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RESENHA: Lanterna Verde

Se pararmos para contar a quantidade de filmes de super heróis que foram para a tela dos cinemas nos últimos anos, os dedos das mãos (mesmo apelando com os dos pés!) são serão suficientes para chegar até o total de produções. Os números são ainda mais monstruosos se comparados a quantidade de filmes de antes dos anos 2000. Em pleno século XXI, o Lanterna Verde mistura todos os elementos da velha e da nova guarda para criar um filme regular, mas que agrada.

O “UM ANEL”

“No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença
Todo aquele que venera o mal há de penar
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!”

É com este juramente que Hal Jordan, um piloto de avião ousado acaba tendo sua vida transformada completamente após salvar um alienígena de roupa militar que lhe confiou um anel verde que o transformaria no guardião do setor espacial n° 2814 sob a alcunha de Lanterna Verde.

Fiel aos quadrinhos, a produção de 2011 levou até os cinemas o herói mais famoso da Tropa dos Lanternas Verdes, que assim como nos quadrinhos sofreu diversas transformações até ser formatado no personagem visto nas telonas.

Criado em 1940, Alan Scott criou um anel de energia verde a partir de um vestígio caído na Terra do Coração Estelar, artefato que a Tropa dos Lanternas Verdes criou para concentrar toda a “Vontade” do universo, considerada força de energia mais poderosa do universo. Pela cor da energia, o herói se intitulou Lanterna Verde.

Ok, ok. Se o filme é fiel aos quadrinhos, porque o enredo da origem dos quadrinhos é tão diferente da dos filmes? Simples, pois o Lanterna Verde mostrado nas telonas é o personagem mais famoso de todos os 5 humanos que já usaram os anéis da Tropa, o Lanterna Verde Hal Jordan.

A mitologia do herói é tão rica que por si só daria uma tremenda saga espacial nos cinemas.

Mesmo esta origem de Alan Scott foi uma adequação ao roteiro mais maduro e mais criativo que passou a ser utilizado a partir dos anos 60, quando Hal Jordan e toda a mitologia da Tropa dos Anéis foi criada e fez com que o herói (que até então vestia roupas vermelhas) caísse no gosto do público americano.

Depois de Hal, o anel ainda foi parar nos dedos de Guy Gardner, John Stuart e por fim Kyle Rayner. Todos estes personagens foram necessários nos quadrinhos para que o herói fosse adequado e readequado para os públicos ou aos gostos dos diversos autores que já colocaram a mão no herói.

Tais adequações parecem ser um eterno karma do herói, visto que seu longa sofreu de problemas parecidos com sua história nos quadrinhos.

DESISTINDO DE TUDO

Dirigido por Martin Campbell, que conta com um histórico dividido entre pérolas e diamantes, o filme começou com suas oscilações logo antes de sua estréia, com dois trailers muito divergentes entre si, um mostrando um filme maduro e denso e outro mostrando um herói pateta que provoca risadas forçadas no público.

É possível que com o sucesso dos filmes da Marvel Studios, que abusam da simpatia dos heróis, e dos filmes de Christopher Nolan, que tem a profusão de enredo e a realidade ficcional como palavras-chave, o diretor tenha tentado mostrar que o filme conseguiria agradar a ambos os públicos, uma tentativa frustrada, já que o Lanterna Verde mistura tantos conceitos dos filmes de super-heróis que já não se consegue encontrar as tentativas de referências aos seus concorrentes.

Sinestro foi o destaque do filme.

Assim como o protagonista do filme faz na história, a impressão que o filme deixa ao seu final é que muita coisa tentou ser feita, foi começada e foi desistida de ser concluída no meio do caminho. Vários elementos de filmes massivos estão presentes mas não foi fortes o suficiente para conquistar o público, como o romance entre Hal e Carol Ferris ou os conflitos de personalidade entre heróis e vilões.

Não só as várias seqüências do filme, mas o longa inteiro também segue tal premissa: com um início motivador, bem construído e cheio de elementos que poderiam resultar num novo clássico dos cinemas, o longa aos poucos vai abandonando a família, a profissão, a politicagem, a repercussão de seu aparecimento e a Tropa dos Lanternas que ficaram tão fortemente marcadas nos primeiros 30 minutos do longa.

MEDO VS VONTADE

A grande lição que o filme traz é a superação do “medo” a partir da “vontade”, as duas energias mais poderosas do universo contrárias uma a outra, tendo uma tanta profanação quanto a outra tem de nobreza.

Uma metáfora simples, porém perfeita para contar a história de um personagem irresponsável como Hal Jordan torna-se um mero detalhe com o passar do longa, quando seqüências mal ligadas transformam o filme num festival de efeitos especiais.

Efeitos especiais são muito bem-vindos quando dão vida a mitologia do herói, recriando o planeta Oa e os extraterrestres que formam a Tropa dos Lanternas, que sem sombra de dúvida é o total destaque do filme, juntamente com os atores que interpretaram os instrutores de Hal, Tomar-Re (dublado por Geoffrey Rush), Kilowog (dublado por Michael Clarke Duncan) e Sinestro (Mark Strong), que apesar de tão bem atuado, teve uma participação muito pequena pela história.

O maior vilão do universo do herói foi uma escolha um tanto quando prematura.

Mas é peculiar quando os efeitos especiais são utilizados para recriar conceitos de filmes de super heróis dos anos 70 e 80, quando o exagero é fundamental para dar origem aos poderes do herói.

Não são raras as vezes que vemos o herói do filme usar a energia do herói para criar metralhadores, pistas de carrinhos, jatos, redes e tantas outras bizarrices que são aceitáveis em desenhos animados, mas deixam o tom do filme, até então muito sério, um tanto quando popularesco e banal.

Estes elementos são ruins, assistir Superman com Christopher Reeve ainda é uma delícia, e muitos dos artefatos de energia do Lanterna são legais de ver, pois são a materialização da narrativa dos quadrinhos num live-action, mas a mistura de diversos elementos acaba prejudicando o filme.

VENCENDO SEM VENCER

É possível que a direção do filme não se perdesse tanto no decorrer do filme se não tivesse escolhido um vilão mais adequado para um início de história. Parallax é uma entidade suprema no Universo do Lanterna Verde, sendo o tipo de vilão que não é vencido, apenas engavetado, de tão forte que é o seu conceito atrelado a energia do “medo”. Assistir a um herói iniciante vencer tal monstro quando todos os seus veteranos desistiram é algo que condiz com a mensagem do filme, mas ainda assim é algo forçado.

Tão forçado quanto o ator do herói, Ryan Reynolds, que parece estar fazendo uma comédia simples ao invés de um filme de super herói aguardado por gerações. Ou ainda mais forçado que a máscara que criaram para o personagem, que consegue não consegue convencer como uma peça criada por uma tecnologia alienígena avançada.

Apesar da adaptação do uniforme ter sido uma dos melhores que o cinema já viu, a máscara do herói foi uma peça muito forçada…

Apesar de gostoso de assistir e finalizando com uma mensagem interessante, o filme é apenas uma tentativa de emplacar uma boa produção de super herói nos cinemas, fazendo do filme uma produção simplista numa época em que se pedia algo sofisticado. Um filme feito para o dia mais claro, quando os longas de super heróis vivem a sua fase mais densa.

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RESENHA: Os Vingadores

Unir sempre foi uma sábia solução de problemas que a história do planeta Terra sempre se mostrou muito eficiente. Na natureza, grandes grupos de insetos, vegetais e animais que se unem em colônias, pântanos e matilhas sobrevivem dia a dia. Na cidade, grandes corporações de empresas e pequenos grupos de humanos se juntam para sobreviver as armadilhas que o homem moderno criou. Em Os Vingadores, a união de super-heróis mostra que o universo dos quadrinhos só é bem adaptado para o cinema, quando é capaz de resistir a todas os perigos que uma produção de grande porte pode trazer.

Desde 2008, com a sugestão que os filmes Homem de Ferro (leia a resenha aqui e aqui) e O Incrível Hulk (leia a resenha aqui) deram em cenas no final de seus filmes, que os fãs de quadrinhos e os entusiastas do cinema aguardam até onde poderia chegar uma iniciativa tão ousada como a de unir em um único filme, heróis com históricos e pontos de vista tão diferentes entre si.

Nascidos como uma resposta a recém criada Liga da Justiça, da concorrente DC Comics, a equipe de heróis da editora Marvel uniu todos os maiores heróis que a editora tinha nos anos 60 para alavancar em um único título as vendas de todos os seus títulos.

O que parece uma solução simples e bem estruturada para os quadrinhos, afinal a criação de um título que interfere em todos os outros acaba gerando não apenas venda mas muito conteúdo para cada um dos heróis envolvidos, parecia desde a sua concepção uma ideia irrefutavelmente desesperadora para os cinemas, visto que uma equipe como os Vingadores reúnem personagens um tanto quanto distintos e por mais entusiasmada que uma equipe de produção possa parecer, as divergências entre diretores, redatores e estilos de filmagem são só algumas das divergências que poderiam interferir no resultado final do filme.

Até mesmo as produções mais parecidas com Os Vingadores, como os cinco filmes da franquia X-Men e a Liga da Justiça dos anos 80 se mostraram investidas muito vantajosas comercialmente, mas com muitas falhas de enredo, que poucam honram a sua criação original.

Herói vs herói: um clássico clichê nos crossovers das histórias em quadrinhos.

Porém, superando qualquer previsão negativista, o diretor Joss Whedon criasse uma obra prima ficcional e fazendo a primeira parte do chamado Marvel Cinematic Universe um marco na história do cinema.

Certamente o principal desafio do diretor seria conseguir equilibrar uma história consistente combinada com tantos personagens derivados dos cinco filmes que o antecederam. Graças a enorme experiência de Whedon com o seriado Buffy, a caça-vampires e Firefly, o diretor conseguiu cumprir uma tarefa fácil em um seriado mais quase impossível no cinema.

Separando o filme em três partes bem nítidas, e sem medo de se utilizar dos clichês presentes nas histórias em quadrinhos, o filme mostra a apresentação de cada um dos personagens, coloca os heróis para lutar entre si, desenvolve o vilão e produz a pancadaria final aliada a efeitos especiais de primeiríssima linha.

O mais surpreendente de tudo ainda é a combinação original que o filme traz entre drama, romance, suspense e comédia. Ao mesmo tempo em que a tensão toma conta da sala de cinema, logo altas risadas coletivas são provocadas em piadas muito bem encaixadas, sem forçar situações e com uma naturalidade impecável de performance ou de enredo para tais sequências.

Hulk: destaque total!

Mas o destaque total vai para Hulk. Se o filme do verdão em 2003 criou uma legião de odiadores do herói e se a produção de 2008, apesar de bem produzido com um elenco de primeira linha e já parte dos Marvel Cinematic Universe, não empolgou, o Hulk presente em Os Vingadores foi muito bem explorado, sendo o ícone das cenas mais engraçadas e que mais extravasam os ânimos dos expectadores.

Mark Ruffalo, mesmo estando pela primeira vez no papel do herói, pareceu sempre ser Bruce Banner, estando tão a vontade no papel do personagem quanto os atores veteranos da produção, se mostrando a escolha ideal e, queira Odin, definitiva para os cinemas.

Assim como o esperado do enredo central, Thor foi fundamental para a união do grupo e seu universo, apesar do mais distinto dos outros integrantes, se mostrou a peça chave para que a S.H.I.E.L.D criasse a equipe. Se um deus não parece bem o companheiro ideal para humanos, Chris Hemsworth trouxe mais uma vez toda a humanidade do herói.

Humanidade que mesmo os personagens menos populares como a Viúva Negra e Gavião Arqueiro, que não fazem parte da equipe inicial, e o agente Clint Barton, criado especialmente para as telonas, tiveram seus grandes momentos, adicionando muito a produção, cada um ao seu estilo e cumprindo funções específicas que o diretor destinou a cada um.

Funções tão bem encaixadas que mesmo o Homem de Ferro sendo o mais popular e teoricamente mais bem explorado nas telonas teve sua função específica, tanto nas missões como em sua concepção, não roubando a cena dos outros personagens e acrescentando partes de sua personalidade que os filmes anteriores ainda não haviam mostrado. Robert Downey Jr. se mostrou o destaque mais uma vez, protagonizando as cenas mais cabeças ao lado de Ruffalo, ficando cada vez mais difícil de desvincular a imagem do herói e do ator.

Loki foi o vilão ideal para a união de universos tão distintos entre si.

E para completar a equipe, o Capitão América, assim como Hulk, superou-se nessa produção. A trama facilitou que o herói mostrasse seu amadurecimento enquanto o filme se desenrolava, mostrando ao final o líder natural da equipe, algo difícil de se imaginar no personagem irritante em seu filme original (leia a resenha aqui).

Steve Rogers até fez parte de uma das cenas mais emocionantes do cinema (pare de ler este parágrafo não quer spoilers): em um ataque inimigo, o Capitão protege um senhor de terceira idade que se levantou contra o vilão da história. Até aí não passaria de uma cena comum de super-herói se o ator deste senhor não fosse Stan Lee, o criador do universo Marvel como ele é hoje. Foi o criador sendo protegido pela criação!

Unindo a equipe e desobedecendo o governo, Samuel L. Jackson interpretou Nick Fury como se estivesse interpretando ele mesmo. Nada mal, mas nada surpreendente também.

O enredo em si não traz nada de surpreendente, já que o caminho que levou Loki, interpretado genialmente por Tom Hiddleston, até o Tesseract era o esperado pelos fãs através das pistas deixadas em Thor (leia a resenha aqui) e em Capitão América, o Primeiro Vingador.

Com um texto interessante, cheios de frases que ficarão para a história do cinema, mas sem se aprofundar em aspectos psicológicos dos personagens, Os Vingadores é, sem dúvida alguma, o filme mais próximo dos quadrinhos que um estúdio e um diretor já criaram. Inclusive na deixa que o diretor deixa para os espectadores no final do filme após a passagem dos primeiros créditos finais do filme.

Numa situação que parecia fazer dos filmes de super heróis apenas uma força motriz para arrecadar dinheiro, a Marvel Studios provou que é possível sim fazer filmes de super-heróis que tragam conteúdo e aproveitem ao máximo o amadurecimento do segmento.

Um épico que merece ser assistido e reassistido!

A partir do filme, a história das histórias em quadrinhos nos cinemas se divide em antes e depois de Os Vingadores, fazendo com que Hollywood enxergue os super-heróis não como uma simples peça em sua estratégia de marketing, mas como a união de um universo que cresce a mais de 50 anos e, em grande estilo, transporta-se para o cinema como a vanguarda da linguagem cinematográfica mundial.