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RESENHA: Procurando Nemo

Uma mãe é vítima de um assassinato que leva também a vida de todos os seus filhos, exceto um deles, que ficou com um problema em um dos membros devido ao acontecido. Agora cabe ao pai temeroso do mundo, criar seu curioso filho a se aventurar por todo o mar. Com uma premissa extremamente trágica, Procurando Nemo mostrou o que um filme infantil precisa ter para se tornar um clássico: carisma e inteligência para crianças e adultos.

ANEMONA

Quando a Pixar iniciou sua parceria com a Disney e deu origem a Toy Story e Vida de Inseto, o cinema animado passou por uma grande transformação: a criatividade, a magia e o legado que a animação tradicional tiveram nas Eras de Ouro (com Walt Disney) e de Prata (anos 90) estavam deixando de existir, e a empresa de John Lasseter se tornou referência na arte do cinema infantil, e como eles são produzidos.

Se em Monstros S.A. pareceu uma investida contra a DreamWorks que entrava num mercado com Shrek em um segmento até então dominado pela Disney e pela Pixar, foi em 2003 que a produtora deu origem a um dos maiores clássicos que o cinema já teve: Procurando Nemo.

Assim como em seus quatro longas anteriores, a composição dos personagens começaram com o desafio de passar ao espectador algo autêntico, já que animar seres humanos sempre  pareceu um apelo ao corte de atores reais na famigerada indústria do dólar do cinema criar um filme com humanos animados.

Levando ao cinema toda a beleza e os mistérios dos mares, personagens dos mais diversos tipos e composições foram sendo desenvolvidos, humanizando peixes e outros seres humanos em um composto que, ao se observar, retratam os mais diversos biótipos e etnias da cultura americana e mundial.

Marlin é a racionaliza tudo. Dory simplifica tudo.

Para os protagonistas, escolheu-se um dos peixes mais carismáticos mas até então, pouco populares: o peixe-palhaço. Para o cenário, nada melhor que o próprio habitat do peixe que, não coincidentemente, apresenta toda a diversidade de espécies para a Pixar trabalhar todos os tipos de personagens que desejasse.

P. SHERMAN 42 WALLABY WAY, SIDNEY

Nemo, um filhote de peixe-palhaço que perdeu a mãe, todos os seus irmãos, ainda em ovas prestes a nascer, e o movimento de uma de suas nadadeiras em um ataque de uma barracuda. Por sua idade e por seu pouco conhecimento de mundo, o personagem não tem muita noção do perigo e é a própria caracterização da inocência.

Marlin, o pai de Nemo vive traumatizado com os perigos do mar desde o incidente com sua esposa, sempre privando sua cria de fazer o que ele quer em nome de sua segurança. Cheio de tiques nervosas e manias provocadas pelo medo, Marlin se torna um personagem frustrado e com pouca vontade de novidades, inclusive quase impedindo o filho de frequentar a escola de peixes.

Logo no primeiro dia de aula, Nemo acaba sendo capturado por um mergulhador enquanto tentava provar ao pai que tem a maturidade suficiente para nadar em mar aberto, o que o leva até um aquário no consultório de dentista.

Gill inspira Nemo a ter iniciativa própria.

Enquanto Nemo conhece os mais diversos peixes comprados em lojas de animais e capturados no mar que desejam a liberdade de viver no mar, Marlin parte em uma jornada atravessando todo o mar da Austrália para recuperar o filho. Desesperado e até certo ponto descrente de conseguir reencontrar o filho, suas primeiras nadadas mais parecem um salto para a morte, colocando-se frente a tudo o que medo. Mas aí aparece Dory.

Dory deve ser o único peixe dos mares da Austrália inocente o suficiente para acreditar na busca de Marlin em reencontrar o filho e acaba sendo o estímulo não só necessário, mas crucial para Marlin não desistisse de reencontrar o filho.

Dona de um carisma sem igual, a personagem é a principal destaque do filme. Sofrendo de “perda de memória recente”, ela muitas vezes encara estar com Marlin como uma novidade, o que sempre há motiva a fazer as coisas novas que Marlin tanto teme.

A personagem é a que a Pixar mais pôde desenvolver diálogos interessantes e inteligentes por todo o filme, pois sua inocência acima da média permite não só o comportamento infantil, como a criação de seqüências inesquecíveis, como a fluência da personagem em baleiês, a língua das baleias, a conversa com sua consciência, a entrada para um clube de tubarões vegetarianos, um esconde-esconde com filhotes de tartarugas e a leitura do endereço em que Nemo se encontra: P. Sherman 42, Wallaby Way, Sidney.

Criaturas exóticas e maravilhosas passam pelo caminho de Marlin e Dory.

CONTINUE A NADAR

Se é o formato e as piadas inocentes do filme que conquistam as crianças, é o modo como os personagens s posicionam diante de situações reais, que fazem com que os pais tanto se identifiquem com as situações apresentadas. A filosofia de vida de Dory, “sempre que estiver com um problema continue a nadar“, não só pode mudar o jeito como Marlin encara a criação do filme, como também é, como a grande maioria dos filmes da Pixar, uma lição de moral para todos os pais que se comportam como Marlin.

Vendendo um filme com características infantis, a Pixar conseguiu com seu jeito próprio transmitir a sua mensagem através da personificações humanas em animais, criar a identificação de espectadores de todas as idades e levantar diversas questões tão filosóficas quanto o modo de viver de Dory, como o que se deve fazer com a liberdade?

Todas as analogias enriquecem a cada vez que se vê o filme, fazendo deste uma experiência inédita a cada vez que se assiste. Desde a prisão psicológica da Anenoma, passando pelo rechaço do conforto do aquário, até “fama” e o orgulho de Nemo ao saber que Marlin atravessa tda a Austrália procurando o filho em uma jornada que parecia perdida, vão ganhando novas maneiras de se olhar a cada vez que temos contato com Procurando Nemo.

Num filme sem vilões onde o principal perigo a ser enfrentado está dentro dos próprios personagens, a obra é um convite ao espectador em avaliar o que vale a pena enfrentar para se encontrar e preservar seus bens mais preciosos, os filhos e os amigos.

Pais e filhos se identificam com o filme, que já é um clássico dos tempos modernos.

“Se você não deixar nada acontecer com ele, bem… Nada vai acontecer com ele“. A frase de Dory pra Marlin resume muito bem a razão de ser do filme: pais e filhos não devem, nem precisam de uma hierarquia em sua relação: ambos devem aprender juntos em suas descobertas, a descobrir o mundo, pois se não entender isso sozinhos, podem passar toda uma vida procurando encontrar aquele com quem deveria valorizar.

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RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco das Ruínas Antigas

Ao se falar de valor, fala-se de algo muito relativo. Tão difícil é saber o quanto de valor um objeto pode carregar em comparação com qualquer tipo de prognóstico praticado, é fazer a avaliação medindo as qualidades e as virtudes de uma pessoa. Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, os protagonistas tiveram a chance de compartilhar um mundo novo durante o arco das Ruínas Antigas, e os roteiristas, a chance de valorizar seus personagens.

BRONZE, PRATA E OURO

Uma das características mais marcantes dentro do universo de Saint Seiya é a classificação das armaduras que guerreiros de Atena vestem. No topo da hierarquia, estão os cavaleiros de Ouro, lutadores que dominam a essência do cosmo e seu nível mais elevado. O nível intermediário é formado pelos cavaleiros de prata, com capacidades que variam de líderes de missões, ao treinamento de aspirantes. E no mais baixo nível encontram-se os cavaleiros de bronze, que não por coincidência, são os proagonistas da série clássica e da série Ômega.

Colocando os protagonistas num nível baixo, Masami Kurumada escolheu fazer com que seus personagens trilhassem um caminho que se tornou referência na construção de um mangá shonen moderno: a superação de limites e o amadurecimento físico e psicológico dos personagens, fazendo com que o bronze alcançasse o ouro mesmo ainda sendo bronze.

Em Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, a escolha foi bastante similar para a construção da linha evolutiva da narrativa: Kouga, o atual cavaleiro de Pégaso enfrentou em Palaestra (leia a resenha deste arco aqui) vários cavaleiros de bronze para chegar até o segundo arco da história apto para enfrentar cavaleiros de prata.

Haruto de Lobo se juntou a Kouga no fim do arco de Palaestra.

Se a linha de pensamento parece lógica e plausível, a execução da ideia demorou para ser bem transmitida ao espectador, mas todo o desenvolvimento do arco das Ruínas Antigas foi muito bom para amadurecer o roteiro e passar a fazer o que Kurumada sempre fez tão bem desde o primeiro capítulo do primeiro mangá de Saint Seiya.

SUGANDO TODO O COSMO DA TERRA

Tendo início logo após Seiya de Sagitário salvar Kouga e os outros cavaleiros de bronze de morrerem pelas mãos do vilão Marte quando este invadiu Palaestra, o arco das Ruínas antigas começa quebrando mais paradigmas da série clássica e acrescentando mais novos elementos ao enredo.

Após destruir todo o Santuário da Grécia e erguer a Torre de Babel, Marte passa a se utilizar de cinco ruínas elementais para “sugar” o cosmo da Terra e alimentar sua Torre com todo o poder que ele precisa para concluir seus planos malignos. Para que a vida na Terra não se extinga, é necessário que um cavaleiro do mesmo elemento que a Ruína destrua seu núcleo após vencer os guardiões que Marte, pois em cada uma delas, em sua maioria, cavaleiros de prata traidores de Atena que apóiam a causa do marciano.

Dois novos personagens entram para a equipe de Kouga, Haruto de Lobo, um cavaleiro de bronze que Kouga libertou de Palaestra antes de serem salvos por Seiya, e Ária, a candidata de Marte para se tornar a nova deusa Atena.

Ária tem um inimaginável cosmo de luz em seu interior.

Haruto é um ninja (mas não é loiro, nem veste laranja), o que pode parecer muito estranho num primeiro ponto de vista. Encarnando o personagem frio da história, o passado do cavaleiro é marcado por muitas desgraças envolvendo seu irmão e sua antiga vila ninja (!). Mesmo sendo totalmente fora de contexto, o personagem serve para dar um nova dimensão a Cavaleiros com os laços da sua cultura japonesa, que nunca foi colocada em primeiro plano em Os Cavaleiros do Zodíaco.

Ária não só é dona de um esplêndido cosmo do tipo luz, como alguém completa o time perfeitamente, já que sua personalidade é a oposta da de Yuna, sempre muito calma, serena, bondosa e frágil. Além de ser a personagem um componente essencial para que os cavaleiros de bronze consigam desfazer as ruínas dos elementos, ela ainda é o gancho essencial para o começo e o surpreendente final do arco.

REVELAÇÕES COMO OS CAVALEIROS DO PASSADO

Novos conceitos, novos personagens, novos vilões e novo tudo! Mas o que mais se destaca durante o arco das Ruínas Antigas é o encontro dos protagonistas com os personagens da velha guarda.

Além de revelarem e justificarem o porquê de estarem fora de batalha, pincelar um pouco da Guerra Santa do ano 2.000 contra Marte e revelar que um meteoro trouxe Kouga e Ária do espaço, e de quebra ampliar os poderes do vilão de cabeça quente e alterar a forma das armaduras para jóias, são eles que fazem o papel de amadurecer os jovens cavaleiros em sua jornada rumo ao encontro de Atena.

No arco, um flashback revelou o que transformou as armaduras e o que impossibilitou Seiya e os outros de usarem seus cosmos.

Shun de Andrômeda, que virou uma espécie de médico de um vilarejo perto da Ruína da Terra, é quem mostra a Ryuhou de Dragão a importância de se valorizar e confiar na amizade durante uma batalha.

Jabu de Unicórnio, que aparentemente se aposentou de ser cavaleiro após receber a maldição do golpe de Marte, faz com que o ódio que Souma de Leão Menor sente por Sonia, a filha de Marte, seja controlado.

Shiriu de Dragão, que permanece sem os cinco sentidos nos Picos Antigos de Rozan, é quem motiva a Haruto de Lobo a enfrentar seu passado e tomar as rédeas daquilo que acredita.

E por fim, é Hyoga de Cisne que precisa mostrar a Kouga que de nada adianta se lamentar por ter perdido tudo o que ama, pois é da fé e na esperança de um mundo de paz, que os cavaleiros fazem elevar seu cosmo ao máximo!

Apenas Yuna foi quem ficou a mercê de um exemplo original da série. Sua mestra Pavlin de Pavão foi morta por três cavaleiros de prata numa luta injusta e covarde, fazendo com que a guerreira acredite mais em seus ensinamentos que nas regras do Santuário impostas as mulheres.

Pavlin de Pavão conquistou tantos fãs quanto Yuna de Águia!

Além disso, é com o jeito infantil e curioso de Ária, que Yuna aprende os valores femininos e como uma mulher, mesmo lutando pela justiça, deve manter seu lado frágil para não perder sua sensibilidade com os pequenos, porém belos, detalhes da vida.

As ligações de Yuna e Haruto com Marin de Águia e Nachi de Lobo sequer foram citadas, Ikki de Fênix só apareceu nas lembranças dos outros cavaleiros e mesmo Geki de Urso estar preso na armadilha de Marte, um quinto elemento da turma das antigas aparece para ser sensibilizado por Ária, pois diferente de seus nove companheiros de Guerra Galáctica, Ichi de Hidra Fêmea acabou se rendendo as forças do mal.

Que Ichi nunca foi um personagem lá muito popular todos concordam, mas que os roteiristas pegaram pesado com sua participação, isso o fizeram, pois mesmo ele não teria submetido ao que se submeteu em Ômega, onde teve sua personalidade totalmente reformulada.

Sonhando em se tornar o cavaleiro mais forte (e mais belo, argh!) de Atena, o antigo cavaleiro de bronze de Hidra Fêmea aceita de Marte a armadura de prata de Hidra Macho para vencer os cavaleiros de bronze enquanto estes se dirigiam ao Ruína da Água.

De bronze à prata: Ichi decepcionou uma legião de fãs!

Ao final, o cavaleiro parece se arrepender, mas mesmo que pegando o fã de longa data desprevenido com tal contexto para o personagem é muito contestável até que ponto uma nova série deve alterar a personalidade original do personagem para apresentá-la a uma nova geração de fãs.

TEMPO!

Mesmo passando as 6h30 da manhã de domingo no Japão, Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega rendeu uma boa audiência durante a exibição do arco das Ruínas Antigas, tendo seus picos nos episódios com participação de Shun e cia. Isso fez com que a Toei esticasse um pouco o arco, trazendo alguns episódios desnecessários, sendo o principal o episódio em que os seis protagonistas viram empregados em um estabelecimento comercial.

Outro ponto é a trivialidade com que os inimigos aparecem e desaparecem. Muitos cavaleiros de prata em muitos episódios foram criados, mas mal puderam mostrar o que fazem, pois, se no início os primeiros trios de prata que enfrentavam os cavaleiros duraram três ou quatro episódios, muitos dos outros morreram facilmente com um ou outro golpe dos bronzeados, algo que além de estranho, não parece ter sido aplicado no timing correto para o desenvolvimento de poder dos personagens.

Perdendo parte de sua vida, Shun ainda queima seu cosmo para ajudar Kouga e Ryuhou!

Na série clássica, um dos pontos importantes sempre foi como o vilão marca a história. Não é benéfico para uma história como Cavaleiros, onde os fãs aguardam fervorosamente que uma nova constelação apareça junto com o inimigo para poder conhecê-la acabe tão rápido, devido ao formato de episódio fechado que optou-se por fazer a história, sempre com começo meio e fim no enredo próprio do episódio, deixando um curta linha de raciocínio para o próximo episódio.

Além disso, a Toei pecou por vezes ao acabar ampliando os destinos dos personagens fazendo-os se separar de Ária, que em teoria é quem mais deveriam proteger, tanto por sua fragilidade quanto por sem ela não ser possível desfazer o funcionamento das ruínas.

A coisa chega a tal ponto que Kouga e Yuna ficam sozinhas com Ária, abrindo brecha para Éden de Órion recuperar sua noiva e levá-la de volta até a Torre de Babel, onde está toda a família do cavaleiro de bronze, sua irmã Sonia e seus pais Marte e Medeia.

O relacionamento do garoto com sua família é um dos destaques do arco. Éden sempre admirou a força e a sabedoria de seus pais e sempre cresceu tendo sua irmã Sonia de Vespa, amazona de prata que lidera todos os cavaleiros abaixo da classe de ouro. Porém, enquanto seus laços com Ária e a experiência com Kouga e os outros se intensifica, Éden muitas vezes fica em cheque ao julgar as atitudes de seu pai.

Os vários flashbacks que vão contando a personalidade do cavaleiro revelam uma personalidade fraca por trás do título de cavaleiro de bronze mais poderoso. Éden busca uma constante aprovação dos pais, quer ser reconhecido e quer, ao final das contas, formar uma família melhor que a dele, embora o condicionamento sofrido durante sua juventude tenha o formado tão próximo do que é Marte.

FINAL DE TEMPORADA! FINALMENTE CAVALEIROS!

Uma característica marcante nos mangás shonens e principalmente em Os Cavaleiros do Zodíaco é a superação de obstáculos. Mesmo mais fracos que aqueles que enfrentavam, Seiya e os outros sempre tiveram a determinação necessária para aprender a controlar o infinito cosmo que todo ser humano tem para poder, nem que fosse por um milésimo de segundo, superar e vencer o adversário.

Um dos incômodos no arco das Ruínas Antigas foi a falta de superação de personagens. Possivelmente por refletir os acomodados jovens dos anos 10 ao invés dos revolucionários dos anos 80, ou simplesmente por um erro da série, Kouga e os outros venciam, mas não por superar o adversário, mas ou por contar com a ajuda de um cavaleiro veterano (como Shun de Andrômeda) ou por unirem seus golpes para vencer em dupla um único inimigo.

Felizmente, no fim do arco, que também marcou o fim da primeira temporada de episódios, os protagonistas finalmente puderam ganhar a honra de serem chamados de Cavaleiros de Atena.

Éden de Órion era pretendido a se casar com Ária e se tornar o deus do novo mundo criado por Marte!

Enfrentando Marte aos pés da Torre de Babel, os elementos coletados nas Ruínas Antigas geram uma espécie de báculo para Ária. A confiança de Ária em assumir a linha de frente da batalha que parecia estar perdida para Kouga, Souma, Yuna, Ryuhou e Haruto começa a ganhar vida e os cavaleiros de bronze passam a ter uma postura de heroi num texto muito mais próximo ao de Masami Kurumada.

E para finalizar com chave de ouro, a surpreendente morte de Ária pelas mãos de Marte, que diz ter conseguido o que queria ao pegar o báculo da garota, finalmente pode refletir o que é Os Cavaleiros do Zodíaco para a nova geração de fãs: uma série extremamente criativa visualmente, mas também cheia de razão de ser, pois não está atrelada a propósitos vazios, mas nos sentimentos que movem o ser humano a sempre seguir em frente, independente das quedas sofridas.

O arco como um todo foi uma chance que os roteiristas tiveram ao, somar tudo o que aconteceu com os personagens, amadurecer a personalidade de cada um deles e prepará-los para possíveis novos combates que exijam muito mais deles como personagens para conseguir sustentar a série. Mais que isso, foi uma oportunidade dos próprios roteiristas amadurecerem seu conceito sobre o universo de Os Cavaleiros do Zodíaco para continuar com uma história tão épica quanto foi a de Saori, Ikki, Shun, Hyoga, Shiryu e Seiya.

Uma cena clássica dentro de Ômega: Ária e os cavaleiros de bronze!

RESENHA: ParaNorman

Solidão. Tão aterrorizante para alguns, tão presente para outros. A solidão é uma das sensações mais temidas pela humanidade. Isso porque o ser humano precisa de socialização, depende do outro para poder cumprir seu papel. Em Paranorman, temos a história de um garoto que tem como única opção de socialização os mais solitários dos seres: almas penadas!

É inegável o efeito que a computação gráfica trouxe para o cinema, principalmente para os filmes infantis. Em um mercado outrora quase monopolizado pela Walt Disney, o recurso da criação de cenários, personagens e atuações 100% digitais possibilitou que diversos outros estúdios passassem a investir no segmento, tanto pelo baixo investimento, quanto pela alta lucratividade, afinal as salas de cinema passaram a ser uma das principais diversões de programas em família.

De repente todo mundo resolveu fazer filme infantil: a Disney se enfraqueceu, seu estúdio Pixar virou top de linha, Dreamworks surgiu como um gigante da sétima arte, Warner e Fox criaram boas produções e muitas, mas muitos estúdios emplacaram filmes de alto retorno e baixa qualidade de enredo. Entre um estúdio e outro de menos projeção, de vez em quando surgem verdadeiras obras-primas e do Laika, chegou Paranorman!

Com o sucesso e a repercussão de sua primeira produção, Coraline, o estúdio Laika seguiu sua linha de filmes de animação stop-motion (com uma grande dose de computação gráfica, claro) e deu origem a um filme com um visual tão voltado aos filmes de terror quanto grandioso em seu enredo. Se da primeira vez o estúdio tinha a vantagem do enredo de sua produção ser assinado por Neil Gayman, o autor dos quadrinhos de Sandman, dessa vez seu roteiro original teria de provar que a qualidade vista anteriormente seria uma das características do estúdio.

A cena da perseguição do carro foi um dos destaques!

Vivendo em uma pequena cidade do interior da Inglaterra, o pequeno Norman seria um garoto norman cursando o ginasial se não fosse o motivo pelo qual todos os alunos da escola zombam dele: ele pode ver fantasmas. Mas não são quaisquer fantasmaas, são almas penadas ligadas a algum tipo de condição que não deixam suas almas partir para o plano espiritual. Vítima de bullyng e da descrença de sua família, Norman só tem aos fantasmas e ao espírito de sua avó para poder conversar.

Porém, com a chegada de um festival que celébra a morte de uma mulher tida como bruxa que foi julgada e queimada em uma fogueira na cidade, Norman se vê envolvido em um delicado ritual de manutenção do sono da bruxa que acaba por levar a ressusrreição de todos os mortos amaldiçoados por uma maldição após a sua morte. Agora, os mesmos habitantes que outrora o tinham como louco, são obrigados a tentar entender o misterioso mundo dos mortos se quiserem continuar vivos.

O que parece mais um filme de terror infantil comum, com trailers que pouco mostravam o desenrolar da hitória, ParaNorman se mostra um filme rico em vários aspectos. Em sua animação cheia de detalhes, os personagens parecem mais expressivos que atores reais e sua personalidades muito mais bem elaboradas e funcionais dentro do enredo que parece ser planejado em cada detalhe, completando uma história sólida e cheia de surpresas.

O design dos zumbis são uma mescla de terror e bizarrice!

A diversão é um ponto a ser levado em consideração, mas o tema sombrio e o personagem com uma personalidade afetado pela distância de seus entes queridos e não tã queridos assim, o clima sóbrio chega a prevalecer em muitas das sequências do filme, fazendo dos zumbis ressuscitados um atrativo muito mais intelectual que debochado.

Mas nada supera a quebra de espectativa que o filme provoca em quem assiste. Após cerca de uma hora e meia de história, os diretores Sam Fell e Chris Butler encontraram a maneira perfeita de surpreender o público a cada minuto, seja com os contra-pontos existentes em um roteiro de filme de terror infantil, seja nas lições aplicadas em um contexto tão atual.

Prova que a saturação da animação no cinema atual pode gerar animações de qualidade, ParaNorman merece local de destaque nas produções colocadas em cartaz junto a ele. Resta torcer que a solidão vivida pelo protagonista no filme, não seja reflexo da merecida boa repercussão que o filme merece.

O filme tem final pra ninguém botar defeito!

RESENHA: Batman Ano Um (Warner Premier)

Toda história tem um início. E por mais vezes que ela seja contada e recontada sempre haverão elementos que durarão para sempre, povoando a imaginação de todos aqueles que se emocionarem com seu início. Batman Ano Um é a animação que transformou em desenho animado a história dos quadrinhos que transformou pra sempre a origem do maior herói que o mundo já teve.

UM NOVO INÍCIO

Nos anos 80, após a grande saga Crise nas Infinitas Terras que reuniu todos os heróis da DC Comics, a editora começou a revisar e a recontar a história dos seus principais heróis a fim de atualizá-los para a nova horla de leitores que estavam emergindo.

O escolhido para recontar a origem de Batman foi Frank Miller, o gênio por trás do roteiro de O Cavaleiro das Trevas, uma graphic novel que mudou para sempre como o herói era visto fora e dentro dos quadrinhos, sendo o conceito mais utilizado em todas as formas de entretenimento fora das revistas do herói.

Intitulada Batman Ano Um, a história conta exatamente o qu seu nome indica, o primeiro ano de Batman na famigerada cidade de Gothan City, passando por todos os medos e dificuldades que a difícil decisão de se tornar heróis acarreta na vida de um ser humano marcado pela dor e pela perda.

Com o sucesso nos quadrinhos, a história quase ganhou uma adaptação live-action nos anos 2.000, quando a Warner pretendia reiniciar a franquia Batman nos cinemas. Mesmo cancelada, a história exerceu grande influência no roteiro de Batman Begins, lançado em 2005 sob o roteiro e direção de Christopher Nolan.

Bruce Wayne chora a morte dos pais.

Com o sucesso dos filmes de Nolan, a Warner se motivou a lançar diversos filmes animados de seus super-heróis (a Warner é a atual dona da DC Comics) e finalmente em 2011, Batman Ano Um teve a sua chance de ser produzida.

NASCE O HERÓI

Na história, dois pontos-de-vista são sumamente contados pincelando o conceito medonho e aterrador que a corrupta Gothan City se transformou ao longo de sua história.

De um lado o rico playboy Bruce Wayne volta para sua cidade natal disposto a acabar com o crime organizado que matou seus pais na sua frente quando ele ainda era uma criança.

Do outro lado da cidade, o tenente Jim Gordon é transferido de Chicago com sua esposa, Bábara Gordon, grávida. Apesar de sua forte ideologia e crenças na verdade e na justiça, Gordon vive frustrado com a maneira vendida que os policiais de Gothan agem, fazendo vista grossa para todos os crimes da alta máfia que assola a cidade.

O filme consegue ser muito fiel aos quadrinhos, chegando a utilizar muitas vezes as mesmas falas dos balões em seu texto.

O então tentente Jim Gordon rouba a cena no filme.

Porém as diferenças adicionadas a animação surtem efeitos difusos dos quadrinhos. Com um traço bonito, maduro e longe dos (excelentes) desenhos animados dos anos 90 que ainda hoje influenciam o traço do herói na TV, o filme peca na forma como posicionou Gothan.

A forma fria mas ao mesmo tempo impessoal que os dois protagonistas narram a famigerada cidade de céu vermelho cria um ambiente pesado, mas acabam contrastando fortemente com o visual limpo e brilhoso que a pintura final da animação deu a cidade, fazendo-a parecer muito mais a avançada Metrópolis que a caída Gothan.

As vezes o espectador do filme pode até se perguntar porque o filme se chama Batman Ano Um se tal ano foi tão cheio de Gordon e tão fraco de Homem-Morcego. Até Selina Kyle, a Mulher-Gato, teve uma abordagem mais impactante no filme que o principal protagonista. Mas tal empreitada foi muito boa para a narrativa da história.

Dedicando um espaço muito maior aos dramas de Gordon ao invés de Wayne, a história ganha uma originalidade genial para um espectador que tem seu primeiro contato com a história de Frank Miller.

A origem como prostitua da Mulher-Gato também é contada.

Pense bem, não seria muito interessante para o espectador casual rever novamente pontos tão bem trabalhados e conceituados em Batman Begins, como a morte dos pais de Bruce, a luta sem o manto do morcego na cidade e inspiração para o milionário criar o Batman.

E mesmo para um fã de longa data, reassistir tudo o que já viu e leu parece perda de tempo.

Com Gordon na guia principal do filme, Batman Ano Um se torna um filme muito mais cheio de razão de ser e muito mais profundo nas reflexões e críticas que originalmente Frank Miller quis passar em sua história em quadrinhos de 1987.

FICA O MITO

É muitas vezes difícil separar o que é verdade e o que é mito nas histórias em quadrinhos, isto porque a quantidade exagerada de fatos contado e recontados que os heróis ganham a medida que o tempo passa aumenta exponencialmente a cada oportunidade mercadológica que as editoras encontram.

Ao mesmo tempo é incrível notar como as grandes histórias sobrevivem ao tempo e conceituam o herói, chegando a influenciar muito mais que o início primordial de sua criação. Batman Ano Um é uma dessas histórias, e seu filme não fica atrás.

Mesmo no início de suas atividades, Batman impressiona com sua astúcia e força de vontade.

Essencial para o fã dos quadrinhos, essencial para o fã do Batman, essencial para o fã de boas histórias, nunca num filme animado americano de apenas 64 minutos conseguiu trazer tanta carga emocional de um personagem que de tanto ser coadjuvante se tornou o protagonista de um filme que nem leva seu nome.

RESENHA: A Bela e a Fera, Walt Disney

Os contos de fada são o alicerce de todas as histórias de ficção e fantasia dos tempos modernos. A cada vez que é contado, a história se transforma, ganha pontos e projeções do interlocutor, ganhando cada vez mais riqueza e contribuindo para a formação e a evolução natural da história no tempo e no espaço a qual está inserida. A Bela e a Fera dos estúdios Walt Disney é a representação máxima de um conto que se transformou com o passar de gerações e perpetuou seus personagens no imaginário de todo mundo todo, extendendo-se muito além de uma vida no interior.

UMA VEZ DISNEY…

Após a morte do gênio Walt Disney, fundador, principal diretor e produtor dos filmes e desenhos produzidos pelo estúdio que leva seu nome, os filmes canônes, principal animação do ano que entra para a linha clássica, da Disney tiveram uma queda significativa de qualidade, aprovação da crítica e do público.

Isso levou o estúdio a fazer diversas parcerias com outros estúdios nos anos 70 e 80, originando filmes interessantes, mas de pouco impacto para o público. O retorno de grandes produções de sucesso só viria em 1989, quando a Disney estreiou A Pequena Sereia, com direção de  Ron Clements e John Musker.

A Pequena Sereia ficou conhecido como o filme que renasceu a Disney, mas foi graças A Bela e a Fera que o sucesso inicial de Ariel pôde ser repetido várias vezes em todos os seguintes filmes do estúdio durante os anos 90.

Mesmo sendo sondados diversas vezes pela produtora, os diretores de A Pequena Sereia se recusaram a produzir A Bela e a Fera. Assim os escolhidos para a produção, após o então presidente da Walt Disney Studios, Jeffrey Katzenberg, ter recusado os storyboards iniciais ainda no fim dos anos 80, foram Kirk Wise e Gary Trouslade, que já haviam produzido filmes para serem exibidos no Epcot center, um dos parques do gigantexto Walt Disney World na Flórida.

Junto com a roteirista Linda Woolverton e os compositores Howard Ashman e Alan Menken, os mesmos de A Pequena Sereia e futuramente de Aladdin, o resultado do filme superou qualquer expectativa inicial transformando o conto original francês numa das obras mais cultuadas dos anos 90. O sucesso de crítica foi tão grande que A Bela e a Fera foi a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme em 1992.

As canções de Ashman, que havia descoberto recentemente que sofria de AIDS, o que levou a produção toda a realizar o filme em Nova York para ajudar na saúde do compositor, garantiram ao filme o Oscar de Melhor Trilha Sonora e o Oscar de Melhor Canção Original com o tema “Beauty and the Beast”.

MAIS QUE A VIDA NO INTERIOR

O primeiro tema do filme e também aquele que embala a maioria das trilhas sonoras variantes serve como apresentação de Bela, a jovem camponesa de um vilarejo francês que sonha com heróis, mocinhas bandidos e todo o tipo de fantasia que os livros da biblioteca podem lhe transmitir.

O sonho de quem quer ascender. Essa é a mensagem de da sonhadora Bela.

Apesar de ser a jovem mais admirada da cidade, Bela sempre recusava os pedidos de casamento dos homens da vila, principalmente do insistente Gastão, o caçador mais habilidoso (e menos inteligente!) das redondesas. Apesar de ser o galão mais desejado pelas donzelas da cidade, Bela via em Gastão um homem superficial, negligente com assuntos sentimentais.

O que Bela não imaginava seria que os contos que ela tanto se fascinava nos livros se tornariam realidade quando tivesse que salvar seu pai que, tão sonhador quanto a filha, acabou se abrigando num castelo escondido no meio de uma floresta quando sua carroça foi pega por uma tempestade mas acabou refém do dono do castelo, o aterrador Fera, que há 10 anos vivia isolado do resto do mundo após um feitiço que ele mesmo provocou.

UM CONTO RECONTADO

A história original de A Bela e a Fera é oriunda da França. Escrito e publicado por Gabrielle-Suzanne Barbot, a Dama de Villeneuve, em 1740. Mais tarde o conto foi reescrito por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, que resumiu e modificou a obra de Villeneuve.

Apesar de grande parte dos elementos do filme da Disney estarem presentes nos contos originais, estes apresentam muitos pontos distintos que, como acontece na grande maioria dos contos-de-fada, acabam chocando quem está acostumado com o jeito Disney de narrar os contos-de-fada clássicos.

Historicamente, os contos-de-fada foram largamente utilizados para dar lições nas crianças que a ouvem. Com o conto de A Bela e a Fera não é diferente, mas sua primeira versão é ainda mais complexa. Publicada em meados do século XVIII a obra já começara a sofrer grandes influências do Romantismo que já eclodira na Inglaterra e aos poucos começava a ganhar força na França.

A exploração do grotesco. Influências do Romantismo europeu estampados em Fera.

O ponto mais claro dessa influência é a exploração do grotesco. Antes do Romantismo era comum que o bem e o mal ficassem muito claros numa história através de sua aparência. Durante a Antiguidade na Grécia e depois resgatado por toda a Europa durante o Resnascimento, os ideais de beleza e simetria estampavam heróis, deuses, damas e seres fantásticos, enquanto que o aterrador, o horroroso e o despresível eram estampados por monstros e seres inescrupulosos e cruéis.

Fera é o retrato do mal, com aparência que causa espanto, medo e sua personalidade também não é das mais amigáveis. Porém conforme Bela vai conhecendo o coração por trás da pele de monstro, Fera revela seus verdadeiros sentimentos e toda a sua capacidade de amar.

A fuga do lugar comum para lugares idealizados também é muito clara. A história se passa em um vilarejo não muito distante dos existentes na França no século XVIII, mas a história toda gira em torno de um castelo escondido numa floresta de dificil acesso. É quase inimaginável que um castelo gigante como o do Fera não fosse conhecido do povo, ainda mais em um período ta curto entre o seu feitiço e o encontro com Bela (apenas 10 anos), mas  a liberdade criativa romântica permite isso.

Mas a riqueza do universo de A Bela e a Fera da Disney não pararm por aí. Até mesmo a versão brasileira do filme, num caso único e particular, permite um escopo de interpretação interessante. Tanto a voz de Gastão e de Fera são realizadas pelo mesmo dublador, Garcia Junior, famoso pela voz de He-Man e, mais tarde, de Simba adulto de O Rei Leão.

Gastão é metido presunçoso. Mas devido ao su tipo másculo, apenas Bela vê isso.

Mesmo isso tendo acontecido apenas no Brasil, é interessante interpretar a mesma voz como um mesmo lado que ambos os personagens tem em comum. Gastão é o retrato escrito da personalidade de Fera antes de ele se encontrar e rejeitar a feiticeira que o transformou em monstro devido a sua aparência simples e anciã.

A VERSÃO 3D

Em 2012 A Bela e a Fera voltou aos cinemas para cair no gosto dos pequeninos, dos fanáticos pelo 3D e dos marmanjos de plantão.

A Disney saiu na frente em 2010 quando exibiu Toy Story e Toy Story 2 em 3D e viu que o retorno de filmes de sucesso, mesmo com inúmeras opções em DVD, Blu-ray e TV a cabo existam, pode ser algo de muito retorno para a empresa. Com o sucesso de O Rei Leão 3D em 2011, a ação parece que não vai parar tão cedo.

Comparados aos seus três antecessores de velha guarda, o 3D de A Bela e a Fera foi o mais bem explorado. Mesmo com que o ambiente do filme fosse muitas vezes composto de apenas um plano de foco, as camadas posteriores foram tão bem trabalhadas que facilmente o expectador se sentia dentro do laboratório do pai de Bela ou do Castelo de Fera.

Mesmo com uma divulgação muito menor que O Rei Leão, a animação conseguiu em duas semanas arrecadar 100 milhões de dólares em todo o mundo e esse número só tende a aumentar. Ainda para 2012, a Disney prepara Monstros S.A e Procurando Nemo em 3D e os resultados não serão diferentes.

Um romance que diverte crianças e emociona adultos.

UMA ROSA PARA SE GUARDAR

Assim como a flor que o mantinha o Fera vivo, A Bela e a Fera é um clássico precioso que merece ser guardado, relembrado e repassado para todas as gerações.

Mais que representante da ascensão das animações Disney, mais que um sucesso comercial e de entretenimento, o filme transmite uma das mais belas, com o perdão do trocadilho, mensagens que um conto de fada pode passar para crianças e adultos: independente da aparência, da maneira de agir ou de como as pessoas vêem algo, o importante é o ser humano, como agente individual de ideias e opiniões saiba avaliar o quanto vale o coração do seu próximo, seja ele o mais belo príncipe de um reinado ou o mais devasto animal aterrador de toda a floresta escura inundada pelos mais frios temporais.

E a Band dá mancada mais uma vez!

Se todos os fãs de Os Cavaleiros do Zodíaco pudessem concentrar toda a sua esperança para conseguir uma transmissão que deixaria orgulhoso qualquer fã que acompanhava a série nos anos 90 na Rede Manchete, certamente se deparariam com uma grande vilã: a Band.

Em 2010, Seiya terá que enfrentar p maior inimigo de todos os tempos: a Band!

A emissora da Rua Radiantes que foi a escolhida para transmitir a série em 2005 por aceitar transmiti-la assim como era feito nos anos 90, não só fez mal uso da franquia, como a “queimou” no mercado.

Com o fim do licenciamento pela Band, os fãs aguardavam que a série fosse para uma emissora com mais tradição em animações japonesas, como o SBT ou a RedeTV!, mas o pior aconteceu: devido a baixa audiência do anime em seus últimos meses de exibição na Band, todas as emissoras recusaram a franquia.

Sem melhores opções, Os Cavaleiros do Zodíaco voltaram para a Band em 2010.

A Band anunciou que faria a diferença na exibição 2010 do anime em 2010, mas os erros cometidos pela empresa antes mesmo do início da exibição já são aparentes.

Primeiro a emissora decidiu transmitir o anime em seu bloco matinal Band Kids, em um horário que a disputa infantil entre Globo e SBT atinge seus pontos mais altos.

Depois a emissora resolveu adiar a estréia de março para julho, para que a exibição da Copa do Mundo não atrapalhasse a exibição d’Os Cavaleiros do Zodíaco.

Por fim, a emissora resolveu adiantar a estréia da franquia para esse dia 30 de junho, no horário da tarde, a partir das 14h30, num horário entre os jogos da Copa do Mundo reservado as emissoras locais.

Ou seja: apenas a Grande São Paulo poderá assistir o desenho animado, um cenário muito parecido com o que “queimou” a série a poucos anos atrás.

Mesmo após os erros do passado e a insatisfação dos fãs, a Band insisti em tornar os Cavaleiros do Zodíaco em uma tapa-buraco da emissora.

Sem um mínimo de respeito com os fãs da série e com a empresa que a licenciou para a emissora (e todas as empresas que pretendem investir no anime neste ano), a emissora faz o pior uso que a franquia já teve…

Seria muito melhor assistir Os Cavaleiros do Zodíaco espremido entre desenhos da Nickelodeon na Globo ou mesmo sendo anunciado pela Maísa sábado sim, sábado não, do que ter que engolir uma exibição regional novamente…

Os Simpsons em versão Sayajin

Veja até onde pode chegar a criatividade humana!

Como se não bastassem 508 episódios para TV, mais de 20 filmes, 42 volumes de mangá, recordes de audiência em todo mundo, um filme em hollywood (meio tosco, mas tá lá), centenas de miniaturas, dezenas de jogos e uma versão remasterizada de sua principal saga, Dragon Ball, a maior série japonesa de todos os tempos parece não dar sinais de ter os investimeos em sua franquia encerrada.

Ao mesmo tempo, com números tão significativos quanto Dragon Ball, temos Os Simpsons, o maior desenhos animado de todos os tempos, que conseguiu ao longo de suas atuais 21 temporadas conseguiu se tornar o maior fenômeno de cultura pop dos anos 90.

A semelhança entre as duas séries? Fora seu grande número de recordes, grande númeor de episódios e grande número de fãs, temos um video um tanto quanto inusitado que vêm sendo veiculado na rede a um tempo.

Trata-se de um clipe que trás uma versão de Springfield de Goku e seus amigos. Temos Bart Simpson como Goku, Marge como Bulma, Homer como Tenshin-han e o senhor Burns como… É melhor que você mesmo veja.

Realizado pelo site Mangomics.com, o vídeo ainda traz a segunda música de abertura do anime em sua versão original, cantada por Hironobu Kageyama, para ilustrar a animação. Confira:

RESENHA: O Castelo Animado

Título original: Hauru No Ugoku Shiro (Japão) // Howl’s Moving Castle (EUA)
Gênero: Animação
Duração: 1h59
Ano de lançamento: 2004
Estúdio: Dentsu Inc. / NTV / Studio Ghibli / Tohokushinsha Film Corp. / Tokuma Shoten / Walt Disney Pictures
Distribuidora: Buena Vista International / PlayArte
Direção: Hayao Miyazaki
Roteiro: Hayao Miyazaki, baseado em livro de Diana Wynne Jones
Produção: Rick Dempsey, Ned Lott e Toshio Suzuki
Música: Joe Hisaishi
Edição: Takeshi Seyama

E se você avançasse no tempo e chegasse a terceira idade em questão de segundos? E se todo o período passado entre sua idade atual e seus 90 anos tivessem sido perdidos no tempo? E o que aconteceria se todo o medo guardado durante anos não mais te afetasse?

São perguntas como estas que movem o enredo de “O Castelo Animado“, animação de Hayao Miyazaki (de A Viagem de Chihiro) trazido para o Brasil pela PlayArte Pictures.

O filme teve uma exibição discreta pelos cinemas nacionais em 2005, mas a mensagem deixada por ele marcará para sempre aqueles que o assistiram.

Apesar de negar seus sentimentos, a paixão de Sophie surgiu logo a primeira vista.

O longa conta a história da jovem Sophie que após uma visita um tanto quanto inusitada da Bruxa da Terra Vazia a sua loja de perucas é transformada em uma velha de 90 anos. Sophie que sempre viveu presa no negócio que seu pai lhe deixou após a morte, resolve fugir e procurar o poderoso feiticeiro Howl, que havia lhe salvo de homens mal intencionados que abordaram a garota enquanto ela fazia compras na feira da cidade.

Howl é um mago conhecido por seu gigantesco castelo andante, que está sempre cruzando as cidades. Além disso, o feiticeiro tem a fama de roubar o coração das garotas que o conhecem, já que estas não conseguem resistir ao charme e ao poder de atração que ele tem.

Ao chegar ao castelo, Sophie decobre que o mago vive com o garoto Marcle e com Cálcifer, uma labareda de fogo que move o castelo e ainda promete fazer a jovem senhora retroceder até a sua idade atual caso ela consiga descobrir a ligação entre ele e o dono do castelo, que aceita de bom grado que a visitante se torne sua nova empregada doméstica.

Calcifer faz a parte cômica do filme como ninguém.

Como condição da Bruxa da Terra Vazia, Sophie não pode contar a Howl que ela fora enfeitiçada, assim, com seu novo emprego no castelo, a velha garota vai descobrindo todas as maravilhas e encantamentos que o cercam, que vão desde portas mágicas até as várias personalidades de feiticeiro bonitão.

Se o enredo já é uma mistura de elementos cativantes, a experiência de assistir o filme faz com que até o espectador mais exigente caia de queixo com os efeitos visuais animados, que fazem qualquer efeito 3D tão na moda hoje em dia pareça coisa de criança. Os detalhes de cada enquadramento faz com que cada cena se torne uma verdadeira obra de arte, característica marcante de todos os filmes de Hayao Miyazaki.

O cuidado que o diretor dá as mais simples passagens do filme não só impressiona, mas muito cativa. Cada personagem é moldado para uma finalidade própria, não existindo personagem que esteja presente para meros fins comerciais.

Os coadjuvantes trazem mais fantasia à história.

Se uma velha de 90 anos já não é a protagonista mais usual de um anime, o que dizer de herói que age por medo e apreensão?

Howl, a muito tempo, fez um acordo com um demônio, a qual ele deveria obedecer todas as ordens que reis o dessem. O que parecia simples e despretencioso, se tornou um enorme peso quando ele se vê obrigado a utilizar seus poderes para fins militares. O problema é que, além de ele odiar guerras, o feiticeiro está lutando ao lado de dois reinos rivais, que solicitaram seus serviços cada para uma das muitas identidades de Howl.

Miyazaki ainda foi muito engenhoso ao retratar as mudanças de atitude que a protagonista sofre após sua transformação. De uma garota submissa as pressões internas referentes a honra e a moral, Sophie passa a uma senhora cheia de atitude e sem medos, tomando diversas atitudes que superam até ela mesma, afinal, como diz a própria personagem: “o que uma velha tem a perder?”.

A arte do Castelo é uma verdadeira pintura!

Igualmente engenhoso, foi a maneira como a jovem envelhecida recupera sua juventude. A medida que Sophie vai aceitando sua paixão por Howl e vai desenvolvendo sentimentos altruístas, como o perdão, a coragem e o altruismo, a personagem vai recuperando sua juventude, tendo inclusive momentos de recuperação total.

Descrever cada atitude de cada personagem é pouco comparado a criatividade do autor ao compor sua aparência e o cenário em que vive. Os personagens de Miyazaki só descrevem melhor como o japonês é especialista na arte de contar histórias. Em meio a seres fantásticos e cenários inimagináveis, o diretor sempre dá destaque ao ser humano, às suas dúvidas e aspirações, o que sempre resulta na identificação de quem assite em cada parte de cada um dos personagens.

O filme é um clássico dos anos 2000.

Como é de praxe do autor, o filme é uma produção que diverte as crianças e comove os adultos. Diante do exemplo de uma jovem que perdeu sua juventude, o espectador aprende uma importante lição: escolher sonhar e viver, não caindo diante das dificuldades e lembrando sempre que existe um castelo animado dentro de cada um de nós, cheio de e complexos, mas sempre disposto a seguir caminhando em frente, seja no bom e velho jardim onde crescemos e aprendemos ou na Terra Vazia, que não será mais tão vazia após você chegar lá.

Pôster brasileiro.

RESENHA: Batman – O Cavaleiro de Gotham (Warner Premier)

FILME: Batman: Gotham Knight (バットマン: ゴッサムナイト, Battoman: Gossamu Naito)
DISTRIBUIÇÃO: Warner Bros.
ANO DE LANÇAMENTO: 2008

De tempos em temps os fãs de animação japonesa são presenteados com produções que valem ouro. Ao mesmo tempo, em meio a uma saturação de mercado, os fãs de comics (histórias em quadrinhos americana) também ganham verdadeiros diamantes brutos.

Mas Batman – O Cavaleiro de Gothan, foi uma jóia moldada para o agrado de ambos os segmentos. Se aproveitando de um mercado que vem crescendo a cada ano, desde a ascensão dos quadrinhos para o cinema e da facilidade de obtenção de conteúdo da internet, somado ao sucesso do filme Batman – O Cavaleiro das Trevas, a Warner Bros encomendou a diversos estúdios japoneses a produção de um anime de uma de suas franquias de maior sucesso, Batman.

Dividido em 6 episódios, Batman – O Cavaleiro de Gothan, se passa entre o filme Batman Begins e O Cavaleiro Das Trevas. Com o roteiro de Jordan Goldberg, cada um dos episódios, a exemplo de Animatrix, conta com a direçao de um diretor diferente, o que faz com que a produção revele um novo Batman conforme o desenrolar da história.

O  estúdio Production I.G. produziu o traço mais inusitado do morcegão.

Aliás, mostrar o homem-morcego sobre vários pontos-de-vista, é a grande essência da obra. Logo no primeiro episódio, Eu tenho uma história para você (direção de Shojiro Nishimi), somos apresentados a juventude transviada de Gothan e as suas diferentes visões do herói de manto negro: seja como uma sombra andante, um morcego mutante ou um robô saído da ficção ciêntifica, cada uma das histórias contadas por cada um dos jovens mostra uma perturbada sociedade que oscila entre o progresso e a decadência. Reflexo não só de Gothan, mas de todas as grandes metrópoles do mundo real.

Enquanto o primeiro episódio se preocupa muito mais com a filosofia Batman, o segundo, Fogo Cruzado (direção de Futoshi Higashide), foca mais o enredo d‘O Cavaleiro das Trevas, revelando como o mafioso italiano Moroni, foi capturado pela polícia para que houvesse o julgamento deste no início do filme de Cristopher Nolan. Este episodio ficou a cargo do estúdio Production I.G, o mesmo que produziu o clássico Ghost in the Shell.

Fogo Cruzado mostra a captura do mafioso Moroni.

Até então, toda a historia está muito mais voltada para o universo de Gothan City, assim, o terceiro episódio, Teste de Campo (direção de Hiroshi Morioka), é o primeiro que  traz Bruce Wayne como protagonista, quando este vai estudar Ronald Marshall, um empresário que está sendo beneficiado por estranho assassinatos que estão o ocorrendo na cidade. A produção deste episódio ficou a cargo do estúdio Bee Train inc., e contou com a colaboração do estúdio DEEN, que cuidou da produção do anime Vampire Knight.

“-Ei morcego, – indaga um mendigo – quando você voa, como a cidade parece lá de cima?
– Parece suja. – Responde Batman.”

A ação propriamente dita começa no quarto episódio, Esconderijo na escuridão (direção de Yusuhiro Aoki), quando Batman corre atrás do rastro de Willian Craig, o Espantalho, que continua a utilizar a sua toxina em seus comparças, a maioria fugitiva do Asilo Arkhan (sanatório que teve a maioria de seus detentos soltos em Batman Begins). Após uma passagem pelos trilhos de metrô abandonados de Gothan e uma tremenda luta contra Killer Croc, mutante que tem medo de morcegos, o que lhe rende uma mordida e envenamento no ombro, o morcegão enfrenta Craig e salva o cardeal que ele havia sequestrado.

A podridão do sistema de metrô de Gotham é o cenário do quarto episódio.

No quinto episódio, Lidando com a dor (direção de Toshiyuki Kubooka), somos tranportados ao passado de Bruce Wayne, em um de seus treinamentos realizados antes de se encontrar com Rã’s Al’Ghul, onde o jovem aprendeu técnicas de luta e desenvolveu sua espiritualidade. Tanto esse episódio como o primeiro, foram produzidos pelo Studio 4ºC e ontou com a colaboação dos estúdios Bones (que produziu FullMetal Alchemist) e Gonzo (que produziu Chrono Crusade).

O episódio final, O Pistoeiro (direção de Jong-Sik Nam), mostra o desefecho da história. Ronald Marshall é preso por mandar o bandido O Pistoleiro cometer diversos assassinatos, que também é preso graças ao homem-morcego em uma das lutas animadas mais bem produzidas de toda a história animada do personagem. Foi o estúdio Mad House, cohecido pelo anime Death Note e da segunda animação de Hunter x Hunter que cuidou da produção deste e do quarto episódio, não coincidentemente os episódios com as lutas mais excitantes.

A ação caracetrísitica dos desenhos japoneses entra em cena no último episódio do DVD.

O filme foi lançado direto para DVD e seu sucesso estimulou a Warner a produzir outros diversos filmes animados com personagens da DC Comics no mesmo formato, só dessa vez em estúdios americanos.

“- As vezes eu acho que devia parar com isso. Lamentava Bruce Wayne, após uma batalha cheia de feridas.
– Talvez tenha razão, senhor – responde Alfred, seu fiel mordono – mas algo me diz que há um propósito maior nisso tudo.”

Em meio a tantas nomenclaturas, seja filme, anime, desenho animado ou série em 6 episódios, Batman – O Cavaleiro de Gothan explora o universo do homem-morcego de uma forma jamais antes vista, sendo a melhor categoria para classificá-lo como uma obra de arte que merece ser assistido, seja por fãs de longa data do personagem, seja por marinheiros de primeira viagem que apreciam filmes que põe em cheque os limites e a superação humana.