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RESENHA: Anime Friends 2012 – Dia 15

“Mais um dia amanheceu, um novo sonho aconteceu. Toda aquela confusão, eu não disse que ia passar?” É com o clima dos primeiros versos do tema da abertura brasileira de Hunter x Hunter, co-criado e interpretado por Ricardo Cruz, que iniciou o último dia do Anime Friends 2012, afinal o susto inicial do tamanho da Faculdade Cantareira já havia passado e o último domingo prometia a realização de grandes sonhos dos fãs brasileiros.

Com uma primeira semana agitada e cheia de atrações (clique aqui para ver como foi o primeiro domingo), com destaque para a primeira edição do Super Friends Spirits 2012 com as apresentações memoráveis de Nobuo Yamada e Takayoshi Tanimoto (clique aqui para saber como foi), a segunda semana começou prometendo atrações tão ou mais grandiosas quanto.

Só a vinda do JAM Project para o Brasil em sua turnê oficial pela América Latina (tema da próxima postagem) já fazia do último dia do evento um dia especial, mas as atrações adicionais também fizeram por merecer.

Logo no começo da tarde, os fãs puderam conhecer de perto um dos dubladores mais queridos dos personagens dos desenhos animados. O carioca Marcelo Garcia subiu ao palco principal para brindar os fãs com as suas performances mais queridas, como Krypto (de Krypto, o Super Cão), Flash (de A Liga da Justiça), Humpty Dumpty (de o Gato de Botas), entre muitos outros. Para se despedir, o dublador não pode fazer outra coisa senão dar um “Catchau”, relembrando o Relâmpago McQueen, protagonista do filme Carros, da Disney.

A Banda Wasabi levou o público a loucura com os maiores temas de animesongs!

Fazendo a alegria dos fãs de animesongs, a Banda Wasabi subiu no palco principal do evento cantando as canções mais queridas dos fãs de animesongs. Variando entre temas em português e japonês, Carol Himura e Rafael Ryuji (os dois vocais) levaram o público a loucura quando, em clima de Latin American Tour, encerraram o show com os temas de Dragon Ball, em homenagem a Hironobu Kageyama, o leader band do JAM Project, que aguardava próximo do show a hora da tarde de autógrafos que iriam dar aos fãs.

Se no primeiro domingo a Faculdade Cantareira suportou muito bem o público protegendo os otakus do frio de São Paulo no inverno, o mesmo não parecia acontecer no último domingo, já que o número de caravanas e de público interessado nas atrações internacionais aumenta exponencialmente.

Para evitar uma superlotação e comprometer a ergonomia do local, a Yamato Eventos decidiu por limitar os ingressos do último dia para as caravanas que se organizaram antecipadamente e para os ingressos vendidos antecipadamente.

A medida não só privou muitos fãs de participarem do evento no último dia (que costuma ter mais de 40 mil pessoas) como também gerou umas série de fatos: o preço do último ia aumentou muito (chegando a R$80,00 a entrada inteira), muitos fãs decidiram participar do evento em dias alternativos (como quintas e sextas-feiras) e foi criado o “Ibira Cosplay” uma manifestação popular de boicote ao evento no Parque Ibirapuera que tinha por finalidade manifestar a insatisfação com o local do evento.

Cosplay de babar: Jaspion estava no Anime Friends 2012!

Protestos como o do Ibira Cosplay são mais que compreensívas, afinal 2012 é a data do décimo Anime Friends, uma data histórica, que merecia todo o glamour que o evento conquistou desde a sua criação.

Mais que inovador, o Anime Friends é se tornou um gigante rompedor de fronteiras, trazendo o animesong japonês para o Brasil e para a América, entrando para o calendário oficial da cidade de São Paulo e se tornando referência em eventos de cultura pop em todo o mundo.

A Faculdade Cantareira pode ter servido de “plano B” para a Yamato realizar o evento sem grandes preocupações, mas o Anime Friends tem crescido de maneira tão avassaladora desde a sua criação, que contê-lo após dez ano de existência é o mesmo que sacrificar o crescimento de um segmento de cultura em seu auge.

O Anime Friends é o mais próximo que o Brasil tem de grandes feiras internacionais de entretenimento, como o ComicCon, a E3 ou Salón del Mangá e está na hora de a Yamato Eventos formatá-lo desta maneira: unir empresas, franqueadas e representantes no Brasil de grandes nomes do entretenimento mundial em um só evento, começando com algo como foi o Anime Friends 2010 (leia aqui para saber como foi), mas realizada num local que atraia o orgulho dos fãs e o interesse do patrocínio de grandes empresários.

Banda Four Swords: a música dos games também tem vez no Anime Friends!

Afinal, o Anime Frinds 2012 foi marcado pela superação de obstáculos e pela realização de grandes atrações que brindaram as dez edições do evento e marcaram a vida dos fãs para sempre, mas todos os que lá estiveram saíram com uma certeza: este evento foi muito bom e por isso mesmo, merece ficar muito melhor!

Agradecimentos as fotos do N-Party.

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RESENHA: Samurai Sentai Shinkenger

A figura do samurai sempre foi muito cultuada no Japão e sinônimo do país para o ocidente. E não é para menos, todos os anos, os japoneses produzem dezenas de histórias com referências a esses guerreiros. Seja diretamente, como em Samurai X e Vagabond, ou indiretamente, em histórias de espada e kimono como Bleach, o samurai sempre está lá, representando toda a força e dedicação do povo japonês. Samurai Sentai Shinkenger foi a série Super Sentai que abordou a temática em 2009, e assim como os samurais, conseguiu resgatar todos os valores que a franquia havia perdido ao longo dos anos.

OS SENTAIS DOS 2000

Após as quebras de padrão iniciadas em Flashman (leia a resenha aqui) e as inovações criadas nos anos 90, o Super Sentai se tornou uma série consolidada no mercado japonês, sendo sempre garantia de retorno para as empresas envolvidas. Se os altos e baixos que a franquia sofreu nos anos 80 perturbava e por vezes se cogitou seu fim, nos anos 2000 a história era bem diferente: com a audiência  regular, um horário fixo e a injeção de fundos anual que a Disney e a Saban deram a Toei Company com a compra da séries para serem veiculadas no mundo como Power Rangers, a situação não poderia ser mais confortável.

Porém, essa acomodação e a transformação de inovação em regra acabou prejudicando o desenvolvimento do enredo dos Super Sentais. Com o sucesso de séries com enredo enredo extremamente infantilizado, como Abaranger e Caranger todas as séries dos anos 2000 passaram a focar esse enredo.

Parece estranho elucidar que uma série voltada para crianças não devesse ter um enredo infantil, mas é fato que desde o nascimento das séries tokusatsu, estas séries sempre possuíram um enredo mais dramático, geralmente cunhada em elementos da ficção científica. Com o chamariz das roupas coloridas, o enredo da séries serviam para, entre outras coisas, o amadurecimento da criança que a assiste, uma analogia ao que acontece com o personagem no decorrer das séries, como é muito visível em Jaspion (leia a resenha aqui).

Como líder do clã Shiba, Takeru permanece distante do grupo, isto está relacionado ao seu fatídico destino.

Entre uma e outra série que parecia um pouco mais virtuosa, parecia que o cenário só pioraria, tendo até séries Power Rangers mais espirituosas que seu irmão japonês (como acontece na relação Go-Onger e Power Rangers RPM). Felizmente, os super sentais tiveram uma revolução em 2009, quando a série daquele ano resolveu utilizar um tema que, mesmo que óbvio, nunca havia sido explorado: samurais.

DO JAPÃO FEUDAL PRA O SÉCULO XXI

Para os fãs de primeira viagem, o tema samurai pode até parecer corriqueiro para uma série oriental, mas aos veteranos, parece incrível que um tema desse nunca tivesse sido explorado antes, já que o tema possui uma vasta herança cultural perfeita para o tipo de séries que são os Super Sentais.

Takeru Shiba, o ShinkenRed, é o 18º sucessor do clã Shiba, o clã responsável por combater e aprisionar o lendário monstro Chimatsuri Doukkoku. Doukkoku é o líder de gendoushus, seres folclóricos do Japão que vivem no terrível Rio Sanzu, que tem seu nível determinado pelos humanos: quanto mais tristes, enfadonhos e desesperados, mais o nível do rio sobe e aproxima a possibilidade de Doukkoku de invadir o mundo humano.

Toda vez que um humano olhar por alguma fresta, seja ela a rachadura de uma parede, o vão entre dois móveis ou qualquer outra coisa, cria a possibilidade de um gendoushu invadir o mundo humano para aterrorizar os humanos e fazer a água do Rio Sanzu subir.

Juuzou abandonou o bushido para seguir com suas ambições de batalha.

Takeru, por ser o herdeiro dos Shiba tem o título de Tono, ou senhor feudal, e lidera uma equipe de quatro vassalos, formados por jovens que se unem ao líder no primeiro episódio, também herdeiros de outros clãs que, historicamente, serviram ao clã Shiba todas as vezes que Doukkoku se libertava do selo dos Shiba e voltava a atacar a terra.

BUSHIDO

Mesmo para o japonês moderno, é dificil conciliar o passado místico dos samurais com a realidade e essa é a primeira abordagem que Shinkenger faz nos primeiros episódios, quando os traços de personalidade de cada um dos quatro vassalos é posta em conflito com a liderança de Takeru, mesmo que todos eles tenham recebido previamente treinamento samurai de sua família e estão consientes do seu dever.

O preceito básico do samurai é o Bushido, ou caminho do samurai. Entre outras coisas o Bushido rege que um guerreiro deve ser leal ao seu Tono, ter espírito marcial, cultivar a sabedoria milenar de seu povo, preservar sua honra e se sacrificar pelo seus ideias. Mesmo sem saber seu nome, a visão que o ocidental tem do japonês é bem descrita pelo Bushido, graças a histórica conduta do país país durante a II Guerra Mundial e a reerguida econômica do século XX. Ainda hoje, esse preceito esta enraizado nas famílias japonesas, seja no trabalho, na escola ou na vida pessoal, se adequando a cada dia à nova dinâmica do Japão contemporâneo.

Em Shinkenger, cada personagem tem a sua maneira de encarar o Bushido: enquanto o ShikenBlue, Ryunosukke, leva este ao extremo, mostrando atitudes exageradas (e até certo ponto infantis) perante a autoridade do tono, os outros três vassalos não acreditam que ela realmente determine sua conduta.

O grupo se une, mas demora para os cinco partilharem os mesmos ideais.

Mako, a ShinkenPink possui muitas dúvidas sobre sua submissão a Takeru pelo histórico de sua mãe que serviu ao Tono anterior e foi condenada a cadeira-de-rodas por conta disso. Enquanto isso, Kotoha, a ShinkenYellow, busca sempre agradar a ShinkenRed, já que sua entrada para o grupo de vassalos aconteceu devido a uma doença que atingiu sua irmã mais velha, a até então, herdeira da vestimenta amarela dos Shinkenger.

Chiaki, o ShinkenGreen, é o oposto de Ryunosukke. Folgado e irresponsável, ele nega a utoridade do Tono e só aceita entrar para a equipe quando se sente pressionado a superar a força de Takeru, que se mostra muito superior aos dos vassalos.

O estilo impessoal de Takeru incomoda muito aos vassalos e força física passa a não ser motivo suficiente, com excessão de Ryunosukke, para que ele lidere a equipe. Muitas intrigas internas abalam o grupo até eles conhecerem o motivo da conduta distânte do tono: apesar de ser um legado destinado a ele, Takeru não domina a técnica do selo para aprisionar Doukokku, estando todo o peso do fim-do-mundo sob sua responsabilidade.

Confie sua vida  a nós, que nós confíamos nossa vida a você“. A promessa realizada entre os cinco num momento de extrema necessidade é o ponto-chave para que Takeru comece a se aproximar dos seus vassalos. Mas nada é comparado ao efeito que a chegada do ShinkenGold provoca no grupo.

Além de sushiman, Genta é um gênio das artes e utilização do Mojikara!

O SUSHIMAN

Desde Zyuranger é comum que mais integrantes se unam a equipe inicial nos seriados super sentai, em Shinkenger não é diferente e além disso, a presença do sexto integrante provocou uma mudança essencial para o decorrer da trama.

Genta, o ShinkenGold, é um sushiman que acaba de chegar a cidade. Quando pequeno, ele era o melhor amigo de Takeru, que o presenteou com um disco de samurai. Com seu talento, Genta descobre os poderes utilizados na peça e se torna o sexto vassalo de Takeru, ou como ele prefere se definir: o sushiman da história, já que ele sonha se tornar um sushiman cinco estrelas.

A presença de Genta provoca uma mudança radical em Takeru, com uma parte de sua infância convivêndo com ele, o personagem que por vezes irritava com sua impessoalidade, se paroxima cada vez mais de seus vassalos, criando um ambiente harmonioso e amistoso como nunca antes visto na mansão dos Shiba.

1, 2, 3… 20 ROBÔS! E CRESCENDO!

Apesar do rico folclore, das inúmeras referências ao passado histórico do seu país, de uma trama pessoal criativa e de personagens cativantes, há conceitos que são impossíveis de se largar num super sentai dos anos 2.000: a quantidade exorbitante de robôs e suas inúmeras combinações.

Apesar de todo o desenvolvimento de uma trama, o que move um seriado tokusatsu são as vendas de brinquedos que este pode gerar, por isso a queda de qualidade já abordada não mudou os resultados da franquia. E Shinkenger também levou isso a sério.

O gigante Shinken Ha Oh é a combinação de uma série de mechas samurais!

Só nos primeiros 10 episódios, o jovem japonês já conta com 12 opções robôs, singulares ou combinados, que entram no seriado com mais velocidade que os planos de Doukokku. Com a chegada de ShinkenGold, um filme e a pressão de novos inimigos, o número chega a quase 30 no fim da história. O gigante robô Shinken Ha Ho, formado por quase todos os robôs, chega a ser um trambolho tão grande que os gigantes monstros parecem só um detalhe quando ele entra em ação.

Muitas vezes a quantidade de robôs atrapalha o ritmo da história que acaba se limitando por conta do tempo necessário para dar o devido crédito ao robô. Porém, muitos episódios se mostram muito eficientes, sendo o episódio duplo destinado ao robô touro Ushi Origami um dos episódios com melhor mensagem levada ao público.

DOUKOKKU QUEM?

Shinkenger é muito atrativo visualmente. Não só pelo uniforme, a variedade de robôs trilha sonora motivante e a qualidade dos monstros, mas pela ambientação histórica que diversos episódios mostram, todos perfeitamente combinados com o enredo.

O maior destaque para episódios voltados a essa ambientação é Juuzou, um humano que foi atraído pelas forças dos gedoushu através dos desejos de combate provocados por Uramasa, uma espada enfeitiçada que o transformou em metade humano e metade gedoushu. Com cabelos cumpridos, vestimentas de época e flashbacks de sua vida durante o Japão feudal, suas aparições sempre são motivos de atenção, já que sua principal ambição é vencer ShinkenRed, o único humano, segundo ele, capaz de lhe dar o prazer de uma luta verdadeiramente desafiadora.

A luta entre ambos acontece por diversas vezes, mas o combate decisivo dos dois acontece no que pode ser considerado o apogeu de toda a história.

Pegando a todos de surpresa, descobre-se que Takeru é na verdade um Kagemusha, uma sombra do real tono. Com a finalidade de proteger o real herdeiro dos Shiba, Takeru é escolhido para ficar no lugar de Kaoru Shiba, a real ShinkenRed, devido a sua grande habilidade com mojikara, a energia que move os golpes dos samurais.

Com achegada da Kaoru, Takeru é colocado numa ituação parecida com a de Juuzou, onde sua vida de samurai não tem mais sentido, mas o desejo de lutar continua. O que Takeru não entende é que a origem de seu desejo parte da proteção a terra, enquanto de seu rival de um desejo avarento e individualista.

Kaoru Shiba é a primeira mulher a liderar uma equipe super sentai.

No antigo Japão, apenas o samurai com a mais alta patente podia montado a cavalos, e é assim
que o embate final de Takeru com Juuzou acontece, mostrando não apenas a classe, mas elucidando a autoridade que cada um dos dois conquistou durante a série.

Enquanto isso, os vassalos se sentem vivendo numa mentira, mas não pelo título de um tono falso, mas pela perda de um líder que provou ser digno do seu posto. Eles vivem o drama de cumprir a obrigação de vassalo protegendo a princesa Kaoru e a distância de um amigo.”Seria mais fácil se ela fosse uma princesa detestável” diz Chiaki a Genta quando este tenta coagir o grupo a ir atrás de Takeru.

Com o fim de Juuzou, a luta contra contra Doukokku até parece desnecessária e apesar de bem produzida, não teve todo o impacto que a somatória do drama dos dois tonos teve na luta contra Juuzou.

SENTAI DE ÉPOCA

Agrupar, mesclar e criar poder ser a série de verbos ideais para descrever um robô gigante dos seriados Super Sentai, mas também são perfeitos para descrever o resultado final de Shinkenger.

Com um tema atrativo para espectadores de qualquer idade, conceitos e ideias aplicadas de maneira a criar um contexto criativo para o desenvolvimento da trama, Shinkenger provou que mesmo carregando o legado de 33 anos da franquia nas costas, é possível criar histórias criativas, envolventes e originais a partir de uma fórmula que vai sendo reformada e reutilizada todos os anos.

Toda vez que um espectador assiste a um tokusatsu, a comparação com uma possibilidade da mesma história ser contada em animação vem a cabeça, já que diversas cenas e sequências poderiam ser muito melhor executadas sob o traço e tinta japonês para expressar diversas situações que o limitante humano não consegue produzir num live-action.

A força do inimigo obriga os guerreiros a uma luta final sem vestimenta samurai!

Mas com Shinkenger é diferente. Todas as cenas, mesmo as mais complexas, foram tão bem moldadas para se adequar a situação de live-action que as possibilidades de um anime se torna desnecessária.

A mensagem, além de muito bem passada, consegue transmitir algo concreto ao espectador, algo não só momentâneo, mas reflexivo e duradouro, capaz de se incorporar os preceitos de amizade, união e responsabilidade ao seu dia-a-dia, criando laços tão fortes quanto a união dos vassalos com seu tono ou como o samurai com seu bushido.

REVIEW: Gakuen Tokusou Hikaruon

Um mundo onde todas as pessoas são iguais, pensam iguais e agem iguais. Todos de face apagada, todos da mesma cor, caminhando para direções diferentes mar para chegar ao mesmo lugar. Um jovem diferente sentado ao redor de todos leva as mãos a cabeça, pensativo, desesperado por parecer ter percebido o estado de latência da sociedade. Num ato irresponsável ele sai correndo e salta a frente de um trem. Todos ao redor se espantam com a morte prematura de um estudante do colegial. É com um clima denso e pesado que começa a história de Gakuen Tokusou Hikaruon, uma mistura de anime e tokusatsu que teria tudo para gerar uma nova tendência no mercado da animação japonesa, mas que se limitou a apenas um OVA lançado em 1987.

ANIMESATSU

Mesmo que o conceito não tenha pegado, Hikaruon foi a obra que mais conceituou o termo animesatsu, um espécie de mistura dos gêneros anime e tokusatsu. Produzido, roteirizado e dirigido por Kazuhiro Ochi, mesmo diretor de Transformers e Sailor Moon, o OVA (Original Video Animation, ou seja, videos produzidos diretamente para home-video, sem passar pelo cinema ou TV) o anime prestou uma homenagem e tanto para os heróis da franquia Metal Hero de tokusatsus, além de alimentar a curiosidade dos fãs sobre como ficariam seus heróis se produzidos em traço e tinta.

Em uma primeira impressão, não é dificil que o fã fique tentando entender em qual herói Hikaruon foi baseado, isso porque o personagem tem um pouco de cada um dos cinco Metal Hero’s que o precederam. A armadura do heróis é muito similar a d’O Fantástico Jaspion, porém, as cores lembram muito o Detetive Espacial Sharivan. Até a vinheta de chamada para comercial, tão comum nesses tokusatsus, está presente em Hikaruon, mesmo esse não tendo intervalo comercial por se tratar de uma produção em vídeo.

Até o nome do personagem principal não foi escolhidoa toa. Hikaru é uma homenagem ao ator Hikaru Kurosaki, nome artistico de Seiki Kurosaki que interpretou o Jaspion em 1985.

Mesmo a ajudante do heróis não foge das similaridades com o mundo de carne e osso. A atitude de Azumi lembra muito Anri e Diana, as ajudantes de Jaspion e do Guerreiro Dimensional Spielvan, tanto em atitude como no papel que desempenhavam na história.

A transformação de Hikaruon lembra muito lembra Spielvan, mas tem traços de outras animações também.

Mas não é só do mundo do tokusatsu que Hikaruon tirou suas referências, é muito fácil assimilar a aparência do heróis a do protagonista d’Os Cavaleiros do Zodíaco, Seiya de Pégaso, mesmo que o desenhista do OVA não seja o mesmo do anime dos cavaleiros de Atena. Além da aparência, a coreografia de transformação lembra muito o traçar dos 13 pontos da constelação de Pégaso que Seiya fazia para lançar seu meteóro de Pégaso. É bom lembrar que no ano de produção de Hikaruon, foi no ano em que Os Cavaleios do Zodíaco bombavam de audiência na TV japonesa e na venda de bonecos, se uma produção conseguisse pegar o carisma que a série passava ao spectador, seria sucesso na certa.

LUZ, CÂMERA E…  SOM?

Quem assiste aos primeiros minutos de Hikaruon fica na dúvida se a produção é realmente uma espécie de tokusatsu em formato de anime, já que mesmo as histórias dos anos 80 sendo um pouco mais maduros que os do século XXI, o clima infantil e inocênte que permeia os tokusatsus estão bem distantes do início sórdido da produção.

O clima de herói em roupa metaltex só entra em sua abertura cantada por Akira Kushida, o mesmo das aberturas de Gavan, Sharivan, Sheider e de inserções em Jaspion e Spielvan. Para os ouvidos mais sensíveis, é fácil de notar a semelhança do tema de Hikaruon com o de Sharivan, em muitos momentos a vontade é começar a cantar “Shine shine shine Sharivan shine (shine!)“.

E a semelhança musical não para por aí, todas as músicas de back-ground foram recicladas dos Metal Hero’s, sendo os temas de Jaspion a comparação mais comum, principalmente durante a perseguição de carro que o herói sofre.

DETETIVE ESCOLAR

Diferente da temática a la Star Wars que os tokusatsus dos anos 80 costumavam ter, Hikaruon optou por trazer a temática dos tokusatus para um ambiente mais anime. Isso porque a primeira apareição de Hikaroun acontece quando o heróis é transferido para a escola que o garoto que se suicidou no preview da história estudava.

A trama adulta nota-se quando violência e cenas de nudez começam a ser largamente utilizadas.

Logo o clima pesado do local pode ser notado e é a YaYoi, após quase ser estuprada dentro da sala de aula, que dá detalhes do porque de tantos estudantes morrerem de medo dos alunos mais valentões.

A escola é parte de um esquema de gangues que trafica armas e drogas e comete todo tipo de barbaridade na cidade, não temendo a policia ou a justiça. Os valentões, que aparentam ter muito mais idade do que o comum para um estudante, são alguns dos líderes da gangue.

Essa temática mais adulta mostra que o público-alvo da produção, apesar de ser feita aos moldes de produções mais infantis, visa um público mais adulto, em geral aqueles que se entretinham com produções como Akira, Ghost in the Shell e outras produções cyber-punk da época. Os maltratos que Yayoi e Azumi, a ajudante de Hikaruon, sofrem durante os ataques dos vilões da história não são comuns mesmo em animes shonen, com várias cenas de nudez e animações violentas.

O sobrenatural entra na história para fechar o ciclo da mistura animesatsu, levando o enredo hard-core da cidade sem lei até os monstros sobrenaturais comuns em tokusatsus e que muito lembraram La Deus e os monstros enfrentados pelo Comando Estelar Flashman.

PORQUE NÃO PEGOU?

Apesar da qualidade excepcional para a sua época, uma história madura e conceitos que atraiam uma gama bem variada de público, Hikaruon ficou privado aos seus 30 minutos de OVA. Os motivos, apear de nunca terem sido revelados, não são muito dificeis de se entender.

Dos anos 70 para os anos 80 todos os gêneros de tokusatsu começaram a perder a audiência exorbitante que tinham em seu início, mesmo assim esse tipo de programa ainda servia para o que foram criados: vender bonecos dos heróis e alimentar a indústria de brinquedos.

As referências do anime são inúmeras, Saint Seiya é só uma delas.

Caso séries como Hikaruon se multiplicassem na TV japonesa, não seria dificil que a queda dos heróis em carne e osso chegasse ainda mais fundo.

Divagando um pouco poderia se chegar a conclusão que a indústria talvéz não perdesse com tal mudança, que houvesse apenas uma troca de foco nos produtos. Porém, a indústria do anime já estava dando conta, e muito bem, da demanda para esse segmento (os bonecos diecast de Os Cavaleiros do Zodíaco que o digam). Assim correr o risco de aumentar a concorrencia e de perder um nicho específico como o de tokusatsu não seria nada atrativo.

A impressão que dá é que Hikaruon foi uma espécie de episódio piloto que foi negada a produção devido aos problemas mercadológicos que a industria de brinquedos poderia passar, mas que mesmo assim foi lançado em formato OVA pela alta qualidade da produção, tanto em enredo, como em animação.

Os fãs agradecem, mas pedem mais.

RESENHA: Comando Estelar Flashman

“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Numa mistura de heróico com nostálgico, esta é a frase que dava início ao seriado que trazia cinco jovens vestindo roupas coloridas combatendo formigas humanóides e monstros espaciais com um super robô para proteger a Terra de toda e qualquer força malígna que pudesse ameaça-la. Mesmo trazendo um enredo muito parecido com uma série que conquistou o Brasil um ano antes de sua exibição (ponto para quem se lembrou de Changeman), o Comando Estelar Flashman fez bonito por onde passou, seja no Brasil, na Europa ou no Japão, a série japonesa mostrou que o tom épico de sua frase de abertura não era só um mero chamariz, era o reflexo de um dos super sentais mais bem produzidos de toda a história!

SUPER SENTAI

Antes de falar de Flashman, é necessário explicar do que se trata o seriado. Com o sucesso de Power Rangers no ocidente desde os anos 90, os seriados japoneses de quintetos de super-heróis que deram origem aos esquadrões americanos foram um tanto quanto esquecidos.

Do mesmo jeito que Power Rangers é o nome de uma franquia, no Japão a franquia de heróis coloridos se chama  Super Sentai (do japonês, スーパー戦隊 Sūpā Sentai) e já tem mais de 35 anos de história. Na verdade, os próprios Power Ranger são releituras dessas séries japonesas, fazendo com que os produtores da Saban e/ou Disney economizem com a produção de design e efeitos especiais.

Criado pelo mangaká Shôtarô Ishinomori em conjunto com a Toei Company, gigante do entretenimento japonês responsável por diversas séries de super heróis e desenhos animados como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, os Super Sentais seguem uma fórmula básica: cinco jovens são recrutados para proteger a Terra de extra-terrestres malígnos usando trajes coloridos e robôs gigantes.

O tempo de exibição da série é sempre de um ano, com uma média 50 episódios por equadrão. Um episódio é exibido por semana e imediatamente ao acabar o ciclo de uma série, uma nova a substitui, para que a indústria envolvida com o sucesso desses heróis não perca o fôlego.

Mesmo preso a uma fórmula pronta, o Comando Estelar Flashman mostrou que seu enredo ia além e foi um divisor de águas para a franquia e superou qualquer expectativa da época.

A REVOLUÇÃO

A história de Flashman se passa antes do primeiro episódio, isso tanto dentro das gravações como nos bastidores da produção. Anualmente, o produtor Takeyuki Suzuki é convocado pela Toei Company para a criação do enredo de um novo Super Sentai  que irá substituir o que já está sendo exibido na TV.

Diferente de tudo o que já fora abordado nesse tipo de seriado, o produtor se inspirou em algo diferente. Durante a II Guerra Mundial, as crianças japonesas qu haviam perdido seus pais na Guerra ou que por ventura, a família não tinha mais condições de cria-las, foram enviadas para a China aos cuidados de pais adotivos. Vinte anos após o fim da guerra, as crianças comçaram a voltar ao Japão para reencontrar com a família e/ou parentes mais próximos. Observando isso, Suzuki decidiu que este seria o mote de criação de Flashman.

Mesmo sendo um tema delicado, ainda mais pela franquia se dirigir ao público infantil, o produtor, junto com os roteiristas resolveram seguir em frente e criaram diversas analogias ao contexto escolhido para a elaboração da história.

O primeiro ponto seria como encaixar os orfãso como protagonistas da história. Assim, estes seriam representados por crianças sequestradas por piratas espaciais e criadas em um planeta distante da Terra (o planeta Flash), ao qual precisam voltar para impedir que o Crusador Imperial Mess use os terráqueos em terríveis experiências genéticas. Para portegê-la, os cinco jovens sequestram do planeta Flash uma nave (o Star Condor) que contém armamentos, mechas e gemas que os transformam no esquadrão Supernova Flashman (do jaonês 超新星フラッシュマン Chōshinsei Furasshuman), rebatizado no Brasil como Comando Estelar Flashman.

Por serem criadas em um lugar com características diferentes de sua terra natal, estes adquiririam poderes especiais e comportamentos diferentes dos terráqueos. A casa novidade com que eles se deparam (um balão por exemplo) eles os tratam com grande entusiasmo e curiosidade, comportamento este baseado nos orfãos criados na China que, ao chegarem ao Japão, se surpreendiam muito com o crescimento e a tecnologia do país.

Mesmo sendo um plano audacioso, o roteiro deu certo, atraindo crianças e conquistando adultos, sendo até hoje, a quarta série (empatada com Google V) de Super Sentai que mais deu audiência no Japão.


PROTAGONISTAS CATIVANTES

Não só de enredo vive um seriado, os atores, a produção e no caso dos super sentais, as vestimentas, armaduras e design dos elementos que a ele integram são de crucial importância, visto que um dos pontos que mais atraem o público infantil é o espetáculo da imagem. E a seleção foi perfeita! Para formar os cinco protagonistas, foram chamados quatro atores veteranos dos super sentais e um novato, somando tradição e originalidade em um só elenco.

Din, interpretado por Tota Tarumi é o Red Flash. Com 25 anos, é o mais velho da equipe e também o líder deles. Apesar de no início ser um personagem mais frio e focado na missão de proteger os terráqueos, se mostra o mais caloroso dos cinco, assumindo o posto do altruista irmão mais velho da equipe. Como líder, possui um grande senso de justiça e sempre é o primeiro a tomar a iniciativa em momentos críticos.

Dan (no origial, Dai) interpretado por Kikachiko Uemura é o Green Flash. Apesar de ser interpretado por um ator novato, demonstrou toda a garra, força e determinação que o personagem pedia. Diferente de Din, que foi treinado no planeta Flash, Dan teve seu treinamento no satélite Green Star.

Go (no original Bum) interpretado por Yasuhiro Ishiwata é o Blue Flash. Sendo o mais inocente e brincalhão da equipe, conquistou facilmente o público mais infantil. Seu ataque, o laserball, mesmo sendo um dos de maior dificuldade de produção, é também um dos mais interessantes para a série, sendo utilizado como fator decisivo em diversos momentos.

Sara, a Yellow Flash, é interpretada por Yoko Nakamura. Sem dúvida Sara era a personagens mais interessante dos protagonistas, tanto a composição de seu personagem com incríveis raios de gelo provocados pelo bastão laser, a garota aprendeu no satélite Yellow Star a prever os movimentos do inimigo, sem contar que é a responsável pela mira da bazuca Cosmic Vulcan e da convocação do Cosmic Laser, golpe final do robô do grupo. Romântica e extrovertida, interessantes reflexões acerca do passado dos Flashman foram feitas pela personagem durante a série, sendo a representante máxima do amadurecimento dos super sentais.

Para finalizar, Lu, a Pink Flash, interpretada por Mayumi Yoshida é a pesonagem responsável por uma das trocas mais inusitadas da série. Na gravação dos inserts de abertura para o vídeo de abertura do seriado, a atriz fez uma expressão um tanto quanto “raivosa” em sua primeira aparição, um dos fatores que causou  sua baixa popularidade. Assim, ela foi a única personagem que teve sua performance regravada alguns meses depois da estréia da série.

MECHAS E VILÕES

Os heróis sao interessantes, mas sem sombra de dúvida, o destaque gráfico e comercial de Flashman acontecesse graças aos mechas e aos inimigos dos heróis.

Fora o plano de fundo mais adulto, a primeira grande revolução causada por Flashman foi a quebra de padrão logo no primeiro episódio. Um dos responsáveis pelo grande sucesso da franquia dos super sentais é a presença de um mecha gigante que ajuda os heróis nos momentos mais criticos. A presença do robô começou a ser usado na terceira série sentai, o Battle Fever, e a partir daí se tornou padrão, todos os episódios tem reservado 17 minutos para os heróis e 3 minutos para o robô.

Porém, logo no primeiro episódio da série o Poderoso Flash King, o robô da equipe, não dá as caras, sendo apenas apresentado no episódio posterior. Além disso o padrão cronométrico do robô é quebrado em Flashman ao longo dos episódios, tendo episódios sem a presença do mecha e episódios com batalhas mais longas que o usual.

Além disso, a série é a primeira a apresentar um segundo robô a uma equipe Sentai. Após a derrota do Flash King para um monstro do Crusador Imperial Mess, que se tornou um dos episódios mais dramáticos e cheios de ação da série, os Flashman recebem a ajuda de Barack, um habitante do planeta Flash que lhes traz o robô do Deus Titan, o primeiro guerreiro a usar o poder dos Flashman, o caminhão Titan Flash, que se converte em Titan Junior e mais tarde em Great Titan para vencer os inimigos mais poderosos.

Estima-se que a aparição desse segundo robô se deu por conta de uma queda de vendas do robô principal. Essa idéia deu tão certo, que hoje as séries de sentai apresentam diversos robôs, se multiplicando cada ve mais a cada nova série da franquia.

Deixando os circuitos e metais de lado, encontramos muita genética e experiências inóspitas do lado inimigo. Liderando o rusador Imperial Mess, o grande Monarca La Deus decide que a diversidade biológica da Terra é o local ideal para que seu subordinado mais próximo, o doutor Kepflen realize os desejos de Mess.

A grande maioria dos personagens do “lado negro da força” foram criados a partir de uma viagem que Takeyuki Suzuki fez ao Egito pouco antes do início da composição do tokusatsu. Nefer, Wandar e muitos outros trazem diversas referências do local.

Tão grandioso quanto a inspiração dos nomes e o design dos vilões (o melhor de toda a história dos super sentais) foi a idéia de conquista que está por trás de Mess. Ao invés da simples conquista da terra recorrentes na maioria dos super sentais anteriores a Flashman, La Deus e Kepflen misturam genes (na dublagem brasileira “bio-moléculas) com os seres terrestres como plano de fundo para a ação do vilões.

Para completar o time do mal, nenhum outro vilão fez uma participação tão grandiosa completa do que Kaura, o caçador espacial que sequestrou os protagonistas e aparece posteriormente ao início da série para dar um gás muito mais dinâmico tanto para as cenas de ação como para a complexa relação existente entre Kopfler e La Deus. Só a aparência diferenciada dele (barba, vestimenta negra, cablos tanpamdo um dos olhos) já impõe presença, mas a história envolta dele nos momentos decisivos da luta dos Flashman contra Mess lhe faz um dos vilões mais interessantes (senão o mais interessante) de toda a história dos 35 esquadrões tokusatsus.

A SÉRIE NO BRASIL

Produzida e exibida no Japão durante os anos de 1986 e 1987, Flashman chegou ao Brasil em 1989 com uma dificil tarefa: manter o sucesso que Jaspion (leia o review aqui) e Changeman haviam feito no Brasil desde 1986.

Assim como no japão, Flashman conseguiu grande sucesso e prestígio com o público brasileiro, sendo exemplo de conquista de audiência aos seus concorrentes que começaram a surgir aos montes após o sucesso de Jaspion. O tokusatsu foi exibido na Rede Manchete até 1994, quando passou na Rede Record e deu seu último suspiro na TV Gazeta até 1997.

Atuamente, Flashman pode ser encontrado em uma caprichada coleção de DVD’s da Focus Filmes, como 10 discos divididos em dois boxes digistack. A edição de colecionador inclui uma lata comemorativa, cartões postais e um encarte escrito por Ricardo Cruz com um pouco da história e detalhe inéditos dos bastidores da produção.

Assim como na TV, Din e cia parecem não terem descanso e também tiveram que cumprir uma importante missão para a Focus Filmes. “Queimada” com seus consumidores após erros esdruxulos nos boxes de FullMetal Alchemist, Changeman, National Kid e principalmente Jiraiya, o lançamento de Flashman em DVD teve o objetivo de recuperar a imagem da Focus Filmes com o público-alvo de tokusatsu e, para alegriar dos fãs, tudo ocorreu conforme o esperado.

Os DVDs seguem (quase) a mesma qualidade de som (dublada e legendada) e imagem de Jaspion (o melhor lançamento de seriado japonês  já realizado pela empresa), contém áudio-comentários de Ricardo Cruz e outros nomes do gênero tokusatsu no Brasil no primeiro box e uma tradução de legenda impecável.

A arte de capa ficou abaixo de todos os outros lançamentos da empresa, podendo ter sido melhor trabalhada e mais variada (Flash King repete duas vezes na luva do box da edição de colecionador). Os previews dos episódios poderiam ter sido dublados (já que nos anos 80 isso não foi feito) e há a falta das eye-catchs nos episódios do primeiro box.

E O RESULTADO FINAL É…

Nem é necessário perguntar se assistir aos 50 episódios de Flashman é uma tarefa compensadora. Engana-se quem achar que o retrô das imagens ou do vídeo de abertura de Flashman rfletem uma história desgastada pelo tempo. Surpreendendo todo e qualquer fã de super heróis e ficção científica, Flashman é o seriado ideal para quem quer unir efeitos especiais e uma história inteligente.

Apesar de dirigida ao público infantil, o enredo de Flashman surpreende por sua originalidade e criatividade. Se a “queda do robô” surpreende até o fã mais inveterado da franquia Super Sentai, o que dizer do público casual quando assitir a dramática luta contra o tempo e dedicação do grupo para encontrar respostas sobre o paradeiro de sua família ao fim do seriado?

Impossível não se emocionar com as histórias cativantes de cada um dos protagonistas cada vez que, muitas vezes na inocência acreditam ter encontrado algum ente familiar. Família, irmandade, união, amizade são só alguns dos sentimentos e lições mais importantes que o grupo precisou enfrentar em seu desejo de proteger a terra.

E o que dizer dos vilões mais amarguradamente complexados que os super sentais já enfrentaram? Numa mistura de Guerra nas Estrelas com Frankstein, os vilões se mostram personagens cada vz mais interessates, demonstrando personalidades e desejos que refletem os mesmos sentimentos que os humanos sentem a cada tipo de relação interpessoal que começa a ter.

Analogia histórica, personagens cativantes e panos de fundo que são atuais até hoje fazem de Flashman um seriado inesquecível tanto para quem era criança nos anos 80, como para que decidir assistir ao seriado pela primeira vez agora. Para finalizar, você fica com o vídeo de abertura do tokusatsu para relembrar a nostálgica frase com que iniciou esse review ou para conhecer um seriado que vai te emocionar a cada vez que você assisti-lo e reassisti-lo:

RESENHA: O Fantástico Jaspion

Quem tem menos de 20 anos não teve a oportunidade de conhecer como era a vida de uma criança em plena transição da década de 80 para 90. Com uma economia oscilante e uma inflação exorbitante, era comum que pais e filhos tivessem como principal diversão a TV.

Como o fim-de-semana a telinha era sempre dominada pelos chefes-de-família que trabalharam duro durante a semana, restava aos pequeninos aproveitar o que a TV tinha de bom e de melhor durante os dias de semana. E que programação! Para prender a atenção da garotada a as redes de TV eram repletas de monstros, robôs gigantes e grandes super-heróis.

Mas não era só isso. Além dos convencionais desenhos animados americanos, os meados da década de 80 foram invadidos por seriados de super-heróis japoneses multi-coloridos, cheios de raios laser e técnicas de luta malabaristas. O carro chefe de todos os seriados era um herói franzino, de cabelo black-power e uma ajudante robô que até hoje é usado como referência para se referir ao povo oriental no Brasil: O Fantástico Jaspion.

O INÍCIO DE TUDO

No Brasil nunca foi preciso muita coisa para transformar uma idéia em sucesso. Reality-shows, desenhos animados, animes, redes sociais e qualquer outro gênero de entretenimento geralmente explodem no país graças um único grande título. Com os os tokusatsus não pôde ser diferente.

Tokusatsu é o neologismo que define o gênero de seriado de super-heróis japonês cheios de efeitos especiais. Quando os tokusatsu aterrisaram pela primeira vez no Brasil (com as séries Ultra, nos anos 70, na TV Tupi) o barulho não foi tão grande, mas certamente preparou o terreno para possibilitar o sucesso de Jaspion em 1886.

O visionário que trouxe Jaspion para o Brasil é o empresário Toshihiko Egashira. O decendente de família japonesa percebeu como os seriados importados (legendados) do Japão eram procurados nas locadoras especializadas em conteúdos para nipo-descendentes e viu aí uma oportunidade de mercado a ser explorada.

Fundando a Everest Vídeo, Toshi (como é popularmente conhecido) trouxe Jaspion e Changeman como “start” para o negócio, sendo iniciado como um seriado apenas para locação (agora com áudio dublado) para posteriormente ser transmitido na TV.

Mesmo sendo desacreditado por várias lojas de home-video, redes de TV e fábricas de brinquedos, todos os meios que Jaspion e Changeman entravam faziam sucesso imediato e a produção poucas vezes supria a demanda inicial. O sucesso foi tanto que a Rede Manchete começou a transmitir o seriado em horário nobre, fazendo frente com as novelas da Rede Globo e o licenciamento era tão intenso que até um circo itnerante do personagem foi montado.

PRODUÇÃO

Apesar de já estarmos acostumados com histórias que se repetem em loops infinitos nas atuais séries Power Rangers, o enredo de Jaspion prima pela sua originalidade, mesmo se comparada com outras séries do gênero e da mesma época no Japão.

O nome original da série é Kyojuu Tokusou Jaspion (em japonês: 巨獣特捜ジャスピオン) que pode ser traduzido como O nvestigador de Monstros Juspion. Peraí! Juspion? Sim! Juspion deveria ser o nome original do personagem nos países ocidentais, já que o nome do heróis é formado pela junção das palavras inglesas Justice e Champion. Porém, por motivos óbvios, os licenciadores preferiram manter a pronuncia original do nome do herói da língua japonesa.

Bom, então já que o fantástico Jaspion na verdade é um investigador de monstros, pode-se presumir que ele também seja uma espécie de detetive espacial, certo? Em partes.

No Japão, Jaspion é um tokusatsu que pertenceu a já extinta franquia dos heróis denominados Metal-Hero’s. Essa franquia foi montada pela produtora da série, a Toei Company, com o intuito inovar o conceito dos seriados de super-heróis da época, ao invés de se usar atores convencionais no papel dos heróis, a companhia decidiu utilizar os próprios dublês que faziam as cenas de ação como os atores que fariam o personagem à paisana, assim poderiam gravar várias tomadas de lutas dos heróis lutando sem a armadura.

A idéia deu muito certo, mas muito anos antes de Jaspion. O herói foi o quarto da série Metal Hero, mas o primeiro a estrelar a história sozinho. Seus três predecessores, Gavan, Sharivan e Sheidder (depois transmitidos no Brasil pela Rede Globo e Bandeirantes) integraram uma espécie de trilogia da franquia, sendo os primeiros detetives espaciais do Japão.

Quando Jaspion chegou com uma proposta similar aos de seus antecessores o público japonês passou a rejeitar o herói. Para recuperar os pontos de audiência perdidos, a idéia inicial de detetive espacial foi mudada várias vezes, sendo que o heróis teve que passar por mudanças de roteiro várias vezes até encontrar um formato que conseguisse agradar o público japonês.

A série chegou a ponto de ser quase cancelada tamanha a perda de audiência comparada a série anterior, tendo que ser mudada de horário na TV que era transmitida no Japão para se manter no ar.

Somado a isso, a série ainda passou por diversos problemas que o acaso provocou. O ator de Jaspion, Hikaru Kurosaki sofreu um acidente e teve de ficar afastado das cenas de ação por alguns episódios, sendo substituído por outros dublês. O ator de Boomerman (Boomerang no original), Hiroshi Watari, antigo ator de Sharivan, Hiroshi Watari, que foi inserido na história para resgatar o público cativo da trilogia dos detetives espaciais sofreu um grave acidente de moto e teve que se afastar completamente das gravações.

Para completar, até o visual de Hikaru Kurosaki foi mudado várias vezes. A produção tentava projetar as quedas de audiência em tudo o que poderia existir na série, inclusive no cabelo de Jaspion. O inicial (e original) black-power do ator foi cortado, penteado, alisado, arrepiado e organizado de tantas formas diferentes como nenhuma outra série na história dos tokusatsus.

A TRILHA SONORA

A trilha de tokusatsu remete muito as trilhas de Star Wars e Star Trek. Com um tom épico, as músicas tem a intenção de marcar a quem assite. Com um time que já era veterano em produções de super-heróis na época, Jaspion contou, entre outros, com os nomes de Ai Takano para os temas de abertura e encerramento e Akira Kushida para diversar músicas de inserção, das quais vale destacar o tema do robô gigante Daileon.

Abaixo você confere o tema de abertura e a música-tema de Daileon:

O ENREDO

Com tantas mudanças bruscas de roteiro já citadas, ao que parece o enredo tinha tudo para ser um fracasso não é? Pois até mesmo o crítico de ficção científica mais clássico vai concordar que a dinâmica do roteiro de Jaspion fez bem para a história.

A história começa com Jaspion, um orfão de um planeta distante sendo chamado a gruta do profeta Edin. O profeta centenário de cabelos e barbas longas previu através da leitura de parte da bíblia galáctica que o universo será destruído por um ser chamado Satan Goss (Satan Gorth, no original) que estaria cruzando o universo conquistando os planetas graças ao seu principal poder: enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis (como já dizia o narrador da série).

Para evitar que Satan Goss costrua um império de monstros, Edin dá a Jaspion uma armadura Metaltex e uma nave que se transforma em um robô gigante (o Gigante Guerreiro Daileon) para cruzar o espaço e deter o vilão.

Nos primeiros episódios, é exatamente isso o que Jaspion faz. Vai cruzando o espaço de planeta em planeta desfazendo as desgraças causadas por Satan Goss. Talvéz o alto custo desse tipo de produção e/ou a baixa audiência provocada, tenha feito os roteiristas mudarem de idéia e trazerem Jaspion para a Terra, o antigo planeta das feras (os dinossauros) onde Satan Goss vê o local ideal para construir o centro do Império dos Monstros.

Jaspion ainda conta com a ajuda de dois seres. Anri (Kiyomi Tsukada) é uma andróide construída por Odin para “cuidar” de Jaspion, desde a sua alimentação até a observação dos perigos que afligem o universo. Miya (Atsuko Koganezawa) é um monstro-bebê espacial que Jaspion salva em uma de suas viagens interplanetárias que acabou vivendo com ele no Daileon.

As sequências da vida causal de Jaspion geralmente são divididas com as duas personagens. De um jeito extrovertido e brincalhão, Jaspion adora provocar as duas, o que gera sequências muito divertidas durante toda a série. As caras e bocas dos personagens são muito facilmente remetidas aos mangás, história em quadrinhos japonesas que prima pela variação de caricatos dos personagens.

Daileon é outro destaque. Apesar de muitas das batalhas vistas com robôs gigantes em outros tokusatsus sejam um tanto quanto cansativas e repetitivas, o robô guerreiro gigante Daileon consegue prender a atenção do espectador.Quem não e lembra do pesado chute do robô? Ou do decisório Cosmic-Laser?

Os movimentos, a construção da roupa do robô e o cenário aonde é inserido dão origem a tomadas que simulam com perfeição um robô gigante. Mesmo com efeitos especiais tão escassos da época, a impressão que dá é que Daileon realmente tem quilómetros e quilómetros de altura, efeito esse que mesmo hoje em dia, com tantos recusos digitais , muitas vezes não conseguem ser muito bem simulados.

É bom lembrar que Jaspion é um seriado produzido para um público infantil, mas não é bom deixar de considerar que o ano de produção de Jaspion (1985) era um época em que os seriados de ficção científica (Star Wars, Star Trek, Lost in the Space) estavam em alta também, assim conclui-se que a equipe de produção de Jaspion tinha verdadeira paixão por esse gênero e tentavam refleti-los em seus seriados tokusatsu, o que atraia também espectadores de idade mais adulta.

Assim, durante toda a série, é possível notar a troca de valores de um programa infantil com as saídas pseudo-científicas que justificam a concepção de cada monstro que Jaspion luta. Apesar de nitidamente notar que a vinda de Jaspion para a Terra era sair um pouco desse estilo de ficção científica, a vinda do herói foi positiva. Por se tratar de uma série infantil, é importante que a participação de crianças na história seja constante, e a Terra é o ambiente ideal para isso.

A história segue com a chegada do drama de Boomerman, que se torna o melhor amigo e companheiro de Jaspion na luta contra Satan Goss, que começa a trazer matadores de toda a galáxia para ajudar deus filho MacGaren (Mad Galant, no original), a deter o herói de metaltex. Com a saída do personagem novamente o enredo precisou passar por mudanças bruscas, talvéz a melhor que Jaspion teve.

Edin, descobre novas partes da Bíblia Galáctica e revela a Jaspion que (surpresa!) a salvação do universo estava mesmo na Terra. Começa a busca pelo pássaro dourado, o ser que será capaz de dar poderes a Jaspion para que ele consiga enfrentar Satan Goss de igual para igual e deter suas ambições megalomaniacas.

Essa constante troca de focos para a história é verdadeiramente benéfica. A dinâmica de Jaspion faz com que a história se diferencie do resto dos tokusatsus, criando um enredo que vai evoluindo conforme o passar dos episódios. O pássaro dourado, apesar de parecer uma espécie de plano B dos roteiristas, transformou Jaspion numa história original que foge do marasmo de muitas séries de seus gênero. Avaliando a história como um todo, mesmo a troca de personalidade de Jaspion pode ser atribuídas ao seu amadurecimento devido aos dramas que vai vivendo durante a série.

O PRODUTO NACIONAL

Jaspion teve seu apogeu quando foi transmitido pela Rede Manchete a partir de 1988 até meados de 1994. Já entre agosto de 1994 e dezembro de 1995, foi exibida pela Rede Record, continuando a manter ótimos índices de audiência. Posteriormente, em 1997, foi transmitida pela CNT/Gazeta.

Hoje, a série pode ser encontrada em diversas lojas e magazines numa edição caprichada produzida em DVD pela Focus Filmes desde 2007. Jaspion foi a primeira investida da empresa no ramo de tokusatsus da empresa e até hoje é um dos títulos mais vendidos da empresa.

Separada em 10 discos avulsos ou em 2 boxes digistak com 5 discos cada, o título ainda ganhou uma edição de colecionador, com uma lata para guardar os dois boxes e um boneco comemorativo. Tanto a arte de capa dos discos, como as dos boxes e da lata ficaram magníficas, com fundos que remetem a estrutura de Daileon. Apenas o boneco sofreu muitas críticas. A própria Focus disse que havia recusado o primeiro modelo do boneco, mas acabou por optando por ele para não atrasar com a entrega prometida aos consumidores.

A qualidade do áudio e da imagem surpreendem, levando em conideração que a série data de mais de 25 anos. O tratamento da imagem para ser transmitida digitalmente ficou excelente e o audio original tão bom quanto.

O destaque vai para o conteúdo exclusivo do Brasil. Primeiro a faixa de áudio em português foram tiradas das fitas originais u-matic do licenciante original, num estado tão bom quanto a qualidade do áudio japonês. Segundo, os três primeiros discos trazem uma faixa de áudio-comentários com Ricardo Cruz e outras figuras pop da mídia especialista em tokusatsu no Brasil, além de uma entrevista com Toshihiko Egashira.

ENFIM, VALE A PENA?

Ao se deparar com Jaspion a primeira imagem que se é levada a mente é de uma produção tosca, com efeitos especiais de segunda, e seres fantásticos muito espalhafatosos. Mas isso acontece apenas num primeiro momento. A partir da hora que o epectador topa em assistir ao seriado pensando na mensagem que a produção queria passar a partir dos recursos que tinham, essa impressão viciada passa.

Talvéz, mesmo sem topar em fazê-lo, Jaspion consegue conquistar até mesmo os corações mais resistentes. A força do herói somada a graça e a inocência que integram o personagem, cativa. Assim como o seriado mexicano Chaves, Jaspion transmite uma história simples, de fácil entendimento, leve mas muito inteligente.

Aos pequenos, a imagem do herói que a tudo salva fica marcado na memória. Aos adultos, a mensagem de superação e companheirismo somadas a uma história de ficção científica sem complicações gera reflexão e relaxamento.

São poucos os heróis que conseguem marcar o significado de HERÓI tanto como Jaspion. Diferente da hesitação vista em muitos dos atuais filmes de hollywood que retratam os heróis dos comics, Jaspion resgata o herói simples que supera limites que é tão necessário na formação de qualquer ser humano.

Após assistir 46 episódios de pura ação e aventura, o espectador vai perceber que Jaspion não é um mero devetive espacial de monstros, ele é realmente FANTÁSTICO!

No início, Jaspion morava com Edin num planeta muito longe da Terra.

Anri e Jaspion dentro de Daileon em sua forma de nave.

Estúdios Álamo fecha suas portas. Assista a uma entrevista com o atual dono a empresa e uma homenagem do dublador Nelson Machado.

É com muita dor no coração que escrevo este post. Os estúdios Álamo, a maior empresa de dublagem da cidade de São Paulo fechou suas portas no último dia 31 de maio. Depois de quase 40 anos de trabalho ininterruptos.

A empresa foi a responsável por uma quantidade enorme de dublagens de filmes, séries e desenhos animados no Brasil. E as vozes que por lá passaram marcaram a vida de muitos espectadores, tanto pela boa empostação de voz dos dubladores, como pela qualidade do áudio de cada trabalho da empresa.

Em homenagem ao estúdio, o dublador Nelson Machado (dublador de Kiko, do Chaves) preparou um documentário com uma entrevista com o atual dono da empresa o sr. Alan Stoll e colheu depoimentos de alguns dos coordenadores artísticos que a empresa já teve: Orlando Viggiani, Nair Silva, Eduardo Camarão, Angélica Santos e Wendell Bezerra.

No fim do video, o dublador ainda faz uma reflexão sobre como anda a cultura artística brasileira e o atual cenário do mercado de video e dublagem. O texto é um dos mais geniais que já vi e por isso gostaria que compartila-lo com os leitores do blog:

Assim como diz a entrevista, é possível que a Álamo retorne ao mercado da dublagem, mas em outro formato. Por isso, apesar das lágrimas nos olhos finalizo este post, não com um adeus, mas com um:

ATÉ BREVE, ÁLAMO.

REVIEW: Super Friends Spirits 2010 – dia 11

Todo mundo já está com as mochilas cheias de miniaturas, DVD’s e mangás. Todos os fãs já assistiram as palestras, participaram dos workshops e pegaram autógrafos com os grandes nomes do universo otaku. Todos os campeões dos diversos campeonatos de cards e games já comemoraram a valer junto de seus prêmios. Os visitantes já comeram yakissoba, tempurá e sushi, tudo isso regado com sua bebida de soja preferida: o Mupy.

É chegada a hora de todos no Anime Friends se dirigirem ao palco principal do evento para contemplar os artistas japoneses que fizeram parte de sua infância e não deixaram de emocionar a todos os adultos. É chegada a hora do Super Friends Spirits.

Se hoje o Anime Friends é o sucesso que é, em grande parte isso se deve ao fato de ter inovado o conceito de convenção de desenhos animados japoneses quando em 2003 realizou dentro do primeiro Anime Friends a primeira edição do Super Friends Spirits, um grande show de encerramento com os intérpretes originais dos animesong’s preferidos dos frequentadores do evento.

Com o sucesso crescente do Super Friends Spirits a cada ano, a Yamato Corp, empresa que realiza o Anime Friends, começou a trazer atrações internacionais nos dois fins de semana do evento, antes reservado apenas aos últimos dias.

Em sua oitava edição, o Anime Friends 2010 realizou duas edições do Super Friends Spirits, cada fim de semana com uma seleção diferente de artistas.

No dia 11 de julho, o palco do Anime Friends se tornou o centro de um grande tokusatsu show, trazendo ao evento três dos maiores intépretes das músicas que embalam os grandes seriados japoneses que foram e são sucesso no Brasil. São eles:

• AKIRA KUSHIDA
O cantor japonês é o intérprete de várias músicas de seriados japoneses conhecidos no Brasil, como Jaspion, Jiraya, Sharivan, Jiban entre outros. Esteve no Brasil pela primeira vez em julho de 2003 na primeira edição do evento Anime Friends junto com o também cantor Hironobu Kageyama e o ator Hiroshi Watari. Foi, junto com Kageyama, um dos cantores de animesong que mais se apresentou no Brasil, incluindo um show no Anime Friends 2009 que fez parte de sua turnê mundial.

Kushida agitou o palco do Anime Friends em todas as vezes em que esteve presente.

• TAKAYUKI MIYAUCHI
Japonês, nascido na cidade de Ibaraki no dia 4 de fevereiro de 1955. Dono de uma voz bonita e possante, é chamado carinhosamente pelos fãs de Myanii. Fez músicas para várias séries em tokusatsu e anime, dentre elas Winspector, Solbrain e Kamen Rider Black RX. Em julho de 2005 esteve no Brasil no evento carioca Anime Family e uma semana depois de apresentou no evento paulista Anime Friends. Também compareceu em julho de 2007 no SANA em Fortaleza-CE junto com o também cantor Akira Kushida. E agora volta ao palco do Anime Friends para mostrar toda a força de sua voz.

O cantor ficou famoso aqui por interpretar músicas dos tokusatsus dos anos 90.

• SHINICHI ISHIHARA
Shinichi Ishihara é cantor e dublador.Nasceu em 26 de maio de 1960 na província de Yamanashi e ficou famoso por cantar as músicas tema de Kamen Rider Agito e Sentai Kyuukyuu GoGo-V entre outras temas de abertua de diversos tokusatsus, onde seu principal sucesso são as canções compostas para o tokusatsu B-Fighter.

O artista também é conhecido por suas excelentes versões cover de animesong's.

ENFIM O SHOW

O show teve um tempo aproximado de 2 horas e seguiu com o seguinte set-list:

01 – Kyu Kyu Sentai GoGo V (Abertura de GoGo V)
02 – Juukou B-Fighter (Abertura de B-Fighter)
03 – Tokkei Winspector (Abertura de Winspector)
04 – Kyou No Ore Kara Ashita No Kimi E (Encerramento de Winspector)
05 – Kidou Keiji Jiban (Abertura de Jiban)
06 – Ginga no Tarzan (Inserção em Jaspion)

MC

07 – Chikyuu Koukou (Encerramento de B-Fighter)
08 – Ore Ryuu!! Geki Violet (Inserção em Gekiranger)
09 – Tokkyu Shirei Solbrain (Abertura de Solbrain)
10 – Tokusou Exceedraft (Abertura de Exceedraft)
11 – Unare! Jikou Shinkuu Ken (Inserção em Jiraiya)
12 – Jiraiya (Abertura de Jiraiya)

MC

13 – Kamen Rider Agito (Abertura de Kamen Rider Agito)
14 – Kamen Rider Black RX (Abertura de Kamen Rider Black RX)
15 – Chou Wakusei Sentou Bokan Daileon (Tema de Daileon)

ENCORE
16 – Uchuu Keiji Gyaban (Abertura de Gyaban)
17 – Ore ga Seigi da! Juspion (Abertura de Jaspion)

É de comum acordo entre os fãs que o melhor Super Friends da história do Anime Friends foi a edição realizada em 2007, quando o evento completou 5 anos. Na ocasião, se apresetaram no show Hironobu Kageyama, Nobuo Yamada, Yoko Ishida, Masaaki Endoh, Kouji Wada e Mojo.

Nesta edição, a Yamato “criou” uma receita de show que agrada tanto gregos como troianos: haviam dois cantores superstars (Kageyama e Yamada), um cantor de temas predominantemente antigos (Mojo), dois cantores de temas predominantemente recentes (Kouji Wada e Masaaki Endoh) e uma voz feminina (Ishida) para interpretar os temas que exigem uma voz feminina.

Nobuo Yamada no Super Friends Spirits de 2007. Foto do site KENSHIN!

Mesmo sem serem cohecidos do grande público, Mojo e Ishida fizeram parte essencial do que é o Super Friends Spirits: uma oportunidade de conhecer vários cantores japoneses ao mesmo tempo em que todos curtem grandes hits desse universo, como Pegasus Fantasy e Chala-Head-Chala.

Agora em 2010, o sucesso do Super Friends Spirits o dia 11 se deve a “receita” do show ter sido parecido com o de 2007, se levado em conta, é claro, suas devidas proporções.

Kushida foi o cantor superstar da vez e aquele que compõe as músicas antigas (considerando a “Geração Manchete” como a mais antiga do Brasil), Miyauchi foi o intéprete das músicas hits de uma geração (a “Geração Cavaleiros do Zodíaco”) e Ishihara foi o cara que foi apresentado ao público (mesmo ele já tendo vindo ano passado, sua apresentação não foi tão brilhante como a desse ano).

A receita pode ser boa, mas o bolo não fica bom se deixa-lo muito tempo no forno, felizmente, esse ano a Yamato não deixou o show “queimar”.

Um pouco depois da apresentação da banda Tatsu (que também foi a banda do show principal), Ishihara já entrou no palco esbanjando simpatia com GoGo V, seguindo com B-Fighter, o cantor logo fez a alegria dos fãs de tokusatsu, cantando duas de suas principais músicas.

Ishihara fez a sua melhor apresentação no Brasil no dia 11.

Quando Miyauchi entrou cantando Winspector, os fãs já saltaram de felicidade, já que ele era um dos cantores mais aguardados da noite, visto que foi em 2008 a última vez que subiu no palco do Anime Friends.

Mas não houve melhor entrada que a de Akira Kushida, que provou mais uma vez o porquê de ser um dos catores mais adorados em terras tupiniquins. Envolto da bandeira do Brasil, Kushi-kun (como gosta de ser chamado) abriu sua apresentação no Brasil com Jiban, um dos temas mais cultuados no universo tokusatsu.

Um dos pontos mais emocionantes do show, foi o bate-papo com a platéia junto do mestre de cerimônias (MC) Ricardo Cruz, que ia traduzindo a conversa entre artistas e fãs.

Ricardo Cruz mediando a conversa entre os artistas e os fãs.

Durante a conversa, Miyauchi disse que foi graças a força que recebeu dos fãs brasileiros em sua apresentação no país em 2005 que ele tomou coragem para vencer uma grave doença a qual fazia anos que enfrentava a anos. Hoje, curado, Miyauchi disse que considera como uma de suas missões de vida cantar para o público brasileiro que tanto o ajudou em um momento muito dificil de sua vida.

Entre o fulgor dos fãs, músicas adoradas pelo público e algumas novidades, o trio seguiu com o set-list arrancando elogios a cada performance.

Um dos momentos mais bizarros e divertidos do show, aconteceu quando Kushida resolveu fazer a dança -do-siri em pleno palco, e ainda fez questão de falar no segundo MC que aprendeu isso no programa Pânico na TV.

O encerramento não poderia ter sido melhor, com Kushida, Ishihara e Miyauchi cantando juntos o tema de abertura de Jaspion, o tokusatsu mais famoso da história do Brasil.

Mesmo com o fim do show, a impressão que dava é que os artistas queriam mais tempo no palco para aproveitar a alegria e ocontentamento dos fãs com o show.

Miyauchi emocionou o publico com Winspector.

Apesar de muito bem escolhido, o set-list poderia ter sido maior. Os cantores perderam uma grande chance de apresentar mais novas músicas para os fãs, como os temas de inserção de Wispector e Solbrain, e engrossar o tempo de duração do show.

O show foi marcante, histórico, sensacional. Mas deixou um grande nicho de público a ver navios. Apesar do evento se chamar ANIME Friends, a Yamato apenas selecionou artistas de tokusatsus. E uma das poucas, e boas, músicas de anime que poderiam ter sido interpretadas, Red Baron de Shinichi Ishihara, foi deixada de lado.

Algo que também teria feito a diferença e não foi realizado, foi uma tarde de autógrafos com os cantores. Do mesmo jeito que os fãs querem estar mais próximos de seus ídolos, acreditos que os três artistas teriam gostado muito de conceder um “tempinho” a mais para quem os tanto admira.

A Yamato está de parabéns por ter montado o melhor show de animesong’s que o Brasil já teve desde 2007, mas ainda há muito que melhorar para que os visitantes do Anime Friends possam sair so evento com a mesma sensação que saíram aqueles que assistiram o show de comemoração aos cinco anos do evento, aquele que faz cada fã suspirar palavras como “o melhor da minha vida”.

*Todas as fotos assinadas pelo site foram tiradas por Davi Jr. e Eva-Chan.

VIDEOS

Confira a seguir vários vídeos do Youtube que trazem videos capturados por camera caseiras por fãs. O áudio e o video não estão lá grande coisa, mas dá para sentir um pouco do gostinho do show.

• Entrada de Akira Kushida com a Bandeira do Brasil – Kidou Keiji Jiban

Akira Kushida – Jiraya

Akira Kushida – Chou Wakusei Sentou Bokan Daileon

Takayuchi Miyauchi – Tokkyu Shirei Solbrain

Takayuchi Miyauchi – Tema de Abertura de Kamen Rider Black RX

MC – Ricardo Cruz, Kushida, Miyauchi e Ishihara

Encerramento – Ore ga Seiji Da Juspion