NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

Arquivos de tags: legend of zelda

RESENHA: The Legend of Zelda – The Wind Waker (NGC, Wii U)

Toda vez que uma nova lenda ganha forma, aspectos do presente e do passado começas a se chocar, criando elementos ora difusos, ora complementares. Em The Legend of Zelda – The Wind Waker, um novo conceito chega para dar forma a uma das mais belas franquias de todos os tempos!

Zelda_Wind_Waker_logo

RESQUÍCIOS DE UMA OCARINA

Após a revolução técnica que The Legend of Zelda – Ocarina of Time (leia a resenha aqui) causou no universo dos games e após a techdemo da franquia para mostrar o potencial gráfico do Nintendo Game Cube (o console com maior poder de processamente da 6ª geração de video-games) era de se esperar um novo jogo do herói Link em sua melhor forma adulta e madura o suficiente para atrair os mesmos fanáticos pela franquia num novo jogo, certo?

Pois revolucionando todas as visões que se podiam ter da franquia, o diretor Eiji Aonuma surpreendeu o mundo ao anunciar uma arte conceitual muito diferente do que já havia sido mostrado no Nintendo 64.

Meio deformado, pequenino e num estilo muito próximo dos caricaturais mangás do Japão, The Wind Waker trouxe um estilo que os fãs não desejavam, um cenário ambientado num mundo muito diferente de tudo o que já se havia explorado em The Legend of Zelda e uma prometida jogabilidade ainda mais aperfeiçoada que os seus antecessores.

Habituados a ouvir comentários maldosos sobre seu derradeiro fracasso, o choque que o novo Zelda mostrou ao público parecia ser o reflexo que esses comentários estavam por fim a se concretizar. Mal sabiam tais detratores o quão inteligente, imersivo e caprichado The Wind Waker se mostrou ser.

Tetra, a pirata mais corajosa do Great Sea, aparece para ajudar Link a resgatar sua irmã!

Tetra, a pirata mais corajosa do Great Sea, aparece para ajudar Link a resgatar sua irmã!

NAVEGANDO PELOS MARES DE HYRULE. SÓ QUE NÃO.

The Legend of Zelda de Wind Waker é ambientado num continente formado por ilhas, muitas pequenas, algumas maiores e todas cheias de surpresa, o Great Sea. O herói Link nasceu como um aldeão comum da ilha de Initia, e sua vida seguia normal até um pássaro sequestrar a sua irmã Aryll.

Ajudado por Tetra, uma chefe de um barco de piratas esperta com cara de poucos amigos mas com bom coração, Link parte pelo arquipélago onde outrora uma Hyrule foi salva pelo herói do tempo, numa jornada cheia de mistérios, tesouros e reviravoltas.

Se num primeiro momento o estilo cartunesco do jogo pode afastar os jogadores mais maduros, o enredo conquista facilmente os jogadores de longa data. Se apenas o fato de descobrir o renascimento do antagonista Ganondorf já é fantástico, a cada momento que um novo personagem aparece para explicar o que é e como funciona aquellugar cheio de criaturas tão distintas vai dando forma e conteúdo ao jogo, principalmente nos momentos em que se liga os fatos com os acontecimentos de Ocarina of Time.

Na linha do tempo da franquia, The Wind Waker acontece no mundo salvo por Link adulto (que volta no tempo para viver sua infância perdida), onde Zelda adulta prossegue como princesa de uma Hyrule já devastada pelo podério de Ganondorf em sua busca pela triforce. Com um terrível dilúvio, Hyrule é naufragada, e passa a não mais existir.

A navegação ficou ainda melhor no Wii U!

A navegação ficou ainda melhor no Wii U!

E já que falamos da personagem que dá nome a franquia, onde ela se encaixa em todo o contexto motivado por questões familiares e pessoais, é uma das partes que o jogador mais vai gostar de descobrir!

GRÁFICOS PRA DAR E VENDER

The Legend of Zelda sempre foi íconico por elevar os principais potenciais de sua plataforma ao máximo, e não é diferente com The Wind Waker.

Dono de um processamento de dar inveja a qualquer Nintendo Wii, o potencial gráfico do GameCube foi o melhor de sua geração, possibilitando que Wind Waker ganhasse os mais belos e suntuosos cenários que qualquer jogo de sua geração já havia tido, ainda em 2002.

Com o remake para Wii U em 2013, o jogo foi a escolha ideal para a Nintendo apresentar o potencial gráfico que o Wii U é capaz de proporcionar aos seus usuários.

Se a jogabilidade do jogo já tinha o que Ocarina of Time e Majora’s Mask tinham de melhor no GameCube, foi o Gamepad do Wii U que deu o tom ideal para mesclar ação e navegação ao mesmo tempo.

Coragem, Sabedoria e Força unidos novamente!

Coragem, Sabedoria e Força unidos novamente!

Com a Batuta dos Ventos, Links pode controlar a direção dos ventos para dar a direção de seu barco, fazendo os movimentos com a batuta ao mesmo tempo que se enfrenta o vilão com a dinâmica do gamepad, a experiência chega muito mais intuitiva e imersiva que no original.

UMA BRISA PARA TODA A ETERNIDADE

Quebrando paradigmas, The Wind Waker deu um fôlego novo para The Legend of Zelda, uma medida preventiva que possibilitou que a linha criativa refletisse na linha do tempo que a franquia seguisse.

Tão imersivo quanto Ocarina of Time e com um dinâmica divertida e interessante de explorar, The Wind Waker foi o segundo jogo da franquia (e o quarto da história!) a receber a nota perfeita da Famitsu, a revista japonesa mais rigorosa do mundo ao avaliar games.

Se unindo ao seleto rol de gamers perfeitos da história, The Wind Waker se destaca pela sua criatividade, engenhosidade e jogabilidade, marcando pra sempre a maneira como um gamer julga um jogo: não se deve nunca julgar um livro pela capa.

Um clássico para toda a eternidade!

Um clássico para toda a eternidade!

RESENHA: The Legend of Zelda (NES)

Toda história tem um início. Todo herói tem uma partida. Todo vilão tem seu primórdio. Toda lenda tem um começo. Em 1983, começava o fenômeno The Legend of Zelda contando a história do último herói de Hyrule.

The-legend-of-zelda-nes-logo

ÉPOCA DE TEMPOS MAIS SIMPLES

Quem era criança nos anos 80 ou quem teve a oportunidade de jogar um Atari, um Master System ou um NES, sabe como a experiência gamínistica era drasticamente diferente do que conhecemos hoje.

Assim como a semântica mais simples da própria palavra, um jogo era para ser jogado, ou seja, a atividade principal do game era entreter enquanto a dinâmica do game era desenvolvida.

Nada de histórias complexas ou desafio alucinantes, um jogo era para divertir o jogador, criando momentos fáceis e difíceis a partir do título escolhido (Megaman que o diga).

Em meio a enxurrada de títulos que se aproveitavam da jogabilidade coroada por Super Mario Bros., um título surgiu com uma proposta diferente, mas ainda assim pontual contar a história de um heróis salvando uma princesa de maneira não linear.

SALVANDO A PRINCESA

“Há anos, o príncipe das trevas Ganon, pegou uma das Triforce com poder. A princesa Zelda guardou um dos Triforce sabiamente. Ela o dividiu em 8 pedaços, antes que Ganon pegasse. Ela foi capturada. Vá Link, ache as 8 partes e salve-a…”

A tela inicial é inesquecível!
The-legend-of-zelda-nes-logo2

A tela inicial é inesquecível!

Quando Shigeru Miyamoto, a mente pro trás do jogo, escreveu essas linhas para colocar no início do seu novo game para o NES, certamente ele nem imaginava até aonde sua nova história iria chegar.

Com um enredo simples, mas cheio de sementinhas que poderiam gerar continuações, The Legend of Zelda é puro desafio desde o momento em que começa, já dentro da missão de resgatar a princesa Zelda após ganhar uma espada de seu tio.

A proposta do jogo era, diferente dos side-scrolling (aqueles de andar reto em uma fase), colocar o jogador em um ambiente que pudesse escolher o que deveria fazer, em uma visão de cima, onde o personagem pudesse andar em qualquer ambiente do mapa. A cada caverna encontrada por entre o grandioso mapa de Hyrule Field, o jogador encontraria uma chefão final que guardava uma das 8 partes da triforce da sabedoria que Zelda havia divido.

No jogo não há muitas explicações sobre o que é uma Triforce, mas o gamer oitentista sabe que naquela época, havia algo que era tão importante quanto o jogo para que a jogabilidade fosse completa: o encarte que acompanhava o cartucho.

É lá que estavam todas as informações não expressas no jogo, desde a origem dos personagens quanto os detalhes de cada vilão e as representações deles dentro do mapa.

Hyrule Field traz monstros que vemos até hoje!

Hyrule Field traz monstros que vemos até hoje nos jogos da franquia!

Se no NES um side-scroolling jé era algo difícil devido a limitação de vidas, um mundo como o de Zelda se tornava quase impossível visto a facilidade de se perder as contas de seu heart container. Por isso, foi The Legend of Zelda o primeiro cartucho que dispunha de uma pequena memória interna que salvava as partes da triforce e os itens conseguidos pelo jogador até determinado ponto.

Mas não pense que isso tornar o game mais fácil. Se encontrar e vencer as primeiras cavernas são tarefas simples para se ensinar como é o sistema de jogo, os últimos níveis são quase impossíveis, tamanha a complexidade dos desafios das salas, da força dos inimigos e dos limitantes da vida.

UMA FRANQUIA LENDÁRIA

Demorou mais de 20 anos para que a Nintendo revelasse a linha do tempo de Zelda e onde o primeiro jogo da série se localizava. Acertava por parte dos fãs, The Legend of Zelda é o último jogo da linha do tempo em que o herói de Hyrule perde a batalha contra Ganondorf em Ocarina of Time (clique aqui para ler a resenha), sendo a batalha de Link com Ganon pela conquista da Triforce da Sabedoria a última (pelo menos até agora) para garantir a segurança de Hyrule.

Mesmo com a princesa Zelda aparecendo apenas no fim do game, na hora de ser salva e Ganon aparecer apenas na batalha final, os três personagens marcaram para sempre como a relação heroi-donzela-vilão foram abordados nos games pós-Zelda.

Ganon é azul e de aparência monstruosa!

Ganon é azul e de aparência monstruosa!

E por fim, apesar de comum nos dias de hoje, o sistema de saves foi um grande salto na dinâmica dos jogos naquela época, inovação que para sempre acompanharia todos os títulos da série The Legend of Zelda.