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RESENHA: Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith

Space Ópera é um sub-gênero da ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. Unindo todos estes elementos e exaltando a humanidade, os sentimentos e os vários lados da postura de um ser humano, Star Wars – Episódio II: A Vingança dos Sith é o longa-metragem que superou todas as barreiras da criação e se tornando o referencial ideal de um gênero.

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DO MEU PONTO DE VISTA, MALIGNOS SÃO OS JEDI!

Entusiasmado com a nova tecnologia em mãos e depois percebendo que sua obra não é feito apenas de explicações, George Lucas criou dois filmes bem diferentes entre si para contar o prelúdio de Star Wars. Enquanto o A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha) deu uma atenção demasiada à complexa, porém necessária, trama política, O Ataque dos Clones (leia a resenha aqui) foi extremamente simples, criando uma trama de romance leve e clara.

Pesando erros e acertos, o Episódio III chegou em 2006 como resposta aos saudosistas que esperavam um novo longa-metragem mais próximos das aventuras especiais de Luke, Leia e Han Solo nos anos 80, ao mesmo tempo que soube apresentar ao público o quanto a manipulação do Senado Intergaláctico foi de essecial importância para estabelecer o poder do Império sob todos os planetas.

O filme começa amarrando os pontos não fechados de O Ataque dos Clones. Deixando claro que após a República ter sido salva pelos Clones seguiram-se três anos de combate contra a Confederação, que tem como líderes o Sith Conde Dooku, ou Darth Tyranus, e o General Grievous, comandante das tropas de máquinas que formam a maior parte do exército inimigo.

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

E a missão inicial do filme é justamente o resgate do Senador Palpatine que armou seu sequestro por Dooku. Como não poderia deixar de ser, Anakin Skywalker e Obi Wan Kenobi são os Jedis a liderarem a missão e a travar a primeira luta do filme. Com um defecho angustiante e ao mesmo tempo instigante, esse início serve para estabelecer muito bem a função do longa em abordar a transformação de Anakin em Darth Vader e mostrar todo o processo de tentação por qual passou o personagem.

O DOBRO DO ORGULHO, O DOBRO DA QUEDA!

Apesar de, historicamente, A Vingança dos Sith contar o fim das Guerras Clônicas e a ascensão do Império, é recompensador verificar como George Lucas amarrou a trama política focando a história e os percalços passados pelo Jedi para traçar os efeitos do prelúdio à trilogia clássica, fazendo do personagem a sua grande causa.

Devido a um sonho premonitório que previa a morte de sua esposa Padmé Amidala assim que ela desce a luz ao filho de Anakin, o jovem Jedi começa a buscar maneiras de impedir que o sonho se concretize. É quando entra em jogo o Senador Palpatine que começa uma tentativa desenfreada de coagir o jovem a se entregar aos ensinamentos Sith que, segundo ele, com um potencial enorme, poderia até mesmo trazer os mortos à vida.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

E é nesse ponto que a trama chega a um ponto jamais antes alcançada por um filme de Star Wars: sabendo da proximidade de com Palpatine, o Conselho Jedi coloca Anakin como agente duplo colocando-o como segurança particular do senador ao mesmo tempo que colhe informações dele.

Os argumentos de Palpatine chegam a quase convencer o espectador que, se não tivesse todo o histórico de outros 5 filmes da franquia poderia se convencer tanto quanto Anakin que o Conselho Jedi está tentando trair a República. E o jovem Skywalker resiste ao máximo às tentativas do vilão de trazê-lo ao lado negro da força.

É interessante pesar a situação do jovem: enquanto o Conselho Jedi lhe dá uma sabedoria milenar na solução de problemas que não atende a libertação de suas amarras carnais, o lado sombrio parece lhe oferecer toda a possibilidade de viver em potencial sua força e o amor de Padmé, massageando seu ego e atendendo aos seus desejos de poder.

QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ

Um dos grandes feitos do filme é conseguir trabalhar em toda a sua potencialidade os personagens chave da trilogia clássica, principalmente quando se trata de Obi Wan Kenobi, onde se justifica o porque de ele ser considerado quase que uma figura lendária em Uma Nova Esperança.

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

Em lutas memoráveis e inteligentes, as cenas de ação valorizam de uma vez por todas todo o potencial do Mestre Jedi que, convenhamos, foi bem pouco desenvolvida nos filmes anteriores. Se antes a força de Obi Wan era apenas apresentada, agora sua inteligência, sua capacidade de planejamento, sua sabedoria ao aconselhar e sua humanidade são altamente desenvolvidas, cabendo a ele a vitória na luta contra a derradeira luta contra General Griveous, o único a escapar da Ordem 66 e uma luta extremamente trágica (e épica) contra Anakin.

Yoda é outro destaque. Em todos os filmes, até então, a grande força do personagem estava em sua inteligência e sabedoria. No Episódio III não é diferente, mas é aqui que Yoda também mostra seu potencial guerreiro, encarando Palpatine de frente e impedindo que o recém nomeado imperador fuja após a eleição que lhe garantiu o poder sob toda a galáxia.

A batalha de Yoda não tem um desfecho tão positivo quanto as lutas de Obi Wan, mas a sua conclusão é digna do Jedi, que não fica por baixo em momento algum, mostrando o porquê de ser o mestre supremo dos Jedi.

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Se na trama Padmé assume uma papel quase que totalmente consequencial, estando praticamente fora de todas as sequancias de ação e batalhas, sua participação no filme pe de fundamental importância para o desfecho do filme, perdendo toda a sua motivação e deixando para os Jedi a decisão do que fazer com os herdeiros Skywalker.

ENTÃO É ASSIM QUE A LIBERDADE MORRE… COM UM ESTRONDOSO APLAUSO!

Muitos são os momentos épicos de A Vingança dos Sith. Desde os diálogos muito bem construídos, até as batalhas mais bem coreografadas, não há passagem que tenha maior ou menor importância, nem momento que tire a atenção do espectador.

Não é a toa que o filme chama A Vingança dos Sith. O destaque total vai para a participação de Palpatine e suas manobras de coerção de Anakin e de manipulação do Senado Intergaláctico. O vilão é o exemplo máximo de como a massa é facilmente levada pelas aparências e como o jogo político pode ser perigoso quando é jogado com extrema malícia.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Se o lado sombrio até então era um conceito figurado, a transformação de Anakin em Darth Vader é a analogia perfeita de como alguém pode perder a sua identidade quando o seu ego se sobrepõe aos seus valores básicos, fazendo dos Sith algo muito mais palpável com cada ação do personagem. É impossível esquecer a cena do nascimento de Darth Vader, sendo a sua primeira respirada um dos momentos que se tornaram um clássico automático.

A execução da Ordem 66 dos Clones contra os Jedi é uma das mais bem executadas cenas de toda a saga Star Wars, fazendo da maior tragédia de todos os seis filmes uma passagem poética e de extremo bom gosto artístico, comparável as mais bem executadas óperas dramáticas contemporâneas.

Em Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith, tecnologia e dramaturgia se unem para fechar a prequela da maior franquia espacial de todos os tempos. Em um tom tenso, porém claro, que exacerba os lados mais intrínsecos de cada personagem sem deixar de lado todo o contexto histórico muito citado na trilogia clássica, mas que só em seu prelúdio pode ser totalmente experienciado, fazendo do filme o exemplo de uma perfeita execução ao construir uma space opera.

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

RESENHA: Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones

Uma das premissas da juventude é a transformação. Biologicamente, o corpo se transforma com a puberdade; emocionalmente, a mente amadurece; ideologicamente, o jovem transmigra de ser passivo e se torna o protagonista do meio em que vive. Em meio a perturbadas guerras ou a um ambiente de paz, há muito, muito tempo atrás, numa galáxia muito, muito distante, o jovem Anakin também se transformou, em Star Wars – Episódio II: O Ataque dos Clones, começa o grande combate entre sabedoria da juventude e a força da tradição.

INÍCIO DO PASSADO

Uma das frases que mais povoou a mente dos amantes da saga de George Lucas, foi quando ainda no primeiro filme da série, foi revelado que o pai de Luke Skywalker lutou nas chamadas Guerras Clônicas, um evento que mudou para sempre o governo e a soberania do Império Galáctico.

Se toda a mitologia do passado de Star Wars sempre foi algo das teorias e das fanzines mais diversificadas e criativas dos fãs, nada melhor do que revelar como foi o início das Guerras Clônicas como tema do segundo filme da segunda trilogia que conta o segundo episódio da maior saga espacial que o cinema já teve.

Além disso, mesmo para os novos fãs, a curiosidade pela continuação da história se torna latente mesmo antes do início do filme, afinal, não há quem se perguntasse como e porque o inocente Anakin Skywalker se tornaria o tão temível vilão Darth Vader com tutores de tamanha coragem e honra como Obi-Wan Kenobi?

Mesmo com a base complicada e muito administrativa do universo Star Wars durante A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha), não há como não querer sempre mais batalhas de sabre de luz, mais princesas sendo salvas e mais monstros estranhos sendo derrotados. Misturando tudo isso e mais um pouco, começa o Episódio II.

O jovem Anakin Skywalker precisa conviver com a dor da perda mesmo antes de se tornar um Jedi.

EU ODEIO QUANDO ELE FAZ ISSO

Anakin cresceu, já se passaram 10 anos desde que Qui-Gon-Jin morreu após resgatar um pequeno menino com alta concentração de midichlorians no sangue em Tatooine que todos passaram a acreditar ser o jovem previsto pela profecia que trará o equilíbrio para a força. Obi-Wan já é um mestre Jedi e Padmé Amidala se tornou senadora do Senado Galáctico após exercer dois mandatos seguidos como Rainha do planeta Naboo.

Com personagens já conhecidos do público, o filme começa logo em grande estilo. Com a iminente ameaça à vida de Padmé por um inimigo desconhecido que conhece a influência da ex-rainha no Senado, Anakin e Obi-Wan passam a protegê-la, logo tendo que iniciar um combate aéreo com perseguições em carros voadores num grande planeta metrópole da República.

Logo na perseguição é deixado claro as diferenças entre mestre e discípulo: enquanto o primeiro prefere se utilizar de métodos consagrados pelos Jedis para fazer a guarda e deter os inimigos, o segundo prefere se utilizar da criatividade e dos impulsos do momento para executar planos que se adequam as condições do perigo.

A senadora Amidala é alvo dos separatistas!

O atrevimento de Anakin chega a perturbar constantemente a Obi-Wan, a quem ele acusa de privar seus talentos e a impedir que ele se forme um mestre Jedi de uma vez por todas. Apesar de ser uma conduta trivial da adolescência, o filme explora a que níveis tal comportamento pode levar alguém com poderes como a Força.

A clássica briga entre adultos e adolescentes fica ainda maior quando a paixão de Anakin por Padmé chega a limites extremos: por ordem de Yoda, o jovem padawan (aprendiz Jedi) se torna o guarda-costas da senadora Amidala, enquanto Obi-Wan vai investigar a origem dos perseguidores. Tal decisão de Yoda funciona como um meio-termo do que cada um dos dois queria seguir após verem o assassino de Amidala morto por companheiros: enquanto Anakin queria investigar em dupla, Obi-Wan queria fazer a guarda em dupla. Separando os dois, Yoda estimulou Obi-Wan a comportamentos mais jovens e Anakin a condutas mais adultas, já que Padmé sabe que uma senadora não deve se envolver emocionalmente como um Jedi.

ANAKIN, SINTO QUE UM DIA VOCÊ AINDA MAIS ME MATAR

Ao contrário do Episódio I, o enredo aqui é simples, e por isso mesmo tão inspirador. Enquanto Obi-Wan descobre o exército de Clones que a República prepara a anos em segredo para deter os ataques dos separatistas, hoje liderados pelo servente de Darth Sideous (representante máximo do lado negativo da força), Conde Dooku, que está se preparando para atacar a Aliança Galáctica da República comandada pelo Senado, Padmé e Anakin descobrem a importância da amizade em um relacionamento amoroso, detendo ao máximo seus impulsos carnais.

Obi-Wan descobre a criação dos Clones a pedido de um antigo Chanceler da República.

Se a arrogância juvenil de Anakin por vezes o parecia levá-lo a lados não muito nobres da força, foi quando ele e a princesa viajam para Tatooine para se encontrar com a mãe do padawan, que o jovem experimenta pela primeira vez sentimentos hediondos capazes de levar um homem a loucura, quando descobre que o Povo da Areia sequestrou e matou sua mãe.

As experiências em Tatooine começam a aguçar ainda mais o sentimento do casal. E a grande mensagem do filme começa a se formar quando Anakin e Padmé, agindo até então responsavelmente graças a ação de Yoda, passam a valorizar o aproveitar do momento e a experiência da felicidade enquanto houver vida no momento. O mesmo acontece com Obi-Wan, que preso pelos separatistas passa a entender o método in loco de Anakin.

A luta final dos três protagonistas contra os exércitos separatistas além de levar Star Wars a um ponto jamais antes visto nas quatro produções anteriores em questões de efeitos especiais, levam a uma prévia do que seriam as Guerras Clônicas que a República iniciaria com os Separatistas.

Com uma baixa quantidade de soldados para combater os droids inimigos, a República decide apelar para o uso dos Clones produzidos para fins bélicos, mesmo que sem total consciência da origem deles, visto que o produtor deles, está lutando a favor do Conde Dooku.

Conde Dooku é um ex-Jedi líder do movimento separatista!

Se os efeitos com sabres de luz e naves espaciais já faziam os fãs sonharem a noite nos anos 80, a luta do trio de protagonistas mostrada em detalhes, com frames e closes em cenas de ação são de tirar o fôlego. E o que falar de Yoda lutando contra Dooku? Se o boneco da trilogia original já era carismático, o Yoda lutador se transforma no personagem dos sonhos: o sábio ermitão com um poder de fogo de tirar o fôlego!

FAÇA OU NÃO FAÇA. A TENTATIVA NÃO EXISTE

Cheio de referências a trilogia clássica, desde frases de Obi-Wan até a perda do braço de Anakin para o conde Dooku, Star Wars Episódio II – O Ataque dos Clones finalmente pôde mostrar para a nova geração de fãs o porquê da trilogia clássica ser tão cultuada até os dias de hoje. Cheia de conflitos ideológicos, personagens cativantes e performances (tanto dos atores quanto da equipe de efeitos especiais) épicas, a produção é o reflexo da grandiosidade técnica e da simplicidade cativante do diretor e criador George Lucas.

Explorando um tema não presente em nenhuma de suas produções antigas, Lucas pôde explorar de maneira singular o embate entre jovens e adultos mesclando toda a riqueza do universo de Guerra nas Estrelas com o jogo de adivinha que a personalidade de Anakin resguarda com sua futura transformação em Darth Vader.

Contar a origem dos clones que se tornaram peça essencial para as quase lendárias Guerras Clônicas ligam passado e presente na história, fazendo com que, além de contar o passado do grande vilão da saga, ainda cumpra seu papel histórico dentro da mitologia da série.

R2-D2 e C3PO são as únicas testemunhas do casamento de Anakin e Padmé.

Instigante, carismático e ao mesmo tempo perturbador, o jovem Anakin conquista os jovens e ganha o respeito dos mais maduros, não por ser o personagem que todos queriam ser, mas por revelar uma parte do ser humano que todos querem exprimir e a sensação que todos não param de ter: a paixão pela vida e a vontade de fazer tudo certo, mesmo que todas as transformações a sua volta pouco valham, se comparada ao caleidoscópio de mudanças que se passam em seu interior.

REVIEW: Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma

Para quem apreciava a sétima arte nos anos 70 não sabia a revolução por qual o cinema iria passar em 18 de novembro de 1977: era exibido pela primeira vez Star Wars (ou Guerra nas Estrelas, para os íntimos) o primeiro de uma série de filmes, desenhos animados, miniaturas, games, quadrinhos, livros e tudo mais que se possa imaginar.

A trilogia de filmes marcou sua época e a cada novidade o fenômeno era cultuado cada vez mais por mais gerações, conquistando fãs por onde passava. Mas nenhuma novidade causou tanto furor quanto o anúncio daquilo que os inveterados fãs mais desejavam: a produção de uma nova trilogia de filmes contando a origem de todas as revoluções e guerras por qual uma galáxia muito, muito distante passara anos antes da construção do Império Galactico. Nascia Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma.

O QUARTO FILME É O PRIMEIRO

Talvéz primeira dúvida dos aspirantes a fãs de Star Wars é por onde começar a assistir os filmes. Nos anos 70, quando George Lucas, criador de todo o universo de Star Wars, dirigiu o primeiro longa da saga, ele precisou começar a história pelo seu quarto capítulo, já que a história que ele havia idealizado era impossível de ser rodada com a tecnologia daqueles tempos.

Somado a isso, os estúdios de cinema duvidavam que um filme com uma temática tão distante de temáticas adolescentes (em grande parte iniciada pelo filme Embalos de Sábado a Noite) que estava conquistando as bilheterias dos cinemas daquela época pudesse render um bom retorno. Assim George Lucas decidiu iniciar sua história do quarto capítulo da história que escrevera, mas foi proibido de, como ele assim queria, colocar a incrição Episódio IV, junto com título do filme.

Assim, o primeiro episódio da saga só pode ser rodado nos anos 90, época que Lucas considerou a ideal para a realização dos efeitos especiais que a história exigia e agora, livre de qualquer empecilho comercial que pudesse barrar a sua produção.

Porém, mesmo entendendo toda a relação produção-tecnologia-tempo, o candidato a assistir aos filmes ainda fica em duvida de qual assistir primeiro, se seguindo a ordem de produção ou a produção cronológica. E mesmo um veterano quando se depara com essa questão fica na dúvida com qual a resposta deve dar ao seu interlocutor.

Essa dúvida se dá por dois motivos principais. Primeiro, por o universo Star Wars ser tão rico em criatividade, personagens e sequências que fica dificil de decidir qual a ordem das surpresas e dramas que se recomendaria primeiro. Segundo, por que mesmo que a cronologia atual tenha muito mais efeitos especiais e condições de surpreender visualmente (um dos pontos chave para o sucesso da primeira trilogia, em sua época), é fato que o Episódio I, não foi produzido exatamente para uma pessoa que tem seu primeiro contato com Star Wars, por isso o medo da decepção com tal filme sempre acaba prendendo uma recomendação prematura do filme, pois o resultado pode ser facilmente decepcionante.

O INÍCIO DE TUDO

O que mais encantava em todos os três filmes da trilogia clássica (episódios IV, V e VI) é que mesmo que alguém se aventurasse a assistir ao filme de um ponto que não fosse exatamente o primeiro filme produzido, esta seria facilmente conquistada por todos os elementos que compõem a obra. É fácil distinguir o que acontece na tela: temos um mocinho e um bandido facilmente reconhecíveis, um loiro com roupas brancas e o outro de máscara com armadura negra, um esteriótipo que seria (e ainda hoje é!) acompanhado por muitas e muitas gerações do cinema.

Qui-Gon Jinn é o mártir do filme.

Porém, o primeiro erro do Episódio I é justamente não deixar muito claro o que acontece na história, e não é um problema do início ou de pontos específicos da tela, isso acontece o filme inteiro! Além disso, mesmo com elementos tão claros do enredo, o episódio IV ainda tinha todo um timing para a apresentação do universo ao espectador, coisa que não acontece no Episódio I.

É claro que o enredo de ambos os filmes e o cenário que os personagens interagiam são muito diferentes em ambos os filmes, o proprio título do filme, A Ameaça Fantasma, é uma referência a um perigo que não esta exatamente claro, e que cabe aos personagens e ao espectador decifrar. Mas com tão poucas pistas a um marinheiro de primeira viagem, esta tarefa é quase impossível.

A história começa quando dois Cavaleiros Jedi são enviados para o planeta Naboo para negociar o fim do bloqueio espacial provocado pelo Vice-rei da Federação de Comércio. Ok! Algum lugar está com problemas e alguém está tentando negociar com o tal lugar problemático.

Porém, o Vice-rei, ao descobrir que os dois são Jedis, manda eliminá-los, mas os dois conseguem fugir, encontram um Gunga, Jar-Jar Binks, que os ajuda levando-os até a sua cidade, que está fora da jurisdição do Vice-Rei de Naboo. Lá chegando, eles conseguem um submarino e vão até a capital de Naboo para salvar a Rainha Amidala, partindo de volta para capital da República, o planeta Coruscant, mas antes são atacados pelas tropas de Naboo, que não conseguem deter a nave dos protagonistas graças a uma operação dificil que o robô R2-D2 conseguiu realizar para que todos partissem em segurança, mas não sem falhas, pois os ataques destruíram uma peça da nave, por isso eles se vêem obrigados a pousar no planeta Tatooine. E é aí que a parte importante começa.

O que essa primeira parte do filme tem a nos dizer? Que tem muita gente envolvida num problema inter-galáctico e que o filme vai ter muitos, muitos efeitos especiais. E só.

Obiwan tinha muito potencial no filme, mas…

Esses trinta minutos que teóricamente serviriam para ambientar e apresentar os personagens saiu tão embolados que pouca coisa é possível de ser absorvida por quem assiste um filme de Guerra Nas Estrelas pela primeira vez. É dificil entender que a pincesa Amidala não é a princesa de Naboo, mas sim de Coruscant. É possível imaginar mil coisas para ela estar fazendo em Naboo, menos que havia chegado momentos depois dos Jedis terem sido detidos.

Sem contar que um problema político gerar tantos disparos de raio-laser soa um tanto quanto exagerado. Para prender a atenção, seria interessante que fosse passado o que é a República, quem é a Amidala, qual a importância dos cavaleiros Jedi e, principalemente deixar mais claro que há interesses por trás das ações dos habitantes de Naboo, pois diálogos de poucas palavras entre personagens que acabaram se serem vistos não sugere muita coisa.

Felizmente, muitas das informações necessárias são mostradas depois, quando a nave dos protagnositas pousa em Tatooine. Mesmo perdido na trama, o espectador agradece, antes tarde do que nunca.

EM TATOOINE

É num planeta pobre, cheio de injustiças e desinteressante tanto para a República quanto para a Federação do Comércio que o personagem mais importante de todos os seis filmes de Guerra Nas Estrelas aparece pela primeira vez.

Anakin SkyWalker é um jovem escravo que adora tecnologia e corridas de naves. Um dos Jedis, Qui-Gon Jinn, que até agora só havia mostrado ter boas técnicas de espada, mostra-se um homem sensível o suficiente para acreditar no potencial do garoto e apostar a liberdade dele e a peça que precisam para consertar a nave com o único alienígena que comercializa tal aparato.

Mesmo com a resistência de Obiwan Quenobi, seu discípulo, Qui-Gon Jinn acredita que Anakin é o garoto previsto numa antiga profecia que irá estabilizar a força, restaurando as disputas entre a República e a Federação do Comércio e por consequência a paz do universo.

É nesse ponto que um ponto-chave de Star Wars é revelada, a existência da força. Todo o universo de Star Wars gira em torno da força, uma energia, como descrita no próprio filme, onipresente que pode ser utilizada por aqueles com habilidade para tal. Mas no filme, após uma leve explicação e a conclusão do espectador que todos os “poderes” que os dois Jedis usaram em Naboo foi fruto da força, o filme volta a dar atenção aos efeitos especiais.

Anakin se mostra o ponto mais interessante do filme.

A corrida de Anakin pode ser considerada um dos momentos mais marcantes do filme. Apesar de, como em todo o filme, os efeitos especiais serem a principal atração, dessa vez diálogos e performances interessantes acontecem mostrando tanto as capacidades de Anakin, como os sentimentos e dramas de sua mãe e da rainha Amidala.

CHEGA A HORA DA BATALHA 

Os sabres-de-luz, tão ricamente explorados na primeir trilogia, até agora pareciam apenas meros artefatos na mãos dos personagens do Episódio I, sem grandes apresentações, sem muito diferencial. Mas foram essenciais para que o longa fechasse o primeiro episódio do jeito George Lucas gosta de colocar em todos os seus filmes: com uma uma grande perda para os mocinhos, mas também com uma grande vitória.

De volta a Coruscant e após convencer o conselho Jedi de que Anakin, mesmo com idade acima do permitido para se tornar um jedi, deve ser treinado, o senador Palpatine (quem?) é eleito como o Chanceler supremo da República.

Apesar de Palpatine estar no filme o tempo todo, suas aparições são tão sutis ou mal-encaixadas, que fica difícil relacionar sua figura ao vilão Darth Sideous, o lorde Sith supremo, maior e melhor usuário do lado negro da força. A subida de Palpatine ao trono é de essencial importância para o desenrolar de todos os cinco próximos episódios, mas infelizmente, o Episódio I mais uma vez falhou em deixar o enredo de lado e focar nos efeitos especiais, já que junto da subida do chanceler ao poder, Coruscant é atacada pela Federação do Comércio, a mando do próprio Palpatine disfarçado.

Durante a invasão, Anakin, mesmo proibido de fazer qualquer coisa, se mostra um excelente piloto de naves espaciais de guerra e, junto com R2-D2, conquista a vitória aérea da República.

Demorou, mas os sabres-de-luz finalmente mostraram pra que vieram.

Na terra, o destaque vai para a luta de Qui-Gon Jinn e Obiwan Kenobi contra Darth Maul, aprendiz de Darth Sidious. Durante a luta, o pior acontece e Qui-Gon Jinn acaba ferido mortalmente, deixando que Obiwan vencesse o oponente. Mesmo a cena do golpe final realizada sem grandes emoções (se o espectador se distraísse com alguém se levantando indo no banheiro no cinema, iria se surpreender quando percebesse que sem nenhum drama ou frase de efeito Qui-Gon já se encontrava fora da batalha). Porém, contrariando o que já fora visto, o posterior discurso do personagem pedindo para que seu discípulo treinasse Anakin foi o momento mais emocionante de todo o filme, e um diálogo para ser guardado por todo fã.

RUMO AO EPISÓDIO II

Se alguém quiser assistir os filmes de Star Wars na ordem cronológica, mas preferir pular o episódio I, não sentirá muito a falta deste. Talvéz a única perda seria não conhecer o inocente Analin SkyWalker quando criança, pois essa foi a única contribuição do filme a toda a série.

O desenvolvimento dos personagens foi muito baixo. Sejam eles novos ou velhos conhecidos dos fãs veteranos, pouco se conheceu da sua personaliade. A única excessão foi Anakin, que a cada fala podia exprimir toda a graça que a origem de seu futuro personagem, que mesmo sendo um vilão, pôde conquistar o mundo na trilogia anterior.

Amidala, mesmo desempenhando um papel crucial por todo o enredo, foi pouco explorada. Ela age muito e pouco fala. Suas cenas não serviram para  explorar sua origem, nem a de seu partido ou o posicionamento de sua personagem perante toda a estrutura da República. O fato de ela “ser rainha” não basta para convencer, mesmo tendo mostrado seus sentimentos pessoais, faltou força em sua majestade.

O pior caso foi com Obiwan. Todas as participações do personagem apenas serviram para salientar a característica de velho abatido e derrotado que ele tinha na trilogia inicial. O personagem nem parece o mesmo dos próximos dois episódios. Ele parece “forçado” a agir segundo os planos de Qui-Gon, mostrando-se um personagem sem iniciativa e a sombra do mestre.

Mesmo Qui-Gon Jinn se tornando o mártir de toda a série, sua importância como personagem pouco rendeu, já que poderia ter sido realizada por qualquer outro personagem, Obiwan (com uma personalidade melhor lapidada) por exemplo. A impressão que dá é que ele nasceu apenas para morrer, para que George Lucas pudesse ter dado aquele sabor de chocolate meio-amargo no final.

Apesar de ter um grande potencial organizacional na franquia, o Episódio I preferiu passar a seu sucessor a responsabilidade de apresentar o universo Star Wars aos novos espectadores da franquia, se limitando a mostrar o quão grandioso os efeitos especiais de uma galáxia muito muito distante podem ser numa tela cinema de uma produção tão tão aguardada pelos fãs.