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o blog do Davi Jr.

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RESENHA: Guardiões da Galáxia

A tarefa de criar um grupo que exprima um conceito singular não é fácil. Além dos desafios criativos, elementos de mercado como concorrência e aceitação do novo são, no mínimo, perturbadores quando se tem um histórico de tantos sucessos comerciais em planos em que o espectador já tem uma bagagem positiva desde o primeiro trailer. Guardiões da Galáxia é o filme que provou que para ser sucesso, não é preciso ser clássico, afinal, quando bem executado, o buzz-marketing é muito mais efetivo que qualquer outro tipo de mídia milionária.

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A união faz a força. E isso ficou bem claro em Vingadores. Ainda mais quando uma única equipe reúne personagens tão distintos e com origens tão conflitantes. Pensando nas diferenças, a Marvel Studios estabeleceu públicos em cada um dos filmes dos seus heróis e uniu o fantástico, o histórico, o violento e o realista em uma só obra, fazendo de Os Vingadores (leia a resenha aqui) um marco na história dos cinemas.

Com um referencial tão pragmático e que demorou tanto tempo para fermentar o público, parecia impensável que um novo filme de super-equipe fosse uma opção viável para um filme sem (quase) nenhuma ligação a Thor, Hulk, Homem de Ferro e os demais astros da equipe da S.H.I.E.L.D. Assim, remando contra a correnteza, o anúncio de Guardiões da Galáxia causou certo estranhamento num primeiro momento.

O fato de não ser uma equipe de tradição e/ou histórico cult do universo Marvel (mesmo nos quadrinhos, a equipe não dava as caras há um bom tempo num título só deles) parecia uma desvantagem numa industria movida pela nostalgia, ainda mais com uma equipe tão pouco comum, mesmo para os conceitos de super-equipe da marvel.

Thanos é a ligação dos Guardiões com o Universo Marvel.

Thanos é a ligação dos Guardiões com o Universo Marvel.

Porém, o diretor James Gunn, encarou o desafio e transformou a aparente dificuldade em fator positivo para apresentar ao público um longa-metragem totalmente formatado ao seu estilo, o que deu a toda trama um tom de originalidade impar ao se comparar todos os filmes de super-heróis da feitos até hoje. A possibilidade de apresentar uma equipe nova ao público foi a oportunidade que o diretor teve de conceituar um modelo de narrativa ainda não explorada no cinema, mesclando sequencias de apresentação, estabelecimento de papeis e a função da trilha sonora na trama.

Os Guardiões da Galáxia são uma equipe de ex-condenados que caçam tesouros pelo espaço, numa mistura de Star Wars com Indiana Jones. Liderando a equipe, está o único terráqueo da trama, Peter Quill, ou Senhor das Estrelas, como ironicamente ele trata seu alter-ego dos quadrinhos no filme. Sequestrado quando pequeno e criado por alienígenas, a única ligação com sua família de origem é um walkman com uma fita cassete que ele houve a todo o tempo, principalmente nos momentos de missão. Recheada com hits dos anos 70 e 80, as faixas compõem toda a trilha do longa, dando um tom nostálgico singular ao filme que o torna inesquecível para fãs, ou não, de super-heróis. O ator Chris Pratt encarnou tão bem o papel de Peter Quill que se tornou referência no papel de ator de jovem sério com um tom sarcástico.

Os outro quatro integrantes da equipe, unidos pelo motivo menos heróico possível, são todos ex-riviais de Quill na disputa da Esfera do Infinito, uma das jóias do Infinito cobiçadas por Thanos, o maior vilão do universo Marvel e o principal antagonista d’Os Vingadores.

Impossível não se apaixonar por Groot.

Impossível não se apaixonar por Groot.

Com a aparência de uma raposa bípede, Rocket Raccon se caracteriza pela língua solta, a grande habilidade com armas e a grande ganância por tesouros. Mas foi o bom coração que o uniu a Groot, um alienígena com aparência de árvore que só consegue pronunciar a frase Eu sou Groot conquistando crianças e adultos com seu jeito gentil e sempre salvando Raccon quando este se deixa dominar pelo seu hiperativismo.

A figura feminina da equipe aparece na forme de Gamora. Órfã alienígena que foi criada por Thanos para se tornar a arma perfeita. Como assassina pessoal do vilão, Gamora ganhou reputação como uma guerreira formidável, mas se juntou a equipe após ser usada como marionete para trabalhar com Ronan, vilão da história que está atrás das jóias do Infinito para Thanos. Finalizando o quinteto, também movido por uma rivalidade com o vilão da história, Drax é um ex-condenado com um físico brutal que quer se vingar de Ronan, que matou sua família. Guiado pela raiva, nada irá impedi-lo de levar sua vingança sobre o ser mais perigoso da galáxia.

Se antes d’Os Vingadores era impensável criar um filme de super-heróis apresentando tão distintos peersonagens numa única trama, Guardiões da Galáxia veio para provar que também é possível contar uma história de um número grande de heróis desconhecidos e estabelecê-los de maneira exemplar na mente dos expectadores.

A máscar

A máscar

Ousado e frenético, o filme aproveita todas as suas cenas, compondo uma produção que não peca em nenhum ponto, equilibrando muito bem todos os protagonistas e lhes dando a atenção devida em cada um dos pontos. Mesmo o intervalo em que os Guardiões se encontram com o Colecionador, cena inclusive, que quebrou o conceito passado do personagem provando a força dos inimigos, apesar de vazio, foi essencial para ilustrar a representatividade que as jóias do infinito representam no Universo Marvel.

Diferente de seus predecessores, Guardiões da Galáxia não contava com a herança dos personagens do fenômeno os Vingadores, exigindo muito mais trabalho de marketing para se vender. A Marvel fez tal campanha com excelência, mas foi o buzz-marketing (ou marketing boca-a-boca) o responsável pelo sucesso comercial do filme. A qualidade e o ambiente que mescla o universo dos heróis com Star Wars foi tão bem recebido que todos que assistiam passavam a recomendar o filme, fazendo dele, a 3ª maior bilheteria da Marvel até 2014.

Desafiando ordens planetárias, mas cada um com uma motivação justa, Os Guardiões da Galáxia uniu seus dramas pessoais numa jornada de interesse comum. Do mesmo jeito, a Marvel Studios uniu em um só filme todos os conceitos de ser Marvel: surpreender cada vez mais o público e sendo a vanguarda da produção cinematográfica contemporânea.

A equipe de ex-condenados se une rumo a um grande hit da Marvel Studios!

A equipe de ex-condenados se une rumo a um grande hit da Marvel Studios!

RESENHA: Thor – O Mundo Sombrio

Colhendo os frutos de uma bem sucedida fase de grandes blockbusters no cinema, Thor – O Mundo Sombrio, veio como a carta coringa do estúdio para intensificar os elementos semeados em filmes anteriores e criar expectativas para as futuras produções.

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UM ESTÚDIO CHAMADO MARVEL

Só a Marvel Studios consegue ser a Marvel Studios. Com uma capacidade criativa capaz de unir o público casual e hard-core das histórias em quadrinhos no cinema, A Marvel Studios conseguiu renovar e quebrar os paradigmas de receio que cada nova produção de Hollywood causava nos fãs de quadrinhos após os sucessivos fracassos de crítica que outros estúdios faziam com seus heróis.

Como resposta a produções imediatistas, o projeto Vingadores conseguiu reunir em 6 filmes toda a magia e, principalmente, trabalhar a espectativa do fã, característica marcando de toda histórias em quadrinhos em qualquer parte do globo.

O que fazer depois de Vingadores (leia a resenha aqui) era a grande questão. Se o início conturbado de uma segunda fase para o estúdio veio com a estreia de um despreocupado Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), foi o segundo filme do Thor que tornou possível uma projeção de algo muito maior e muito mais conciso dentro de um universo que tem muito a oferecer e muito a se expandir.

A BASE: THOR E LOKI

Se em Homem de Ferro 3 os produtores pareceram meio preocupados de onde começar e para onde levar o herói, se apoiando em seu contexto, Thor – O Mundo Sombrio soube se aproveitar como nenhum outro filme da Marvel Studios da grande base do universo Marvel que tanto cativa públicos de gerações em gerações: a humanidade dos personagens.

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

Parece difuso a humanidade estar latente em um filme que tem deuses como temática, porém essa proximidade entre mortais e imortais que sempre conduziu as mitologias mais antigas e as solidificou para serem contadas e recontadas por toda eternidade. Sendo assim, para que a Marvel se concentrar em disputas de poder, se o que realmente interessa é o que restou da irmandade de Thor e Loki?

Se no primeiro filme do Thor (leia a resenha aqui), o relacionamento, a disputa, a inveja entre irmãos e o relacionamento com o pai tornou o filme rico de mensagens e moralmente reflexivo, é exatamente a quebra dos laços entre os personagens que sustenta toda a trama do segundo filme, fazendo os novos vilões parecerem desnecessários.

DESENVOLVENDO A TRAMA

Depois dos acontecimentos de Thor e Os Vingadores, Thor (Chris Hemsworth) luta para restaurar a ordem em todo o cosmo. Mas uma raça antiga de Elfos Negros, liderada pelo vingativo Malekith (Christopher Eccleston), um inimigo sombrio que antecede o próprio universo, e seu braço-direito, o jovem porém cruel Algrim (Adewale Akinnuoye-Agbaje), retorna para afundar novamente o universo em trevas.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin para saber como agir.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin antes de agir.

Diante de um inimigo que nem Odin (Anthony Hopkins) e nem seu reino Asgard podem combater, Thor deve embarcar em sua viagem mais perigosa e pessoal, que o reunirá com Jane Foster (Natalie Portman), que está possuída por um elemento superpoderoso chamado Éter, cobiçado pelos Elfos Negros, e o forçará a sacrificar tudo para salvar a todos. Thor terá que reconstruir Asgard, reunindo um exército para a batalha contra os Elfos Negros. Mas a única maneira de ele poder fazer isso é indo para o Mundo das Trevas, e a única pessoa que tem acesso para o lado negro de Asgard é seu irmão mais novo Loki (Tom Hiddleston), que está trancado em uma prisão.
Com a batalha se aproximando, Thor tem que negociar uma trégua com Loki. Thor, Loki e Jane embarcam em uma missão que pode definir o futuro dos Nove Reinos.

Com um enredo que tentou valorizar a participação de Natalie Portman, reunindo todos os personagens do primeiro filme e uma perfeita sincronia de acontecimentos, a produção acerta em cheio também a medida que conceitua Thor como um herói de grandes feitos, sendo o ponto chave de todo o desenvolvimento do universo criado pela Marvel Studios.

Loki é o maior destaque do filme!

Loki é o maior destaque do filme!

Até mesmo a localização da história na Inglaterra facilitou as possíveis “desculpas” para a necessidade de mais Vingadores no filme. Elevado a projeções de alto impacto, as batalhas, sejam elas na Terra ou em Asgard, em grupo ou em atuações solo, valorizaram o universo da trama e mostrou como Chris Hemsworth encarna o personagem como sempre o tivesse vivido.

Tão grandiosa foi a atuação de Tom Hiddleston. O drama da dualidade do personagem Loki colocou o ator em situações que variavam do cômico ao trágico, desenvolvendo o personagem cada vez mais e, ao que parece, tentando criar um rival de peso para o vilão Coringa dos filmes do Batman, até então, o único vilão das comics americanas capaz de rivalizar sua popularidade com outros heróis.

O drama de Loki, somado a trama paralela que a ele se desenvolve, incluindo uma das mais belas cenas envolvendo René Russo no papel de Friga, esposa de Odin e mãe adotiva de Loki, cria um ponto chave no filme que certamente será um dos elementos que guiarão todos os próximos filmes da Marvel Studios.

PELAS BARBAS DE ODIN!

Icônico, reflexivo, dinâmico, bem construído e bem desenvolvido. Thor – O Mundo Sombrio é (com o perdão do trocadilho) sem sombras de dúvidas o melhor filme da Marvel Studios, superando até mesmo o próprio filme dos Vingadores.

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Se a primira fase das produções do estúdio criou todo um público e uma vrdadeira legião de fãs, o segundo longa do deus do trovão entregou aos fãs algumas das principais premissas em continuações que faltam na grande maioria dos blockbuster: respeito ao fã, liberdade criativa inteligente e espaço para os atores mitificarem seu talento dentro de um universo que jamais deixará de crescer.