala e faz previsões do que aconteceram com os tripulantes da “embarcação”.

Piratas são, tradicionalmentem, tratados como vilões das histórias, indo na direção oposta da personalidade heróica dos super sentais. E os cinco tripulantes do Galleon deixam essa disparidade única na franquia bem clara logo no primeiro episódio da série, quando chegam a Terra, local onde se encontra o maior tesouro do universo, se negando a serem chamados de heróis pelas pessoas que eles salvaram “por acaso”.

A composição dos protagonistas, incluindo a escolha do elenco, foi muito bem planejada, cada personagem com sua personalidade única e indissociável, carregando um pouco de cada herói que os precederam, mas deixando bem claro as distinções entre passado e presente.

Marvelous herdou de Akared o sonho de conquistar o maior tesouro do universo!

Marvelous, o Gokaired, como líder da tripulação e ex-membro dos piratas vermelhos, está sempre curioso e com vontade de fazer tudo o que é possível para chegar logo ao maior tesouro do universo. Para apoiá-lo em sua personalidade agitada estão o compenetrado ex-membro do Zangyack Joe Gibken, o Gokai Blue, e a caçadora de tesouros Luka Millfy, a Gokai Yellow.

Em oposição a personalidade de indiferençado trio, estão o doutor Don Dogoier, o Gokai Green, especialista em máquinas e cozinheiro do barco e Ahim de Famille, a Gokai Pink, a princesa do planeta Famille que foi destruído por Zangyack. Ambos são o ponto de equilíbrio da tripulação, fazendo com que as disputas internas, as atitudes impensadas ou os erros por excesso de ação sejam corrigidos com racionalidade e gentilezas.

Com o tempo, um sexto integrante entra para a equipe, Gai Ikari, o GokaiSilver, que após receber seus poderes em uma experiência pós-morte, se une ao grupo de volta a vida. Sempre empolgado com a história dos Super Sentais, o único terráqueo da tripulação faz o papel do fã dentro da série, tendo atitudes parecidas com a de um telespectador caso este se encontrasse com seu herói.

Mesmo cada sendo de um planeta, cada um teve um motivo para se unir a Marvelous devido a problemas com o Império Espacial Zangyack, o maior império de todas as galáxias, que coincidentemente chegou a terra na mesma época que a tripulação do Galleon para a sua segunda tentativa de conquistar a Terra. Sim, segunda tentativa.

MELHORES HERÓIS, PIORES VILÕES

A história de Gokaiger se destaca por unir 34 histórias, até então distintas entre si, em um mesmo universo e criar uma relação entre elas. O ponto chave para unir todos os super sentais foi a criação de um mega-vilão superior a todos os vilões espaciais anteriores que ameaçaram a Terra, Império Espacial Zangyack.

Faltou criatividade ao formatar os vilões da série.

Assim, o primeiro embate da Terra contra o Zangyack acontece antes da chegada da tripulação de Marvelous à Terra. Para proteger a Terra e deter os planos malígnos do Império Espacial, todos os 199 heróis que comporam os 34 esquadrões super Sentai se uniram num combate que ficou conhecido como a Guerra Lendária. Liderados por Akaranger, o líder vermelho da de Himitsu Sentai Goranger (o primeiro super sentai criado por Shotaro Ishimori), todos os heróis coloridos abriram mão de seus poderes que se espalharam por todo o espaço para vencer a frota que ameaçava a Terra.

Akared, líder dos piratas vermelhos, recolheu todos esses poderes viajando pelo espaço e os converteu em chaves, criando também as Rangers Keys de Gokaiger. Após uma luta contra Zangyack, Akared confia seu legado a Marvelous e é a partir daí que a jornada do pirata tem início, até chegar na Terra no episódio nº1 da série.

Com um histórico de tantas vitórias e causador de tantas derrotas, Zangyack fez a campanha de maior inimigo que uma equipe de heróis já enfrentou. Porém, no decorrer da história o Império se mostrou fraco e desinteressante, muito diferente de diversos outros sentais em que o vilões muitas vezes eram quem davam o vigor para a história, como é o caso de Comando Estelar Flahshman (leia a resenha aqui).

A reflexo de seu primeiro líder, Waltz Gil, a primeira frota enfrentada pelos Gokaiger se mostrou patética, parecendo estar constantemente brincando de guerrear. Apesar de vilões fracos e bonachões terem sido a tendência dos anos 2.000, Samurai Sentai Shinkenger (leia a resenha aqui) já havia mostrado que uma profundidade maior e correlações entre vilões e heróis são benéficas e apenas acrescentam valor a história, mesmo assim os produtores de Gokaiger acabaram criando vilões superficiais e descartáveis.

Nunca um super sentai recebeu heróis tão cativantes!

Mesmo a participação de Barizorg, antigo amigo de Joe quando este pertencia ao Zangyack, foi muito fraca com muito drama nos flashbacks e um grande vazio nos reencontros e combates dos dois.

Mas tudo isso podia ser relevado, afinal a personalidade mimada de Waltz Gill pareceu, num primeiro momento, ter sido criada com a finalidade fortalecer os heróis para a chegada de Akudosu Gill, pai de Waltz e supremo líder das forças inimigas, mas mesmo com a chegada do todo poderoso nos últimos episódios, a supremacia da tripulação de Marvelous perante o inimigo não mudou.

O único inimigo que pôde fazer frente aos heróis foi Basco Ta Jolokia, ex-companheiro de Marvelous na tripulação dos piratas vermelhos que traiu Akared e também está atrás do maior tesouro do universo! Por vezes Basco poderia ter vencido a tripulação, o que se cogitou uma possível mudança de lado do inimigo no decorrer da série, mas este apenas usou os piratas do Galleon para que estes o levassem até o tesouro. Vítima de sua própria presunção, Basco chegou como um vilão admirável e morreu com um traidor detestável.

ATRÁS DO MAIOR TESOURO DO UNIVERSO

Todo seriado Super Sentai tem uma temática que possibilita a criação de uma história com começo, meio e fim num curto período de 20 minutos. Em Gokaiger a ação está envolta nas condições necessárias para o grupo de heróis conseguir o maior tesouro do universo.

GokaiSilver - GoldMode: a força dos sextos integrantes dos sentais se unem na armadura dourada de Gai!

Pouco depois de chegar na Terra, Marvelous descobre que será necessário que o grupo consiga os 34 “poderes ocultos” dos esquadrões que protegeram a Terra para ter acesso ao tão pretendido tesouro. Para tal, é necessário que a tripulação receba cada poder diretamente de um representante do sentai em questão, possibilitando assim que o enredo de Gokaiger se misture ao universo de cada seriado anterior.

Num primeiro momento, a sistemática parece vazia e previsível, mas cada homenagem que a Toei dedicou a cada um dos sentais foi marcado por uma mistura de nostalgia com descoberta, já que remeter-se ao passado e ao mesmo tempo descobrir o presente de seus heróis favoritos é um exercício um tanto quanto interessante tanto para adultos quanto para crianças que assistiram a um ou outro super sentai.

Pode-se destacar a qualidade de enredo e de execução que foram os episódios, por exemplo, de Jetman (leia a resenha aqui), Hurricanger e Go-Onger, que além de resgatar elementos interessantes para a continuidade de Gokaiger, ainda foi exemplo de  transmissão de valores valiosos, como garra, persistência e atitude, para o espectador japonês.

Porém, infelizmente, nem tudo são maravilhas. Apesar do reencontro com os sentais anteriores serem necessários, a Toei Company deu um jeitinho de burlar o sistema inicial de episódios e muitos seriados deixaram de ter um episódio inteiro para a sua homenagem. Dos 34 super sentais existentes, apenas 22 foram homenageados.

Fica claro que a Toei preferiu privilegiar os seriados pós-anos 2000, já que são estes que mais atingiram seus público-alvo, crianças de até 10 anos. Também fica bem claro a preferência por séries pós-Power Rangers, afinal quando Gokaiger for adaptado para a franquia americana, estes certamente vão ignorar as cenas dos seriados que vieram antes de Zyuranger (o Esquadrão Dinossauro que deu origem ao primeiro seriado Ranger) e um agradozinho a quem, em partes, manteve as contas da Toei em dia com contratos milhonários, conta muito.

Basco roubou os poderes ocultos de Changeman, Flashman e Maskman!

Para os fãs brasileiros, resta se conformar com a tardia participação de alguns dos atores de Changeman, Flashman e Maskman e a pequena aparição da Google Pink (de Google V) no primeiro filme da série, onde eles receberam mais da metade dos poderes ocultos das séries dos anos 70 e 80.

GOKAICHANGE

Mesmo com as falhas com os vilões e com a sistemática dos episódios (teve até um desnecessário episódio de retrospectiva quase no final da série) é impossível dizer que Gokaiger seja um Super Sentai fraco, talvéz mesmo que estes não tivessem a possibilidade de se transformar em seus antecessores, o seriado já seria fenomenal, mas com esse “plus” a coisa ficou ainda melhor!

Além de ser o seriado com as lutas mais criativas e mais bem organizadas de todos os tempos, mesclando a ação dos dublês com o uso de efeitos especiais como nenhuma outra série já fez, a tensão que fã passa no milionésimo de segundo que os personagens decidem se transformar é uma sensação incrível, seja ou não fã de carteirinha da franquia.

Conhecer novas técnicas, novas habilidades, estilos de personagens e de vestimenta anima mesmo que a transformação venha de um super-herói que vocês nem imaginasse que existisse. Sem contar que cada grito de Gokaichange, a esperança de transformação em um seriado que marcou sua infância é uma sensação única, um misto muito bem feito de nostalgia e modernidade.

Navi: o papagaio da tripulação que faz previsões sobre os poderes ocultos!

Exemplos de usos bem feitos mesclando enredo e as próprias transformações não faltam, mas uma das mais marcantes acontecesse no episódio 41, quando a Ahin, a GokaiPink, se vê frente a frente com o culpado pela destruição de seu planeta. Primeiramente sozinha, ela descobre que precisa agir em grupo para poder vencer Zangyack, o que gera uma sequência de golpes em dupla com cada integrante, cada vez com um ataque em homenagem a cada sentai.

Mas não para por aí, o Gokaichange também se tornou o a metáfora ideal para descrever a principal lição que Gokaiger deixou. Apesar de relutantes quanto a proteger a Terra e seus valores, com o passar dos 51 episódios a trupe de Marvelous foi descobrindo o verdadeiro valor do maior tesouro do universo e o porquê de eles  só o encontrarem na Terra.

A partir do momento que os piratas descobrem como é valiosa as lições de superação e heroísmo que os 34 super sentais deixaram na Terra cada vez que salvaram a humanidade de um terrível império alienígena, eles passam a entender o verdadeiro significado da palavra herói. Ao assumir a envergadura de heróis, Gokaiger perceberam o valor de cada uma de suas batalhas, as lições que eles passavam à humanidade e como aquilo era importante para o crescimento e o desenvolvimento daqueles que os assistia e os aplaudia a cada vitória.

O Gokaichange foi além de uma simples mudança de roupas e habilidades e se transformou numa verdadeira mudança de valores e caráter.

VAMOS FAZER DISTO UM SHOW

A cada nova batalha, Marvelous, o GokaiRed, gritava em alto e bom som as palavras acima para encorajar a equipe e levar mais um jargão as escolas das crianças que assistiram a Gokaiger. E o líder dos piratas estava certo, Gokaiger realmente foi um show.

Apesar de a linha escolhida para cada episódio muitas vezes ser independente demais, a linha discursiva de Gokaiger apenas cresceu a cada episódio, tornando que a homenagem que a Toei pretendeu fazer desde o início se cumprisse magistralmente.

O esquadrão pirata fez escola no Japão!

A cada poder oculto conseguido, a cada nova missão, muitas vezes dadas pelos próprios heróis que os antecederam se tornaram o motivo ideal para passar para as crianças japonesas valores que de tão simples, passam desapercebidos no dia-a-dia agitado do japonês comum, mas que são tão importante para o crescimento e o desenvolvimento de sentimentos como amor, amizade, sabedoria e bom-senso.

Caracterizar o herói com um semblante distante do que velho esteriótipo do tokusatsu tornou-se a melhor maneira de construir a imagem corajosa e cheia de bons sentimentos do personagem ao longo da série, fazendo do tokusatsu um marco na história dos super sentais e de cada pessoa que um dia já chamou um personagem de roupas coloridas e capacete de herói.

RESENHA: Samurai Sentai Shinkenger

A figura do samurai sempre foi muito cultuada no Japão e sinônimo do país para o ocidente. E não é para menos, todos os anos, os japoneses produzem dezenas de histórias com referências a esses guerreiros. Seja diretamente, como em Samurai X e Vagabond, ou indiretamente, em histórias de espada e kimono como Bleach, o samurai sempre está lá, representando toda a força e dedicação do povo japonês. Samurai Sentai Shinkenger foi a série Super Sentai que abordou a temática em 2009, e assim como os samurais, conseguiu resgatar todos os valores que a franquia havia perdido ao longo dos anos.

OS SENTAIS DOS 2000

Após as quebras de padrão iniciadas em Flashman (leia a resenha aqui) e as inovações criadas nos anos 90, o Super Sentai se tornou uma série consolidada no mercado japonês, sendo sempre garantia de retorno para as empresas envolvidas. Se os altos e baixos que a franquia sofreu nos anos 80 perturbava e por vezes se cogitou seu fim, nos anos 2000 a história era bem diferente: com a audiência  regular, um horário fixo e a injeção de fundos anual que a Disney e a Saban deram a Toei Company com a compra da séries para serem veiculadas no mundo como Power Rangers, a situação não poderia ser mais confortável.

Porém, essa acomodação e a transformação de inovação em regra acabou prejudicando o desenvolvimento do enredo dos Super Sentais. Com o sucesso de séries com enredo enredo extremamente infantilizado, como Abaranger e Caranger todas as séries dos anos 2000 passaram a focar esse enredo.

Parece estranho elucidar que uma série voltada para crianças não devesse ter um enredo infantil, mas é fato que desde o nascimento das séries tokusatsu, estas séries sempre possuíram um enredo mais dramático, geralmente cunhada em elementos da ficção científica. Com o chamariz das roupas coloridas, o enredo da séries serviam para, entre outras coisas, o amadurecimento da criança que a assiste, uma analogia ao que acontece com o personagem no decorrer das séries, como é muito visível em Jaspion (leia a resenha aqui).

Como líder do clã Shiba, Takeru permanece distante do grupo, isto está relacionado ao seu fatídico destino.

Entre uma e outra série que parecia um pouco mais virtuosa, parecia que o cenário só pioraria, tendo até séries Power Rangers mais espirituosas que seu irmão japonês (como acontece na relação Go-Onger e Power Rangers RPM). Felizmente, os super sentais tiveram uma revolução em 2009, quando a série daquele ano resolveu utilizar um tema que, mesmo que óbvio, nunca havia sido explorado: samurais.

DO JAPÃO FEUDAL PRA O SÉCULO XXI

Para os fãs de primeira viagem, o tema samurai pode até parecer corriqueiro para uma série oriental, mas aos veteranos, parece incrível que um tema desse nunca tivesse sido explorado antes, já que o tema possui uma vasta herança cultural perfeita para o tipo de séries que são os Super Sentais.

Takeru Shiba, o ShinkenRed, é o 18º sucessor do clã Shiba, o clã responsável por combater e aprisionar o lendário monstro Chimatsuri Doukkoku. Doukkoku é o líder de gendoushus, seres folclóricos do Japão que vivem no terrível Rio Sanzu, que tem seu nível determinado pelos humanos: quanto mais tristes, enfadonhos e desesperados, mais o nível do rio sobe e aproxima a possibilidade de Doukkoku de invadir o mundo humano.

Toda vez que um humano olhar por alguma fresta, seja ela a rachadura de uma parede, o vão entre dois móveis ou qualquer outra coisa, cria a possibilidade de um gendoushu invadir o mundo humano para aterrorizar os humanos e fazer a água do Rio Sanzu subir.

Juuzou abandonou o bushido para seguir com suas ambições de batalha.

Takeru, por ser o herdeiro dos Shiba tem o título de Tono, ou senhor feudal, e lidera uma equipe de quatro vassalos, formados por jovens que se unem ao líder no primeiro episódio, também herdeiros de outros clãs que, historicamente, serviram ao clã Shiba todas as vezes que Doukkoku se libertava do selo dos Shiba e voltava a atacar a terra.

BUSHIDO

Mesmo para o japonês moderno, é dificil conciliar o passado místico dos samurais com a realidade e essa é a primeira abordagem que Shinkenger faz nos primeiros episódios, quando os traços de personalidade de cada um dos quatro vassalos é posta em conflito com a liderança de Takeru, mesmo que todos eles tenham recebido previamente treinamento samurai de sua família e estão consientes do seu dever.

O preceito básico do samurai é o Bushido, ou caminho do samurai. Entre outras coisas o Bushido rege que um guerreiro deve ser leal ao seu Tono, ter espírito marcial, cultivar a sabedoria milenar de seu povo, preservar sua honra e se sacrificar pelo seus ideias. Mesmo sem saber seu nome, a visão que o ocidental tem do japonês é bem descrita pelo Bushido, graças a histórica conduta do país país durante a II Guerra Mundial e a reerguida econômica do século XX. Ainda hoje, esse preceito esta enraizado nas famílias japonesas, seja no trabalho, na escola ou na vida pessoal, se adequando a cada dia à nova dinâmica do Japão contemporâneo.

Em Shinkenger, cada personagem tem a sua maneira de encarar o Bushido: enquanto o ShikenBlue, Ryunosukke, leva este ao extremo, mostrando atitudes exageradas (e até certo ponto infantis) perante a autoridade do tono, os outros três vassalos não acreditam que ela realmente determine sua conduta.

O grupo se une, mas demora para os cinco partilharem os mesmos ideais.

Mako, a ShinkenPink possui muitas dúvidas sobre sua submissão a Takeru pelo histórico de sua mãe que serviu ao Tono anterior e foi condenada a cadeira-de-rodas por conta disso. Enquanto isso, Kotoha, a ShinkenYellow, busca sempre agradar a ShinkenRed, já que sua entrada para o grupo de vassalos aconteceu devido a uma doença que atingiu sua irmã mais velha, a até então, herdeira da vestimenta amarela dos Shinkenger.

Chiaki, o ShinkenGreen, é o oposto de Ryunosukke. Folgado e irresponsável, ele nega a utoridade do Tono e só aceita entrar para a equipe quando se sente pressionado a superar a força de Takeru, que se mostra muito superior aos dos vassalos.

O estilo impessoal de Takeru incomoda muito aos vassalos e força física passa a não ser motivo suficiente, com excessão de Ryunosukke, para que ele lidere a equipe. Muitas intrigas internas abalam o grupo até eles conhecerem o motivo da conduta distânte do tono: apesar de ser um legado destinado a ele, Takeru não domina a técnica do selo para aprisionar Doukokku, estando todo o peso do fim-do-mundo sob sua responsabilidade.

Confie sua vida  a nós, que nós confíamos nossa vida a você“. A promessa realizada entre os cinco num momento de extrema necessidade é o ponto-chave para que Takeru comece a se aproximar dos seus vassalos. Mas nada é comparado ao efeito que a chegada do ShinkenGold provoca no grupo.

Além de sushiman, Genta é um gênio das artes e utilização do Mojikara!

O SUSHIMAN

Desde Zyuranger é comum que mais integrantes se unam a equipe inicial nos seriados super sentai, em Shinkenger não é diferente e além disso, a presença do sexto integrante provocou uma mudança essencial para o decorrer da trama.

Genta, o ShinkenGold, é um sushiman que acaba de chegar a cidade. Quando pequeno, ele era o melhor amigo de Takeru, que o presenteou com um disco de samurai. Com seu talento, Genta descobre os poderes utilizados na peça e se torna o sexto vassalo de Takeru, ou como ele prefere se definir: o sushiman da história, já que ele sonha se tornar um sushiman cinco estrelas.

A presença de Genta provoca uma mudança radical em Takeru, com uma parte de sua infância convivêndo com ele, o personagem que por vezes irritava com sua impessoalidade, se paroxima cada vez mais de seus vassalos, criando um ambiente harmonioso e amistoso como nunca antes visto na mansão dos Shiba.

1, 2, 3… 20 ROBÔS! E CRESCENDO!

Apesar do rico folclore, das inúmeras referências ao passado histórico do seu país, de uma trama pessoal criativa e de personagens cativantes, há conceitos que são impossíveis de se largar num super sentai dos anos 2.000: a quantidade exorbitante de robôs e suas inúmeras combinações.

Apesar de todo o desenvolvimento de uma trama, o que move um seriado tokusatsu são as vendas de brinquedos que este pode gerar, por isso a queda de qualidade já abordada não mudou os resultados da franquia. E Shinkenger também levou isso a sério.

O gigante Shinken Ha Oh é a combinação de uma série de mechas samurais!

Só nos primeiros 10 episódios, o jovem japonês já conta com 12 opções robôs, singulares ou combinados, que entram no seriado com mais velocidade que os planos de Doukokku. Com a chegada de ShinkenGold, um filme e a pressão de novos inimigos, o número chega a quase 30 no fim da história. O gigante robô Shinken Ha Ho, formado por quase todos os robôs, chega a ser um trambolho tão grande que os gigantes monstros parecem só um detalhe quando ele entra em ação.

Muitas vezes a quantidade de robôs atrapalha o ritmo da história que acaba se limitando por conta do tempo necessário para dar o devido crédito ao robô. Porém, muitos episódios se mostram muito eficientes, sendo o episódio duplo destinado ao robô touro Ushi Origami um dos episódios com melhor mensagem levada ao público.

DOUKOKKU QUEM?

Shinkenger é muito atrativo visualmente. Não só pelo uniforme, a variedade de robôs trilha sonora motivante e a qualidade dos monstros, mas pela ambientação histórica que diversos episódios mostram, todos perfeitamente combinados com o enredo.

O maior destaque para episódios voltados a essa ambientação é Juuzou, um humano que foi atraído pelas forças dos gedoushu através dos desejos de combate provocados por Uramasa, uma espada enfeitiçada que o transformou em metade humano e metade gedoushu. Com cabelos cumpridos, vestimentas de época e flashbacks de sua vida durante o Japão feudal, suas aparições sempre são motivos de atenção, já que sua principal ambição é vencer ShinkenRed, o único humano, segundo ele, capaz de lhe dar o prazer de uma luta verdadeiramente desafiadora.

A luta entre ambos acontece por diversas vezes, mas o combate decisivo dos dois acontece no que pode ser considerado o apogeu de toda a história.

Pegando a todos de surpresa, descobre-se que Takeru é na verdade um Kagemusha, uma sombra do real tono. Com a finalidade de proteger o real herdeiro dos Shiba, Takeru é escolhido para ficar no lugar de Kaoru Shiba, a real ShinkenRed, devido a sua grande habilidade com mojikara, a energia que move os golpes dos samurais.

Com achegada da Kaoru, Takeru é colocado numa ituação parecida com a de Juuzou, onde sua vida de samurai não tem mais sentido, mas o desejo de lutar continua. O que Takeru não entende é que a origem de seu desejo parte da proteção a terra, enquanto de seu rival de um desejo avarento e individualista.

Kaoru Shiba é a primeira mulher a liderar uma equipe super sentai.

No antigo Japão, apenas o samurai com a mais alta patente podia montado a cavalos, e é assim
que o embate final de Takeru com Juuzou acontece, mostrando não apenas a classe, mas elucidando a autoridade que cada um dos dois conquistou durante a série.

Enquanto isso, os vassalos se sentem vivendo numa mentira, mas não pelo título de um tono falso, mas pela perda de um líder que provou ser digno do seu posto. Eles vivem o drama de cumprir a obrigação de vassalo protegendo a princesa Kaoru e a distância de um amigo.”Seria mais fácil se ela fosse uma princesa detestável” diz Chiaki a Genta quando este tenta coagir o grupo a ir atrás de Takeru.

Com o fim de Juuzou, a luta contra contra Doukokku até parece desnecessária e apesar de bem produzida, não teve todo o impacto que a somatória do drama dos dois tonos teve na luta contra Juuzou.

SENTAI DE ÉPOCA

Agrupar, mesclar e criar poder ser a série de verbos ideais para descrever um robô gigante dos seriados Super Sentai, mas também são perfeitos para descrever o resultado final de Shinkenger.

Com um tema atrativo para espectadores de qualquer idade, conceitos e ideias aplicadas de maneira a criar um contexto criativo para o desenvolvimento da trama, Shinkenger provou que mesmo carregando o legado de 33 anos da franquia nas costas, é possível criar histórias criativas, envolventes e originais a partir de uma fórmula que vai sendo reformada e reutilizada todos os anos.

Toda vez que um espectador assiste a um tokusatsu, a comparação com uma possibilidade da mesma história ser contada em animação vem a cabeça, já que diversas cenas e sequências poderiam ser muito melhor executadas sob o traço e tinta japonês para expressar diversas situações que o limitante humano não consegue produzir num live-action.

A força do inimigo obriga os guerreiros a uma luta final sem vestimenta samurai!

Mas com Shinkenger é diferente. Todas as cenas, mesmo as mais complexas, foram tão bem moldadas para se adequar a situação de live-action que as possibilidades de um anime se torna desnecessária.

A mensagem, além de muito bem passada, consegue transmitir algo concreto ao espectador, algo não só momentâneo, mas reflexivo e duradouro, capaz de se incorporar os preceitos de amizade, união e responsabilidade ao seu dia-a-dia, criando laços tão fortes quanto a união dos vassalos com seu tono ou como o samurai com seu bushido.

RESENHA: Choujin Sentai Jetman

O melhor Super Sentai de todos os tempos! Essa é a alcunha mais comum atrelada a Jetman quando o tokusatsu é mencionado nos meios de comunicação, seja ele japonês, americano, brasileiro ou europeu.  Essa alcunha é um pouco exagerada, mas uma coisa é certa, Jetman é muito, muito bom!

Talvéz pela bruta quebra de padrões que a série exerceu, talvéz pela alta quantidade de drama e romance ou simplesmente por referências muito oportunas, o super sentai é ainda muito admirado mesmo após duas décadas de seu encerramento, sendo o super sentai mais cultuado de toda a história.

DO PASSADO AO PRESENTE

Em 1991, os seriados super sentais completariam suas bodas de cristal. Quinze anos de boa audiência, muitos produtos atrelados a marca, muita venda de brinquedos e até licenciamentos internacionais não é para qualquer um, é praticamente toda uma geração que amadureceu junto com os esquadrões de heróis coloridos. Por isso a Toei Company decidiu que tal ano deveria ser comemorado em alto e bom estilo, projetando para aquele ano o tokusatsu que deveria ser o melhor seriado da franquia Super Sentai já produzido. Nasce o Choujin Sentai Jetman!

O Esquadrão dos Homens-Pássaro (numa livre tradução para o português) nunca foram licenciados no Brasil, mas sua fama extrapolou as fronteiras do Japão e chegou as terras tupiniquins em matérias de revistas especializadas (saudosa Herói Gold), locadoras de conteúdo japonês e mais recentemente com o advento da internet. E essa fama não é para menos, afinal, até hoje podemos sentir no gênero várias influências da série.

O mais recente super sentai em exibição no Japão, o Kaizoku Sentai Gokaiger (Esquadrão Pirata Gokaiger), por exemplo, utiliza-se de personalidades muito similares aos do quinteto de Jetman, variando apenas em alguns detalhes em sua composição.

UMA SÉRIE ORIGINAL

Em todo seriado Super Sentai existe um certo padrão definido para atender a todas as empresas envolvidas em sua produção, entre elas estão a participação obrigatória do robô, a aparição de todos os vilões principais, a aparição do “monstro da semana” e a transformação de todo o esquadrão. Esses padrões servem para apoiar, principalmente, a venda de bonecos da franquia, tida como o principal negócio da franquia. Porém, Jetman pareceu ignorar fatores mercadológicos e funcionais do gênero para contar sua história.

A história já começa diferente do usual. A Sky Force, base militar construída para a defesa da terra está prestes a condecorar cinco jovens que receberão o poder de vestimentas que se utilizam da recém descoberta energia birdonic. Nesse exato instante, a base é atacada pela força dimensional Vyran, grupo de vilões que passa de dimensão em dimensão conquistando mundos e fazendo seus seres vivos de escravos.

Até aí não há nada de diferente dos outros sentais, mas o caso é que o ataque resulta na morte de toda a Sky Force, inclusive 4 dos cinco jovens que receberiam a força do Birdonic, sobrevivendo apenas o astuto líder Ryu Tendo, o Red Hawk e a sua comandante Aya Odagiri.

Para completar, a energia dos outros 4 guerreiros que morreram se espalharam pela Terra, sendo recebidas pela doce milionária Kaori Rokumeikan (White Swan), do inocente agricultor Raita Ooishi (Yellow Owl), da hiperativa estudante Ako Hayasaka (Blue Swan) e do pavio-curto saxofonista Gai Yuki (Black Condor), porém os quatro não foram apresentados diretamente no primeiro episódio como aconteceram em todos os que o precederam, Gai e Ako aparecem apenas no segundo episódio, dando tempo aos roteiristas de elaborarem contextos que deixassem bem marcadas cada uma das diferentes personalidades dos cinco heróis.

Essa melhor distribuição de apresentação dos personagens não aconteceu apenas com os personagens principais, os mechas, que já em Flashman já haviam deixdo de aparecer no primeiro episódio de cada sentai, bateu seu recorde em deixar os espectadores aguardando a sua estréia. O Jet Icarus, principal robô da equipe, só foi dar as caras no episódio 6, após um longo treinamento dado da comandante e de Ryu aos novatos.

O DESENROLAR DA HISTÓRIA

Talvéz um dos pontos que tenham realçado o sucesso do seriado e atraído jovens e adultos para a história infantil, foi o clima de novela e a grande quantidade de romance para um super sentai. A história tem como foco a luta de Ryu em trazer as lembranças de Rye, sua noiva que teve sua memória apagada quando Vyran atacou a Sky Force, se transformando na temível comandante Maria. Até aí tudo bem, porém Kaori desenvolve grandes sentimentos por Ryu, que não podendo os corresponder, acaba tendo várias discussões e brigas com Gai, que se apaixona por Kaori, que também não pode corresponder aos sentimentos do rapaz. O quadrado amoroso vira quase que um pentagrama quando descobrimos que Raita também nutre sentimentos por Kaori, mas que teme admití-los por medo e rejeição.

Para quem pensou que o romance acabaria no heróis, se enganou, pois vilões também amam, mesmo se ao invéz de carne e osso tiverem metal e óleo em sua composição. Vyran é formado por mais três grandes líderes além de Maria: Grey, Radiguet e Tran.

Grey é o destaque dos três. Um robô fumante (!) todo negro com olhos semi-cerrados, sempre dão a impressão que ele é indiferente ao que acontece ao seu redor, mas que se apaixona perdidamente por Maria, que é alvo das obsessões de Radiguet que representando o amor possessivona história, quer a ex-militar como uma escrava.

Os únicos que ficam a par aos enlaces amorosos no seriado são Toran, que é uma criança e Ako, que mesmo sendo uma estudante do colegial tem um ou outro episódio voltado a garotos que tem uma “quedinha” por ela, que só está interessada em dinheiro e mais dinheiro.

DRAMA

O conflito de personalidades não para por aí, a alta dose de drama nos episódios rendeu sequências interessantíssimas ao tokusatsu. Uma delas que vale destacar é o episódio em que Radiguet é deposto de Vyran por Juzza, uma ex-imperatriz de Vyran que estava adormecida em um cometa da dimensão da terra. O vilão é transformado em um ser humano comum sem memórias, o que faz com que partes de sua personalidade nunca antes mostradas ficassem latentes: além de salvar uma garota da morte, ele se apaixona por ela e fica disposto a lhe dedicar a vida para todo o sempre.

Essa tendência de trazer modelos de vilões bonzinhos, não ficou restrito aos quatro grandes de Vyran. O caso mais notável foi Dryer Jigen, monstro secador de cabelos que por estar ao lado de Vyran pensa que precisa fazer maldades para cumprir com sua “função natural”, mas dessa vez Jetman consegue trazê-lo para o bem sem muito usar a força dos birdonic.

Aliás, outro ponto a considerar é que a força dos Birdonic e dos mechas, os principais atrativos para prener a atenção das crianças na TV, ficam em segundo plano em várias e várias ocasiões para dar lugar aos dramas amorosos.

Um problema de muitos super sentais que vieram antes de Jetman é a participação do robô que atrapalha o contexto da premissa criativa do episódio, mas em Jetman isso não acontece. A presença do robô é na maioria das vezes muito bem colocada e se a presença do robô não se faz necessária, ele é cortado. O interessante, é que mesmo com o corte dos mechas em mais um quarto dos episódios, o seriado apresenta quatro deles em seu acervo, além do já citado Jet Icarus, o quinteto possui o robô herdado do povo de Dimensia, o Jet-Garuda, que fundido ao robô primordial dos Jetman resulta no Great Icarus e por fim o todo entusiasmado Tetra-Boy, que não precisa de controle para lutar contra os inimigos.

FINAL DIFERENTE DE TUDO O QUE JÁ FOI FEITO

Para encerrar com chave de ouro, Jetman preparou diversas surpresas para o expectador. Uma das cenas de maior representatividade durante o desenrolar dos episódios foi quando Ryu abraça Maria e diz que mesmo ela sendo sua inimiga, ele vai lutar única exclusivamente pelo seu amor, sem ação, Maria se impressiona com o ato de inimigo. Pois bem, a cena se repete nos últimos episódios, mas diferente da primeira vez, é selada com um beijo que Ryu dá a força em Maria, o que lhe faz ter suas lembranças de volta. Aturdida por todas as maldades que fez com Ryu, ela tenta matar Radiguet, que não suportando a falta de subordinação de sua companheira, a atinge fatalmente.

Este episódio é o divisor de águas para o final da série. Ryu, afetado pela morte de Rie, tenta vencer Vyran sozinho, mas tem a ajuda dos seus quatro companheiros e até da comandante que aparece na última hora pilotando Jet-Garuda para a batalha final contra Radiguet.

Após o fim das batalhas, passam-se 3 anos e o futuro dos personagen é contado. Raita casa-se com Sa-chan, uma amiga de infância que lhe havia jurado matrimônio. Ako torna-se uma grande popstar da música e Ryu finalmente cede aos apelos de Kaori e também se casam. A amarga surpresa ficou por conta do que os roteiristas prepararam para Gai.

O Black Condor acaba de comprar o presente de casamento para Ryu e Kaori quando um trombadinha rouba a bolsa de uma senhora que passava na rua. Revoltado com isso, Gai vai atrás do bandidinho e lhe toma a bolsa, mas o pior acontece: o bandido portando uma faca rasga a barriga do ex-Black Condor. Com as últimas forças que lhe resta, o saxofonista vai até a porta da igreja e troca algums palavras com Ryu sobre a importância de tudo o que passaram juntos. Gai morre com um sorriso no rosto num banco de praça ao ver Ryu, Kaori e os outros tirando a última foto antes de partirem.

A morte do personagem mais cativante e interessante da história, é um baque para quem assiste, seja criança ou adulto. É possível interpretar tal sequência como uma crítica dos redatores a quem assite ao seriado: o quinteto de heróis arriscou a vida para defender os humanos dos perigos que um dominio do império Vyran representaria para os terráqueos, mas a morte do personagem se deu exatamente por aquele que ele passou 51 episódios defendendo: não adianta temer ou tentar se proteger de forças sobrenaturais e fantásticas se o maior perigo que o ser humano enfrenta é ele mesmo.

ALÉM DE JETMAN

Jetman fez tanto sucesso que foi adaptado para um mangá one-shot intitulado: Choujin Sentai Jetman: Toki o Kakete (em breve um matéria especial sobre o mangá aqui) onde um novo membro, Green Eagle entra para a equipe substituindo Black Condor.

Além disso, a série ainda ganhou uma trilogia de livros, onde foi possível abordar pontos não explorados em uma série infantil, indo mais a fundo nos relacionamentos e chegando até a abordar a sexualidade dos casais. A trilogia foi escrita por Toshiki Inoue, com capas ilustradas por Keita Amemiya e lançados pelo selo Tokuma Quest Bunko da editora Shogakukan.

A repercussão da série e de seu final ainda mexe com os ânimos de fãs e crianças por todas as partes do mundo, todos que acompanharam as aventuras da equipe sabem que os dramas e conflitos de personalidade passam não apenas grandes lições, mas grandes histórias.

Isso é ainda mais latente nos episódios que focam Ryu e Gai. Com personalidades tão distintas que se richam até mesmo ao pedirem bebidas, nota-se que o protagonismo é bem divido entre os dois, que representam os dois grandes tipos de personalidade do povo japonês, um mais contido e responsável e outro mais explosivo e relaxado. É interessante notar como Ryu se mantém determinado ao seu propósito mesmo com os apelos de Kaori, e como Gai oscila quando se depara com problemas com os pais da garota.

Além da facil identificação com os personagens, sejam eles heróis ou vilões Jetman ainda se beneficiou de um grande atrativo para compor sua fórmula de sucesso: os uniformes dos protagonistas foram baseados em um antigo anime de sucesso, Gatchaman, conhecido no ocidente como EagleMan, graças ao jogo Tatsunoko vs. Capcom.

Todos os elementos combinados somado a temática romântica de interesse de todas as idades e gêneros dão a Jetman o título de melhor tokusatsu de todos o tempos. Mas há detalhes que o seriado perde alguns pontos.

A composição dos monstros até mais ou menos até a o meio do seriado é muito iniciante, a maioria baseada em eletrodomésticos, que no início até é interessante, mas que fica um pouco previsível após alguns episódios. Do mesmo jeito, muitos monstros interessantes são descartados muito rapidamente, mesmo que em mais episódios que a maioria dos sentais, mas ainda muito cedo, provavelmente devido a dinâmica do mercado de brinquedos.

O fim de alguns dos personagens mais interessantes, Tran (que em seu fim já havia se tornado Tranza) pareceu composta muito de última hora, criando uma situação que não se liga vários aspectos do contexto passado pelo episódios para dar seu fim. Tal  problema não acontece em Flashman, por exemplo.

Mesmo com esses poréns, a escolha do tokusatsu para ocupar o topo da lista de melhores super sentais é muito bem justificada. Jetman é uma série que merecia vir para o Brasil e ampliar ainda mais a margem do fenômeno cult que ele desperta em quem assiste.

RESENHA: Comando Estelar Flashman

“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Numa mistura de heróico com nostálgico, esta é a frase que dava início ao seriado que trazia cinco jovens vestindo roupas coloridas combatendo formigas humanóides e monstros espaciais com um super robô para proteger a Terra de toda e qualquer força malígna que pudesse ameaça-la. Mesmo trazendo um enredo muito parecido com uma série que conquistou o Brasil um ano antes de sua exibição (ponto para quem se lembrou de Changeman), o Comando Estelar Flashman fez bonito por onde passou, seja no Brasil, na Europa ou no Japão, a série japonesa mostrou que o tom épico de sua frase de abertura não era só um mero chamariz, era o reflexo de um dos super sentais mais bem produzidos de toda a história!

SUPER SENTAI

Antes de falar de Flashman, é necessário explicar do que se trata o seriado. Com o sucesso de Power Rangers no ocidente desde os anos 90, os seriados japoneses de quintetos de super-heróis que deram origem aos esquadrões americanos foram um tanto quanto esquecidos.

Do mesmo jeito que Power Rangers é o nome de uma franquia, no Japão a franquia de heróis coloridos se chama  Super Sentai (do japonês, スーパー戦隊 Sūpā Sentai) e já tem mais de 35 anos de história. Na verdade, os próprios Power Ranger são releituras dessas séries japonesas, fazendo com que os produtores da Saban e/ou Disney economizem com a produção de design e efeitos especiais.

Criado pelo mangaká Shôtarô Ishinomori em conjunto com a Toei Company, gigante do entretenimento japonês responsável por diversas séries de super heróis e desenhos animados como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, os Super Sentais seguem uma fórmula básica: cinco jovens são recrutados para proteger a Terra de extra-terrestres malígnos usando trajes coloridos e robôs gigantes.

O tempo de exibição da série é sempre de um ano, com uma média 50 episódios por equadrão. Um episódio é exibido por semana e imediatamente ao acabar o ciclo de uma série, uma nova a substitui, para que a indústria envolvida com o sucesso desses heróis não perca o fôlego.

Mesmo preso a uma fórmula pronta, o Comando Estelar Flashman mostrou que seu enredo ia além e foi um divisor de águas para a franquia e superou qualquer expectativa da época.

A REVOLUÇÃO

A história de Flashman se passa antes do primeiro episódio, isso tanto dentro das gravações como nos bastidores da produção. Anualmente, o produtor Takeyuki Suzuki é convocado pela Toei Company para a criação do enredo de um novo Super Sentai  que irá substituir o que já está sendo exibido na TV.

Diferente de tudo o que já fora abordado nesse tipo de seriado, o produtor se inspirou em algo diferente. Durante a II Guerra Mundial, as crianças japonesas qu haviam perdido seus pais na Guerra ou que por ventura, a família não tinha mais condições de cria-las, foram enviadas para a China aos cuidados de pais adotivos. Vinte anos após o fim da guerra, as crianças comçaram a voltar ao Japão para reencontrar com a família e/ou parentes mais próximos. Observando isso, Suzuki decidiu que este seria o mote de criação de Flashman.

Mesmo sendo um tema delicado, ainda mais pela franquia se dirigir ao público infantil, o produtor, junto com os roteiristas resolveram seguir em frente e criaram diversas analogias ao contexto escolhido para a elaboração da história.

O primeiro ponto seria como encaixar os orfãso como protagonistas da história. Assim, estes seriam representados por crianças sequestradas por piratas espaciais e criadas em um planeta distante da Terra (o planeta Flash), ao qual precisam voltar para impedir que o Crusador Imperial Mess use os terráqueos em terríveis experiências genéticas. Para portegê-la, os cinco jovens sequestram do planeta Flash uma nave (o Star Condor) que contém armamentos, mechas e gemas que os transformam no esquadrão Supernova Flashman (do jaonês 超新星フラッシュマン Chōshinsei Furasshuman), rebatizado no Brasil como Comando Estelar Flashman.

Por serem criadas em um lugar com características diferentes de sua terra natal, estes adquiririam poderes especiais e comportamentos diferentes dos terráqueos. A casa novidade com que eles se deparam (um balão por exemplo) eles os tratam com grande entusiasmo e curiosidade, comportamento este baseado nos orfãos criados na China que, ao chegarem ao Japão, se surpreendiam muito com o crescimento e a tecnologia do país.

Mesmo sendo um plano audacioso, o roteiro deu certo, atraindo crianças e conquistando adultos, sendo até hoje, a quarta série (empatada com Google V) de Super Sentai que mais deu audiência no Japão.


PROTAGONISTAS CATIVANTES

Não só de enredo vive um seriado, os atores, a produção e no caso dos super sentais, as vestimentas, armaduras e design dos elementos que a ele integram são de crucial importância, visto que um dos pontos que mais atraem o público infantil é o espetáculo da imagem. E a seleção foi perfeita! Para formar os cinco protagonistas, foram chamados quatro atores veteranos dos super sentais e um novato, somando tradição e originalidade em um só elenco.

Din, interpretado por Tota Tarumi é o Red Flash. Com 25 anos, é o mais velho da equipe e também o líder deles. Apesar de no início ser um personagem mais frio e focado na missão de proteger os terráqueos, se mostra o mais caloroso dos cinco, assumindo o posto do altruista irmão mais velho da equipe. Como líder, possui um grande senso de justiça e sempre é o primeiro a tomar a iniciativa em momentos críticos.

Dan (no origial, Dai) interpretado por Kikachiko Uemura é o Green Flash. Apesar de ser interpretado por um ator novato, demonstrou toda a garra, força e determinação que o personagem pedia. Diferente de Din, que foi treinado no planeta Flash, Dan teve seu treinamento no satélite Green Star.

Go (no original Bum) interpretado por Yasuhiro Ishiwata é o Blue Flash. Sendo o mais inocente e brincalhão da equipe, conquistou facilmente o público mais infantil. Seu ataque, o laserball, mesmo sendo um dos de maior dificuldade de produção, é também um dos mais interessantes para a série, sendo utilizado como fator decisivo em diversos momentos.

Sara, a Yellow Flash, é interpretada por Yoko Nakamura. Sem dúvida Sara era a personagens mais interessante dos protagonistas, tanto a composição de seu personagem com incríveis raios de gelo provocados pelo bastão laser, a garota aprendeu no satélite Yellow Star a prever os movimentos do inimigo, sem contar que é a responsável pela mira da bazuca Cosmic Vulcan e da convocação do Cosmic Laser, golpe final do robô do grupo. Romântica e extrovertida, interessantes reflexões acerca do passado dos Flashman foram feitas pela personagem durante a série, sendo a representante máxima do amadurecimento dos super sentais.

Para finalizar, Lu, a Pink Flash, interpretada por Mayumi Yoshida é a pesonagem responsável por uma das trocas mais inusitadas da série. Na gravação dos inserts de abertura para o vídeo de abertura do seriado, a atriz fez uma expressão um tanto quanto “raivosa” em sua primeira aparição, um dos fatores que causou  sua baixa popularidade. Assim, ela foi a única personagem que teve sua performance regravada alguns meses depois da estréia da série.

MECHAS E VILÕES

Os heróis sao interessantes, mas sem sombra de dúvida, o destaque gráfico e comercial de Flashman acontecesse graças aos mechas e aos inimigos dos heróis.

Fora o plano de fundo mais adulto, a primeira grande revolução causada por Flashman foi a quebra de padrão logo no primeiro episódio. Um dos responsáveis pelo grande sucesso da franquia dos super sentais é a presença de um mecha gigante que ajuda os heróis nos momentos mais criticos. A presença do robô começou a ser usado na terceira série sentai, o Battle Fever, e a partir daí se tornou padrão, todos os episódios tem reservado 17 minutos para os heróis e 3 minutos para o robô.

Porém, logo no primeiro episódio da série o Poderoso Flash King, o robô da equipe, não dá as caras, sendo apenas apresentado no episódio posterior. Além disso o padrão cronométrico do robô é quebrado em Flashman ao longo dos episódios, tendo episódios sem a presença do mecha e episódios com batalhas mais longas que o usual.

Além disso, a série é a primeira a apresentar um segundo robô a uma equipe Sentai. Após a derrota do Flash King para um monstro do Crusador Imperial Mess, que se tornou um dos episódios mais dramáticos e cheios de ação da série, os Flashman recebem a ajuda de Barack, um habitante do planeta Flash que lhes traz o robô do Deus Titan, o primeiro guerreiro a usar o poder dos Flashman, o caminhão Titan Flash, que se converte em Titan Junior e mais tarde em Great Titan para vencer os inimigos mais poderosos.

Estima-se que a aparição desse segundo robô se deu por conta de uma queda de vendas do robô principal. Essa idéia deu tão certo, que hoje as séries de sentai apresentam diversos robôs, se multiplicando cada ve mais a cada nova série da franquia.

Deixando os circuitos e metais de lado, encontramos muita genética e experiências inóspitas do lado inimigo. Liderando o rusador Imperial Mess, o grande Monarca La Deus decide que a diversidade biológica da Terra é o local ideal para que seu subordinado mais próximo, o doutor Kepflen realize os desejos de Mess.

A grande maioria dos personagens do “lado negro da força” foram criados a partir de uma viagem que Takeyuki Suzuki fez ao Egito pouco antes do início da composição do tokusatsu. Nefer, Wandar e muitos outros trazem diversas referências do local.

Tão grandioso quanto a inspiração dos nomes e o design dos vilões (o melhor de toda a história dos super sentais) foi a idéia de conquista que está por trás de Mess. Ao invés da simples conquista da terra recorrentes na maioria dos super sentais anteriores a Flashman, La Deus e Kepflen misturam genes (na dublagem brasileira “bio-moléculas) com os seres terrestres como plano de fundo para a ação do vilões.

Para completar o time do mal, nenhum outro vilão fez uma participação tão grandiosa completa do que Kaura, o caçador espacial que sequestrou os protagonistas e aparece posteriormente ao início da série para dar um gás muito mais dinâmico tanto para as cenas de ação como para a complexa relação existente entre Kopfler e La Deus. Só a aparência diferenciada dele (barba, vestimenta negra, cablos tanpamdo um dos olhos) já impõe presença, mas a história envolta dele nos momentos decisivos da luta dos Flashman contra Mess lhe faz um dos vilões mais interessantes (senão o mais interessante) de toda a história dos 35 esquadrões tokusatsus.

A SÉRIE NO BRASIL

Produzida e exibida no Japão durante os anos de 1986 e 1987, Flashman chegou ao Brasil em 1989 com uma dificil tarefa: manter o sucesso que Jaspion (leia o review aqui) e Changeman haviam feito no Brasil desde 1986.

Assim como no japão, Flashman conseguiu grande sucesso e prestígio com o público brasileiro, sendo exemplo de conquista de audiência aos seus concorrentes que começaram a surgir aos montes após o sucesso de Jaspion. O tokusatsu foi exibido na Rede Manchete até 1994, quando passou na Rede Record e deu seu último suspiro na TV Gazeta até 1997.

Atuamente, Flashman pode ser encontrado em uma caprichada coleção de DVD’s da Focus Filmes, como 10 discos divididos em dois boxes digistack. A edição de colecionador inclui uma lata comemorativa, cartões postais e um encarte escrito por Ricardo Cruz com um pouco da história e detalhe inéditos dos bastidores da produção.

Assim como na TV, Din e cia parecem não terem descanso e também tiveram que cumprir uma importante missão para a Focus Filmes. “Queimada” com seus consumidores após erros esdruxulos nos boxes de FullMetal Alchemist, Changeman, National Kid e principalmente Jiraiya, o lançamento de Flashman em DVD teve o objetivo de recuperar a imagem da Focus Filmes com o público-alvo de tokusatsu e, para alegriar dos fãs, tudo ocorreu conforme o esperado.

Os DVDs seguem (quase) a mesma qualidade de som (dublada e legendada) e imagem de Jaspion (o melhor lançamento de seriado japonês  já realizado pela empresa), contém áudio-comentários de Ricardo Cruz e outros nomes do gênero tokusatsu no Brasil no primeiro box e uma tradução de legenda impecável.

A arte de capa ficou abaixo de todos os outros lançamentos da empresa, podendo ter sido melhor trabalhada e mais variada (Flash King repete duas vezes na luva do box da edição de colecionador). Os previews dos episódios poderiam ter sido dublados (já que nos anos 80 isso não foi feito) e há a falta das eye-catchs nos episódios do primeiro box.

E O RESULTADO FINAL É…

Nem é necessário perguntar se assistir aos 50 episódios de Flashman é uma tarefa compensadora. Engana-se quem achar que o retrô das imagens ou do vídeo de abertura de Flashman rfletem uma história desgastada pelo tempo. Surpreendendo todo e qualquer fã de super heróis e ficção científica, Flashman é o seriado ideal para quem quer unir efeitos especiais e uma história inteligente.

Apesar de dirigida ao público infantil, o enredo de Flashman surpreende por sua originalidade e criatividade. Se a “queda do robô” surpreende até o fã mais inveterado da franquia Super Sentai, o que dizer do público casual quando assitir a dramática luta contra o tempo e dedicação do grupo para encontrar respostas sobre o paradeiro de sua família ao fim do seriado?

Impossível não se emocionar com as histórias cativantes de cada um dos protagonistas cada vez que, muitas vezes na inocência acreditam ter encontrado algum ente familiar. Família, irmandade, união, amizade são só alguns dos sentimentos e lições mais importantes que o grupo precisou enfrentar em seu desejo de proteger a terra.

E o que dizer dos vilões mais amarguradamente complexados que os super sentais já enfrentaram? Numa mistura de Guerra nas Estrelas com Frankstein, os vilões se mostram personagens cada vz mais interessates, demonstrando personalidades e desejos que refletem os mesmos sentimentos que os humanos sentem a cada tipo de relação interpessoal que começa a ter.

Analogia histórica, personagens cativantes e panos de fundo que são atuais até hoje fazem de Flashman um seriado inesquecível tanto para quem era criança nos anos 80, como para que decidir assistir ao seriado pela primeira vez agora. Para finalizar, você fica com o vídeo de abertura do tokusatsu para relembrar a nostálgica frase com que iniciou esse review ou para conhecer um seriado que vai te emocionar a cada vez que você assisti-lo e reassisti-lo: