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RESENHA: Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força

O que é o novo e o que é o velho quando um choque de gerações se une num mesmo propósito numa mistura de expectativas, aspirações e pontos de vista? O que é o novo e o que é o velho quando não importa qual seja o estilo, a origem ou o destino, mas sim a mensagem final? O que é o novo e o que é o velho quando até mesmo o novo e o velho são contestados quanto a sua ordem cronológica? Meus caros, a resposta para tudo isso é Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força.

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CATANDO LIXO

Interessante notar como a relação do público com os efeitos especiais do cinema muda em um sistema cíclico muito próximo do das artes audio-visuais e literárias. Ainda nos anos 70, George Lucas criou diversas tecnologias e sistemas de filmagem para dar vida a sua ópera espacial, e depois, nos anos 2000, o visionário diretor se entregou a tecnologia do chromakey para usar a computação gráfica como principal recurso para moldar seu rico universo. Em ambos os casos, o diretor estava na vanguarda dos efeitos especiais, utilizando ao máximo os recursos que tinha em mãos.

Mas dez anos após encerrar a exibição do Episódio III no cinema, a exigência do público é outra: a galeria de universos criados por meio dos panos verdes soa preguiçosa por expectadores que valorizam os efeitos práticos de diretores como Christopher Nolan (da trilogia Batman – O Cavaleiros das Trevas) que usam técnicas muito mais próximas das que Lucas utilizou nos anos 80 do que das modernas artes que o After Effects pode produzir. É para estes cinéfilos que foi criado Star Wars – O Despertar da Força.

Referência no mundo dos efeitos visuais, a Lucas Film caiu como um tesouro para Disney, que soube avaliar exatamente como tratar o público fanáticos pelo universo de seu visionário fundador quando entregou Star Wars nas mãos de J.J. Abrams, o aclamado diretor de Lost, Alias e Star Trek: Nova Geração.

 

Aventura é a palavra chave do filme!

Aventura é a palavra chave do filme!

Atento as exigências de mercado e declaradamente fã da maior franquia espacial dos cinemas, Abrams desde o início mostrou que estava pensando com a cabeça do antigo George Lucas, criando cenários com materiais de verdade, arquitetando robôs inusitados que funcionam no mundo real e fazendo atores caminhar por areias e florestas a fim que estes sentissem na pele as dificuldades dos personagens.

Estes conceitos importados de não muito muito tempo atrás, mas já nostálgico, resume-se bem na protagonista de O Despertar da Força: Rey é uma catadora de lixo, que explora máquinas e veículos perdidos e soterrados no inóspito planeta Jakku para trocar maquinário reciclado por comida. Forte, independente e inteligente, a personagem ainda representa muito bem a atual geração de fãs de Jogos Vorazes que valorizam personagens femininas que em nada deixam a dever para os famigerados protagonistas masculinos das obras de aventura clássicas. Interpretada magnificamente pela Daisy Ridler, a personagem quebrou tabus ao mesmo tempo que cumpriu os desejos dos fãs.

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Até mesmo o seu companheiro BB-8 é um símbolo da união do velho com o novo. Enquanto a cabeça do robozinho parece muito com os traços do andróide R2-D2, seu corpo redondo é umas inovação no designs dos maquinários quadradões da obra, além, claro, de fazer parecer impossível sua existência para a física de Isaac Newton.

Junto com Rey, J.J. Abrams ainda “reciclou” uma outra classe de personagem para formar o casal de protagonistas da história: Finn é um Storm Trooper rebelde. Soldados que herdaram a obediência e severidade dos clones das Guerras Clônicas, os Storm Troopers sempre tiveram um visual muito bem aproveitado nos produtos licenciados, mas sempre deixados de lado na trama dos 6 longas da franquia, fazendo apenas o papel dos “bonecos de massa” que aparecem, cumprem a sua função (seja ela perder ou vencer) e vão embora.

Finn (ou FN-2187, como era conhecido como Storm Trooper) rompe o paradigma dos soldados sem desejos próprios e cria uma trama original a partir de um elemento clássico. Junto com Rey, o casal se mostra digno do legado da franquia, com uma “química” incrível, que além de conquistar o expectador, instiga os fãs a quererem saber mais dos personagens. Enquanto Finn protaoniza momentos hilários e ao mesmo tempo de superação, as descobertas e as revelações sobre Rey é o que mais impressiona no filme. O talentoso Oscar Isaac mostoru-se o mais carismático da história (ok, depois do BB-8) e foi a escolha ideal para a proposta ideológica do personagem.

Finn é o mais carismático!

Finn é o mais carismático!

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

É claro que presenciar a criação de novos elementos, ainda mais quando muito bem feitos, para uma série clássica é muito realizador. Mas o efeito nostálgico que a presença dos antigos personagens causam são fenomenais. Se no trailer a aparição de Han Solo e Shewbacca já arrepiou os fãs, no cinema ele consegue até tirar lágrimas em cenas que fazem referências muito fortes aos seus antecessores.

Como um todo, O Despertar da Força segue muito a linha criativa do Episódio IV: Uma Nova Esperança. Apresenta os personagens, apresenta o vilão e através de um mentor mostra por que os protagonistas podem quebrar o “status quo” do cenário estabelecido.

É por meio de Han Solo que Rey e Finn descobrem que as lendas sobre Jedis e combates épicos para destruir as Estrelas da Morte são reais e é também por ele que o expectador passa a entender melhor quais são os perigos que passam a Nova República instaurada por Leia e Luke com a criação de um grupo que herdou os desejos dos Sith e de Darth Vader: a Primeira Ordem.

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

E se os fãs acharam que Harrison Ford não daria conta do seu papel (mesmo quebrando a perna durante as gravações), o ator se mostrou peça chave em toda a trama, estando presente em mais de 80% do filme. De estilo debochado e um romântico canalha, impossível não se emocionar em sua cena com Leia (interpretada pela sempre bela Carrie Fisher), que mais uma vez, parecem ter sido feitos um para o outro tamanha as diferenças que aproximam o casal. Destaque total para a atuação do ator, que mesmo sem ser Jedi, se mostrou um verdadeiro mestre da sétima arte.

Até mesmo o maior desafio do filme foi cumprido. Apesar deixar para os próximos filmes o desenvolvimento do Líder Supremo Snoke (que aliás aparece aos seus subordinados no maior estilo vilão de tokusatsu), Kylo Ren se mostrou um vilão digno de ser odiado.

De personalidade fraca e por vezes oscilante, o rebelde sem causa interpretado muito bem por Adam Driver transita entre aclamado e odiado pelos expectadores por diversas vezes, visto que o personagem é exatamente o retrato de um corte do cordão umbilical com a hexalogia original. Se por vezes, este pareceu indigno do legado de Darth Vader, não há fã no cinema que não torça entusiasticamente para que o vilão seja derrotado em sua batalha final, visto o quão dramático é o seu climax.

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Além disso, o fato de todos da Nova República conferirem a Luke Skywalker a última esperança para vencer a Primeira Ordem, faz que o filme todo tenha um tom de mistério acerca do paradeiro do grande herói da Aliança Rebelde, fazendo com que os fãs fiquem teorizando, durante o filme, a partir das informações passadas, como o último jedi vai aparecer. E o resultado faz muito bonito!

UM NOVO ÉPICO

Explorando cenários diversos como desertos, gelo e florestas, todos os lugares clássicos da hexalogia se fizeram presentes no novo filme. Somando com personagens, atores, máquinas e batalhas especiais de tirar o fôlego, J. J. Abrams se mostrou, além de fã, um diretor tão visionário quanto George Lucas, fazendo com que todos os fãs não possam imaginar melhor mente criativa para tomar conta da franquia.

Como foco na aventura e na trama individual de cada personagem, o longa deixa a trama política às margens de um contexto simples e claro como nos anos 80, mas tão profundo e interessante de ser explorados em outros meios como livros, desenhos animados e games como na trilogia dos anos 2.000.

Essa cena já nasceu clássica!

Essa cena já nasceu clássica!

Um verdadeiro encontro de gerações, o filme respeita o legado de Star Wars ao mesmo tempo que apresenta um rico universo para os fãs de primeira viagem. Apesar de ser muito mais interessante assistir ao longa depois de ter visto os outros seis filmes da franquia, qualquer um que se arrisque a começar sua história com o Episódio VII vai se deliciar com o ritmo frenético dos acontecimentos e de seus três atos muito bem definidos.

Com um final extasiante e cheio de reviravoltas, todos os fãs que sentarem na sala de cinema para contemplar essa verdadeira obra-prima do cinema contemporâneo vão concordar com o mesmo ponto: não importa se é novo, velho, contemporâneo, noir, clássico ou fora de paradigma, Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força é o resultado de uma legado que traz novamente aquela torcida pelo mocinho, a rivalidade com o vilão e a emoção de uma luta entre o bem e o mal tão inocente que só um universo de muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante é capaz de trazer!

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Leia também na Salada Web: Review de Star Wars – O Despertar da Força!

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Parada Cosplay levou os maiores heróis do planeta à 31ª Festa da Uva de Jundiaí!

Com nove dias das mais variadas atrações de entretenimento, cultura e tradição, a Festa da Uva de Jundiaí, tradicionalmente realizada no Parque Antonio Carbonari na Avenida 9 de Julho, começou sua 31ª edição com muitas atrações voltadas para a família do jundiaiense.

Entre as diversas áreas temáticas dos eventos, diversas intervenções artísticas vão ocorrendo em diversas partes do local do evento, sendo que o destaque da tarde do primeiro sábado, dia 1º de fevereiro, foi a engenhosa Parada Cosplay.

Organizada pela mesma equipe que realizou o evento Jund Comics no Museu Solar do Barão em Novembro de 2013 e apoiada pela Cia de Teatro Techniatto, a atração trouxe heróis, vilões, princesas e diversos personagens dos quadrinhos, cinema, games, animes e mangás para o Parque da Uva, encantando crianças e realizando o sonho de muitos adultos.

Contando com fãs oriundos de Jundiaí e região, além de São Paulo, Guarulhos e Campinas, a parada reuniu cerca de 50 cosplayers que trouxeram a arte de representar seus personagens favoritos em cada canto da Festa da Uva.

Entre os personagens mais famosos, era possível conferir desde os clássicos da Disney, DC e Marvel Comics até fenômenos recentes da cultura pop, como Dragon Ball, Pokémon, Super Mario e o ícone dos anos 90 Os Cavaleiros do Zodíaco.

Divertindo a tudo e a todos, a Parada Cosplay marcou mais uma vez a Festa da Uva, deixando sua arte como atração e sua alegria como a lembrança dos sonhos dos heróis de nossa infância!

Confira abaixo as fotos tiradas pelo fotógrafo Sander Jr:

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RESENHA: Wall•E

O futuro sempre atraiu a curiosidade e as mais diversas projeções de videntes, cientistas e apostadores. Desde os mais otimistas até os mais apocalípticos, clássicos da literatura e do fanatismo se misturam e aos poucos começam a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Misturando terror e ternura, Wall•E traz uma visão de futuro tão presente quanto palpável nos dias de hoje.

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DE OLHO NO FUTURO

Uma das maiores vantagens da Pixar sob seus inúmeros concorrentes que passaram a produzir longa-metragens animados após o barateamento e a otimização de produção que a computação gráfica trouxe ao setor, foi produzir filmes maduros para crianças, conseguindo assim atingir seu público-alvo ao mesmo tempo que ganha uma gama de admiradores jovens e adultos, que compreendem a linguagem animada ao mesmo tempo que refletem com a mensagem falada.

Mas em 2008, a Pixar decidiu atingir seus dois nichos de público por meio de uma linguagem universal, porém complexa: o cinema mudo. Assim como nas épocas de Charlie Chaplin, o novo longa do estúdio irmão da Disney nasceu sob uma perpectiva um tanto quanto audaciosa, fazendo uso da expressão corporal dos personagens e da trilha sonora para contar a sua história.

Mais audacioso ainda, foi a criação dos personagens. Tendo um robô como protagonista e uma barata como coadjuvante, o clima do filme pode parecer longe de ser um filme com apelo infantil. Porém, a estrutura criada em torno das ações dos personagens fez com que as explosões, jogos de luzes e ritmo alucinante de produções do tipo fossem totalmente descartáveis visto o tipo de interação que os dois personagens foram capazes de criar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

E como se não bastasse, a Pixar ainda incluiu uma temática não comum dos filmes infantis. Apesar de o futuro ter sido o pano de fundo de milhares de desenhos animados no século XXI (quem não se lembra de Os Jetsons), foi a primeira vez que um longa infantil abordou uma visão mais apocaliptica, abandonando a projeção debochada do presente que sempre foi comum nos desenhos animados para efetivamente falar de uma possibilidade de futuro.

Nascia Wall•E.

COMPACTANDO LIXO

Com uma proposta tão audaciosa quanto a tentativa de pronunciar o nome do personagem, Wall•E conta a história de um robô compactador de lixo movida a energia solar, uma máquina muito comum daqui há alguns anos. A diferença deste para um outro robô qualquer, é que ele é o último exemplar de seu segmento ainda em funcionamento.  Na verdade ele é uma das únicas coisas que se pode considerar viva na Terra, já que toda a humanidade foi obrigada a deixar o planeta após sobrecarregar-lo com lixo, que já estava sendo enviado para o espaço tamanha a falta de espaço que tolerasse a produção dos humanos.

Programado para coletar, agrupar, compactar e organizar o lixo, Wall•E passa todos os seus dias em uma rotina secular, tentando organizar todo o lixo da Terra como se fosse mais um de seus dias. Porém, a influência de uma vida rotineira e um possível chip de inteligência artificial comum em filmes de ficção científica mas que não é citado no filme, fez com que o personagem ganhasse sentimentos, se emocionando com filmes antigos, colecionando alguns tipos de lixos, ganhando algumas manias e fazendo amizade com a única raça sobrevivente do planeta: uma barata.

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

A vida do pequeno robô muda quando este finalmente pode experimentar aquilo que tanto viu nos romances dos anos 50: se apaixonar por um robô de raça superior vinda do espaço para fazer a varredura do planeta Terra e verificar se o planeta pode ser repovoado por humanos. Humanos os quais vivem aprisionados por 700 anos em uma nave interplanetária capaz de gerar comida, água e entretenimento para humanos que não mais necessitam se esforçar para ter o que querem, se tornando sedentários, obesos e dependentes de máquinas até para se locomover.

Envolto de um problemático esquema em que máquina e homem interagem em uma relação onde a própria vontade do homem tenta se sobrepor as suas necessidades primordiais  Wall•E e Eva, a robô de reconhecimento, se apaixonam ao mesmo tempo que vão apresentando um futuro medonho e sem iniciativa humana, deixado a mercê das máquinas para dar conforto ao homem, que aprendeu a desaprender construir seu futuro.

UM CLÁSSICO DO FUTURISMO

Assistindo ao filme, o espectador parece realmente transportado para o século XXII, um futuro não tão distante assim. Com efeitos de primeira linha, por diversas vezes é difícil acreditar que o que vemos em tela é computação gráfica e não a própria visão do de um futuro real filmado por câmeras atemporais!

Os robôs também amam!  Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Os robôs também amam! Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Uma obra-prima do cinema, a produção é a perfeita personificação do que chama-se de sétima arte. Utilizando-se de toda a herança que os grandes diretores e atores de live-action e animação deixaram como legado, o longa é uma verdadeira pintura gráfica com a emoção de um romance, a imaginação da ficção científica, a inocência da comédia, a arte do cinema mudo e a crítica de um documentário.

Deixando uma mensagem altamente reflexiva para adultos e consciente para as crianças, Wall•E se juntou aos grandes nomes da ficção científica como Adorável Mundo Novo, 1984 e Eu, Robô, se tornando um clássico em montar perspectivas do futuro da humanidade. O filme é a incorporação da essência dos grandes romances da literatura, utilizando uma linguagem contemporânea que coloca o ser humano como agente de seu futuro ao mesmo tempo que sintetiza como suas soluções para problemas podem ser tão ou mais danosos que os próprios problemas que ele mesmo causa.

RESENHA: Detona Ralph

Se ser herói é um trabalho que exige esforço e dedicação constante, superando barreiras a cada dia, torna-se ainda mais tortuoso o caminho que leva um vilão a continuar desafiando o herói a medida que o tempo e o espaço se modificam a sua volta e a derrota se torna uma constante. Em Detona Ralph, o espectador é levado a conhecer o quão heroi um vilão pode se tornar quando ser mal é algo bom.

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DISNEY EM CG

Desde o nascimento da produtora, a Pixar se solidificou como a maior representante das produções em computação gráfica de Hollywood e um dos maiores fatores por todo esse sucesso não é outra senão a Disney. Assim, quando os estúdios do Mickey resolvem por si mesmo fazer uma animação em CG, sempre fica uma aresta que faz levar a crer que a produção é da Pixar e não da Disney.

Seja Dinossauros, Bolt ou Enrolados, por mais que as características do estúdio sejam latentes, o jeito Pixar de fazer animação já está tão atrelado à Disney, que cada vez mais ambos os estúdios parecem se fundir em um mesmo resultado.

Mas não há animação que mais reflita isso que a exibida no início de 2013 nos cinemas de todo o mundo. Detona Ralph não só é um filme com a “cara” da Pixar, como também é a soma de todos os resultados positivos que o estúdio conseguiu em todos os seus filmes, só que usado pela Disney.

Usando a mescla do sensível com o horror de Monstros SA, o ritmo de Procurando Nemo, as premissas de Toy Story e o oportunismo mercadológico de Carros, a Disney produziu um longa próprio de se tirar o chapéu de cowboy, fazendo de Detona Ralph um filme que não deixa escapar nenhum público-alvo do cinema.

SÓ QUERO SER UM HERÓI

“Eu sou mau e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não há ninguém que eu queria ser além de mim.”

É com esse juramento em uma sala repleta de vilões que milhares de fãs de video-games voltaram seus olhos para o filme da Disney. Com um apelo que pega carona com o sucesso de vários personagens da Nintendo, Sega, Capcom, Konami, entre outras produtoras de jogos eletrônicos presentes na história, Ralph já começou detonando.

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

Com cara de mau, mas ainda assim muito carismático, Ralph é o vilão do jogo Concerta Tudo Félix Jr, jogo dos anos 80 que faz uma perfeita analogia ao primeiro jogo de Mario, o célebre mascote da Nintendo. Frustrado por mais de 30 anos acabar sempre na pior no fim do jogo, Ralph decide conseguir uma medalha fora do seu jogo após ser desafiado por um dos personagens secundários que Félix Jr. salvou.

A partir daí o universo começa a ser construído  toda a loja de games onde os consoles e arcades dos games ficam, são conectados através dos fios de eletricidade, dando aos personagens do jogo a liberdade de transitarem por entre os jogos quando não tem nenhum jogador por perto. Algo muito semelhante ao que faziam os brinquedos de Toy Story na casa de Andy.

Mas errado está quem pensa que a história do jogo basta apenas por mostrar diversos cenários em três dimensões dos games. Ao conhecer de um jeito nada convidativo a pequena Vanellope von Schweetz, um bug do jogo Sugar Rush, Ralph desenvolve um relação de amizade com ela, mesmo após ambos tentarem passar a perna no outro devidos aos seus interesses particulares.

Em um ritmo alucinante onde novas informações e novas situações são criadas a todo o momento, as crianças não conseguem tirar os olhos da tela, enquanto os mais velhos começar a relembrar personagens do passado e a teorizar e sistematizar todo o universo dos games inserido ao contexto do filme, que se completa a cada dedução, deixando o filme sem arestas a serem preenchidas, devido ao cuidadoso trabalho dos roteiristas ao construir o cenário do filme.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Se o contraponto físico entre Ralph e Vanellope é abordado em um lado do filme, é na doce relação emocional de Félix e da destrutiva Sargento Calhoun, comandante do jogo Hero’s Duty, que precisa impedir que um vírus se espalhe pelo sistema do Sugar Sugar Racing, que a Disney se deu a oportunidade de explorar vários nichos de piadas, que divertem as crianças e surpreendem os adultos e fãs de games.

UM MARTELO DE OURO DADO PELO PAI!

Assim como o martelo que concerta tudo que o master carismático Félix, a Disney construiu uma obra-prima das animações em CG com Detona Ralph, aproveitando todas as lições que a Pixar sofreu no decorrer dos anos e se aproveitando do interesse exponencial por personagens da nova e da antiga geração que os a disputa mercadológica entre o Nintendo Wii e o Playstation 3 geraram entre jogadores de todas as idades.

A temática é atual e muito bem aproveitada, transcendendo os limites de uma animação a primeira vista simplista, levando o espectador a refletir sob como se comportam as pessoas a sua volta quando seus desejos estão em jogo, fazendo do bem e o mau, simples nomenclaturas que variam de acordo com as máscaras que vestem na disputada sociedade contemporânea.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Com referências dadas nas horas certas, uma dublagem de primeira com as vozes do sobrinho de Silvio Santos, Thiago Abravanel, como Ralph e da VJ Marimoon como Vanellope, Detona Ralph pode ser considerado um divisor de águas para as animações em CG da Disney, conseguindo surpreender o público com uma história cativante, carismática e cheia de potencial para ter várias continuações!

RESENHA: Procurando Nemo

Uma mãe é vítima de um assassinato que leva também a vida de todos os seus filhos, exceto um deles, que ficou com um problema em um dos membros devido ao acontecido. Agora cabe ao pai temeroso do mundo, criar seu curioso filho a se aventurar por todo o mar. Com uma premissa extremamente trágica, Procurando Nemo mostrou o que um filme infantil precisa ter para se tornar um clássico: carisma e inteligência para crianças e adultos.

ANEMONA

Quando a Pixar iniciou sua parceria com a Disney e deu origem a Toy Story e Vida de Inseto, o cinema animado passou por uma grande transformação: a criatividade, a magia e o legado que a animação tradicional tiveram nas Eras de Ouro (com Walt Disney) e de Prata (anos 90) estavam deixando de existir, e a empresa de John Lasseter se tornou referência na arte do cinema infantil, e como eles são produzidos.

Se em Monstros S.A. pareceu uma investida contra a DreamWorks que entrava num mercado com Shrek em um segmento até então dominado pela Disney e pela Pixar, foi em 2003 que a produtora deu origem a um dos maiores clássicos que o cinema já teve: Procurando Nemo.

Assim como em seus quatro longas anteriores, a composição dos personagens começaram com o desafio de passar ao espectador algo autêntico, já que animar seres humanos sempre  pareceu um apelo ao corte de atores reais na famigerada indústria do dólar do cinema criar um filme com humanos animados.

Levando ao cinema toda a beleza e os mistérios dos mares, personagens dos mais diversos tipos e composições foram sendo desenvolvidos, humanizando peixes e outros seres humanos em um composto que, ao se observar, retratam os mais diversos biótipos e etnias da cultura americana e mundial.

Marlin é a racionaliza tudo. Dory simplifica tudo.

Para os protagonistas, escolheu-se um dos peixes mais carismáticos mas até então, pouco populares: o peixe-palhaço. Para o cenário, nada melhor que o próprio habitat do peixe que, não coincidentemente, apresenta toda a diversidade de espécies para a Pixar trabalhar todos os tipos de personagens que desejasse.

P. SHERMAN 42 WALLABY WAY, SIDNEY

Nemo, um filhote de peixe-palhaço que perdeu a mãe, todos os seus irmãos, ainda em ovas prestes a nascer, e o movimento de uma de suas nadadeiras em um ataque de uma barracuda. Por sua idade e por seu pouco conhecimento de mundo, o personagem não tem muita noção do perigo e é a própria caracterização da inocência.

Marlin, o pai de Nemo vive traumatizado com os perigos do mar desde o incidente com sua esposa, sempre privando sua cria de fazer o que ele quer em nome de sua segurança. Cheio de tiques nervosas e manias provocadas pelo medo, Marlin se torna um personagem frustrado e com pouca vontade de novidades, inclusive quase impedindo o filho de frequentar a escola de peixes.

Logo no primeiro dia de aula, Nemo acaba sendo capturado por um mergulhador enquanto tentava provar ao pai que tem a maturidade suficiente para nadar em mar aberto, o que o leva até um aquário no consultório de dentista.

Gill inspira Nemo a ter iniciativa própria.

Enquanto Nemo conhece os mais diversos peixes comprados em lojas de animais e capturados no mar que desejam a liberdade de viver no mar, Marlin parte em uma jornada atravessando todo o mar da Austrália para recuperar o filho. Desesperado e até certo ponto descrente de conseguir reencontrar o filho, suas primeiras nadadas mais parecem um salto para a morte, colocando-se frente a tudo o que medo. Mas aí aparece Dory.

Dory deve ser o único peixe dos mares da Austrália inocente o suficiente para acreditar na busca de Marlin em reencontrar o filho e acaba sendo o estímulo não só necessário, mas crucial para Marlin não desistisse de reencontrar o filho.

Dona de um carisma sem igual, a personagem é a principal destaque do filme. Sofrendo de “perda de memória recente”, ela muitas vezes encara estar com Marlin como uma novidade, o que sempre há motiva a fazer as coisas novas que Marlin tanto teme.

A personagem é a que a Pixar mais pôde desenvolver diálogos interessantes e inteligentes por todo o filme, pois sua inocência acima da média permite não só o comportamento infantil, como a criação de seqüências inesquecíveis, como a fluência da personagem em baleiês, a língua das baleias, a conversa com sua consciência, a entrada para um clube de tubarões vegetarianos, um esconde-esconde com filhotes de tartarugas e a leitura do endereço em que Nemo se encontra: P. Sherman 42, Wallaby Way, Sidney.

Criaturas exóticas e maravilhosas passam pelo caminho de Marlin e Dory.

CONTINUE A NADAR

Se é o formato e as piadas inocentes do filme que conquistam as crianças, é o modo como os personagens s posicionam diante de situações reais, que fazem com que os pais tanto se identifiquem com as situações apresentadas. A filosofia de vida de Dory, “sempre que estiver com um problema continue a nadar“, não só pode mudar o jeito como Marlin encara a criação do filme, como também é, como a grande maioria dos filmes da Pixar, uma lição de moral para todos os pais que se comportam como Marlin.

Vendendo um filme com características infantis, a Pixar conseguiu com seu jeito próprio transmitir a sua mensagem através da personificações humanas em animais, criar a identificação de espectadores de todas as idades e levantar diversas questões tão filosóficas quanto o modo de viver de Dory, como o que se deve fazer com a liberdade?

Todas as analogias enriquecem a cada vez que se vê o filme, fazendo deste uma experiência inédita a cada vez que se assiste. Desde a prisão psicológica da Anenoma, passando pelo rechaço do conforto do aquário, até “fama” e o orgulho de Nemo ao saber que Marlin atravessa tda a Austrália procurando o filho em uma jornada que parecia perdida, vão ganhando novas maneiras de se olhar a cada vez que temos contato com Procurando Nemo.

Num filme sem vilões onde o principal perigo a ser enfrentado está dentro dos próprios personagens, a obra é um convite ao espectador em avaliar o que vale a pena enfrentar para se encontrar e preservar seus bens mais preciosos, os filhos e os amigos.

Pais e filhos se identificam com o filme, que já é um clássico dos tempos modernos.

“Se você não deixar nada acontecer com ele, bem… Nada vai acontecer com ele“. A frase de Dory pra Marlin resume muito bem a razão de ser do filme: pais e filhos não devem, nem precisam de uma hierarquia em sua relação: ambos devem aprender juntos em suas descobertas, a descobrir o mundo, pois se não entender isso sozinhos, podem passar toda uma vida procurando encontrar aquele com quem deveria valorizar.

RESENHA: Valente

O crescimento assusta. As responsabilidades assustam. A mudança assusta. A verdade escondida atrás dos bravos olhos de uma garota em desenvolvimento podem encantar, mas nada garante o quão sincronizados esses olhos estarão com o seu coração. Valente mostra como uma jovem encara o assustador mundo a sua volta, quando todos esse mundo está encarando ela.

O que foi um fenômenos nos anos 90 e se mostrou uma verdadeira endemia nos anos 2000 chegou na década do fim do mundo trazendo cada vez mais jovialidade, força e novidade em suas produções. Após arrasar com Toy Story 3, a Pixar Animation Studios decidiu investir em algo que nunca havia feito antes adaptar uma história ao invés de criar um roteiro original.

Para criar Valente, o estúdio que se tornou a casa de John Lasseter se inspirou em um antigo conto-de-fadas escocês, The Bear and the Bow (O urso e o arco, em português). E para tal, não faltou uma ambientação toda temátizada no país dos homens de saia para enriquecer o cenário do filme.

Além disso, a Pixar ainda inovou ao trazer para a direção do filme Brenda Chapman, sendo a primeira mulher a assumir a direção de um filme do estúdio. Não coincidentemente, esse também é o primeiro filme da Pixar em que uma mulher é a protagonista. Sendo assim, a proximidade sentimental e racional que uma diretora mulher poderia transmitir no filme.

A princesa Merida decide disputar sua própria mão em casamento.

O conto diz que nas misteriosas Terras Altas da Escócia, muitos e corajoso guerreiros lutaram em prol da defesa de seu reino, vencendo guerras e ganhando honras. Porém, em tempos de paz é a vez da princesa Merida enfrentar a sua guerra pessoal: ter de passar pela cansativa e indesejada disputa de príncipes pela sua mão em casamento.

Filha do gigantesco Rei Fergus, Merida sempre teve que dividir sua paixão, arco e flecha, com as vontades de sua mãe em transformá-la em uma lady da realeza. Sabendo relevar muito bem as suas “duas vidas”, a ira da princesa eclode contra a mãe após a mesma duramente reprendê-la por ela dar um jeito de burlar o sistema de conquista dos príncipes dos outros reinos pela sua mão.

Guiada por luzes mágicas, Merida chega até a casa de uma velha bruxa que ajuda a princesa levando seu pedido de “mudar a sua mãe” ao pé da letra: transformando ela em um urso. A partir daí a protagonista parte para uma breve jornada até o amanhecer para fazer com que sua mãe volte ao normal, porém para isso, ela precisará se colocar no lugar de sua mãe para entender o ponto-de-vista maduro de um adulto para todo o reino.

A difícil relação entre mãe e filha é o tema do filme.

Um pouco Irmão Urso, um pouco De Repente 30, um pouco Branca de Neve e os Sete Anões. Apesar do filme estar cheio de elementos básicos de diversas produções já existentes, a Pixar fez de novo o que já havia começado com UP, Altas Aventuras: vender o filme de uma maneira para depois entregar algo diferente das expectativas do espectador.

Porém, a diferença de Up para Valente é que enquanto o primeiro surpreendeu positivamente, o segundo deixou uma sensação de algo a dever.

Não que o filme seja ruim, aliás está longe disso. O filme tem diálogos fascinantes, um texto muitíssimo bem trabalhado, uma textura gráfica e uma qualidade de animação surpreendente. E tem mais! Pegando o lado emocional do espectador despreparado, o longa assusta com sequências inesperadas (aliás, o cinema nunca tremeu tanto num desenho animado com os urros da luta entre ursos), consegue ser muito engraçado e, para completar o pacote de um bom filme Pixar, ainda faz cair lágrimas dos olhos em vários momentos.

O ponto negativo, é o filme acabar deixando margem para ser muito previsível. Mesmo que as lágrimas escorridas fossem verdadeiras, o espectador acaba por entender que ele já sabia o desfecho final mesmo antes de ele acontecer.

A valentia de Merida fica exposta quando ela precisa defender aquilo que ela lutou contra.

Mais uma vez, quem foi ao cinema para ver um filme de aventura, saiu com uma tremenda lição de moral de filhos para pais e de pais para filhos. Porém, apesar da qualidade incontestável do filme, Valente deixou de ousar, e deixou a ver navios (literalmente) a quem esperava da história de Merida algo como o que a Pixar sempre faz.

RESENHA: A Bela e a Fera, Walt Disney

Os contos de fada são o alicerce de todas as histórias de ficção e fantasia dos tempos modernos. A cada vez que é contado, a história se transforma, ganha pontos e projeções do interlocutor, ganhando cada vez mais riqueza e contribuindo para a formação e a evolução natural da história no tempo e no espaço a qual está inserida. A Bela e a Fera dos estúdios Walt Disney é a representação máxima de um conto que se transformou com o passar de gerações e perpetuou seus personagens no imaginário de todo mundo todo, extendendo-se muito além de uma vida no interior.

UMA VEZ DISNEY…

Após a morte do gênio Walt Disney, fundador, principal diretor e produtor dos filmes e desenhos produzidos pelo estúdio que leva seu nome, os filmes canônes, principal animação do ano que entra para a linha clássica, da Disney tiveram uma queda significativa de qualidade, aprovação da crítica e do público.

Isso levou o estúdio a fazer diversas parcerias com outros estúdios nos anos 70 e 80, originando filmes interessantes, mas de pouco impacto para o público. O retorno de grandes produções de sucesso só viria em 1989, quando a Disney estreiou A Pequena Sereia, com direção de  Ron Clements e John Musker.

A Pequena Sereia ficou conhecido como o filme que renasceu a Disney, mas foi graças A Bela e a Fera que o sucesso inicial de Ariel pôde ser repetido várias vezes em todos os seguintes filmes do estúdio durante os anos 90.

Mesmo sendo sondados diversas vezes pela produtora, os diretores de A Pequena Sereia se recusaram a produzir A Bela e a Fera. Assim os escolhidos para a produção, após o então presidente da Walt Disney Studios, Jeffrey Katzenberg, ter recusado os storyboards iniciais ainda no fim dos anos 80, foram Kirk Wise e Gary Trouslade, que já haviam produzido filmes para serem exibidos no Epcot center, um dos parques do gigantexto Walt Disney World na Flórida.

Junto com a roteirista Linda Woolverton e os compositores Howard Ashman e Alan Menken, os mesmos de A Pequena Sereia e futuramente de Aladdin, o resultado do filme superou qualquer expectativa inicial transformando o conto original francês numa das obras mais cultuadas dos anos 90. O sucesso de crítica foi tão grande que A Bela e a Fera foi a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme em 1992.

As canções de Ashman, que havia descoberto recentemente que sofria de AIDS, o que levou a produção toda a realizar o filme em Nova York para ajudar na saúde do compositor, garantiram ao filme o Oscar de Melhor Trilha Sonora e o Oscar de Melhor Canção Original com o tema “Beauty and the Beast”.

MAIS QUE A VIDA NO INTERIOR

O primeiro tema do filme e também aquele que embala a maioria das trilhas sonoras variantes serve como apresentação de Bela, a jovem camponesa de um vilarejo francês que sonha com heróis, mocinhas bandidos e todo o tipo de fantasia que os livros da biblioteca podem lhe transmitir.

O sonho de quem quer ascender. Essa é a mensagem de da sonhadora Bela.

Apesar de ser a jovem mais admirada da cidade, Bela sempre recusava os pedidos de casamento dos homens da vila, principalmente do insistente Gastão, o caçador mais habilidoso (e menos inteligente!) das redondesas. Apesar de ser o galão mais desejado pelas donzelas da cidade, Bela via em Gastão um homem superficial, negligente com assuntos sentimentais.

O que Bela não imaginava seria que os contos que ela tanto se fascinava nos livros se tornariam realidade quando tivesse que salvar seu pai que, tão sonhador quanto a filha, acabou se abrigando num castelo escondido no meio de uma floresta quando sua carroça foi pega por uma tempestade mas acabou refém do dono do castelo, o aterrador Fera, que há 10 anos vivia isolado do resto do mundo após um feitiço que ele mesmo provocou.

UM CONTO RECONTADO

A história original de A Bela e a Fera é oriunda da França. Escrito e publicado por Gabrielle-Suzanne Barbot, a Dama de Villeneuve, em 1740. Mais tarde o conto foi reescrito por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, que resumiu e modificou a obra de Villeneuve.

Apesar de grande parte dos elementos do filme da Disney estarem presentes nos contos originais, estes apresentam muitos pontos distintos que, como acontece na grande maioria dos contos-de-fada, acabam chocando quem está acostumado com o jeito Disney de narrar os contos-de-fada clássicos.

Historicamente, os contos-de-fada foram largamente utilizados para dar lições nas crianças que a ouvem. Com o conto de A Bela e a Fera não é diferente, mas sua primeira versão é ainda mais complexa. Publicada em meados do século XVIII a obra já começara a sofrer grandes influências do Romantismo que já eclodira na Inglaterra e aos poucos começava a ganhar força na França.

A exploração do grotesco. Influências do Romantismo europeu estampados em Fera.

O ponto mais claro dessa influência é a exploração do grotesco. Antes do Romantismo era comum que o bem e o mal ficassem muito claros numa história através de sua aparência. Durante a Antiguidade na Grécia e depois resgatado por toda a Europa durante o Resnascimento, os ideais de beleza e simetria estampavam heróis, deuses, damas e seres fantásticos, enquanto que o aterrador, o horroroso e o despresível eram estampados por monstros e seres inescrupulosos e cruéis.

Fera é o retrato do mal, com aparência que causa espanto, medo e sua personalidade também não é das mais amigáveis. Porém conforme Bela vai conhecendo o coração por trás da pele de monstro, Fera revela seus verdadeiros sentimentos e toda a sua capacidade de amar.

A fuga do lugar comum para lugares idealizados também é muito clara. A história se passa em um vilarejo não muito distante dos existentes na França no século XVIII, mas a história toda gira em torno de um castelo escondido numa floresta de dificil acesso. É quase inimaginável que um castelo gigante como o do Fera não fosse conhecido do povo, ainda mais em um período ta curto entre o seu feitiço e o encontro com Bela (apenas 10 anos), mas  a liberdade criativa romântica permite isso.

Mas a riqueza do universo de A Bela e a Fera da Disney não pararm por aí. Até mesmo a versão brasileira do filme, num caso único e particular, permite um escopo de interpretação interessante. Tanto a voz de Gastão e de Fera são realizadas pelo mesmo dublador, Garcia Junior, famoso pela voz de He-Man e, mais tarde, de Simba adulto de O Rei Leão.

Gastão é metido presunçoso. Mas devido ao su tipo másculo, apenas Bela vê isso.

Mesmo isso tendo acontecido apenas no Brasil, é interessante interpretar a mesma voz como um mesmo lado que ambos os personagens tem em comum. Gastão é o retrato escrito da personalidade de Fera antes de ele se encontrar e rejeitar a feiticeira que o transformou em monstro devido a sua aparência simples e anciã.

A VERSÃO 3D

Em 2012 A Bela e a Fera voltou aos cinemas para cair no gosto dos pequeninos, dos fanáticos pelo 3D e dos marmanjos de plantão.

A Disney saiu na frente em 2010 quando exibiu Toy Story e Toy Story 2 em 3D e viu que o retorno de filmes de sucesso, mesmo com inúmeras opções em DVD, Blu-ray e TV a cabo existam, pode ser algo de muito retorno para a empresa. Com o sucesso de O Rei Leão 3D em 2011, a ação parece que não vai parar tão cedo.

Comparados aos seus três antecessores de velha guarda, o 3D de A Bela e a Fera foi o mais bem explorado. Mesmo com que o ambiente do filme fosse muitas vezes composto de apenas um plano de foco, as camadas posteriores foram tão bem trabalhadas que facilmente o expectador se sentia dentro do laboratório do pai de Bela ou do Castelo de Fera.

Mesmo com uma divulgação muito menor que O Rei Leão, a animação conseguiu em duas semanas arrecadar 100 milhões de dólares em todo o mundo e esse número só tende a aumentar. Ainda para 2012, a Disney prepara Monstros S.A e Procurando Nemo em 3D e os resultados não serão diferentes.

Um romance que diverte crianças e emociona adultos.

UMA ROSA PARA SE GUARDAR

Assim como a flor que o mantinha o Fera vivo, A Bela e a Fera é um clássico precioso que merece ser guardado, relembrado e repassado para todas as gerações.

Mais que representante da ascensão das animações Disney, mais que um sucesso comercial e de entretenimento, o filme transmite uma das mais belas, com o perdão do trocadilho, mensagens que um conto de fada pode passar para crianças e adultos: independente da aparência, da maneira de agir ou de como as pessoas vêem algo, o importante é o ser humano, como agente individual de ideias e opiniões saiba avaliar o quanto vale o coração do seu próximo, seja ele o mais belo príncipe de um reinado ou o mais devasto animal aterrador de toda a floresta escura inundada pelos mais frios temporais.