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RESENHA: Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith

Space Ópera é um sub-gênero da ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. Unindo todos estes elementos e exaltando a humanidade, os sentimentos e os vários lados da postura de um ser humano, Star Wars – Episódio II: A Vingança dos Sith é o longa-metragem que superou todas as barreiras da criação e se tornando o referencial ideal de um gênero.

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DO MEU PONTO DE VISTA, MALIGNOS SÃO OS JEDI!

Entusiasmado com a nova tecnologia em mãos e depois percebendo que sua obra não é feito apenas de explicações, George Lucas criou dois filmes bem diferentes entre si para contar o prelúdio de Star Wars. Enquanto o A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha) deu uma atenção demasiada à complexa, porém necessária, trama política, O Ataque dos Clones (leia a resenha aqui) foi extremamente simples, criando uma trama de romance leve e clara.

Pesando erros e acertos, o Episódio III chegou em 2006 como resposta aos saudosistas que esperavam um novo longa-metragem mais próximos das aventuras especiais de Luke, Leia e Han Solo nos anos 80, ao mesmo tempo que soube apresentar ao público o quanto a manipulação do Senado Intergaláctico foi de essecial importância para estabelecer o poder do Império sob todos os planetas.

O filme começa amarrando os pontos não fechados de O Ataque dos Clones. Deixando claro que após a República ter sido salva pelos Clones seguiram-se três anos de combate contra a Confederação, que tem como líderes o Sith Conde Dooku, ou Darth Tyranus, e o General Grievous, comandante das tropas de máquinas que formam a maior parte do exército inimigo.

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

E a missão inicial do filme é justamente o resgate do Senador Palpatine que armou seu sequestro por Dooku. Como não poderia deixar de ser, Anakin Skywalker e Obi Wan Kenobi são os Jedis a liderarem a missão e a travar a primeira luta do filme. Com um defecho angustiante e ao mesmo tempo instigante, esse início serve para estabelecer muito bem a função do longa em abordar a transformação de Anakin em Darth Vader e mostrar todo o processo de tentação por qual passou o personagem.

O DOBRO DO ORGULHO, O DOBRO DA QUEDA!

Apesar de, historicamente, A Vingança dos Sith contar o fim das Guerras Clônicas e a ascensão do Império, é recompensador verificar como George Lucas amarrou a trama política focando a história e os percalços passados pelo Jedi para traçar os efeitos do prelúdio à trilogia clássica, fazendo do personagem a sua grande causa.

Devido a um sonho premonitório que previa a morte de sua esposa Padmé Amidala assim que ela desce a luz ao filho de Anakin, o jovem Jedi começa a buscar maneiras de impedir que o sonho se concretize. É quando entra em jogo o Senador Palpatine que começa uma tentativa desenfreada de coagir o jovem a se entregar aos ensinamentos Sith que, segundo ele, com um potencial enorme, poderia até mesmo trazer os mortos à vida.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

E é nesse ponto que a trama chega a um ponto jamais antes alcançada por um filme de Star Wars: sabendo da proximidade de com Palpatine, o Conselho Jedi coloca Anakin como agente duplo colocando-o como segurança particular do senador ao mesmo tempo que colhe informações dele.

Os argumentos de Palpatine chegam a quase convencer o espectador que, se não tivesse todo o histórico de outros 5 filmes da franquia poderia se convencer tanto quanto Anakin que o Conselho Jedi está tentando trair a República. E o jovem Skywalker resiste ao máximo às tentativas do vilão de trazê-lo ao lado negro da força.

É interessante pesar a situação do jovem: enquanto o Conselho Jedi lhe dá uma sabedoria milenar na solução de problemas que não atende a libertação de suas amarras carnais, o lado sombrio parece lhe oferecer toda a possibilidade de viver em potencial sua força e o amor de Padmé, massageando seu ego e atendendo aos seus desejos de poder.

QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ

Um dos grandes feitos do filme é conseguir trabalhar em toda a sua potencialidade os personagens chave da trilogia clássica, principalmente quando se trata de Obi Wan Kenobi, onde se justifica o porque de ele ser considerado quase que uma figura lendária em Uma Nova Esperança.

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

Em lutas memoráveis e inteligentes, as cenas de ação valorizam de uma vez por todas todo o potencial do Mestre Jedi que, convenhamos, foi bem pouco desenvolvida nos filmes anteriores. Se antes a força de Obi Wan era apenas apresentada, agora sua inteligência, sua capacidade de planejamento, sua sabedoria ao aconselhar e sua humanidade são altamente desenvolvidas, cabendo a ele a vitória na luta contra a derradeira luta contra General Griveous, o único a escapar da Ordem 66 e uma luta extremamente trágica (e épica) contra Anakin.

Yoda é outro destaque. Em todos os filmes, até então, a grande força do personagem estava em sua inteligência e sabedoria. No Episódio III não é diferente, mas é aqui que Yoda também mostra seu potencial guerreiro, encarando Palpatine de frente e impedindo que o recém nomeado imperador fuja após a eleição que lhe garantiu o poder sob toda a galáxia.

A batalha de Yoda não tem um desfecho tão positivo quanto as lutas de Obi Wan, mas a sua conclusão é digna do Jedi, que não fica por baixo em momento algum, mostrando o porquê de ser o mestre supremo dos Jedi.

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Se na trama Padmé assume uma papel quase que totalmente consequencial, estando praticamente fora de todas as sequancias de ação e batalhas, sua participação no filme pe de fundamental importância para o desfecho do filme, perdendo toda a sua motivação e deixando para os Jedi a decisão do que fazer com os herdeiros Skywalker.

ENTÃO É ASSIM QUE A LIBERDADE MORRE… COM UM ESTRONDOSO APLAUSO!

Muitos são os momentos épicos de A Vingança dos Sith. Desde os diálogos muito bem construídos, até as batalhas mais bem coreografadas, não há passagem que tenha maior ou menor importância, nem momento que tire a atenção do espectador.

Não é a toa que o filme chama A Vingança dos Sith. O destaque total vai para a participação de Palpatine e suas manobras de coerção de Anakin e de manipulação do Senado Intergaláctico. O vilão é o exemplo máximo de como a massa é facilmente levada pelas aparências e como o jogo político pode ser perigoso quando é jogado com extrema malícia.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Se o lado sombrio até então era um conceito figurado, a transformação de Anakin em Darth Vader é a analogia perfeita de como alguém pode perder a sua identidade quando o seu ego se sobrepõe aos seus valores básicos, fazendo dos Sith algo muito mais palpável com cada ação do personagem. É impossível esquecer a cena do nascimento de Darth Vader, sendo a sua primeira respirada um dos momentos que se tornaram um clássico automático.

A execução da Ordem 66 dos Clones contra os Jedi é uma das mais bem executadas cenas de toda a saga Star Wars, fazendo da maior tragédia de todos os seis filmes uma passagem poética e de extremo bom gosto artístico, comparável as mais bem executadas óperas dramáticas contemporâneas.

Em Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith, tecnologia e dramaturgia se unem para fechar a prequela da maior franquia espacial de todos os tempos. Em um tom tenso, porém claro, que exacerba os lados mais intrínsecos de cada personagem sem deixar de lado todo o contexto histórico muito citado na trilogia clássica, mas que só em seu prelúdio pode ser totalmente experienciado, fazendo do filme o exemplo de uma perfeita execução ao construir uma space opera.

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

RESENHA: Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força

O que é o novo e o que é o velho quando um choque de gerações se une num mesmo propósito numa mistura de expectativas, aspirações e pontos de vista? O que é o novo e o que é o velho quando não importa qual seja o estilo, a origem ou o destino, mas sim a mensagem final? O que é o novo e o que é o velho quando até mesmo o novo e o velho são contestados quanto a sua ordem cronológica? Meus caros, a resposta para tudo isso é Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força.

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CATANDO LIXO

Interessante notar como a relação do público com os efeitos especiais do cinema muda em um sistema cíclico muito próximo do das artes audio-visuais e literárias. Ainda nos anos 70, George Lucas criou diversas tecnologias e sistemas de filmagem para dar vida a sua ópera espacial, e depois, nos anos 2000, o visionário diretor se entregou a tecnologia do chromakey para usar a computação gráfica como principal recurso para moldar seu rico universo. Em ambos os casos, o diretor estava na vanguarda dos efeitos especiais, utilizando ao máximo os recursos que tinha em mãos.

Mas dez anos após encerrar a exibição do Episódio III no cinema, a exigência do público é outra: a galeria de universos criados por meio dos panos verdes soa preguiçosa por expectadores que valorizam os efeitos práticos de diretores como Christopher Nolan (da trilogia Batman – O Cavaleiros das Trevas) que usam técnicas muito mais próximas das que Lucas utilizou nos anos 80 do que das modernas artes que o After Effects pode produzir. É para estes cinéfilos que foi criado Star Wars – O Despertar da Força.

Referência no mundo dos efeitos visuais, a Lucas Film caiu como um tesouro para Disney, que soube avaliar exatamente como tratar o público fanáticos pelo universo de seu visionário fundador quando entregou Star Wars nas mãos de J.J. Abrams, o aclamado diretor de Lost, Alias e Star Trek: Nova Geração.

 

Aventura é a palavra chave do filme!

Aventura é a palavra chave do filme!

Atento as exigências de mercado e declaradamente fã da maior franquia espacial dos cinemas, Abrams desde o início mostrou que estava pensando com a cabeça do antigo George Lucas, criando cenários com materiais de verdade, arquitetando robôs inusitados que funcionam no mundo real e fazendo atores caminhar por areias e florestas a fim que estes sentissem na pele as dificuldades dos personagens.

Estes conceitos importados de não muito muito tempo atrás, mas já nostálgico, resume-se bem na protagonista de O Despertar da Força: Rey é uma catadora de lixo, que explora máquinas e veículos perdidos e soterrados no inóspito planeta Jakku para trocar maquinário reciclado por comida. Forte, independente e inteligente, a personagem ainda representa muito bem a atual geração de fãs de Jogos Vorazes que valorizam personagens femininas que em nada deixam a dever para os famigerados protagonistas masculinos das obras de aventura clássicas. Interpretada magnificamente pela Daisy Ridler, a personagem quebrou tabus ao mesmo tempo que cumpriu os desejos dos fãs.

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Até mesmo o seu companheiro BB-8 é um símbolo da união do velho com o novo. Enquanto a cabeça do robozinho parece muito com os traços do andróide R2-D2, seu corpo redondo é umas inovação no designs dos maquinários quadradões da obra, além, claro, de fazer parecer impossível sua existência para a física de Isaac Newton.

Junto com Rey, J.J. Abrams ainda “reciclou” uma outra classe de personagem para formar o casal de protagonistas da história: Finn é um Storm Trooper rebelde. Soldados que herdaram a obediência e severidade dos clones das Guerras Clônicas, os Storm Troopers sempre tiveram um visual muito bem aproveitado nos produtos licenciados, mas sempre deixados de lado na trama dos 6 longas da franquia, fazendo apenas o papel dos “bonecos de massa” que aparecem, cumprem a sua função (seja ela perder ou vencer) e vão embora.

Finn (ou FN-2187, como era conhecido como Storm Trooper) rompe o paradigma dos soldados sem desejos próprios e cria uma trama original a partir de um elemento clássico. Junto com Rey, o casal se mostra digno do legado da franquia, com uma “química” incrível, que além de conquistar o expectador, instiga os fãs a quererem saber mais dos personagens. Enquanto Finn protaoniza momentos hilários e ao mesmo tempo de superação, as descobertas e as revelações sobre Rey é o que mais impressiona no filme. O talentoso Oscar Isaac mostoru-se o mais carismático da história (ok, depois do BB-8) e foi a escolha ideal para a proposta ideológica do personagem.

Finn é o mais carismático!

Finn é o mais carismático!

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

É claro que presenciar a criação de novos elementos, ainda mais quando muito bem feitos, para uma série clássica é muito realizador. Mas o efeito nostálgico que a presença dos antigos personagens causam são fenomenais. Se no trailer a aparição de Han Solo e Shewbacca já arrepiou os fãs, no cinema ele consegue até tirar lágrimas em cenas que fazem referências muito fortes aos seus antecessores.

Como um todo, O Despertar da Força segue muito a linha criativa do Episódio IV: Uma Nova Esperança. Apresenta os personagens, apresenta o vilão e através de um mentor mostra por que os protagonistas podem quebrar o “status quo” do cenário estabelecido.

É por meio de Han Solo que Rey e Finn descobrem que as lendas sobre Jedis e combates épicos para destruir as Estrelas da Morte são reais e é também por ele que o expectador passa a entender melhor quais são os perigos que passam a Nova República instaurada por Leia e Luke com a criação de um grupo que herdou os desejos dos Sith e de Darth Vader: a Primeira Ordem.

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

E se os fãs acharam que Harrison Ford não daria conta do seu papel (mesmo quebrando a perna durante as gravações), o ator se mostrou peça chave em toda a trama, estando presente em mais de 80% do filme. De estilo debochado e um romântico canalha, impossível não se emocionar em sua cena com Leia (interpretada pela sempre bela Carrie Fisher), que mais uma vez, parecem ter sido feitos um para o outro tamanha as diferenças que aproximam o casal. Destaque total para a atuação do ator, que mesmo sem ser Jedi, se mostrou um verdadeiro mestre da sétima arte.

Até mesmo o maior desafio do filme foi cumprido. Apesar deixar para os próximos filmes o desenvolvimento do Líder Supremo Snoke (que aliás aparece aos seus subordinados no maior estilo vilão de tokusatsu), Kylo Ren se mostrou um vilão digno de ser odiado.

De personalidade fraca e por vezes oscilante, o rebelde sem causa interpretado muito bem por Adam Driver transita entre aclamado e odiado pelos expectadores por diversas vezes, visto que o personagem é exatamente o retrato de um corte do cordão umbilical com a hexalogia original. Se por vezes, este pareceu indigno do legado de Darth Vader, não há fã no cinema que não torça entusiasticamente para que o vilão seja derrotado em sua batalha final, visto o quão dramático é o seu climax.

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Além disso, o fato de todos da Nova República conferirem a Luke Skywalker a última esperança para vencer a Primeira Ordem, faz que o filme todo tenha um tom de mistério acerca do paradeiro do grande herói da Aliança Rebelde, fazendo com que os fãs fiquem teorizando, durante o filme, a partir das informações passadas, como o último jedi vai aparecer. E o resultado faz muito bonito!

UM NOVO ÉPICO

Explorando cenários diversos como desertos, gelo e florestas, todos os lugares clássicos da hexalogia se fizeram presentes no novo filme. Somando com personagens, atores, máquinas e batalhas especiais de tirar o fôlego, J. J. Abrams se mostrou, além de fã, um diretor tão visionário quanto George Lucas, fazendo com que todos os fãs não possam imaginar melhor mente criativa para tomar conta da franquia.

Como foco na aventura e na trama individual de cada personagem, o longa deixa a trama política às margens de um contexto simples e claro como nos anos 80, mas tão profundo e interessante de ser explorados em outros meios como livros, desenhos animados e games como na trilogia dos anos 2.000.

Essa cena já nasceu clássica!

Essa cena já nasceu clássica!

Um verdadeiro encontro de gerações, o filme respeita o legado de Star Wars ao mesmo tempo que apresenta um rico universo para os fãs de primeira viagem. Apesar de ser muito mais interessante assistir ao longa depois de ter visto os outros seis filmes da franquia, qualquer um que se arrisque a começar sua história com o Episódio VII vai se deliciar com o ritmo frenético dos acontecimentos e de seus três atos muito bem definidos.

Com um final extasiante e cheio de reviravoltas, todos os fãs que sentarem na sala de cinema para contemplar essa verdadeira obra-prima do cinema contemporâneo vão concordar com o mesmo ponto: não importa se é novo, velho, contemporâneo, noir, clássico ou fora de paradigma, Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força é o resultado de uma legado que traz novamente aquela torcida pelo mocinho, a rivalidade com o vilão e a emoção de uma luta entre o bem e o mal tão inocente que só um universo de muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante é capaz de trazer!

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Leia também na Salada Web: Review de Star Wars – O Despertar da Força!

RESENHA: Os Vingadores – A Era de Ultron

O trabalho em equipe guiou a humanidade em suas ações mais memoráveis em todas as passagens da história! Os gênios sempre tiveram sua função singular, porém foi unindo forças que o homem dominou seu meio e passou a brincar de ser deus. Em Os Vingadores – A Era de Ultron uma equipe de gênios guia uma trama grandiosa!

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PREENCHENDO LACUNAS

Desde que o Marvel Cinematic Universe ganhou proporções massivas com a exibição de Os Vingadores (leia a resenha aqui), todos os fãs de cinema e quadrinhos passaram a “estudar” os elementos históricos dos personagens para adivinhar as tramas e os possíveis enredos dos filmes que o sucederam, que bateram recordes de público e crítica a cada produção.

Até chegar em Os Vingadores – A Era de Ultron, o segundo filme unindo os personagens do universo Marvel no cinema, foi abordada a depressão de Tony Stark em o Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), a morte de Loki em Thor – Mundo Sombrio (leia a resenha aqui) e a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América – O Soldado Invernal (leia a resenha aqui).

Todos estes temas já haviam sido abordados nos quadrinhos, o que levava os fãs a prever as suas consequências nos filmes vindouros. E parece que o diretor Joss Whedon levou essa tendência do público a sério ao formar o enredo base de Os Vingadores – A Era de Ultron, deixando para os fãs imaginar como algumas das condições iniciais do filme foram moldadas entre um filme e outro.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

A trama pouco aborda a queda da S.H.I.E.L.D. e apenas cita que a Torre Stark virou a base de operações dos Vingadores. Apesar de partir de Thor reunir os Vingadores novamente para resgatar o cetro de Loki na Terra, nada se diz de onde partiu a busca. Por fim, a depressão de Stark teria sido o ponto de partida para que ele e Bruce Banner sonharem em criar Ultron, a máquina de inteligência artificial perfeita para a proteção da humanidade.

NASCE ULTRON

Com a cena extra de Os Vingadores aparecendo Thanos, era de se esperar que o grande conquistador do universo da Marvel fosse o vilão do segundo filmes da super equipe de heróis.

Com o anúncio de Ultron fazendo a vilania, muitas das tramas previstas envolvendo as jóias do universo foram por água a baixo, porém, o diretor Joss Whedon sube mesclar muito bem a grande trama do Marvel Cinematic Universe com a trama coloquial de vencer Ultron.

Debochado e egocêntrico, a inteligência artificial de Ultron começa a estudar o que é “proteger a humanidade”, chegando a conclusão que uma equipe como os Vingadores é o maior perigo que a humanidade poderia enfrentar, e começar a colher materiais por todo o mundo para ficar forte o suficiente para deter a todos os heróis.

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

As catástrofes geradas por suas ações que matam humanos a máquina considera um pequeno sacrifício se comparada a grande salvação da humanidade em exterminar os Vingadores. Essa personalidade herdade de seu principal criador, Tony Stark, foi o diferencial que deu ao personagem um tom único e inovador para a história.

Criada e finalizada dentro do filme, Ultron nasceu das boas intenções megalomanicas de Tony Stark apoiadas por Bruce Banner, o que foi o estopim para uma troca de farpas entre os heróis.

Se no início do filme, a união dos heróis começa a produção da maneira mais extasiante possível, dando uma grande vitória a equipe indo direto ao ponto e mostrando que a equipe está muito bem estabelecida, é a desconfiança geral e as derrotas dos subgrupos gerados pelos problemas e situações criadas por Ultron que obriga a equipe a parar e repensar suas ações e refletir “o que é ser um Vingador”.

E AFINAL, O QUE É SER UM VINGADOR?

Gavião Arqueiro. O mais menosprezado personagem de toda a franquia Marvel nos cinemas ganhou um incrível destaque no filme ao ser o mais sensato ao responder a grande questão do filme.

Dono de uma maturidade invejável, Clint Barton mostrou que seu romance com a Viúva Negra não passou de mais uma história da imaginação dos fãs ao colocar todos os membros da equipe de heróis para fazer tarefas simples do dia-a-dia em sua casa de campo junto com sua esposa e filhos.

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

Nas cenas de ação, o arqueiro roxo fez piadas o tempo todo com sua condição desfavorável ao se comparar com todos os seus poderosos companheiros. Dando lições de moral ao companheiros de longa e curta data, o filme alcança seu apogeu moral nos diálogos e sequências que conflita com a Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

E por falar nos gêmeos, que não foram chamados nenhuma vez por suas alcunhas dos quadrinhos, muito bem eles foram inseridos na série. De maneira sutil e sem muito estardalhaço, os mutantes/milagres/inumanos (a Marvel não definiu exatamente o que eles são no seu universo cinematográfico) fizeram bonito, mostrando-se uma pedra no sapato quando vilões e importantes aliados quando heróis. A ótima atuação de Elizabeth Olsen e Aaron Johnson muito acrescentou aos personagens, que foram a adição mais interessante do filme.

Adicionado também foi Visão, o andróide nascido da união do material criado por Ultron para ser o seu corpo perfeito com a inteligência artificial Jarvis que sempre auxiliou Stark. Se o seu nascimento foi um dos pontos altos do filme, pouco o personagem acresceu na trama. Mesmo que com papel essencial na vitória contra Ultron no final, sua participação foi mais técnica que ideológica, acrescentando efeitos com poucas causas.

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

E na busca por respostas, o veteranos mostrara para que vieram. Enquanto Capitão América e Thor foram mais funcionais, mas mesmo assim donos de muitas das cenas de ação, o romance de Hulk e Viúva Negra foi o que materializou para o espectador as dificuldades e o peso de se carregar as responsabilidades de protetores da humanidade. Mais contido neste filme, Hulk teve de enfrentar sua condição de monstro mais uma vez após ser detido por Tony Stark com a armadura Hulk Buster!

O Homem de Ferro mais uma vez teve papel fundamental e a atenção principal do filme, tanto por não ter nenhum filme próprio nos próximos anos como para justificar o salário exorbitante de Robert Downey Jr. Sendo a fagulha que acendeu o problema Ultron no filme, Stark mais uma vez que teve que enfrentar conflitos de personalidade com outros personagens, o que muito provavelmente vai gerar, no futuro, novas consequências para novas tramas (alguém pensou em Guerra Civil?).

E COMEÇA UMA NOVA ERA

Os Vingadores – A Era de Ultron começou cheio de razão de ser, surpreendeu no início, se mostrou mais maduro em toda a trama, teve seu humor muito bem colocado e se mostrou maior e mais intenso que o seu predecessor.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

O filme acertou em cheio em utilizar o mesmo estilo de ação da luta contra Loki: enquanto a maioria dos heóis vai dando conta dos “bonecos de massa” do vilão principal, este é encarado por uma dupla ou trio de heróis, que vã se intercalando para dar igual atenção aos seus poderes.

Sua falha ficou em desenvolver muitas tomadas grandiosas muito coladas com a outra, exagerando na ação e deixando a trama, por muitas vezes, em segundo plano ou desconexas. Se o filme tivesse meia hora a mais (como o diretor queria!) esses problemas não tivessem acontecido e alguns fatos isolados, como a busca por respostas de Thor, o abandono de Hulk ou o fim de Ultron pudessem ter sido menos corridas.

Maior e muito mais ousado que o primeiro Vingadores. Mais maduro ao abordar as questões e os conflitos psicológicos dos personagens e ainda mais cheio de tomadas de ação de tirar o fôlego, o que mais define o filme é a palavra “mais”.

O mais completo de conteúdo, mais cheio de personagens, mais abrangente em todo o universo Marvel e o mais condensado filme de super herói que o cinema já teve.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

RESENHA: Homem de Ferro 3

A quantidade de mundo e universos é sempre muito utilizada como premissa para a criação de dezenas de histórias em filmes e histórias em quadrinhos. Tão numerosa como a quantidade de vilões dos heróis, essas histórias ja deixaram de ser enredo para se tornar um conceito. Em Homem de Ferro 3, a diversidade de universos entre cinema e quadrinhos é um ponto separatista entre fãs da nova e da velha geração.

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Quem pode assistir ao filme Homem de Ferro 3 certamente se deparou, ou foi um dos protagonistas, de uma das mais controversas reações que o cinema já teve num fim de filme: enquanto uma grande parte do cinema vibrava com a emocionante vitória de Tony Stark sobre o terrorista Mandarim, um grupo de fãs aqui e acola começava a amaldiçoar diretores, produtores e roteiristas do filme.

O motivo para tamanha controvérsia? O choque de gerações que idolatram o Homem de Ferro tal qual é o herói nos quadrinhos. Só que não.

Após os eventos ocorridos em Os Vingadores, Tony Stark entrou em estado de paranoia. Sem conseguir dormir e sem dar a devida atenção a Pepper Potts, que assumiu com maestria a presidência das Empresas Stark, o herói passa praticamente 24 horas junto de J.A.R.V.I.S construindo armaduras mais e mais aperfeiçoadas, tentando se prevenir de um possível novo ataque alienígena.

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Esta figura do Mandarim reserva muitas surpresas!

Enquanto está com a cabeça em outro mundo, os problemas na Terra começa a ficar cada vez piores a medida que o terrorista conhecido como Mandarin amplia cada vez mais os ataques as metrópoles de todo o mundo com sua organização criminosa auto-intitula Os Dez Anéis.

Quando o segurança Happy Hogan é hospitalizado após uma explosão próxima causada pelos Dez Anéis, Stark declara guerra ao Mandarim em rede nacional. Atacado em sua mansão, Stark é dado como morto – mas ele consegue fugir em uma armadura nova do Homem de Ferro e se abrigar com o garoto Harley, que com sua inocência de criança abalada pela entrada na adolescência, começa a gerar mudanças na humanidade deturpada e auto-corrosiva de Stark.

Com um enredo fechado, ótimas atuações de um elenco de primeira mas com pequenos pontos que podem causar confusão na primeira vez que alguém assistir, o filme teria motivos de sobra para entrar para o a lista dos filmes favoritos de qualquer fã, se não fossem as grandes mudanças que o roteiro tem se comparado aos quadrinhos.

Ele não fez muita coisa, mas é legal ver o Homem de Ferro com a armadura do Capitão América, err.. quer dizer o Patriota.

Ele não fez muita coisa, mas é legal ver o Homem de Ferro com a armadura do Capitão América, err.. quer dizer o Patriota.

Mesmo criando um universo paralelo aos de sua mídia original, muitos e muitos fãs criam barreiras aos novos conceitos que o cinema adiciona ao universo os heróis, mesmo quando estas são realizadas de maneira tão eficaz como em o Homem de Ferro 3. A diversão parece ser colocada de lado quando um vilão como o Mandarim se mostra diferente do oriental cheios de poderes elementais de Stan Lee.

Tão corrosivo como o próprio sentimento de inutilidade de Tony Stark perante possíveis ataques alienígenas, está na hora do entretenimento ser tratado como a sua finalidade: divertir como uma história que se completa a medida que é contada.

O Homem de Ferro 3 pode não ser um marco na história de filmes de super-heróis como foram os filmes de Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas é um entretenimento que honra tudo aquilo que se propôs a fazer. Muitos fãs recém-formados pela série cinematográfica dos Vingadores no cinema reclamaram e continuarão a reclamar, mas a verdade é que as licenças poéticas que os diretores de Hollywood criam em cima de seus longas não são a primeira nem a última modificação que as criações de Stan Lee passaram e continuaram a passar nos múltiplos universos dos super-heróis, seja dentro ou fora das histórias em quadrinhos.

O filme tem seu próprio universo, então esqueça o que se passa nos quadrinhos!

O filme tem seu próprio universo, então esqueça o que se passa nos quadrinhos!

RESENHA: Os Miseráveis, filme de 2012

RESENHA: Os Miseráveis, filme 2013

Há momentos em que os seres humanos passam por eventos que sabem que serão um corte histórico na ideia de conhecimento de mundo, um corte histórico que mudará para sempre a vida daqueles que presenciaram tal ato. Foi assim em 1789, durante a Revolução Francesa e é assim nos anos 2000, quando o filme Os Miseráveis entrou em cartaz em 2012!

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Não é novidade nenhuma um longa-metragem de Os Miseráveis. Após virar uma das maiores produções da Brodway nos anos 80, o livro de Victor Hugo já foi adaptado para as mais diversas telas de cinema de todo o mundo, com várias produções européias e americanas em diversos segmentos, seja drama, documentário ou musical. Mas a produção de 2013 é, indiscutivelmente, pioneira em ascender a obra para o mundo com tanto esmero, pois nunca nomes tão preciosos de Hollywood se reuniram para dar vida a uma das mais comoventes histórias de superação, amor e tragédia que a humanidade já viu.

Ambientado na França 35 anos após o fim da Revolução Francesa, o filme conta a história de Jean Valjean, um homem que foi condenado injustamente com uma pena muito maior que o seu delito de roubar pães para sustentar a família poderia carecer. Após fugir da prisão (que logo na primeira cena já dá um banho de efeitos especiais e um texto surpreendente o suficiente para impactar o público), Valjean dá uma reviravolta na sua vida graças a um bondoso padre que vê a bondade no homem, se tornando um rico proprietário de uma empresa de manufatura de roupas que dá emprego a Fantine, uma personagem ainda mais marcada pelas injustiças sociais que o seu patrão.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Trabalhando as clássicas 16 horas por dia que todos se acostumaram a ler na escola mas que jamais poderiam compreender como é vivenciar, Fantine dedica cada segundo da sua vida para juntar dinheiro para enviar para a filha Cosette que vive com um casal de estelionatários donos de uma pensão fora da cidade, já que o pai da criança abandonou a mulher antes mesmo da menina nascer. Dona de uma beleza impar, Fantine é constantemente assediada e vítima das maiores injustiças entre as outras costureiras com que trabalham.

O drama dos dois personagens se cruza junto aos numerosos dilemas que ambos são obrigados a passar cada vez que o injusto e corrupto pais governado pela burguesia que se dizia partir dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade começa a mostrar a carência de justiça e o excesso de arrogância e prepotência de quem está no poder. Contrastando com esse cenário de repúdio e desolação, os protagonistas exploram cada um dos pontos que a história deixou de contar e/ou não deu a devida importância por nunca se importar com a história dos menos afortunados, porém que não passaram desapercebidos pelos olhos de Victor Hugo.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Se para os espectadores o filme já abrilhanta os olhos pelo enredo, pelas cenas de forte emoção e pelo conteúdo crítico inserido, para os atores ali presentes o filme é como um “ode à arte de atuar”. As vezes dá para se perguntar se Hugh Jackman, ator que interpreta Valjean já se acostumou a protagonizar blockbusters, ou mesmo como Anne Hathaway, atriz de Fantine, consegue ficar ainda melhor a cada papel que faz. Se Jackman se mostrou o ator ideal para cada uma das condições que seu personagem se submete ao longo do filme, Hathaway se tornou (mais uma vez) o destaque total do filme, fazendo só com que sua performance durante sua canção em solilóquio já a fizesse merecedora do Oscar de melhor atriz que ganhou em 2013. E como se tudo isso já não bastasse, o público ainda ganha o angustiante, e mesmo assim maravilhoso, trabalho de Russel Crowe como Javert, o antagonista do filme que personifica todo o efeito ideológico reverso causado pela burguesia nos anos da pós-revolução francesa.

Mesclando grandes nomes de Hollywood com atores ainda em ascensão, o diretor Tom Hooper conseguiu dar luz a uma obra-prima dos palcos no cinema da maneira como o clássico de Victor Hugo merecia. O fato da produção ser um musical surpreende ainda mais, por esse ser um gênero que parece extrair o que de mais puro há no ser humano para ser exposto. Se num contexto como o de Moulin Rouge a musica exterioriza toda a magia do amor e dos sonhos, em um drama quase pós-apocaliptico como o de Os Miseráveis, a face desolada e fragilizada do ser humano é revelada de maneira brutal e saliente, emocionando e mexendo com os corações aflitos de dentro e de fora da tela de cinema em canções que revelam vidas, personagens e personalidades do século XIX em seus diversos loops temporais que regem a vida de um protagonista em seu desejo de felicidade.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Encantador, contestador, intrigante e fascinante. Tudo parece pouco quando se quer descrever Os Miseráveis. Em um misto de sensações, cada personagem se une dentro de um bem maior que começa restrito a Valjean e vai se expandindo em diversas outros analogias históricas conforme a história avança, sendo o exemplo de ficção artística que o cinema precisa para não cair em armadilhas mercadológicas. Se a primavera armada do século XIX pudesse contar como foi a história de sua história, esta estaria estampada neste filme.

“O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos.
Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade.
Ao infinito é necessário o inesgotável.”
Victor Hugo

RESENHA: Moulin Rouge

Entre versos e rimas, a melodia. Entre passos e compassos, o ritmo. Entre a arte e o luxo, o espetáculo. Entre razão e a emoção, o amor. Produzido numa época em que os musicais haviam sido banidos do cinema, Moulin Rouge ganhou as telonas para voltar com um gênero, mas antes de tudo, recordar aos boêmios os ideias de liberdade.

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O palco, o som, os atores, a luz. O teatro Moulin Rouge é ainda hoje um dos mais fantásticos e luxuosos cabarés da França, com espetáculos grandiosos que o fazem o item obrigatório na estadia de um turista em París, além de ser um dos ícones da boêmia e da vida noturna da cidade luz desde o século XIX. O nome do local significa Moinho Vermelho, nome que ganhou devido a réplica de um moinho na fachada de sua entrada. Com tamanho glamour e criatividade, não é de se estranhar que milhares de casas noturnas copiassem seus elementos, mas o que não se podia esperar é que o cabaré fosse a inspiração para um dos maiores clássicos que o cinema já ganhou.

Produzido em 2001, o filme Moulin Rouge não apenas atraiu o público por tematizar o célebre ponto turístico de Paris, mas por ter tido o atrevimento de rodar uma história em um formato consagrado nos palcos de teatro e no cinema do passado, mas que os efeitos especiais dos filmes contemporâneos parecia nunca mais se utilizar de seus recursos: um musical, que desde 1979 não ganhava uma produção nas telonas. Essa ousadia parecia ser uma mescla de arte com cinema, gerando tanto entusiastas como depreciadores, mesmo trazendo em seu elenco nomes de peso, como Nicole Kidman e Ewan McGregor como protagonistas.

Satine é a grande estrela do Moulin Rouge!

Satine é a grande estrela do Moulin Rouge!

A história se passa em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao se mudar para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec (sim, o pintor) e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um salão de dança, um clube noturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e – o que é ainda mais chocante – de cancan. É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine, que por uma cartada de sorte do destino, aceita protagonizar uma peça teatral dentro do bordel, levando ambos a conhecer a graça e a verdade do mais puro amor entre um homem e uma mulher.

Defendendo os ideais boêmios e o amor à vida, os artistas do Moulin Rouge contrastam com os ideais capitalistas e egocentricos do Duque de Monroth, que financia o teatro pensando apenas em satisfazer seus desejos de conquista e glória carnais e morais. Tal personagem simboliza muito bem os conflitos e as dificuldades que a arte com a dependência capital da lucratividade de seus patrocinadores. Esta é uma das principais reflexões que o filme gera ao longo de suas canções.

Arte ou lucro? O que o Moulin Rouge deve privilegiar?

Arte ou lucro? O que o Moulin Rouge deve privilegiar?

Tal reflexão é tão singela quanto poética, pois é uma analogia perfeita sobre o próprio segmento de filmes musicais estarem se extinguindo no cinema. Assim como os ideis boêmios, um filme musical acaba por ter um quê de inocência, seja pela carga cultural que os musicais infantis da Disney criaram nos cinéfilos (fazendo com que todo musical também pareça infantil) ou pela pureza que até a mais fria das canções acaba por exprimir, fazendo com que canções se aproximem muito mais da fantasia e de um mundo de maravilhas do que da racionalização da arte que o cinema contemporâneo insiste em personificar mesmo em seus filmes mais apelativos à imaginação.

Moulin Rouge não foge a regra, toda canção, por mais dramática que seja, exibe seu lado mais puro, sem malícia, mas não menos simbólico que uma atuação sem melodia. O filme se tornou um clássico do cinema moderno não por resgatar a essência de um gênero, mas por um desenvolvimento invejável de qualquer filme mais pop. Se os efeitos especiais do cinema seria uma justificativa para o fim dos musicais, tal argumento se torna infundado a cada canção, que assim como o cabaré que o inspirou, traz diversos efeitos de luzes e computação gráfica aliados com uma performance fascinante de cada um dos personagens, seja da exuberante Nicole Kidman, do tímido Ewan McGregor ou das atitudes mesquinhas de Monroth.

Um dos beijos mais inesquecíveis do cinema!

Um dos beijos mais inesquecíveis do cinema!

Um filme para ser assistido e reassistido para se perceber detalhes, paços não notados e versos não descifrados, Moulin Rouge é um daqueles filmes que consegue unir tudo o que um filme precisa em uma produção só. Utilizando-se de canções atuais em um filme de época, a produção conquista até mesmo os mais despretenciosos, aliando personagens carismáticos e criando uma disputa entre o poder arte e poder da ganância que fará espectadores desejarem viver os ideais boêmios a cada vez que ouvirem Come What May, seja ou não cantado espetacularmente por Nicole Kidman.

Parada Cosplay foi destaque durante a 30ª Festa da Uva de Jundiaí

Conhecer o processo de cultivo da viticultura, se encantar com as rainhas e princesas, degustar os mais variados vinhos e sucos Uva, escutar e cantas junto com as bandas mais queridas da cidade, relembrar a história e a cultura de uma cidade que cresceu  graças a dedicação de imigrantes que descobriram que em Jundiaí tudo dá certo. A 30ª Edição da Festa da Uva trouxe um ar muito  mais familiar e muito mais característico da cidade, trazendo ainda uma das atrações que vem sendo destaque a cada evento que passa: a Parada Cosplay!

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Cosplay (união das palavras inglesas costume=fantasia e play=divertir) é a atividade que reúne fãs que se vestem de seus personagens. Organizada pela mesma que realizou o mesmo evento realizado dentro da Virada Cultural Paulista, A Parada Cosplay trouxe a Jundiaí mais uma vez a magia dos mais famosos personagens de animes, mangás, histórias em quadrinhos, video-games e cinema, dessa vez, atraindo um número recorde de participantes: “Desde a primeira edição o número de participantes só cresceu, atraindo, inclusive gente de fora da cidade”, disse o cartunista Ede Galileu, organizador do evento. Rafael Sanches, que vestiu o cosplay de Robin junto com seu amigo Leandro, que estava de Batman, foi um deles: “Quando fiquei sabendo, não pensei duas vezes e sai de São Paulo para participar, até minha família quis vir junto, meus pais vieram por causa da ‘Parada’ e acabaram curtindo toda a festa”, disse Rafael.

Reunidos na maior festa da cidade, cerca de 50 atores desfilaram suas fantasias encantando crianças e emocionando os adultos:”Mais cedo ouvi: ‘deixa eu tirar uma foto com você, você é meu herói de infância’ de um senhor de mais de 50 anos”, disse o publicitário Davi Jr. que estava com o cosplay de Homem-Aranha. A atriz e diretora da Cia de Teatro Techniatto, vestida de Chapéuzinho Vermelho, se emocionou no evento: “Fico muito feliz em saber que posso incentivar as crianças a continuarem sonhando”.

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A Parada Cosplay reuniu mais de 50 cosplayers!

Com início previsto para o meio-dia, logo às 11 horas já era possível ver fãs se aglomerando em diversos partes do parque com seus cosplays. Entre eles, figuravam diversos personagens de animes e mangás de sucesso, como Os Cavaleiros do Zodíaco, Dragon Ball Z, Sailor Moon, Digimon, Naruto, Bleach, One Piece, FullMetal Alchemist, Inuyasha, Reborn, Zatch Bell e Death Note. “Fiquei muito feliz quando uma menina de menos de 5 anos reconheceu meu personagem, isso mostra que os pais passam aquilo que gostam para seus filhos”, disse Thiago Junio, cosplayer de Zoro, o caçador de recompensas do anime One Piece. Ainda do lado oriental, os personagens dos games Super Mário Bros e Final Fantasy fizeram a festa, com direito até a serem convidados a subirem no coral onde uma banda se apresentava.

Do lado ocidental, foram os personagens mais famosos do cinema e das histórias em quadrinhos que fizeram a alegria dos visitantes do Parque da Uva. Willy Wonka, Chapeuzinho Vermelho, Jack Sparow, Harry Potter, Alice no País das Maravilhas, Sítio do Pica-Pau Amarelo, Lara Croft, Wolverine, Homem-Aranha e o destaque total, Batman e Robin,  posaram para fotos, perseguiram seus vilões, carregaram as crianças e se divertiram em cada ponto da Festa da Uva, dançando as danças típicas italianas, experimentando suco de Uva e amassando uvas para a preparação dos vinhos.

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Todos que estiveram presentes na Festa da Uva puderam tirar foto com seu heroi favorito!

Marcante para a Festa da Uva, encantador para aqueles que encontraram e tiraram foto com seus heróis de infância e inesquecível para os fãs que puderam se vestir de seus personagens favoritos, a Parada Cosplay se tornou para sempre uma das mais fantásticas queridas atrações da maior festa da cidade, revivendo fantasias e despertando as lembranças que os maiores heróis da Terra deixam para sempre em todos aqueles que já sonharam em ser um grande herói!

O evento ganhou, inclusive, repercussão fora da região de Jundiaí, sendo matéria do Jornal Gazeta Vip (clique aqui para conferir a matéria de Henrique Sanches). Confira abaixo a galeria de fotos do evento. Obrigado a todos os fotógrafos que contribuíram com essa coleção de sonhos!

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RESENHA: Wall•E

O futuro sempre atraiu a curiosidade e as mais diversas projeções de videntes, cientistas e apostadores. Desde os mais otimistas até os mais apocalípticos, clássicos da literatura e do fanatismo se misturam e aos poucos começam a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Misturando terror e ternura, Wall•E traz uma visão de futuro tão presente quanto palpável nos dias de hoje.

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DE OLHO NO FUTURO

Uma das maiores vantagens da Pixar sob seus inúmeros concorrentes que passaram a produzir longa-metragens animados após o barateamento e a otimização de produção que a computação gráfica trouxe ao setor, foi produzir filmes maduros para crianças, conseguindo assim atingir seu público-alvo ao mesmo tempo que ganha uma gama de admiradores jovens e adultos, que compreendem a linguagem animada ao mesmo tempo que refletem com a mensagem falada.

Mas em 2008, a Pixar decidiu atingir seus dois nichos de público por meio de uma linguagem universal, porém complexa: o cinema mudo. Assim como nas épocas de Charlie Chaplin, o novo longa do estúdio irmão da Disney nasceu sob uma perpectiva um tanto quanto audaciosa, fazendo uso da expressão corporal dos personagens e da trilha sonora para contar a sua história.

Mais audacioso ainda, foi a criação dos personagens. Tendo um robô como protagonista e uma barata como coadjuvante, o clima do filme pode parecer longe de ser um filme com apelo infantil. Porém, a estrutura criada em torno das ações dos personagens fez com que as explosões, jogos de luzes e ritmo alucinante de produções do tipo fossem totalmente descartáveis visto o tipo de interação que os dois personagens foram capazes de criar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

E como se não bastasse, a Pixar ainda incluiu uma temática não comum dos filmes infantis. Apesar de o futuro ter sido o pano de fundo de milhares de desenhos animados no século XXI (quem não se lembra de Os Jetsons), foi a primeira vez que um longa infantil abordou uma visão mais apocaliptica, abandonando a projeção debochada do presente que sempre foi comum nos desenhos animados para efetivamente falar de uma possibilidade de futuro.

Nascia Wall•E.

COMPACTANDO LIXO

Com uma proposta tão audaciosa quanto a tentativa de pronunciar o nome do personagem, Wall•E conta a história de um robô compactador de lixo movida a energia solar, uma máquina muito comum daqui há alguns anos. A diferença deste para um outro robô qualquer, é que ele é o último exemplar de seu segmento ainda em funcionamento.  Na verdade ele é uma das únicas coisas que se pode considerar viva na Terra, já que toda a humanidade foi obrigada a deixar o planeta após sobrecarregar-lo com lixo, que já estava sendo enviado para o espaço tamanha a falta de espaço que tolerasse a produção dos humanos.

Programado para coletar, agrupar, compactar e organizar o lixo, Wall•E passa todos os seus dias em uma rotina secular, tentando organizar todo o lixo da Terra como se fosse mais um de seus dias. Porém, a influência de uma vida rotineira e um possível chip de inteligência artificial comum em filmes de ficção científica mas que não é citado no filme, fez com que o personagem ganhasse sentimentos, se emocionando com filmes antigos, colecionando alguns tipos de lixos, ganhando algumas manias e fazendo amizade com a única raça sobrevivente do planeta: uma barata.

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

A vida do pequeno robô muda quando este finalmente pode experimentar aquilo que tanto viu nos romances dos anos 50: se apaixonar por um robô de raça superior vinda do espaço para fazer a varredura do planeta Terra e verificar se o planeta pode ser repovoado por humanos. Humanos os quais vivem aprisionados por 700 anos em uma nave interplanetária capaz de gerar comida, água e entretenimento para humanos que não mais necessitam se esforçar para ter o que querem, se tornando sedentários, obesos e dependentes de máquinas até para se locomover.

Envolto de um problemático esquema em que máquina e homem interagem em uma relação onde a própria vontade do homem tenta se sobrepor as suas necessidades primordiais  Wall•E e Eva, a robô de reconhecimento, se apaixonam ao mesmo tempo que vão apresentando um futuro medonho e sem iniciativa humana, deixado a mercê das máquinas para dar conforto ao homem, que aprendeu a desaprender construir seu futuro.

UM CLÁSSICO DO FUTURISMO

Assistindo ao filme, o espectador parece realmente transportado para o século XXII, um futuro não tão distante assim. Com efeitos de primeira linha, por diversas vezes é difícil acreditar que o que vemos em tela é computação gráfica e não a própria visão do de um futuro real filmado por câmeras atemporais!

Os robôs também amam!  Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Os robôs também amam! Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Uma obra-prima do cinema, a produção é a perfeita personificação do que chama-se de sétima arte. Utilizando-se de toda a herança que os grandes diretores e atores de live-action e animação deixaram como legado, o longa é uma verdadeira pintura gráfica com a emoção de um romance, a imaginação da ficção científica, a inocência da comédia, a arte do cinema mudo e a crítica de um documentário.

Deixando uma mensagem altamente reflexiva para adultos e consciente para as crianças, Wall•E se juntou aos grandes nomes da ficção científica como Adorável Mundo Novo, 1984 e Eu, Robô, se tornando um clássico em montar perspectivas do futuro da humanidade. O filme é a incorporação da essência dos grandes romances da literatura, utilizando uma linguagem contemporânea que coloca o ser humano como agente de seu futuro ao mesmo tempo que sintetiza como suas soluções para problemas podem ser tão ou mais danosos que os próprios problemas que ele mesmo causa.

RESENHA: Detona Ralph

Se ser herói é um trabalho que exige esforço e dedicação constante, superando barreiras a cada dia, torna-se ainda mais tortuoso o caminho que leva um vilão a continuar desafiando o herói a medida que o tempo e o espaço se modificam a sua volta e a derrota se torna uma constante. Em Detona Ralph, o espectador é levado a conhecer o quão heroi um vilão pode se tornar quando ser mal é algo bom.

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DISNEY EM CG

Desde o nascimento da produtora, a Pixar se solidificou como a maior representante das produções em computação gráfica de Hollywood e um dos maiores fatores por todo esse sucesso não é outra senão a Disney. Assim, quando os estúdios do Mickey resolvem por si mesmo fazer uma animação em CG, sempre fica uma aresta que faz levar a crer que a produção é da Pixar e não da Disney.

Seja Dinossauros, Bolt ou Enrolados, por mais que as características do estúdio sejam latentes, o jeito Pixar de fazer animação já está tão atrelado à Disney, que cada vez mais ambos os estúdios parecem se fundir em um mesmo resultado.

Mas não há animação que mais reflita isso que a exibida no início de 2013 nos cinemas de todo o mundo. Detona Ralph não só é um filme com a “cara” da Pixar, como também é a soma de todos os resultados positivos que o estúdio conseguiu em todos os seus filmes, só que usado pela Disney.

Usando a mescla do sensível com o horror de Monstros SA, o ritmo de Procurando Nemo, as premissas de Toy Story e o oportunismo mercadológico de Carros, a Disney produziu um longa próprio de se tirar o chapéu de cowboy, fazendo de Detona Ralph um filme que não deixa escapar nenhum público-alvo do cinema.

SÓ QUERO SER UM HERÓI

“Eu sou mau e isso é bom. Nunca serei bom e isso não é mau. Não há ninguém que eu queria ser além de mim.”

É com esse juramento em uma sala repleta de vilões que milhares de fãs de video-games voltaram seus olhos para o filme da Disney. Com um apelo que pega carona com o sucesso de vários personagens da Nintendo, Sega, Capcom, Konami, entre outras produtoras de jogos eletrônicos presentes na história, Ralph já começou detonando.

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

O jogo Concerta Tudo Félix Jr. é todo feito com gráficos dos anos 80!

Com cara de mau, mas ainda assim muito carismático, Ralph é o vilão do jogo Concerta Tudo Félix Jr, jogo dos anos 80 que faz uma perfeita analogia ao primeiro jogo de Mario, o célebre mascote da Nintendo. Frustrado por mais de 30 anos acabar sempre na pior no fim do jogo, Ralph decide conseguir uma medalha fora do seu jogo após ser desafiado por um dos personagens secundários que Félix Jr. salvou.

A partir daí o universo começa a ser construído  toda a loja de games onde os consoles e arcades dos games ficam, são conectados através dos fios de eletricidade, dando aos personagens do jogo a liberdade de transitarem por entre os jogos quando não tem nenhum jogador por perto. Algo muito semelhante ao que faziam os brinquedos de Toy Story na casa de Andy.

Mas errado está quem pensa que a história do jogo basta apenas por mostrar diversos cenários em três dimensões dos games. Ao conhecer de um jeito nada convidativo a pequena Vanellope von Schweetz, um bug do jogo Sugar Rush, Ralph desenvolve um relação de amizade com ela, mesmo após ambos tentarem passar a perna no outro devidos aos seus interesses particulares.

Em um ritmo alucinante onde novas informações e novas situações são criadas a todo o momento, as crianças não conseguem tirar os olhos da tela, enquanto os mais velhos começar a relembrar personagens do passado e a teorizar e sistematizar todo o universo dos games inserido ao contexto do filme, que se completa a cada dedução, deixando o filme sem arestas a serem preenchidas, devido ao cuidadoso trabalho dos roteiristas ao construir o cenário do filme.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Bowser, Robotnic, M. Bison e até o não-vilão Zangief estão na reunião dos malvados anônimos.

Se o contraponto físico entre Ralph e Vanellope é abordado em um lado do filme, é na doce relação emocional de Félix e da destrutiva Sargento Calhoun, comandante do jogo Hero’s Duty, que precisa impedir que um vírus se espalhe pelo sistema do Sugar Sugar Racing, que a Disney se deu a oportunidade de explorar vários nichos de piadas, que divertem as crianças e surpreendem os adultos e fãs de games.

UM MARTELO DE OURO DADO PELO PAI!

Assim como o martelo que concerta tudo que o master carismático Félix, a Disney construiu uma obra-prima das animações em CG com Detona Ralph, aproveitando todas as lições que a Pixar sofreu no decorrer dos anos e se aproveitando do interesse exponencial por personagens da nova e da antiga geração que os a disputa mercadológica entre o Nintendo Wii e o Playstation 3 geraram entre jogadores de todas as idades.

A temática é atual e muito bem aproveitada, transcendendo os limites de uma animação a primeira vista simplista, levando o espectador a refletir sob como se comportam as pessoas a sua volta quando seus desejos estão em jogo, fazendo do bem e o mau, simples nomenclaturas que variam de acordo com as máscaras que vestem na disputada sociedade contemporânea.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Os personagens cativantes ficarão para sempre no imaginário de crianças e adultos.

Com referências dadas nas horas certas, uma dublagem de primeira com as vozes do sobrinho de Silvio Santos, Thiago Abravanel, como Ralph e da VJ Marimoon como Vanellope, Detona Ralph pode ser considerado um divisor de águas para as animações em CG da Disney, conseguindo surpreender o público com uma história cativante, carismática e cheia de potencial para ter várias continuações!

RESENHA: Procurando Nemo

Uma mãe é vítima de um assassinato que leva também a vida de todos os seus filhos, exceto um deles, que ficou com um problema em um dos membros devido ao acontecido. Agora cabe ao pai temeroso do mundo, criar seu curioso filho a se aventurar por todo o mar. Com uma premissa extremamente trágica, Procurando Nemo mostrou o que um filme infantil precisa ter para se tornar um clássico: carisma e inteligência para crianças e adultos.

ANEMONA

Quando a Pixar iniciou sua parceria com a Disney e deu origem a Toy Story e Vida de Inseto, o cinema animado passou por uma grande transformação: a criatividade, a magia e o legado que a animação tradicional tiveram nas Eras de Ouro (com Walt Disney) e de Prata (anos 90) estavam deixando de existir, e a empresa de John Lasseter se tornou referência na arte do cinema infantil, e como eles são produzidos.

Se em Monstros S.A. pareceu uma investida contra a DreamWorks que entrava num mercado com Shrek em um segmento até então dominado pela Disney e pela Pixar, foi em 2003 que a produtora deu origem a um dos maiores clássicos que o cinema já teve: Procurando Nemo.

Assim como em seus quatro longas anteriores, a composição dos personagens começaram com o desafio de passar ao espectador algo autêntico, já que animar seres humanos sempre  pareceu um apelo ao corte de atores reais na famigerada indústria do dólar do cinema criar um filme com humanos animados.

Levando ao cinema toda a beleza e os mistérios dos mares, personagens dos mais diversos tipos e composições foram sendo desenvolvidos, humanizando peixes e outros seres humanos em um composto que, ao se observar, retratam os mais diversos biótipos e etnias da cultura americana e mundial.

Marlin é a racionaliza tudo. Dory simplifica tudo.

Para os protagonistas, escolheu-se um dos peixes mais carismáticos mas até então, pouco populares: o peixe-palhaço. Para o cenário, nada melhor que o próprio habitat do peixe que, não coincidentemente, apresenta toda a diversidade de espécies para a Pixar trabalhar todos os tipos de personagens que desejasse.

P. SHERMAN 42 WALLABY WAY, SIDNEY

Nemo, um filhote de peixe-palhaço que perdeu a mãe, todos os seus irmãos, ainda em ovas prestes a nascer, e o movimento de uma de suas nadadeiras em um ataque de uma barracuda. Por sua idade e por seu pouco conhecimento de mundo, o personagem não tem muita noção do perigo e é a própria caracterização da inocência.

Marlin, o pai de Nemo vive traumatizado com os perigos do mar desde o incidente com sua esposa, sempre privando sua cria de fazer o que ele quer em nome de sua segurança. Cheio de tiques nervosas e manias provocadas pelo medo, Marlin se torna um personagem frustrado e com pouca vontade de novidades, inclusive quase impedindo o filho de frequentar a escola de peixes.

Logo no primeiro dia de aula, Nemo acaba sendo capturado por um mergulhador enquanto tentava provar ao pai que tem a maturidade suficiente para nadar em mar aberto, o que o leva até um aquário no consultório de dentista.

Gill inspira Nemo a ter iniciativa própria.

Enquanto Nemo conhece os mais diversos peixes comprados em lojas de animais e capturados no mar que desejam a liberdade de viver no mar, Marlin parte em uma jornada atravessando todo o mar da Austrália para recuperar o filho. Desesperado e até certo ponto descrente de conseguir reencontrar o filho, suas primeiras nadadas mais parecem um salto para a morte, colocando-se frente a tudo o que medo. Mas aí aparece Dory.

Dory deve ser o único peixe dos mares da Austrália inocente o suficiente para acreditar na busca de Marlin em reencontrar o filho e acaba sendo o estímulo não só necessário, mas crucial para Marlin não desistisse de reencontrar o filho.

Dona de um carisma sem igual, a personagem é a principal destaque do filme. Sofrendo de “perda de memória recente”, ela muitas vezes encara estar com Marlin como uma novidade, o que sempre há motiva a fazer as coisas novas que Marlin tanto teme.

A personagem é a que a Pixar mais pôde desenvolver diálogos interessantes e inteligentes por todo o filme, pois sua inocência acima da média permite não só o comportamento infantil, como a criação de seqüências inesquecíveis, como a fluência da personagem em baleiês, a língua das baleias, a conversa com sua consciência, a entrada para um clube de tubarões vegetarianos, um esconde-esconde com filhotes de tartarugas e a leitura do endereço em que Nemo se encontra: P. Sherman 42, Wallaby Way, Sidney.

Criaturas exóticas e maravilhosas passam pelo caminho de Marlin e Dory.

CONTINUE A NADAR

Se é o formato e as piadas inocentes do filme que conquistam as crianças, é o modo como os personagens s posicionam diante de situações reais, que fazem com que os pais tanto se identifiquem com as situações apresentadas. A filosofia de vida de Dory, “sempre que estiver com um problema continue a nadar“, não só pode mudar o jeito como Marlin encara a criação do filme, como também é, como a grande maioria dos filmes da Pixar, uma lição de moral para todos os pais que se comportam como Marlin.

Vendendo um filme com características infantis, a Pixar conseguiu com seu jeito próprio transmitir a sua mensagem através da personificações humanas em animais, criar a identificação de espectadores de todas as idades e levantar diversas questões tão filosóficas quanto o modo de viver de Dory, como o que se deve fazer com a liberdade?

Todas as analogias enriquecem a cada vez que se vê o filme, fazendo deste uma experiência inédita a cada vez que se assiste. Desde a prisão psicológica da Anenoma, passando pelo rechaço do conforto do aquário, até “fama” e o orgulho de Nemo ao saber que Marlin atravessa tda a Austrália procurando o filho em uma jornada que parecia perdida, vão ganhando novas maneiras de se olhar a cada vez que temos contato com Procurando Nemo.

Num filme sem vilões onde o principal perigo a ser enfrentado está dentro dos próprios personagens, a obra é um convite ao espectador em avaliar o que vale a pena enfrentar para se encontrar e preservar seus bens mais preciosos, os filhos e os amigos.

Pais e filhos se identificam com o filme, que já é um clássico dos tempos modernos.

“Se você não deixar nada acontecer com ele, bem… Nada vai acontecer com ele“. A frase de Dory pra Marlin resume muito bem a razão de ser do filme: pais e filhos não devem, nem precisam de uma hierarquia em sua relação: ambos devem aprender juntos em suas descobertas, a descobrir o mundo, pois se não entender isso sozinhos, podem passar toda uma vida procurando encontrar aquele com quem deveria valorizar.