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RESENHA: Dragões de Éter: Corações de Neve

O segundo passo no conto de uma história, após estabelecer personagens, pensamentos e parâmetros, consiste em formar situações chaves que refletem seu passado e espelha seu futuro. Em Dragões de Etér: Corações de Neve, clássicos da cultura pop mundial formam o contexto que a literatura brasileira precisava em sua essência.

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CONGELANDO HISTÓRIAS

Quem é que nunca ouviu falar da doce princesa de lábios vermelhos, cabelos negros e pele branca como a neve que era considerada por um espelho mágico a mais bela de todas as mulheres? Muito provavelmente a mais clássica e mais querida história de contos de fada é A Branca de Neve e os Sete Anões, em partes pelo sucesso do primeiro longa metragem animado da história produzida por Walt Disney, em partes pela carismática mistura de personagens e situações que já entraram no imaginário popular de crianças e adultos.

Referenciando tal conto logo no título da segunda parte de sua saga, Raphael Dracoon seguiu com o conceito de Caçadores de Bruxas (leia a resenha aqui) de resgatar histórias que todos os leitores adoram para formar uma história completamente nova e cheia de novas situações em seu mundo de Éter.

Se os mundos Chapeuzinho Vermelho, João e Maria e A Princesa e o Sapo sãos os guias para seu primeiro livro, em Corações de Neve a citação de contos de neve chega as dezenas, provocando gigantemente o imaginário de seu leitor e criando uma discussão extra-livro que faz sua obra durar muito mais que o próprio tempo de leitura da mesma.

Os cenários criados por Dracoon são concebidos das mais diversas maneiras pelos fãs!

Os cenários criados por Dracoon são concebidos das mais diversas maneiras pelos fãs!

Contudo, não é a manipulação da memória do leitor que é o destaque de Corações de Neve, mas sim, como Raphael Dracoon uniu a cultura dos contos de fada com elementos tão precisos e adorados pelos amantes de cultura pop!

CONGELANDO O POP

Quem já assistiu qualquer anime japonês, principalmente os do gênero shonen (literalmente, para meninos), conhece muito bem alguns dos recursos que os autores criam para alavancar sua narrativa, seja para estabelecer novos personagens, seja para renovar os mesmos. Estamos falando dos torneios entre personagens.

Guerra Galactica, Torneio de Artes Marciais, Torneio das Trevas, Torre celestial, são apenas alguns dos mais conhecidos embates que autores como Masami Kurumada, Akira Toriyama e Yoshihiro Togashi já nos apresentou ao longo de décadas de efervescência do mangá japonês. Além de gerar apostas e uma tentativa de “advinhar resultas” numa verdadeira disputa de apostas entre os espectadores, esses torneios mexem com que os instintos mais competitivos do fã, tornando do recurso do autor sempre um momento marcante no desenvolvimento dos personagens.

Com Dracoon não seria diferente. Ocupando pouco mais que um terço do livro, mas influênciado todo ele, o Torneio de Pugilismo sediado em Andreanne é o ponto central de toda a trama de Corações de Neve.

Reinterpretar as diversas histórias referenciadas durante livro é um exercício de imaginação do leitor e do autor que se completam em um só!

Reinterpretar as diversas histórias referenciadas durante livro é um exercício de imaginação do leitor e do autor que se completam em um só!

Enquanto Dracoon exalta os corações afoitos dos leitores masculinos com lutas épocas de Axel Brandford mesclados as disputas políticas envolvendo Anísio Brandord e os demais reinados que trouxeram representantes ao torneio, é com as tramas paralelas  e o amadurecimento de Ariane Narin, João e Maria Hanson e Branca Coração de Neve, que as leitoras femininas mais se identificam, fazendo do segundo volume da obra mais um clássico que agrada a todos os públicos.

Se de um lado as apostas são em qual dos lutadores passarão para a próxima fase para enfrentar Axel, do outro todos os elementos que acontecem fora do torneio vão somando razões para a derradeira história de Branca de Neve, que vai se formando no livro de forma emocionante e extasiante!

CONGELANDO CORAÇÕES

Rocky, Caverna do Dragão, Nirvana, Shiryu de Dragão, Bayonetta, Claymore, He-Man, Cinderela. As vezes é dificil responder como elementos e referências de mundos e personagens tão diferentes podem originar uma história tão encantadora como Dragões de Éter.

Sete Anões ou Sete Sábios? Como Branca de Neve foi salva quando foi levada para a floresta?

Sete Anões ou Sete Sábios? Como Branca de Neve foi salva quando foi levada para a floresta?

Somado a tantos elementos e brincadeiras de adivinhações provocadas pelo inteligente autor, a história lateral de Robin Hood, que se desenvolve paralela ao Torneio de Pugilismo de Andreanne, uni ao final do livro duas linhas de raciocícinio que torna Dragões de Éter a síntese de uma geração motivada pela cultura pop e ansiosa por revisitar personagens tão queridos de maneira tão motivadora.

Ainda mais acolhedora que seu primeiro capítulo e muito mais provocante, Dragões de Éter: Corações de Neve cria uma história cativante que aquece o coração do fã, congela sua nostalgia e reinventa o modo como a literatura do Brasil abraça a cultura mundial. Reconhecendo o ser humano como o todo de uma grande grade de emoções e inspirações que move a cultura pop!

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RESENHA: Sailor Moon Classic

Ao chamar uma obra de clássico da atualidade, remetemos a ideia a um dualismo de preceitos que se misturam em uma ideia original proveniente daquela que a conceituou. De um lado valores já consagrados carregam a obra. De outro, novas tendências se conceituam por meio de personagens e emoções. Sailor Moon é o resultado perfeito do que pode ser referido como classico da atualidade, levando tudo o que a história do mangá do Japão desenvolveu a patamares eternos!

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O QUE HÁ DE ERRADO EM FUGIR DA REALIDADE, SE ELA É UMA DROGA?

Estudiosos da arte do mangá atribuem as histórias fantásticas oriundas do Japão, a grosso modo, a dois fatores principais: à agitada concorrida vida do Japão em todas as classes e ao forte senso de responsabilidade (culturalmente herdada dos samurais) que fazem com que o povo japonês seja exemplo de superação.

Ambas as caracteristicas se unem a uma unica necessidade contemporânea que, refletida em mangás, faz com que esta seja a nação que mais lê histórias em quadrinhos no mundo: a necessidade de estravasar o strees.

Com heróis e vilões extremamente humanizados aos aspectos do dia-a-dia do japonês, historias fantásticas e ricas em conceitos, preceitos e ideias são criadas diariamente, fazendo com que o mercado de mangás seja, também, um dos mais concorridos no cenário nacional.

Quando uma história se destaca a nível nacional, sendo lido por públicos de várias idades, este já pode ser considerado um sucesso. Mas quando esse sucesso perdura por anos, é o que chamamos de clássico da atualidade.

Sailor Moon e Tuxedo Mask tem uma ligação que os une desde passados longínquos.

Sailor Moon e Tuxedo Mask tem uma ligação que os une desde passados longínquos.

Sucessos nascem e morrem todos os anos no Japão, mas são poucas as obras que sobrevivem ao tempo e tornam-se clássicos. Sailor Moon é um desses. Com uma receita consagrada da arte de entretenimento japonês, Sailor Moon reinventou como o mangá para meninas pode ser contado.

O FUTURO É ALGO QUE VOCÊ MESMO FAZ. VOCÊ TEM QUE ACREDITAR NELE

Antes do grupo CLAMP se consagrar com obras que se tornaram referência no Shoujo Mangá (literalmente, “mangá para meninas”), praticamente não havia um único autor que tivesse colocado seu nome na história da arte desenhando este tipo de quadrinho.

Dominado por autores sumariamente masculinos, Naoko Takeuchi foi a autora que quebrou paradigmas quando serializou a mais clássica das histórias shoujo de todos os tempos: Sailor Moon.

Após o sucesso de “Codename Wa Sailor V”, considerada uma prévia de Sailor Moon, o mangá foi escolhido para se tornar um anime. Foi quando Takeuchi decidiu fundi-lo com elementos do amado gênero de tokusatsu super sentai (outrora já utilizado como trunfo na construção de Os Cavaleiros do Zodíaco também pela Toei Animation), construindo um time de cinco heróis, transformando a história original no mangá Bishoujo Senshi(ou Pretty Guardian no Ocidente) Sailor Moon, com uma nova personagem principal.

Sailor Mercury é a mais estudiosa das guerreiras lunares!

Sailor Mercury é a mais estudiosa das guerreiras lunares!

Assim, Serena e suas amigas surgiram. Após o fim da primeira série (tema desta resenha), Takeuchi foi surpreendida quando lhe pediram para continuar a escrevê-la, o que deu origem aos quatro arcos seguintes da história.

A LUZ DA LUA CARREGA UMA MENSAGEM DE AMOR

O primeiro arco da série, Serena Tsukino (Tsukino Usagi, no original) é uma menina chorona, medrosa, comilona e extremamente comum, algo que por si só, já é capaz de gerar uma onda de leitoras que se identificam com a personagem. Num certo dia, no caminho para a escola, ela encontra um grupo de rapazes batendo numa gata de rua.

Serena salva a gata e tira um curativo da testa dela que escondia uma meia-lua. Mais tarde a gatinha aparece no quarto da menina e começa a falar com ela, apresenta-se como Lua e entrega-lhe uma missão: a de ser uma Sailor guerreira, defensora do bem, destinada a enfrentar demónios e unir-se com outras sailors para encontrar a Princesa da Lua que habita a terra.

Enquanto as outras guerreiras não aparecem, começam a surgir monstros por toda a Tóquio e Serena, com a ajuda do misterioso Tuxedo Mask, um rapaz que luta usando rosas e veste um smoking, aprende a derrotá-los. A rainha do mal, Beryl, deseja reviver sua terrível líder Metallia (ou Energia Mega, na adaptação para anime no Brasil) e para isso, envia os seus generais: Jedite, Neflite, Zyocite e Malachite para roubar energia humana através de terríveis monstros. Ela precisa do lendário Cristal de Prata, há muito perdido, para reviver a sua Metallia, o mesmo artefato que as Sailors procuram para encontrar a Princesa da Lua.

Sailor Mars é a mais temperamental da história.

Sailor Mars é a mais temperamental da história.

Em linhas gerais, pouco a história se diferencia de um tokusatsu padrão, principalmente no anime, onde, com diversas mudanças da obra original, até mesmo a construção de cada episódio se dá como uma série de herois fantasiados. Porém, é no desenvolvimento de situações e personagens que a série se diferencia de outras obras, fazendo com que o espectador se afeiçoe e se coloque no lugar das guerreiras em momentos que super-poderes se tornam apenas uma característica atrativa para o japonês que quer estravar sua rotina com o estravagante uniforme que meninas de mini-saia lutando contra vilões.

Se a garota bobinha, chorona e inocente e o galante e orgulhoso Tuxedo Mask não bastassem para o espectador/leitor se identificar, as outras quatro Sailors completam as diversas linhas de personalidade da obra.

Enquanto Ami Mizuno, a Sailor Mercury, retrata a calma, paciente, racional e estudiosa aluna do colegial, Rei Hino, a Sailor Mars, é a perfeita descrição da explosão do fogo: religiosa mas muito temperamental, Rei é o perfeito oposto da alegria de Serena, porém, como poucas personagens femininas, uma das que mais estreitam os valores de lealdade e amizade.

As duas últimas integrantes a se unirem a Sailor Moon não contrapõe a personalidade de Serena como as duas anteriores, mas sim derivam da sua crença ao amor em projeções mais maduras.

Sailor Jupiter é cheia de talentos e a mais valente do grupo!

Sailor Jupiter é cheia de talentos e a mais valente do grupo!

Enquanto Lita Kino, a Sailor Jupiter, é uma garota muito forte, alta e com muitas habilidades (como dotes culinários e em artes marciais), Mina Aino, a Sailor Vênus (a Sailor V original), é uma garota doce e meiga que guarda profundas mágoas de seus relacionamentos anteriores.

ANIME X MANGÁ

Produzidos com um espaço de tempo muito justo entre o início de uma e outra, o projeto da primeira série de Sailor Moon rendeu 52 episódios para TV baseados em apenas três volumes de mangá (a se contar da edição definitiva da obra).

Isso fez com que muitas diferenças surgissem em ambas as obras, fazendo do mangá uma história muito mais fidedigna ao mundo real e o anime uma série muito mais fantasiosa porém com um desenvolvimento muito mais requintado de cada personagem.

Se no mangá a máscara de Tuxedo Mask não engana Serena que seu salvador se trata do galante Darien Chiba, no anime vemos um relacionamento muito mais carismático entre ambos os personagens enquanto se desenvolve o enredo de seu passado, seus anseios e sua derradeira revelação de identidade.

Impossível não se apaixonar pela Sailor Venus!

Impossível não se apaixonar pela Sailor Venus!

É possível enumerar dezenas, senão centenas de detalhes que o anime acrescentou à obra para lhe deixar mais interessante a públicos de idades além do público-alvo do shoujo mangá. Também é possível contar como todos os detalhes de traço e cuidado com que Naoko Takeuchi tomou o refinamento de abordar de maneira muito mais madura os sentimentos de Serena.

Mas o fato é que, independente da mídia, o primeiro arco de Sailor Moon consegue cativar e levar ao público, de maneiras diferentes, o principal ponto que a quantidade fantasias, heróis e monstros em momento algum a deixam ofuscar: a aceitação do amor.

O AMOR É ALGO QUE VOCÊ CRIA SE PREOCUPANDO E CUIDANDO DA OUTRA PESSOA

Não há coração de pedra que não tenha amolecido ao encontrar o verdadeiro amor. Clássico tema do drama voltado a mulheres e alvo de eterna discussão de ambos os sexos de como encarar, explicar e as sentir o amor é, e sempre será, alvo de das palavras de muitos e muitos autores.

O que Naoko Takeuchi e Sailor Moon fizeram de diferente, foi mostrar que o amor não precisa ser abordado de maneira complexa (como se era feito em mangás shoujo dos anos 80), mas de uma forma leve, porém não menos profunda ou emocionante.

O desejo da terrível Rainha Beryl é conquistar o Cristal de Prata!

O desejo da terrível Rainha Beryl é conquistar o Cristal de Prata!

Ao criar um leque de 5 protagonistas que representam bem o que diz a teoria das personalidades (leia mais nessa resenha), Naoko criou a possibilidade da leitora escolher que tipo atitude apoiar e ainda trouxe a possibilidade do leitor masculino se aprofundar em características que o aproximam de personalidades às quais o fazem apaixonar.

O interessante desta mistura, é que em nenhuma momento a autora do mangá ou os roteiristas deixam claro o apoio a uma ou a outra posição das personagens. Ao mesmo tempo que Rei não é punida por explodir sua ira contra Serena, é o jeito bobinho e brincalhão da personagem, diversas vezes mal visto pelas companheiras, que muitas vezes salva o grupo das enrascadas por que passam.

Um ponto crucial que faz Sailor Moon ser o sucesso que é a maneira como aceita o amor em cada nível de maturidade da personagem. Não importa se Amy não se apaixona com facilidade que a maneira com a qual ela vê o amor é a que mais correta. Muito menos os relacionamentos rasos de Lita com todos os rapazes que a faz lembrar do antigo namorado deixam a personagem mais ou menos correta na hora de encarar um relacionamento.

Serena e Darien? Ou Serenity e Endymion? Quem os apaixonados realmente são?

Serena e Darien? Ou Serenity e Endymion? Quem os apaixonados realmente são?

Metaforizado em batalhas contra generais inspiradas em pedras preciosas e num reino lunar milenar que rege o destino das personagens deixando para as personagens (e os leitores) a decisão de certo e errado, Sailor Moon criou um ambiente favorável para mostrar a luta do ponto de vista próprio contra o ponto de vista do outro, sendo que se importar com o parâmetro discordante só consome energia, mas é necessário enfrentá-lo quado se quiser uma “cura lunar” para as confusões que relacionamento de amores e amizades podem criar.

SOU SAILOR MOON!

Clássico e eterno, Sailor Moon tem mais valores embutidos em si para abordar o amor que o seu formato consagrado pode passar a uma primeira vista. Se assistir ou ler a série é mergulhar num universo ricamente ilustrado pelo talento japonês, é o carisma e o peso de cada personagem que torna Sailor Moon Classic o ponto ideal de diversão e inspiração.

Se uma guerreira da lua se tornou a linguagem ideal para escrever sobre um tema que varia de ideal para ideal, por que não utilizar o mercadológico olhar oriental para escrever sobre ele? Afinal, quem é que não se inspirou na Lua para falar sobre amar?

Juntas, elas protegeram o mundo em nome da Lua!

Juntas, elas protegeram o mundo em nome da Lua!

RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco das Ruínas Antigas

Ao se falar de valor, fala-se de algo muito relativo. Tão difícil é saber o quanto de valor um objeto pode carregar em comparação com qualquer tipo de prognóstico praticado, é fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, os protagonistas tiveram a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas, a chance de valorizar seus personagens.

BRONZE, PRATA E OURO

Uma das características mais marcantes dentro do universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia, estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo e seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com capacidades que variam de líderes de missões, ao treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível encontram-se os cavaleiros de bronze, que não por coincidência, são os proagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas num nível baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens trilhassem um caminho que se tornou referência na construção de um mangá shonen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo ainda sendo bronze.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, a escolha foi bastante similar para a construção da linha evolutiva da narrativa: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso enfrentou em Palaestra (leia a resenha deste arco aqui) vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Haruto de Lobo se juntou a Kouga no fim do arco de Palaestra.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou para ser bem transmitida ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para amadurecer o roteiro e passar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

SUGANDO TODO O COSMO DA TERRA

Tendo início logo após Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze de morrerem pelas mãos do vilão Marte quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando mais novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a se utilizar de cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não se extinga, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que a Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões que Marte, pois em cada uma delas, em sua maioria, cavaleiros de prata traidores de Atena que apóiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga, Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Ária tem um inimaginável cosmo de luz em seu interior.

Haruto é um ninja (mas não é loiro, nem veste laranja), o que pode parecer muito estranho num primeiro ponto de vista. Encarnando o personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja (!). Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar um nova dimensão a Cavaleiros com os laços da sua cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano em Os Cavaleiros do Zodíaco.

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é a oposta da de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o começo e o surpreendente final do arco.

REVELAÇÕES COMO OS CAVALEIROS DO PASSADO

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões e novo tudo! Mas o que mais se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha guarda.

Além de revelarem e justificarem o porquê de estarem fora de batalha, pincelar um pouco da Guerra Santa do ano 2.000 contra Marte e revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para jóias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

No arco, um flashback revelou o que transformou as armaduras e o que impossibilitou Seiya e os outros de usarem seus cosmos.

Shun de Andrômeda, que virou uma espécie de médico de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuhou de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que aparentemente se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiriu de Dragão, que permanece sem os cinco sentidos nos Picos Antigos de Rozan, é quem motiva a Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar as rédeas daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é da fé e na esperança de um mundo de paz, que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo!

Apenas Yuna foi quem ficou a mercê de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi morta por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos que nas regras do Santuário impostas as mulheres.

Pavlin de Pavão conquistou tantos fãs quanto Yuna de Águia!

Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária, que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não perder sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo sequer foram citadas, Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros e mesmo Geki de Urso estar preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo as forças do mal.

Que Ichi nunca foi um personagem lá muito popular todos concordam, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso o fizeram, pois mesmo ele não teria submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente reformulada.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, argh!) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estes se dirigiam ao Ruína da Água.

De bronze à prata: Ichi decepcionou uma legião de fãs!

Ao final, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo que pegando o fã de longa data desprevenido com tal contexto para o personagem é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-la a uma nova geração de fãs.

TEMPO!

Mesmo passando as 6h30 da manhã de domingo no Japão, Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega rendeu uma boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e cia. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial.

Outro ponto é a trivialidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata em muitos episódios foram criados, mas mal puderam mostrar o que fazem, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos dos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzeados, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no timing correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Perdendo parte de sua vida, Shun ainda queima seu cosmo para ajudar Kouga e Ryuhou!

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão marca a história. Não é benéfico para uma história como Cavaleiros, onde os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que optou-se por fazer a história, sempre com começo meio e fim no enredo próprio do episódio, deixando um curta linha de raciocínio para o próximo episódio.

Além disso, a Toei pecou por vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto por sem ela não ser possível desfazer o funcionamento das ruínas.

A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhas com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está toda a família do cavaleiro de bronze, sua irmã Sonia e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden muitas vezes fica em cheque ao julgar as atitudes de seu pai.

Os vários flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam uma personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden busca uma constante aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, ao final das contas, formar uma família melhor que a dele, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o formado tão próximo do que é Marte.

FINAL DE TEMPORADA! FINALMENTE CAVALEIROS!

Uma característica marcante nos mangás shonens e principalmente em Os Cavaleiros do Zodíaco é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentavam, Seiya e os outros sempre tiveram a determinação necessária para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para poder, nem que fosse por um milésimo de segundo, superar e vencer o adversário.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação de personagens. Possivelmente por refletir os acomodados jovens dos anos 10 ao invés dos revolucionários dos anos 80, ou simplesmente por um erro da série, Kouga e os outros venciam, mas não por superar o adversário, mas ou por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada de episódios, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Éden de Órion era pretendido a se casar com Ária e se tornar o deus do novo mundo criado por Marte!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente da batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura de heroi num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente pode refletir o que é Os Cavaleiros do Zodíaco para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa visualmente, mas também cheia de razão de ser, pois não está atrelada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre seguir em frente, independente das quedas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram ao, somar tudo o que aconteceu com os personagens, amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir sustentar a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seu conceito sobre o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

Uma cena clássica dentro de Ômega: Ária e os cavaleiros de bronze!

RESENHA: Anime Friends 2012 – JAM Project Latin American Tour Arigato Tomodachi

Lendas, mitos, heróis, sonhos, conquistas, coragem, amizade, histórias, romances, vitórias. Tudo isso está ligado as animesongs, as canções que embalam e tematizam os desenhos animados japoneses e muitas vezes se tornam referência dos mesmos. Trazendo toda essa energia e vibração do Japão, o JAM Project iniciou nesse último dia 15 de julho a Latin American Tour da banda no Brasil, turnê esta que não poderia ter melhor nome senão Arigato Tomodachi.

A décima edição do Anime Friends foi uma das mais marcantes para todos que a frequntaram, tanto pela inadequação do local onde foi reaizado como pela grandiosidade das atrações que integraram o evento.

As atrações internacionais Nobuo Yamada, Takayoshi Tanimoto, Paul Zallon e Kaya junto com todas as bandas, cantores, dubladores e outros grandes nomes que fazem a cultura pop japonesa crescer cada vez mais no Brasil fizeram a cabeça dos visitantes do evento, mas nada foi tão grandioso como o show do JAM Project.

• JAM PROJECT

O JAM Project (Japan Animationsongs Makers Project) é um grupo de cantores formado no Japão em 19 de julho de 2000 por Hironobu Kageyama, Eizo Sakamoto, Ichiru Mizuki, Rica Matsumoto e Masaaki Endoh com o intuito de reunir em uma só banda os maiores cantores de animesongs (temas de desenhos animados e seriados japoneses) em uma só banda em resposta as grandes gravadoras internacionais que começaram a utilizar animes e suas variantes para divulgar  a música de seus cantores em temas que muitas vezes fugiam da temática da animação em questão.

JAM Project em foto para o Symphonic Album Victoria Cross.

A atual formaçãodo JAM Project é:

Hironobu Kageyama: cantor dos temas de abertura de Changeman, Dragon Ball Z, Os Cavaleiros do Zodiaco, Sonic X entre outros. É conhecido como o Príncipe dos Animesong’s e é o líder do JAM Project.

Masaaki Endoh: cantor dos temas de Abaranger, Ecogainder, Street Fighter Victory, entre outros. É conhecido como o Leão dos Animesong’s.

Hiroshi Kitadani: cantor dos temas de abertura de One Piece, Ryukendo, entre outros. Foi o vocalista da banda de J-Rock Lapis Lazuli

Masami Okui: cantora dos temas de abertura de Slayers, Utena, Yu-Gi-Oh, entre outros. É colunista da revista Newtype, uma das mais populare publicações de animação no Japão.

Yoshiki Fukuyama: Cantor dos temas de Macross 7, entre outros. Faz os arranjos em Heavy Metal do JAM Project e já foi o vocalista da banda Fire Bomber. Para se recuperar de um grave problema de saúde, o cantor não pode participar da Latin American Tour.

Ricardo Cruz: Cantor dos temas de abertura brasileiro de Hunter X Hunter e Os Cavaleiros do Zodíaco Hades Inferno. Já foi o vocalista da banda Wasabi, redator da editora Conrad, tradutor de mangás e atualmente é o editor da revista musical Sax.

Ricardo Cruz entrou para a banda em 2004 após um longo concurso mundial.

Como atração principal de todo o evento e grande destaque do segundo fim de semana, os preparativos para o show que a banda realizou no dia 15 de julho para encerrar o Anime Friends 2012 ja começaram cedo, com vídeos da banda falando com o público brasileiro e amostras das músicas durante todos os dias do evento, tanto o público cativo da banda como o público casual esperava muito da apresentação.

Em meio ao show da Banda Wasabi, logo de tarde a euforia dos fãs já começava. As 16h30 começava o Meet & Greet da banda para os mais afortunados que garantiram seu ingresso VIP. Recebidos com grande euforia pelos fãs da fila das fotos e pelos fãs que se acotovelavam nas grades próximas as áreas reservadas para os artistas, Hironobu Kageyama, Hiroshi Kitadani, Masami Okui, Masaaki Endoh e Ricardo Cruz chegaram cheios de energia.

Os fãs brasileiros que participaram ganharam uma pasta autografada dos cantores enquanto tiravam fotos, entregavam presentes e arriscavam algumas palavras em japonês para saudar tamanha felicidade em estar perto dos seus ídolos. Ao mesmo tempo, todos os cinco acenavam, mandavam beijos e agradeciam aos carinhos dos fãs que gritavam em uníssono o nome de cada um dos membros da banda do início até o fim do Meet & Greet.

JAM Freaks: o fã clube oficial brasileiro marcou presença no Meet & Greet.

Logo as 18h muitos fãs já se aglomeraram próximos do palco principal para aguardar o início do show que aconteceria uma hora. Com o logo da Latin American Tour o tempo todo na tela, os músicos da banda começaram a tirar o som dos instrumentos para que pontualmente as 19h, começasse o tão aguardado show.

Com um pouco mais de duas horas de duração, o set-list contou com as seguintes músicas:

1 – Noah
2 – Crest Of Z’s
3 – Vanguard
MC
4 – Break Out
5 – Nageki No Rozario
6 – Garo ~ Savior In The Dark
MC
7 – Waga Na Wa Garo
8 – Shougoshin ~ The Guardian
MC
9 – Rinbu Revolution (Masami Okui)
10 – We Are (Hiroshi Kitadani)
11 – Bakkuryu Sentai Abaranger (Masaaki Endoh)
12 – Cha La Head Cha La (Hironobu Kageyama)
MC
13 – Ki-Zu-Na
14 – Hagane No Resistence
15 – Transformers Evo
16 – Victory
MC
17 – Gong
18 – Rocks
19 – Rescue Fire

ENCORE
20 – Hero
21 – Skill

Titãs no Anime Friends: o palco ficou pequeno para tamanho espetáculo!

Se o aguardo do show já emanava uma vibração dos fãs de fazer inveja a qualquer banda de renome internacional enquanto era exibido um vídeo de abertura do show como a banda sempre faz em seus shows de DVD, a energia que aconteceu ao se iniciar o show explodiu em todos os cantos da Faculdade Cantareira.

Iniciado com três músicas que a banda está trabalhando no Japão e nas suas atuais turnês, todo o público do Anime Friends pôde sentir toda a essência da banda, com o toque forte de Noah, o som lúdico de Crest Of Zs e a mensagem de Vanguard.

J-Rock, progressivo, Rock’n Roll, Heavy Metal para o JAM Project qualquer tipo de classificação não importa, tudo é animesong, e independente de ser no Brasil ou no Japão, a mensagem pode ser entendida por quem for e quando for, desde que as pessoas não deixem de acreditar em seus sonhos.

Tal premissa se seguiu nas canções posteriores, mais conhecidas do público e mais queridas pelos fãs. Se Break Out trouxe todo o espírito da banda para o palco, foi a surpresa de Nageki no Rozario que causou furor, fazendo com que os temas de Garo ganhassem a dianteira quando começaram a ser tocadas.

Durante os MC’s, muitas vezes Kageyama falava sem a ajuda de um tradutor, mostrando que a linguagem dos sonhos trazidos pelos animesongs independem de uma língua ou de uma nacionalidade, é uma energia gigantesca que impele fronteiras e atravessa o mundo para ser ouvida.

As conversas com o público aproximavam artista e fã.

Quando Ricardo Cruz explicou os problemas de saúde que Yoshiki Fukuyama estava passando, obrigando-o a não estar presente na turnê pela América Latina, os fãs brasileiros começaram a gritar seu nome, fazendo com que o próprio Kageyama reconhecesse que tamanha energia dos fãs certamente está dando muita força para o Fire Bomber.

Durante a apresentação solo dos cantores, os fãs brasileiros foram a loucura mais uma vez. Com músicas que já entraram para a cultura otaku de maneira tão performática que é impossível de desvincular, os temas de Utena, Abaranger, One Piece e Dragon Ball Z foram cantados trazendo toda a habilidade e o talento de cada um dos integrantes da banda em suas carreiras solo.

Após a romântica KI-ZU-NA, o JAM Project iniciou uma série de músicas “poderosas” que caracterizam o som da banda fazendo suas canções ecoar por todo o mundo. de Hagane no Resistance até a Rescue Fire, o palco ficou pequeno para tamanha grandiosidade de cada performance. Não eram cantores, mas verdadeiros titãs da música mundial fazendo o que eles sabem de melhor: comover e cativar por meio da melodia de suas vozes.

O Encore encerrou o show de maneira épica! Mesmo sem utilizar a versão que a banda gravou em português, Hero levou a mensagem da criação da banda para os fãs brasileiros. Após isso a música mais emblemática da banda, Skill, elevou o show até o infinito, levando os fãs brasileiros a irem cada vez mais alto nos seus sonhos, voando junto de todos aqueles a quem lhe são importantes e sempre agradecendo ao Senhor Cristo.

Obrigado amigos!

Descrever a Latin American Tour ainda é pouco. É impossível descrever toda a aura que preencheu a pequena Faculdade Cantareira durante a realização do show. Do mesmo modo que o JAM Project e o Anime Friends mostram que não há fronteiras para a cultura pop japonesa no Brasil e no mundo, fãs e artistas se reuniram em ascensão agradecendo uns aos outros pela disseminação da mensagem de coragem, amizade e superação dos animesongs em palavras ditas em japonês, mas ouvidas em todas as línguas: Arigatô Tomodachi.

Fotos por JAM Freaks.

RESENHA: Getsumen to Heiki Mina

Em dias de grande apelo midiático, se torna cada vez mais comuns que histórias se tornem franquias e estas, por sua vez, dêem origem a diversas outras formas de interação para a aprovação de cada vez mais nichos de públicos e mercados. Os grandes hits mundiais estão aí para provar que quando bem trabalhado, não mercado que não possa ser atingido. Do mesmo modo, Getsumen to Heiki Mina dá a receita ideal para quem quer afundar um hit: jamais vender morangos para quem quer cenouras…

UM INÍCIO INESPERADO

A concepção de um anime no Japão pode ser oriunda de muitas variáveis: mangás, games, cards, projetos de estúdio, grandes escritores, autores ou só mais um tapa buraco na grade da TV japonesa. Porém, com Getsumen to Heiki Mina a derivação foi um pouco além do que já se havia visto.

Quando foi exibido na tv, o seriado Densha Otoko (clique para ler a resenha aqui) chamou a atenção do público nipônico por sua maneira inteligente e divertida de tratar o romance inesperado entre Saori Aoyama, uma jovem filha de um casal milionário, e  Yamada Tsuyoshi, um otaku que sofre o preconceito hipócrita do Japão.

Entre as excêntricidades que Yamada fazia durante toda a série era assistir a um anime de uma garota com foguete em formato de cenoura que protegia a Terra do ataque de alienígenas, nascia Getsumen to Heiki Mina.

Logo de início, a abertura do seriado já era ilustrada com uma rica animação de Mina, com a personagem voando por entre frutas, aliens e trens, com uma qualidade altamente detalhada e grandes efeitos especiais que faziam até o otaku mais purista a querer assistir o anime que o protagonista de Densha Otoko tanto idolatrava.

Percebendo o ouro comercial que tinha nas mãos (as miniaturas de Mina, iguais as que Yamada tinha em seu quarto já estavam vendendo toneladas no Japão), o estúdio Gonzo, estúdio de animação que auxiliou na realização de Densha otoko, começou a produzir um anime de Mina. Porém…

QUERO SER REPÓRTER!

Com um nome e uma temática muito comum nos seriados tokusatsu e em animes dos anos 70 e 80, Getsumen to Heiki Mina parecia ser um anime que seguiria uma linha de história padrão dos animes no Japão, com um enredo voltado a salvar o mundo com uma heroína corajosa e que todas as crianças desejam ser. Porém, logo de início, as coisas pareceram ir para outro rumo.

Graças a um concurso em sua escola Mina Tsukuda ganhou um lugar na bancada de um programa jornalístico esportivo na tv local de sua cidade. Tudo isso não passaria de um jornalismo normal se os jogos esportivos não fossem o alvo de alienígenas que, fanáticos pelos esportes do planeta Terra, único local no mundo a realizar tais competições, vêem a Terra para sequestrar jogadores ou protestar por bons espetaculos.

Apesar de o Japão sempre ter sido protegido por Ootsuki Mina, uma guerreira da verdade e da justiça que usa os poderes das frutas para derrotar os aliens, a Força Coelho escolhe Tsukuda para se tornar Tsukuda Mina, que graças aos betacarotenos presentes nas cenouras do planeta Terra pode usar poderes especiais e livrar o mundo de uma vez por todas das ambições dos seres extra-terrestres.

JU JITSU

Getsumen to Heiki Mina ressalta vários pontos dos fetiches japones: seios fartos, jovens inocentes protagonistas em diversas poses sexys, amores platônicos, chefes intolerantes, esportes, super-heróis, robôs, alienigenas e diversos outros elementos misturados em uma comédia forçosa e superficial.

A qualidade da animação é muito inferior ao da abrtura de Densha Otoko.

Mesmo os pequenos mistérios que envolvem a protagonista, como a presença dos genes de Mina em seu DNA, a origem da Força Coelho e a identidade secreta do maior destaque sa série, Ootsuki Mina, não conseguem comover ou prender a atenção do espectador.

Um dos muitos pontos que foram abordados explorados em Densha Otoko é o comportamente “Moe“, uma gíria japonesa para otakus que nutrem um amor platônicos por personagens de animes e seus derivados, chegando ao ponto de virarem seguidores de suas dubladoras e ficarem excitados ao menor sinal sexual que a personagem insinue.

Chun-Li, May Shiranui, Serena Tsukino, Chichi, Bulma. Todas elas são símbolos do Moe. Os seios fartos, as curvas e os biotipos de Tsukuda e das outras Minas após suas transformações exploram bem esse lado do fã, mas o conteúdo por trás do anime chega a por em dúvida se mesmo os personagens cheios de Moe como os de Densha Otoko acabariam realmente desenvolvendo um amor platônico pelas personagens.

E se o Moe já é um ponto forçado, o que dizer do sensacional chute que a Mina dá no episódio 7 que os amigos de Yamada tanto comentam em Densha Otoko? O chute foi mais uma das muitas (quase todas) sequências mal elaboradas do anime, fazendo parte de mais uma de suas cenas cruas e deixando o mínimo de esperança dos fãs de Densha otoko por algo interessante em sua adjacência.

PYOOOO!

Casual, simples e sem mérito, essa é a melhor descrição de Getsumen to Heiki Mina.

Uma pena.

A variação de minas acontece para atingir a todos os público do Moe.

O anime tinha tudo para ser um sucesso de crítica e público, já que já nasceu com ambos já formados mesmo antes de ser transmitido pela primeira vez nas TVs japonesas. Se o vídeo de abertura fez Mina conquistar milhões de fãs asiáticos e ocidentais, os 11 episódios do anime frustraram até o menos exigente dos espectadores.

Com uma linha de história fraca e uma animação bem abaixo do tema de abertura de Densha otoko, Getsumen to Heiki Mina é a prova cabal que para o sucesso midático não basta que uma produção seja composta de idéias e preconceitos, mas de conteúdo e razão de ser, mostrando que a execução é a parte mais importante de qualquer estratégia de marketing, fazendo o insight de sucesso apenas mais um detalhe no grandioso, porém exigente mercado de animação mundial.

RESENHA: Naruto, o Exame Chunin

Quanto mais próximo o universo criado do leitor, mais este pode se aproximar da obra concebida. Quanto mais distante do leitor, mais o leitor pode estravasar sua vida cotidiana na leitura. Durante a saga do Exame Chunin, Masashi Kishimoto conseguiu fazer ambos ao mesmo tempo, fazendo de Naruto o sucesso que é no ocidente e no oriente.

O INÍCIO DA HISTÓRIA

Esta resenha vai compreender a história de Masashi Kishimoto, e também sua adaptação em anime pelo estúdio Pierrot, durante a fase que começa com a chegada de Gaara do País da Areia a Vila da Folha e termina com o fim da batalha entre a Vila do Som contra a vila de Naruto, denominada aqui como Exame Chunin.

Se a a Saga da Ponte (leia a resenha aqui) foi a responsável por apresentar os protagonistas da história, o Exame Chunin serviu para extender o universo de Naruto e iniciar parte do objetivo que guiaria a história em todo o seu desenvolvimento.

A parte mais marcante e talvéz a mais atribulada foi a apresentação de novos personagens. Com a decisão de Kakashi de inscrever a Equipe 7 no Exame Chunin, uma série de provas que une participantes de todas as vilas ocultas para graduar os ninjas de Genin (a classe mais baixa) para Chunin (classe intermediária), Naruto e os outros tiveram contato com uma série de outras equipes qe dividiram parte da atenção da história com os protagonistas.

Se em partes é interessante a inserção de novos personagens, em partes ficou complicado para o autor apresentar cerca de 20 novos personagens e a distriuição de atenções foi inevitável para o bom andamento da história.

COMO SE FOSSE NA ESCOLA

Todos na vida passam por algum tipo de provação racionalizada. Seja uma entrevista de emprego, um processo seletivo de vestibular ou uma simples prova de matemática na escola, qualquer tipo de teste que uma pessoa passa é sempre um processo por qual esta sai renovada, transformada, amadurecida.

Os Genins se preparam para as batalhas finais!

Essa questão ao ser alocada em Naruto sob a forma do Exame Chunin aproxima o leitor de um universo distante dele, e por conseguinte menos traumática quando erros são abordados, mas ao mesmo tempo possibilita que este se ponha no lugar do personagem de maneira muito mais fácil e intuitiva.

E isso se amplifica com a inserção de mais 12 genins com idade próxima da de Naruto e do público-alvo. Se mesmo as quatro personalidades emblemáticas dos quatro protagonistas não agradou o público-alvo, uma de suas 12 variações garantem 4 vezes mais chances para conquistar os leitores do mangá.

Sendo Naruto o protagonista, destacam-se mais os personagens que seguem a sua linha determinada, como Rock Lee, o ninja que por não possuir talento com ninjutsus decidiu concentrar toda a atenção de seu treinamento em técnicas de luta corpo-a-corpo.

A participação de Lee chegou a ser tão marcante que mesmo o ninja perdendo todas as lutas que participou, sua presença de espírito foi a que mais contagiou durante esta saga, sendo o parâmetro de poder seguido por seus concorrentes durante todo o teste, sendo imitado diversas vezes a cada teste.

MUITAS HISTÓRIAS, MUITOS PERSONAGENS

Se mesmo com sua aparência pouco atraente e muito difusa da de um protagonista, Lee conquistou a todos, o que dizer dos demais 11 genins? Seja a doce Hinata Hyuga e sua dificuldade em lidar com as regras de se clã, seja seu primo Neji Hyuga que teima em combater um destino por ele considerado imutável, ou mesmo Shikamaru e seu estilo preguiçoso de ser, cada personagem mostrou que tinha um passado digno de atenção.

Mesmo sendo a equipe mais adjacente da história, Hinata, Shino e Kiba conquistaram seus fãs.

Porém, a necessidade de dar um início a história, algo que não foi feito durante a saga da ponte, fez com que muitos destes fossem guardados por Kishimoto para uma posterior participação.

Isso pode ser inteligente, mas também pode se transformar em uma faca de dois gumes, já que a exigência do leitor em ver diversos personagens em ação podem interromper a linha principal da história, que é focada nos protagonistas.

É dentro deste pensamento que se destacou Gaara. Como um inicial primeiro antagonista da saga, o personagem contou seu drama e o do demônio Shukaku aprisionado em seu corpo para justificar o desenvolvimento da personalidade de um vilão, criando um personagem que ao mesmo tempo é amado e odiado.

Apesar de sua participação essencial na história, muito do seu potencial foi guardado ao final da história, sendo um possível alvo de cobranças no decorrer da história, já que o tal antagonista não era o vilão da história.

E SURGE O VILÃO

Sem um vilão as histórias perdem um guia e faltava isto em Naruto. Durante a segunda prova do exame chunin, uma das mais penosas de se ler devido a sua estagnação repentina em algo que dveria ser mais dinâmico, surgiu Oroshimaru, um dos três ninjas lendários que concedeu a Sasuke um selo amaldiçoado.

Oroshimaru quer o corpo de Sasuke para realizar seus desejos macabros!

Oroshimaru é um ex-ninja da folha que deseja tudo: poder, riqueza e conhecimento de todos os jutsus do mundo. Para tal, este precisa de um corpo bem preparado para tal empreitada. Mas como o vilão não tem lá muita juventude para gastar, ele decidiu usurpar o corpo de Sasuke, amadiçoando com um selo que o atrairia para suas armadilhas.

O Sasuke inicial, da saga da ponte, certamente iria atrás de Oroshimaru logo no início de seus problemas com o selo, porém, ao vencer Zabuza, Haku e se aproximar mais de seus companheiros de equipe durante os testes do exame Chunin, Sasuke acabou incorporar muito do lado altruísta de Naruto e do lado sentimental de Sakura, desenvolvendo-se como personagem e garantindo as bases que Kakashi sempre pregou aos alunos.

O contato de Naruto com Oroshimaru, Gaara e após vencer uma emocionante luta contra Neji e ser treinado por Jiraiya, também ninja lendário, fizeram com que o personagem lapida-se ainda mais seus valores, desenvolvendo seu lado de protagonista e amadurecendo enquanto personagem.

O GUIA FOI TRAÇADO

Dezenas de novos personagens e um hokage morto pelo vilão, que acabou ficando impossibilitado de usar jutsus, fez do fim do exame chunin uma saga que conquistou os fãs por sua capacidade de unir real e imaginário ao mesmo tempo que se utilizou de uma temática que o autor precisava aprofundar.

Rock Lee foi o maior destaque entre os personagens estreiantes!

A rivalidade Naruto x Sasuke mais uma vez rendeu boas sequências para a história, mas isso não bastava, novos conflitos, ideais e pontos-de-vista precisavam ser inseridos na história para que esta, assim como os dois protagonistas, também amadurecesse.

Com o fim do Exame Chunin, Masashi Kishimoto teve uma história pronta para crescer, mas ainda não com um enredo completo, deixando para a saga a seguir completar o ponto carente que a história precisava.

RESENHA: Kaizoku Sentai Gokaiger

O mundo precisa de heróis. Exemplos de conduta, coragem e persistência sempre foram essenciais para a formação e o desenvolvimento do caráter do ser humano e de sua postura perante o mundo. Não é fácil assumir o papel de herói e muito mais difícil é manter o esteriótipo a ser seguido por quem tanto o ama e admira. Ironicamente, foi fugindo do estigma de herói que Kaizoku Sentai Gokaiger conseguiu resgatar os valores mais essenciais e há tanto tempo perdidos na capciosa disputa da TV japonesa pela audiência fácil do inocente espectador infantil da terra do sol nascente.

FALANDO DE SUPER SENTAI

Quando se ouve falar em uma equipe de 5 heróis multicoloridos no ocidente, a primeira coisa que se vem à cabeça é Power Rangers. Mas mal meio mundo sabe que esta franquia estadunidense começou no Japão a muitos anos antes de Tommy e Kimberly cruzarem seus olhares pela primeira vez.

Criados pelo mangaká (do japonês, desenhista de histórias em quadrinhos) Shotaro Ishinomori em 1975, o primeiro sentai (do japonês, esquadrão)  conquistou milhões de crianças e adultos com quase dois anos de exibição ininterruptos no Japão e a partir de então gerou quase que anualmente uma série derivada da mesma idéia se extende até hoje no Japão.

Há tantos anos sendo exibido, diversas temáticas já foram utilizadas e diversos temas (alguns até repetidos) já foram abordados, entre eles, ninjas, polícia investigativa, dinossauros, viagem no tempo, samurais, etc… Assim, em 2011, a Toei Comapany, produtora das séries da franquia Super Sentai, preparou algo surpreendente e nostalgiante para os fãs de todas as idades: homenagear toda a franquia fazendo com que seu 35º sentai se transformasse em todos as 34 equipes que os precederam. Isso mesmo que você acabou de ler, os 5 membros do esquadrão pirata se transformam em TODOS os 199 heróis que vieram antes deles.

Gokaiger traz consigo o legado de 34 esquadrões super sentai.

O 35º aniversário de nada costuma ser a data mais comemorada para se homenagear algo, geralmente se usa os números das bodas mais comuns, mas visto que a Toei e outras produtoras já haviam homenageado algumas de suas principais séries de tokusatsu, e influenciado pela proximidade dos 20 anos de Power Rangers (que utilizam cenas das gravações originais japonesas para economizar com efeitos especiais), o esquadrão de número 35 pareceu ser uma boa oportunidade para tal empreitada.

SER PIRATA, SER HERÓI

Mesmo para (com o perdão do trocadilho) um marinheiro de primeira viagem, Kaizoku Sentai Gokaiger parece interessante logo no primeiro olhar e isso não se deve, apenas, pelos guerreiros poderem, em momento ou outro, se tranformarem em algum esquadrão que marcou a infãncia de algum marmanjo, mas sim por já no seu visual, os 5 heróis serem 100% originais.

Com uma temática baseada em piratas, tema muito popular no Japão devido a explosão de sucesso crescente de One Piece nos últimos 15 anos, os heróis ganharam vestimentas que muito se assemelham a chapéus, casacos, botas e armas de piratas clássicos. E mesmo vindos do espaço, sua nave e base secreta tem a forma de um barco, o Gokai Galleon, e contam com um papagaio, o Navi, que fala e faz previsões do que aconteceram com os tripulantes da “embarcação”.

Piratas são, tradicionalmentem, tratados como vilões das histórias, indo na direção oposta da personalidade heróica dos super sentais. E os cinco tripulantes do Galleon deixam essa disparidade única na franquia bem clara logo no primeiro episódio da série, quando chegam a Terra, local onde se encontra o maior tesouro do universo, se negando a serem chamados de heróis pelas pessoas que eles salvaram “por acaso”.

A composição dos protagonistas, incluindo a escolha do elenco, foi muito bem planejada, cada personagem com sua personalidade única e indissociável, carregando um pouco de cada herói que os precederam, mas deixando bem claro as distinções entre passado e presente.

Marvelous herdou de Akared o sonho de conquistar o maior tesouro do universo!

Marvelous, o Gokaired, como líder da tripulação e ex-membro dos piratas vermelhos, está sempre curioso e com vontade de fazer tudo o que é possível para chegar logo ao maior tesouro do universo. Para apoiá-lo em sua personalidade agitada estão o compenetrado ex-membro do Zangyack Joe Gibken, o Gokai Blue, e a caçadora de tesouros Luka Millfy, a Gokai Yellow.

Em oposição a personalidade de indiferençado trio, estão o doutor Don Dogoier, o Gokai Green, especialista em máquinas e cozinheiro do barco e Ahim de Famille, a Gokai Pink, a princesa do planeta Famille que foi destruído por Zangyack. Ambos são o ponto de equilíbrio da tripulação, fazendo com que as disputas internas, as atitudes impensadas ou os erros por excesso de ação sejam corrigidos com racionalidade e gentilezas.

Com o tempo, um sexto integrante entra para a equipe, Gai Ikari, o GokaiSilver, que após receber seus poderes em uma experiência pós-morte, se une ao grupo de volta a vida. Sempre empolgado com a história dos Super Sentais, o único terráqueo da tripulação faz o papel do fã dentro da série, tendo atitudes parecidas com a de um telespectador caso este se encontrasse com seu herói.

Mesmo cada sendo de um planeta, cada um teve um motivo para se unir a Marvelous devido a problemas com o Império Espacial Zangyack, o maior império de todas as galáxias, que coincidentemente chegou a terra na mesma época que a tripulação do Galleon para a sua segunda tentativa de conquistar a Terra. Sim, segunda tentativa.

MELHORES HERÓIS, PIORES VILÕES

A história de Gokaiger se destaca por unir 34 histórias, até então distintas entre si, em um mesmo universo e criar uma relação entre elas. O ponto chave para unir todos os super sentais foi a criação de um mega-vilão superior a todos os vilões espaciais anteriores que ameaçaram a Terra, Império Espacial Zangyack.

Faltou criatividade ao formatar os vilões da série.

Assim, o primeiro embate da Terra contra o Zangyack acontece antes da chegada da tripulação de Marvelous à Terra. Para proteger a Terra e deter os planos malígnos do Império Espacial, todos os 199 heróis que comporam os 34 esquadrões super Sentai se uniram num combate que ficou conhecido como a Guerra Lendária. Liderados por Akaranger, o líder vermelho da de Himitsu Sentai Goranger (o primeiro super sentai criado por Shotaro Ishimori), todos os heróis coloridos abriram mão de seus poderes que se espalharam por todo o espaço para vencer a frota que ameaçava a Terra.

Akared, líder dos piratas vermelhos, recolheu todos esses poderes viajando pelo espaço e os converteu em chaves, criando também as Rangers Keys de Gokaiger. Após uma luta contra Zangyack, Akared confia seu legado a Marvelous e é a partir daí que a jornada do pirata tem início, até chegar na Terra no episódio nº1 da série.

Com um histórico de tantas vitórias e causador de tantas derrotas, Zangyack fez a campanha de maior inimigo que uma equipe de heróis já enfrentou. Porém, no decorrer da história o Império se mostrou fraco e desinteressante, muito diferente de diversos outros sentais em que o vilões muitas vezes eram quem davam o vigor para a história, como é o caso de Comando Estelar Flahshman (leia a resenha aqui).

A reflexo de seu primeiro líder, Waltz Gil, a primeira frota enfrentada pelos Gokaiger se mostrou patética, parecendo estar constantemente brincando de guerrear. Apesar de vilões fracos e bonachões terem sido a tendência dos anos 2.000, Samurai Sentai Shinkenger (leia a resenha aqui) já havia mostrado que uma profundidade maior e correlações entre vilões e heróis são benéficas e apenas acrescentam valor a história, mesmo assim os produtores de Gokaiger acabaram criando vilões superficiais e descartáveis.

Nunca um super sentai recebeu heróis tão cativantes!

Mesmo a participação de Barizorg, antigo amigo de Joe quando este pertencia ao Zangyack, foi muito fraca com muito drama nos flashbacks e um grande vazio nos reencontros e combates dos dois.

Mas tudo isso podia ser relevado, afinal a personalidade mimada de Waltz Gill pareceu, num primeiro momento, ter sido criada com a finalidade fortalecer os heróis para a chegada de Akudosu Gill, pai de Waltz e supremo líder das forças inimigas, mas mesmo com a chegada do todo poderoso nos últimos episódios, a supremacia da tripulação de Marvelous perante o inimigo não mudou.

O único inimigo que pôde fazer frente aos heróis foi Basco Ta Jolokia, ex-companheiro de Marvelous na tripulação dos piratas vermelhos que traiu Akared e também está atrás do maior tesouro do universo! Por vezes Basco poderia ter vencido a tripulação, o que se cogitou uma possível mudança de lado do inimigo no decorrer da série, mas este apenas usou os piratas do Galleon para que estes o levassem até o tesouro. Vítima de sua própria presunção, Basco chegou como um vilão admirável e morreu com um traidor detestável.

ATRÁS DO MAIOR TESOURO DO UNIVERSO

Todo seriado Super Sentai tem uma temática que possibilita a criação de uma história com começo, meio e fim num curto período de 20 minutos. Em Gokaiger a ação está envolta nas condições necessárias para o grupo de heróis conseguir o maior tesouro do universo.

GokaiSilver - GoldMode: a força dos sextos integrantes dos sentais se unem na armadura dourada de Gai!

Pouco depois de chegar na Terra, Marvelous descobre que será necessário que o grupo consiga os 34 “poderes ocultos” dos esquadrões que protegeram a Terra para ter acesso ao tão pretendido tesouro. Para tal, é necessário que a tripulação receba cada poder diretamente de um representante do sentai em questão, possibilitando assim que o enredo de Gokaiger se misture ao universo de cada seriado anterior.

Num primeiro momento, a sistemática parece vazia e previsível, mas cada homenagem que a Toei dedicou a cada um dos sentais foi marcado por uma mistura de nostalgia com descoberta, já que remeter-se ao passado e ao mesmo tempo descobrir o presente de seus heróis favoritos é um exercício um tanto quanto interessante tanto para adultos quanto para crianças que assistiram a um ou outro super sentai.

Pode-se destacar a qualidade de enredo e de execução que foram os episódios, por exemplo, de Jetman (leia a resenha aqui), Hurricanger e Go-Onger, que além de resgatar elementos interessantes para a continuidade de Gokaiger, ainda foi exemplo de  transmissão de valores valiosos, como garra, persistência e atitude, para o espectador japonês.

Porém, infelizmente, nem tudo são maravilhas. Apesar do reencontro com os sentais anteriores serem necessários, a Toei Company deu um jeitinho de burlar o sistema inicial de episódios e muitos seriados deixaram de ter um episódio inteiro para a sua homenagem. Dos 34 super sentais existentes, apenas 22 foram homenageados.

Fica claro que a Toei preferiu privilegiar os seriados pós-anos 2000, já que são estes que mais atingiram seus público-alvo, crianças de até 10 anos. Também fica bem claro a preferência por séries pós-Power Rangers, afinal quando Gokaiger for adaptado para a franquia americana, estes certamente vão ignorar as cenas dos seriados que vieram antes de Zyuranger (o Esquadrão Dinossauro que deu origem ao primeiro seriado Ranger) e um agradozinho a quem, em partes, manteve as contas da Toei em dia com contratos milhonários, conta muito.

Basco roubou os poderes ocultos de Changeman, Flashman e Maskman!

Para os fãs brasileiros, resta se conformar com a tardia participação de alguns dos atores de Changeman, Flashman e Maskman e a pequena aparição da Google Pink (de Google V) no primeiro filme da série, onde eles receberam mais da metade dos poderes ocultos das séries dos anos 70 e 80.

GOKAICHANGE

Mesmo com as falhas com os vilões e com a sistemática dos episódios (teve até um desnecessário episódio de retrospectiva quase no final da série) é impossível dizer que Gokaiger seja um Super Sentai fraco, talvéz mesmo que estes não tivessem a possibilidade de se transformar em seus antecessores, o seriado já seria fenomenal, mas com esse “plus” a coisa ficou ainda melhor!

Além de ser o seriado com as lutas mais criativas e mais bem organizadas de todos os tempos, mesclando a ação dos dublês com o uso de efeitos especiais como nenhuma outra série já fez, a tensão que fã passa no milionésimo de segundo que os personagens decidem se transformar é uma sensação incrível, seja ou não fã de carteirinha da franquia.

Conhecer novas técnicas, novas habilidades, estilos de personagens e de vestimenta anima mesmo que a transformação venha de um super-herói que vocês nem imaginasse que existisse. Sem contar que cada grito de Gokaichange, a esperança de transformação em um seriado que marcou sua infância é uma sensação única, um misto muito bem feito de nostalgia e modernidade.

Navi: o papagaio da tripulação que faz previsões sobre os poderes ocultos!

Exemplos de usos bem feitos mesclando enredo e as próprias transformações não faltam, mas uma das mais marcantes acontecesse no episódio 41, quando a Ahin, a GokaiPink, se vê frente a frente com o culpado pela destruição de seu planeta. Primeiramente sozinha, ela descobre que precisa agir em grupo para poder vencer Zangyack, o que gera uma sequência de golpes em dupla com cada integrante, cada vez com um ataque em homenagem a cada sentai.

Mas não para por aí, o Gokaichange também se tornou o a metáfora ideal para descrever a principal lição que Gokaiger deixou. Apesar de relutantes quanto a proteger a Terra e seus valores, com o passar dos 51 episódios a trupe de Marvelous foi descobrindo o verdadeiro valor do maior tesouro do universo e o porquê de eles  só o encontrarem na Terra.

A partir do momento que os piratas descobrem como é valiosa as lições de superação e heroísmo que os 34 super sentais deixaram na Terra cada vez que salvaram a humanidade de um terrível império alienígena, eles passam a entender o verdadeiro significado da palavra herói. Ao assumir a envergadura de heróis, Gokaiger perceberam o valor de cada uma de suas batalhas, as lições que eles passavam à humanidade e como aquilo era importante para o crescimento e o desenvolvimento daqueles que os assistia e os aplaudia a cada vitória.

O Gokaichange foi além de uma simples mudança de roupas e habilidades e se transformou numa verdadeira mudança de valores e caráter.

VAMOS FAZER DISTO UM SHOW

A cada nova batalha, Marvelous, o GokaiRed, gritava em alto e bom som as palavras acima para encorajar a equipe e levar mais um jargão as escolas das crianças que assistiram a Gokaiger. E o líder dos piratas estava certo, Gokaiger realmente foi um show.

Apesar de a linha escolhida para cada episódio muitas vezes ser independente demais, a linha discursiva de Gokaiger apenas cresceu a cada episódio, tornando que a homenagem que a Toei pretendeu fazer desde o início se cumprisse magistralmente.

O esquadrão pirata fez escola no Japão!

A cada poder oculto conseguido, a cada nova missão, muitas vezes dadas pelos próprios heróis que os antecederam se tornaram o motivo ideal para passar para as crianças japonesas valores que de tão simples, passam desapercebidos no dia-a-dia agitado do japonês comum, mas que são tão importante para o crescimento e o desenvolvimento de sentimentos como amor, amizade, sabedoria e bom-senso.

Caracterizar o herói com um semblante distante do que velho esteriótipo do tokusatsu tornou-se a melhor maneira de construir a imagem corajosa e cheia de bons sentimentos do personagem ao longo da série, fazendo do tokusatsu um marco na história dos super sentais e de cada pessoa que um dia já chamou um personagem de roupas coloridas e capacete de herói.

RESENHA: Naruto, a saga da ponte

Japoneses sempre foram especialistas em contar histórias. Seja em mitos milenares passadas verbalmente de geração em geração ou no atual formato do mangá em preto-e-branco, os heróis, vilões e dramas vividos em cenários deslumbrantes fascinam a todo aquele que conhece seus contos. Nos últimos 40 anos, a principal revista a conquistar leitores de todas as gerações e levar o Japão para o mundo é a Shonen Jump, que tem como seu mais recente fenômeno mundial o ninja loiro Naruto, que assim como a publicação em que foi concebido inicia sua história com uma ponte entre dois mundos: o da fantasia e o da responsabilidade.

O INÍCIO

Naruto é uma história que começou a ser serializada semanalmente desde 1999, ganhando animações, games e diversas outras obras de analise, apreciação e/ou universos paralelos. Com uma gama tão grande quanto essa, para se fazer uma resenha da história, é necessário dividí-la em partes, tal qual foi como em Bleach (leia a resenha aqui). Para dar início a sequência de textos, a primeira saga abordada será a Saga da Ponte, história na qual Naruto e a Equipe 7 precisam ajudar o construtor Tazuna a construir uma ponte no país das ondas.

Num mercado competitivo como o japonês, não é fácil emplacar uma grande história como a de Naruto, que já se extende por mais de 50 volumes encadernados. A quantidade de revistas é muito grande e o número de autores maior ainda. A entrada e saída de história todos os meses é sempre muito grande e o mercado tem sempre muitas novidades a escolher.

Mesmo na Shonen Jump, não são raros os casos em que as histórias precisam ser interrompidas, encerradas ou trocadas de revista pela baixa aceitação do exigente mercado japonês. Assim, para se conquistar o público, não basta escrever qualquer coisa, antes é preciso construir um mundo interessante aos olhos de quem vê e uma trama que prenda a atenção de quem lê.

Naruto começou com tudo isso, por isso a Saga da Ponte é considerada por muitos como o melhor arco do ninja loiro, mesmo que esta tenha influenciado pouco no desenrolar da história.

A Equipe 7 reunida: quatro personalidades que se completam.

O arco tem um papel básico, comum na grande maioria dos mangás shonen, apresentar o universo da história e seus protagonistas, mas a diferença deste para o de outros mangás é que o autor da história soube construir muito bem uma história que prendesse a atenção do leitor a medida que, aos poucos, ia apresentando os elementos que serviriam de base para os arcos seguintes, além de distribuir as personalidades de seus protagonistas de maneira equilibrada e a fim de alcançar uma gama bem grande de público-alvo.

A TEORIA DOS PERSONAGENS

O leitor veterano de mangás já deve ter percebido que sempre há personagens de estilos em comum em diversas obras. Sempre há o corajoso, o irritadiço, o mais frio, etc. Isso porque a maioria dos autores japoneses se apóia na teoria humoral, muito utilizada até alguns séculos após a Idade Média para avaliar os comportamentos do ser humano, para construir seus personagens.

Divididas em quatro elementos básicos, a teoria humoral ainda pode dar origem a “n” outros tipos de humor a partir de suas combinações. Dentro da Equipe 7, equipe a qual o protagonista da história entra após se formar na academia ninja, logo no primeiro capítulo do mangá, é possível ver os quatro tipos básicos em sua forma mais pura:

Não surpreendentemente, Naruto é o personagem de origem sanguínea. Esse é o esteriótipo do personagem protagonista seguida na maioria dos mangás shonen: corajoso e destemido o personagem costuma agir muito e pensar pouco, sempre tomando a iniciativa e tomando as rédeas da situação. Naruto encarna este personagem, mas também sofre com isso, diferente de Goku, Seiya ou Yusuke Urameshi, na Saga da Ponte o ninja loiro ainda não tem maturidade para lidar com aquilo que desafia, sendo muitas vezes alvo de gozação dos colegas ou, em sua vida comum, de toda a Vila da Folha. A história gira em torno de seu desenvolvimento para realizar seu sonho de se tornar um Hokage, o líder ninja máximo da vila onde vive.

A rivalidade de Naruto e Sasuke dão vida a história.

Rival de Naruto, o último membro do clá Uchiha, Sasuke, é o personagem do tipo colérico. Irritadiço, agressivo e idealista, este tipo de personagem costuma guardar profundas mágoas em seu interior que o leva a pensar demais enquanto age muito. Isso o deixa angustiado e muitas vezes contraditório em suas ações, o que o leva a ficar ainda mais irritado. Sasuke nutre um profundo ódio por seu irmão, o assassino de todo o seu clã e por isso, ainda criança jurou vingança a ele, o que o faz se afastar cada vez mais das pessoas apesar de beleza atrair muita popularidade entre as garotas da academia ninja.

Sakura fecha o trio genin, o nível mais baixo na escala ninja, com sua personalidade melancólica. Esse tipo de personagem é aquele pensa muito antes de agir e mesmo assim ainda age pouco. O autor enfatiza muito essa personalidade da garota criando a “Sakura por dentro”, a cada quadro que Sakura expressa um sentimento diferente do que seria o esperado, sua personalidade verdadeira é mostrada junto de muitos kanjis para expressar seus reais sentimentos. Principalmente na Saga da Ponte, a apaixonada garota mostra-se sempre muito na tangênte da história, cumprindo seu papel básico enquanto o autor desenvolve o amadurecimento de Naruto e Sasuke.

Fechando os quatro tipos básicos de personalidades e liderando a Equipe 7, está Kakashi Hatake, o personagem do tipo racional. Sempre calmo e maduro, o ninja de nível jonin, o mais alto da escala comum de graduações, muitas vezes faz pouco caso das ações ou inações de seus três subordinados, chegando a treiná-los aos mesmo tempo que lê o seu livro favorito, o Jardim dos Amassos, impróprio para menores de 18 anos. Conhecido como o Ninja que Copia, Kakashi é o tipo de personagem frio, que pensa muito antes de agir e sempre tem a situação sob controle, mesmo quando, escoltando Tazuna, acaba preso em uma armadilha do inimigo.

ANTAGONISTAS QUE COMOVEM

Se uma boa gama de protagonistas é necessária para que o leitor se identifique com a obra, são os antagonistas e o plano de fundo da história que o fideliza.

Kakashi foi o personagem mais popular da Saga da Ponte segundo o ranking realizado pela Shonen Jump!

Naruto começa sua história de maneira muito próxima do leitor, em uma acadêmia ninja que mais parece um colégio comum do Japão. Depois de traçar alguns dos elesmentos que permeiam o contexto da história, esta parte parte para o ambiente que os leitores desejam como escape de sua vida cotidiana: aventura, florestas e perigos.

Além disso, a Saga da Ponte ainda nos apresenta personagens comoventes que muitas vezes passam por dramas próximos aos do público-alvo. A que mais vale ser destacada é a do garoto Inari, o neto de Tazuna que não acredita em heróis.

Quando criança, Inari viu seu padastro, a quem ele considerava um herói, ser morto por Gatou, um traficante de drogas e produtos ilegais que utiliza o País das Ondas, que não possui Vila Oculta de Ninjas como é o país do Fogo que Naruto vive, como ponto estratégico para seus negócios. Naruto, smpre cheio de ideais, estabelece um grande contraponto com as crenças de Inari. Não são poucas as vezes que o ninja loiro dá várias lições de moral no garoto, mostrando que seu estado de latência em nada ajudará a realizar as mudanças que o padastro de Inari tanto desejava.

Essas lições sem pensar, muitas vezes infanis, que o protagonista solta em diversos momentos da saga e dos arcos seguintes, reforçam a construção do protagonista que Naruto quer ser, reforçando a imagem de personagem sanguineo, estabelecendo sua posição na história (que em tantos momentos tenta ser ofuscada pelas performances de Sasuke) e enchendo de valores a obra.

Escoltando Tazuna em sua construção de uma ponte que ligará o País das Ondas ao continente, a equipe 7 poderá prover certa liberdade e opções comerciais para o país oprimido.

A primeira vista, e a segunda também, Gatou pode parecer um vilão ordinário, sem graça. Mas é graças a ele que o leitor pôde ter contato com dois dos vilões mais interessantes qu Naruto já teve: Zabuza, o Demônio da Névoa Oculta e Haku, o gênio ninja capaz de fazer jutsus com apenas uma mão.

O sucesso de uma história muitas vezes depende da qualidade dos vilões!

Ambos os personagens foram a principal contribuição e a maior criação do autor para a Saga da Ponte e mesmo hoje, com mais de uma década de criação, a dupla se destaca entre todos os ninjas criados por Masashi Kishimoto.

Na tenativa de matar Mizukage e dar um golpe de estado no País das Águas, Zabuza passou a ser perseguido pelas tropas de elite da vila oculta do país, sendo obrigado a fugir e a fazer serviços para gente da estirpe de Gatou para ganhar dinheiro e sobreviver.

Antes de sair do país das águas, Zabuza levou consigo Haku, um menino que possuia uma Herança Sanguínea que o colocava em vantagem contra a maioria dos oponentes que enfrentasse.

As personalidades violentas dos dois personagens se choca diretamente com as grupo 7. Como um ninja frio e calculista, Zabuza vê em Kakashi o oponente ideal para aperfeiçoar suas habilidades, em contra-partida, o embate entre os dois acaba revelando o lado mais quente do Ninja que Copia.

A partir do momento que um ninja se forma na academia, este passa a ser um instrumento de sua vila, devendo deixar seus sentimentos de lado. Apesar de Kakashi parecer um retrato fiel disto, suas experiências no passado fizeram que seus ideais fossem além das regras da vila, acreditanto que um ninja deve lutar para proteger aqueles que ama.

Aumentanto ainda mais a proximidade de heróis e vilões, Haku compartilha da mesma ideologia de Kakashi, que numa luta épica contra Naruto e Sasuke mostra-se um ser muito mais sensível aos sentimentos que a máquina de matar idealizada por Zabuza.

O CAMINHO NINJA

A conclusão da saga, além de ser cheia de conflitos de ideais e de choque entre personalidades distantes que se aproximam com o tempo, ainda acrescenta uma reviravolta de proporções imensas que surpreende e emociona o leitor.

Naruto e o sonho de se tornar Hokage conquistaram o mundo!

Pondo todos os sonhos de Naruto em choque com as contestações de Kakashi e dos vilões, Masashi Kishimoto conseguiu não apenas criar um universo, mas fazer o leitor refletir sobre um mundo que apesar de aparentar ser pura fantasia, está muito próximo do mundo real.

A partir de todos elementos traçados, Naruto provocou o mundo ao perguntar ao leitor qual deve ser o significado do seu caminho ninja. Como fenômeno mundial, levou ao mundo a jornada de um garoto que quer descobrir o que é ser um herói de verdade.

Mesmo pré-formatado para ser sucesso, o autor provou que uma história pode ser bem contada e cheia de significado seja qual for o contexto que foi inserida, bastando ter o elemento chave que faz histórias de heróis, fadas e bruxas sobreviverem por séculos a fio: a busca e a luta pela realização de seus sonhos.

RESENHA: Densha Otoko

Medo de não passar no vestibular, excesso de estudos, cobranças na vida profissional, solidão no ambiente familiar: todas estas situações sociais brutais estão constantemente presentes na vida do japonês urbano comum. Para aliviar e extravasar todos os sentimentos contidos pela milenar conduta do bushido, milhares de opções de entretenimento e diversão são colocadas a venda na terra-do-sol nascente, possibilitando assim a criação de milhares de nichos de mercado e opções de público-alvo. E o amor não é uma excessão.

Numa terra onde o tempo é curto e a diversão é minuciosamente aproveitada entre um expediente e outro, programas de tv, publicidade, mangás e revistas utilizam as características lúdicas do amor para vender suas milhares de opções de produtos. Além de alimentar a distância entre as pessoas e o esteriótipo de um povo frio, essa exploração mercadológica faz criar a impressão que este caricato é o que reje as relações amorosas entre os japoneses. Densha Otoko (do japonês, Homem do Trem) conta a história de um jovem adulto seduzido por um mercado de nichos que sonha encontrar na realidade todos os sonhos que a ele são oferecidos e que, apesar de contraditório é rotulado por isso.

O OTAKU JAPONÊS

No mercado de nichos o Japão, uma das figuras que mais tem se destacado no ocidente é o Otaku. Viciado em animações, passa horas jogando video-game, colecionador de bonecos de super-heróis, tem toneladas de revistas em quadrinhos, não tem vida social e é despreocupado com o que veste. Este é um pouco do esteriótipo que ganhou o otaku no mundo.

No ocidente o termo é mais genérico e por vezes utilizado apenas como sinônimo da tribo em questão, é o apelido daquele que gosta dos frutos da cultura pop japonesa, não necessariamente refletindo o significado da palavra de origem. No Japão, o esteriótipo descrito acima é por vezes pejorativo, visto que uma figura como a acima vai diretamente na direção oposta das figuras valorizadas socialmente, como o salaryman.

Não raramente, o otaku japonês é excêntrico. Não só seu modo infantil de se vestir ou os montes de acessórios que carrega o afasta socialmente, mas, por vezes, seu comportamento é cheio de fetiches, pré-julgamentos e medos que os colocam em diversas situações constragedoras. Muitos desses otakus estão presentes no seriado Densha Otoko e muitas das visões que as pessoas ditas “comuns” do Japão tem dele.

Getsumen to Heiki Mina é o anime que Yamada é fanático!

O seriado de 12 episódios foi transmitido em 2005 no Japão, mas muitas outras obras foram produzidas (incluindo filmes, mangás e livros) retratando a história do apaixonado Tsuyoshi Yamada e da bela Saori Aoyama.

O HOMEM DO TREM

Yamada é um sujeito aparentemente comum, meio descuidado com a aparência e com um um gosto estranho para roupas, mesmo em ocasiões mais formais. Com 23 anos tem seu trabalho num escritório de Tóquio, já está formado na faculdade e é o que pode ser chamado de otaku.

Apaixonado por animes, mangás e games, o cara vive dando dicas para as crianças de seu bairro, levando broncas de seu chefe e sendo evitado pelas pessoas ao seu redor, incluindo a própria sua família. Seus amigos são os mais excêntricos possíveis, cada qual com sua mania e comportamentos peculiares, os quais sempre o acompanham em seus passeios por Akihabara, um bairro japonês cheio de lojas de tecnologia e venda de artigos e serviços baseados no universo nerd.

Mas ao contrário do que possa parecer, Yamada é diferente do preconceituoso conceito de otaku. O garoto sonha com uma promoção em seu emprego, em formar uma família e ser aceito pelas pessoas. Ele tem orgulho de ser um otaku e, mesmo que as centenas de miniaturas em seu quarto digam o contrário, os animes são apenas um hobby para ele, algo que ele se identifica e cultua. Diferente de seus bitolados amigos, Yamada sabe diferenciar muito bem o limiar entre o real e a fantasia, mas o esteriótipo otaku e as pessoas com quem convive acaba por generalizando-o como apenas mais um viciado em coisas para crianças.

Que nerd nunca ajudou os filhos do vizinho a passar aquela fase dificil de RPG?

Mas a vida de Yamada muda completamente quando em um dia comum ele pega um trem de volta para casa. Num ato de coragem inédito em sua vida ele acaba salvando Saori Aoyama de um bêbado quando este a incomodava com brincadeiras de conotação sexual que pareciam evoluir para um tentativa de estupro dentro do próprio trem.

Neste momento é interessante abrir um parênteses: o trem em questão estava cheio. Pessoas de todas as idades, gêneros e personalidades estavam viajando junto de Yamada, a maioria com uma aparência muito mais valorizada socialmente e que, querendo ou não, o espectador acredita que eles vão intervir. É dificil entender o que mais dá raiva da situação: um cinquentão tentando se aproveitar de uma garota indefesa ou um monte de homens que poderiam impedí-lo ficando prostrados em seus lugares, fingindop que nada acontecia.

Tal situação pode ser explicada devido a situação social do Japão. Na terra-do-sol-nascente a taxa de segurança é alta, guardas monitoram as ruas 24 horas e mesmo de madrugada é considerado seguro sair sozinho pelas ruas. Assim, numa situação incomum como aquela que acontecia é compreensível que todos os presentes ficassem sem reação, mas a falta de atitude, que apenas Yamada superou, ainda incomoda e gera a primeira grande reflexão do seriado.

A gratidão da garota pela coragem de Yamada faz ele ganhar força para chamar ela para sair. Mas como um Otaku teria chances com uma garota linda, rica e inteligente como Saori? É aí que entra em cena os mais diversos caricatos nerds, geeks e otakus que o mercado de nichos do Japão conseguiu criar.

A bela Saori Aoyama é a representação da doce donzela que todo otaku deseja encontrar.

Por meio do fórum online Aladdin, Yamada conhece um grupo de pessoas que o ajuda a transformar sua personalidade nerd em uma pessoa capaz de conquistar Saori. Cada um com sua personalidade única e com vários casos que refletem uma realidade ocultada pela vida moderna do Japão, os usuários do fórum postam para mudar a vida de Densha (trem em japonês, apelido que Yamada utiliza no fórum) sem perceber as grandes mudanças que eles mesmos estão provocando em suas vidas.

DENSHA E HERMES

Densha Otoko ganhou repercussão no universo nerd por abordar o lado sentimental da tribo, mas a série vai muito além dO tema.

A partir do momento que Yamada entra no fórum, várias histórias derivadas vão sendo contadas. Os usuários vão desde o virtuoso estudante de vestibular, passando pelo um casal que posta junto, o apaixonado pelo exército, o devorador de mangás, o estrangeiro que viaja o mundo, um guarda de trânsito que age online como se estivesse no emprego, o salaryman, o empresário, o descrente jogador de basquete, até chegar em casos mais profundos como o homem divorciado que ainda ama a esposa e a mulher que encontra no fórum um meio de estravasar as surras que elas silenciosamente recebe do marido.

Mesmo o criador do fórum não poderia prever a dimensão da história de Densha!

A partir das lições e dos conselhos que estes usuários vão dando a Densha e vendo os resultados e os obstáculos que o personagem vai superando, os usuários do fórum acabam ganhando um pouco da mesma coragem que Densha tanto pede a eles.

E como foram preciosos estes conselhos! Yamada, apesar de seus 23 anos, nunca havia namorado uma garota, por isso, a falta de experiência em relacionamentos sempre o deixa muito nervoso, gaguejando na frente de Saori, não sabendo as melhores formas de cumprimentá-la e sempre sendo alvo de situações exageradamente constrangedoras a cada vez que ele fala ou sai com ela, chegando a tentar aprender a surfar quando sua gagueira fez Saori entender que este era seu hobby.

Mas os dramas não são privados a Densha. Saori, que aparenta ser a jovem gentil, inteligente, bela, compreensiva e sempre bem humorada tem seus motivos para não ter um namorado mesmo transparencendo ser a esposa ideal para qualquer partido: ela não confia nos homens.

O relacionamento mal estruturado de seus pais somado a um namoro frustrado na adolescência faz com que a garota despreze qualquer tipo de mentira e a bloqueia quando tem encontros com os pretendentes que sua mãe marca para ela, uma prática bem comum no Japão, ainda hoje.

No fórum, Saori é chamada de Hermes. Como Densha nunca disse o nome dela abertamente para não expô-la, os usuários deram o apelido da marca de xícaras que a garota deu para Yamada como agradecimento por ele ter ajudado ela no trem.

O apoio que Yamada recebe dos usuários do fórum Aladdin é o, nos momentos difíceis, o deu coragem para seguir em frente.

Hermes, como amor platônico de Densha acaba cada vez mais se aproximando da perfeição e se afastando da realidade, o que acaba deixando Yamada ainda mais inseguro a cada encontro que os dois tem, mas que acaba atiçando a imaginação de todos os usuários, inclusive Sakurai, um homem muito próximo a Saori…

A LINGUAGEM DA SINSERIDADE

Ser otaku. Desde o início da série Yamada coloca a culpa por seu insucesso com garotas e no emprego naquilo que ele tanto ama e cultua. O preconceito, o rechaço e a forma de demonstrar horror ao otaku no Japão acaba por isolar ainda mais quem tem problemas de socialização, o que acaba contribuindo ainda mais para a frustração do ser por trás da figura do otaku. No seriado, isso fica muito claro logo no primeiro episódio, quando Yamada esbarra em uma mulher pouco antes de entrar no trem. O mais interessante é notar um comportamento preconceituoso logo no país que mais se consome desenhos animados.

No Japão, cerca de 90% da população lê mangá regularmente. As animações são abundantes tanto em TV aberta, fechada, pay-per-view ou em home-video. É comum jogos serem lançados grupos de nichos tão específicos como os otakus, como salaryman’s, donas de casa ou crianças em fase de alfabetização. Logo, a hipocresia nas palavras dos personagens mais preconceituosos fica cada vez mais latente com o passar dos episódiso de Densha Otoko, com vários deles mostrando comportamentos muito similares ao de Yamada, mas cada um em seu nicho.

Assim, do mesmo modo que o protagonista do seriado, o espectador percebe que o problema de Densha não é a sua maneira Otaku de ser, mas sim o medo que ele acabou desenvolvendo ao longo dos anos por deixar-se acreditar que isto era um problema.

Saori é uma mulher madura, não era o visual de Yamada que iria “enganá-la”. Logo de início ela percebe o nerdismo nele, tanto que o teria convidado para uma convenção de animes (algo que ela notou que ele gostaria de ir com ela) se Densha não tivesse tomado a decisão errada na hora errada durante seu processo de desotakisação. O que conquistou Saori foi a sinseridade e as próprias tentativas de vencer a timidez que mesmo tentando esconder eram tão expostas em Yamada.

Esse é um dos pontos mais bem explorados em Densha. Assim como os personagens que ele tanto admira, o personagem precisa se superar e amadurecer para chegar ao seu objetivo. A diferença é que, ao contrário dos mundos fantásticos dos animes, não há nenhum autor que possa lhe escrever palavras de audácia e um texto de força e bravura.

Será que o final feliz está privado a ficção?

Assim, em todos os seus textos, Yamada reflete exatamente o ser que é: tímido, medroso e por vezes melancólico e sem confiança, mas sempre sinsero. A simplicidades da palavras de cada texto de Yamada reflete o personagem real, empírico, próximo ao espectador, o que enche a obra de uma riqueza narrativa original e em que facilmente é assimilada por quem quer que assista.

AMOR AMOR AMOR

Densha Otoko é como uma progessão geométrica começa comum e termina espetacular, uma metáfora perfeita da vida de alguém que quer algo da vida. Parece surreal e ao mesmo tempo muito fantasioso que um otaku que ajuda uma mulher num trem possa realmente conquistá-la através do apoio de um fórum, mas isso acontece. E isso não é hipotético, é real, já que Densha Otoko foi baseado numa história real.

Sim, Tsuyoshi Yamada é o personagem da vida real de um mundo que vende o amor como algo ideal e o cobra como algo trivial. A história de Densha é a redenção da fantasia a realidade construindo vidas a partir do ingrediente mais interessante, inesperado e incontrolável do ganancioso mercado de nichos: a capacidade do ser humano de ir além daquilo que ele mesmo é capaz de criar e sonhar.

RESENHA: Death Note

Qual a escolha que você faria se encontrasse um meio de acabar com tudo e a todos aqueles que causam o mau e o horror para a sociedade? E se para isso bastasse que o nome de cada um dos criminosos e assassinos que aterrorizam a todos os que saem de constasse numa lista meticulosamente escrita em um caderno? E se para a criação de um mundo novo apenas um homem precisa sujar suas mãos num crime sem pistas, sem testemunhas e sem culpado? Death Note conta até onde o homem pode corromper-se quando direitos de deus são colocadas em suas mãos, além de mostrar até onde o ser humano pode chegar para proteger problemas de um sistema que ele mesmo criou.

DESTINO DESEJADO NÃO TÂO DESEJADO ASSIM

Ao conhecer o Japão atravéz de seu universo pop, não se percebe o quanto a conduta estigmatizada ao povo oriental ainda está presente em sua cultura. Em um país pequeno, de língua extremamente local, a disputa por boas colocações no mercado de trabalho não é fácil para nenhum membro do modelo familiar atual.

Enquanto o pai de família fica preso horas no serviço seguindo, mesmo que incosientemente, os preceitos do bushido, sua esposa é a guia para os afazeres do lar e a educação dos filhos que são constantemente instigados a passar horas e horas estudando para conseguir um lugar nas escolas e faculdades mais disputadas do país para garantir o sucesso profissional.

O estudo é intenso e muitas vezes aterrador para o jovem adolescente, que preso a um destino previsível e desapegado de sonhos e transformações facilmente se frustra com com seu cotidiano e com o futuro que o aguarda, seja o calouro com problemas de aprendizado ou o veterano mais inteligente do Japão.

Colidindo fantasia à realidade, começa a história de Light Yagami. Assim como milhares de estudantes do Japão, Light vive frustrado com a vida que leva, mesmo sendo considerado o estudante com o futuro mais promissor de todo o Japão. Ao fazer o caminho de volta pra casa e mais um dia aparentemente trivial, ele encontra um caderno jogado no gramado e lê a inscrição na capa com os dizeres Death Note.

Se atententando aos detalhes do caderno ele lê uma série de regras para a sua utilização, que dizia matar em aquele que tivesse seu nome escrito em uma das folhas de seu miolo. A morte aconteceria a partir de sua descrição ou se daria após 40 segundos por ataque cardíaco.

Atrás do rosto bonitinho de Light, esconde-se uma tenebrosa personalidade.

Mesmo não acreditando na suposta magia do caderno, dentro de uma loja de discos, Light escreve o nome de um motoqueiro que aos berros tentava estuprar uma garota que passava na rua. Com a morte do homem e a garota em segurança, o adolescente sente que tem em mãos algo que pode guiar o futuro de toda a humanidade, sendo ele o escolhido para tal providência. Não demora muito para que a onda de assassinatos de criminosos espalhem uma lenda urbana que os japoneses chamam de Kira (do inglês, Killer). A única coisa que Light não contava era encontrar o seu próprio eu as avessas na figura do misterioso L.

O MAIOR DETETIVE DO MUNDO

Julgando e condenando os criminosos à morte, Light começa a utilizar largamente o Death Note. Com tantos presidiários e procurados sendo mortos de ataque cardíaco, o mundo todo começa a se perguntar o que está acontecendo no Japão. A única escolha da política mundial é levar ao Japão o maior detetive do mundo. Sem nome ou identidade, ele é conhecido apenas como L. A habilidade e o dissernimento do detetive aos poucos levam até Light, transformando o anime em um dos maiores thrillers policiais que a história da ficção mundial já teve.

Roteirizado por Tsugumi Ohba e com ilustrações de Takeshi Obata, o mangá teve início com a publicação de um episódio piloto na Shonen Jump, onde um estudante com idade bem inferior a Light consegue e passa a usar o Death Note. Com o sucesso do piloto e várias reuniões com os editores, Death Note tornou-se o sucesso mundial que é, já estando na mira até das indústrias de Hollywood.

Mesmo com a impressão de que o projeto seria rejeitado pela Shonen Jump, Tsugumi Ohba prosseguiu com a história de suspense por se considerar um escritor incapaz de elaborar roteiros para histórias de lutas e esportes. Já Takeshi Obata, após o sucesso da série até fez um curso de cabeleireiro para conseguir criar personagens com o máximo da realidade pretendida por Ohba.

"Os humanos são mesmo interessante", pensa o shinigami (deus da morte) Ryuk ao deixar o Death Note cair na Terra.

Com 12 volumes tankobon, 37 episódios para a TV, três filmes japoneses e um romance publicados, Death Note sempre contou com muitas mentes brilhantes trabalhando pela série, porém, nenhuma tão brilhante quanto os próprios Light e L, o que provocou durante toda a sua produção diversas oscilações de conteúdo e dramaticidade.

VAGANDO NUM VALE ENTRE O REAL E O IDEAL

Death Note começa surpreendendo a quem lê ou assiste. Uma idéia original, com um protagonista próximo da realidade do leitor e uma arma silenciosa que gera dúvida quanto os seus fins.

Porém, o ritmo alucinante do início da história não consegue se manter durante todo o tempo, sempre que algo grandioso acontece na história, um período de marasmo chega na história. Felizmente esse marasmo sempre resulta numa preparação para pontos ainda mais elaborados, contribuindo para o crescimento da história.

Assim, mesmo que num ritmo oscilante, onde o leitor/espectador pode facilmente perder o interesse em continuar a acompanha-la, os pontos altos da história sempre são crescentes, deixando boquiaberto a quem assiste. A morte do investigador Ray Pember, onde Light comete seu primeiro e fatídico erro, o desaparecimento de Naomi, a inóspita parceria de Light com L para encontrar Kira, a troca de Death Notes e o surgimento da empresa Yotsuba e o segundo Kira fazem com que a Death note chegasse a pontos tão alucinantes e descisivos que os autores acabara por perder o fio da meada.

Eram tantos personagens e informações no montante do caso que já não dava mais para manter a disputa entre L e Light sem que um dos dois não tomasse as rédeas da situação e vencesse a disputa.

A saída encontrada para colocar ordem na casa foi uma trama suja, baseada numa mentira, que deu uma ligeira vantagem a Kira e permitiu que desencadeasse uma onda de acontecimentos meticulosamentos organizadas durante cada um dos eventos para chegar a morte de L.

Apesar da aparência sórdida, L é o retrato da bondade e da justiça.

Tanto no anime quanto no mangá, a morte de L foi um divisor de águas. No anime, o episódio da morte do personagem foi uma das maiores obras-primas que um estúdio conseguiu produzir para uma série de TV. Qualidade de imagem, trilha sonora envolvente, frames dramáticos e um texto inteligente e muito bem dublado pelos atores que fazem as vozes dos personagens formaram um escopo perfeito da grandiosidade do enredo de Ohba pretendido no mangá, dramático, persuasivo, reflexivo e ao mesmo tempo cativante e instigante.

L morreu como um mártir injustiçado pelos efeitos do Death Note ao seu autor, deixando a lembrança de um espírito bondoso e inocente envolto da aura maligna do ser humano corrompido pela ganância e o orgulho.

UM TRAPACEIRO QUE NÃO CONHECE A SOLIDÃO

É fato que a trama de Death é inteligente e inovadora, ainda mais para o estilo shonen de mangás, mas de nada isso adiantaria se os agentes dessa trama não fossem carismáticos o suficiente para captar o espírito jovem do público da Jump.

De todos os relacionamento da série, o mais comovente é o que acontece em Misa Amane e Light. Rica, famosa e bobinha, Misa idolatra Kira por ele ter matado os assassinos de seus pais com o Death Note. Por uma ironia do destino a garota acada também conseguindo um caderno da morte e fazendo o temebroso “acordo dos olhos” com o shinigami dono de seu caderno para encontrar o homem por trás da identidade de Kira.

Impossível o expectador/leitor não despertar os mais diversos sentimentos de ira por Kira e afeição por Misa. Light se aproveita todo o tempo de Misa, se aproveitando dos sentimentos que a garota nutre por ele para usá-la como uma peça dos seus planos contra L. Se o detetive já tinha dificuldades em prever as ações do criminoso quando ele estava sozinho, junto com Misa as coisas se dificultam ainda mais.

Impossível não se indignar com todas as vezes que Light se aproveita da ingenuidade de Misa.

E HOJE EU TIVE UM SONHO QUE NINGUÉM MAIS PÔDE TER

Cada um dos subtítulos dessa resenha são frases dos temas de abertura e encerramento de Death Note. Mesmo os temas sendo “stead-ups”, músicas que gravadoras famosas patrocinam para colocar no anime, é incrível como elas se encaixam perfeitamente no contexto da história, formando um obra final em total ressonância com seu fim.

Mesmo com os problemas de produção do anime após a morte de L, cuja produção foi deveras acelerada e pontos do fim do mangá foram cortados, Death Note tanto no anime como no mangá mostraram para que vieram, desencadeando um amadurecimento no setor do entretenimento shonen japonês que passava por uma estagnação de inspiração desde os anos 90.

Death Note é uma obra marcante não só para o contexto geral do anime, mas principalmente para o fã. É interessante notar como as personalidades distintas de Light e L geram um contra-ponto interessante dentro e fora da série. Nunca uma discussão de conteúdo de série chegou a pontos tão reflexivos e ideológicos como acontece quando fãs discutem a disputa de Kira vs L.

Dramas interpessoais, sociais, jurídicos, criminalidade, fatos sociais, moral, ética, altruísmo, certo e errado. São só alguns dos pontos mais comuns que sempre envolvem os debates que avaliam as atitudes e ações de L e Kira. Mesmo após horas de discussão e dezenas de fatos e opiniões levantadas o impasse sempre entre os dois pontos-de-vista mais distintos da história dos animes sempre continuará e fará a história do adolescente entediado que encontra a possibilidade de ser Deus viver para sempre no imaginário de todos aqueles atingidos por Death Note, quer encontre respostas, quer não.