NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

Arquivos de tags: Herói

Parada Cosplay é destaque na programação da Feira da Amizade 2013 em Jundiaí!

Uma festa em prol das entidades do município para celebrar as boas amizades e a família. Assim será a Feira da Amizade 2013, realizada dias 27, 28 e 29 de setembro e 4, 5 e 6 de outubro . O evento contará com restaurantes temáticos (brasileiro, italiano, alemão e japonês), cinco botecos, shows e espetáculos para crianças e jovens, beneficiando 28 entidades e instituições de Jundiaí, por meio do valor arrecadado nas barracas de artesanato e do espaço gastronômico.

Entre as atrações culturais, destaca-se as duas edições da Parada Cosplay, evento que reunirá os maiores heróis, mocinhas e vilões dos quadrinhos, games, cinema, ficção, animes e mangás. O evento acontece nos dois domingos, dia 29 de setembro às 11 horas da manhã e dia 06 de outubro às 15 horas.

Agora é com você, vista seu uniforme de super-herói e junte-se a esta turma super animada, ou traga toda a família para ver os heróis que marcaram a infância e sempre estarão presentes nas vidas de todos os sonhadores!

 

Parada-Cosplay-na-Feira-da-Amizade

Parada Cosplay 2012 é destaque no Parque do Corrupira no Dia da Criança em Jundiaí

Sucesso em 2011 (clique aqui pra ver como foi), a Parada Cosplay realizada no Parque da Cidade em Jundiaí no Dia da Criança foi destaque na mídia impressa e digital, gerando comoção de baixinhos e grandinhos no parque e tendo milhares de fotos compartilhadas nas redes sociais de todos os jundiaienses, que orgulhosos, exibiam seus filhos (ou eles próprios) posando junto com seus personagens favoritos. E em 2012 não poderia ser diferente.

Trazendo até as crianças atores vestidos de heróis, vilões, princesas e guerreiros, a Prefeitura Municipal de Jundiaí repete a dose em 2012 e prepara para este 12 de Outubro mais uma edição da Parada Cosplay. Criada por Ede Galileu durante o evento Jund Comics, que integrou a Virada Cultural Paulista da cidade em 2011, o movimento ganhou cada vez mais força em 2012, com a realização de um Concurso que elegeu os melhores cosplays do evento, atraindo atores de toda região, além de São Paulo e Campinas.

Apesar de estar se popularizando muito rápido no ocidente, a palavra cosplay ainda soa estranha para a maioria das pessoas. Sendo a junção das palavras costume (fantasia, em inglês) e play (atuar, em inglês), o cosplay nada mais é que a atividade de um ator ao se caracterizar com um personagem famoso do cinema, histórias em quadrinhos, games, desenhos animados ou o que vier à cabeça. “É uma alegria para as crianças que nos encontram e uma grande satisfação para o ator estar na pele de seu personagem favorito”, diz Davi Junior, 22, publicitário, um dos organizadores da edição 2012.

Cosplayers reunidos no Centro das Artes durante a Parada Cosplay que aconteceu durante a Virada Cultural Paulista 2012 em Jundiaí.

Com o objetivo de levar o cosplay para diferentes da cidade, o evento acontece este ano no Parque do Corrupira das 10 até às 14 horas. Já estão confirmados na equipe de atores deste ano personagens dos irmãos Grimm, dos animes e mangás japoneses, dos aclamados heróis americanos e uma versão pra lá de engraçada de um dos personagens mais famosos de Jim Carrey: Ace Ventura!

 

RESENHA: Lanterna Verde

Se pararmos para contar a quantidade de filmes de super heróis que foram para a tela dos cinemas nos últimos anos, os dedos das mãos (mesmo apelando com os dos pés!) são serão suficientes para chegar até o total de produções. Os números são ainda mais monstruosos se comparados a quantidade de filmes de antes dos anos 2000. Em pleno século XXI, o Lanterna Verde mistura todos os elementos da velha e da nova guarda para criar um filme regular, mas que agrada.

O “UM ANEL”

“No dia mais claro,
Na noite mais densa,
O mal sucumbirá ante a minha presença
Todo aquele que venera o mal há de penar
Quando o poder do Lanterna Verde enfrentar!”

É com este juramente que Hal Jordan, um piloto de avião ousado acaba tendo sua vida transformada completamente após salvar um alienígena de roupa militar que lhe confiou um anel verde que o transformaria no guardião do setor espacial n° 2814 sob a alcunha de Lanterna Verde.

Fiel aos quadrinhos, a produção de 2011 levou até os cinemas o herói mais famoso da Tropa dos Lanternas Verdes, que assim como nos quadrinhos sofreu diversas transformações até ser formatado no personagem visto nas telonas.

Criado em 1940, Alan Scott criou um anel de energia verde a partir de um vestígio caído na Terra do Coração Estelar, artefato que a Tropa dos Lanternas Verdes criou para concentrar toda a “Vontade” do universo, considerada força de energia mais poderosa do universo. Pela cor da energia, o herói se intitulou Lanterna Verde.

Ok, ok. Se o filme é fiel aos quadrinhos, porque o enredo da origem dos quadrinhos é tão diferente da dos filmes? Simples, pois o Lanterna Verde mostrado nas telonas é o personagem mais famoso de todos os 5 humanos que já usaram os anéis da Tropa, o Lanterna Verde Hal Jordan.

A mitologia do herói é tão rica que por si só daria uma tremenda saga espacial nos cinemas.

Mesmo esta origem de Alan Scott foi uma adequação ao roteiro mais maduro e mais criativo que passou a ser utilizado a partir dos anos 60, quando Hal Jordan e toda a mitologia da Tropa dos Anéis foi criada e fez com que o herói (que até então vestia roupas vermelhas) caísse no gosto do público americano.

Depois de Hal, o anel ainda foi parar nos dedos de Guy Gardner, John Stuart e por fim Kyle Rayner. Todos estes personagens foram necessários nos quadrinhos para que o herói fosse adequado e readequado para os públicos ou aos gostos dos diversos autores que já colocaram a mão no herói.

Tais adequações parecem ser um eterno karma do herói, visto que seu longa sofreu de problemas parecidos com sua história nos quadrinhos.

DESISTINDO DE TUDO

Dirigido por Martin Campbell, que conta com um histórico dividido entre pérolas e diamantes, o filme começou com suas oscilações logo antes de sua estréia, com dois trailers muito divergentes entre si, um mostrando um filme maduro e denso e outro mostrando um herói pateta que provoca risadas forçadas no público.

É possível que com o sucesso dos filmes da Marvel Studios, que abusam da simpatia dos heróis, e dos filmes de Christopher Nolan, que tem a profusão de enredo e a realidade ficcional como palavras-chave, o diretor tenha tentado mostrar que o filme conseguiria agradar a ambos os públicos, uma tentativa frustrada, já que o Lanterna Verde mistura tantos conceitos dos filmes de super-heróis que já não se consegue encontrar as tentativas de referências aos seus concorrentes.

Sinestro foi o destaque do filme.

Assim como o protagonista do filme faz na história, a impressão que o filme deixa ao seu final é que muita coisa tentou ser feita, foi começada e foi desistida de ser concluída no meio do caminho. Vários elementos de filmes massivos estão presentes mas não foi fortes o suficiente para conquistar o público, como o romance entre Hal e Carol Ferris ou os conflitos de personalidade entre heróis e vilões.

Não só as várias seqüências do filme, mas o longa inteiro também segue tal premissa: com um início motivador, bem construído e cheio de elementos que poderiam resultar num novo clássico dos cinemas, o longa aos poucos vai abandonando a família, a profissão, a politicagem, a repercussão de seu aparecimento e a Tropa dos Lanternas que ficaram tão fortemente marcadas nos primeiros 30 minutos do longa.

MEDO VS VONTADE

A grande lição que o filme traz é a superação do “medo” a partir da “vontade”, as duas energias mais poderosas do universo contrárias uma a outra, tendo uma tanta profanação quanto a outra tem de nobreza.

Uma metáfora simples, porém perfeita para contar a história de um personagem irresponsável como Hal Jordan torna-se um mero detalhe com o passar do longa, quando seqüências mal ligadas transformam o filme num festival de efeitos especiais.

Efeitos especiais são muito bem-vindos quando dão vida a mitologia do herói, recriando o planeta Oa e os extraterrestres que formam a Tropa dos Lanternas, que sem sombra de dúvida é o total destaque do filme, juntamente com os atores que interpretaram os instrutores de Hal, Tomar-Re (dublado por Geoffrey Rush), Kilowog (dublado por Michael Clarke Duncan) e Sinestro (Mark Strong), que apesar de tão bem atuado, teve uma participação muito pequena pela história.

O maior vilão do universo do herói foi uma escolha um tanto quando prematura.

Mas é peculiar quando os efeitos especiais são utilizados para recriar conceitos de filmes de super heróis dos anos 70 e 80, quando o exagero é fundamental para dar origem aos poderes do herói.

Não são raras as vezes que vemos o herói do filme usar a energia do herói para criar metralhadores, pistas de carrinhos, jatos, redes e tantas outras bizarrices que são aceitáveis em desenhos animados, mas deixam o tom do filme, até então muito sério, um tanto quando popularesco e banal.

Estes elementos são ruins, assistir Superman com Christopher Reeve ainda é uma delícia, e muitos dos artefatos de energia do Lanterna são legais de ver, pois são a materialização da narrativa dos quadrinhos num live-action, mas a mistura de diversos elementos acaba prejudicando o filme.

VENCENDO SEM VENCER

É possível que a direção do filme não se perdesse tanto no decorrer do filme se não tivesse escolhido um vilão mais adequado para um início de história. Parallax é uma entidade suprema no Universo do Lanterna Verde, sendo o tipo de vilão que não é vencido, apenas engavetado, de tão forte que é o seu conceito atrelado a energia do “medo”. Assistir a um herói iniciante vencer tal monstro quando todos os seus veteranos desistiram é algo que condiz com a mensagem do filme, mas ainda assim é algo forçado.

Tão forçado quanto o ator do herói, Ryan Reynolds, que parece estar fazendo uma comédia simples ao invés de um filme de super herói aguardado por gerações. Ou ainda mais forçado que a máscara que criaram para o personagem, que consegue não consegue convencer como uma peça criada por uma tecnologia alienígena avançada.

Apesar da adaptação do uniforme ter sido uma dos melhores que o cinema já viu, a máscara do herói foi uma peça muito forçada…

Apesar de gostoso de assistir e finalizando com uma mensagem interessante, o filme é apenas uma tentativa de emplacar uma boa produção de super herói nos cinemas, fazendo do filme uma produção simplista numa época em que se pedia algo sofisticado. Um filme feito para o dia mais claro, quando os longas de super heróis vivem a sua fase mais densa.

RESENHA: Thor

A lenda diz uma coisa, a ciência outra, mas há pontos em que elas se confundem. A crença, a fé e a realidade dependem de pontos-de-vista onde está em jogo a inocência ou maldade.  Thor ganhou vida para completar o ciclo de produções estreladas pelos fundadores de Os Vingadores, porém a magnitude com que a história foi contada transformou ele não no quarto filme de uma saga, mas num verdadeiro épico do cinema.


DA MITOLOGIA ÀS HQ’S

Nos anos 70, quando Stan Lee vivia a efervecência de sua criatividade, a produção e o desenvolvimento de heróis da editora Marvel sempre movimentava novas alternativas de universos e idéias a serem construídas.

Num ambiente propício para se apostar em novos universos e o amparo de idéias semelhantes da sua tradicional concorrente, a DC Comics, com heróis como a Mulher Maravilha, surgiu o primeiro herói da Marvel baseado em mitologia, nascia Thor.

Como o próprio nome do herói diz, Thor foi baseado no deus nórdico do trovão, filho de Odin e uma das figuras mais carismáticas e populares de tal mitologia nos países ocidentais.

Transmutando o universo mitológico para adaptá-lo as histórias em quadrinhos, Thor virou um misto de deus e humano, onde a medida que suas histórias avançavam elementos clássicos da mitologia nórdica e as maiores tendências dos quadrinhos se fundiam e, como nas diversas HQ’s, arcos contados e recontados se tornaram comuns.

Para levar a origem do herói até os cinemas, o diretor (e de quebra ator renomado também) Kenneth Branagh colheu todos os elementos que o herói reuniu por toda a sua história e, reunindo um elenco de primeira linha, deu origem ao maior filme do Universo Marvel já produzido.

Anthony Hopkins é o Odin do cinema.

UM TROVÃO DE PRODUÇÃO

Sempre que um filme de super-heróis conta com um elenco famoso demais, a tendência é que as personalidades nele envolvidos chamem mais a atenção do que a própria história. Mas com nomes de peso como Anthony Hopkins como Odin, Natalie Portman como a cientista Jane Foster e Rene Russo como Frigg, fica dificil de apostar num roteiro fraco.

Pegando o que cada um dos três filmes anteriores a Thor tinha de melhor e dando um toque de drama e emoção que vemos em todos os filmes de Kenneth Branagh como ator, Thor não foi desenvolvido, foi lapidado.

O drama de Homem de Ferro (leia a resenha aqui) foi aprimorado, o carisma dos personagens de O Incrível Hulk (leia a resenha aqui) foram mais variados e a qualidade dos efeitos especiais de Homem de Ferro 2 (leia a resenha aqui) foram superados.

Com mais ação, mais efeitos especiais, mais personagens, mais enredo e humor na dose certa, Thor é o filme ideal para agradar fãs quadrinhos, adoradores de ficção e o público casual do cinema.

CONFRONTO ENTRE IRMÃOS

Em duas horas seria dificil com que a história original dos quadrinhos pudesse ser desenvolvida em sua totalidade, mas as adaptações para o cinema foram bem fiéis ao conceito do herói e as mudanças foram essenciais para seu bom desenvolvimento.

Como filho favorito de Odin, Thor está prestes a receber o título seu pai Odin de rei de Asgard, um dos nove mundos previstos na mitologia nórdica (a Terra, ou Midgard, é um deles), quando gigantes de gelo atacam o castelo onde é feita a cerimônia.

O amadurecimento de um herói é abordada em Thor.

Dissoluto com o que aconteceu, Thor parte com Sif, os grandes três guerreiros e seu irmão Loki para vingar o acordo de paz que o rei dos reino dos gigantes de gelo, Laufey, acabara de quebrar com a invasão de Asgard.

Na verdade Thor age despeitado com situação, age com o orgulho ferido por os gigantes de gelo terem impedido sua coroação como rei. Com um invasão sem a aprovação de Odin, o deus supremo de Asgard não vê outra alternativa senão exilar o filho na Terra, onde deverá ser humilde o suficiente assumir o poder de rei.

Enquanto Thor, sem poderes, é ajudado na Terra pela cientista Jane Foster, Loki descobre que foi adotado por Odin e seu pai biológico é, na verdade, o próprio Laufey. Usurpando o posto de rei de Asgard de Odin, Loki inicia um meticuloso plano para aniquilar o irmão e invadir o reino dos gigantes de gelo, indo contra todos os preceitos que pai adotivo lhe ensinou.

A disputa de poderes, de orgulho e a volátil relação entre pai e filho é um ponto alto do filme, fazendo com que o espectador reflita, na condição humana, que de nada adianta ser deuses quando a disputa envolve a relação afetiva.

ELEMENTOS QUE CATIVAM

O universo da mitologia sempre foi fascinante e a riquesa de seus elementos é a premissa ideal para qualquer história. Em Thor, os elementos foram utilizados de maneira concreta e concisa, além de fazer a combinação ideal com elementos não apenas nórdicos, mas de todo o universo Marvel.

As referências aos outros heróis dos Vingadores são inúmeras, fazendo o fã de quadrinhos se divertir a medida que elas vão aparecendo, tendo como ponto máximo a primeira aparição de Gavião Arqueiro, um membro já recrutado pela S.H.I.E.L.D que comparilhará um lugar com os membros da super equipe da Marvel.

Loki é invejoso irmão de Thor!

Mas a riquesa de elementos não pára por aí. Cada elemento posto no filme tem a sua razão de ser, metaforizando diversas situações de comportamento, relacionamento e questões existenciais.

A medida que o filme avança e a medida que os laços existentes entre o galanteador Thor e apaixonada Jane Foster vão se estreitando o vaidoso, o arrogante e orgulhoso Thor vai amadurecendo, entendo grande parte do exílio que
seu pai o obrigou a fazer.

A personalidade ascendente de Thor é confrontada pelas atitudes frias e egosistas de Loki, que como rei, torna-se autoritário e absoluto, ainda que inteligente e preciso em seus planos.

A analogia do verdadeiro poder de um rei que Odin tanto quer que os filhos entendam é grandiosa a partir do momento que Mjonir, o martelo que contém o poder de Thor, se torna a grande analogia para tal.

Para finalizar, o filme ainda transforma Thor em um mártir, algo que não só cativa, mas eterniza um herói no cinema. Percebendo que nã poderá deter as maldições de Loki em destruir o mundo dos Gigantes de Gelo, Thor decide se privar de seu amor por Jane Foster, destruindo os caminhos que ligam Asgard a outro mundos.

A ponte entre os mundos faz uma metáfora aos caminhos para se conseguir o que ama. A parir do momento que Thor a destrói, ele sacrifica seus interesses por algo maior que a própria felicidade, entendendo o verdadeiro papel de um rei.

Apesar de o espectador já saber que tal sacrifício será quebrado em Os Vingadores, é impossível não se emocionar com tal atitude, onde a perspectiva de um deus loiro fortão é substituída pela de um grande herói.

Enquanto isso, há o paralelo de Jane, que procurava respostas como cientista. Thor foi sua maior resposta, mas com a separação dos dois ela continua buscando-o, assim como o amor sempre busca continuar a conquistar a pessoa amada.

O amor por Jane Foster faz Thor desenvolver a humildade necessária para se tornar rei.

PELOS PODERES DE THOR

Certamente não foi fácil para Kenneth Branagh conceber o filme de Thor. Com tantas referências mitológicas e um visual tão fora do comum, o herói parecia impossível de se encaixar ao contexto dos outros Vingadores. Mas a adaptação foi tão bem feita, o herói que mais parecia longe da realidade, se tornou o mais crível de existência.

Apesar do contexto complexo, a combinação entre Asgard e a Terra foi ricamente ilustrada, trazendo o universo de Thor para o espectador comum como algo fascinante e animador para futuros filmes da franquia, seja junto ou separado do projeto da S.H.I.E.L.D.

Cheio de ideologia e contado da maneira como todo filme de super-herói deve ser contado, a produção mostra que Hulk pode até ser o mais forte, o Homem de Ferro o mais inteligente e o Capitão América o mais patrióta, mas nada supera o coração d’O Poderoso Thor.

RESENHA: Homem de Ferro

Meio-Homem, meio-máquina. Cada vez mais próximo da tecnologia e do mundo virtual fica cada vez mais difícil definir aonde acaba a carne e osso e aonde começa o óleo e o metal no cotidiano do ser humano. Causando furor entre fãs e não fãs de quadrinhos, o Homem de Ferro chegou em 2008 para mostrar que apesar da proximidade entre homem e máquina, não há maior inimigo para a humanidade que a si mesma.


Sempre que um novo filme baseado em histórias em quadrinhos chega às telonas há dois resultados esperados: em vista da viciada indústria do cinema de super-heróis, o filme pode ser um fracasso ou, em vista de um possível amadurecimento que espectador especialista pede, o filme pode ser um sucesso.

Somando o fato que o Homem de Ferro não é o herói mais popular das HQ’s e o mais esperado do filme seriam seus efeitos especiais inovadores foi possível, irônicamente, contar uma boa história, fazendo do filme não só um grande obra, mas um divisor de águas nos filmes do gênero.

Sob a direção do pouco badalado Jon Favreau, Homem de Ferro conta a história de Tony Stark (Robert Downey Jr) o herdeiro milionário das Indústrias Stark, companhia que fabrica os melhores armamentos militares do mundo. Além de gênio  principal mnte por trás da indústria, Tony também é conhecido por ser o maior playboy do mundo, conseguindo sempre o que quer, do jeito que quer e como quer da maneira mais irreverente possível.

Tony Stark luta contra o problema que ele mesmo criou.

Apesar de sua maneira de pensar viciada herdada do pai, onde a melhor arma não é aquela que não precisa ser usada, mas sim aquela que só precisa ser usada uma vez, a óptica de Tony muda radicalmente a partir do momento que ele é obrigado a montar uma super-armadura para fugir do cativeiro a qual foi apreendido numa ação terrorista no Afeganistão que se utilizou dos armamentos produzidos pelas Indústrias Stark para capturá-lo.

Após decidir salvar o mundo das armas que ele mesmo criou com uma poderosa combinação entre a armadura que criou e um dispositivo radioativo que substituiu seu coração, Stark ainda se vê envolvido num perigoso jogo de negócios e ambições quando seu braço direito em suas indústrias, Obadiah Stane (Jeff Bridges), se mostra um mercenário executivo que coloca seus interesses megalomaníacos na frente de qualquer vida humana.

Parecendo encenar ele mesmo, Robert Downey Jr nunca pareceu tão a vontade em um set de filmagem. Além de parecido com o personagem nos quadrinhos, o ator ainda conseguiu marcar a figura do herói na mente de espectadores acostumados com heróis mais populares, como Batman, Homem-Aranha e X-Men.

Dando vida para um personagem que convive com o conflito de um drama pessoal que o faz se sentir o culpado pelas atrocidades que as armas causam no mundo e a personalidade sagaz de um multimilionário que parece indiferente ao mundo exterior, Downey Jr. pôde oferecer ao expectador uma dose das mesmas dúvidas e perguntas que Tony Stark parece se fazer a cada cena do filme: por que a humanidade prejudica tanto a própria humanidade?

Obadiah rouba a primeira armadura construída por Stark para saciar sua sede por dinheiro e poder!

Misturando o que cada um dos filmes de heróis que a geração de 2.000 produziu, Jon Favreau combinou ação, drama e humor na medida certa, fazendo do filme de o Homem de Ferro o início de uma nova era de filme de super-heróis, onde não basta apenas colocar um ator famoso fantasiado na tela grande, mas produzir algo com consistência, algo que tanto o fã como o cinéfalo casual possam levar não apenas como diversão, mas como uma experiência única e expressiva como o cinema deve ser.

REVIEW: Gakuen Tokusou Hikaruon

Um mundo onde todas as pessoas são iguais, pensam iguais e agem iguais. Todos de face apagada, todos da mesma cor, caminhando para direções diferentes mar para chegar ao mesmo lugar. Um jovem diferente sentado ao redor de todos leva as mãos a cabeça, pensativo, desesperado por parecer ter percebido o estado de latência da sociedade. Num ato irresponsável ele sai correndo e salta a frente de um trem. Todos ao redor se espantam com a morte prematura de um estudante do colegial. É com um clima denso e pesado que começa a história de Gakuen Tokusou Hikaruon, uma mistura de anime e tokusatsu que teria tudo para gerar uma nova tendência no mercado da animação japonesa, mas que se limitou a apenas um OVA lançado em 1987.

ANIMESATSU

Mesmo que o conceito não tenha pegado, Hikaruon foi a obra que mais conceituou o termo animesatsu, um espécie de mistura dos gêneros anime e tokusatsu. Produzido, roteirizado e dirigido por Kazuhiro Ochi, mesmo diretor de Transformers e Sailor Moon, o OVA (Original Video Animation, ou seja, videos produzidos diretamente para home-video, sem passar pelo cinema ou TV) o anime prestou uma homenagem e tanto para os heróis da franquia Metal Hero de tokusatsus, além de alimentar a curiosidade dos fãs sobre como ficariam seus heróis se produzidos em traço e tinta.

Em uma primeira impressão, não é dificil que o fã fique tentando entender em qual herói Hikaruon foi baseado, isso porque o personagem tem um pouco de cada um dos cinco Metal Hero’s que o precederam. A armadura do heróis é muito similar a d’O Fantástico Jaspion, porém, as cores lembram muito o Detetive Espacial Sharivan. Até a vinheta de chamada para comercial, tão comum nesses tokusatsus, está presente em Hikaruon, mesmo esse não tendo intervalo comercial por se tratar de uma produção em vídeo.

Até o nome do personagem principal não foi escolhidoa toa. Hikaru é uma homenagem ao ator Hikaru Kurosaki, nome artistico de Seiki Kurosaki que interpretou o Jaspion em 1985.

Mesmo a ajudante do heróis não foge das similaridades com o mundo de carne e osso. A atitude de Azumi lembra muito Anri e Diana, as ajudantes de Jaspion e do Guerreiro Dimensional Spielvan, tanto em atitude como no papel que desempenhavam na história.

A transformação de Hikaruon lembra muito lembra Spielvan, mas tem traços de outras animações também.

Mas não é só do mundo do tokusatsu que Hikaruon tirou suas referências, é muito fácil assimilar a aparência do heróis a do protagonista d’Os Cavaleiros do Zodíaco, Seiya de Pégaso, mesmo que o desenhista do OVA não seja o mesmo do anime dos cavaleiros de Atena. Além da aparência, a coreografia de transformação lembra muito o traçar dos 13 pontos da constelação de Pégaso que Seiya fazia para lançar seu meteóro de Pégaso. É bom lembrar que no ano de produção de Hikaruon, foi no ano em que Os Cavaleios do Zodíaco bombavam de audiência na TV japonesa e na venda de bonecos, se uma produção conseguisse pegar o carisma que a série passava ao spectador, seria sucesso na certa.

LUZ, CÂMERA E…  SOM?

Quem assiste aos primeiros minutos de Hikaruon fica na dúvida se a produção é realmente uma espécie de tokusatsu em formato de anime, já que mesmo as histórias dos anos 80 sendo um pouco mais maduros que os do século XXI, o clima infantil e inocênte que permeia os tokusatsus estão bem distantes do início sórdido da produção.

O clima de herói em roupa metaltex só entra em sua abertura cantada por Akira Kushida, o mesmo das aberturas de Gavan, Sharivan, Sheider e de inserções em Jaspion e Spielvan. Para os ouvidos mais sensíveis, é fácil de notar a semelhança do tema de Hikaruon com o de Sharivan, em muitos momentos a vontade é começar a cantar “Shine shine shine Sharivan shine (shine!)“.

E a semelhança musical não para por aí, todas as músicas de back-ground foram recicladas dos Metal Hero’s, sendo os temas de Jaspion a comparação mais comum, principalmente durante a perseguição de carro que o herói sofre.

DETETIVE ESCOLAR

Diferente da temática a la Star Wars que os tokusatsus dos anos 80 costumavam ter, Hikaruon optou por trazer a temática dos tokusatus para um ambiente mais anime. Isso porque a primeira apareição de Hikaroun acontece quando o heróis é transferido para a escola que o garoto que se suicidou no preview da história estudava.

A trama adulta nota-se quando violência e cenas de nudez começam a ser largamente utilizadas.

Logo o clima pesado do local pode ser notado e é a YaYoi, após quase ser estuprada dentro da sala de aula, que dá detalhes do porque de tantos estudantes morrerem de medo dos alunos mais valentões.

A escola é parte de um esquema de gangues que trafica armas e drogas e comete todo tipo de barbaridade na cidade, não temendo a policia ou a justiça. Os valentões, que aparentam ter muito mais idade do que o comum para um estudante, são alguns dos líderes da gangue.

Essa temática mais adulta mostra que o público-alvo da produção, apesar de ser feita aos moldes de produções mais infantis, visa um público mais adulto, em geral aqueles que se entretinham com produções como Akira, Ghost in the Shell e outras produções cyber-punk da época. Os maltratos que Yayoi e Azumi, a ajudante de Hikaruon, sofrem durante os ataques dos vilões da história não são comuns mesmo em animes shonen, com várias cenas de nudez e animações violentas.

O sobrenatural entra na história para fechar o ciclo da mistura animesatsu, levando o enredo hard-core da cidade sem lei até os monstros sobrenaturais comuns em tokusatsus e que muito lembraram La Deus e os monstros enfrentados pelo Comando Estelar Flashman.

PORQUE NÃO PEGOU?

Apesar da qualidade excepcional para a sua época, uma história madura e conceitos que atraiam uma gama bem variada de público, Hikaruon ficou privado aos seus 30 minutos de OVA. Os motivos, apear de nunca terem sido revelados, não são muito dificeis de se entender.

Dos anos 70 para os anos 80 todos os gêneros de tokusatsu começaram a perder a audiência exorbitante que tinham em seu início, mesmo assim esse tipo de programa ainda servia para o que foram criados: vender bonecos dos heróis e alimentar a indústria de brinquedos.

As referências do anime são inúmeras, Saint Seiya é só uma delas.

Caso séries como Hikaruon se multiplicassem na TV japonesa, não seria dificil que a queda dos heróis em carne e osso chegasse ainda mais fundo.

Divagando um pouco poderia se chegar a conclusão que a indústria talvéz não perdesse com tal mudança, que houvesse apenas uma troca de foco nos produtos. Porém, a indústria do anime já estava dando conta, e muito bem, da demanda para esse segmento (os bonecos diecast de Os Cavaleiros do Zodíaco que o digam). Assim correr o risco de aumentar a concorrencia e de perder um nicho específico como o de tokusatsu não seria nada atrativo.

A impressão que dá é que Hikaruon foi uma espécie de episódio piloto que foi negada a produção devido aos problemas mercadológicos que a industria de brinquedos poderia passar, mas que mesmo assim foi lançado em formato OVA pela alta qualidade da produção, tanto em enredo, como em animação.

Os fãs agradecem, mas pedem mais.

RESENHA: O Fantástico Jaspion

Quem tem menos de 20 anos não teve a oportunidade de conhecer como era a vida de uma criança em plena transição da década de 80 para 90. Com uma economia oscilante e uma inflação exorbitante, era comum que pais e filhos tivessem como principal diversão a TV.

Como o fim-de-semana a telinha era sempre dominada pelos chefes-de-família que trabalharam duro durante a semana, restava aos pequeninos aproveitar o que a TV tinha de bom e de melhor durante os dias de semana. E que programação! Para prender a atenção da garotada a as redes de TV eram repletas de monstros, robôs gigantes e grandes super-heróis.

Mas não era só isso. Além dos convencionais desenhos animados americanos, os meados da década de 80 foram invadidos por seriados de super-heróis japoneses multi-coloridos, cheios de raios laser e técnicas de luta malabaristas. O carro chefe de todos os seriados era um herói franzino, de cabelo black-power e uma ajudante robô que até hoje é usado como referência para se referir ao povo oriental no Brasil: O Fantástico Jaspion.

O INÍCIO DE TUDO

No Brasil nunca foi preciso muita coisa para transformar uma idéia em sucesso. Reality-shows, desenhos animados, animes, redes sociais e qualquer outro gênero de entretenimento geralmente explodem no país graças um único grande título. Com os os tokusatsus não pôde ser diferente.

Tokusatsu é o neologismo que define o gênero de seriado de super-heróis japonês cheios de efeitos especiais. Quando os tokusatsu aterrisaram pela primeira vez no Brasil (com as séries Ultra, nos anos 70, na TV Tupi) o barulho não foi tão grande, mas certamente preparou o terreno para possibilitar o sucesso de Jaspion em 1886.

O visionário que trouxe Jaspion para o Brasil é o empresário Toshihiko Egashira. O decendente de família japonesa percebeu como os seriados importados (legendados) do Japão eram procurados nas locadoras especializadas em conteúdos para nipo-descendentes e viu aí uma oportunidade de mercado a ser explorada.

Fundando a Everest Vídeo, Toshi (como é popularmente conhecido) trouxe Jaspion e Changeman como “start” para o negócio, sendo iniciado como um seriado apenas para locação (agora com áudio dublado) para posteriormente ser transmitido na TV.

Mesmo sendo desacreditado por várias lojas de home-video, redes de TV e fábricas de brinquedos, todos os meios que Jaspion e Changeman entravam faziam sucesso imediato e a produção poucas vezes supria a demanda inicial. O sucesso foi tanto que a Rede Manchete começou a transmitir o seriado em horário nobre, fazendo frente com as novelas da Rede Globo e o licenciamento era tão intenso que até um circo itnerante do personagem foi montado.

PRODUÇÃO

Apesar de já estarmos acostumados com histórias que se repetem em loops infinitos nas atuais séries Power Rangers, o enredo de Jaspion prima pela sua originalidade, mesmo se comparada com outras séries do gênero e da mesma época no Japão.

O nome original da série é Kyojuu Tokusou Jaspion (em japonês: 巨獣特捜ジャスピオン) que pode ser traduzido como O nvestigador de Monstros Juspion. Peraí! Juspion? Sim! Juspion deveria ser o nome original do personagem nos países ocidentais, já que o nome do heróis é formado pela junção das palavras inglesas Justice e Champion. Porém, por motivos óbvios, os licenciadores preferiram manter a pronuncia original do nome do herói da língua japonesa.

Bom, então já que o fantástico Jaspion na verdade é um investigador de monstros, pode-se presumir que ele também seja uma espécie de detetive espacial, certo? Em partes.

No Japão, Jaspion é um tokusatsu que pertenceu a já extinta franquia dos heróis denominados Metal-Hero’s. Essa franquia foi montada pela produtora da série, a Toei Company, com o intuito inovar o conceito dos seriados de super-heróis da época, ao invés de se usar atores convencionais no papel dos heróis, a companhia decidiu utilizar os próprios dublês que faziam as cenas de ação como os atores que fariam o personagem à paisana, assim poderiam gravar várias tomadas de lutas dos heróis lutando sem a armadura.

A idéia deu muito certo, mas muito anos antes de Jaspion. O herói foi o quarto da série Metal Hero, mas o primeiro a estrelar a história sozinho. Seus três predecessores, Gavan, Sharivan e Sheidder (depois transmitidos no Brasil pela Rede Globo e Bandeirantes) integraram uma espécie de trilogia da franquia, sendo os primeiros detetives espaciais do Japão.

Quando Jaspion chegou com uma proposta similar aos de seus antecessores o público japonês passou a rejeitar o herói. Para recuperar os pontos de audiência perdidos, a idéia inicial de detetive espacial foi mudada várias vezes, sendo que o heróis teve que passar por mudanças de roteiro várias vezes até encontrar um formato que conseguisse agradar o público japonês.

A série chegou a ponto de ser quase cancelada tamanha a perda de audiência comparada a série anterior, tendo que ser mudada de horário na TV que era transmitida no Japão para se manter no ar.

Somado a isso, a série ainda passou por diversos problemas que o acaso provocou. O ator de Jaspion, Hikaru Kurosaki sofreu um acidente e teve de ficar afastado das cenas de ação por alguns episódios, sendo substituído por outros dublês. O ator de Boomerman (Boomerang no original), Hiroshi Watari, antigo ator de Sharivan, Hiroshi Watari, que foi inserido na história para resgatar o público cativo da trilogia dos detetives espaciais sofreu um grave acidente de moto e teve que se afastar completamente das gravações.

Para completar, até o visual de Hikaru Kurosaki foi mudado várias vezes. A produção tentava projetar as quedas de audiência em tudo o que poderia existir na série, inclusive no cabelo de Jaspion. O inicial (e original) black-power do ator foi cortado, penteado, alisado, arrepiado e organizado de tantas formas diferentes como nenhuma outra série na história dos tokusatsus.

A TRILHA SONORA

A trilha de tokusatsu remete muito as trilhas de Star Wars e Star Trek. Com um tom épico, as músicas tem a intenção de marcar a quem assite. Com um time que já era veterano em produções de super-heróis na época, Jaspion contou, entre outros, com os nomes de Ai Takano para os temas de abertura e encerramento e Akira Kushida para diversar músicas de inserção, das quais vale destacar o tema do robô gigante Daileon.

Abaixo você confere o tema de abertura e a música-tema de Daileon:

O ENREDO

Com tantas mudanças bruscas de roteiro já citadas, ao que parece o enredo tinha tudo para ser um fracasso não é? Pois até mesmo o crítico de ficção científica mais clássico vai concordar que a dinâmica do roteiro de Jaspion fez bem para a história.

A história começa com Jaspion, um orfão de um planeta distante sendo chamado a gruta do profeta Edin. O profeta centenário de cabelos e barbas longas previu através da leitura de parte da bíblia galáctica que o universo será destruído por um ser chamado Satan Goss (Satan Gorth, no original) que estaria cruzando o universo conquistando os planetas graças ao seu principal poder: enfurecer os seres e transformá-los em monstros incontroláveis (como já dizia o narrador da série).

Para evitar que Satan Goss costrua um império de monstros, Edin dá a Jaspion uma armadura Metaltex e uma nave que se transforma em um robô gigante (o Gigante Guerreiro Daileon) para cruzar o espaço e deter o vilão.

Nos primeiros episódios, é exatamente isso o que Jaspion faz. Vai cruzando o espaço de planeta em planeta desfazendo as desgraças causadas por Satan Goss. Talvéz o alto custo desse tipo de produção e/ou a baixa audiência provocada, tenha feito os roteiristas mudarem de idéia e trazerem Jaspion para a Terra, o antigo planeta das feras (os dinossauros) onde Satan Goss vê o local ideal para construir o centro do Império dos Monstros.

Jaspion ainda conta com a ajuda de dois seres. Anri (Kiyomi Tsukada) é uma andróide construída por Odin para “cuidar” de Jaspion, desde a sua alimentação até a observação dos perigos que afligem o universo. Miya (Atsuko Koganezawa) é um monstro-bebê espacial que Jaspion salva em uma de suas viagens interplanetárias que acabou vivendo com ele no Daileon.

As sequências da vida causal de Jaspion geralmente são divididas com as duas personagens. De um jeito extrovertido e brincalhão, Jaspion adora provocar as duas, o que gera sequências muito divertidas durante toda a série. As caras e bocas dos personagens são muito facilmente remetidas aos mangás, história em quadrinhos japonesas que prima pela variação de caricatos dos personagens.

Daileon é outro destaque. Apesar de muitas das batalhas vistas com robôs gigantes em outros tokusatsus sejam um tanto quanto cansativas e repetitivas, o robô guerreiro gigante Daileon consegue prender a atenção do espectador.Quem não e lembra do pesado chute do robô? Ou do decisório Cosmic-Laser?

Os movimentos, a construção da roupa do robô e o cenário aonde é inserido dão origem a tomadas que simulam com perfeição um robô gigante. Mesmo com efeitos especiais tão escassos da época, a impressão que dá é que Daileon realmente tem quilómetros e quilómetros de altura, efeito esse que mesmo hoje em dia, com tantos recusos digitais , muitas vezes não conseguem ser muito bem simulados.

É bom lembrar que Jaspion é um seriado produzido para um público infantil, mas não é bom deixar de considerar que o ano de produção de Jaspion (1985) era um época em que os seriados de ficção científica (Star Wars, Star Trek, Lost in the Space) estavam em alta também, assim conclui-se que a equipe de produção de Jaspion tinha verdadeira paixão por esse gênero e tentavam refleti-los em seus seriados tokusatsu, o que atraia também espectadores de idade mais adulta.

Assim, durante toda a série, é possível notar a troca de valores de um programa infantil com as saídas pseudo-científicas que justificam a concepção de cada monstro que Jaspion luta. Apesar de nitidamente notar que a vinda de Jaspion para a Terra era sair um pouco desse estilo de ficção científica, a vinda do herói foi positiva. Por se tratar de uma série infantil, é importante que a participação de crianças na história seja constante, e a Terra é o ambiente ideal para isso.

A história segue com a chegada do drama de Boomerman, que se torna o melhor amigo e companheiro de Jaspion na luta contra Satan Goss, que começa a trazer matadores de toda a galáxia para ajudar deus filho MacGaren (Mad Galant, no original), a deter o herói de metaltex. Com a saída do personagem novamente o enredo precisou passar por mudanças bruscas, talvéz a melhor que Jaspion teve.

Edin, descobre novas partes da Bíblia Galáctica e revela a Jaspion que (surpresa!) a salvação do universo estava mesmo na Terra. Começa a busca pelo pássaro dourado, o ser que será capaz de dar poderes a Jaspion para que ele consiga enfrentar Satan Goss de igual para igual e deter suas ambições megalomaniacas.

Essa constante troca de focos para a história é verdadeiramente benéfica. A dinâmica de Jaspion faz com que a história se diferencie do resto dos tokusatsus, criando um enredo que vai evoluindo conforme o passar dos episódios. O pássaro dourado, apesar de parecer uma espécie de plano B dos roteiristas, transformou Jaspion numa história original que foge do marasmo de muitas séries de seus gênero. Avaliando a história como um todo, mesmo a troca de personalidade de Jaspion pode ser atribuídas ao seu amadurecimento devido aos dramas que vai vivendo durante a série.

O PRODUTO NACIONAL

Jaspion teve seu apogeu quando foi transmitido pela Rede Manchete a partir de 1988 até meados de 1994. Já entre agosto de 1994 e dezembro de 1995, foi exibida pela Rede Record, continuando a manter ótimos índices de audiência. Posteriormente, em 1997, foi transmitida pela CNT/Gazeta.

Hoje, a série pode ser encontrada em diversas lojas e magazines numa edição caprichada produzida em DVD pela Focus Filmes desde 2007. Jaspion foi a primeira investida da empresa no ramo de tokusatsus da empresa e até hoje é um dos títulos mais vendidos da empresa.

Separada em 10 discos avulsos ou em 2 boxes digistak com 5 discos cada, o título ainda ganhou uma edição de colecionador, com uma lata para guardar os dois boxes e um boneco comemorativo. Tanto a arte de capa dos discos, como as dos boxes e da lata ficaram magníficas, com fundos que remetem a estrutura de Daileon. Apenas o boneco sofreu muitas críticas. A própria Focus disse que havia recusado o primeiro modelo do boneco, mas acabou por optando por ele para não atrasar com a entrega prometida aos consumidores.

A qualidade do áudio e da imagem surpreendem, levando em conideração que a série data de mais de 25 anos. O tratamento da imagem para ser transmitida digitalmente ficou excelente e o audio original tão bom quanto.

O destaque vai para o conteúdo exclusivo do Brasil. Primeiro a faixa de áudio em português foram tiradas das fitas originais u-matic do licenciante original, num estado tão bom quanto a qualidade do áudio japonês. Segundo, os três primeiros discos trazem uma faixa de áudio-comentários com Ricardo Cruz e outras figuras pop da mídia especialista em tokusatsu no Brasil, além de uma entrevista com Toshihiko Egashira.

ENFIM, VALE A PENA?

Ao se deparar com Jaspion a primeira imagem que se é levada a mente é de uma produção tosca, com efeitos especiais de segunda, e seres fantásticos muito espalhafatosos. Mas isso acontece apenas num primeiro momento. A partir da hora que o epectador topa em assistir ao seriado pensando na mensagem que a produção queria passar a partir dos recursos que tinham, essa impressão viciada passa.

Talvéz, mesmo sem topar em fazê-lo, Jaspion consegue conquistar até mesmo os corações mais resistentes. A força do herói somada a graça e a inocência que integram o personagem, cativa. Assim como o seriado mexicano Chaves, Jaspion transmite uma história simples, de fácil entendimento, leve mas muito inteligente.

Aos pequenos, a imagem do herói que a tudo salva fica marcado na memória. Aos adultos, a mensagem de superação e companheirismo somadas a uma história de ficção científica sem complicações gera reflexão e relaxamento.

São poucos os heróis que conseguem marcar o significado de HERÓI tanto como Jaspion. Diferente da hesitação vista em muitos dos atuais filmes de hollywood que retratam os heróis dos comics, Jaspion resgata o herói simples que supera limites que é tão necessário na formação de qualquer ser humano.

Após assistir 46 episódios de pura ação e aventura, o espectador vai perceber que Jaspion não é um mero devetive espacial de monstros, ele é realmente FANTÁSTICO!

No início, Jaspion morava com Edin num planeta muito longe da Terra.

Anri e Jaspion dentro de Daileon em sua forma de nave.

JAM Project grava a música Hero em português!

Desde meados de 2009, Ricardo Cruz havia anunciado em seu blog que o JAM Project havia gravado uma versão em português da música Hero, que já havia recebido uma versão em inglês. A gravação foi realizada enquanto Cruz estava realizando junto com a banda a turnê Hurricane Tour 2009 pelo Japão e alguns países da Ásia.

Muito se especulou se a música seria ou não lançadas, já que desde o anúncio, diversos singles e até mesmo dois ábuns completos foram lançados e nada da música na língua brazuca aparecer nos CDs.

Finalmente em 2010, foi anunciado o box JAM Project 10th Anniversary Complete BOX, uma coletânea com 12 discos incluindo todos os albuns que a banda já havia lançado e mais alguns exclusivos. Entre eles o disco 8 trazia diversas músicas da banda em línguas diferentes, incluindo a tão aguardada Hero em português.

Confira agora o video da música com karaokê para poder aprender a letra e sair cantarolando por aí:

A atual formaçãodo JAM Project é:

Hironobu Kageyama: cantor dos temas de abertura de Changeman, Dragon Ball Z, Os Cavaleiros do Zodiaco, Sonic X entre outros. É conhecido como o Príncipe dos Animesong’s e é o líder do JAM Project.

Masaaki Endoh: cantor dos temas de Abaranger, Ecogainder, Street Fighter Victory, entre outros. É conhecido como o Leão dos Animesong’s.

Hiroshi Kitadani: cantor dos temas de abertura de One Piece, Ryukendo, entre outros. Foi o vocalista da banda de J-Rock Lapis Lazuli

Masami Okui: cantora dos temas de abertura de Slayers, Utena, Yu-Gi-Oh, entre outros. É colunista da revista Newtype, uma das mais populare publicações de animação no Japão.

Yoshiki Fukuyama: Cantor dos temas de Macross 7, entre outros. Faz os arranjos em Heavy Metal do JAM Project e já foi o vocalista da banda Fire Bomber.

Ricardo Cruz: Cantor dos temas de abertura brasileiro de Hunter X Hunter e Os Cavaleiros do Zodíaco Hades Inferno. Já foi o vocalista da banda Wasabi, redator da editora Conrad, tradutor de mangás e atualmente é o editor da revista musical Sax.

_ _ _ _ _ _

Comentário Davi Jr.: é incrível como o JAM Project mostra uma capacidade incrível de se superar a cada nova gravação. Hero é um exemplo de garra, dedicação e sonhos tão batalhados pela banda desde a sua formação.Imagine a dificuldade de japoneses cantando uma música em português, uma das línguas mais dificeis de se falar no mundo! Mesmo apesar dessa dificuldade a sonoridade da música ficou excelente!

A letra composta por Ricardo Cruz é fantástica! Dificil de ser expressada com palavras. Apenas os fãs de super heróis podem entender o sentimento infantil resgatado pela música. São sentimentos que superam o limiar da razão e atingem sonhos adormecidos a tempos.

Essa música mais uma vez como o JAM Project vem cruzando fronteiras e se tornando uma banda cada vez mais internacional. Uma banda que tem nichos de públicos em diversos localidades do globo e que os trata com os mesmos privilégios dos fãs de seu país natal.

Após uma década de banda e diversas formações, a banda se mostra cada vez mais sucesso e produzindo músicas de qualidade inigualável. Parabéns JAM Project. Parabéns Ricardo Cruz.

Review: Super Herói – o filme

Título original: Superhero Movie
Elenco:
Drake Bell, Regina Hall, Sara Paxton, Christopher McDonald, Pamela Anderson, Tracy Morgan.
Direção: Craig Mazin
Gênero: Comédia
Duração: 95 min.
Distribuidora: Imagem Filmes
Ano: 2008

Se aproveitando de uma tendência do cinema contemporâneo, Craig Mazin, Robert K. Weiss e David Zucker, (“os mesmos caras” que produziram a trilogia Todo Mundo em Pânico, “Scarry Movie” no original), criaram o Libélula, o astro do, como o próprio slogan mostra, “melhor filme de super-herói de todos os tempos! (Sem contar Batman, Super-Homem, Homem Aranha, X-Men, O Quarteto Fantástico, Mulher Maravilha, Hulk, Homem de Ferro, Demolidor, Capitão América, Jaspion, Power Rangers, He-Man, She-Ra….).

O filme conta a história de Rick Riker (Drake Bell) que após ser picado por uma libélula geneticamente alterada ganha habilidades sobre-humanas e decide então usar seus superpoderes para o bem e transforma-se em O Libélula. Seu caminho cruza com o supervilão Ampulheta (Christopher McDonald ) que usa seu poder para roubar a fonte de vida das pessoas na sua busca incansável pela imortalidade.

O Libélula bancando o Homem-Aranha.

Gravado no estúdio Dimension Filmes e distribuído pela MGM, a estratégia do filme é puramente comercial. O filme satiriza os filmes de maior bilheteria dos últimos anos, os filmes baseados nos heróis americanos de histórias em quadrinhos. O próprio protagonista consegue seus poderes do mesmo jeito que o Homem-Aranha, seus pais morreram como os do Batman, e ele vai estudar na mesma escola de mutantes dos X-Men.

O filme, que teve um orçamento de US$35.000.000,00 de dólares, focou num nicho que, a cada seis meses, desde a estréia de X-Men, deseja um novo filme de “Bem VS. Mal” no cinema. Foi uma oportunidade de vender um filme desse mesmo estilo sem ter que fazer parcerias milionárias com as respectivas editoras detentoras dos direitos autorais de heróis e sem se preocupar com uma crítica massiva de fãs que querem ver filmes fiéis ao enredo original dos quadrinhos.

O Libélula é uma mistura de enredo básico dos super-heróis.

O filme também tem seu lado de crítica social. Assim como o seriado mexicano Chapolin Colorado, o filme põe em questão o que é ser um super-herói, mostrando os defeitos que cada ser humano tem e ao mesmo tempo faz uma crítica às fórmulas manjadas usadas no cinema.

Apesar de seus sentidos aguçados e capacidades incríveis, não são suas habilidades especiais que torna o protagonista do filme um super-herói. O Libélula retrata a pessoa comum, que tentando fazer algo incomum pode fazer toda a diferença no mundo. Atitude a qual pode ser considerada o verdadeiro super-poder do ser humano comum.