NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

Arquivos de tags: shonen jump

RESENHA: Bleach, a Saga dos Fullbringers

Algumas coisas, por mais que pareçam fadadas a dar errado, se tornam interessantes e mesmo que contadas da forma errada, fazem um final empolgante. Em Bleach, durante a Saga dos Fullbringers, um recomeço foi necessário para dar continuidade a um fim de saga feito as pressas. O que resultou numa repetição do ciclo da saga anterior.

Bleach-logo-fullbringers

SEM BAIXAS

O final da longa Saga dos Arrancars (leia a resenha aqui) foi marcada por uma das mais aguardadas batalhas desde o fim da Saga da Soul Society (leia a resenha aqui): o derradeiro encontro de Capitães e Espadas no chamado arco da Batalha de inverno. Cheia de promessas quanto a força e aos desastres que poderiam acontecer num combate entre os mais poderosos guerreiros dos 13 Esquadrões contra os Arrancars de Aizen, o resultado foi um exército sem baixas para o lado da Soul Society e os inimigos facilmente vencidos, sobrando apenas Aizen para um fim épico.

Considera-se como principal fator deste desfecho a pressão editorial e a cobrança por um serviço dedicado a fãs que Tite Kubo, o autor da série, sofreu ao escrever o mangá. Tendo que se dispor a escrever lutas que valorizassem personagens aguardados pelos fãs, o planejamento da Saga dos Arrancars foi comprometido, amarrando a história em um ponto que não poderia mais voltar atrás.

Ichigo entra para o Xcution para recuperar seus poderes.

Ichigo entra para o Xcution para recuperar seus poderes.

O que fazer com isso? Após alguns meses de descanso, Tite Kubo retomou a obra de uma maneira inusitada: com o que parecia um reinício para Ichigo, seu principal protagonista, o autor criou uma saga para se colocar ordem na casa, ignorando a Soul Society e focando a série nos seus personagens iniciais.

É HORA DOS FULLBRINGERS

Em diversos momentos da série é nítido que Tite Kubo tentou recolocar Ishida, Orihime e Chad no seu lugar de co-protagonistas juntos com Ichigo e Rukia. Porém, a capacidade de criar personagens legais acabou sendo o maior impecilho para isso, fazendo com que os editores da Shonen Jump empurrassem o foco para os capitães do Gottei 13. Se nem mesmo os Vaizards, personagens criados especificamente para a Saga dos Arrancars puderam ter seu peso merecido, o que dizer do trio humano que perdia popularidade a ponto de quase caírem no esquecimento?

Disposto a mudar esse cenário vicioso para sua série, Tite Kubo voltou com Bleach em uma saga com uma proposta diferente: focada na recuperação dos poderes de Ichigo e no papel fundamental de Chad e Orihime nesse processo. Para tal, a “classe” destes personagens passou a ser o foco, explicando a origem de seus poderes e esquematizando seu sistema de crescimento, semeando planos para justificar o que poderia se tornar um novo foco em séries vindouras.

Ginjo é o líder dos Fullbringers!

Ginjo é o líder dos Fullbringers!

Na história, Ichigo, que voltou a ter a sua rotina de estudante comum após sacrificar seus poderes de substituto de shinigami para vencer Aizen, recebe uma proposta inusitada de Ginjo Kuugo: fazer parte do grupo Xcution, prometendo a ele seus poderes de volta caso seguisse o treinamento a ele proposto.

Durante o treinamento, é explicado a Ichigo que os poderes que Chad (que passa a fazer partes do Xcution também) e Orihime foram passados por suas mães, que absorveram energia espiritual Hollow quando foram atacados por seres do Hueco Mundo. Os humanos com esses poderes são chamados de Fullbringers. Ichigo, por ser também um fullbringer, reteu o poder de shinigami substituto que Rukia lhe concedera, algo que não aconteceria com uma pessoa comum nessa situação.

Em uma longa apresentação de personagens, muitas vezes irrelevantes, em uma trama que chama a atenção por ser inesperada em comparação a tudo o que Bleach já foi, a história segue num misto de curiosidade e ansiosidade, visto que há pontos que a trama acaba demorando demais para desenrolar, mesmo que claramente cruciais para o seguimento da história.

É descoberta a origem dos poderes de Chad e Orihime.

É descoberta a origem dos poderes de Chad e Orihime.

O nó psicológico que Ginjo envolve Ichigo é o maior destaque da série, por um momento, nem o personagem, nem o leitor sabe em quem deve confiar. Com uma narrativa de dar um banho em qualquer grande autor de mangá, mesmo quando se fica exposto muito mais os desejos do editor que o do próprio autor, Tite Kubo consegue refletir em Ichigo as mesmas atitudes que o leitor teria sob quem se deve ou não acreditar, deixando ainda uma surpresa de tirar o fôlego na hora de revelar todos os segredos.

CAPITÃES EM HORAS ERRADAS

No mundo dos best-sellers da Shonen Jump, são poucos os autores que conseguem sobreviver muito tempo na revista com uma alta taxa de popularidade e há um longo prazo. Destes, menos ainda são aqueles que conseguem desenvolver a história a sua maneira, sem a intervenção do editor que tenta agradar o leitor. Tite Kubo é uma vítima do mercado de mangás. Sempre que a história parece estar se desenvolvendo a sua maneira, acontece um capítulo “revolucionário” que põe fim a uma trama interessante e transforma Bleach, novamente, num mangá de combates marcantes excessivos.

Em determinado ponto da história, os Capitães da Soul Society voltam para a Terra e intervém no combate contra os Fullbringers. Daí vem a fórmula já batida que ocorreu em todas as sagas (em filmes, fillers do anime, histórias laterais, etc): lutam os capitães mais populares contra os inimigos, Chad, Ishida e Orihime ficam na marginal da história e Ichigo tem a luta final contra o “chefão” da saga.

E chegam os salvadores! De novo!

E chegam os salvadores! De novo!

Não que se deva ter algo contra uma grande luta de Byakuiya ou Hitsugaya, mas por serem extremamente interessantes, devem ser muito bem encaixadas na história, fazendo destes momentos único! E não uma tabelinha a ser preenchida pelo autor a cada arco. É claro que o “timing” do leitor japonês para o leitor tankobon ou mesmo do leitor brasileiro são diferentes e cada um passa a ver a história e suas necessidades de um jeito. Mas criar um ponto de equilíbrio para todos os público é o grande desafio de um mangá semanal.

E para finalizar, com uma reaparição fenomenal de Rukia como a sub-capitã do 13º Esquadrão da Soul Society, a história da saga passa mais a aguçar a curiosidade de como ficou a formação dos 13 Esquadrões durante o período de Ichigo sem férias que nos fullbringers propriamente dito.

RESULTADO EDITORIAL

O resultado final da Saga dos Fullbringers é um resumo perfeito do fantasma do que assola o mercado de mangás contemporâneo: a angústia de querer agradar ao leitor é tamanha que muitas vezes o autor deixa escapar pérolas e possibilidades engenhosas em sua história.

Apesar de um ritmo extasiante e um enredo atrativo, o que sobrou da saga após seu fim é um espelho em menos volumes do mal planejamento da Saga dos Arrancars: foi interessante, soube prender o leitor, passou uma boa mensagem e teve um desfecho de tirar o chapéu, mas foi vazia em não se aproveitar do rico universo criado e ter peso muito leve na razão de a história ser contada.

O clima de trillher policial com uma pitada de terror é o ponto positivo da saga!

O clima de trillher policial com uma pitada de terror é o ponto positivo da saga!

RESENHA: Bleach, a Saga dos Arrancars

As diferenças são o motim das duas formas mais essenciais da relação humana: a união e a separação. Quando diferentes, seres humanos se repelem por medo ou se unem por uma curiosa atração. Confundindo espíritos com humanos e monstros com ídolos, a Saga dos Arrancars de Bleach mostrou como pode ser perigosa a atração pelo medo e a adoração pela força.

Orihime_logo_bleach

HERANÇA MIDIÁTICA

Antes de iniciar a resenha, é importante definir duas coisas. Primeiro, a Saga dos Arrancars é definida pelo tempo-espaço de Bleach que acontece entre a ascensão de Aizen no fim da Saga do Soul Society (leia a resenha aqui) e a sua queda durante o último arco da saga, a Batalha de Inverno.

Segundo, esta resenha não tem como fim analisar as sagas fillers, como a a Saga dos Bounts (leia a resenha aqui), que ocorreram durante a produção do anime pelo estúdio Pierrot, mas vai levar em consideração toda a sua influência dentro do enredo criado por Tite Kubo durante a criação do enredo do mangá, afinal, todas as produções midiáticas extra ao mangá surtiram efeitos que para sempre marcariam os rumos da história.

No fim da saga da Soul Society, o resultado dos embates que ocorrerão somados ao fulgor gerado pelos capitães dos 13 Esquadrões de Defesa, fizeram com que personagens como Chad e Orihime perdessem muita popularidade. Entrementes, a falta de poder de Ishida durante a saga dos Bounts e a “estreia” de Rukia como lutadora na TV fizeram com que, ao lado de Ichigo, ela e Renji, o tenente do sexto esquadrão, fossem os personagens não-capitães que mais ganharam a preferência do público.

A quantidade de personagens importantes em Bleach cresceu exageradamente!

A quantidade de personagens importantes em Bleach cresceu exageradamente!

Ainda durante o combate na TV contra Jin Kariya, com excessão de Ichigo, todos os protagonistas da série ficassem em segundo plano, já que, para estimular uma alta da audiência os roteiristas do estúdio Pierrot decidiram colocar os capitães na linha de frente da história, dando grandes combates para eles e deixando Chad, Orihime e Ishida como meros detalhes, mesmo que este último ganhasse uma boa participação no fim da saga.

Assim, querendo ou não, o que o fã esperava da saga dos Arrancars foi diretamente influenciado pelas mídias exteriores ao mangá: uma saga com Ichigo guiando o enredo, mas com uma intensa participação dos capitães, assim como tudo o que era produzido e vendido nas lojas e afins.

CHEGAM OS ARRANCARS

Arrancars são hollows aliados de Aizen aos quais o ex-capitão do quinto esquadrão usou o Hogyioku para lhes serem “arrancadas” as máscaras de Hollows dando a eles habilidades de um shinigami e ampliando suas capacidades de hollow. Segundo as palavras de Hitsugaya, o líder do décimo primeiro esquadrão, se existissem cerca de dez Arracars com poderes próximos aos de um capitão, certamente a Soul Society teria seu fim!

Organizados em uma escala de poder por números que determinam também sua hierarquia onde quanto mais baixo o número, mais poderoso ele é. Aizen organizou junto com Gin e Tousen uma elite com 10 Arrancars batizada de Espadas, entre eles, o frio Ulquiorra Cifer, o número 4, e o combativo GrimmJow Jaggerjack que invadem a Terra dando um começo para a série muito próxima do que já havia ocorrido nos fillers de Bleach: impossibilitados de lutar, com excessão de Ichigo, alguns capitães e shinigamis vem para a terra para proteger os protagonistas.

Aizen lidera os Arrancars para levar hollows até a Soul Society!

Aizen lidera os Arrancars para levar hollows até a Soul Society!

Apesar de isto ter largamente ocorrido na saga dos Bounts e no primeiro longa da série, Memories Of Nobody, analisando apenas o mangá, foi uma sacada interessante do autor, já que ao mesmo tempo que ele dá um gostinho do que o leitor quer, ele não deixa que personagens tão interessantes fiquem de fora do enredo.

Além disso, o começo da saga tem a aparição de um personagem que já havia sido planejado desde a primeira edição por Tite Kubo: Shinji Hirako, um Vaizard. Ao contrário dos Arrancars, Vaizards são Shinigamis que tiveram seus poderes de hollow despertados, revelando que Ichigo, se transformou em um destes quando passou pelo treinamento de Urahara ainda na Saga da Soul Society.

Se Tite Kubo acertou ao dar uma característica única para Ichigo, ele errou ao dar fim a um dos personagens mais relevantes para que o ciclo do personagem de Ichigo desse seguimento a história: Grand Fisher, o hollow que matou a mãe do substituto de shinigami é morto por seu pai, Isshin Kurosaki, que aparentemente também é um substituto de shinigami, e depois esquecido na história. Tite Kubo não apenas desperdiçou um dos dramas mais interessantes da história como perdeu a oportunidade de fazer de Grand Fisher um adversário à altura do que se tornou Ichigo, deixando de fazer dele um Arrancar, até mesmo um Espada, deixando o primeiro furo de enredo de uma história que até então se fechava em todas as suas arestas.

Grimmjow é um dos vilões mais odiáveis e ao mesmo tempo interessante de toda a saga!

Grimmjow é um dos vilões mais odiáveis e ao mesmo tempo interessante de toda a saga!

LAS NOCHES

Assim como o arco inicial da Saga da Soul Society serviu para apresentar aos leitores os protagonistas de Bleach, o arco inicial da Saga dos Arrancar serviu para apresentar os novos conceitos do arco: vilões, vaizards, os poderes da Hougyioku e o desafio dos vilões há uma Guerra a acontecer no inverno do mesmo ano em Karakura, local onde Aizen pretende utilizar como “ingrediente” para produzir a Chave do Rei, artefato capaz de abrir o Castelo do Soberano Imperador da Soul Society e de todo o mundo espiritual.

Porém, é no início do segundo arco que o mote para o saga ganha fluído: interessada no poder de rejeitar a realidade que Orihime tem, Aizen sequestra a garota, provocando a revolta de Ichigo, Chad e Ishida que partem para o Hueco Mundo para resgatar a garota.

Apesar de uma premissa similar à execução de Rukia, o sequestro de Orihime foi uma das sacadas mais geniais de Tite Kubo: além de transformar completamente a personagem em uma apoiadora para lutas, o autor deu a oportunidade dos protagonistas novamente assumirem as rédeas da história, algo que havia se perdido nos fillers e no início da saga Arrancar. Além disso, colocando Orihime lado-a-lado com Aizen, o autor dava inúmeras possibilidades de dramas, já que mesmo aceitando ser prisioneira para poupar Ichigo, a quem a personagem está declaradamente apaixonada, a ruiva, mesmo que muito sensível, nunca foi do tipo de personagem submissa que fica esperando ser salva.

O sequestro de Orihime é um divisor de águas na história!

O sequestro de Orihime é um divisor de águas na história!

Se juntam ao trio salvador ainda Rukia e Renji, além da pequena Arrancar Nell e seus dois hollows babás, que temem pela transformação da garota ao que ela era quando ainda fazia parte do exército dos Espadas. Juntos os 6 combatentes mais os três aliados entram no Las Noches, fortaleza criada por Aizen dentro do Hueco Mundo, uma espécie de Soul Society sem lei dos hollows.

Antes de encarar os mais fortes homens de Aizen, Tite Kubo acertou ao fazer inúmeras lutas de aquecimento para os personagens, onde foram reveladas as suas novas habilidades fazendo-os enfrentarem ex-Espadas e a Floresta de Menos, que apesar de ser original do anime, foi escrita pelo autor, mas deixada de fora da produção do mangá por decisão dos editores, que queriam que as lutas principais acontecessem o quanto antes.

A luta contra os Espadas não poderiam ter começado melhor, com Rukia enfrentando o nº9, Aaroniero Arruruerie. Disfarçado de Kaien Shiba, o primeiro amor de Rukia, a batalha é levada aos extremos enquanto a irmã de Byakuya precisa decidir se entregar ao seu amargo passado ou superar suas lembranças e lutar pelo futuro. Quase derrotada, a vitória de Rukia mostrou o tamanho poder dos Espadas e como a superação, elemento chave dos mangás shonen poderiam ser utilizado para o desfecho das lutas contra os Espadas, mesmo que os seis personagens que partiram para o Las Noches sejam notóriamente mais fracos que os inimigos.

Os problemas do arco surgem quando Ishida, junto com Renji, vai enfrentar o Espada nº8, Szayel Aporro Granz e Chad vai lutar contra o Espada nº5, Nnoitra Jiruga. Enquanto mesmo em dupla o Szayel faz gato e sapato do shinigami e do quincy, Nnoitra praticamente mata Chad, fazendo do personagem o saco de pancadas oficial do anime, sem nenhuma luta em toda a história que ele tenha vencido, mesmo com toda a propaganda inicial do primeiro arco da saga da Soul Society.

Nell deveria ter sido a combatente definitiva de Nnoitra, porém...

Nell deveria ter sido a combatente definitiva de Nnoitra, porém…

Felizmente, para o protagonista, as coisas foram muito bem. Abdicando de criar algum enredo para Orihime, Ichigo consegue salvar a garota e após quase ser morto por Ulquiorra, a garota salva seu amado, que parte para uma das melhores lutas de toda a saga: a luta contra GrimmJow.

Entre um combate e outro descobre-se que Nell, que está loucamente apaixonada por Ichigo (também!) era a antiga Espada nº3, Nelliel Tu Odelschwanck, que foi transformada em bebê em uma experiência de Szayel a pedido de Nnoitra, movido pelos seus instintos machistas. O que era para ter sido o enredo mais dramático e inesperado, com direito a diversas batalhas e sequências inesperadas foi interrompido pelo avassalador gigante do marketing: temerosos de que o título baixasse sua popularidade devido ao filler que se iniciou no anime após a luta contra GrimmJow, Tite Kubo teve que, a pedido dos editores, levar até o Hueco Mundo diversos capitães, os personagens mais populares da história.

É após essa luta que tudo passa a desandar na história: a poderosa Nelliel volta a ser um bebê por um acaso do destino no meio de sua luta contra Nnoitra, deixando que Zaraki Kenpachi assuma a luta. Enquanto isso, é a vez de Ishida e Renji deixarem que Mayuri Kurotsuchi assuma a luta contra Szayel e Byakuya Kuchiki enfrente o Espada nº7, Zommari Rureaux, e Retsu Unohana cuide dos ferimentos dos protagonistas.

A luta de Rukia contra Aaroniero foi a mais surpreendente de toda a saga!

A luta de Rukia contra Aaroniero foi a mais surpreendente de toda a saga!

Num festival de pancaria e exibição de poderes já conhecidos de seus capitães (onde parecia que o autor estava ainda pensando nos poderes dos capitães restantes), Ulquiorra volta a sequestrar Orihime e Aizen decide partir para a cidade de Karakura junto Gin e Tousen e de seus Espadas de números 1 a 3, Deixando que Ulquiorra, sozinho dê conta dos problemas no Hueco Mundo, afinal, segundo ele, seu exército já estaria completo apenas com os quatro Espadas mais fortes.

O PÊNDULO

Mesmo que com o desenvolvimento de desfechos e lutas épicas entre capitães e Espadas, é nítido que o autor acabou deixando o incrível roteiro que estava se desenvolvendo de lado, apressando para chegar ao momento final da história. Ciente de que a história acabou por render uma série de fatos ainda não explicados, Tite Kubo decidiu por fazer um intervalo nas batalhas e criou um arco dedicado a esclarecer as origens de diversos personagens no chamado arco do Pêndulo.

Exatos 108 anos antes do encontro de Rukia e Ichigo na cidade de Karakura, a formação dos 13 Esquadrões protetores da Soul Society erabem diferente: em sua maioria era formada pelos atuais Vaizards, entre eles, Shinji que era o Capitão do Quinto Esquadrão, tendo Aizen como seu Tenente.

Além disso Yoruichi era a capitã do 2º Esquadrão e Urahara era o capitão do 12º Esquadrão, desenvolvendo pesquisas entre shinigamis e hollows.

É incrível ver Urahara e Yoruichi como capitães!

É incrível ver Urahara e Yoruichi como capitães!

A trama se dá com o sumiço pelo qual alguns shinigamis na Soul Society, tendo como um dos destaques das brincadeiras de roteiro que acontecem em todas as vezes que algum personagem atual dá as caras.

Aprofundando as personalidades dos três vilões (Aizen, Gin e Tousen) e mostrando as injustiças cometidas com Urahara para que o mesmo fosse expulso da Soul Society, fugindo graças a ajuda de Yoruichi e Tsukabishi Tessai, na época, líder do Esquadrão de Kidou, uma divisão que não usa espadas.

Desde aquela época, Aizen conseguia manter sua dupla personalidade oculta, fazendo com que o vilão fosse ainda mais valorizado. Mostrando como o Hougyoku e os Vaizards foram criados, Tite Kudo deu ainda mais embasamento para o fã poder montar as mais loucas teorias dos resultados da batalha de Inverno e dos possíveis combates que haveriam.

Em parte o arco deu uma guinada num roteiro que passou a ser baseado apenas em lutas. Mas por outro lado, a qualidade de roteiro do arco não conseguiu seguir com a mesma qualidade no arco a seguir, fazendo do arco uma bolha entre as infinitas batalhas que seguiram.

BATALHA DE INVERNO

Já que a ideia era produzir batalhas com personagens populares para o mangá continuar em alta, a impressão que fica é que ao iniciar o arco da batalha de Inverno, Tite Kubo resolveu chutar o pau da barraca, colocando todos os personagens da sua extensa lista de mocinhos para batalhar e deixando os protagonistas de lado de vez.

A Soul Society chegou reforçada para a batalha!

A Soul Society chegou reforçada para a batalha!

Como eram muitos heróis para poucos vilões, o autor resolveu dar a Barragan Louisebain, o Espada nº2, um verdadeiro exército de Fraccións, Arrancars de classe menor que obedecem aos Espadas. Entre as diversas lutas que ocuparam as páginas de quase 15 edições deste arco, estiveram Yumichika, Ikaku, Hisagi, Kira, Omaeda, Soi Fong, Matsumoto, Hinamori, Iba, Komamura, Ukitake e até mesmo o General de Divisões Yamamoto-Genryuusai.

Uma história precisa fazer sentido dentro de seu universo. E Bleach faz muito sentido. O que não faz sentido é o placar final das lutas: apesar de alguns combatentes terem perdido suas lutas, todos sobreviveram, dando a oportunidade dos fãs desejarem ainda mais lutas com esses personagens, prejudicando o ciclo de personagens dentro do enredo.

Mesmo contra os espadas o resultado não muda! Enquanto Hitsugaya enfrentou Tier Harribel, a 3ª Espada, em uma luta de altos e baixos, Soi Fong (novamente ela!) ficou para dar conta da ganância Barragan e Kyoraku Shunsui enrolou ao máximo, praticamente não tendo luta, contra Coyote Stark, o 1º Espada, um combatente tão preguiçoso e indiferente quanto ele.

Ulquiorra quase leva Ichigo a se deixar levar por seus instintos.

Ulquiorra quase leva Ichigo a se deixar levar por seus instintos.

Enquanto isso, felizmente, no Hueco Mundo Ichigo teve mais uma de suas melhores lutas. É engraçado como o autor consegue melhorar exponencialmente seu desempenho quando a ação não é movida pelos apelos comerciais, mas sim pelo seu planejamento inicial. Delirante, emocionante e dramática, a luta do potagonista contra Ulquiorra não só tirou o fôlego de quem a acompanhou, como colocou em cheque os rumos do personagem, que diante de uma situação desesperadora, teve que apelar para uma medida desesperadora que arriscava a todos a sua volta, contrariando sua motivação de lutar.

Os furos ficaram pela pouca atenção da luta de Ishida e Rukia contra o líder dos Exéquias e da supervalorização de Yanmmy Largo, o Espada nº10 que foi transformado em nº0 pelo autor só para dar mais uma luta para Byakuya e Zaraki.

Mas o talento de Tite Kubo é inegável e mesmo fazendo tudo errado, é incrível como ele consegue acertar quando quer prender a atenção do leitor.

Contra Tousen, a luta e os combatentes foram óbvios e esperados, sem contar que o autor se esqueceu de mostrar a Bankai do personagem. Porém, o drama do trio Tousen-Hisagi-Komamura deu um gás gigantesco na história para que Aizen seguisse em sua luta contra Yamamoto.

Os Vaizards enfrentam dificuldades contra os ex-capitães!

Os Vaizards enfrentam dificuldades contra os ex-capitães!

Mostrando que muitos fãs fanáticos estavam certos, o autor ainda fez Gin trair Aizen, mas acabar sendo morto pelo mesmo, mostrando a infinita superioridade do vilão diante de todos os personagens. Aizen foi um dos únicos vilões, que conseguiu manter a estirpe cultivada durante toda a saga sem vacilar em nenhum momento, mostrando que o posto de um dos maiores vilões que o mangá japonês já teve não foram a toa, vencendo todos os seres que se opuseram em seu caminho, inclusive o pai de Ichigo, isshin Kurosaki.

A luta final aconteceu na verdadeira Karakura guardada na Soul Society destacando os novos poderes de Ichigo ensinados por seu pai e surpreendendo pelas maneiras criativas que os personagens tiveram que criar para conseguir aprisionar Aizen,que sendo quase um deus, não poderia ter sido vencido numa luta comum, sobrando para Tite Kubo criar uma saída estratégica para conseguir completar o arco, mostrando que a força e o medo que o vilão sempre propagou poderia ser vencido se os obstáculos internos dos heróis fossem superados.

O FIM

A Saga dos Arrancars é não só a fase mais longa, como também a mais oscilante da história de Bleach. Se por um lado o autor da série conseguiu criar um cenário com personagens cativantes e motivadores de diversas possibilidades de enredos e tramas, pouco de todo esse universo foi aproveitado, tendo o início da saga uma superioridade gigantesca sobre seu desenrolar e seu final.

Mas também é inegável que Tite Kubo sabe como contar uma história: mesmo errando em diversos pontos, esquecendo personagens e subordinando-se as pressões do público ao colocar diversas lutas sangrentas mas com personagens populares, o autor sempre acerta na dose de surpresas e da boa execução de cada uma das lutas criadas.

Aizen provou ser o vilão que todos esperavam que fosse.

Aizen provou ser o vilão que todos esperavam que fosse. E só.

Se os Vaizards foram um ponto morto e Ishida e cia. voltaram ao estágio secundário que os fillers provocaram, os capitães cresceram exponencialmente junto com Ichigo e com o próprio Aizen, que apesar de vencido, continuou vivo para continuar a ser o vilão da história em sua continuação.

O resultado final apenas abre algumas dúvidas sob como o autor vai conseguir segurar o universo que criou, afinal, apesar do imenso poder dos Arrancars, o lado da Soul Society não perdeu sequer um lutador (ao contráro, ganhou diversos aliados!) e Aizen perdeu todo seu exército.

Só de carisma não vive uma série, e a missão de Bleach após a primeira queda da série será conseguir produzir algo superior ao seu passado: aproveitando as tramas da Soul Society e a criatividade dos Arrancars.

RESENHA: Level E

“Nesse exato instante, há milhares de alienígenas entrando e saindo, levando uma vida tranquila na Terra. Espécies pacíficas, espécies agressivas, espécies à beira da instição .. Alienígenas de todos os tipos, desde envolvidos em intrigas internacionais, a crimes comuns, pesquisadores, cada qual com seu interesses diversos. Eles convivem conosco, mantendo um intrincado equilíbrio, e os únicos que não percebem, são os humanos.” Com vocês, Level E.

DE OUTRO MUNDO

Sempre que se fala de Yoshihiro Togashi, sempre falamos de algo diferente e inovador, obras que quebram paradigmas e se tornam referência da arte de roteirizar histórias para mangás.

Se em Yu Yu Hakusho o iniciante autor escreveu um mangá de ação que se reinventava a cada arco acadêmicamente escrito (leia a resenha do arco inicial aqui e do Torneio das Trevas aqui) e hoje em dia foi o pontapé inicial para gerar uma gama de grandes autores com sua forma inusitada de escrever Hunter x Hunter (leia a resenha do Exame Hunter aqui, da Mansão Zaoldyeck aqui e da Torre Celestial aqui) foi entre as suas duas maiores obras que o autor pode colocar no papel toda a sua genialidade em todos os gêneros.

Publicado na Weekly Shōnen Jump de 1995 a 1997 com o total de 16 capítulos e cinco volumes encadernados, Level E ganhou a notoriedade que merece apenas mais de uma década que foi escrito, quando o estúdio Pierrot (o mesmo de Yu Yu Hakusho, Naruto e Bleach) transformou a obra em um anime de 13 episódios.

Estranho? Para Togashi não existe a palavra estranho, pois até o nome da obra foi escolhida de maneira totalmente inusitada. Escolhendo a temática de seres extraterrestres para compor o mangá, o autor batizou a obra de Level E.

Um alienígena invade seu apartamento e o máximo que você pode fazer é aguentar as suas loucuras!

Level” pois estas formas de vida vivem a um nível acima do humano, “E” pois seria a inicial de “alien” (que se pronuncia “eilien”). Foi numa coletiva de imprensa, coma pergunta de um repórter que indagou sobre a escolha do nome, que o autor percebeu o engano com as inciais da palavra que havia feito, pois imediatamente o autor agiu como um de seus personagens, improvisando a resposta: “É de Alien, mas é uma referência a ET’s“.

PRÍNCIPE PROBLEMÁTICO

Tsutsui é um jovem japonês que se muda de Tóquio para uma cidade do interior, cenário onde sempre acontecem histórias com UFO’s, graças a uma oportunidade de estudar em um bom colégio que se interessou pelo passe do jogador.

Feliz por iniciar uma vida de independência, morando sozinho e tendo seu sustento próprio, o jovem se assusta com a presença de um estranho homem de cabelos loiros em seu quarto, que se revela ser um alienígena sem memória.

Agora cabe a Tsutsui e a sua bela vizinha Miho, filha de um cientista engenheiro que estuda alienígenas, a descobrir a identidade do estranho visitante, que a todo tempo demonstra um comportamento bizarro e provocador, para mandá-lo de volta para o seu planeta e fazer com que ele pare de atazanar a vida de TsuTsui com suas piadas sem graça e com seu comportamento bipolar.

Craft e a Guarda Real fica sem ação com o comportamento de Ouji!

Se a premissa inicial já é interessante para um anime de 13 episódios, o espectador se assusta a descobrir que o enredo dura apenas três episódios, já que Yoshihiro Togashi, provavelmente pela sua impaciência em arrastar longas sagas em uma mesma história, decidiu escrever um mangá com várias histórias curtas, 7 no total, que vão se ligando com o passar dos capítulos e surpreendendo a medida que novas situações são apresentadas e solucionadas pelo autor.

Apesar de o mangá ser basicamente uma comédia, o autor aproveitou a extensão do tema de alienígenas para brincar com todos os gêneros clássicos deste para apresentar ao leitor o inesperado e diversas vezes tirar sarro da cara dele.

A tensão de humanos desaparecendo por uma raça de alienígenas sugadores de corpos, a paixão destrutiva de uma bela jovem de outro planeta em época de acasalamento por um terráqueo, as mentiras de sequestradores de sereias, a prisão em um sonhos e até a formação de um esquadrão Super Sentai são alguns dos temas que vão se ligando a história inicial de TsuTsui e o alien misterioso que se revela o príncipe Ouji, primeiro príncipe herdeiro do planeta Dogura.

Se Tsutsui é a paixão e a responsabilidade em pessoa, Ouji é o príncipe torrão que adora se divertir as custas dos outros e a realizar os mais loucos planos. Dono de uma inteligência acima das expectativas em todo o universo, o príncipe tem os apelidos mais odiosos em cada canto do universo que já passou por querer gosar da independência que sua inteligência e seu poder como príncipe de um dos planetas mais desenvolvidos de todas as galáxias lhe concede.

Para vencer alienígenas no Japão: Esquadrão Colorido Colorrangers!

Apesar de um tanto quanto egocêntrico, é incrível como o protagonista consegue, assim como todos os personagens de Togashi, conquistar o leitor, mesmo que sua conduta pareça, num primeiro momento, um tanto quanto digno de repreensão.

Apesar de usar e abusar de tudo e todos ao seu redor, Ouji faz o que a maioria das pessoas, e o próprio Tsutsui, quer fazer: realizar tudo aquilo que ele tem vontade.

O príncipe e o jogador de beisebol são dois lados de uma mesma moeda: apesar dos dois ansearem pela mesma coisa, liberdade, as suas diferentes maneiras de lidar com as responsabilidades fazem com que ambos entre sempre em conflito, fazendo de Miho e Craft, o líder da brigada de seguranças do príncipe, o pilar central que harmoniza os lados, mesmo que a vontade de ambos muitas vezes seja condenar ou apoiar um dos dois lados.

BRINCANDO DE CAÇAR

Com a dose certa de comédia e o enredo rico em personagens e situações extremas, Level E é uma obra em que o autor brinca com o leitora todo o tempo, acabando com suas expectativas no desenrolar do enredo para depois satisfazê-lo contando-as como ele esperava, para depois revelar que o esperado não é o fim e que o inesperado ainda está por vir.

Uma sereia em meio a um mundo cheio de infâmias. Level E ainda parece comédia?

O anime, produzido com o maior esmero possível agrada pela sua maneira épica de contar uma história que num primeiro momento parece simples, mas que mostra toda a sua graça a todo o tempo.

A mistura de elementos do terror, do suspense, do romance, dos esquadrões Super Sentai, dos esportes e da comédia sem deixar que o ambiente shonen se perdesse durante a trama além de enriquecer a obra, torna ela única, pois por mais incrível que pareça a presença delas não faz com que uma sobrepuje a outra, mas complementa de forma criativa o que cada gênero pode oferecer para a história em sua totalidade.

Assistir ou ler Level E é uma experiência única, assim como tudo o que Togashi escreve. Tanto por abrir a mente para novas perspectivas que a grande maioria das histórias de extra-terrestres carecem, tanto por abrilhantar os olhos a cada nova história que se inicia, fazendo do final algo completo e excitante, fazendo o expectador se perguntar como detalhes tão evidentes não fizessem com que ele desconfiasse dos planos que amarram a história de maneira tão inteligente e carismática.

O carisma de Ouji eterniza a série.

RESENHA: Yu Yu Hakusho, o Torneio das Trevas

Ação, lutas, batalhas, porrada! Essa é a definição mais simples que um mangá shonen pode ganhar, principalmente no ocidente. Clássicos dos ano 80 se tornaram clássicos por se utilizarem dessa premissa para criar uma história envolvente e cativante. Nos anos 90, durante a saga do Torneio das Trevas, Yu Yu Hakusho mostrou o que faltava nos mangás da época.

NÃO CONHECI O OUTRO MUNDO POR QUERER

Enquanto escrevia os arcos bem definidos da batizada saga do Detetive Espiritual pelos fãs (leia a resenha aqui), Yoshihiro Togashi teve tempo de sobra para desenvolver um início de uma história épica, mas que ainda faltava um atrativo para se tornar tal.

Se o enredo e os protagonistas desenvolvidos pelo autor eram perfeitos, faltava algo que marcasse para sempre a vida do fã enquanto fã para que mais que admirada a obra fosse cultuada. E tal elemento veio sob o pano de fundo de um dos elementos mais básicos de uma história shonen: um torneio.

Mas não só um torneio, este é o Torneio das Trevas, a competição realizada regularmente por humanos ganânciosos para lucrar com o massacre de monstros youkais que conseguem invadir a Terra. Um torneio que o Mundo Espiritual até poderia evitar, mas como o próprio Koenma disse, “é melhor deixar os monstros se matarem num torneio do que privá-los de diversão e deixá-los atacar humanos”.

Yukina, a irmã de Hiei, fica muito grata pela coragem de Kwabara!

Não pareceu convincente? Pois bem, não basta um torneio, precisa-se de alguém que se queira vencer. E é nesse ponto que entra o maior vilão que a história teve: Toguro!

EU TÔ MAIS QUEBRADO QUE ARROZ DE TERCEIRA!

Começando com o que parecia ser apenas mais um arco da sistemática criada por Togashi, onde se aparece um ou mais vilões para os protagonistas enfrentarem e desenvolverem seus poderes, Toguro surgiu como capaganga de um apostador milionário que sequestrou Yukina, a irmã mais nova de Hiei, mas logo após ser vencido por Yusuke e Kwabara, mostrou-se um habilidoso lutador que fingiu ser derrotado para atender aos desejos de Sakyo, um empresário que financia suas lutas.

Se a saga havia sido planejada assim desde o início, é algo que pode-se até se contestar, mas é fato que esse rola e enrola qu Togashi criou para apresentar a personagem Yukina surtiu um importante efeito durante toda a sequência da história, mostrando o que mais caracterizaria o anime dali pra frente: ser um anime de luta.

É incontestável que Yu Yu Hakusho tem um contexto muito criativo e lúdico ao imaginário japonês, sem contar personagens tão cativantes que deixa todo fã de cabelo em pé ao querer ordenar seus favoritos, tamanha a persuasão, que a personalidade de cada personagem consegue criar dentro do seu papel da história para o leitor, em sua grande maioria, aliás, desenvolvida na saga do Torneio das Trevas.

Hiei e Kurama tem seus passados revelados e sua personalidade mais aproximada do espectador.

Mas depois de assistir a cada um dos arcos isoladamente ou mesmo a história toda, não há elemento mais fortemente impactante dentro da história do que a maneira dinâmica e criativa como Yoshihiro Togashi consegue contar cada uma das lutas do anime.

E a força que Yusuke, Kwabara, Hiei e Kurama tem que exercer para que a história continue interessante precisa ser forte o suficiente para a atração do leitor, fazendo da personalidade de cada um algo muito mais importante que o próprio contexto da história ou os caminhos que os levaram as lutas.

AH! EU TÔ TOGURO!

Mesmo fazendo do Torneio um saga, a maneira didática com que o autor do mangá segue com a narrativa e o estúdio Pierrot segue muito bem no anime. Cada fase do torneio se assistido isoladamente acaba criando um arco próprio com história com começo meio e fim.

Se a luta com Tiyu seriu para reapresentar a atual condição dos lutadores, as lutas com o Time Dr. Ichigaki e com o Time Mashoutsukai criaram uma experiência única em toda a história, deixando para Time Uraotogi a função de segurar a história enquanto Yusuke recebia o poder máximo de Genkai, sua mestra e ponto chave dentro da hitória de Toguro, o Leiko Hadouken.

E é chegada depois de mais de 30 episódios o momento mais esperad pelo fãs, a luta contra Toguro, o vilão que conseguiu, mesmo malvado, trazer a identificação do público com sua densa e dramatica história do passado.

O presente abre as feridas do passado de Tokuro e Genkai!

Toguro era um lutador muito experiente que não tinha medo de enfrentar nenhuma batalha. Tornou-se um Mestre de lutas e possuía vários discípulos. Era amigo da jovem Genkai, que se apaixonou por ele. Ele é convidado por um youkai a participar do Torneio das Trevas, e ao chegar encontra seus discípulos retalhados e assassinados por este youkai. O youkai não somente assassinou seus discipulos como também utlizou as famosas palavras dos patrocinadores do torneio para trazer Yusuke para a arena: “Você está convidado a participar do Torneio das Trevas. Se não aceitar, morre!”.

A luta do Time Urameshi contra o Time Toguro rendeu o grande apogeu de toda a história de Yu Yu Hakusho e seu final surpreendente ainda trouxe várias surpresas de muitos personagens.

FOI BOM VOCÊ SER UM CANALHA… PODEREI SER CRUEL SEM NENHUMA CERIMÔNIA

Bater, bater, bater. Socar, socar, socar. Não é só disso que vive um anime de luta. A saga do Torneio das Trevas, além de amadurecer os personagens, contar passados e criar verdadeiros combates clássicos de toda a história dos mangás, foi a fase em que Yusuke e os outros protagonistas puderam mostrar para que vieram e para que foi criada tal história.

E mesmo numa época em que se arriscar a escrever algo de luta parecia ser uma volta ao estilo anos 80 de fazer mangás, Yu Yu Hakusho mostrou que um clássico, mesmo de luta precisa de muitos diferenciais para sobreviver ao tempo, mesmo quando o o seu diferencial parece ser o que todos os outros tem de igual.

Yusuke s. Toguro: uma das maiores lutas que a história dos animes já viu!

RESENHA: Yu Yu Hakusho, a saga do Detetive Espiritual

Há sempre quem anseie por inovações, criações e novas aspirações nos segmentos de entretenimento, e no mangá não é difenrente. Sempre há um ponto em que tudo parece derivado, mistificado ou apoiado em uma obra de grande sucesso quando grandes blockbusters revolucionam o mercado. Invertendo o fluxo do próprio mangá, Yu Yu Hakusho chegou se destacou numa época em que nada parecia possível de sobreviver, e por isso mesmo, se eternizou.

COMEÇANDO PELO FIM

Não, não é o que parece, o subtítulo não indica uma nova explicação para a leitura de sentido reverso que o oriente tem em seus livros e, mais notóriamente no ocidente, de seus mangás.

Mas fazendo uma metáfora inteligente do que é o mangá para o ocidental, e provavelmente sem nem se dar conta disso, Yoshihiro Togashi se utilizou de algo inusual para um mangá shonen até então: começou a contar a história pela morte do personagem principal.

Sim. Yusuke Urameshi, um japonês brigão que só arranja confusão na escola onde estuda, tem péssimas notas e é indiferente para tudo e para todos morre logo no primeiro capítulo da história.

Yusuke morre para salvar uma criança de ser atropelada!

Estranho? Sim, mas ainda mais por essa ser a descrição de um herói muito diferente do ser confiante, corajoso e bondoso do formato do herói nos anos 90. Porém, contrariando conceitos e premissas, Yusuke morre exatamente contrariando o conceito preconceituoso que personagens e leitores formam do personagem nos primeiros momentos de contato com o receptor da história.

Para salvar uma menina que desapercebida atravessa a rua movimentada de Tóquio, Yusuke se joga na frente de um carro e morre atropelado.

É essa reversão de expectativas que logo no início marca o início de Yu Yu Hakusho e a acompanha ao longo de toda a sua história, fazendo da trama uma das mais cativantes e impressionantes da história dos animes.

O DETETIVE ESPIRITUAL

Yusuke morreu por engano. Sim, logo que perde a vida, o espírito do protagonista da história descobre que não estava em seu destino salvar a menina, que pouco se feriria no acidente que acabara de impedir. Além da revelação macabra, o universo de Yu Yu Hakusho começa a se fundir com o rico folclore japonês, tornando a história interessante para o oriental e fascinante para o ocidental.

Para buscar a alma de Yusuke, a jovem Botan vai de encontro com o rapaz e para reparar o engano sofrido, Koenma, filho do rei Enma Dayou, rei do mundo espiritual, lhe oferece a chance de voltar a vida se este aceitar o emprego de detetive espiritual na Terra após sua ressurreição.

Botan e Koenma aplicam o teste para Yusuke voltar a vida e se tornar um detetive espiritual.

Nesse ponto começa a primeira saga de Yu Yu Hakusho. Cheia de arcos para apresentar os protagonistas, firmar conceitos e desbancar os mais crentes de uma história linear, vilões e heróis começam a aparecer e mostrar que tem mais em comum do que a aparência fugaz que cada um apresenta pode aparentar.

Rival de Yusuke e sempre cheio de si, Kazuma Kuwabara rivaliza o posto de bad boy número 1 da escola e da cidade. Dono de uma sensibilidade espiritual incrível, o machão acaba se juntando a Yusuke no trabalho de detetive espiritual após se tornar peça chave para ressurreição do personagem junto de Keiko, a namorada de Yusuke.

Assim como Yusuke e Kuwabara, os outros dois protagonistas começam exatamente mostrando seu lado mais cruel para depois se revelarem excelentes aliados. Durante o arco para recuperar objetos espirituais de grande poder, são apresentados o youkai Kurama e o misterioso Hiei.

Dotados de grande poder, Yusuke precisa enfrentar a ganância de Hiei e a decisão de Kurama antes de tê-los como aliados, algo que acontece apenas durante o ápice da saga, quando os dois se juntam a Yusuke e Kuwabara para deter a maldição causada pela flauta utilizada por Suzaku, um dos quatro monstros do inferno para transformar humanos em demônios.

A história mescla o inesperado com cacuetes clássicos de uma história.

Focado em mostrar habilidades e apresentar os personagens que passarão a integrar complexas sagas ao longo de todo o desenvolvimento da história, a Saga do Detetive Espiritual, além de ter uma trama bem leve e despojada funciona perfeitamente para atrair e fidelizar fãs.

SORRISO CONTAGIANTE

Nascido numa época em que o mangá estava efervescêndo graças aos fenômenos dos anos 80 da Shonen Jump, Yu Yu Hakusho se destacou como uma obra original misturando conceitos da mitologia budista e xintoísta com personagens vistos no dia-a-dia do japonês.

Desenvolvendo seu estilo inesperado que depois estaria muito mais amadurecido em Hunter x Hunter (clique aqui para ler as resenhas do Exame Hunter, da Família Zaoldyeck e da Torre Celestial), Yoshihiro Togashi foi um dos grandes destaques dos anos 90 por trazer grande originalidade na criação de contextos e personagens.

Começando de uma maneira branda, quase didática, e com arcos bem definidos, Yu Yu Hakusho já começou mostrando o que mais teve de melhor durante todo desenvolvimento da saga do Detetive Espiritual: contar uma história de ficção através de personagens que quebram esteriótipos e são politicamente incorretos, mas que cativam a cada sorriso após uma vitória inovadora na história dos mangás.

Entre heróis e vilões: na saga de introdução, os protagonistas mostram seus dois lados.

RESENHA: Hunter x Hunter, a Torre Celestial

“Monstros terríveis, criaturas exóticas. Vastas riquezas, tesouros escondidos. Planos malignos, terras inexploradas. O mundo desconhecido tem uma “magia”, e algumas pessoas incríveis são atraídas por ela, eles são conhecidos como Hunters”. Nem mesmo Yoshihiro Togashi escreveu um prefácio que captasse tão bem a essência de sua série. E em nenhum outra arco como foi durante a Torre Celestial, Hunter x Hunter teve o nome da série tão bem justificado.

Nascido da idéia do autor da série colecionar personagens (leia a resenha do Exame Hunter aqui) e se tornando um verdadeiro fenômeno do chamado mangá dos anos 2000, Hunter x Hunter foi o pioneiro em uma nova maneira de contar mangá, onde a surpresa e as expectativas do leitor são quebradas diversas até gerar um resultado inesperado.

Se durante o Exame Hunter o quarteto de protagonistas foi desenvolvido e se no resgate de Killua na Mansão Zaoldieck (leia a resenha clicando aqui) o autor ampliou o modo de como sentir o encadeamento das relações dos personagens, foi quando levou Gon para os combates da Torre Celestial que Yoshihiro Togashi teve uma carta branca para colecionar tanto personagens o quanto pudesse.

Um manipulador de peões numa cadeira de rodas, um um fantasma vivo sem pernas e uma quantidade gigantesca de lutadores de pequena participação foram algumas das bizarrices que apareceram durante o arco em que, para conseguir dinheiro ao mesmo tempo que treinam, Killua apresenta a sórdida Torre Celestial para Gon, onde ocorrem os mais sangrentos combates entre lutadores das mais variáveis espécies.

Para participar do leilão em Yorkshin, Gon decide participar do torneio da Torre Celestial, onde pode faturar milhões de zenins a cada vitória.

Torre Celestial ou Arena Celestial, é o local onde é realizado o Torneio Celestial. É um prédio de 251 andares com 991 metros de altura, sendo assim o quarto mais alto do mundo. Está localizado no mesmo continente que a República de Padokia.

Além de fazer do arco uma oportunidade do autor dar um up no poder dos seus personagens mais queridos e aparentemente mais necessitados de conseguir se equiparar aos seus colegas formados Hunters, o papel do palhaço Hisoka dentro da história como um todo ganha destaque.

Sempre querendo encontrar excitação nas lutas e nos lutadores que enfrenta, Hisoka ganhou destaque durante o Exame Hunter por não ter muito bem definido que tipo de vilão ele é. Cruel, sádico e extremamente poderoso, o palhaço tem interesse especial por Gon, fazendo os fãs terem um interesse por até onde ele vai chegar com esse interesse.

Com o exemplo de Gon treinando Nem, Killua aprende a valorizar a amizade.

Sempre se basando em modelos esteriotipados de enredo (no caso dos três primeiros arcos: “treinamento” no Exame Hunter, “resgate” na Mansão Zaoldieck e “torneio” na Torre Celestial), nunca se deve esperar que Hunter x Hunter seja mais do mesmo, pois nunca o desenvolvimento da história leva ao desenlace projetado.

Se todos imaginaram um Gon e um Killua chegando até o último andar da Torre quando sistema de 10 vitórias para avançar até os andares superiores pareceu algo descabido, o interesse principal do autor foi mostrado ao apresentar o mestre Wing e seu discípulo Zushi.

Mestre das artes do Nem, Wing foi o personagem que ajudou os protagonistas a desenvolver suas técnicas de luta espirituais e ajudou o autor a racionalizar o elemento “mágico” do poder dos seus personagens, afinal, além de colecionar personagens, Hunter x Hunter também é uma oportunidade de Togashi colecionar diversos conceitos.

O interesse do sádico Hisoka por Gon gera muita repercussão entre os fãs.

Seja por falta de interesse do autor, ou por sua genialidade preguiçosa o meio nem sempre dá origem ao fim e o próprio começo já pode ser o fim. Assim como nas sagas anteriores, as quebras de tempo para contar momentos decisivos, como a geniosa luta de Hisoka contra seu rival Castro, são inesperados e muito empolgantes.

Mas nada supera o climax do arco, quando Gon finalmente acumula a quantidade de vitórias necessárias para enfrentar Hisoka. Ciente da diferença de nível entre os dois, o garoto pretende, ao menos, devolver o soco que o palhaço deu nele durante o Exame Hunter.

Com muita criatividade e sem muitos rituais, a luta encerra um dos arcos mais importantes da série para o desenvolvimento do personagem e para a evolução do conteúdo da história para chegar ao nível de batalhas e encontros épicos que todo leitor de shonen aprendeu a gostar de ler.

RESENHA: Naruto, a Busca pela Quinta Hokage

Toda história precisa de um motivo para ser contada. A cada verso, a cada luta, a cada frase composta, o personagem principal precisa se provar digno do papel de protagonista e sua saga, assim como sua vida, precisa ganhar significado e representatividade para quem entra em contato com seu mundo. Após quase 3 anos e 15 volumes encadernados, ainda faltava isso em Naruto que encontrou durante a Busca pela Quinta Hokage o ponto-chave para a união de tantos pontos, até então, dispersos na história.

UMA SHURIKEN DE SORTE?

Não é a toa que Naruto fez sucesso no mundo todo. A simples observação de pontos que compõe a série ou a leitura de detalhes de bastidores que o seu autor, Masashi Kishimoto, vez ou outra acaba deixando escapar em seus textos mostram que a formatação de Naruto foi programada para uma explosão mundial.

Um quarteto de protagonistas que atinge a todos os públicos (leia os detalhes na resenha da Saga sa Ponte, clicando aqui), variantes de contextos que se adaptam aos diversos contextos sócio-culturais e pessoais em dramas que refletem e extravazam os dramas do leitor (leia mais na resenha do Exame Chunin, clicando aqui) são só alguns dos elementos que fizeram a série ser conhecida em todo o mundo.

Contanto, ainda faltava algo para a história de Naruto: uma razão de ser.

Partindo de uma simples apresentação dos protagonistas e e do contexto da série durante a Saga da Ponte e extendendo o universo durante o Exame Chunin, a impressão que ficou ao longo do tempo é que Naruto foi um personagem escolhido ao acaso para ser protagonista.

Apesar da justificativa da Raposa de Nove Caldas estar presa em seu corpo desde um passado próximo e o desejo que o personagem tem de se tornar o maior líder de sua vila no futuro, faltavam motivos para que o protagonista conseguisse sustentar a história ao seu redor em tempo presente.

Se Jiraiya já foi essencial para a conclusão do Exame Chunin, durante a busca pela Quinta Hokage seu papel se tornou fundamental.

Naruto parecia estar sempre a mercê de um contexto a que todos os personagens estavam e a sua presença, ou não, parecia não ser tão determinantes para os resultados dos finais da saga, onde mesmo o personagem aprendendo e superando obstáculos, parecia apenas fazer algo que outra pessoa, Sasuke por exemplo, poderia fazer em seu lugar.

Com o fim do Exame Chunin, era hora de colocar ordem na casa, fazendo com que muitos dos pontos criados durante a saga dessem uma pausa para situar o papel do protagonista dentro da história, começa a Busca pela Quinta Hokage.

CHEGA A AKATSUKI

Um dos pontos mais críticos que o fim do Exame Chunin trouxe foi a morte de Hiruzen Sarutobi, o Terceiro Hokage, enquanto lutava contra Oroshimaru e contra os primeiro e segundo Hokages que o líder da Vila do Som ressuscitou.

Sem um comandante, os conselheiros anciões pediram que Jiraiya, o ninja lendário que preparou Naruto para a última prova do Exame Chunin, se tornasse o novo Hokage. Mesmo recusando, o ninja canastrão se propôs a procurar Tsunade, a ninja que como ele e Oroshimaru foram o trio sannin da Vila da Folha: os três ninjas lendários!

É antes da partida que ocorre um evento simples, porém determinante para o resultado final da saga: o irmão mais velho de Sasuke, Itachi Uchiha, entra na Vila da Folha e se revela membro da Akatsuki, uma sociedade formada por ninjas expulsos de suas respectivas vilas que estão sedentos por poder.

O motivo de Itachi? Naruto e a Kyuubi aprisionada em seu corpo.

É a chegada de Itachi na Vila da Folha que coloca Naruto em seu papel mais essencial na história: o de protagonista.

Isso não foi um choque apenas para o próprio ninja de cabelo loiro  mas muito pior para Sasuke, que mais uma vez viu seu rival abobalhado sendo o centro das atenções mesmo este tendo ciência que suas habilidades como membro do clã Uchiha superam, e muito, a Naruto.

Apesar da raposa de nove caldas sempre ter sido “a causa” da existência de Naruto e o diferencial do personagem com os demais, o surgimento de Gaara e da Shukaku, por exemplo, despertou dúvidas se tal fato realmente refletiria um justificativa para o papel de protagonista do personagem da história.

Somado a isso, o desejo de oroshimaru, o vilão da história por Sasuke ao invés de Naruto colocava o personagem na adjascência da história mais uma vez, algo incomum e preocupante numa história que, inclusvise, leva o nome do personagem.

Colocando um grupo de vilões ligados a Sasuke e a Oroshimaru atrás de Naruto, o personagem assume de vez seu papel de guia da história e a necessidade de desenvolver seu poder para não virar alvo da Akatsuki.

Assim, após Jiraiya expulsar o ninja exilado da vila, este parte com Naruto (e só Naruto) para uma viagem de encontro a Tsunade e, de quebra, o autor aproveita para terminar a ascensão de Naruto na história: colocá-lo no mesmo nível de Sasuke!

RASENGAN: JÁ ERA HORA

Um dos pontos que mais destacam os personagens em mangás shonen é o tipo de poder único e exclusivo que este tem em relação aos outros personagens. É por isso que logo no primeiro capítulo da história, Naruto aprende a utilizar o jutsu Clone das Sombras, algo até então proibido.

Especialista em técnicas médicas, Tsunade se torna alvo de Oroshimaru ao mesmo tempo que se torna a candidata ideal para o título de Hokage.

Com a banalização da técnica do personagem e o surgimento de golpes mais interessantes visualmente, como o Chidori de Sasuke, o jutsu já não era algo tão exclusivo e eficiente para diferenciar o personagem. Mesmo com o contrato com os bratáquios que Jiraiya faz com Naruto, a invocação de sapos não é algo tão simples para o nível de Naruto e nem tão prática para o leitor ver em todo capítulo.

Para solucionar tal problema o autor coloca o sannin pervertido para ensinar a Naruto uma técnica que apenas ele e o Quarto Hokage, seu discípulo conseguiram dominar: o Rasengan.

Feito em três níveis de dificuldade, Naruto acaba passando por cada etapa não por talento ou por algum dom escondido, mas pelo seu esforço, sua criatividade e um ponto que o motivou durante todo o treinamento: uma aposta contra a ninja mais azarada da história, Tsunade!

TSUNADE, A ETERNA PERDEDORA

Mesmo a saga focando o desenvolvimento de Naruto, não se pode esquecer que o pano de fundo para este arco é encontrar um substituto para Sarutobi. E não é apenas Jiraiya que está atrás de Tsunade.

Conhecida por suas habilidades médicas, Tsunade também virou alvo de Oroshimaru, que quer que a ninja cure suas feridas e selo que o Terceiro Hokage lhe colocou durante sua derradeira luta que impediu o ninja de língua comprida a fazer jutsus.

Oroshimaru matou o Terceiro Hokage, mas a luta o deixou muito dependente de seu maior aliado: Kabuto!

Nesse é desenvolvido algo que o autor de Naruto se especializou: comover o leitor com uma história lateral. A ninja de seios fartos é neta do Primeiro Hokage, mas tem horror a tal título. Tanto seu ex-namorado e seu irmão mais novo morreram em missão com o sonho de um dia se tornar Hokage.

Com a perda de seus dois entes mais queridos, Tsunade se afastou da Vila da Folha e se afundou em dívidas gastando a riqueza de sua família com jogos de azar, que ela sempre perde.

Oroshimaru promete ressuscitar o amor e o irmão de Tsunade se esta o curar, mas isto acabaria, e ela o sabe, implicando em uma nova invasão a Vila da Folha. É nesse momento, e principalmente durante a luta entre os três sannins, é que o altruísmo de Naruto consegue tocar fundo o coração da ninja lendária para que ela utilize a força herdada daqueles que ela conheceu em prol da Vila da Folha.

EU NÃO TRAIO MINHAS PALAVRAS

Eu serei Hokage. Só após a morte do terceiro e a ascensão da quinta, é que o leitor pôde compreender o peso e a responsabilidade desejada por Naruto ao querer se tornar o líder da Vila Oculta da Folha.

Se compreender isso era fundamental para o futuro da história, foi a ligação criada entre Sasuke, Itachi, Akatsuki e a Kyuubi que tornou o enredo de Naruto algo mais canône e menos casual.

Com o passar das sagas, é possível reconhecer o amadurecimento de Naruto.

Graças a Busca pela Quinta Hokage, Naruto pôde amadurecer como história e o enredo finalmente ganhou a consistência necessária para fazer de um sucesso comercial tão grande, um sucesso literário que rompe previsões e expectativas.

RESENHA: Hunter x Hunter, o Exame Hunter

Histórias são contadas ao montes, das mais variadas maneiras e com os mais diversificados recursos. Todos os anos o cinema, a tv, a literatura e tantos outros campos de mídia criam toneladas de horas de entretenimento que entra para a cultura e para a vida das pessoas que chegam até elas. Porém, apenas as histórias com grandes mensagens, lições e conteúdos próximos ao seu receptor é que sobrevivem ao tempo e conquistam gerações e gerações de pessoas. Hunter x Hunter vai além seguindo o caminho reverso: provocante e contestador, sua mensagem não é passada através de sua história, mas sim por seu próprio leitor.

UM AUTOR X MUITOS PERSONAGENS

Muitos jovens e adultos talentosos sonham em se tornar autores de sucesso com suas mais mirabolantes idéias e complexas relações de personagens e enredo. Porém, nem sempre insights geniais se convertem no resultado final almejado, isto porque muitos dos autores iniciantes esquecem de algo que Yoshihiro Togashi conhece tão bem: a aceitação da história é sempre tão grande quanto a sua simplicidade.

Parece fácil pensar deste jeito quando se é um autor consagrado. Togashi é o autor do célebre mangá Yu Yu Hakushô, um dos maiores destaques dos anos 90, época em que o BOOM da animação dos anos 80 começava a esfriar no Japão, e mesmo que se espalhando pelo mundo, poucas obras originais conseguiam se sustentar por longos anos.

O autor também tem outra fonte de criatividade ao seu lado, pois o sortudo ainda é casado com a superstar do mangá shoujo (do japonês, para meninas), a autora de Sailor MoonNaoko Takeuchi. Com alguém tão especialista quanto ele para alavancar vendas de editoras, como um mangá seu poderia dar erradO?

Pois é aí que se torna tudo tão simples. Para quem já leu a história de Gon e seus amigos sabe o quanto o mangá se desdobra em sequências fenomenais e de tirar o fôlego, mas tudo isso saiu de um desejo que o autor tinha a anos: colecionar personagens.

Hunter x Hunter tem personagens que cativam a cada segundo!

Do mesmo jeito que gosta de colecionar bonecos, um dos maiores hobbies do autor Yoshihiro Togashi é o de desenhar personagens novos. Isso pode até ser previsto em Yu Yu Hakushô, visto a quantidade de personagens que aparecem ao longo da história, mas em Hunter x Hunter, o autor criou um ambiente propício para dar asas a sua imaginação e inserir personagens atrás personagens em todos os momentos da história.

Hunter x Hunter é o típico mangá que nasceu para fazer sucesso, com a união do autor certo no momento certo, o mangá de 1999 foi um dos principais precursores do estilo que permeou e influenciou praticamente todos os autores do estilo shonen ao longo dos anos 2000 e que ainda hoje se prova como o alicerce do sucesso de vendas deste tipo de publicação.

Esta resenha contemplará os aspectos iniciais da obra, conhecida como a saga do Exame Hunter, que contempla a saída do protagonista da Ilha da Baleia até o fim do exame que dá nome ao arco, bem como toda a magia e o ambiente criado pelo autor para dar vida a história.

PROTAGONISTAS X PASSADOS

Perfeito. Com a vontade e a inspiração necessária em dia e o cartão verde para iniciar sua história na Shonen Jump, a revista mangá de maior tiragem e circulação do Japão, só falta Togashi criar o alicerce de Hunter x Hunter, os protagonistas que vão guiar capítulo a capítulo toda a jornada do autor para colecionar personagens.

E o resultado não poderia ter sido mais perfeito. Seguindo parte da teoria humoral (veja mais na resenha de Naruto, a Saga da Ponte clicando aqui) e parte das personalidades dos quatro personagens que lhe fizeram chegar a nata do Japão em Yu Yu Hakushô, Togashi deu origem a Gon, Killua, Kurapika e Leório.

Gon é a personificação da bondade e inocência.

Gon Freecs pode ser considerado um dos melhores modelos da tendência de protagonistas dos anos 2.000 em mangás shonen. Inocente, sonhador e determinado, o garoto sonha em encontrar o pai, um famoso Hunter que o abandonou na Ilha da Baleia para seguir com sua carreira, e para tal, ele decide prestar o Exame Hunter para que, como Hunter, possa cumprir seu desejo.

Se otimismo é a palavra que melhor pode definir Gon, Killua é seu completo oposto. Sem uma razão para viver e filho mais novo de uma milionária família de assassinos de aluguel, o garoto vive pressionado buscando no Exame Hunter algo que o interesse e descobre na amizade simples e sincera de Gon, algo que possa valer a pena.

E não é apenas o filho da família Zaoldyeck que vive cheio de conflitos internos. Único sobrevivente de um clã que possui olhos vermelhos, Kurapika quer se tornar um Hunter para ganhar poder o suficiente para se vingar do Genei Ryodan, o grupo da Aranha de 12 patas, os responsáveis pela ruína de seu povo (nota: não confundir com Sasuke Uchiha, Hunter x Hunter começou a ser escrito um ano antes de Naruto).

Fechando o grupo com chave de ouro, entra Leório. Provavelmente o personagem de terno e gravata seja o mais próximo de Gon se pensarmos em sua maneira simples de ver as coisas, porém seus atos impulsivos e agressivos sempre o colocam a mercê do inimigo como alvo mais frágil. Apesar de seu estilo debochado, este guarda um grande segredo, quer se tornar Hunter para conseguir o direito de cursar uma faculdade de medicina gratuitamente e assim, como médico, poder salvar vidas tão preciosas como era a de seu irmão que morreu doente.

Leório parece carrancudo e grosseiro, mas tem o altruísmo como filosofia de vida.

Se o perfil dos protagonistas parece já estar traçado desde Yu Yu Hakushô, notem que tanto a persoalidade como as cores das vestimentas se assemelham muito as de Yusuke e cia, o contexto a qual eles se inseriram as situações que Togashi colocou os personagens vai muito além do limiar humano e conforme mais a coleção de personagens vai se extendendo, mas interessante a história vai ficando.

PROVOCANTES X INUSITADOS

Um dos grandes destaques da história é a facilidade que ela tem de puxar o leitor para dentro da história. As questões por qual os personagens vão passando antes de chegar e após iniciar o Exame Hunter facilmente fogem das disputas convencionais dos mangás shonen, sendo muito mais ideológicas e muito menos sangrentas.

E o mais interessante é observar como cada um dos quatro protagonistas, e volta e meia um ou outro coadjuvante, pensam a respeito dos desafios aos quais são impostos, revelando traços de sua personalidade e caráter.

Vale destacar o terceiro exame por quais eles passam quando, aliados a Tompa, os personagens precisam vencer os desafios da Torre dos Enganos. Enquanto Killua sempre acaba sendo levado pela decisão mais pessimista e Kurapika sempre entra em dualidade de opinião com sua maneira analítica e racional de pensar, Leório sempre é levado por seus instintos e Gon sempre surpreende com sua maneira simples de pensar.

Toda vez que alguém é submetido a um teste, sempre fica preso as regras que o permeiam, mas muitas vezes afloram no participantes pré-conceitos que os privam de tomar alguma decisão fora do escopo geral da idéia de um teste. Por viver isolado na Ilha da Baleia por muito tempo, Gon é um ser livre de pré-julgamentos e por isso sempre leva ao pé da letra tudo o  que lhe é dito, facilitando suas ações.

A personalidade calma e racional de Kurapika guarda segredos inesperados e sombrios!

Na Torre dos Enganos ninguém lhe disse que numa prova onde se aposta qual vela vai apagar primeiro estava implicito a regra de assoprar a vela, assim ele vai lá e faz. Ao se depararem com duas portas que separariam o grupo, nada mais natural que abrir um buraco na parede e ambos os grupos se unirem novamente.

Parece irrelevante, mas cada ação simples de Gon leva o leitor a indagar “como eu não pensei nisso antes?”. Fazendo da obra algo inesperado a cada novo capítulo e provocante a medida que nunca se consegue prever o próximo passo que o autor vai dar e a ponto do caráter de cada personagem será usado para a resolução da tarefa explícita e implícita em cada prova do exame.

Se o começo já parece fora do comum e o seu desenvolvimento surpreende o leitor, o que dizer do final de saga mais inusitado que um autor já produziu? No fim do exame, o presidente da Associação Hunter, Netero, propõe um campeonato ao contrário: avança nas chaves aquele que perder e se tornará Hunter aquele que vencer apenas uma disputa.

Assim como toda a história, o destaque das lutas acabaram não sendo os combates, mas sim o desenvolvimento de maneiras de se resolver o resultado da luta e as consequências que isso inflingiram. Após a luta de Gon, onde este se recusou a desistir da luta (pois não tinha chances de vencê-la) até que Hanzo, seu oponente parasse de torturá-lo para decidirem a vitória de outra maneira.

Filho de uma família de assassinos, Killua parece um corpo vazio de sentimentos até encontrar Gon.

A história ainda quebra o linear do tempo e avança para o fim do torneio, quando o protagonista fica sabendo de todos os outros resultados após acordar de um desmaio após o fim de sua luta. Envolvente e cativante, o todo o resto do torneio colocou todos os sentimentos dos participantes a flor da pele, revelando desde o lado humano de Leório, criar suspense com os segredos de Killua e revelar a inveja escondida de Killua por Gon…

ANIME X ANIME

Hunter x Hunter começou a ser desenhado em 1998 e poucos anos depois já foi para a TV em uma produção feita pelo estúdio Nippon Animation. Com a oscilação de Yoshihiro Togashi para dar prosseguimento a saga, a animação teve de ser parada por diversos momentos até ser cancelada definitivamente e os fãs pareciam nunca mais poder ver a conclusão animada.

Com o retorno da história na Shonen Jump em 2011 e o sucesso instantâneo que isso gerou, o estúdio madHouse, o mesmo de Death Note (leia a resenha aqui) e alguns curtas de Batman, the Gothan Knghit (leia a Resenha aqui) foi além do que os fãs imaginaram e iniciou uma nova animação contando a história desde o início novamente.

Com um traço mais leve e dinâmico que a primeira produção, o estúdio MadHouse caprichou em Hunter x Hunter e fez jus a sua alcunha de melhor estúdio japonês de animação da atualidade. Apesar de sutil, a diferença no traço dos personagens foi muito benéfica, o que faz do anime algo muito atual mesmo após dez anos de existência.

Netero desafia Gon no dirigível até o local do terceiro teste e lá Gon mostra que força bruta não é o fator principal de um Hunter.

Apesar de ser mais fiel ao mangá que a produção do Nippon Animation, algumas cenas foram cortadas do original, e focos diferentes em diálogos serviram para melhor ajustar a relação dos personagens a algo mais contínuo e simétrico a toda a obra.

Assistindo ao primeiro anime e mesmo ao ler mangá, a impressão que se tem é que o trio principal da história é formado por Gon, Leório e Kurapika, tendo Killua como uma espécie de protagonista rebelde adjacente a maioria dos acontecimentos, a mesma impressão que se tem com Ikki de Fênix em Cavaleiros do Zodíaco ou com Hiei em Yu Yu Hakushô.

Porém, após algumas sagas, fica clara a dominância da amizade de Gon e Killua como guias da série. Assim, Os focos, closes e conversas, apesar de ainda fiel ao mangá, deixaram a percepção do espectador muito mais atenta a grande amizade que se desenvolvia entre Gon e Killua e como Leório e Kurapika, apesar de fundamentais, são uma espécie de lado B no desenvolvimento da história.

HUNTER X MUNDO

Yoshihiro Togashi criou uma série no tom certo, contada da maneira certa, numa época que o mundo dos mangás shonen precisavam de uma simplificação para seguir adiante. Todas as obras que seguiram com sucesso pelos anos 2000 precisam agradecer a Hunter x Hunter e principalmente a sua saga inicial.

Despretenciosa, porém cheia de conteúdo e razão de ser, o Exame Hunter refletiu tudo o que uma série precisa para começar, linkar o desenvolvimento e buscar um fim sem que todo o decorrer da história seja previsível ao leitor.

Já faz quase uma década e meia que Hunter x Hunter começou e em breve, o autor já confirmou, teremos os últimos capítulos da história. Mas com a força e a inspiração que Gon e seus amigos provocam ao leitor e a todos os mangaká iniciantes do Japão e do mundo, é certo que sua história não se privará a décadas, mas durará para sempre.