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RESENHA: Homem-Formiga

Explosões, megalomania, personagens grandiloquentes e muitas doses de destruição e efeitos especiais pareciam ter se tornado o padrão super-herói de filme hollywoodiano. Para quebrar um tabu e ao mesmo tempo relembrar o público que um herói é muito mais que grandes salvamentos do mundo, o Homem Formiga é o filme para inspirar multidões com seu universo micro.

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DE WRIGHT A REED

Desde 2006, Edgar Whright, diretor conhecido por sua visão peculiar de filmes de gênero (Shaun of the Dead que o diga), sinaliza o interesse em produzir um filme sobre o Homem-Formiga, um dos heróis mais oscilantes das histórias em quadrinhos da Marvel.

Difícil de adaptar, tanto por seu nome bizarro quanto por seus poderes singulares que não o glorificam em nada quando comparado aos seus companheiros de melhor renome, o Homem Formiga ganhou sua chance nas telonas quando a Marvel Studios decidiu criar o seu Universo Cinematográfico pautado na super equipe d’Os Vingadores, a qual o herói é um dos membros fundadores nos quadrinhos.

Com Wright na direção com a ideia de produzir um filme de gênero para herói, um longa de assalto com pitadas de humor e os bons efeitos especiais que o Homem de Ferro (leia a resenha aqui) já demonstrava ser possível em 2008 parecia ser o cenário ideal para a ascensão do herói.

Porém, com o projeto sendo arrastado por anos, com diversas mudanças de datas e localização dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, culminou com o diretor saindo da produção do filme, alegando diferenças criativas com a Marvel Studios.

Hank Pym é o gênio por trás das partículas Pym.

Hank Pym é o gênio por trás das partículas Pym.

Assumindo seu lugar, o diretor Peyton Reed ganhou a difícil missão de adaptar o herói a partir das ideias originais de Wright, somando com as bases que a Marvel Studios queria e apresentar um herói quase desconhecido do grande público em um tempo de produção 7 vezes menor que Wright tivera preparando seu filme.

Tudo parecia macular contra, mas diferente do seu tamanho, o Homem-Formiga se mostrou um grande filme!

UM, DOIS, TRÊS HOMENS-FORMIGA

Mas porque raios o Homem-Formiga seria um herói oscilante se a ideia de um homem que cresce e diminui já foi usada por tantos heróis dos quadrinhos e da TV? A verdade é que, apesar de ser um dos fundadores d’Os Vingadores, o Homem-Formiga nunca foi muito popular, tendo passado pelas mais diversas reformulações de nome, identidade, origem e, ainda hoje, é um herói que não emplaca nenhuma grande história.

Pois bem, como resolver isso? A grande sacada do filme foi fazer de um dos pontos negativos do herói um dos maiores trunfos para a construção dos personagens que compõe a história: o longa apresentou ao público nada mais nada menos que 3 versões do personagem de maneira concreta e todas focadas em um mesmo e consistente tema: a família, um dos grandes valores do herói nos quadrinhos que nunca foi utilizado adequadamente.

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De ladrão à mocinho. Quais as motivações de Scott Lang?

O primeiro dos heróis nos é apresentado em 1989, quando o Homem-Formiga original, Hank Pym (Michael Douglas), demite-se da S.H.I.E.L.D. depois de descobrir que a organização tentou duplicar sua tecnologia de encolhimento que faz com que o Homem-Formiga seja possível; Pym acredita que a tecnologia é perigosa e decide escondê-la em segredo.

O segundo Homem-Formiga e protagonista do filme nos é apresentado nos dias atuais, vários meses após os eventos que ocorreram em Sokovia com os Vingadores: Scott Lang (Paul Rudd) foi libertado da Prisão de San Quentin depois de cumprir três anos, por roubar de seu antigo empregador. Lang visita a casa de sua ex-mulher, Maggie, para a festa de aniversário de sua filha, Cassie, onde ele descobre que Maggie está noiva de um policial, Paxton.

A terceira versão do herói nos quadrinhos é inteligentemente adaptada como o vilão do filme: enquanto Pym faz uma visita à sua antiga empresa, Pym Technologies, o atual presidente e antigo pupilo de Pym, Darren Cross (Corey Stoll) revela o projeto Jaqueta Amarela, um traje experimental que encolhe de tamanho e que Cross acredita irá revolucionar a guerra e a espionagem.

Homem Formiga vs Homem Fomiga: Jaqueta Amarela é uma das muitas versões do heroi nos quadrinhos.

Homem Formiga vs Homem Formiga: Jaqueta Amarela é uma das muitas versões do herói nos quadrinhos.

A vida dos três se mescla quando Scott Lang decide assaltar a casa de Hank Pym e este, descobrindo as habilidade ladinas do ladrão, decide treiná-lo como o Homem Formiga para espionar Darren Cross.

Inteligente e sagaz, o longa pode apresentar ao espectador anos de confusão e dúvida de como utilizar o herói em uma versão enxuta, direcionada e audaz.

Para completar o time, Evangeline Lilly interpreta Hope Van Dyne, a inteligente filha de Hank Pynn que reluta de todas as formas em confiar em Scott Lang. Aliado ao fato dos flash-backs de seu pai sempre mostrarem a sua fiel companheira, a Vespa, a perspicácia da personagem gera a expectativa do público quanto a sua participação na ação, se esta usará ou não o traje da mãe durante o filme, sendo ainda um dos principais chamarizes para sua participação em futuros projetos da Marvel Studios.

E QUAL É O TAMANHO DA FAMÍLIA?

A vantagem criativa que o Homem-Formiga tem perante seus irmãos mais velhos do Universo Cinematográfico da Marvel é contar uma história micro em um universo que parece depender de histórias macro. Enquanto Guardiões da Galáxia (leia a resenha aqui), Os Vingadores: A Era de Ultron (leia a resenha aqui) e todos os seus antecessores criaram situações que colocavam em risco o mundo ou o universo todo, o Homem Formiga se preocupou em problemas de um contexto muito menor, mas de uma importância tão, ou ainda mais, importante que a salvação do globo: a salvação da família.

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Hope Van Dyne é um dos pontos que geram expectativa ao fã!

Enquanto Scott Lang se torna o Homem-Formiga sempre preocupado em dar um bom lar para a sua filha, é o tormento de Hank Pynn em proteger Hope que o atormenta com as sombras do passado por ter deixado a família de lado.

Mesmo a motivação do Jaqueta Amarela não é das mais megalomaníacas. Ele usa o traje de vilão para conseguir a fama, o prestígio e a riqueza unicamente para si, sem nenhuma pretensão de dominação do mundo ou coisa parecida.

Estabelecendo o excelente roteiro, sobrou apenas para os efeitos especiais fazerem sua parte no contexto geral do filme para deliciar o espectador com as cenas mais criativas que a Marvel Studios já produziu no cinema, utilizando o poder de diminuir e crescer da maneira mais engraçada e frenética possível.

USANDO AS PARTÍCULAS PYM

As cenas de ação são excelentes, desde Scott Lang experimentando seus poderes, passando por missões ou em sua luta final. A comédia é na medida, engraçadissíma e utiliza muito bem os personagens secundários, em especial Luis, o amigo de Scott Lang em textos inteligentes e que se mantem divertidos cada vez que se repetem.

Num universo onde tudo é Michael Bay, o filme trata de uma temática micro.

Num universo onde tudo é Michael Bay, o filme trata de uma temática micro.

Evangeline Lilly e Michael Douglas são o ponto forte da interpretação dos atores, sua química notável de filha e pai funciona, cativa e gera interesse. Paul Ruddy encarnou Scott Lang muito bem, mas não se fez essencial como Homem-Formiga, ele ainda precisa encontrar o tom para não criar essa separação entre o personagem e seu alter-ego.

O ponto fraco do filme fica no desenvolvimento do vilão, que parece sobrar no enredo geral do filme. Apesar de criar uma ameaça importante, ele não se mostra um grande desafio, fazendo do clímax mais um deleite visual de criativas cenas de efeitos especiais que um caso a ser solucionado.

Mesmo com a saída de Wright, o Homem-Formiga se beneficiou e muito das ideias que o roteiro do diretor criaram e fundiu o foco da Marvel Studios de maneira exemplar, criando um filme minúsculo de nome, mas gigante em qualidade.

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RESENHA: Relatos Selvagens

Com a evolução das tecnologias, com as facilidades de se conseguir comida e com o ideal do sucesso ungido sob uma mente que supera o físico, o homem se tornou um ser cada vez mais humano e complacente com as dores e os sentimentos do seu próximo. Porém, o eu-selvagem sempre habitará a alma humana, seja por herança genética ou como sistema de defesa. Pelo menos, é o que mostra Relatos Selvagens, filme argentino premiado no mundo todo.

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ESTRUTURA SELVAGEM

Em 28 de outubro de 2015, o Cine Belas-Artes da capital paulista bateu um recorde histórico: completou-se um ano ininterrupto de exibição de um mesmo filme estrangeiro nas telas do cinema. Para quem não conhece, o Cine Belas-Artes é um cinema de rua a moda antiga que, após quase fechar as portas visto a concorrência desleal com os multiplex dos shopping centers, conquistou um público cativo ao se dedicar a exibição de filmes mais cults, alternativos para o grande público, mas essencial para os cinéfilos.

O filme em cartaz era nada mais nada menos que o longa Relatos Selvagens, filme indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro que elevou a qualidade do cinema argentino a patamares nunca antes visto: sintetizando qualidade, originalidade e quebra de paradigmas em uma só produção.

A ideia do diretor Damien Szifrón era abordar de diferentes maneiras como o ser humano pode se tornar tão selvagem quanto o meio que ele chama de selvagem. Para isto, ele decidiu dividir o filme em 6 histórias diferentes, cada um com seus personagens, seus cenários e seus dramas particulares, mas sempre abordando uma característica humana que o faz perder o status quo de ser racional.

Erica Rivas de noiva é o maior espetáculo do filme!

Erica Rivas de noiva é o maior espetáculo do filme!

Logo na abertura do longa, nos é mostrado tomadas de vários animais, variando entre estados de caça até momentos de repouso, focando olhares e movimentos que muito se parecem com seres humanos também nesses estados, já iniciando com uma bela metáfora do quão próximos homem e animal podem ser.

DO AVIÃO AO FILHO PRÓDIGO

O diretor Damien Szifrón disse que ele encara a ideia de dirigir um filme como um exercício para explorar a realidade além da realidade, ou seja, eles gosta de pensar em histórias possíveis, porém impensáveis de se acontecer. Por isso, os personagens de Relatos Selvagens são todos visivelmente perturbados ou fixados em ideias comuns do dia-a-dia que elevados a niveis extremos se tornam muito preocupantes.

É muito mais interessante assistir o filme às cegas, sem conhecer o roteiro das seis histórias, por isto, esta resenha vai se conter e evitar spoilers, focando nos pontos interessantes que a linha criativa que o filme segue, provocando o espectador e atraindo a sua reflexão.

Mesmo tendo que criar personagens e situações novas a cada capítulo, o filme em nenhum momento perde o fio da meada, atraindo a atenção do espectador a cada cena, fazendo do filme uma experiência totalmente dinâmica. As seis histórias são fantásticas, mas 3 delas são excepcionais, e a primeira delas é a que introduz o filme: Pasternak.

Nunca faça isso no trânsito!

Nunca faça isso no trânsito!

Esse primeiro capítulo é a grande isca do filme. Mesmo sendo bem curto, o diretor cria uma situação angustiante dentro de um avião numa mescla de O Carro Desgovernado com Força Aérea Um, sendo possível de só esta história protagonizar um filme inteiro. É o tipo de drama que fisca o expectador e o faz ter certeza que ele vai gostar de todo o longa.

As duas histórias que seguem abordam a vingança desmedida em uma lanchonete em Las Ratazanas e a ira que se pode chegar em momentos de provocação em El más Fuerte. Em todos capítulos o humor negro é bem acentuado, mas estas duas histórias destacam-se por brincar com personagens bem caricaturais. Assista ao filme acompanhado e você vai poder ver as reações mais diversas de todos ao seu lado.

O capítulo Bombita é outro excepcional que traz um pouco de alívio ao público. Certamente, não ninguém que não consiga se colocar na pele do personagem de Ricardo Darín, um dos atores mais influentes da Argentina, e dizer que nunca pensou em tomar as atitudes que ele tomou.

Neste capítulo, em específico, é interessante notar como é desenvolvido o gatilho que transforma o homem em fera. Szifrón foi muito feliz em se aproveitar ao máximo dos recursos de câmera para captar os movimentos dos olhos dos atores que demonstram o efeito “chega!” dos personagens.

É angustiante ver consternações das personagens.

É angustiante ver consternações das personagens.

La Propuesta vem como um complemento aos demais, abordando de maneira angustiante o drama psicológico que o próprio ser humano consegue se colocar quando põe seus interesses na frente de qualquer situação de punição.

RELATOS CASAMENTEIROS

E genialmente aumentando as expectativas dos expectadores, Szifrón encerra seu filme com uma verdadeira obra-prima quando coloca a atriz Érica Rivas protagonizando um casamento dos sonhos que consegue captar todos os sentimentos dos episódios anteriores e unir numa mensagem final extasiante e inesperada.

Claramente influenciado pelas noivas que o escritor brasileiro Nelson Rodrigues criou em suas peças, em especial “Vestido de Noiva”, a história aborda tanto o lado racional quanto as atitudes desmedidas que as alucinações geradas por situações selvagens podem causar. Do mesmo jeito que Nelson, Szifrón realidade e alienação se mistura em uma sintaxe reflexiva e provocativa.

Todo mundo se coloca na situação dos personagens.

Todo mundo se coloca na situação dos personagens.

Roteiro, produção, fotografia, interpretação. Tudo em Relatos Selvagens é feito com um primor comparável a poucas poucas produções hollywoodianas. Uma verdadeira quebra de paradigma quanto a ideia de fazer cinema, utilizando-se dos conceitos antropológicas para afetar a quem assiste com exímia proeza que inverte o papel de personagem e expectador e metaforiza como nenhuma outra produção, o quão irônico são os lados selvagens e civilizados podem parecer um para o outro quando colocados lado-a-lado.

 

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RESENHA: Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith

Space Ópera é um sub-gênero da ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. Unindo todos estes elementos e exaltando a humanidade, os sentimentos e os vários lados da postura de um ser humano, Star Wars – Episódio II: A Vingança dos Sith é o longa-metragem que superou todas as barreiras da criação e se tornando o referencial ideal de um gênero.

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DO MEU PONTO DE VISTA, MALIGNOS SÃO OS JEDI!

Entusiasmado com a nova tecnologia em mãos e depois percebendo que sua obra não é feito apenas de explicações, George Lucas criou dois filmes bem diferentes entre si para contar o prelúdio de Star Wars. Enquanto o A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha) deu uma atenção demasiada à complexa, porém necessária, trama política, O Ataque dos Clones (leia a resenha aqui) foi extremamente simples, criando uma trama de romance leve e clara.

Pesando erros e acertos, o Episódio III chegou em 2006 como resposta aos saudosistas que esperavam um novo longa-metragem mais próximos das aventuras especiais de Luke, Leia e Han Solo nos anos 80, ao mesmo tempo que soube apresentar ao público o quanto a manipulação do Senado Intergaláctico foi de essecial importância para estabelecer o poder do Império sob todos os planetas.

O filme começa amarrando os pontos não fechados de O Ataque dos Clones. Deixando claro que após a República ter sido salva pelos Clones seguiram-se três anos de combate contra a Confederação, que tem como líderes o Sith Conde Dooku, ou Darth Tyranus, e o General Grievous, comandante das tropas de máquinas que formam a maior parte do exército inimigo.

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

E a missão inicial do filme é justamente o resgate do Senador Palpatine que armou seu sequestro por Dooku. Como não poderia deixar de ser, Anakin Skywalker e Obi Wan Kenobi são os Jedis a liderarem a missão e a travar a primeira luta do filme. Com um defecho angustiante e ao mesmo tempo instigante, esse início serve para estabelecer muito bem a função do longa em abordar a transformação de Anakin em Darth Vader e mostrar todo o processo de tentação por qual passou o personagem.

O DOBRO DO ORGULHO, O DOBRO DA QUEDA!

Apesar de, historicamente, A Vingança dos Sith contar o fim das Guerras Clônicas e a ascensão do Império, é recompensador verificar como George Lucas amarrou a trama política focando a história e os percalços passados pelo Jedi para traçar os efeitos do prelúdio à trilogia clássica, fazendo do personagem a sua grande causa.

Devido a um sonho premonitório que previa a morte de sua esposa Padmé Amidala assim que ela desce a luz ao filho de Anakin, o jovem Jedi começa a buscar maneiras de impedir que o sonho se concretize. É quando entra em jogo o Senador Palpatine que começa uma tentativa desenfreada de coagir o jovem a se entregar aos ensinamentos Sith que, segundo ele, com um potencial enorme, poderia até mesmo trazer os mortos à vida.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

E é nesse ponto que a trama chega a um ponto jamais antes alcançada por um filme de Star Wars: sabendo da proximidade de com Palpatine, o Conselho Jedi coloca Anakin como agente duplo colocando-o como segurança particular do senador ao mesmo tempo que colhe informações dele.

Os argumentos de Palpatine chegam a quase convencer o espectador que, se não tivesse todo o histórico de outros 5 filmes da franquia poderia se convencer tanto quanto Anakin que o Conselho Jedi está tentando trair a República. E o jovem Skywalker resiste ao máximo às tentativas do vilão de trazê-lo ao lado negro da força.

É interessante pesar a situação do jovem: enquanto o Conselho Jedi lhe dá uma sabedoria milenar na solução de problemas que não atende a libertação de suas amarras carnais, o lado sombrio parece lhe oferecer toda a possibilidade de viver em potencial sua força e o amor de Padmé, massageando seu ego e atendendo aos seus desejos de poder.

QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ

Um dos grandes feitos do filme é conseguir trabalhar em toda a sua potencialidade os personagens chave da trilogia clássica, principalmente quando se trata de Obi Wan Kenobi, onde se justifica o porque de ele ser considerado quase que uma figura lendária em Uma Nova Esperança.

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

Em lutas memoráveis e inteligentes, as cenas de ação valorizam de uma vez por todas todo o potencial do Mestre Jedi que, convenhamos, foi bem pouco desenvolvida nos filmes anteriores. Se antes a força de Obi Wan era apenas apresentada, agora sua inteligência, sua capacidade de planejamento, sua sabedoria ao aconselhar e sua humanidade são altamente desenvolvidas, cabendo a ele a vitória na luta contra a derradeira luta contra General Griveous, o único a escapar da Ordem 66 e uma luta extremamente trágica (e épica) contra Anakin.

Yoda é outro destaque. Em todos os filmes, até então, a grande força do personagem estava em sua inteligência e sabedoria. No Episódio III não é diferente, mas é aqui que Yoda também mostra seu potencial guerreiro, encarando Palpatine de frente e impedindo que o recém nomeado imperador fuja após a eleição que lhe garantiu o poder sob toda a galáxia.

A batalha de Yoda não tem um desfecho tão positivo quanto as lutas de Obi Wan, mas a sua conclusão é digna do Jedi, que não fica por baixo em momento algum, mostrando o porquê de ser o mestre supremo dos Jedi.

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Se na trama Padmé assume uma papel quase que totalmente consequencial, estando praticamente fora de todas as sequancias de ação e batalhas, sua participação no filme pe de fundamental importância para o desfecho do filme, perdendo toda a sua motivação e deixando para os Jedi a decisão do que fazer com os herdeiros Skywalker.

ENTÃO É ASSIM QUE A LIBERDADE MORRE… COM UM ESTRONDOSO APLAUSO!

Muitos são os momentos épicos de A Vingança dos Sith. Desde os diálogos muito bem construídos, até as batalhas mais bem coreografadas, não há passagem que tenha maior ou menor importância, nem momento que tire a atenção do espectador.

Não é a toa que o filme chama A Vingança dos Sith. O destaque total vai para a participação de Palpatine e suas manobras de coerção de Anakin e de manipulação do Senado Intergaláctico. O vilão é o exemplo máximo de como a massa é facilmente levada pelas aparências e como o jogo político pode ser perigoso quando é jogado com extrema malícia.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Se o lado sombrio até então era um conceito figurado, a transformação de Anakin em Darth Vader é a analogia perfeita de como alguém pode perder a sua identidade quando o seu ego se sobrepõe aos seus valores básicos, fazendo dos Sith algo muito mais palpável com cada ação do personagem. É impossível esquecer a cena do nascimento de Darth Vader, sendo a sua primeira respirada um dos momentos que se tornaram um clássico automático.

A execução da Ordem 66 dos Clones contra os Jedi é uma das mais bem executadas cenas de toda a saga Star Wars, fazendo da maior tragédia de todos os seis filmes uma passagem poética e de extremo bom gosto artístico, comparável as mais bem executadas óperas dramáticas contemporâneas.

Em Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith, tecnologia e dramaturgia se unem para fechar a prequela da maior franquia espacial de todos os tempos. Em um tom tenso, porém claro, que exacerba os lados mais intrínsecos de cada personagem sem deixar de lado todo o contexto histórico muito citado na trilogia clássica, mas que só em seu prelúdio pode ser totalmente experienciado, fazendo do filme o exemplo de uma perfeita execução ao construir uma space opera.

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

RESENHA: Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força

O que é o novo e o que é o velho quando um choque de gerações se une num mesmo propósito numa mistura de expectativas, aspirações e pontos de vista? O que é o novo e o que é o velho quando não importa qual seja o estilo, a origem ou o destino, mas sim a mensagem final? O que é o novo e o que é o velho quando até mesmo o novo e o velho são contestados quanto a sua ordem cronológica? Meus caros, a resposta para tudo isso é Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força.

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CATANDO LIXO

Interessante notar como a relação do público com os efeitos especiais do cinema muda em um sistema cíclico muito próximo do das artes audio-visuais e literárias. Ainda nos anos 70, George Lucas criou diversas tecnologias e sistemas de filmagem para dar vida a sua ópera espacial, e depois, nos anos 2000, o visionário diretor se entregou a tecnologia do chromakey para usar a computação gráfica como principal recurso para moldar seu rico universo. Em ambos os casos, o diretor estava na vanguarda dos efeitos especiais, utilizando ao máximo os recursos que tinha em mãos.

Mas dez anos após encerrar a exibição do Episódio III no cinema, a exigência do público é outra: a galeria de universos criados por meio dos panos verdes soa preguiçosa por expectadores que valorizam os efeitos práticos de diretores como Christopher Nolan (da trilogia Batman – O Cavaleiros das Trevas) que usam técnicas muito mais próximas das que Lucas utilizou nos anos 80 do que das modernas artes que o After Effects pode produzir. É para estes cinéfilos que foi criado Star Wars – O Despertar da Força.

Referência no mundo dos efeitos visuais, a Lucas Film caiu como um tesouro para Disney, que soube avaliar exatamente como tratar o público fanáticos pelo universo de seu visionário fundador quando entregou Star Wars nas mãos de J.J. Abrams, o aclamado diretor de Lost, Alias e Star Trek: Nova Geração.

 

Aventura é a palavra chave do filme!

Aventura é a palavra chave do filme!

Atento as exigências de mercado e declaradamente fã da maior franquia espacial dos cinemas, Abrams desde o início mostrou que estava pensando com a cabeça do antigo George Lucas, criando cenários com materiais de verdade, arquitetando robôs inusitados que funcionam no mundo real e fazendo atores caminhar por areias e florestas a fim que estes sentissem na pele as dificuldades dos personagens.

Estes conceitos importados de não muito muito tempo atrás, mas já nostálgico, resume-se bem na protagonista de O Despertar da Força: Rey é uma catadora de lixo, que explora máquinas e veículos perdidos e soterrados no inóspito planeta Jakku para trocar maquinário reciclado por comida. Forte, independente e inteligente, a personagem ainda representa muito bem a atual geração de fãs de Jogos Vorazes que valorizam personagens femininas que em nada deixam a dever para os famigerados protagonistas masculinos das obras de aventura clássicas. Interpretada magnificamente pela Daisy Ridler, a personagem quebrou tabus ao mesmo tempo que cumpriu os desejos dos fãs.

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Até mesmo o seu companheiro BB-8 é um símbolo da união do velho com o novo. Enquanto a cabeça do robozinho parece muito com os traços do andróide R2-D2, seu corpo redondo é umas inovação no designs dos maquinários quadradões da obra, além, claro, de fazer parecer impossível sua existência para a física de Isaac Newton.

Junto com Rey, J.J. Abrams ainda “reciclou” uma outra classe de personagem para formar o casal de protagonistas da história: Finn é um Storm Trooper rebelde. Soldados que herdaram a obediência e severidade dos clones das Guerras Clônicas, os Storm Troopers sempre tiveram um visual muito bem aproveitado nos produtos licenciados, mas sempre deixados de lado na trama dos 6 longas da franquia, fazendo apenas o papel dos “bonecos de massa” que aparecem, cumprem a sua função (seja ela perder ou vencer) e vão embora.

Finn (ou FN-2187, como era conhecido como Storm Trooper) rompe o paradigma dos soldados sem desejos próprios e cria uma trama original a partir de um elemento clássico. Junto com Rey, o casal se mostra digno do legado da franquia, com uma “química” incrível, que além de conquistar o expectador, instiga os fãs a quererem saber mais dos personagens. Enquanto Finn protaoniza momentos hilários e ao mesmo tempo de superação, as descobertas e as revelações sobre Rey é o que mais impressiona no filme. O talentoso Oscar Isaac mostoru-se o mais carismático da história (ok, depois do BB-8) e foi a escolha ideal para a proposta ideológica do personagem.

Finn é o mais carismático!

Finn é o mais carismático!

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

É claro que presenciar a criação de novos elementos, ainda mais quando muito bem feitos, para uma série clássica é muito realizador. Mas o efeito nostálgico que a presença dos antigos personagens causam são fenomenais. Se no trailer a aparição de Han Solo e Shewbacca já arrepiou os fãs, no cinema ele consegue até tirar lágrimas em cenas que fazem referências muito fortes aos seus antecessores.

Como um todo, O Despertar da Força segue muito a linha criativa do Episódio IV: Uma Nova Esperança. Apresenta os personagens, apresenta o vilão e através de um mentor mostra por que os protagonistas podem quebrar o “status quo” do cenário estabelecido.

É por meio de Han Solo que Rey e Finn descobrem que as lendas sobre Jedis e combates épicos para destruir as Estrelas da Morte são reais e é também por ele que o expectador passa a entender melhor quais são os perigos que passam a Nova República instaurada por Leia e Luke com a criação de um grupo que herdou os desejos dos Sith e de Darth Vader: a Primeira Ordem.

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

E se os fãs acharam que Harrison Ford não daria conta do seu papel (mesmo quebrando a perna durante as gravações), o ator se mostrou peça chave em toda a trama, estando presente em mais de 80% do filme. De estilo debochado e um romântico canalha, impossível não se emocionar em sua cena com Leia (interpretada pela sempre bela Carrie Fisher), que mais uma vez, parecem ter sido feitos um para o outro tamanha as diferenças que aproximam o casal. Destaque total para a atuação do ator, que mesmo sem ser Jedi, se mostrou um verdadeiro mestre da sétima arte.

Até mesmo o maior desafio do filme foi cumprido. Apesar deixar para os próximos filmes o desenvolvimento do Líder Supremo Snoke (que aliás aparece aos seus subordinados no maior estilo vilão de tokusatsu), Kylo Ren se mostrou um vilão digno de ser odiado.

De personalidade fraca e por vezes oscilante, o rebelde sem causa interpretado muito bem por Adam Driver transita entre aclamado e odiado pelos expectadores por diversas vezes, visto que o personagem é exatamente o retrato de um corte do cordão umbilical com a hexalogia original. Se por vezes, este pareceu indigno do legado de Darth Vader, não há fã no cinema que não torça entusiasticamente para que o vilão seja derrotado em sua batalha final, visto o quão dramático é o seu climax.

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Além disso, o fato de todos da Nova República conferirem a Luke Skywalker a última esperança para vencer a Primeira Ordem, faz que o filme todo tenha um tom de mistério acerca do paradeiro do grande herói da Aliança Rebelde, fazendo com que os fãs fiquem teorizando, durante o filme, a partir das informações passadas, como o último jedi vai aparecer. E o resultado faz muito bonito!

UM NOVO ÉPICO

Explorando cenários diversos como desertos, gelo e florestas, todos os lugares clássicos da hexalogia se fizeram presentes no novo filme. Somando com personagens, atores, máquinas e batalhas especiais de tirar o fôlego, J. J. Abrams se mostrou, além de fã, um diretor tão visionário quanto George Lucas, fazendo com que todos os fãs não possam imaginar melhor mente criativa para tomar conta da franquia.

Como foco na aventura e na trama individual de cada personagem, o longa deixa a trama política às margens de um contexto simples e claro como nos anos 80, mas tão profundo e interessante de ser explorados em outros meios como livros, desenhos animados e games como na trilogia dos anos 2.000.

Essa cena já nasceu clássica!

Essa cena já nasceu clássica!

Um verdadeiro encontro de gerações, o filme respeita o legado de Star Wars ao mesmo tempo que apresenta um rico universo para os fãs de primeira viagem. Apesar de ser muito mais interessante assistir ao longa depois de ter visto os outros seis filmes da franquia, qualquer um que se arrisque a começar sua história com o Episódio VII vai se deliciar com o ritmo frenético dos acontecimentos e de seus três atos muito bem definidos.

Com um final extasiante e cheio de reviravoltas, todos os fãs que sentarem na sala de cinema para contemplar essa verdadeira obra-prima do cinema contemporâneo vão concordar com o mesmo ponto: não importa se é novo, velho, contemporâneo, noir, clássico ou fora de paradigma, Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força é o resultado de uma legado que traz novamente aquela torcida pelo mocinho, a rivalidade com o vilão e a emoção de uma luta entre o bem e o mal tão inocente que só um universo de muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante é capaz de trazer!

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Leia também na Salada Web: Review de Star Wars – O Despertar da Força!

RESENHA: Os Vingadores – A Era de Ultron

O trabalho em equipe guiou a humanidade em suas ações mais memoráveis em todas as passagens da história! Os gênios sempre tiveram sua função singular, porém foi unindo forças que o homem dominou seu meio e passou a brincar de ser deus. Em Os Vingadores – A Era de Ultron uma equipe de gênios guia uma trama grandiosa!

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PREENCHENDO LACUNAS

Desde que o Marvel Cinematic Universe ganhou proporções massivas com a exibição de Os Vingadores (leia a resenha aqui), todos os fãs de cinema e quadrinhos passaram a “estudar” os elementos históricos dos personagens para adivinhar as tramas e os possíveis enredos dos filmes que o sucederam, que bateram recordes de público e crítica a cada produção.

Até chegar em Os Vingadores – A Era de Ultron, o segundo filme unindo os personagens do universo Marvel no cinema, foi abordada a depressão de Tony Stark em o Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), a morte de Loki em Thor – Mundo Sombrio (leia a resenha aqui) e a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América – O Soldado Invernal (leia a resenha aqui).

Todos estes temas já haviam sido abordados nos quadrinhos, o que levava os fãs a prever as suas consequências nos filmes vindouros. E parece que o diretor Joss Whedon levou essa tendência do público a sério ao formar o enredo base de Os Vingadores – A Era de Ultron, deixando para os fãs imaginar como algumas das condições iniciais do filme foram moldadas entre um filme e outro.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

A trama pouco aborda a queda da S.H.I.E.L.D. e apenas cita que a Torre Stark virou a base de operações dos Vingadores. Apesar de partir de Thor reunir os Vingadores novamente para resgatar o cetro de Loki na Terra, nada se diz de onde partiu a busca. Por fim, a depressão de Stark teria sido o ponto de partida para que ele e Bruce Banner sonharem em criar Ultron, a máquina de inteligência artificial perfeita para a proteção da humanidade.

NASCE ULTRON

Com a cena extra de Os Vingadores aparecendo Thanos, era de se esperar que o grande conquistador do universo da Marvel fosse o vilão do segundo filmes da super equipe de heróis.

Com o anúncio de Ultron fazendo a vilania, muitas das tramas previstas envolvendo as jóias do universo foram por água a baixo, porém, o diretor Joss Whedon sube mesclar muito bem a grande trama do Marvel Cinematic Universe com a trama coloquial de vencer Ultron.

Debochado e egocêntrico, a inteligência artificial de Ultron começa a estudar o que é “proteger a humanidade”, chegando a conclusão que uma equipe como os Vingadores é o maior perigo que a humanidade poderia enfrentar, e começar a colher materiais por todo o mundo para ficar forte o suficiente para deter a todos os heróis.

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

As catástrofes geradas por suas ações que matam humanos a máquina considera um pequeno sacrifício se comparada a grande salvação da humanidade em exterminar os Vingadores. Essa personalidade herdade de seu principal criador, Tony Stark, foi o diferencial que deu ao personagem um tom único e inovador para a história.

Criada e finalizada dentro do filme, Ultron nasceu das boas intenções megalomanicas de Tony Stark apoiadas por Bruce Banner, o que foi o estopim para uma troca de farpas entre os heróis.

Se no início do filme, a união dos heróis começa a produção da maneira mais extasiante possível, dando uma grande vitória a equipe indo direto ao ponto e mostrando que a equipe está muito bem estabelecida, é a desconfiança geral e as derrotas dos subgrupos gerados pelos problemas e situações criadas por Ultron que obriga a equipe a parar e repensar suas ações e refletir “o que é ser um Vingador”.

E AFINAL, O QUE É SER UM VINGADOR?

Gavião Arqueiro. O mais menosprezado personagem de toda a franquia Marvel nos cinemas ganhou um incrível destaque no filme ao ser o mais sensato ao responder a grande questão do filme.

Dono de uma maturidade invejável, Clint Barton mostrou que seu romance com a Viúva Negra não passou de mais uma história da imaginação dos fãs ao colocar todos os membros da equipe de heróis para fazer tarefas simples do dia-a-dia em sua casa de campo junto com sua esposa e filhos.

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

Nas cenas de ação, o arqueiro roxo fez piadas o tempo todo com sua condição desfavorável ao se comparar com todos os seus poderosos companheiros. Dando lições de moral ao companheiros de longa e curta data, o filme alcança seu apogeu moral nos diálogos e sequências que conflita com a Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

E por falar nos gêmeos, que não foram chamados nenhuma vez por suas alcunhas dos quadrinhos, muito bem eles foram inseridos na série. De maneira sutil e sem muito estardalhaço, os mutantes/milagres/inumanos (a Marvel não definiu exatamente o que eles são no seu universo cinematográfico) fizeram bonito, mostrando-se uma pedra no sapato quando vilões e importantes aliados quando heróis. A ótima atuação de Elizabeth Olsen e Aaron Johnson muito acrescentou aos personagens, que foram a adição mais interessante do filme.

Adicionado também foi Visão, o andróide nascido da união do material criado por Ultron para ser o seu corpo perfeito com a inteligência artificial Jarvis que sempre auxiliou Stark. Se o seu nascimento foi um dos pontos altos do filme, pouco o personagem acresceu na trama. Mesmo que com papel essencial na vitória contra Ultron no final, sua participação foi mais técnica que ideológica, acrescentando efeitos com poucas causas.

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

E na busca por respostas, o veteranos mostrara para que vieram. Enquanto Capitão América e Thor foram mais funcionais, mas mesmo assim donos de muitas das cenas de ação, o romance de Hulk e Viúva Negra foi o que materializou para o espectador as dificuldades e o peso de se carregar as responsabilidades de protetores da humanidade. Mais contido neste filme, Hulk teve de enfrentar sua condição de monstro mais uma vez após ser detido por Tony Stark com a armadura Hulk Buster!

O Homem de Ferro mais uma vez teve papel fundamental e a atenção principal do filme, tanto por não ter nenhum filme próprio nos próximos anos como para justificar o salário exorbitante de Robert Downey Jr. Sendo a fagulha que acendeu o problema Ultron no filme, Stark mais uma vez que teve que enfrentar conflitos de personalidade com outros personagens, o que muito provavelmente vai gerar, no futuro, novas consequências para novas tramas (alguém pensou em Guerra Civil?).

E COMEÇA UMA NOVA ERA

Os Vingadores – A Era de Ultron começou cheio de razão de ser, surpreendeu no início, se mostrou mais maduro em toda a trama, teve seu humor muito bem colocado e se mostrou maior e mais intenso que o seu predecessor.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

O filme acertou em cheio em utilizar o mesmo estilo de ação da luta contra Loki: enquanto a maioria dos heóis vai dando conta dos “bonecos de massa” do vilão principal, este é encarado por uma dupla ou trio de heróis, que vã se intercalando para dar igual atenção aos seus poderes.

Sua falha ficou em desenvolver muitas tomadas grandiosas muito coladas com a outra, exagerando na ação e deixando a trama, por muitas vezes, em segundo plano ou desconexas. Se o filme tivesse meia hora a mais (como o diretor queria!) esses problemas não tivessem acontecido e alguns fatos isolados, como a busca por respostas de Thor, o abandono de Hulk ou o fim de Ultron pudessem ter sido menos corridas.

Maior e muito mais ousado que o primeiro Vingadores. Mais maduro ao abordar as questões e os conflitos psicológicos dos personagens e ainda mais cheio de tomadas de ação de tirar o fôlego, o que mais define o filme é a palavra “mais”.

O mais completo de conteúdo, mais cheio de personagens, mais abrangente em todo o universo Marvel e o mais condensado filme de super herói que o cinema já teve.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

RESENHA: Os Miseráveis, filme de 2012

RESENHA: Os Miseráveis, filme 2013

Há momentos em que os seres humanos passam por eventos que sabem que serão um corte histórico na ideia de conhecimento de mundo, um corte histórico que mudará para sempre a vida daqueles que presenciaram tal ato. Foi assim em 1789, durante a Revolução Francesa e é assim nos anos 2000, quando o filme Os Miseráveis entrou em cartaz em 2012!

Les-Miserables-resenha

Não é novidade nenhuma um longa-metragem de Os Miseráveis. Após virar uma das maiores produções da Brodway nos anos 80, o livro de Victor Hugo já foi adaptado para as mais diversas telas de cinema de todo o mundo, com várias produções européias e americanas em diversos segmentos, seja drama, documentário ou musical. Mas a produção de 2013 é, indiscutivelmente, pioneira em ascender a obra para o mundo com tanto esmero, pois nunca nomes tão preciosos de Hollywood se reuniram para dar vida a uma das mais comoventes histórias de superação, amor e tragédia que a humanidade já viu.

Ambientado na França 35 anos após o fim da Revolução Francesa, o filme conta a história de Jean Valjean, um homem que foi condenado injustamente com uma pena muito maior que o seu delito de roubar pães para sustentar a família poderia carecer. Após fugir da prisão (que logo na primeira cena já dá um banho de efeitos especiais e um texto surpreendente o suficiente para impactar o público), Valjean dá uma reviravolta na sua vida graças a um bondoso padre que vê a bondade no homem, se tornando um rico proprietário de uma empresa de manufatura de roupas que dá emprego a Fantine, uma personagem ainda mais marcada pelas injustiças sociais que o seu patrão.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Trabalhando as clássicas 16 horas por dia que todos se acostumaram a ler na escola mas que jamais poderiam compreender como é vivenciar, Fantine dedica cada segundo da sua vida para juntar dinheiro para enviar para a filha Cosette que vive com um casal de estelionatários donos de uma pensão fora da cidade, já que o pai da criança abandonou a mulher antes mesmo da menina nascer. Dona de uma beleza impar, Fantine é constantemente assediada e vítima das maiores injustiças entre as outras costureiras com que trabalham.

O drama dos dois personagens se cruza junto aos numerosos dilemas que ambos são obrigados a passar cada vez que o injusto e corrupto pais governado pela burguesia que se dizia partir dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade começa a mostrar a carência de justiça e o excesso de arrogância e prepotência de quem está no poder. Contrastando com esse cenário de repúdio e desolação, os protagonistas exploram cada um dos pontos que a história deixou de contar e/ou não deu a devida importância por nunca se importar com a história dos menos afortunados, porém que não passaram desapercebidos pelos olhos de Victor Hugo.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Se para os espectadores o filme já abrilhanta os olhos pelo enredo, pelas cenas de forte emoção e pelo conteúdo crítico inserido, para os atores ali presentes o filme é como um “ode à arte de atuar”. As vezes dá para se perguntar se Hugh Jackman, ator que interpreta Valjean já se acostumou a protagonizar blockbusters, ou mesmo como Anne Hathaway, atriz de Fantine, consegue ficar ainda melhor a cada papel que faz. Se Jackman se mostrou o ator ideal para cada uma das condições que seu personagem se submete ao longo do filme, Hathaway se tornou (mais uma vez) o destaque total do filme, fazendo só com que sua performance durante sua canção em solilóquio já a fizesse merecedora do Oscar de melhor atriz que ganhou em 2013. E como se tudo isso já não bastasse, o público ainda ganha o angustiante, e mesmo assim maravilhoso, trabalho de Russel Crowe como Javert, o antagonista do filme que personifica todo o efeito ideológico reverso causado pela burguesia nos anos da pós-revolução francesa.

Mesclando grandes nomes de Hollywood com atores ainda em ascensão, o diretor Tom Hooper conseguiu dar luz a uma obra-prima dos palcos no cinema da maneira como o clássico de Victor Hugo merecia. O fato da produção ser um musical surpreende ainda mais, por esse ser um gênero que parece extrair o que de mais puro há no ser humano para ser exposto. Se num contexto como o de Moulin Rouge a musica exterioriza toda a magia do amor e dos sonhos, em um drama quase pós-apocaliptico como o de Os Miseráveis, a face desolada e fragilizada do ser humano é revelada de maneira brutal e saliente, emocionando e mexendo com os corações aflitos de dentro e de fora da tela de cinema em canções que revelam vidas, personagens e personalidades do século XIX em seus diversos loops temporais que regem a vida de um protagonista em seu desejo de felicidade.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Encantador, contestador, intrigante e fascinante. Tudo parece pouco quando se quer descrever Os Miseráveis. Em um misto de sensações, cada personagem se une dentro de um bem maior que começa restrito a Valjean e vai se expandindo em diversas outros analogias históricas conforme a história avança, sendo o exemplo de ficção artística que o cinema precisa para não cair em armadilhas mercadológicas. Se a primavera armada do século XIX pudesse contar como foi a história de sua história, esta estaria estampada neste filme.

“O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos.
Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade.
Ao infinito é necessário o inesgotável.”
Victor Hugo

RESENHA: Detona Ralph

Se ser herói é um trabalho que exige esforço e dedicação constante, superando barreiras a cada dia, torna-se ainda mais tortuoso o caminho que leva um vilão a continuar desafiando o herói a medida que o tempo e o espaço se modificam a sua volta e a derrota se torna uma constante. Em Detona Ralph, o espectador é levado a conhecer o quão heroi um vilão pode se tornar quando ser mal é algo bom.

Detona-Ralph-logo
DISNEY EM CG

Desde o nascimento da produtora, a Pixar se solidificou como a maior representante das produções em computação gráfica de Hollywood e um dos maiores fatores por todo esse sucesso não é outra senão a Disney. Assim, quando os estúdios do Mickey resolvem por si mesmo fazer uma animação em CG, sempre fica uma aresta que faz levar a crer que a produção é da Pixar e não da Disney.

Seja Dinossauros, Bolt ou Enrolados, por mais que as características do estúdio sejam latentes, o jeito Pixar de fazer animação já está tão atrelado à Disney, que cada vez mais ambos os estúdios parecem se fundir em um mesmo resultado.

Mas não há animação que mais reflita isso que a exibida no início de 2013 nos cinemas de todo o mundo. Detona Ralph não só é um filme com a “cara” da Pixar, como também é a soma de todos os resultados positivos que o estúdio conseguiu em todos os seus filmes, só que usado pela Disney.

Usando a mescla do sensível com o horror de Monstros SA, o ritmo de Procurando Nemo, as premissas de Toy Story e o oportunismo mercadológico de Carros, a Disney produziu um longa próprio de se tirar o chapéu de cowboy, fazendo de Detona Ralph um filme que não deixa escapar nenhum público-alvo do cinema.

SÓ QUERO SER UM HERÓI

“Eu sou mau e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não há ninguém que eu queria ser além de mim.”

É com esse juramento em uma sala repleta de vilões que milhares de fãs de video-games voltaram seus olhos para o filme da Disney. Com um apelo que pega carona com o sucesso de vários personagens da Nintendo, Sega, Capcom, Konami, entre outras produtoras de jogos eletrônicos presentes na história, Ralph já começou detonando.

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

Com cara de mau, mas ainda assim muito carismático, Ralph é o vilão do jogo Concerta Tudo Félix Jr, jogo dos anos 80 que faz uma perfeita analogia ao primeiro jogo de Mario, o célebre mascote da Nintendo. Frustrado por mais de 30 anos acabar sempre na pior no fim do jogo, Ralph decide conseguir uma medalha fora do seu jogo após ser desafiado por um dos personagens secundários que Félix Jr. salvou.

A partir daí o universo começa a ser construído  toda a loja de games onde os consoles e arcades dos games ficam, são conectados através dos fios de eletricidade, dando aos personagens do jogo a liberdade de transitarem por entre os jogos quando não tem nenhum jogador por perto. Algo muito semelhante ao que faziam os brinquedos de Toy Story na casa de Andy.

Mas errado está quem pensa que a história do jogo basta apenas por mostrar diversos cenários em três dimensões dos games. Ao conhecer de um jeito nada convidativo a pequena Vanellope von Schweetz, um bug do jogo Sugar Rush, Ralph desenvolve um relação de amizade com ela, mesmo após ambos tentarem passar a perna no outro devidos aos seus interesses particulares.

Em um ritmo alucinante onde novas informações e novas situações são criadas a todo o momento, as crianças não conseguem tirar os olhos da tela, enquanto os mais velhos começar a relembrar personagens do passado e a teorizar e sistematizar todo o universo dos games inserido ao contexto do filme, que se completa a cada dedução, deixando o filme sem arestas a serem preenchidas, devido ao cuidadoso trabalho dos roteiristas ao construir o cenário do filme.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Se o contraponto físico entre Ralph e Vanellope é abordado em um lado do filme, é na doce relação emocional de Félix e da destrutiva Sargento Calhoun, comandante do jogo Hero’s Duty, que precisa impedir que um vírus se espalhe pelo sistema do Sugar Sugar Racing, que a Disney se deu a oportunidade de explorar vários nichos de piadas, que divertem as crianças e surpreendem os adultos e fãs de games.

UM MARTELO DE OURO DADO PELO PAI!

Assim como o martelo que concerta tudo que o master carismático Félix, a Disney construiu uma obra-prima das animações em CG com Detona Ralph, aproveitando todas as lições que a Pixar sofreu no decorrer dos anos e se aproveitando do interesse exponencial por personagens da nova e da antiga geração que os a disputa mercadológica entre o Nintendo Wii e o Playstation 3 geraram entre jogadores de todas as idades.

A temática é atual e muito bem aproveitada, transcendendo os limites de uma animação a primeira vista simplista, levando o espectador a refletir sob como se comportam as pessoas a sua volta quando seus desejos estão em jogo, fazendo do bem e o mau, simples nomenclaturas que variam de acordo com as máscaras que vestem na disputada sociedade contemporânea.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Com referências dadas nas horas certas, uma dublagem de primeira com as vozes do sobrinho de Silvio Santos, Thiago Abravanel, como Ralph e da VJ Marimoon como Vanellope, Detona Ralph pode ser considerado um divisor de águas para as animações em CG da Disney, conseguindo surpreender o público com uma história cativante, carismática e cheia de potencial para ter várias continuações!

RESENHA: Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones

Uma das premissas da juventude é a transformação. Biologicamente, o corpo se transforma com a puberdade; emocionalmente, a mente amadurece; ideologicamente, o jovem transmigra de ser passivo e se torna o protagonista do meio em que vive. Em meio a perturbadas guerras ou a um ambiente de paz, há muito, muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, o jovem Anakin também se transformou, em Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones, começa o grande combate entre sabedoria da juventude e a força da tradição.

INÍCIO DO PASSADO

Uma das frases que mais povoou a mente dos amantes da saga de George Lucas, foi quando ainda no primeiro filme da série, foi revelado que o pai de Luke Skywalker lutou nas chamadas Guerras Clônicas, um evento que mudou para sempre o governo e a soberania do Império Galáctico.

Se toda a mitologia do passado de Star Wars sempre foi algo das teorias e das fanzines mais diversificadas e criativas dos fãs, nada melhor do que revelar como foi o início das Guerras Clônicas como tema do segundo filme da segunda trilogia que conta o segundo episódio da maior saga espacial que o cinema já teve.

Além disso, mesmo para os novos fãs, a curiosidade pela continuação da história se torna latente mesmo antes do início do filme, afinal, não há quem se perguntasse como e porque o inocente Anakin Skywalker se tornaria o tão temível vilão Darth Vader com tutores de tamanha coragem e honra como Obi-Wan Kenobi?

Mesmo com a base complicada e muito administrativa do universo Star Wars durante A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha), não há como não querer sempre mais batalhas de sabre de luz, mais princesas sendo salvas e mais monstros estranhos sendo derrotados. Misturando tudo isso e mais um pouco, começa o Episódio II.

O jovem Anakin Skywalker precisa conviver com a dor da perda mesmo antes de se tornar um Jedi.

EU ODEIO QUANDO ELE FAZ ISSO

Anakin cresceu, já se passaram 10 anos desde que Qui-Gon-Jin morreu após resgatar um pequeno menino com alta concentração de midichlorians no sangue em Tatooine que todos passaram a acreditar ser o jovem previsto pela profecia que trará o equilíbrio para a força. Obi-Wan já é um mestre Jedi e Padmé Amidala se tornou senadora do Senado Galáctico após exercer dois mandatos seguidos como Rainha do planeta Naboo.

Com personagens já conhecidos do público, o filme começa logo em grande estilo. Com a iminente ameaça à vida de Padmé por um inimigo desconhecido que conhece a influência da ex-rainha no Senado, Anakin e Obi-Wan passam a protegê-la, logo tendo que iniciar um combate aéreo com perseguições em carros voadores num grande planeta metrópole da República.

Logo na perseguição é deixado claro as diferenças entre mestre e discípulo: enquanto o primeiro prefere se utilizar de métodos consagrados pelos Jedis para fazer a guarda e deter os inimigos, o segundo prefere se utilizar da criatividade e dos impulsos do momento para executar planos que se adequam as condições do perigo.

A senadora Amidala é alvo dos separatistas!

O atrevimento de Anakin chega a perturbar constantemente a Obi-Wan, a quem ele acusa de privar seus talentos e a impedir que ele se forme um mestre Jedi de uma vez por todas. Apesar de ser uma conduta trivial da adolescência, o filme explora a que níveis tal comportamento pode levar alguém com poderes como a Força.

A clássica briga entre adultos e adolescentes fica ainda maior quando a paixão de Anakin por Padmé chega a limites extremos: por ordem de Yoda, o jovem padawan (aprendiz Jedi) se torna o guarda-costas da senadora Amidala, enquanto Obi-Wan vai investigar a origem dos perseguidores. Tal decisão de Yoda funciona como um meio-termo do que cada um dos dois queria seguir após verem o assassino de Amidala morto por companheiros: enquanto Anakin queria investigar em dupla, Obi-Wan queria fazer a guarda em dupla. Separando os dois, Yoda estimulou Obi-Wan a comportamentos mais jovens e Anakin a condutas mais adultas, já que Padmé sabe que uma senadora não deve se envolver emocionalmente como um Jedi.

ANAKIN, SINTO QUE UM DIA VOCÊ AINDA MAIS ME MATAR

Ao contrário do Episódio I, o enredo aqui é simples, e por isso mesmo tão inspirador. Enquanto Obi-Wan descobre o exército de Clones que a República prepara a anos em segredo para deter os ataques dos separatistas, hoje liderados pelo servente de Darth Sideous (representante máximo do lado negativo da força), Conde Dooku, que está se preparando para atacar a Aliança Galáctica da República comandada pelo Senado, Padmé e Anakin descobrem a importância da amizade em um relacionamento amoroso, detendo ao máximo seus impulsos carnais.

Obi-Wan descobre a criação dos Clones a pedido de um antigo Chanceler da República.

Se a arrogância juvenil de Anakin por vezes o parecia levá-lo a lados não muito nobres da força, foi quando ele e a princesa viajam para Tatooine para se encontrar com a mãe do padawan, que o jovem experimenta pela primeira vez sentimentos hediondos capazes de levar um homem a loucura, quando descobre que o Povo da Areia sequestrou e matou sua mãe.

As experiências em Tatooine começam a aguçar ainda mais o sentimento do casal. E a grande mensagem do filme começa a se formar quando Anakin e Padmé, agindo até então responsavelmente graças a ação de Yoda, passam a valorizar o aproveitar do momento e a experiência da felicidade enquanto houver vida no momento. O mesmo acontece com Obi-Wan, que preso pelos separatistas passa a entender o método in loco de Anakin.

A luta final dos três protagonistas contra os exércitos separatistas além de levar Star Wars a um ponto jamais antes visto nas quatro produções anteriores em questões de efeitos especiais, levam a uma prévia do que seriam as Guerras Clônicas que a República iniciaria com os Separatistas.

Com uma baixa quantidade de soldados para combater os droids inimigos, a República decide apelar para o uso dos Clones produzidos para fins bélicos, mesmo que sem total consciência da origem deles, visto que o produtor deles, está lutando a favor do Conde Dooku.

Conde Dooku é um ex-Jedi líder do movimento separatista!

Se os efeitos com sabres de luz e naves espaciais já faziam os fãs sonharem a noite nos anos 80, a luta do trio de protagonistas mostrada em detalhes, com frames e closes em cenas de ação são de tirar o fôlego. E o que falar de Yoda lutando contra Dooku? Se o boneco da trilogia original já era carismático, o Yoda lutador se transforma no personagem dos sonhos: o sábio ermitão com um poder de fogo de tirar o fôlego!

FAÇA OU NÃO FAÇA. A TENTATIVA NÃO EXISTE

Cheio de referências a trilogia clássica, desde frases de Obi-Wan até a perda do braço de Anakin para o conde Dooku, Star Wars Episódio II – O Ataque dos Clones finalmente pôde mostrar para a nova geração de fãs o porquê da trilogia clássica ser tão cultuada até os dias de hoje. Cheia de conflitos ideológicos, personagens cativantes e performances (tanto dos atores quanto da equipe de efeitos especiais) épicas, a produção é o reflexo da grandiosidade técnica e da simplicidade cativante do diretor e criador George Lucas.

Explorando um tema não presente em nenhuma de suas produções antigas, Lucas pôde explorar de maneira singular o embate entre jovens e adultos mesclando toda a riqueza do universo de Guerra nas Estrelas com o jogo de adivinha que a personalidade de Anakin resguarda com sua futura transformação em Darth Vader.

Contar a origem dos clones que se tornaram peça essencial para as quase lendárias Guerras Clônicas ligam passado e presente na história, fazendo com que, além de contar o passado do grande vilão da saga, ainda cumpra seu papel histórico dentro da mitologia da série.

R2-D2 e C3PO são as únicas testemunhas do casamento de Anakin e Padmé.

Instigante, carismático e ao mesmo tempo perturbador, o jovem Anakin conquista os jovens e ganha o respeito dos mais maduros, não por ser o personagem que todos queriam ser, mas por revelar uma parte do ser humano que todos querem exprimir e a sensação que todos não param de ter: a paixão pela vida e a vontade de fazer tudo certo, mesmo que todas as transformações a sua volta pouco valham, se comparada ao caleidoscópio de mudanças que se passam em seu interior.

RESENHA: Batman – O Cavaleiros das Trevas

Justiça. Confundido com a cruz e a espada, um justiceiro cria esperança aos mais inocentes e terror aos mais difusos. Em Batman – O Cavaleiros das Trevas caos e o acaso se unem para contar a história do herói que Gothan precisa, mas que ela precisa aprender a merecer.

O CORINGA

Desde Titanic, não houve filme na história do cinema mais cheios de rumores, mais cheios de lendas, mais cheios de superstições ou simplesmente mais comentado em escolas, locais de trabalho ou numa conversa com os amigos do que Batman – O Cavaleiro das Trevas.

Cercado por contextos e desconexos, o segundo filme do Homem-Morcego nas mãos de Christopher Nolan surpreendeu multidões no cinema e fora dele, seja com seus diálogos fortes ou com todos os acontecimentos envolvendo atores e produção.

Se o trabalho de marketing envolvendo o filme se tornou uma referência mundial para o chamado marketing de guerrilha (com ações que variaram desde shows com a esquadrilha da fumaça na Comic Con até caça ao tesouro na cidade de São Paulo), foram as tragédias envolvendo o acidente de Morgan Freeman, o caso da provável agressão de Christian Bale e a morte de Heath Legger que levou o filme a repercussões mundiais mesmo antes da estréia do filme em 2008.

Mas independente das previsões e do proveito que muitos meios de comunicação tiraram da situação, não foram tais acontecimentos que tiraram o brilho dos filmes na telona, um clássico dos tempos modernos e arrisca-se a dizer, o melhor filme de todos os tempos.

Até quando será necessária a existência de Batman em Gothan City?

E não é para menos, combinando a figura de um herói sombrio com a perpetuação do caos que um vilão imprevisível poderia propiciar, Christopher Nolan levou para os cinemas uma experiência nunca antes vivida por um expectador em qualquer tipo de arte.

De maneira muito mais contestadora e muito mais incisiva que Batman Begins, o segundo filme do reboot do Homem-Morcego se utilizou de toda uma mitologia para racionalizar em metáforas questões que levam o espectador a se perguntar a todo o tempo o que este faria se estivesse em Gothan City.

O CAOS

Não é a toa que Batman é um herói que sobrevive a décadas e para sempre seu legado será perpetuado através de suas revistas. Junto com Superman, o herói consegue englobar a todo tipo de espectador, primeiro o que prefere uma visão simplista e esperançosa e o segundo aqueles com uma visão complexa e menos clara do que será seu futuro.

Mesmo que criados numa visão durante a segunda guerra mundial, os valores e a simbologia deixadas, utilizadas e sumariamente reinventadas nos quadrinhos, tv e cinema formam uma rica visão ideológica para ser passada através das lentes de Hollywood, afinal qualquer tipo de idéia pode ser reinterpretada e aplicada em qualquer tempo que seja exprimida.

Coringa é como um cachorro atrás de um carro, se conseguisse pegá-lo, não saberia o que fazer com ele.

Christopher Nolan foi o diretor que mais pôde perceber isso ao filmar seu Batman. Sua Gothan foi formatada de mostrar toda a decadência que uma cidade com 33 milhões de habitantes pode criar. Seus habitantes, tão corruptíveis e ao mesmo tempo tão revoltados com a situação que criaram se tornaram cada vez mais humano com a condição que o diretor pôs a eles: um bizarro palhaço anarquista que só quer ver o circo pegar fogo.

Criado a partir de uma visão particular do diretor, Nolan levou aos cinemas através de uma atuação inigualável e memorável de Heath Ledger um Coringa ousado, irrefreável e muito possível de ser concretizado em um contexto como o de Gothan, seja na ficção ou na realidade.

O traço mais notável que foi dado ao personagem é a sua capacidade de parecer tão real, verdadeiro e próximo do espectador. Completamente louco e insano, o Coringa desperta tanta revolta quanto admiração do público.

A medida que o vilão coloca Batman em uma nova situação capciosa, Nolan vai provocando o espectador a refletir sobre o seu contexto de vida perante a cidade de Gothan, muitas vezes restritas e desejosas de uma resposta concreta do herói, coisa que, como na vida real, muitas vezes não viria.

EU ACREDITO EM HARVEY DENT

Do mesmo jeito que o Coringa foi formatado a partir de uma situação de Gothan City, o mesmo que Nolan fez com o alter-ego de Bruce Wayne em Batman Begins, o promotor de justiça Harvey Dent foi o resultado do encontro da cidade com o seu herói.

Batman, Harvey Dent e o comissário Gordon se unem na caçada contra o crime organizado da cidade!

Necessitada de um exemplo para continuar a seguir, Bruce Wayne e o comissário Gordon vêem em Dent a oportunidade ideal do símbolo Batman não ser mais necessário e a inspiração dos cidadãos parta de algo muito empírico que a figura do Homem-Morcego.

A conversão que Coringa provoca em Harvey até ele se tornar o Duas-Caras não foi por acaso. Além de feita em um tempo incomum para os filmes de super-herói ao único estilo Nolan de fazer cinema, a ascensão do vilão foi o complemento ideal para a conclusão do filme e a idéia geral da figura de Batman na cidade, um intermediário entre a condenada Sodoma e Gomorra e a transmutação em valorosa Metrópolis.

Não só o personagem como muito do contexto da cidade, de Coringa, do comissário Gordon e do próprio Batman vem de uma combinação genial de elementos das histórias O Longo Dia das Bruxas de Jeph Loeb e O Cavaleiro das Trevas de Frank Miller.

Assim como nos filmes, uma das características principais dos quadrinhos é a humanização do herói e dos vilões, e a construção de cada uma de suas personalidades sem justificar as insanidades de suas ações.

Acrescentando a discussão sobre ética, moral, medo, caos e vingança que o filme trás em cada diálogo, todos muito bem construídos e claros, a formatação final do filme cria o ambiente perfeito para uma nova geração de filmes de super-heróis e uma nova visão de como se contar histórias através do cinema.

Segundo o Duas-Caras, o acaso é o mais justo dos decisores.

O CAVALEIROS DAS TREVAS

Estamos destinados a fazer isso para sempre“. Incrível como uma das frases do Coringa consegue ser tão clara e tão complexa ao mesmo tempo.

Se para os fãs a frase teve um significante que refletiu a permanente luta entre o bem e o mal do herói e do vilão, a filosofia interpretou tal colocação como o caos e as regras permanentemente moldadas através da essência do homem.

E se fosse avaliar os campos da psicologia, antropologia, comunicação ou qualquer outra ciência humana, tal embate entre Batman e Coringa poderia percorrer tamanhas interpretações e posicionamentos que tão ricos como os dois personagens, gerariam irreversíveis conteúdos para novas e eternas discussões.

RESENHA: O Espetacular Homem-Aranha

O herói encapuzado, um estudante talentoso. O seu amigo de sempre, um fotógrafo dedicado. O maior herói de Nova York, um homem em busca de respostas. Emoção, tensão e realidade são postas em cheque em O Espetacular Homem-Aranha, onde mostra-se que o herói e sua identidade estão ainda mais próximas quando não se conhece seus segredos.

COMEÇO DIFÍCIL

Acabou a sessão de cinema. Peter Parker não ficou com Mary Jane, aparentemente Nova York não está tão segura com o fim dos últimos vilões e a personalidade do Homem-Aranha não parece tão esclarecedora para os cidadãos da cidade de Nova York.

Problema? É claro que não! Isso é excelente, pois parece que daqui a uns três ou quatro anos teremos um Homem-Aranha 4! Pois não parece que Sam Raimi concordou com tamanha reflexão após terminar sua terceira produção do aracnídeo.

Devido aos problemas que passou durante a produção do último filme com a Sony Pictures, o diretor decidiu se afastar da produção do Aranha.

E aí começou o efeito sanfona: os produtores insistiram e conseguira trazer não só Raimi, mas Tobey Maguire e Emma Thompson para uma quarta produção.

Porém, a não concordância das partes em acertar O Abutre como vilão do quarto filme, como queria Raimi desde o terceiro longa, fez com que sem uma carta branca da Sony Pictures ele desistisse de continuar a franquia.

O novo casal é menos romântico e mais natural.

Com o clima ruim que a saída do diretor provocou na produção e a decisão dos atores protagonistas de não aceitar uma produção sem Raimi levou a dententora dos direitos da série a realizar um ato um tanto quanto polêmico: iniciar a saga do zero!

UMA MISSÃO

Marc Webb foi alvo de uma difícil missão fazer com que um novo Homem-Aranha conseguisse uma grande aceitação do público sem que o fantasma deixado por Sam Raimi assolasse sua nova produção.

Algo dificil pela alta aceitação do filme anterior, algo difícil por o último filme da antiga franquia ter se passado há apenas cinco anos antes da data de estréia do novo longa.

Como tirar da cabeça do espectador o romance tão próximo dos contos de fadas que Peter Parker e Mary Jane viveram? Como evitar as comparações entre os novos e os antigos atores? Como provar que Peter Parker está vivendo a história do novo filme sem nunca ter vivido suas lutas contra o Duende-Verde, o Dr. Octopus ou o Venon?

O que parece ser comum nos quadrinhos não se aplica tão facilmente no cinema: a troca de atores não é como um novo traço de um novo desenhista, e um novo início de história não soa tão comum nas telonas como se vê nos infindáveis reboots que as editoras fazem com seus heróis em suas revistas.

A escolha foi acertada: o Lagarto foi tão espetacular quanto o Aranha!

A saída que Marc Webb encontrou para tantos possíveis conflitos foi simples porém duvidosa: contar a história não contada do herói, aguçando a curiosidade do espectador com um elemento básico na narrativa dos cinemas, mas que ficou de fora na última trilogia, o que aconteceu com os pais de Peter Parker?

O HERÓI

Baseado em uma HQ dos anos 90, O Espetacular Homem-Aranha dá início a uma trilogia de filmes que tem por fim mostrar a busca de Peter Parker pelo passado obscuro que envolve a morte de seus pais.

Inteligente, pouco descolado e muito tímido com as garotas, Andrew Garfield dá vida a um protagonista bem diferente do que costumávamos ver nos filmes de Raimi, e este erro de caracterização foi o principal erro de concepção do diretor.

Nos anos 60, quando Stan Lee e Jack Kirby criaram o herói, a magia dos super-poderes de Aranha que o franzino jovem nerd ganhou não significava apenas super-poderes, mas uma válvula de escape para o adolescente evitar, bullings, agressões e a própria timidez. Era uma necessidade.

Porém, o que vemos na pele de Garfield é uma mescla de adolescente rebelde e geek. Geek quando se trata de tecnologia, estudos e garotas. Rebelde quando se trata de educação com os mais velhos, responsabilidades e confusões na escola. Ou seja, os poderes são só uma vantagem para vencer os valentões nas inúmeras brigas que arranja.

Andrew Garfield vive um novo Aranha sem apagar o legado de Maguire.

Porém, se isso é um erro de adaptação, Marc Webb acertou em criar um herói mais próximo do público massivo, que assistem ao filme tanto quanto ao público.

O HOMEM

Hora do enredo. Se os filmes de Raimi transformaram o Homem-Aranha no Superman dos anos 2000, com vários traços da magia que Christopher Reeve esbanjava nos anos 70, Marc Webb quis aprofundar as questões introspectivas que afligem o ser humano em seu filme, como Christopher Nolan fez com Batman.

Mais realista e mais dramático, Peter Parker começa a ser alvo de diversas coincidências que aos poucos indicam o caminho para entender o que causou a morte de seus pais. Entre eles está o famigerado encontro com o Doutor Curt Connors, vivido por Rhys Ifans, que se transforma em O Lagarto após Peter lhe revelar a fórmula para a conclusão de uma pesquisa de fusão entre animais e humanos que o cientista está realizando.

Mesmo com o objetivo do Lagarto não ficar muito claro ao longo do filme, fazendo muitas vezes o espectador se perguntar se o Dr. Connors tem ou não controle sobre a fera que se tornou, a escolha do personagem foi o grande acerto do filme, fazendo com que as pontes de ligações das sequências de romance, ação e drama se nivelassem a cada aparição do vilão.

A nova trilogia tem tudo para ser um novo grande clássico!

As necessárias sequências um tanto quanto repetidas dos outros filmes foram essenciais, mas não feitas de maneira tão lapidadas quanto Raimi fez, provavelmente por o diretor não querer focar nelas. Mas mesmo assim deixaram um quê de nostalgia saudável.

O romance entre Peter Parker e Gwen Stacy, vivida por Emma Stone, o primeiro amor do Aranha nos quadrinhos, é interessante, porém muito mais colegial e casual que romântico e sedutor quanto como foi com Mary Jane.

O ARANHA

Criativo, divertido e real. Foi isso o que Marc Webb criou: um Homem-Aranha que complementa Peter Parker, mostrando o que um humano pode ser e fazer quando tem a determinação suficiente para tal.

Muito mais adaptável a possíveis crossovers (mais alguém pensou em Os Vingadores?) e muito mais agradável para o novo segmento de cinema em quadrinhos que está em franco crescimento há alguns anos, O Espetacular Homem-Aranha é o resultado de uma obra que mostra que a essência de um herói está nos quadrinhos, mas que a base cinematográfica é fundamental para que o sucesso em traço e tinta seja refletido nas telas do cinema.