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RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco das Ruínas Antigas

Ao se falar de valor, fala-se de algo muito relativo. Tão difícil é saber o quanto de valor um objeto pode carregar em comparação com qualquer tipo de prognóstico praticado, é fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, os protagonistas tiveram a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas, a chance de valorizar seus personagens.

BRONZE, PRATA E OURO

Uma das características mais marcantes dentro do universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia, estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo e seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com capacidades que variam de líderes de missões, ao treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível encontram-se os cavaleiros de bronze, que não por coincidência, são os proagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas num nível baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens trilhassem um caminho que se tornou referência na construção de um mangá shonen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo ainda sendo bronze.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, a escolha foi bastante similar para a construção da linha evolutiva da narrativa: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso enfrentou em Palaestra (leia a resenha deste arco aqui) vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Haruto de Lobo se juntou a Kouga no fim do arco de Palaestra.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou para ser bem transmitida ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para amadurecer o roteiro e passar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

SUGANDO TODO O COSMO DA TERRA

Tendo início logo após Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze de morrerem pelas mãos do vilão Marte quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando mais novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a se utilizar de cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não se extinga, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que a Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões que Marte, pois em cada uma delas, em sua maioria, cavaleiros de prata traidores de Atena que apóiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga, Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Ária tem um inimaginável cosmo de luz em seu interior.

Haruto é um ninja (mas não é loiro, nem veste laranja), o que pode parecer muito estranho num primeiro ponto de vista. Encarnando o personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja (!). Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar um nova dimensão a Cavaleiros com os laços da sua cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano em Os Cavaleiros do Zodíaco.

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é a oposta da de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o começo e o surpreendente final do arco.

REVELAÇÕES COMO OS CAVALEIROS DO PASSADO

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões e novo tudo! Mas o que mais se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha guarda.

Além de revelarem e justificarem o porquê de estarem fora de batalha, pincelar um pouco da Guerra Santa do ano 2.000 contra Marte e revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para jóias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

No arco, um flashback revelou o que transformou as armaduras e o que impossibilitou Seiya e os outros de usarem seus cosmos.

Shun de Andrômeda, que virou uma espécie de médico de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuhou de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que aparentemente se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiriu de Dragão, que permanece sem os cinco sentidos nos Picos Antigos de Rozan, é quem motiva a Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar as rédeas daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é da fé e na esperança de um mundo de paz, que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo!

Apenas Yuna foi quem ficou a mercê de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi morta por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos que nas regras do Santuário impostas as mulheres.

Pavlin de Pavão conquistou tantos fãs quanto Yuna de Águia!

Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária, que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não perder sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo sequer foram citadas, Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros e mesmo Geki de Urso estar preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo as forças do mal.

Que Ichi nunca foi um personagem lá muito popular todos concordam, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso o fizeram, pois mesmo ele não teria submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente reformulada.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, argh!) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estes se dirigiam ao Ruína da Água.

De bronze à prata: Ichi decepcionou uma legião de fãs!

Ao final, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo que pegando o fã de longa data desprevenido com tal contexto para o personagem é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-la a uma nova geração de fãs.

TEMPO!

Mesmo passando as 6h30 da manhã de domingo no Japão, Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega rendeu uma boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e cia. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial.

Outro ponto é a trivialidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata em muitos episódios foram criados, mas mal puderam mostrar o que fazem, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos dos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzeados, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no timing correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Perdendo parte de sua vida, Shun ainda queima seu cosmo para ajudar Kouga e Ryuhou!

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão marca a história. Não é benéfico para uma história como Cavaleiros, onde os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que optou-se por fazer a história, sempre com começo meio e fim no enredo próprio do episódio, deixando um curta linha de raciocínio para o próximo episódio.

Além disso, a Toei pecou por vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto por sem ela não ser possível desfazer o funcionamento das ruínas.

A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhas com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está toda a família do cavaleiro de bronze, sua irmã Sonia e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden muitas vezes fica em cheque ao julgar as atitudes de seu pai.

Os vários flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam uma personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden busca uma constante aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, ao final das contas, formar uma família melhor que a dele, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o formado tão próximo do que é Marte.

FINAL DE TEMPORADA! FINALMENTE CAVALEIROS!

Uma característica marcante nos mangás shonens e principalmente em Os Cavaleiros do Zodíaco é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentavam, Seiya e os outros sempre tiveram a determinação necessária para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para poder, nem que fosse por um milésimo de segundo, superar e vencer o adversário.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação de personagens. Possivelmente por refletir os acomodados jovens dos anos 10 ao invés dos revolucionários dos anos 80, ou simplesmente por um erro da série, Kouga e os outros venciam, mas não por superar o adversário, mas ou por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada de episódios, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Éden de Órion era pretendido a se casar com Ária e se tornar o deus do novo mundo criado por Marte!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente da batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura de heroi num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente pode refletir o que é Os Cavaleiros do Zodíaco para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa visualmente, mas também cheia de razão de ser, pois não está atrelada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre seguir em frente, independente das quedas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram ao, somar tudo o que aconteceu com os personagens, amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir sustentar a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seu conceito sobre o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

Uma cena clássica dentro de Ômega: Ária e os cavaleiros de bronze!

RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco de Palaestra

“Sempre que as forças do mal tentam dominar a Terra, os cavaleiros de Atena surgem para protegê-la e as cortinas de uma nova Guerra Santa se abrem.” Era com essa frase que em em 1986 estreiou na TV Asahi o anime que emocionou jovens e adultos no mundo todo durantes os anos 80 e 90. Mais de duas décadas e meia depois, a mesma rede de TV japonesa estréia Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega para que novos jovens e adultos sejam apresentados através de Palaestra a um mundo de heróis e vilões, sonhos e esperanças.

SURGE UM NOVO PÉGASO

Parece que foi ontem a primeira vez que Seiya, um orfão japonês enviado ao Santuário da Grécia, sagrou-se campeão em uma disputa de mais de 100 candidatos ao título de cavaleiro de bronze de conseguiu a armadura sagrada de Pégaso vencendo o gigante Cássius.

Se para um japonês isso já faz mais de 26 anos e para o resto do mundo já quase completará duas décadas de histórias incríveis e excitantes, para as crianças da década de 2.000 isso nunca parece ter acontecido.

Rompendo fronteiras desde que começou a ser contada a sua história nas páginas da Shonen Jump, Seiya e os outros cavaleiros de bronze quebraram recordes atrás de recordes em audiência e vendas de bonecos em todo o mundo graças a um história cativante que amadurece a medida que o leitor também se desenvolve.

O novo protagonista é um misto da figura do herói oriental e ocidental.

Porém, assim como são as inúmeras Guerras Santas que Atena travou com diversos deuses por toda a história, a história do Pégaso que subiu aos céus para proteger a sua deusa passou a virar um marco distante da história, mantendo-se na mente dos fãs, mas desconhecido para o público jovem.

Conhecendo o potencial da série, diversas mídias se utilizaram da história de Seiya para gerar novos fãs e novas vendas. A animação da Saga de Hades, o filme Prólogo do Céu, as novas linhas de bonecos, os mangás Episódio G, The Lost Canvas e Next Dimension (este último escrito pelo próprio autor) sempre foram muito bem recebidos pelos fãs de longa data, mas nada que superasse o principal apelo midiático que séries como One Piece, Naruto e Bleach tiveram nos anos 2000: sua presença na TV.

Por até hoje ser uma da séries mais rentáveis da Toei Animation, o estúdio de animação tomou uma decisão inesperada no ano 2012: fazer renascer a história dos cavaleiros de Atena em uma série de tv totalmente nova e atualizada no tempo para os dias de hoje a fim de despertar a identificação com o público mais rentável de animações: as crianças. Nasceu Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega (ou Saint Seiya Ω, no original).

Souma, o cavaleiro de bronze de Leão Menor, é brasileiro!

PALAESTRA

Após uma estréia divisora de águas no segmento de animações japonesas em que a Toei fez simultâneamente uma pré-estreia em cinemas de cinco países (Brasil, França, China, Coréia do Sul e é claro, Japão) espalhados por todo o globo, o primeiro episódio refletiu muito bem o que seria toda a série: uma nova história empolgante com potencial de marcar uma geração mas que não tem uma razão de ser (leia a resenha com as primeiras impressões clicando aqui).

O tempo sempre foi um elemento curioso em Os Cavaleiros do Zodíaco. Fora a localização histórica das Guerras Santas, o ano nunca refletiu muita coisa, já que como num conto cavaleiresco europeu da época do Romantismo, o cenário e o desenvolvimento da história sempre acontece em lugares idealizados, distantes da realidade propriamente dita. Mas metáforas a parte, foi uma boa jogada de marketing fazer como Masami Kurumada, o autor do mangá original, fez nos anos 80, localizar o tempo-espaço na época presente, fazendo com que o espectador se aproxime da história, no caso de Ômega, o ano de 2012.

Além de dar a impressão que os personagens estão lutando em algum lugar do mundo enquanto o espectador assiste sua aventura, parece muito mais crível, do ponto de vista da criança, que a possibilidade de se tornar um herói aconteça com ela.

E o cenário segue a mesma premissa do tempo escolhido: para o primeiro arco não poderia ter sido outro senão um que privilegiasse uma pronta identificação do leitor, uma típica escola japonesa. Após ser sequestrada pelo vilão Marte, o novo protagonista da série, Kouga, vai com a recém herdada armadura de Pégaso para o local de treinamento dos novos cavaleiros: a escola Palaestra.

A rebelde Yuna de Águia se recusa a usar a máscara de amazona.

Fazer amigos, aprender um mundo novo, desenvolver a auto-disciplina. Uma escola ensina tudo isso e muito mais, ainda mais numa escola com alunos multiplos países, de variadas histórias e centenas de contextos sociais. E mais uma vez a Toei acertou para o seu propósito: além de deixar o violento Santuário da Grécia com uma cara de High School Musical (o mais comum entre a variada gama de animes atuais), as diversas nacionalidades dos alunos cavaleiros aproximam os especadores de todo o mundo à história de Ômega.

Se o japonês Kouga é o típico protagonista problemáticos que aprende a superar desafios numa mistura dos estilos mais performáticos dos mocinhos ocidentais e orientais, é o brasileiro Souma de Leão Menor que faz o papel de admirador nato da história dos cavaleiros e o esperançoso personagem inocênte que toda boa história deve ter.

Além do passado de cada um intervir em sua personalidade, o conflito de ideias com o restante da equipe de protagonistas vai desenvolvendo os personagens em Palaestra. A rebelde francesa Yuna de Águia (sim, uma amazona de águia igual a Marin, mas com armadura de bronze ao invés de prata) que se recusa a usar a máscara de amazona e o silencioso chinês Ryuho de Dragão, filho de Shiryu com Shunrey, vão descobrindo, junto a Kouga e Souma o quanto a vida de um cavaleiro pode ser a medida que Palaestra vai sendo tomada por Marte com o passar dos episódios.

Ryuho de Dragão é um ponto de ligação entre fãs do passado e do presente!

Em um ritmo interessante porém previsível e com formato fechado de episódios, as referências a saga original é feita de forma criativa e respeitando a obra original, com direito a um torneio de cavaleiros de bronze, onde em meio a diversos cavaleiros originais de constelações nunca antes exploradas se destaca o intrépido Éden de Órion, o favorito a ganhar o torneio e se tornar um cavaleiro de prata.

OS METEÓROS DE UMA NOVA GERAÇÃO

O primeiro arco de Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega satifaz e tem seus pontos altos. Para os fãs de longa data, sempre que as referências a série clássica são feitas, momentos de exaltação são criadas, e para os novos fãs o conhecimento de um universo rico e até então novo enche os olhos com a qualidade de animação que não se via da Toei a anos.

As mudanças estruturais e os conceitos quebrados podem incomodar os fãs de longa data mas se adaptam a nova geração e apesar da razão de ser da série ainda não estar muito clara nesses primeiros 10 episódios que contemplam o arco em Palaestra, e o vilão ainda parece muito capenga se comparado a Saga de Gêmeos, Éris, Poseidon, Abel, Hades ou outros que Seiya e os outros já enfrentaram, mas se o objetivo deste spin-off é reascender a chama da série num novo público, a Toei está fazendo um belo trabalho com a série.

O arco de Palaestra teve a função de apresentar os personagens da história.

Pegasus Fantasy – as versões de Eizo Sakamoto

Pegasus Fantasy. Bastou uma música para que Nobuo Yamada fosse considerado até hoje um dos maiores intérpretes de animesong’s de todos os tempos. A música repercutiu tanto na carreira do cantor que estimulou a diversos outros cantores de sucesso no Japão a gravar suas próprias versões de um dos temas de anime mais cultuados no Japão. Um desses cantores é Eizo Sakamoto.

Mesmo que você não conheça muito de animesong’s,já deve ter ouvido falar em Eizo Sakamoto. Isso porque o cantor foi um dos poucos cantores de Heavy Metal japonês que conseguiu se libertar das fronteiras da Ásia e ser reconhecido em todo mundo como, segundo eleição da revista BURRN! em 2008, como um dos 15 maiores vocalistas que Heavy Metal já teve no mundo.

Nascido em 26 de fevereiro de 1964, a carreira do cantor decolou nos anos 80, onde, como vocalista da banda ANTHEN, Eizo foi considerado um dos maiores expoentes do Heavy Metal japonês. Sua busca era sempre seguir uma linha heavy tradicional como principal característica. O grupo era formado inicialmente por Eizo Sakamoto (vocal), Hiroya Fukuda (guitarra), Naoto Shibata (baixo) e Takamasa Ohuchi (bateria).

Mas foi nos anos 90 que o cantor passou a se relacionar com o universo dos animesongs, quando fundou a banda Animetal.

• ANIMETAL

“Por que não misturar canções de anime com metal?”. A conceito do Animetal surgiu de uma conversa casual entre Eizo Sakamoto, Yoshio Nomura e Yorimasa Hisatake (que depois seria o produtor da nova banda do amigo).

A partir de uma idéia simples, porém inovadora, nascia o Animetal. A banda nasceu em 1996 e seguiu na ativa até 2006. Mesmo para os mais céticos, os números da banda impressionam: a banda conta com 14 álbuns, 17 singles, 6 DVDs e 13 ex-integrantes. A última (e principal) formação da banda foi Eizo Sakamoto (fundador da banda e vocalista, 1996-2010), Syu (guitarrista, 2003-2006), Masaki (baixista, 1997-2006), Katsuji (baterista, 1997-2006) e Mie (vocalista feminina “Animetal Lady”, 1997-2006).

A banda foi tão bem sucedida, que hoje em dia o nome da banda, Animetal, é comumente usado como gênero musical que transforma musicas de anime em Heavy Metal.

Pegasus Fantasy foi gravada no CD Animetal Marathon V, em 2003, mesma época que os OVA’s de Hades Chapter Sanctuary estavam sendo comercializados no Japão. Aqui o tracklist do álbum, que conta com dois discos:

1. Satsuriko no Juuika
2. Pegasus Fantasy
3. Toushi Gordian
4. Choujin Sentai Baradakku
5. Try Attack!
6. Starhingar no Uta
7. Roller Hero Mutekingu
8. Midnight Submarine
9. Yume no Funanori
10. Kinnikuman Go Fight!
11. Hoonoo no Kinnikuman
12. Tough Boy
13. Yoroshiku Turning
14. Moete Hero
15. Touch
16. The Chanbara
17. Lupin III Theme
18. Battle Fever J
19. Ah, Denshi Sentai Denji-Man
20. Taiyou Sentai Sanbarukan
21. Daisentai Googuru V
22. Chou Denshi Bio-Man
23. Choujuu Sentai Live-Man
24. Red Balon
25. Mach Balon
26. Otokono Misao-Seishun
27. Ganbalon ’77
28. Ikuzo! BD7
29. Fight! Dragon
30. Kakero Ban-Kid
31. Ryuusei Ningen Zone
32. Kamen Rider Super 1
33. Kamen Rider Black
34. Kamen Rider Black RX
35. Gyakuten Ippatsu-Man
36. Yattodeta-Man no Uta
37. Otusuke-Man no Uta
38. Zenda-Man no Uta
39. Yattaa-Man no Uta
40. Zankoku na Tenshi no Teeze
41. Tomorrow Never Dies

O CD conta com diversos sucessos de temas de animes que causaram furor no Japão. A versão deste álbum foi a primeira em que Pegasus Fantasy foi cantada em Heavy Metal. Confira a versão estúdio da música em full version junto com um vídeo criado por fãs:

Essa é considerada a melhor versão da música na voz de Eizo Sakamoto que gravou a música mais duas vezes em 2009.

• EIZO JAPAN I

Por diversas vezes Eizo Sakamoto já admitiu ser um fã inveterado de de animações japonesas. Assim, mesmo com o fim do Animetal, Eizo Sakamoto continuou sua carreira solo tanto com seu estilo Heavy Metal quanto cantando covers dos temas de seus animes favoritos. Pegasus Fantasy integrou seu primeio álbum, intitulado Eizo Japan I, dedicado a essas canções solo, sendo que a música já ganhou duas faixas. Eis o tracklist do álbum:

01. GLACIER (Instrumental)
02. Engine Sentai Go-onge
03. Pegasus Fantasy (Saint Seiya)
04. Butter-Fly (Digimon)
05. Unbalance na Kiss o Shite (Yu Yu Hakusho)
06. Turn A Turn (Turn A Gundam)
07. Geki! Teikoku Kagekidan (Sakura Wars)
08. Kimi o Nosete (Laputa Castle in the Sky)
09. DELUGE (Instrumental)
10. Dengeki Sentai Changeman
11. Aiai Mikochan (Norakuro)
12. Kioku no Umi (School Days)
13. Hana – Shinomori Aoshi no Theme (Rurouni Kenshin)
14. Towa no Mirai (Rurouni Kenshin)
15. Pegasus Fantasy Acoustic Version (Saint Seiya)

A faixa 03 conta com uma releitura da primeira versão do Animetal, com algumas alterações de Eizo, o que deixam a música muito original.

O primeiro minuto da música é o refrão da Pegasus Fantasy clássica em formato music box (caixinha de música). Especula-se que essa introdução foi colocada na música em homenagem ao filho de Eizo, já que o cantor declarou uma vez que cantava Pegasus Fantasy e Butterfly (tema de abertura de Digimon Adventures) como canção de ninar ao seu garoto.

A música segue com um instrumental pesado, com forte presença da bateria e do vozeirão de Eizo, com direitos a muitos gritos metálicos. A música assusta o início, já que é bem mais agressiva que todas as versões (seja do Make-Up ou do Animetal) que a precederam. Mas a música se mostra muito interessante a medida que avança, principalmente pelos dois solos de guitarra (bem diferente do composto por Hiroaki Matsuzawa) e pelo coral metálico que acompanha Eizo em alguns pontos da música e que ainda garantem um solo quase no final, que é finalizada com mais alguns segundos do Music Box do início da música.

A faixa 15 (última do CD), foi intitulada de Acoustic Version, mas caberia mais que fosse chamada de Latina Version. Isso porque Eizo se utilizou de diversos sons e instrumentos que resultaram num tom que muito lembra os arranjos de músicas hispânicas e sul-americanas.

Especula-se que esse som latino não é mera coincidência. Desde que Eizo se apresentou no Anime Friends 2004, o cantor passou a visitar a América Latina com muita frequência, sendo sempre muito bem recebido. Em retribuição a hospitalidade e ao carinho desse público, acredita-se que essa acoustic version seja uma homanagem que o cantor fez ao nosso povo. Acompanhe:

Próxima postagem: as versões dos integrantes do JAM Projec

 

Pegasus Fantasy – As versões na voz de Nobuo Yamada

Após a pausa nos posts sobre a Pegasus Fantasy, graças ao mega-hit lançado pelo JAM Project em português, é hora de retomar o projeto. No post de hoje veremos todas as versões regravadas realizadas pela banda MAKE-UP e pelo vocalista da banda, Nobuo Yamada, em sua carreira solo.

Quando uma música marca uma geração, não interessa qual é a sua origem. A banda Make-Up, apesar de ter anos de carreira antes de interpretar Pegasus Fantasy e as demais músicas para Saint Seiya, consagrou-se para sempre num nicho gigante de fãs graças a essas músicas.

Assim, a banda teve a oportunidade de regravar Pegasus Fantasy e Blue Forever em duas ocasiões. A primeira em 1996 e a segunda apenas em 2009.

• CD Make-Up – Saint Seiya 1996 Song Collection

No fim dos anos 80, o Make-Up  comçou a passar por uma crise. Com a ascensão de uma variada gama de bandas que tocavam um estilo de músicas que o próprio Make-Up ajudou a construir, a banda começou a perder espaço na mídia, nas rádios e perder a força diante das grandes massas, sendo seguida apenas por uma pequena leva de fãs.

Nos anos 90, com as baixas vendas do álbum Rock Joint Bazzar, o fim da banda parecia próximo. Porém, o fim da banda aconteceu apenas em 1996.

Como um último suspiro, a banda ainda aceitou gravar naquele ano o CD Saint Seiya 1996 Song Collection, idealizado pela gravado SM Records para comemorar uma década do nascimento de Saint Seiya. O disco foi lançado em 20 de março de 1996. Segue o tracklist:

01 – Only For Love (05:47)
02 – Where Do We Go? (04:22)
03 – Love Is Forever (04:24)
04 – Sayonara Warriors (06:08)
05 – Try Again (04:31)
06 – Hello (04:16)
07 – Never Give Up Boys (04:52)
08 – You Need Love (05:26)
09 – Pegasus Genso ~Pegasus Fantasy~ (03:41)
10 – Eien Blue ~Blue Forever~ (06:13)

No álbum são apresentadas novas canções do grupo inspiradas na primeira fase das aventuras dos defensores de Atena, ou seja, da Guerra Galáctica até o fim das batalhas nas 12 Casas. De quebra, foram regravados os temas originais de encerramento, Blue Forever, e, é claro, o tema de abertura, Pegasus Fantasy.

Apesar de seguir praticamente a risca o arranjo original da música, a versão de 1996 de Pegasus Fantasy é muito mais “clean“, com o instrumental muito mais limpo e sem os efeitos sonoros dos anos 80. A música ainda apresenta uma firula no último refrão que até hoje é utilizada por bandas cover de animesongs.

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• Single Make-Up – Pegasus Fantasy 2009 version

Pegasus Fantasy. Não precisou de muito para que o Make-Up fosse consagrado para sempre como uma das melhores bandas de animesong’s de todos os tempos, bastou uma música. Tanto, que mesmo após quase uma década do fim da banda, ela foi escalada pela Toei Animation em 2004 para interpretar a música tema do filme Prólogo do Céu, filme que daria início a uma nova saga inédita dos defensores de Atena.

Apesar de dúvidas se isso seria saudável para a carreira solo dos ex-integrantes da banda (na época, Nobuo Yamada estava cantando solo com o nome NoB e Hiroaki Matsuzawa tocando junto com a banda JAM Project), a banda renasceu das cinzas, gravou o tema do filme e fez uma mega turnê pelo Japão comemorando o seu retorno.

A turnê e a recepção do público foi tão intensa que estimulou os integrantes da banda a extender o retorno do Make-Up, realizando turnês regulares pelo Japão durante todos os anos seguintes a gravação da música do filme Prólogo do Céu, rendendo ainda em 2004 um álbum novo, Memories of Blue.

Assim, para comemorar 5 anos da volta da banda ao cenário do J-Rock, a banda gravou em 2009 o single MAKE-UP Pegasus Genso – Ein Blue -Blue Forever- que como o próprio nome diz, traz novas versões das músicas Pegasus Fantasy e Blue Forever. Lançado em 07.01.2009, este single foi apenas vendido durante o shows da banda durante a turnê de 2009, sendo, sendo apesar de recente, um dos mais dificeis de se conseguir. Segue o tracklist:

01 – Pegasus Genso ~Pegasus Fantasy~ (03:49)
02 – Eien Blue ~Blue Forever~ (04:28)

Diferente da versão de 1996, essa versão é inovadora e traz grandes novidades para a música. Se em 1996 a versão da música foi mais limpa, previlegiando o som dos instrumentos, essa versão traz diversos efeitos sonoros digitais, ecos e sons que fazem referência ao animê. Apesar de tudo isso, é o tom de voz de Nobuo Yamada, agora muito mais maduro, que é o grande diferencial dessa versão, já que o cantor utiliza diversas estratégias de voz para fazer de cada verso algo novo de se escutar.

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• CD Dr. Metal Factory – Cover Metal Then

Cantor que é cantor nunca se contenta com o que já tem e busca sempre inovar com seu potencial vocálico. Foi pensando assim que Nobuo Yamada iniciou em 2009 um novo projeto em sua carreira em 2009. Junto com Shara, guitarrista da banda Earthshaker, Nobuo criou a banda Dr. Metal Factory, uma banda que transfoma hits do J-Pop em músicas no estilo Heavy Metal.

Logo em seu ano de estréia, a banda lançou 2 álbuns, Cover Metal Now (lançado em 24.06.2009) e Cover Metal Then (lançado em 29.07.2009). Esse segundo álbum incluí uma nova versão de Pegasus Fantasy. Provavelmente a música foi incluída para divulgar a nova banda de Nobuo pelo mundo, visto que novas versões da música em questão sempre repercuti por todo o globo. Segue a tracklist com uma livre tradução dos títulos:

01. 恋しさとせつなさと心強さと (Amor e tristeza)
02. M
03. ラブストーリーは突然に (De repente uma história de amor)
04. もう恋なんてしない (Eu nunca vou cair de novo)
05. SAY YES
06. 島唄 (Shimauta)
07. 君がいるだけで (Apenas você é)
08. 最後の言い訳 (A última desculpa)
09. I LOVE YOU
10. ペガサス幻想 (Pegasus Fantasy)

Esta versão é fora de série. Tanto a parte instrumental quanto o vocal inovaram a maneira como um fã de Saint Seiya encara a Pegasus Fantasy. O arranjo épico, os instrumentos em sintonia e o vocal heavy metal que só Nobuo Yamada sabe fazer combinaram de uma maneira que só possível de entender ao ouvir a música. A banda ainda criou um videoclip para a música, o primeiro que uma versão de Pegasus Fantasy já teve.

Próxima postagem: as versões de Eizo Sakamoto

Pegasus Fantasy – A música pelo mundo

Dando sequência a série de postagens em homenagem a Hiroaki Matsuzawa e contando um pouco da história de Pegasus Fantasy, sua composição mais executada no mundo, chegamos a segunda parte. Composta basicamente de videos, essa postagem vai contar um pouco de como foi a recepção da música pelo mundo quando Saint Seiya foi exportado para ser exibido em outros países.

Pegasus Fantasy não é apenas um fenômeno no Brasil, onde é considerada o hino do fãs de animação japonesa (otakus), mas em todo o mundo. A música foi adaptada para diversos países na língua local onde Saint Seiya foi exibido, onde também ganhou diversas versões de fãs da série. Aqui estão organizadas as princiais versões internacionais da composição original.

França

Se Saint Seiya é um sucesso internacional, devemos hoje agradecer isso à França. O país começou a transmitir o anime antes de ele ser encerrado no Japão, logo no ano de 1988, onde inspira até hoje diversas séries, fan-arts, fan-fics e, até fan-videos. No país, o anime foi rebatizado para Les Chaveliers du Zodiaque – nome que o acompanharia em todas as outras traduções ao redor do globo.

Porém, assim como o nome do anime, a França também criou outro video e tema de abertura que levava o mesmo nome local da série (clique aqui para conferir) que ganhou até mesmo uma versão full, tamanho o sucesso do anime no país.  Isso deixou o tema original desconhecido do público por muitos anos.

Mesmo quando a série foi lançada em DVD nas terras de Napoleão, uma versão francesa da música não foi produzida. Inclusive, a série foi lançada como Saint Seiya e também não continha a música clássica que passava na TV nos anos 80 e 90. Isso não impediu que fãs franceses produzissem uma versão para a música. Confira:

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Itália

Históricamente, a Itália sempre teve uma relação de disputa com os franceses, seja em guerras mundiais ou em Guerras Galácticas. Assim, quando o anime foi para a Itália, um novo tema de abertura foi criado, do mesmo jeito, a música tem o mesmo nome que a série recebeu no país Il Cavalieri dello Zodiaco.

A abertura original da Itália criada nos anos 90 (assita aqui) tem um ritmo bem original e mesmo hoje poderia ser utilizado na TV que teria uma aceitação muito grande do público. Porém, em épocas em que o mundo é uma aldeia globalizada, os fãs querem mais e felizmente os produtores italianos atenderam.

Quando foi exibida novamente na TV no anos 2000, foi produzida uma nova abertura, desta vez adaptando a Pegasus Fantasy, como os fãs queriam. O resultado foi uma das melhores adaptações já realizadas da música, a única, inclusive, que contou com um arranjo original (não utilizando o karaokê japonês) e substituindo o Saint Seiya presente na versão original por Cavalieri:

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Espanha

Entre 1990 e 1993, Saint Seiya foi levado aos mais diversos países asiáticos e latinos, os primeiros por influência nipônica e os segundos por influência do sucesso recorrente na França.

A Espanha foi um dos paíse que mais cultuou o anime em suas terras. Ainda hoje, junto do Brasil, é o país que mais rápido importa os novos episódios produzidos da série. Porém, seguindo a tendência da abertura francesa, em sua primeira exibição no país, foi adaptada a abertura francesa para a língua local, com o mesmo nome que a séri recebeu no país Los Caballeros Del Zodiaco.

Porém, nos anos 2000, quando a empresa Selecta Vision lançou os episódios da saga de Hades no país, foi criada uma versão espanhola para o tema original da série, cantada pelo fã Joaquin Paz, que por vezes já havia produzido músicas “genéricas” dos temas originais da série. Confira abaixo o tema e, de quebra, confira a abertura espanhola de Chikyuugi, tema da saga de Hades, cantada por Helena Collado

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América Latina

A América Latina recebeu Saint Seiya muito próxima da Espanha no início dos anos 90, sendo México, Peru, Panamá, Costa Rica, El Salvador, Colômbia, Chile e Argentina os primeiros países a ter contato com a série por essas bandas. O tema de abertura e a dublagem, inclusive, foi o mesmo usado na Espanha, já que o distribuidor era o mesmo.

Os países sulamericanos de língua espanhola só ganharam sua versão da música nos anos 2000 (antes da Espanha, inclusive), quando a Towers Entertaiment licenciou a série para exibição na TV e lançamento em DVD.

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Brasil

Saint Seiya chegou ao Brasil em 1994, sendo um dos últimos países da América Latina a receber o anime. Com uma exibição despreneciosa na Rede Manchete, os guerreiros de Atena conquistaram a audiência e se tornou um dos grandes fenômenos culturais dos país nos anos 90.

A dublagem no Brasil foi realizada com base na dublagem latina, assim, o tema de abertura também foi adaptado desta versão. Diferente dos outros países, no Brasil o tema de abertura recebeu um título diferente do nome local da série, Os Cavaleiros o Zodíaco, sendo batizada de Os Guardiões do Universo (clique aqui para ouvir).

Assim como a maioria dos países, Pegasus Fantasy só foi adaptada para o português do Brasil nos anos 2000, mais precisamente em 2004, quando a série retornou ao país pela Angelloti Licensing. Com o apoio dos fãs e do site CavZodiaco, o vocalista da banda Angra, Edu Falaschi, foi o intérprete escolhido da canção, que segue hoje como uma das melhores animesong’s já adaptadas para o português de todos os tempos:

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Outras adaptações

Para finalizar, trago uma série de videos com mais adaptações da música pelo mundo. Na relação há adaptações oficiais de países asiáticos e versões em outras línguas feitas po fãs:

• Música em inglês adaptada pela banda italiana Highlord, já que quando foi exibido nos EUA, Saint Seiya teve como tema de abertura a música I Ran, da banda Bowling For Soup:

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• Música cantada pela banda francesa SaintSeiyaLoveYou. A música pouco tem a ver com a Pegasus Fantasy, não chegando a ser uma adaptação, mas nitidamente ela tem vários elementos da música original:

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• Música em alemão adaptadas por fãs da Alemanha. O vocal é feminino, um diferencial de todas as outras versões.

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• Abertura oficial da China

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• Abertura oficial da Coréia do Sul:

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• Montagem da música misturando as adaptações em seis línguas: inglês, italiano, sul-coreano, espanhol (América do Sul), português (Brasil) e japonês.

Próxima postagem: novas versões da música feitas pelo Make-Up

Pegasus Fantasy – Nasce uma lenda

Com a enorme perda do falecimento de Hiroaki Matsuzawa no fim de 2010, fiquei pensando em diversas maneiras de homenagear este ícone da música japonesa e ao mesmo tempo levar algo de novo para o leitores do blog. Assim, surgiu a idéia de criar uma série de posts contando um pouco da história da composição do autor que mais repercutiu pelo mundo: nada mais, nada menos que a abertura de Os Cavaleiros do Zodíaco, Pegasus Fantasy.

O anime

A produção da animação de Os Cavaleiros do Zodíaco nos anos 80 foi guiada pela força de diversas forças que contribuiram para o seu sucesso. Com o potencial de vendas de bonecos com amaduras de metal vislumbradas pela Bandai nos quadrinhos de Masami Kurumada e com a Toei Animation interessada em produzir o anime (c0m o traço de Shingo Araki e Michi Himeno, trilha sonora de Seiji Yokoyama e direção de Kozo Morishita), faltava apenas uma peça do quebra-cabeça para gerar o sucesso gerado pelos seus idealizadores: os temas de abertura e encerramento.

Antes do anime ir para a TV, já estava tudo arranjado, so faltava o tema de abertura.

Nos anos 80, o rock ‘n roll japonês começava a sair de suas fronteiras e atingir o público ocidental, trazendo com ele novidades que influenciariam tanto o visual de novas bandas, como seu som mais pesado. Um dos ícones dos anos 70 e 80 desse gênero, foi a banda MAKE-UP, formada em1977, por Nobuo Yamada (Vocalista), Hiroaki Matsuzawa (Guitarrista), Yougo Kouno (Tecladista), Yasuyoshi Ikeda (Baixista) e Yoshihiro Toyokawa (Baterista).

A banda estourou no Japão rapidamente logo após a sua formação, já tendo 6 álbuns lançados em 1986. Além de ter caído no gosto do público e da crítiica, a banda ainda foi uma das responsáveis por iniciar a construção do gênero hoje conhecido como j-rock. Confira abaixo um video com a banda cantando Love & Hate nos anos 80:

Para se aproveitar de uma tendência que vinha crescendo no mercado de discos, os produtores da Toei Animation convidaram Nobuo Yamada e a banda Make-up para compor e interpretar as músicas de abertura e encerramento de Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya, originalmente).

Como era de praxe na banda, a composição ficou a cargo de Hiroaki Matsuzawa, membro fundador (junto de Nobuo Yamada), guitarrista e autor da grande maioria da músicas da banda. Porém, a história do mangá ainda estava em desenvolvimento, já que a animação começou a ser produzida logo após o início do mangá em 1986, por isso as canções desenvolvidas buscaram ressaltar apenas enredo básico do mangá de Masami Kurumada, utilizando as constelações, lutas com armaduras, mitologia grega e os sonhos de um garoto como inspiração para a criação da letra da música. Surgia então a Pegasus Fantasy.

A letra

• PEGASUS FANTASY

Dakishimeta kokoro no kosumo
Atsuku moyase kiseki wo okose
Kizutsuita mama ja inai to
Chikai atta haruka na ginga

Pegasus fantasy sou sa yume dake wa
Daremo mo ubaenai kokoro no tsubasa dakara
Saint seiya! shounen wa minna
Saint seiya! ashita no yuusha, Oyeh!
Saint seiya! pegasus no you ni
Saint seiya! ima koso habatake

Dokomademo kagayaku sora ni
Omae dake no seiza wo mezase
Sono hi made makerarenai sa
Inochi kakete idonda battle

Pegasus fantasy! dare mo ga yume miru
Jiyuu to iu tsubasa hiroge kakete yuke
Saint seiya! shounen wa minna
Saint seiya! kodoku na senshi, Oyeh!
Saint seiya! pegasus no you ni
Saint seiya! ima koso habatake

Pegasus fantasy sou sa yume dake wa
Daremo mo ubaenai kokoro no tsubasa dakara
Saint seiya! shounen wa minna
Saint seiya! ashita no yuusha
Saint seiya! pegasus no you ni
Saint seiya! ima koso habatake

Nobuo Yamada é o vocal de Pegasus Fantasy e Hiroaki Matsuzawa, o guitarrista e compositor.

A tradução

• FANTASIA DE PÉGASUS

Queime meu cosmo que vem do coração
E faça milagres acontecerem
Você jurou jamais ser ferido
Cada um na sua constelação

Fantasia de pégasus, são sonhos?
Pois são as asas do seu coração
Saint Seiya são todos jovens
Saint Seiya heróis do amanhã
Saint Seiya como pégaso
Saint Seiya agora, abra suas asas!

No brilho do céu, só preste atenção nas estrelas
Que formam a constelação
Até esse dia não podemos ser derrotados
Na batalha onde arriscamos nossas vidas

Saint Seiya são todos jovens
Pois são as asas do seu coração
Saint Seiya são todos jovens
Saint Seiya heróis do amanhã
Saint Seiya como pégaso
Saint Seiya agora, abra suas asas!

Fantasia de pégasus, são sonhos?
Pois são as asas do seu coração
Saint Seiya são todos jovens
Saint Seiya heróis do amanhã
Saint Seiya como pégaso
Saint Seiya agora, abra suas asas!

E o resultado final

Assim como o Make-Up teve de criar uma letra não muito aprofundada da história do anime, a Toei Animation criou um video que apenas sondasse o que há por trás da história que seria contada. Nele, é mostrado Seiya e os outros nove cavaleiros de bronze que lutaram na Guerra Galáctica (primeiro arco da história) em batalhas genéricas contra guerreiros rasos do Santuário, algumas demonstrações de força do protagonista e algumas sequências com personagens e vilões que até então já tinham dado as caras no mangá.

Tanto a música como o video foram bem recebidos pelo público e até hoje é um dos grandes ícones de Os Cavaleiros do Zodíaco. Talvéz, se a letra tivesse se aprofundado demais na historia, ela não se tornaria tão marcante quanto é para os fãs da série, já que são as metáforas e as demais figuras de linguagem presentes na músia que a tornaram tão original no mundo dos animesong’s.

Outro diferencial da música é o seu solo de guitarra, admirada por muitos como o melhor solo de um animesong já produzido. O autor deste solo também é o importal Hiroaki Matsuzawa, que mesmo num animesong pode marcar muito bem o estilo j-rock que estava se desenvolvendo no Japão nos anos 80.

Pegasus Fantasy é um marco não só para o Make-Up, que viu uma de suas composições sendo executadas todos os dias na TV, mas também para história dos animesongs. Pela primeira vez, um gênero tão popular como o J-rock foi levado para uma animação, atraindo tanto os fãs do gênro musical para assistir a produção como levando os espectadores do desenho animado para o gênero da música. Assim, Pegasus Fantasy marca o amadurecimento de um gênero e a multipluralidade do público-alvo de animação japonesa conseguida por Saint Seiya.

Voando nas asas do Pégaso

O Make-Up não apenas gravou a abertura do anime, mas também seu encerramento e diversas outras músicas ao longo da primeira saga do anime. Isso gerou dois discos gravados pela Columbia Records apenas com as músicas que a banda fez para a animação, Saint Seiya Hits I e Saint Seiya Hits II. Em ambos os discos, a banda contou com a participação da cantora Mitsuko Horie (considerada a rainha dos animesong’s e esposa de Ichiro Mizuki) que chegou a cantar junto com a banda a música Friends in the Sky:

1. Pegasus Fantasy
2. Can’t Say Good Bye
3. Friends in the Sky
4. Love Fighter
5. Final Soldier
6. Remember
7. I Am Fight
8. Beautiful
9. Stardust Way
10. Blue Forever

1. Overture
2. Diamond Dust
3. Golden Heart
4. Lullaby
5. Stop the Fate
6. Nebula Chain
7. You Are Phoenix
8. Dragon Blood
9. We’re Fearless Warriors
10. Termination

Pegasus Fantasy Full

Diferente do Brasil, onde as músicas são apenas adaptadas de suas vesões originais, rendendo pouco tempo de música, as músicas de anime no Japão são produzidas “cheias”, ou seja, geralmente com mais de três minutos, com conteúdo bem maior do que aquele que é editado para a versão de 1 minuto e meio da TV. Assim, para finalizar a primeira parte do artigo sobre a Pegasus Fantasy, nada melhor que ouvi-la em sua versão cheia:

> Próximo post: Pegasus Fantasy e suas versões pelo mundo.

Falece Hiroaki Matsuzawa, guitarrista e compositor de “Pegasus Fantasy”

É com muita dor que escrevo esta postagem.

Faleceu neste última dia 18 de novembro, no Japão, aos 50 anos, vítima de infarto no miocárdio, o grande músico Hiroaki Matsuzawa, um dos maiores guitarristas da história do Japão. O artista é o compositor das maiorias das músicas da banda Make-Up, uma das bandas mais significativas do cenário do j-rock nos anos 70 e 80.

Líder da banda Make-Up, Matsuzawa ainda compôs um dos temas de animação de maior sucesso de todos os tempos, Pegasus Fantasy, maior hit d’Os Cavaleiros do Zodíaco, cantada por Nobuo Yamada, além de ser o guitarrista que toca o solo da música.

Novembro é o mês que fariam 2 anos da volta do Make-Up ao cenário do j-rock japonês. Neste curto tempo, eles lançaram um single e um mini-álbum, “The Voice From Yesterday“.

Além de Nobuo Yamada (NoB) como vocalista e Matsuzawa nas guitarras, o MAKE-UP ainda tinha Yohgo Konno nos teclados, Yasuoyoshi Ikeda no baixo e Yoshihiro Toyokawa na bateria. Nenhum dos  membros do MAKE-UP se manifestou oficialmente ainda sobre o falecimento de Matsuzawa

Com certeza, suas músicas e composições marcaram toda uma geração, no Japão e no Mundo, e a cada vez que forem executadas, homenagearão a genialidade e o talento do músico.

Descanse em paz, Matsuzawa-san.