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RESENHA: Naruto Shippuden, a saga de Pain

Medo e apreensão. Curiosidade e estagnação. Desde que a humanidade se entende ser vivente, a morte foi alvo das mais variadas abordagens ideológicas e psicológicas. Durante a Saga de Pain, a morte é vista em vários pontos de vista, de diversas maneiras em Naruto Shippuden.

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E SAGA MOSTRA PRA QUE VEIO

Após duas sagas introdutórias, Naruto Shippuden finalmente começou a delinear o seu conceito e desenvolver uma história que havia ficado estagnada. Necessária e surpreendente, o Resgate do Kazekage (leia a resenha aqui) foi essencial para mostrar o crescimento de Sakura e o amadurecimento de Naruto, porém, o Reencontro com Sasuke (leia a resenha aqui) deixou na série um quê parecido com o conceito do personagem Orochimaru: interessante, mas que parece se limitar a encontros esperados pelos leitores, deixando conclusões de lado.

Assim, mesmo aparentemente sem ter noção disto, quando Masashi Kishimoto iniciou o terceiro arco de Naruto Shipudden com um treinamento de Naruto, o autor acabou gerando uma saga com três arcos que se completam entre si e finalizam uma abordagem interessante do amadurecimento pretendido aos protagonistas: como encarar a morte.

Pain e Konan, um passado sofrido que criou uma equipe audaciosa!

Pain e Konan, um passado sofrido que criou uma equipe audaciosa!

Mesmo que o personagem título desta saga faça a sua revelação apenas no segundo arco e sua ação apenas no terceiro, sua influência na temática da saga já começa no primeiro arco, visto que, como líder da Akatsuki, Pain declara os objetivos da organização em dominar o mundo com o poder da entidade máxima conseguida com o poder dos 9 monstros de cauda selados que a organização começou a colher deste a saga do Resgate do Kazekage.

PRIMEIRO ARCO: SHIKAMARU E AZUMA

O que caracteriza os três arcos como uma só saga é a temática que liga todas, além da presença influenciadora de Pain? A morte.

A história inicia-se quando Pain manda Hidan e Kazuku para invadir a Vila da Folha. Hidan foi voluntário de um kinjutsu, experiências que as pessoas de sua religião faziam. Nesse kinjutsu, Hidan ganhou imortalidade. O seu principal jutsu, só é possível por causa de sua imortalidade.

Ele usa a foice de três gumes que ele carrega, para tirar sangue do adversário. Depois ele ingere o sangue, e faz um símbolo no chão, e quando entra nele, todos os golpes que ele recebe, seu adversário também recebe. Então ele usa sua imortalidade dando golpes fatais em si mesmo, e matando o adversário. Com esse jutsu ele matou Asuma Sarutobi, o primeiro a digladiar a dupla quando estes chegaram à Vila.

Shikamaru chora a morte de Asuma.

Shikamaru chora a morte de Asuma.

Provocando a fúria de Shikamaru, que via Asuma como um exemplo de líder, confiança e fraternidade, o personagem mais uma vez assume o protagonismo da série montando uma estratégia se utilizando das equipes 7 e 8 para vencerem os ninjas da Akatsuki, ficando com ele o objetivo final de vencer Hidan.

Já Kakuzu tem uma técnica de estender sua vida. Com isso ele teve uma vida excepcionalmente longa. É tão velho que lutou contra o Primeiro Hokage. Na verdade, isso foi uma missão dada a ele pela Vila da Cachoeira, mas como falhou, foi punido e preso. Ao fugir da prisão, ele conseguiu essa técnica. Ele aumente sua vida, ao roubar o coração das pessoas, usando os inúmeros fios pretos de seu jutsu. Somado ao coração dele, o máximo de corações que ele pode ter, é cinco, tendo cinco vidas. Ou seja, teriam que matá-lo cinco vezes para poderem vencê-lo. E além disso cada um dos corações pode lutar a seu favor como um ninja distinto, e cada um dos corações com seu elemento.

Na luta contra os ninjas de Konoha, Kakuzu tem seus cinco corações destruídos. O primeiro é vítima do Chidori de Kakashi. O segundo é vítima do jutsu de Hidan, que o mata acidentalmente. O terceiro e o quarto são vítimas de um único jutsu de Naruto, o Rasen Shuriken. O último é morto também por Kakashi.

O trabalho em equipe vence a imortalidade da Akatsuki!

O trabalho em equipe vence a imortalidade da Akatsuki!

O contraponto é interessante: enquanto os vilões dominam a imortalidade, os heróis lutam para proteger a vida, mas ainda assim tendo que matar os inimigos, acabando com sua vida eterna.

SEGUNDO ARCO: JIRAIYA E PAIN, SASUKE E ITACHI

O segundo arco começa com uma ideia interessante da quebra de paradigma que sofrem um shonens: ir direto ao chefe final antes de passar por todos os componentes de antagonistas.

Cabendo a Jiraiya a missão de ir até o líder da Akatsuki, o ninja sennin invade o País da Água, descobrindo que o Mizukage é Pain.

Devido às suas condições geográficas, o pequeno País da Água sempre foi o mais prejudicado com as guerras ninja, já que este sempre acaba sendo palco das disputas dos países da Terra, Ar e Fogo, o que levou o país a se fechar comercialmente, pouco enviar ninjas a encontros diplomáticos com Exames Chunins e estar em constante guerra civil.

Num palco de mortes, o passado de Jiraiya é contado mostrando a origem de Pain.

Jiraiya é obrigado a utilizar seu poder máximo contra Pain!

Jiraiya é obrigado a utilizar seu poder máximo contra Pain!

O ser chamado de Pain são seis corpos que compartilham da mesma consciência, sendo todos controlados por Nagato Uzumaki. Quando pequeno, Nagato foi treinado por ninguém menos que Jiraiya, o sennin do sapo. Seus companheiros de equipe eram os também orfãos Yahiko e Konan, todos membros do grupo de mercenários Ame. Nagato carregava em seus olhos o poder do maior entre os doujutsu oculares, o Rinnegan, uma técnica ocular única, originalmente usada pelo Eremita dos Seis Caminhos: um misto de lenda, religião e história que dá origem ao mundo ninja.

Isso lhe permitiu aprender as mais diversas técnicas, dos mais diversos elementos. Com a saída de Jiraiya do time (que voltara ao País da Folha), Yahiko criou a Akatsuki, um grupo de ninjas mercenários, para assim, um dia ter chances de matar Hanzo, o líder opressivo de Ame. Ao confrontar diretamente Hanzo, Yahiko é morto. Daí Nagato usa ferozmente o Rinnegan, e mataria Hanzo, não fosse a técnica de teletransporte. Nagato, então, transforma o corpo do melhor amigo, Yahiko, em Pain (do inglês: Dor). Nagato também usa mais cinco corpos de ninjas mortos, e junto a Yahiko, formando assim os Seis Caminhos de Pain, ou Seis Caminhos da Dor. Com isso, Pain derrota toda a Ame, inclusive Hanzo.

De volta ao presente, em uma luta dramática e cheia de lembranças difusas e mal interpretadas, Pain vence Jiraiya, que cai morto em uma das cenas mais polêmicas da série. Kishimoto foi inteligente em não deixar claro tal perda de personagem, tanto pelo quão querido Jiraiya sempre foi, como por incentivar fãs a criarem diversas teorias justificando (ou não) a sua morte para o enredo geral.

Seis! Nagato é Pain!

Seis! Nagato é Pain!

Ao mesmo tempo que acontece o combate entre Jiraya e Pain, o arco conta uma das mais dramáticas e esperadas disputas da história: a luta entre os irmãos Sasuke e Itachi Uchiha.

Acontecendo logo após Sasuke matar Orochimaru para absorver seu poder e vencido Deidara para chegar ao local de repouso do irmão, a luta se inicia com um choque de genjutsus. A disputa tem diversos confrontos psicológicos que podem ser interpretados como características das suas personalidades intimamente ligadas à questão da morte, cada uma desenvolvida de acordo com o histórico amplamente explorados personagens ao longo da história.

Utilizando suas técnicas máximas, ambos Uchihas se revelam grandiosos, porém Sasuke sagra-se vencedor, devido aos problemas físicos por qual passava Itachi que decidira utilizar o Mangekyou Sharingan (técnica suprema da herança sanguínea da família Uchiha que consome a vida do usuário). O fato que ser vencido pelo irmão, faz Sasuke ser aprovado no teste final de Itachi, em sua última etapa de treinamento.

Itachi morre com um sorriso!

Itachi morre com um sorriso!

Confuso? Parece, mas nem tanto. Após a luta dos irmãos, Tobi aparece para contar a verdade por trás da morte do clã Uchiha, mostrando que Itachi não era o traidor da Vila da Folha que todos pensavam ser, tendo sua causa ligada aos princípios da fundação da Vila da Folha: Itachi realizou o massacre (com a ajuda de Tobi) sobre as ordens dos conselheiros da Vila da Folha (encabeçado pelo líder dos Uchiha, Madara) para prevenir um golpe de estado dos Uchiha. O único poupado foi Sasuke porque Itachi amava mais seu irmão do que o clã ou a vila.

Os eventos deste confrontam aumentam ainda mais a popularidade de Itachi, que se tornou o grande mártir da história, além de provocar a ira de Sasuke, que culpou a Vila da Folha por tramas e disputas tão obscuras e danosas a ele mesmo.

Refletindo seu orgulho e egoísmo, Sasuke e sua equipe formada para ir ao encontro de Itachi começam a planejar a destruição de toda a comunidade ninja do País do Fogo se aliando à Akatsuki.

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TERCEIRO: NARUTO E PAIN

É interessante notar como nos dois primeiros arcos da saga, a presença do personagem Naruto permanece irrelevante para seu desenvolvimento, tendo suas participações limitadas a um treinamento com Yamato e, posteriormente, a investigações com Shikamaru sobre as pistas deixadas por Jiraiya após este ser morto por Pain.

Num misto de fúria, desejo de vingança e honra ao seu mestre, Naruto amadurece muito quando foi colocado novamente como protagonista de sua história, no momento em que foi enfrentar Pain, que tentou destruir todos o seu emocional com eventos chocantes durante todo o terceiro arco da saga.

Motivado por Tobi, Pain invade a Vila da Folha com Konan para capturar Naruto, em teoria o último dos portadores dos seres com cauda que resta, visto que coube a equipe de Sasuke capturar o Oito Caudas (um ninja da Vila do Trovão) como prova de lealdade do grupo à Akatsuki.

Durante a invasão, a vila toda é dominada, grande parte é destruida, Tsunade entra em coma por utilizar todo seu chacra sennin e uma série de mortes provocativas á Naruto acontecem: Pain mata Kakashi e Hinata, esta última logo após a garota se declarar à Naruto já ciente que estava prestes a morrer.

Naruto ativa o modo sennin!

Naruto ativa o modo sennin!

Mostrando uma maturidade invejável a qualquer Luffy e Goku, Naruto mostra todo o resultado de seu treinamento vencendo os seis Pains utilizando o modo Sennin (o mesmo de Jiraiya).

Porém o destaque total para justificar o logro de despertar um poder tão próximo ao do sábio ermitão, Naruto vai até Nagato e pede para o personagem explicar todas as suas motivações para matar e se vingar de tanta gente.

Mesmo não concordando, Naruto se mostra um personagem de grandiosa humanidade, capaz de superar a morte, uma analogia a verdadeira imortalidade procurada pelos membros da Akatsuki e perdoa Pain.

Isso comove o personagem, que ao lembrar de Jiraiya, usa os poderes do Rinnegan para sacrificar sua vida e  reverter todas as morte que ocorreram durante a invasão a Vila da Folha.

PREPARATIVOS

A Saga de Pain reflete muito mais que uma temática bem desenvolvida, um enredo bem construído e a utilização reveladora de seus personagens: é o resultado da criatividade inventiva ímpar de Masashi Kishimoto, que uniu em três arcos uma temática interessante para qualquer povo em qualquer época e em qualquer estado.

O novo Rasengan é devastador!

O novo Rasengan é devastador!

Mesmo a franquia Naruto tendo diversos momentos sem foco e obtusos (como a Saga do Quarteto do Som, leia resenha aqui) ou mesmo planejada com objetivos infinitamente comerciais, sagas grandiosas como esta mostra o quão ascendente, imersivo e reflexivo um best-seller pode se tornar se a sua base é composta do que mais motivou a humanidade desde que esta abriu os olhos pela primeira vez: a paixão em viver!

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RESENHA: Ressaca Friends 2013 – 10º aniversário com o show da banda Flow!

Quem poderia adivinhar que a edição de 10 anos do Anime Friends (leia a resenha aqui) traria uma surpresa que deixaria os fãs em tamanha euforia para o último evento de cultura pop do ano? Após quase 6 meses de espera, finalmente os fãs puderam curtir o Ressaca Friends 2013 com um incrível show do Flow!Ressaca

RESSACA FRIENDS 2013

Se o Ressaca Friends voltar a ser realizado na Universidade Cruzeiro do Sul em sua edição de 10 anos já foi uma grata surpresa, o que dizer de um evento que surpreendu ao trazer um show internacional após em sua 10ª edição?

O que dizer então quando os fãs souberam que o show internacional deste evento seria nada menos que uma das maiores bandas jovens do Japão e uma das que mais tem fãs no Brasil?

Pois é. Assim como o Anime Friends, a Yamato Eventos decidiu que 2013 seria o ano que seus eventos receberiam a melhor edição de todos os tempos e o Ressaca Friends, como irmão mais novo do maior evento de cultura pop da América Latina, não ficou de fora.

Com diversas atrações nacionais, dubladores, estandes com produtos cada vez melhores e mais variados (o que demonstra uma profissionalização de empresas que trazem produtos japoneses para o Brasil) e uma diversidade de campeonatos que fizeram a alegria dos fãs, o Ressaca Friends foi um evento completo, mas o que mais se ouvia em todos os cantos e principalmente próximo ao palco principal era: que horas começam o show do Flow?

Os estandes do evento contam com produtos cada vez melhores e mais variados!

Os estandes do evento contam com produtos cada vez melhores e mais variados!

FLOW

FLOW é uma banda composta por cinco pessoas, sendo eles dois vocalistas, um guitarrista, um baixista e um baterista.

Ela foi originalmente formada em 1993 por TAKE e seu irmão mais velho KOHSHI. Em 1998, o nome foi mudado para FLOW e em 2000 foi formada a banda que conhecemos hoje, com a entrada de mais membros para o grupo: GOT’S (baixo), KEIGO (vocalista) e IWASAKI (baterista).

Em abril de 2004 a música “GO!!!” foi escolhida para ser abertura do tão conhecido anime Naruto (que já era muito popular nesta época). Assim, esta música tornou-se extremamente popular e foi a porta para que a banda fosse responsável por outros temas de animes, sendo “DAYS”, tema de Eureka Seven, um exemplo. O álbum “FLOW ANIME BEST” inclui dez dessas aberturas feitas por eles, sendo lançado em abril de 2011 no Japão e no mês seguinte teve sua estreia nos EUA.

Com sua comemoração de 10 anos da banda e os convites de eventos de anime vindos de todo o canto do mundo, a banda FLOW decidiu expandir sua atuação, fazendo shows em outros países, principalmente depois de serem escolhidos para fazer o tema da música do mais recente filme de DBZ, o “Dragon Ball Z: A Batalha dos Deuses”.

Cosplayers fizeram bonito!

Cosplayers fizeram bonito!

Pouco antes das 18h30, a agitação dos fãs já era geral. Parecia um sonho que realmente o Flow estaria no Brasil. Mesmo com um palco pequeno muito abaixo do que a banda merecia, o aglomerado de fãs em todos os cantos do palco fazia a energia ser sentida de longe.

Pontualmente no horário marcado, Flow entrou em palco e começou a catar as atuais músicas de trabalho da banda, o que fazia os fãs sentirem um misto de orgulho e euforia únicos que se misturavam em gritos e pulos!

Ao iniciar a cantar os animsongs os fãs foram a loucura, desde o momento em que Keigo soltou a frase “Are you ready, Brasil?”. Se as músicas de Code Geass foram um arraso, foi quando a banda tocou Fighting Dreamer que o espetáculo chegou ao seu ápice!

Com uma despedida em ritmo de futebol e cheia de alegria, banda e fãs sentiram uma energia única em que oriente e ocidente esquecem suas diferenças sociais, culturais e comunicacionais, fazendo da despedida, uma promessa de voltar a guiar multidões!

RESSACA FRIENDS + FLOW

O que parecia nunca acontecer, finalmente começou ao Brasil: com o show do Flow, é possível que muitas bandas de renome do Japão venham para as terras tupiniquins fazer a alegria dos fãs e aproximar os laços entre o Brasil e a Terra do Sol Nacente.

Flow se despediu com uma foto épica!

Flow se despediu com uma foto épica!

Ainda há muito o que melhorar, principalmente em infra-estrutura. O local de realização do Ressaca Friends, apesar de perfeito para o formato do evento nesses 10 anos, não é o ideal para receber uma banda como o Flow, devido a baixa capacidade de acomodar os fãs junto ao palco.

Mesmo atraindo um público muito acima da média para o evento (com ingressos esgotados, inclusive), não foram poucos os fãs que não puderam curtir o show de encerramento do primeiro dia do evento.

Épico e eletrizante, o show do Flow foi o início de uma nova era para os shows de cantores japoneses no Brasil e o sinal cabal que a formatação dos eventos do Brasil, além do Anime Friends, precisam se adequar a essa nova era!

RESENHA: Naruto Shippuden, o Reencontro de Sasuke

As vezes é necessário um recomeço: reagrupar, organizar e refazer todos os laços perdidos. Introduzindo um novo personagem no arco do Reencontro com Sasuke, foi possível recomeçar a equipe 7 de Kakashi, resgatando valores e reincidindo personagens em Naruto Shippuden.

Naruto-shippuden-orochimaru-logo

E LÁ VAMOS NÓS!

Nem sempre uma saga de introdução é suficiente para reapresentar uma série com uma quantidade tão grande de personagens como Naruto, ainda mais quando os protagonistas se dividem em situações tão diferentes entre elas.

Assim, após apresentar a versão 2.0 revisada e melhorada de Sakura, recolocar Kakashi na posição que sempre deveria ter ocupado e localizar a organização Akatsuki como principal antagonista dos novos rumos da série durante o arco do sequestro do Kazekage (leia a resenha aqui) era hora de trazer a tona o que se tornaram os dois principais personagens da série: Naruto e Sasuke.

Mas antes, Masashi Kishimoto quis reformatar a Equipe 7, substituindo dois de seus membros. Ferido após a luta contra Deidara, Kakashi foi substituído por Yamato, um shinobi de elite do Esquadrão Ambu e Sasuke, por um membro do Esquadrão Ambu Raiz: Sai.

Os membros da Ambu não tem nome, por isso, seus líderes lhes batizam quando estes vão realizar tarefas fora do esquadrão. Batizado por Danzou, o líder do Raiz, Sai ainda foi designado por uma missão que não condizia com os interesses da Quinta Hokage quando convocou ele para substituir o quarto membro da equipe 7: matar Sasuke!

Sasuke aparece com sua nova aparência!

Sasuke aparece com sua nova aparência!

Guiados pela pista deixada por Sasori após Sakura vencê-lo, a nova Equipe 7 segue em sua missão: descobrir quem é o espião da Akatsuki entre os seguidores de Orochimaru para conseguir pistas de Sasuke e trazê-lo de volta para a Vila da Folha, já que este é o corpo perfeito para o próprio Orochimaru conseguir seus interesses, contrários aos do País da Folha.

SURPRESAS E FORTES EMOÇÕES

O arco, apesar de curto, trouxe a tona muitas das coisas que os fãs mais queriam ver.

Deixado de lado no arco inicial anterior, o novo poder de Naruto consiste na liberação da quarta cauda da Kyuubi, o que causa o descontrole emocional de Naruto e uma capa protetora de chakra que envolve o garoto enquanto este luta.

O passado de Sai também é um dos temas abordados: com um falso sorriso no rosto, o garoto aprendeu a suprimir seus sentimentos, o que o torna ainda mais arrogante que Sasuke na época em que ele integrava a esquipe 7, fazendo-o alvo de muitas discussões com Naruto e Sasuke.

O falso sorriso de Sai.

O falso sorriso de Sai.

Assim como todos os conflitos envolvidos, o reaparecimento de Sasuke não poderia ser mais dramático: frio, despretensioso e egocêntrico, o último membro do Clã Uchiha está sedento de vingança por seu irmão Itachi, fazendo este perder qualquer tipo de sentimento pelos aprendizados com a equipe de Kakashi.

LAÇOS

O tema principal de arco são o rompimento e a construção de laços: enquanto Sai e Sasuke tentam se desprender dos laços do passado, Naruto e Sakura lutam para recuperar a amizade do ex-companheiro.

A exemplo de seus companheiros de equipe, Sai aprende o que são esses elos que ligam as pessoas, mostrando-se muito mais aberto ao que sua equipe deseja que o próprio Sasuke.

Mostrando as diferentes formas de se encarar os motivos que unem as pessoas, Kishimoto criou um arco curioso que acalmou os ânimos dos fãs de Sasuke e Orochimaru, mas de pouca importância num aspecto geral, já que, fora a inclusão (desnecessária) de um personagem como Sai, pouco ficou deste arco que interferiu no restante da história.

Naruto desperta o poder das 4 caudas da Kyuubi!

Naruto desperta o poder das 4 caudas da Kyuubi!

RESENHA: Naruto Shippuden, o Resgate de Kazekage

Todos os saltos de gerações trazem novidades e ousadias quando comparadas a sua geração anterior. Ciente que a fórmula de sua história não mais acompanhava o seu público-alvo, que estava quase 8 anos mais maduro que no início da história, Naruto Shippuden veio para trazer novidade à série, iniciando com o eletrizante Resgate do Kazekage!

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UM NOVO NARUTO

Apesar da divisão de série só existir no anime, o salto temporal que Masashi Kishimoto criou em Naruto é um divisor de águas dentro da história, seja ao avaliar o seu enredo quanto o seu desenvolvimento.

Envelhecendo seus protagonistas, o autor pode aproximá-los do seu público cativo sem perder os novos entrantes, já que mesmo mais velho, o Naruto da fase Shippudden é apenas 3 anos mais velho que o personagem inicial.

Além disso, amadurecer seu ninja loiro não foi apenas um movimento mercadológico, para dar sequência a história de um garoto que sonha se tornar o líder máximo de sua vila, posto só conseguido por um seleto grupo de pessoas muitíssimo experiente física e intelectualmente, Naruto não poderia até o fim da história se manter como um garoto.

E para iniciar a narrativa, nada melhor que envolver em uma só narrativa os três grupos mais populares da série em um arco igualmente envolvente: o resgate de Gaara, o atual kazekage da Vila da Areia.

Naruto amadureceu, mas continua cheio de infantilidades.

Naruto amadureceu, mas continua cheio de infantilidades.

AMIGOS E RIVAIS

Filho do antigo kazekage e com poder suficiente para se tornar o líder de sua vila, Gaara foi um personagem que teve uma mudança de personalidade imensurável na saga que finalizou a fase clássica de Naruto.

Colocando o personagem, da mesma idade de Naruto, como líder da Vila da Areia, Kishimoto pode aliar em um só personagem os dois maiores temas desenvolvidos em seus protagonistas em sua nova saga: o desejo de proteção e o amadurecimento.

Não só o público madureceu, para que a história continuasse interessante, Kishimoto teve a difícil missão no arco inicial da fase Shippudden de mostrar que seus prsonagens também amadureceram, criando missões onde mestre e discípulos foram colocados em pé de igualdade.

Da mesma maneira, o amor que Gaara mais desprezava durante toda a fase clássica foi o que mais passou a motivar o personagem após ter perdido a luta contra Naruto no apogeu do Exame Chunin (clique aqui para ler a resenha).

Gaara foi sequestrado!

Gaara foi sequestrado pela Akatsuki!

Além disso, criar um arco em que o sequestro de tal personagem fosse o tema central foi a oportunidade ideal para poder entregar uma analogia para a busca de tudo o que o personagem representava como par mostrar os pontos de vista políticos entre as Vilas da Folha e da Areia.

ENTRA EM CENA A AKATSUKI

Com a história da facção apenas pincelada na fase clássica, a Akatsuki chegou como principal antagonista na fase Shippudden, deixando claro seus objetivos desde o início: capturar e obter o poder dos nove monstros com cauda (Bijuu, no original) aprisionadas em corpos de ninjas, a começar pela Chukkaku da Areia, ou o Ichibi – Uma Cauda, de Gaara.

E os embates criados no desenvolver da história não poderia ser melhores: logo de início, a Equipe 7 (com Kakashi, Naruto e Sakura) e a Equipe de Gai (formada pelo treinador, Rock Lee, Neji e Tenten) enfretam Itachi e Kisame, numa luta para deixar claro as intenções do grupo e a ciência disto para todos os membros da Folha.

Mas o que mais empolgou neste início foi sem sombra de dúvida o papel que Sakura ganhou.

Sakura se tornou uma grande shinobi!

Sakura se tornou uma grande shinobi após o treinamento com Tsunade!

Treinada por Tsunade no período em que Naruto esteve fora da Vila da Folha, a ninja de cabelo rosa se tornou não apenas uma das melhores shinobis médicas como uma exímia lutadora que pela primeira vez pode testar suas novas habilidades.

Em uma luta alucinante contra Sasori, um ninja manipulador de marionetes que fora expulso da Vila da Areia, Sakura mostrou habilidade, graça e mostrou como amadureceu.

Com a ajuda de Chiyo, avó de Sasori, Sakura tem uma vitória marcante e essencial para a ligação com a continução da história, além de ganhar o título de primeira ninja a vencer um membro da Akatsuki na história.

Enquanto isso, Kakashi mostrou pela primeira vez o Mangekyou Sharingan numa luta contra o ninja Deidara, criador de bombas barro, deixando os leitores e espectadores curiosos para saber qual foi a habilidade secreta que Jiraiya pediu para Naruto não utilizar.

SEM RASENGAN

Deixando Naruto na tangência e dando mais importância ao desenvolvimento do contexto que do personagem, Kishimoto pode dar um belo início para a fase que ganharia o coração dos fãs quando transformada em anime.

Kakashi apresenta o Mangekiyou Sharingan!

Kakashi apresenta o Mangekyou Sharingan!

Além de colocar personagens importantes no lugar que sempre mereceram, a clareza e a objetividade passaram a ganhar forma no arco do Resgate de Gaara, evitando o arrastamento de inúmeros segredos que rodeavam os personagens na série clássica e perdiam a graça quando revelados.

Além disso, a Akatsuki foi a criação de uma organização criminosa que se mostrou a altura de fazer a vilania da história, visto que Orochimaru estava com a imagem cada vez mais gasta criando um enredo cheio de razão de ser e contado de maneira a marcar a história dos mangás e animes.

RESENHA: Naruto, Kakashi Gaiden

Passado e presente se unem num complexo de tempos que parece ser cíclico. Eventos do passado geram o presente e a surpresa de fãs. O Kakashi Gaiden contado entre as fases clássica e Shippudden de Naruto parecia ser apenas alguns capítulos de curiosidade, mas os fãs mal sabiam o que estava por vir!

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GAIDEN

Entre sagas, autores de mangá costumam criar curtas histórias que complementam tramas ou dão soluções para alguns mistérios que as histórias de personagens populares costumam gerar.

Diferente de entresagas, também há os gaidens, histórias laterais que apenas completam a histórias com histórias relacionadas mas que não interferem no enredo principal.

Nascido como gaiden, utilizado como entre-saga e querido como uma grande história, o gaiden do Kakashi surgiu logo após Jiraiya convidar Naruto para treinar ele por três anos, tempo que Oroshimaru não conseguirá possuir o corpo de Sasuke como parasita.

O gaiden conta a história do time que Yondaime, o Quarto Hockage, treinou durante a Terceira Guerra Mundial Ninja. No trio de discípulos estavam o ainda criança mas já jonin Kakashi Hatake, a bela genin Rin e o mais azarado membro de seu clã, o genin Obito Uchiha.

Kakashi e Obito: um préquel da relação entre Sasuke e Naruto!

Kakashi e Obito: um préquel da relação entre Sasuke e Naruto!

OBITO

Ao se inicar o gaiden, Kakashi parecia ser o assunto principal da história. Filho do famoso ninja Canino Branco (tido como tão forte quanto os três ninjas lendários), Kakashi se tornou um ninja tão bom quanto seu pai mas, assim como Sasuke, menosprezava seus companheiros, fazendo pouco de seus talentos e mantendo seu ego acima, inclusive, de seu mestre.

Porém, com o passar dos capítulos, é Obito quem acaba se destacando. Com uma personalidade clone a de Naruto, o membro do clã Uchiha não consegue despertar seu sharigan. Mas isso não o desmotiva e ele segue com o sonho de ser o maior ninja da folha e de conquistar a shinobi Rin, que, secretamente, tem sentimentos por Kakashi.

Sim! O trio de Yondaimi parece o mesmo Time 7 que Kakashi treinaria posteriormente, o que deixa a história ainda ainda mais prazerosa, afinal todos querem saber como um egocêntrico acabou se tornando o ninja hábil e inteligente que é o Kakashi.

Pois tudo acontece quando o ninja de cabelos brancos ganha a liderança de seu grupo em uma missão e acaba tendo que escolher entre salvar Rin ou seguir com o sucesso da missão.

Obito finalmente desperta seu sharingan!

Obito finalmente desperta seu sharingan!

Com o insubordinável Obito correndo atrás de sua paixão, Kakashi começa a aprender o peso da liderança e as responsabilidades que um ninja deve ter com seus companheiros, algo que seu pai compreendia bem, mas que o levou a morte.

Mesmo com o sucesso da missão, Obito morre logo após despertar o Sharingan. Como último pedido, ele pede a Rin que implante seu olho esquerdo em Kakashi, que se sacrificou para salvá-lo momentos antes.

KAKASHI

De personalidade oscilante, engraçada, despretensiosa, mas muito responsável, Kakashi sempre foi um dos personagens mais queridos e curiosos de Naruto. Com a história de seu Gaiden, muitos de seus mistérios e a formação de sua personalidade, que após os eventos ocorridos na 3ª Grande Guerra Ninja se mesclou a elementos de Yondaimi, Obito e Rin.

Porém, os efeitos do gaiden se estenderam para muito além de seus 6 capítulos, plantando sementinhas que Masashi Kishimoto fez florescer muitos, mas muitos capítulos mais tarde.

Entre gênio e talento, tanto Kishimoto quanto Kakashi tem um ponto em comum com a sua criação: ambos tem seu jeito ninja de fazer as coisas darem certo.

Uma dinâmica de personagens que se repete através dos tempos.

Uma dinâmica de personagens que se repete através dos tempos.

Resenha: Naruto, a Saga do Quarteto do Som

De todos os grupos que exercem influência na formação do ser, a família não é só a unidade principal de seu desenvolvimento, como a base de tudo o que uma pessoa vai desejar para seu futuro. Em Naruto, durante a Saga do Quarteto do Som, várias formações foram mostradas e falta dela, foi chocada.

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FAMÍLIA

Querendo ou não, por influência de seus editores e por mérito próprio, Masashi Kishimoto sempre conseguiu transformar a leitura dos acontecimentos da Vila da Folha em algo muito próximo da realidade do mundo contemporâneo.

Durante a Saga da Ponte, o autor pode criar protagonistas que satisfazem os quatro tipos de personalidade mais básicos do ser humano (leia a resenha aqui), enquanto que no Exame Chunin a analogia entre aluno e escola foi a mais evidente (leia a resenha aqui).

Porém, mesmo que citada e colocada como principal fator influente em diversos pontos decisivos da história, nunca a família foi um ponto tão decisivo como no último arco da história que ainda apresenta os personagens na fase de criança: a Saga do Quarteto do Som.

PARA MENINOS

Enquanto todas as outras sagas as personagens femininas desenpenhavam papéis relevantes para o seu desenvolvimento, uma clara estratégia de garantir um público cativo de mulheres, durante a Saga do Quarteto do Som, Kishimoto se focou em personagens masculinos como guias da história.

O time formado por Shikamaru.

O time formado por Shikamaru.

Desiludido com sua falta de poder diante de Naruto, mesmo que com uma das melhores técnicas ensinadas por seu professor em mãos mas obcecado com sua vingança contra Itachi, Sasuke decide ceder aos pedidos de Orochimaru de treiná-lo, obrigando Tsunade, que se tornou a Quinta Hokage na entre-saga anterior (leia a resenha aqui) a mandar um grupo inusitado para recuperá-lo antes que ele chegue a Vila do Som.

Planejado ou não, o autor ainda deixou que adultos de total importância no passado, como Kakashi ou Gai, ainda ficassem de fora, sendo apenas uma referência para os personagens, que precisariam, como em nenhum outro momento, tomar as rédeas de suas próprias ações pra proteger a desfalcada Vila da Folha após a invasão da Vila do Som, aliada a Vila da Areia durante o exame Chunin.

O escolhido para liderar a missão de resgate é nada mais nada menos que Shikamaru Nara, o único participante do Exame Chunin promovido à categoria após suas brilhantes estratégias contra Tsunade nos combates um contra um.

A partir deste momento, começam as influências da família em cada uma das decisões de Shikamaru e em cada um dos combates realizados em por cada um do grupo que ele reuniu.

Shouji luta contra seus próprios fantasmas.

Shouji luta contra seus próprios fantasmas.

QUINTETO X QUARTETO

A família de Shikamaru é tão curiosa quanto sua personalidade. Mesmo com um dos pais mais talentosos da Vila, o jonin é totalmente submisso a esposa, uma mulher nervosa e meticulosa com as tarefas domésticas, o que deixa Shikamaru muito irritado.

Isso fez com que o ninja desprezasse a força feminina, reunindo um grupo de mais quatro ninjas (Naruto, Neji, Kiba e Shouji) para ir com ele recuperar Sasuke.

Se os cinco tivessem apenas que encurralar e trazer o problmático Uchiha de volta, talvéz a tarefa fosse mais simples, mas o ninja rebelde está acompanhado do quarteto do som, o grupo de discípulos mais forte de Orochimaru, o que rendeu batalhas que colocaram os cinco ninjas da folha em cheque.

Gordinho, desengonçado e com um complexo de inferioridade com as garotas e com os amigos, Shouji foi o primeiro a enfrentrar os ninjas do som, mostrando que por trás de sua comilança desenfreada, há um ninja com grandes poderes, capaz de fazer frente a qualquer poder, graças as técnicas glutônicas passadas de geração em geração por sua família e pela crença inabalável de Shikamaru no poder do amigo.

Neji ganhou uma luta difícil, mas que pode mostrar seu lado humano, visto que durante a luta contr Hinata e Naruto durante o Exame Chunin, o garoto havia se mostrado um tanto quanto arrogante e presunçoso quanto ao poder do Byakugan herdado de seu clã. A mudança de postura após ser derrotado pelo, até então, pior ninja de sua geração, fez com que Neji se colocasse mais como ninja que como o gênio cultuado pela vila e por sua família.

O Plano B de Tsunade.

O Plano B de Tsunade.

Antes do embate final, Orochimaru ainda mandou um ex-membro do grupo combater Naruto, o único que ele considera possível de resgatar Sasuke, mas a luta foi substituída por Rock Lee, que foi curado por Tsunade após uma dura cirurgia.

As três lutas finais foram protagonizadas pela ambição de Lee em se tornar um ninja de Genjutsu, o desespero de Shikamaru que enfrentava alguém tão inteligente quanto ele e Kiba, que passou a enfrentar 2 adversários.

Os três tiveram de ser salvos por Gaara e seus irmãos Kankuro e Temari, que após descobrirem que Orochimaru usurpou o posto de Kazekage da Vila da Areia, se tornaram os aliados mais confiáveis da Vila da Folha como retratação, Gaara teve de ensinar a Lee que emoções não se põe a mesa quando há lutas, enquanto Kankuru mostrou que o próprio poder é o mais importante na hora de proteger a família. Shikamaru foi o que mais aprendeu: foi salvo por uma mulher. O sexo frágil que sempre desmereceu pelas influências de seus pais.

NARUTO VS SASUKE

O climax desta saga vem com a batalha entre Naruto e Sasuke, ambos ninjas que sofrem com a falta de uma família para lhe passarem ensinamentos.

A luta mais aguardada de todos os tempos pelos fãs!

A luta mais aguardada de todos os tempos pelos fãs!

Frenética e cheia de flashs passados, a luta mostra o quão diferentes os rivais são: enquanto Naruto adotou seu professor Iruka, Sakura, Kakashi e o próprio Sasuke como uma espécie de família: aquela com quem ele aprende e quer deixar orgulhoso, o único herdeiro do clã Uchiha quer desvencilhar de laços familiares, visto que tal unidade de construção para ele foi abalada quanto Itachi matou a todos de seu clã, deixando-o apenas ele vivo.

O desfecho da batalha é tão instigante quanto abrupto, mostrando que mesmo com um coração duro, ainda há esperança de trazer Sasuke para o lado da quipe 7.

O fim da saga de ser o fim da série clássica no anime, marca o amadurecimento dos personagens para uma nova fase de acontecimentos, essencial para que a série se libertasse de laços primordiais para uma nova dinâmica que pudesse levar Naruto e os outros personagens a realizar os seus sonhos.

7º Jund Comics marcou a Virada Cultural Paulista em Jundiaí

Você está andando pela cidade, a pé ou de carro tanto faz, junto com seus amigos, vizinhos, família ou mesmo sozinho e de repente percebe uma aglomeração nas próximas esquinas. Nada mais comum, afinal está acontecendo a Virada Cultural Paulista 2012 na sua cidade e nada mais natural que muita gente saindo ou entrando de uma peça de teatro ou derivado. Mas para sua surpresa, você vê brilhar bem na sua frente um símbolo que sempre lhe fez sentido desde criança, uma figura que você sempre quis estr frente a frente ou até mesmo ser ele! Você está frente a frente com seu herói favorito na Parada Cosplay do 7º Jund Comics.

O efeito surpresa, a lembrança da infância, o brilho nos olhos das crianças e as brincadeiras dos atores foram só alguns dos elementos que compuseram a magia trazida pelos super-heróis à Jundiaí durante o 7º Jund Comics, evento que aconteceu em Jundiaí-SP nos dias 19 e 20 de maio durante a Virada Cultural Paulista 2012.

Com atrações voltadas diretamente para o público fã de histórias em quadrinhos e desenhos animados como workshops, maratonas de desenho e palestras com profissionais da área, o evento também causou furor entre o público casual com a mostra de action figures e os badalados Concursos e Paradas Cosplay.

Cosplay é abreviação de costume play ou ainda costume roleplay (ambos do inglês) que podem traduzir-se por “representação de personagem a caráter”, e tem sido utilizado no original, como neologismo, conquanto ainda não convalidado no léxico português, embora já conste doutras bases, para referir-se a atividade lúdica praticada principalmente (porém não exclusivamente) por jovens e que consiste em disfarçar-se ou fantasiar-se de algum personagem real ou ficcional, concreto ou abstrato, como, por exemplo, animes, mangás, comics, games ou ainda de grupos musicais — acompanhado da tentativa de interpretá-los na medida do possível. Os participantes (ou jogadores) dessa atividade chamam-se, por isso, cosplayers.

Com um duplo horário, sábado as 20h30 e domingo as 14h, a Parada Cosplay levou aos três pontos culturais de Jundiaí, o Parque da Uva, o teatro Polytheama e o Centro das Artes, os personagens mais famosos das histórias em quadrinhos, mangás e animes. Do lado ocidental, estavam presentes, entre outros, The Flash, Lanterna Verde, os mutantes de X-Men, o Harry Potter, Scooby Doo e o Capitão América e do oriental do mundo, os cosplayers trouxeram os personagens de olhos puxados mais famosos do mundo, onde se destacaram os personagens de Naruto, Bleach, Super Mario e Os Cavaleiros do Zodíaco.

Para finalizar o evento, um concurso com votação popular premiou os cosplayers que mais se aproximaram do personagem original e que mais cativaram o público. Com performances teatrais, de improviso e um jogo de perguntas e respostas, sagrou-se campeã do concurso a pequena Thayra Viviane, 5 anos, com o cosplay de Saori Kido, a deusa Atena da febre dos anos 90, Os Cavaleiros do Zodíaco.

Com cosplayers de todas as cidades da região de Jundiaí, e outros vindos das cidades de Campinas e São Paulo, o evento contou com cerca de 40 atores que fizeram a festa de todos que passaram pela Virada Cultural Paulista 2012 e que fizeram do Jund Comics um evento para ser repetido por vários e vários anos.

Abaixo fotos dos cosplayers tirada por Bábara Pergunta (do blog “o Bonde Andando“), Henrique Adonay, Jaqueline Barbosa e Davi Junior (eu).

Qualitá não lançará Ovo de Páscoa do Naruto em 2012

Após três anos consecutivos, a Qualitá (selo pertencente ao Grupo Pão de Açúcar) tirou de sua linha de chocolates os Ovos de Páscoa Naruto. Tal lançamento causou furor entre os fãs do ninja loiro mais famoso do globo com seu primeiro lançamento em 2009, quando o ovo trazia consigo uma bandana de pano da Vilha da Folha como brinde (veja aqui). Com o prosseguimento do produto nas duas Páscoas posteriores (clique aqui para ver como foi) o produto já havia virado item tradicional para os fãs da série.

O blog NextConqueror entrou em contato com a Qualitá que apesar de confirmar seu cancelamento, não se pronunciou a respeito das possíveis causas de tirar o produto de linha. Caso a Qualitá responda as solicitações que enviei, este post será atualizado.

Não adianta correr atrás, o Coelho da Páscoa não trará Naruto neste ano.

Agora resta esperar o dia 8 de abril com as outras opções de ovos que temos no mercado, que apesar de interessantes, ficam muito longe de se aproveitar do rico e vasto universo que o entretenimento japonês tem a oferecer.

RESENHA: Naruto, a Busca pela Quinta Hokage

Toda história precisa de um motivo para ser contada. A cada verso, a cada luta, a cada frase composta, o personagem principal precisa se provar digno do papel de protagonista e sua saga, assim como sua vida, precisa ganhar significado e representatividade para quem entra em contato com seu mundo. Após quase 3 anos e 15 volumes encadernados, ainda faltava isso em Naruto que encontrou durante a Busca pela Quinta Hokage o ponto-chave para a união de tantos pontos, até então, dispersos na história.

UMA SHURIKEN DE SORTE?

Não é a toa que Naruto fez sucesso no mundo todo. A simples observação de pontos que compõe a série ou a leitura de detalhes de bastidores que o seu autor, Masashi Kishimoto, vez ou outra acaba deixando escapar em seus textos mostram que a formatação de Naruto foi programada para uma explosão mundial.

Um quarteto de protagonistas que atinge a todos os públicos (leia os detalhes na resenha da Saga sa Ponte, clicando aqui), variantes de contextos que se adaptam aos diversos contextos sócio-culturais e pessoais em dramas que refletem e extravazam os dramas do leitor (leia mais na resenha do Exame Chunin, clicando aqui) são só alguns dos elementos que fizeram a série ser conhecida em todo o mundo.

Contanto, ainda faltava algo para a história de Naruto: uma razão de ser.

Partindo de uma simples apresentação dos protagonistas e e do contexto da série durante a Saga da Ponte e extendendo o universo durante o Exame Chunin, a impressão que ficou ao longo do tempo é que Naruto foi um personagem escolhido ao acaso para ser protagonista.

Apesar da justificativa da Raposa de Nove Caldas estar presa em seu corpo desde um passado próximo e o desejo que o personagem tem de se tornar o maior líder de sua vila no futuro, faltavam motivos para que o protagonista conseguisse sustentar a história ao seu redor em tempo presente.

Se Jiraiya já foi essencial para a conclusão do Exame Chunin, durante a busca pela Quinta Hokage seu papel se tornou fundamental.

Naruto parecia estar sempre a mercê de um contexto a que todos os personagens estavam e a sua presença, ou não, parecia não ser tão determinantes para os resultados dos finais da saga, onde mesmo o personagem aprendendo e superando obstáculos, parecia apenas fazer algo que outra pessoa, Sasuke por exemplo, poderia fazer em seu lugar.

Com o fim do Exame Chunin, era hora de colocar ordem na casa, fazendo com que muitos dos pontos criados durante a saga dessem uma pausa para situar o papel do protagonista dentro da história, começa a Busca pela Quinta Hokage.

CHEGA A AKATSUKI

Um dos pontos mais críticos que o fim do Exame Chunin trouxe foi a morte de Hiruzen Sarutobi, o Terceiro Hokage, enquanto lutava contra Oroshimaru e contra os primeiro e segundo Hokages que o líder da Vila do Som ressuscitou.

Sem um comandante, os conselheiros anciões pediram que Jiraiya, o ninja lendário que preparou Naruto para a última prova do Exame Chunin, se tornasse o novo Hokage. Mesmo recusando, o ninja canastrão se propôs a procurar Tsunade, a ninja que como ele e Oroshimaru foram o trio sannin da Vila da Folha: os três ninjas lendários!

É antes da partida que ocorre um evento simples, porém determinante para o resultado final da saga: o irmão mais velho de Sasuke, Itachi Uchiha, entra na Vila da Folha e se revela membro da Akatsuki, uma sociedade formada por ninjas expulsos de suas respectivas vilas que estão sedentos por poder.

O motivo de Itachi? Naruto e a Kyuubi aprisionada em seu corpo.

É a chegada de Itachi na Vila da Folha que coloca Naruto em seu papel mais essencial na história: o de protagonista.

Isso não foi um choque apenas para o próprio ninja de cabelo loiro  mas muito pior para Sasuke, que mais uma vez viu seu rival abobalhado sendo o centro das atenções mesmo este tendo ciência que suas habilidades como membro do clã Uchiha superam, e muito, a Naruto.

Apesar da raposa de nove caldas sempre ter sido “a causa” da existência de Naruto e o diferencial do personagem com os demais, o surgimento de Gaara e da Shukaku, por exemplo, despertou dúvidas se tal fato realmente refletiria um justificativa para o papel de protagonista do personagem da história.

Somado a isso, o desejo de oroshimaru, o vilão da história por Sasuke ao invés de Naruto colocava o personagem na adjascência da história mais uma vez, algo incomum e preocupante numa história que, inclusvise, leva o nome do personagem.

Colocando um grupo de vilões ligados a Sasuke e a Oroshimaru atrás de Naruto, o personagem assume de vez seu papel de guia da história e a necessidade de desenvolver seu poder para não virar alvo da Akatsuki.

Assim, após Jiraiya expulsar o ninja exilado da vila, este parte com Naruto (e só Naruto) para uma viagem de encontro a Tsunade e, de quebra, o autor aproveita para terminar a ascensão de Naruto na história: colocá-lo no mesmo nível de Sasuke!

RASENGAN: JÁ ERA HORA

Um dos pontos que mais destacam os personagens em mangás shonen é o tipo de poder único e exclusivo que este tem em relação aos outros personagens. É por isso que logo no primeiro capítulo da história, Naruto aprende a utilizar o jutsu Clone das Sombras, algo até então proibido.

Especialista em técnicas médicas, Tsunade se torna alvo de Oroshimaru ao mesmo tempo que se torna a candidata ideal para o título de Hokage.

Com a banalização da técnica do personagem e o surgimento de golpes mais interessantes visualmente, como o Chidori de Sasuke, o jutsu já não era algo tão exclusivo e eficiente para diferenciar o personagem. Mesmo com o contrato com os bratáquios que Jiraiya faz com Naruto, a invocação de sapos não é algo tão simples para o nível de Naruto e nem tão prática para o leitor ver em todo capítulo.

Para solucionar tal problema o autor coloca o sannin pervertido para ensinar a Naruto uma técnica que apenas ele e o Quarto Hokage, seu discípulo conseguiram dominar: o Rasengan.

Feito em três níveis de dificuldade, Naruto acaba passando por cada etapa não por talento ou por algum dom escondido, mas pelo seu esforço, sua criatividade e um ponto que o motivou durante todo o treinamento: uma aposta contra a ninja mais azarada da história, Tsunade!

TSUNADE, A ETERNA PERDEDORA

Mesmo a saga focando o desenvolvimento de Naruto, não se pode esquecer que o pano de fundo para este arco é encontrar um substituto para Sarutobi. E não é apenas Jiraiya que está atrás de Tsunade.

Conhecida por suas habilidades médicas, Tsunade também virou alvo de Oroshimaru, que quer que a ninja cure suas feridas e selo que o Terceiro Hokage lhe colocou durante sua derradeira luta que impediu o ninja de língua comprida a fazer jutsus.

Oroshimaru matou o Terceiro Hokage, mas a luta o deixou muito dependente de seu maior aliado: Kabuto!

Nesse é desenvolvido algo que o autor de Naruto se especializou: comover o leitor com uma história lateral. A ninja de seios fartos é neta do Primeiro Hokage, mas tem horror a tal título. Tanto seu ex-namorado e seu irmão mais novo morreram em missão com o sonho de um dia se tornar Hokage.

Com a perda de seus dois entes mais queridos, Tsunade se afastou da Vila da Folha e se afundou em dívidas gastando a riqueza de sua família com jogos de azar, que ela sempre perde.

Oroshimaru promete ressuscitar o amor e o irmão de Tsunade se esta o curar, mas isto acabaria, e ela o sabe, implicando em uma nova invasão a Vila da Folha. É nesse momento, e principalmente durante a luta entre os três sannins, é que o altruísmo de Naruto consegue tocar fundo o coração da ninja lendária para que ela utilize a força herdada daqueles que ela conheceu em prol da Vila da Folha.

EU NÃO TRAIO MINHAS PALAVRAS

Eu serei Hokage. Só após a morte do terceiro e a ascensão da quinta, é que o leitor pôde compreender o peso e a responsabilidade desejada por Naruto ao querer se tornar o líder da Vila Oculta da Folha.

Se compreender isso era fundamental para o futuro da história, foi a ligação criada entre Sasuke, Itachi, Akatsuki e a Kyuubi que tornou o enredo de Naruto algo mais canône e menos casual.

Com o passar das sagas, é possível reconhecer o amadurecimento de Naruto.

Graças a Busca pela Quinta Hokage, Naruto pôde amadurecer como história e o enredo finalmente ganhou a consistência necessária para fazer de um sucesso comercial tão grande, um sucesso literário que rompe previsões e expectativas.

RESENHA: Hunter x Hunter, o Exame Hunter

Histórias são contadas ao montes, das mais variadas maneiras e com os mais diversificados recursos. Todos os anos o cinema, a tv, a literatura e tantos outros campos de mídia criam toneladas de horas de entretenimento que entra para a cultura e para a vida das pessoas que chegam até elas. Porém, apenas as histórias com grandes mensagens, lições e conteúdos próximos ao seu receptor é que sobrevivem ao tempo e conquistam gerações e gerações de pessoas. Hunter x Hunter vai além seguindo o caminho reverso: provocante e contestador, sua mensagem não é passada através de sua história, mas sim por seu próprio leitor.

UM AUTOR X MUITOS PERSONAGENS

Muitos jovens e adultos talentosos sonham em se tornar autores de sucesso com suas mais mirabolantes idéias e complexas relações de personagens e enredo. Porém, nem sempre insights geniais se convertem no resultado final almejado, isto porque muitos dos autores iniciantes esquecem de algo que Yoshihiro Togashi conhece tão bem: a aceitação da história é sempre tão grande quanto a sua simplicidade.

Parece fácil pensar deste jeito quando se é um autor consagrado. Togashi é o autor do célebre mangá Yu Yu Hakushô, um dos maiores destaques dos anos 90, época em que o BOOM da animação dos anos 80 começava a esfriar no Japão, e mesmo que se espalhando pelo mundo, poucas obras originais conseguiam se sustentar por longos anos.

O autor também tem outra fonte de criatividade ao seu lado, pois o sortudo ainda é casado com a superstar do mangá shoujo (do japonês, para meninas), a autora de Sailor MoonNaoko Takeuchi. Com alguém tão especialista quanto ele para alavancar vendas de editoras, como um mangá seu poderia dar erradO?

Pois é aí que se torna tudo tão simples. Para quem já leu a história de Gon e seus amigos sabe o quanto o mangá se desdobra em sequências fenomenais e de tirar o fôlego, mas tudo isso saiu de um desejo que o autor tinha a anos: colecionar personagens.

Hunter x Hunter tem personagens que cativam a cada segundo!

Do mesmo jeito que gosta de colecionar bonecos, um dos maiores hobbies do autor Yoshihiro Togashi é o de desenhar personagens novos. Isso pode até ser previsto em Yu Yu Hakushô, visto a quantidade de personagens que aparecem ao longo da história, mas em Hunter x Hunter, o autor criou um ambiente propício para dar asas a sua imaginação e inserir personagens atrás personagens em todos os momentos da história.

Hunter x Hunter é o típico mangá que nasceu para fazer sucesso, com a união do autor certo no momento certo, o mangá de 1999 foi um dos principais precursores do estilo que permeou e influenciou praticamente todos os autores do estilo shonen ao longo dos anos 2000 e que ainda hoje se prova como o alicerce do sucesso de vendas deste tipo de publicação.

Esta resenha contemplará os aspectos iniciais da obra, conhecida como a saga do Exame Hunter, que contempla a saída do protagonista da Ilha da Baleia até o fim do exame que dá nome ao arco, bem como toda a magia e o ambiente criado pelo autor para dar vida a história.

PROTAGONISTAS X PASSADOS

Perfeito. Com a vontade e a inspiração necessária em dia e o cartão verde para iniciar sua história na Shonen Jump, a revista mangá de maior tiragem e circulação do Japão, só falta Togashi criar o alicerce de Hunter x Hunter, os protagonistas que vão guiar capítulo a capítulo toda a jornada do autor para colecionar personagens.

E o resultado não poderia ter sido mais perfeito. Seguindo parte da teoria humoral (veja mais na resenha de Naruto, a Saga da Ponte clicando aqui) e parte das personalidades dos quatro personagens que lhe fizeram chegar a nata do Japão em Yu Yu Hakushô, Togashi deu origem a Gon, Killua, Kurapika e Leório.

Gon é a personificação da bondade e inocência.

Gon Freecs pode ser considerado um dos melhores modelos da tendência de protagonistas dos anos 2.000 em mangás shonen. Inocente, sonhador e determinado, o garoto sonha em encontrar o pai, um famoso Hunter que o abandonou na Ilha da Baleia para seguir com sua carreira, e para tal, ele decide prestar o Exame Hunter para que, como Hunter, possa cumprir seu desejo.

Se otimismo é a palavra que melhor pode definir Gon, Killua é seu completo oposto. Sem uma razão para viver e filho mais novo de uma milionária família de assassinos de aluguel, o garoto vive pressionado buscando no Exame Hunter algo que o interesse e descobre na amizade simples e sincera de Gon, algo que possa valer a pena.

E não é apenas o filho da família Zaoldyeck que vive cheio de conflitos internos. Único sobrevivente de um clã que possui olhos vermelhos, Kurapika quer se tornar um Hunter para ganhar poder o suficiente para se vingar do Genei Ryodan, o grupo da Aranha de 12 patas, os responsáveis pela ruína de seu povo (nota: não confundir com Sasuke Uchiha, Hunter x Hunter começou a ser escrito um ano antes de Naruto).

Fechando o grupo com chave de ouro, entra Leório. Provavelmente o personagem de terno e gravata seja o mais próximo de Gon se pensarmos em sua maneira simples de ver as coisas, porém seus atos impulsivos e agressivos sempre o colocam a mercê do inimigo como alvo mais frágil. Apesar de seu estilo debochado, este guarda um grande segredo, quer se tornar Hunter para conseguir o direito de cursar uma faculdade de medicina gratuitamente e assim, como médico, poder salvar vidas tão preciosas como era a de seu irmão que morreu doente.

Leório parece carrancudo e grosseiro, mas tem o altruísmo como filosofia de vida.

Se o perfil dos protagonistas parece já estar traçado desde Yu Yu Hakushô, notem que tanto a persoalidade como as cores das vestimentas se assemelham muito as de Yusuke e cia, o contexto a qual eles se inseriram as situações que Togashi colocou os personagens vai muito além do limiar humano e conforme mais a coleção de personagens vai se extendendo, mas interessante a história vai ficando.

PROVOCANTES X INUSITADOS

Um dos grandes destaques da história é a facilidade que ela tem de puxar o leitor para dentro da história. As questões por qual os personagens vão passando antes de chegar e após iniciar o Exame Hunter facilmente fogem das disputas convencionais dos mangás shonen, sendo muito mais ideológicas e muito menos sangrentas.

E o mais interessante é observar como cada um dos quatro protagonistas, e volta e meia um ou outro coadjuvante, pensam a respeito dos desafios aos quais são impostos, revelando traços de sua personalidade e caráter.

Vale destacar o terceiro exame por quais eles passam quando, aliados a Tompa, os personagens precisam vencer os desafios da Torre dos Enganos. Enquanto Killua sempre acaba sendo levado pela decisão mais pessimista e Kurapika sempre entra em dualidade de opinião com sua maneira analítica e racional de pensar, Leório sempre é levado por seus instintos e Gon sempre surpreende com sua maneira simples de pensar.

Toda vez que alguém é submetido a um teste, sempre fica preso as regras que o permeiam, mas muitas vezes afloram no participantes pré-conceitos que os privam de tomar alguma decisão fora do escopo geral da idéia de um teste. Por viver isolado na Ilha da Baleia por muito tempo, Gon é um ser livre de pré-julgamentos e por isso sempre leva ao pé da letra tudo o  que lhe é dito, facilitando suas ações.

A personalidade calma e racional de Kurapika guarda segredos inesperados e sombrios!

Na Torre dos Enganos ninguém lhe disse que numa prova onde se aposta qual vela vai apagar primeiro estava implicito a regra de assoprar a vela, assim ele vai lá e faz. Ao se depararem com duas portas que separariam o grupo, nada mais natural que abrir um buraco na parede e ambos os grupos se unirem novamente.

Parece irrelevante, mas cada ação simples de Gon leva o leitor a indagar “como eu não pensei nisso antes?”. Fazendo da obra algo inesperado a cada novo capítulo e provocante a medida que nunca se consegue prever o próximo passo que o autor vai dar e a ponto do caráter de cada personagem será usado para a resolução da tarefa explícita e implícita em cada prova do exame.

Se o começo já parece fora do comum e o seu desenvolvimento surpreende o leitor, o que dizer do final de saga mais inusitado que um autor já produziu? No fim do exame, o presidente da Associação Hunter, Netero, propõe um campeonato ao contrário: avança nas chaves aquele que perder e se tornará Hunter aquele que vencer apenas uma disputa.

Assim como toda a história, o destaque das lutas acabaram não sendo os combates, mas sim o desenvolvimento de maneiras de se resolver o resultado da luta e as consequências que isso inflingiram. Após a luta de Gon, onde este se recusou a desistir da luta (pois não tinha chances de vencê-la) até que Hanzo, seu oponente parasse de torturá-lo para decidirem a vitória de outra maneira.

Filho de uma família de assassinos, Killua parece um corpo vazio de sentimentos até encontrar Gon.

A história ainda quebra o linear do tempo e avança para o fim do torneio, quando o protagonista fica sabendo de todos os outros resultados após acordar de um desmaio após o fim de sua luta. Envolvente e cativante, o todo o resto do torneio colocou todos os sentimentos dos participantes a flor da pele, revelando desde o lado humano de Leório, criar suspense com os segredos de Killua e revelar a inveja escondida de Killua por Gon…

ANIME X ANIME

Hunter x Hunter começou a ser desenhado em 1998 e poucos anos depois já foi para a TV em uma produção feita pelo estúdio Nippon Animation. Com a oscilação de Yoshihiro Togashi para dar prosseguimento a saga, a animação teve de ser parada por diversos momentos até ser cancelada definitivamente e os fãs pareciam nunca mais poder ver a conclusão animada.

Com o retorno da história na Shonen Jump em 2011 e o sucesso instantâneo que isso gerou, o estúdio madHouse, o mesmo de Death Note (leia a resenha aqui) e alguns curtas de Batman, the Gothan Knghit (leia a Resenha aqui) foi além do que os fãs imaginaram e iniciou uma nova animação contando a história desde o início novamente.

Com um traço mais leve e dinâmico que a primeira produção, o estúdio MadHouse caprichou em Hunter x Hunter e fez jus a sua alcunha de melhor estúdio japonês de animação da atualidade. Apesar de sutil, a diferença no traço dos personagens foi muito benéfica, o que faz do anime algo muito atual mesmo após dez anos de existência.

Netero desafia Gon no dirigível até o local do terceiro teste e lá Gon mostra que força bruta não é o fator principal de um Hunter.

Apesar de ser mais fiel ao mangá que a produção do Nippon Animation, algumas cenas foram cortadas do original, e focos diferentes em diálogos serviram para melhor ajustar a relação dos personagens a algo mais contínuo e simétrico a toda a obra.

Assistindo ao primeiro anime e mesmo ao ler mangá, a impressão que se tem é que o trio principal da história é formado por Gon, Leório e Kurapika, tendo Killua como uma espécie de protagonista rebelde adjacente a maioria dos acontecimentos, a mesma impressão que se tem com Ikki de Fênix em Cavaleiros do Zodíaco ou com Hiei em Yu Yu Hakushô.

Porém, após algumas sagas, fica clara a dominância da amizade de Gon e Killua como guias da série. Assim, Os focos, closes e conversas, apesar de ainda fiel ao mangá, deixaram a percepção do espectador muito mais atenta a grande amizade que se desenvolvia entre Gon e Killua e como Leório e Kurapika, apesar de fundamentais, são uma espécie de lado B no desenvolvimento da história.

HUNTER X MUNDO

Yoshihiro Togashi criou uma série no tom certo, contada da maneira certa, numa época que o mundo dos mangás shonen precisavam de uma simplificação para seguir adiante. Todas as obras que seguiram com sucesso pelos anos 2000 precisam agradecer a Hunter x Hunter e principalmente a sua saga inicial.

Despretenciosa, porém cheia de conteúdo e razão de ser, o Exame Hunter refletiu tudo o que uma série precisa para começar, linkar o desenvolvimento e buscar um fim sem que todo o decorrer da história seja previsível ao leitor.

Já faz quase uma década e meia que Hunter x Hunter começou e em breve, o autor já confirmou, teremos os últimos capítulos da história. Mas com a força e a inspiração que Gon e seus amigos provocam ao leitor e a todos os mangaká iniciantes do Japão e do mundo, é certo que sua história não se privará a décadas, mas durará para sempre.