NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

Arquivos da Categoria: TV

RESENHA: Sailor Moon Classic

Ao chamar uma obra de clássico da atualidade, remetemos a ideia a um dualismo de preceitos que se misturam em uma ideia original proveniente daquela que a conceituou. De um lado valores já consagrados carregam a obra. De outro, novas tendências se conceituam por meio de personagens e emoções. Sailor Moon é o resultado perfeito do que pode ser referido como classico da atualidade, levando tudo o que a história do mangá do Japão desenvolveu a patamares eternos!

Sailor-Moon-Classic-logo-usagi

O QUE HÁ DE ERRADO EM FUGIR DA REALIDADE, SE ELA É UMA DROGA?

Estudiosos da arte do mangá atribuem as histórias fantásticas oriundas do Japão, a grosso modo, a dois fatores principais: à agitada concorrida vida do Japão em todas as classes e ao forte senso de responsabilidade (culturalmente herdada dos samurais) que fazem com que o povo japonês seja exemplo de superação.

Ambas as caracteristicas se unem a uma unica necessidade contemporânea que, refletida em mangás, faz com que esta seja a nação que mais lê histórias em quadrinhos no mundo: a necessidade de estravasar o strees.

Com heróis e vilões extremamente humanizados aos aspectos do dia-a-dia do japonês, historias fantásticas e ricas em conceitos, preceitos e ideias são criadas diariamente, fazendo com que o mercado de mangás seja, também, um dos mais concorridos no cenário nacional.

Quando uma história se destaca a nível nacional, sendo lido por públicos de várias idades, este já pode ser considerado um sucesso. Mas quando esse sucesso perdura por anos, é o que chamamos de clássico da atualidade.

Sailor Moon e Tuxedo Mask tem uma ligação que os une desde passados longínquos.

Sailor Moon e Tuxedo Mask tem uma ligação que os une desde passados longínquos.

Sucessos nascem e morrem todos os anos no Japão, mas são poucas as obras que sobrevivem ao tempo e tornam-se clássicos. Sailor Moon é um desses. Com uma receita consagrada da arte de entretenimento japonês, Sailor Moon reinventou como o mangá para meninas pode ser contado.

O FUTURO É ALGO QUE VOCÊ MESMO FAZ. VOCÊ TEM QUE ACREDITAR NELE

Antes do grupo CLAMP se consagrar com obras que se tornaram referência no Shoujo Mangá (literalmente, “mangá para meninas”), praticamente não havia um único autor que tivesse colocado seu nome na história da arte desenhando este tipo de quadrinho.

Dominado por autores sumariamente masculinos, Naoko Takeuchi foi a autora que quebrou paradigmas quando serializou a mais clássica das histórias shoujo de todos os tempos: Sailor Moon.

Após o sucesso de “Codename Wa Sailor V”, considerada uma prévia de Sailor Moon, o mangá foi escolhido para se tornar um anime. Foi quando Takeuchi decidiu fundi-lo com elementos do amado gênero de tokusatsu super sentai (outrora já utilizado como trunfo na construção de Os Cavaleiros do Zodíaco também pela Toei Animation), construindo um time de cinco heróis, transformando a história original no mangá Bishoujo Senshi(ou Pretty Guardian no Ocidente) Sailor Moon, com uma nova personagem principal.

Sailor Mercury é a mais estudiosa das guerreiras lunares!

Sailor Mercury é a mais estudiosa das guerreiras lunares!

Assim, Serena e suas amigas surgiram. Após o fim da primeira série (tema desta resenha), Takeuchi foi surpreendida quando lhe pediram para continuar a escrevê-la, o que deu origem aos quatro arcos seguintes da história.

A LUZ DA LUA CARREGA UMA MENSAGEM DE AMOR

O primeiro arco da série, Serena Tsukino (Tsukino Usagi, no original) é uma menina chorona, medrosa, comilona e extremamente comum, algo que por si só, já é capaz de gerar uma onda de leitoras que se identificam com a personagem. Num certo dia, no caminho para a escola, ela encontra um grupo de rapazes batendo numa gata de rua.

Serena salva a gata e tira um curativo da testa dela que escondia uma meia-lua. Mais tarde a gatinha aparece no quarto da menina e começa a falar com ela, apresenta-se como Lua e entrega-lhe uma missão: a de ser uma Sailor guerreira, defensora do bem, destinada a enfrentar demónios e unir-se com outras sailors para encontrar a Princesa da Lua que habita a terra.

Enquanto as outras guerreiras não aparecem, começam a surgir monstros por toda a Tóquio e Serena, com a ajuda do misterioso Tuxedo Mask, um rapaz que luta usando rosas e veste um smoking, aprende a derrotá-los. A rainha do mal, Beryl, deseja reviver sua terrível líder Metallia (ou Energia Mega, na adaptação para anime no Brasil) e para isso, envia os seus generais: Jedite, Neflite, Zyocite e Malachite para roubar energia humana através de terríveis monstros. Ela precisa do lendário Cristal de Prata, há muito perdido, para reviver a sua Metallia, o mesmo artefato que as Sailors procuram para encontrar a Princesa da Lua.

Sailor Mars é a mais temperamental da história.

Sailor Mars é a mais temperamental da história.

Em linhas gerais, pouco a história se diferencia de um tokusatsu padrão, principalmente no anime, onde, com diversas mudanças da obra original, até mesmo a construção de cada episódio se dá como uma série de herois fantasiados. Porém, é no desenvolvimento de situações e personagens que a série se diferencia de outras obras, fazendo com que o espectador se afeiçoe e se coloque no lugar das guerreiras em momentos que super-poderes se tornam apenas uma característica atrativa para o japonês que quer estravar sua rotina com o estravagante uniforme que meninas de mini-saia lutando contra vilões.

Se a garota bobinha, chorona e inocente e o galante e orgulhoso Tuxedo Mask não bastassem para o espectador/leitor se identificar, as outras quatro Sailors completam as diversas linhas de personalidade da obra.

Enquanto Ami Mizuno, a Sailor Mercury, retrata a calma, paciente, racional e estudiosa aluna do colegial, Rei Hino, a Sailor Mars, é a perfeita descrição da explosão do fogo: religiosa mas muito temperamental, Rei é o perfeito oposto da alegria de Serena, porém, como poucas personagens femininas, uma das que mais estreitam os valores de lealdade e amizade.

As duas últimas integrantes a se unirem a Sailor Moon não contrapõe a personalidade de Serena como as duas anteriores, mas sim derivam da sua crença ao amor em projeções mais maduras.

Sailor Jupiter é cheia de talentos e a mais valente do grupo!

Sailor Jupiter é cheia de talentos e a mais valente do grupo!

Enquanto Lita Kino, a Sailor Jupiter, é uma garota muito forte, alta e com muitas habilidades (como dotes culinários e em artes marciais), Mina Aino, a Sailor Vênus (a Sailor V original), é uma garota doce e meiga que guarda profundas mágoas de seus relacionamentos anteriores.

ANIME X MANGÁ

Produzidos com um espaço de tempo muito justo entre o início de uma e outra, o projeto da primeira série de Sailor Moon rendeu 52 episódios para TV baseados em apenas três volumes de mangá (a se contar da edição definitiva da obra).

Isso fez com que muitas diferenças surgissem em ambas as obras, fazendo do mangá uma história muito mais fidedigna ao mundo real e o anime uma série muito mais fantasiosa porém com um desenvolvimento muito mais requintado de cada personagem.

Se no mangá a máscara de Tuxedo Mask não engana Serena que seu salvador se trata do galante Darien Chiba, no anime vemos um relacionamento muito mais carismático entre ambos os personagens enquanto se desenvolve o enredo de seu passado, seus anseios e sua derradeira revelação de identidade.

Impossível não se apaixonar pela Sailor Venus!

Impossível não se apaixonar pela Sailor Venus!

É possível enumerar dezenas, senão centenas de detalhes que o anime acrescentou à obra para lhe deixar mais interessante a públicos de idades além do público-alvo do shoujo mangá. Também é possível contar como todos os detalhes de traço e cuidado com que Naoko Takeuchi tomou o refinamento de abordar de maneira muito mais madura os sentimentos de Serena.

Mas o fato é que, independente da mídia, o primeiro arco de Sailor Moon consegue cativar e levar ao público, de maneiras diferentes, o principal ponto que a quantidade fantasias, heróis e monstros em momento algum a deixam ofuscar: a aceitação do amor.

O AMOR É ALGO QUE VOCÊ CRIA SE PREOCUPANDO E CUIDANDO DA OUTRA PESSOA

Não há coração de pedra que não tenha amolecido ao encontrar o verdadeiro amor. Clássico tema do drama voltado a mulheres e alvo de eterna discussão de ambos os sexos de como encarar, explicar e as sentir o amor é, e sempre será, alvo de das palavras de muitos e muitos autores.

O que Naoko Takeuchi e Sailor Moon fizeram de diferente, foi mostrar que o amor não precisa ser abordado de maneira complexa (como se era feito em mangás shoujo dos anos 80), mas de uma forma leve, porém não menos profunda ou emocionante.

O desejo da terrível Rainha Beryl é conquistar o Cristal de Prata!

O desejo da terrível Rainha Beryl é conquistar o Cristal de Prata!

Ao criar um leque de 5 protagonistas que representam bem o que diz a teoria das personalidades (leia mais nessa resenha), Naoko criou a possibilidade da leitora escolher que tipo atitude apoiar e ainda trouxe a possibilidade do leitor masculino se aprofundar em características que o aproximam de personalidades às quais o fazem apaixonar.

O interessante desta mistura, é que em nenhuma momento a autora do mangá ou os roteiristas deixam claro o apoio a uma ou a outra posição das personagens. Ao mesmo tempo que Rei não é punida por explodir sua ira contra Serena, é o jeito bobinho e brincalhão da personagem, diversas vezes mal visto pelas companheiras, que muitas vezes salva o grupo das enrascadas por que passam.

Um ponto crucial que faz Sailor Moon ser o sucesso que é a maneira como aceita o amor em cada nível de maturidade da personagem. Não importa se Amy não se apaixona com facilidade que a maneira com a qual ela vê o amor é a que mais correta. Muito menos os relacionamentos rasos de Lita com todos os rapazes que a faz lembrar do antigo namorado deixam a personagem mais ou menos correta na hora de encarar um relacionamento.

Serena e Darien? Ou Serenity e Endymion? Quem os apaixonados realmente são?

Serena e Darien? Ou Serenity e Endymion? Quem os apaixonados realmente são?

Metaforizado em batalhas contra generais inspiradas em pedras preciosas e num reino lunar milenar que rege o destino das personagens deixando para as personagens (e os leitores) a decisão de certo e errado, Sailor Moon criou um ambiente favorável para mostrar a luta do ponto de vista próprio contra o ponto de vista do outro, sendo que se importar com o parâmetro discordante só consome energia, mas é necessário enfrentá-lo quado se quiser uma “cura lunar” para as confusões que relacionamento de amores e amizades podem criar.

SOU SAILOR MOON!

Clássico e eterno, Sailor Moon tem mais valores embutidos em si para abordar o amor que o seu formato consagrado pode passar a uma primeira vista. Se assistir ou ler a série é mergulhar num universo ricamente ilustrado pelo talento japonês, é o carisma e o peso de cada personagem que torna Sailor Moon Classic o ponto ideal de diversão e inspiração.

Se uma guerreira da lua se tornou a linguagem ideal para escrever sobre um tema que varia de ideal para ideal, por que não utilizar o mercadológico olhar oriental para escrever sobre ele? Afinal, quem é que não se inspirou na Lua para falar sobre amar?

Juntas, elas protegeram o mundo em nome da Lua!

Juntas, elas protegeram o mundo em nome da Lua!

Anúncios

RESENHA: Sakura Card Captors, a captura das Cartas Clow

Muito pequeno para já fazer algumas coisas, muito grandinho para ainda fazer outras coisas. Assim é tratado o ser humano em uma das fases mais confusas de sua vida, a pré-adolescência. Entre novas experiências e os primeiros conflitos, sentimentos e dúvidas começam a trazer dúvidas e atitudes. Na primeira fase de Sakura Card Captors é retratado as mais distintas personalidades desta fase da vida, enquanto a protagonista ainda captura as fantásticas Cartas Clow.

sakura-card-captors-logo

OH, MAGO CLOW

Conhecidas por terem dado origem a verdadeiros clássicos do mangá japonês, as mangakas do grupo CLAMP sempre surpreendem a cada obra. Seja ela curta ou dona de vários, volumes, suas histórias rapidamente entram para o imaginário popular do japonês e logo ganham repercussão mundial. Entre seu clássicos estão Guerreiras Mágicas de Rayearth, XXXholic e Tsubasa Cronicles, mas nem mesmo juntos, todos seus sucessos conseguem superar a fama de Sakura Card Captors.

Publicada originalmente em 1996 e ganhando uma versão animada pelo estúdio MadHouse que rendeu mais 60 episódios, Sakura Card Captors ganhou o mundo no início dos anos 2000, quando a distribuidora internacional, espalhou a produção animada por todas as principais emissoras da Europa e das Américas, incluindo, no Brasil, o canal pago Cartoon Network e a toda poderosa Rede Globo.

Diferente da versão em mangá, o anime estendeu a história exponencialmente a fim de render mais episódios e manter a regularidade da série sem precisar pausá-la, visto que a produção de ambos os veículos aconteciam simultaneamente. Tal decisão criou diversos personagens originais da produção televisiva sem, no entanto, prejudicar a história original.

Tomoyo nutre o amor mais honesto por Sakura, desejando sua felicidade acima de tudo.

Tomoyo nutre o amor mais honesto por Sakura, desejando sua felicidade acima de tudo.

O primeiro arco foi o mais afetado por tal decisão do estúdio MadHouse, que sempre produz obras-primas nas terras nipônicas, rendendo duas temporadas com mais de 50 episódios. Ainda no primeiro arco, é que as meninas do CLAMP exploraram diversos tabus da pré-adolescência e dos relacionamentos em geral, criando uma história carismática, mas ao mesmo tempo contestadora.

Dentre os temas mais comuns, está no fato de a protagonista ser órfã de mãe, as responsabilidades que uma criança de sua idade é obrigada a assumir em casa, a dupla jornada do irmão mais velho, as relações amorosas entre pessoas de idades diferentes, a atitude passional de personagens ciumentos e a frequente homossexualidade entre a grande maioria dos personagens da série.

CHAVE QUE GUARDA O PODER DAS TREVAS

Sakura é uma garota comum do ginasial da escola Tomoeda que adora esportes e detesta matemática. Ativa e curiosa, um dia ela acaba encontrando no porão de sua casa um misterioso livro com uma fechadura que ela decide abrir com a chave que estava junto, mesmo com a mensagem de alerta que avisava que aquele que abrisse o livro traria o caos e a destruição ao mundo.

Com essa carinha de ursinho, nem parece que Kero é um guardião do livro do maior mago do mundo!

Com essa carinha de ursinho, nem parece que Kero é um guardião do livro do maior mago do mundo!

Envolta de um verdadeiro conto-de-fadas, Sakura liberta as cartas mágicas criadas por um antigo mago chinês chamado Clow, que havia aprisionado suas cartas sob a guarda de um poderoso guerreiro chamado Kérberos, que renasce na frente de Sakura com a aparência de um ursinho de pelúcia que ela apelida de Kero. Confusa, mas ainda assim determinada, a garota decide ir atrás das cartas espalhadas pela cidade para que o fim do mundo não aconteça.

Contanto, personalidade simples de Sakura não reflete as complexidades que os pré-adolescentes de sua idade costumam enfrentar, sendo ela, como protagonista, a representação da solução destes problemas. Sua melhor amiga, Tomoyo, adora costurar e fazer roupas para filmar Sakura as vestindo enquanto a menina captura as cartas Clow, um tipo de fetiche precoce, despertado pela paixão que ela sente pela melhor amiga, sem contando a protagonista perceber.

O amor platônico de Sakura é outra, Yukito, o melhor amigo de seu irmão mais velhos, ambos alguns anos mais velho que a garota. Simples, sorridente e inocente, Yukito parece o par ideal de Sakura, se não fosse pelas diversas pretendentes que o garoto tem, sem contanto ele perceber. E para piorar a situação, juntam-se à lista o próprio irmão de Sakura, Touya, e o descendente do mago Clow, Li Shiaoran.

O casal Sakura e Shaoran é um dos casais mais cultuados de todos os tempos por fãs do shoujo mangá!

O casal Sakura e Shaoran é um dos casais mais cultuados de todos os tempos por fãs do shoujo mangá!

Vindo da China para acompanhar de perto a captura das cartas de seu antepassado se darão e garantir que o pior não aconteça ao mundo, o garoto quieto, franzino e de aspecto intrigante, se torna o rival de Sakura por ambos gostarem de Yukito, porém o elo de ligação dos dois personagens vão se unindo a medida que as dificuldades para captura das cartas vai se tornando cada vez mais dificil.

Se o amor platônico de Sakura pode aprecer distante da concretização, o grupo CLAMP joga uma semente de esperança no coração das fãs mais esperançosas quando coloca junto da história o diferente namoro da colega de classe de Sakura, Rika Sasaki, com o seu professor Yoshiyuki Terada. Mesmo escondidos, a relação dos dois parece ser o carma que o colégio da cidade adquiriu, pois quando ainda estava no colegial, foi a vez de Touya ter uma relação com sua professora Kaho Mizuki.

Médiun e descendente de um templo xintoísta, a professora Mizuki faz Sakura sentir as mesmas sensações de calma e plenitude que sente ao estar próximo de Yukito. Tal afirmação de Sakura é o primeiro passo para, no fim do arco, o grupo de autoras conseguir justificar a quantidade de relações homossexuais que acontecem dentro da história, que mesmo não interferindo em seu contexto, gerou repercussão por onde passou, além de fazer da obra uma das maiores estimulantes do moe, fetiche japonês caracterizado pela paixão de fãs por personagens de anime, mangá e games.

Os personagens de Sakura são bem amplos dentro do universo.

Os personagens de Sakura são bem amplos dentro do universo.

VOLTE A FORMA HUMILDE QUE MERECE

Sakura Card Captors não é a solução para todos os planetas de pré-adolescentes, e por isso mesmo fez sucesso com seu público-alvo e com fãs de animação japonesa de todas as idades. Mesmo assim, as metáforas apresentadas dentro do universo das Cartas Clow ajudam a compreender muito o que se passa na cabeça de um jovem de 12 anos.

Transformar as cartas para uma batalha são uma analogia ao que um jovem com a idade de Sakura precisa fazer fazer para enfrentar seu problemas: mostrar tudo o que tem de bom dentro de si e mostrar que pode controlá-lo diante de uma provação. Do mesmo modo, aprisionar cartas pode ser interpretado como conter dentro de si os impulsos infantis, ou os id’s de Freud, para utilizá-los com controle. A própria abertura do livro do mago Clow tem um significado: descobrir tantas coisas novas ao mesmo tempo que seja a ser impossível controlá-las em curto tempo, precisando amadurecer e buscar respostas para suas questões.

Até mesmo o final do arco da captura das cartas (50 no anime e 19 no mangá), coloca Sakura a prova entre decidir pela razão e pela emoção, lincando todos os personagens em uma difícil escolha que só a garota pode fazer para impedir a destruição do mundo. Uma espécie de teste que une tudo o que a personagem passou para confirmar se a caçada de cartas a fez amadurecer o suficiente para comandar os poderes seculares deixados por Clow.

O teste de Yue é emocionante, mas reduz drasticamente o significado de "fim do mundo".

O teste de Yue é emocionante, mas reduz drasticamente o que se entender por “fim do mundo”.

Com frases marcantes, uma produção de primeira no anime, e um traço excepcional do CLAMP, o primeiro arco de Sakura Card Captors se destaca no segmento shoujo por conquistar leitores do gênero shonen sem deixar as características do típico shoujo, explorando as descobertas da pré-adolescência ao mesmo tempo que cria um ambiente cheio de fantasia e personagens a serem explorados, envolvendo e criando um elo de ligação com seu leitor.

RESENHA: Hunter x Hunter, o Exame Hunter

Histórias são contadas ao montes, das mais variadas maneiras e com os mais diversificados recursos. Todos os anos o cinema, a tv, a literatura e tantos outros campos de mídia criam toneladas de horas de entretenimento que entra para a cultura e para a vida das pessoas que chegam até elas. Porém, apenas as histórias com grandes mensagens, lições e conteúdos próximos ao seu receptor é que sobrevivem ao tempo e conquistam gerações e gerações de pessoas. Hunter x Hunter vai além seguindo o caminho reverso: provocante e contestador, sua mensagem não é passada através de sua história, mas sim por seu próprio leitor.

UM AUTOR X MUITOS PERSONAGENS

Muitos jovens e adultos talentosos sonham em se tornar autores de sucesso com suas mais mirabolantes idéias e complexas relações de personagens e enredo. Porém, nem sempre insights geniais se convertem no resultado final almejado, isto porque muitos dos autores iniciantes esquecem de algo que Yoshihiro Togashi conhece tão bem: a aceitação da história é sempre tão grande quanto a sua simplicidade.

Parece fácil pensar deste jeito quando se é um autor consagrado. Togashi é o autor do célebre mangá Yu Yu Hakushô, um dos maiores destaques dos anos 90, época em que o BOOM da animação dos anos 80 começava a esfriar no Japão, e mesmo que se espalhando pelo mundo, poucas obras originais conseguiam se sustentar por longos anos.

O autor também tem outra fonte de criatividade ao seu lado, pois o sortudo ainda é casado com a superstar do mangá shoujo (do japonês, para meninas), a autora de Sailor MoonNaoko Takeuchi. Com alguém tão especialista quanto ele para alavancar vendas de editoras, como um mangá seu poderia dar erradO?

Pois é aí que se torna tudo tão simples. Para quem já leu a história de Gon e seus amigos sabe o quanto o mangá se desdobra em sequências fenomenais e de tirar o fôlego, mas tudo isso saiu de um desejo que o autor tinha a anos: colecionar personagens.

Hunter x Hunter tem personagens que cativam a cada segundo!

Do mesmo jeito que gosta de colecionar bonecos, um dos maiores hobbies do autor Yoshihiro Togashi é o de desenhar personagens novos. Isso pode até ser previsto em Yu Yu Hakushô, visto a quantidade de personagens que aparecem ao longo da história, mas em Hunter x Hunter, o autor criou um ambiente propício para dar asas a sua imaginação e inserir personagens atrás personagens em todos os momentos da história.

Hunter x Hunter é o típico mangá que nasceu para fazer sucesso, com a união do autor certo no momento certo, o mangá de 1999 foi um dos principais precursores do estilo que permeou e influenciou praticamente todos os autores do estilo shonen ao longo dos anos 2000 e que ainda hoje se prova como o alicerce do sucesso de vendas deste tipo de publicação.

Esta resenha contemplará os aspectos iniciais da obra, conhecida como a saga do Exame Hunter, que contempla a saída do protagonista da Ilha da Baleia até o fim do exame que dá nome ao arco, bem como toda a magia e o ambiente criado pelo autor para dar vida a história.

PROTAGONISTAS X PASSADOS

Perfeito. Com a vontade e a inspiração necessária em dia e o cartão verde para iniciar sua história na Shonen Jump, a revista mangá de maior tiragem e circulação do Japão, só falta Togashi criar o alicerce de Hunter x Hunter, os protagonistas que vão guiar capítulo a capítulo toda a jornada do autor para colecionar personagens.

E o resultado não poderia ter sido mais perfeito. Seguindo parte da teoria humoral (veja mais na resenha de Naruto, a Saga da Ponte clicando aqui) e parte das personalidades dos quatro personagens que lhe fizeram chegar a nata do Japão em Yu Yu Hakushô, Togashi deu origem a Gon, Killua, Kurapika e Leório.

Gon é a personificação da bondade e inocência.

Gon Freecs pode ser considerado um dos melhores modelos da tendência de protagonistas dos anos 2.000 em mangás shonen. Inocente, sonhador e determinado, o garoto sonha em encontrar o pai, um famoso Hunter que o abandonou na Ilha da Baleia para seguir com sua carreira, e para tal, ele decide prestar o Exame Hunter para que, como Hunter, possa cumprir seu desejo.

Se otimismo é a palavra que melhor pode definir Gon, Killua é seu completo oposto. Sem uma razão para viver e filho mais novo de uma milionária família de assassinos de aluguel, o garoto vive pressionado buscando no Exame Hunter algo que o interesse e descobre na amizade simples e sincera de Gon, algo que possa valer a pena.

E não é apenas o filho da família Zaoldyeck que vive cheio de conflitos internos. Único sobrevivente de um clã que possui olhos vermelhos, Kurapika quer se tornar um Hunter para ganhar poder o suficiente para se vingar do Genei Ryodan, o grupo da Aranha de 12 patas, os responsáveis pela ruína de seu povo (nota: não confundir com Sasuke Uchiha, Hunter x Hunter começou a ser escrito um ano antes de Naruto).

Fechando o grupo com chave de ouro, entra Leório. Provavelmente o personagem de terno e gravata seja o mais próximo de Gon se pensarmos em sua maneira simples de ver as coisas, porém seus atos impulsivos e agressivos sempre o colocam a mercê do inimigo como alvo mais frágil. Apesar de seu estilo debochado, este guarda um grande segredo, quer se tornar Hunter para conseguir o direito de cursar uma faculdade de medicina gratuitamente e assim, como médico, poder salvar vidas tão preciosas como era a de seu irmão que morreu doente.

Leório parece carrancudo e grosseiro, mas tem o altruísmo como filosofia de vida.

Se o perfil dos protagonistas parece já estar traçado desde Yu Yu Hakushô, notem que tanto a persoalidade como as cores das vestimentas se assemelham muito as de Yusuke e cia, o contexto a qual eles se inseriram as situações que Togashi colocou os personagens vai muito além do limiar humano e conforme mais a coleção de personagens vai se extendendo, mas interessante a história vai ficando.

PROVOCANTES X INUSITADOS

Um dos grandes destaques da história é a facilidade que ela tem de puxar o leitor para dentro da história. As questões por qual os personagens vão passando antes de chegar e após iniciar o Exame Hunter facilmente fogem das disputas convencionais dos mangás shonen, sendo muito mais ideológicas e muito menos sangrentas.

E o mais interessante é observar como cada um dos quatro protagonistas, e volta e meia um ou outro coadjuvante, pensam a respeito dos desafios aos quais são impostos, revelando traços de sua personalidade e caráter.

Vale destacar o terceiro exame por quais eles passam quando, aliados a Tompa, os personagens precisam vencer os desafios da Torre dos Enganos. Enquanto Killua sempre acaba sendo levado pela decisão mais pessimista e Kurapika sempre entra em dualidade de opinião com sua maneira analítica e racional de pensar, Leório sempre é levado por seus instintos e Gon sempre surpreende com sua maneira simples de pensar.

Toda vez que alguém é submetido a um teste, sempre fica preso as regras que o permeiam, mas muitas vezes afloram no participantes pré-conceitos que os privam de tomar alguma decisão fora do escopo geral da idéia de um teste. Por viver isolado na Ilha da Baleia por muito tempo, Gon é um ser livre de pré-julgamentos e por isso sempre leva ao pé da letra tudo o  que lhe é dito, facilitando suas ações.

A personalidade calma e racional de Kurapika guarda segredos inesperados e sombrios!

Na Torre dos Enganos ninguém lhe disse que numa prova onde se aposta qual vela vai apagar primeiro estava implicito a regra de assoprar a vela, assim ele vai lá e faz. Ao se depararem com duas portas que separariam o grupo, nada mais natural que abrir um buraco na parede e ambos os grupos se unirem novamente.

Parece irrelevante, mas cada ação simples de Gon leva o leitor a indagar “como eu não pensei nisso antes?”. Fazendo da obra algo inesperado a cada novo capítulo e provocante a medida que nunca se consegue prever o próximo passo que o autor vai dar e a ponto do caráter de cada personagem será usado para a resolução da tarefa explícita e implícita em cada prova do exame.

Se o começo já parece fora do comum e o seu desenvolvimento surpreende o leitor, o que dizer do final de saga mais inusitado que um autor já produziu? No fim do exame, o presidente da Associação Hunter, Netero, propõe um campeonato ao contrário: avança nas chaves aquele que perder e se tornará Hunter aquele que vencer apenas uma disputa.

Assim como toda a história, o destaque das lutas acabaram não sendo os combates, mas sim o desenvolvimento de maneiras de se resolver o resultado da luta e as consequências que isso inflingiram. Após a luta de Gon, onde este se recusou a desistir da luta (pois não tinha chances de vencê-la) até que Hanzo, seu oponente parasse de torturá-lo para decidirem a vitória de outra maneira.

Filho de uma família de assassinos, Killua parece um corpo vazio de sentimentos até encontrar Gon.

A história ainda quebra o linear do tempo e avança para o fim do torneio, quando o protagonista fica sabendo de todos os outros resultados após acordar de um desmaio após o fim de sua luta. Envolvente e cativante, o todo o resto do torneio colocou todos os sentimentos dos participantes a flor da pele, revelando desde o lado humano de Leório, criar suspense com os segredos de Killua e revelar a inveja escondida de Killua por Gon…

ANIME X ANIME

Hunter x Hunter começou a ser desenhado em 1998 e poucos anos depois já foi para a TV em uma produção feita pelo estúdio Nippon Animation. Com a oscilação de Yoshihiro Togashi para dar prosseguimento a saga, a animação teve de ser parada por diversos momentos até ser cancelada definitivamente e os fãs pareciam nunca mais poder ver a conclusão animada.

Com o retorno da história na Shonen Jump em 2011 e o sucesso instantâneo que isso gerou, o estúdio madHouse, o mesmo de Death Note (leia a resenha aqui) e alguns curtas de Batman, the Gothan Knghit (leia a Resenha aqui) foi além do que os fãs imaginaram e iniciou uma nova animação contando a história desde o início novamente.

Com um traço mais leve e dinâmico que a primeira produção, o estúdio MadHouse caprichou em Hunter x Hunter e fez jus a sua alcunha de melhor estúdio japonês de animação da atualidade. Apesar de sutil, a diferença no traço dos personagens foi muito benéfica, o que faz do anime algo muito atual mesmo após dez anos de existência.

Netero desafia Gon no dirigível até o local do terceiro teste e lá Gon mostra que força bruta não é o fator principal de um Hunter.

Apesar de ser mais fiel ao mangá que a produção do Nippon Animation, algumas cenas foram cortadas do original, e focos diferentes em diálogos serviram para melhor ajustar a relação dos personagens a algo mais contínuo e simétrico a toda a obra.

Assistindo ao primeiro anime e mesmo ao ler mangá, a impressão que se tem é que o trio principal da história é formado por Gon, Leório e Kurapika, tendo Killua como uma espécie de protagonista rebelde adjacente a maioria dos acontecimentos, a mesma impressão que se tem com Ikki de Fênix em Cavaleiros do Zodíaco ou com Hiei em Yu Yu Hakushô.

Porém, após algumas sagas, fica clara a dominância da amizade de Gon e Killua como guias da série. Assim, Os focos, closes e conversas, apesar de ainda fiel ao mangá, deixaram a percepção do espectador muito mais atenta a grande amizade que se desenvolvia entre Gon e Killua e como Leório e Kurapika, apesar de fundamentais, são uma espécie de lado B no desenvolvimento da história.

HUNTER X MUNDO

Yoshihiro Togashi criou uma série no tom certo, contada da maneira certa, numa época que o mundo dos mangás shonen precisavam de uma simplificação para seguir adiante. Todas as obras que seguiram com sucesso pelos anos 2000 precisam agradecer a Hunter x Hunter e principalmente a sua saga inicial.

Despretenciosa, porém cheia de conteúdo e razão de ser, o Exame Hunter refletiu tudo o que uma série precisa para começar, linkar o desenvolvimento e buscar um fim sem que todo o decorrer da história seja previsível ao leitor.

Já faz quase uma década e meia que Hunter x Hunter começou e em breve, o autor já confirmou, teremos os últimos capítulos da história. Mas com a força e a inspiração que Gon e seus amigos provocam ao leitor e a todos os mangaká iniciantes do Japão e do mundo, é certo que sua história não se privará a décadas, mas durará para sempre.

RESENHA: Naruto, a saga da ponte

Japoneses sempre foram especialistas em contar histórias. Seja em mitos milenares passadas verbalmente de geração em geração ou no atual formato do mangá em preto-e-branco, os heróis, vilões e dramas vividos em cenários deslumbrantes fascinam a todo aquele que conhece seus contos. Nos últimos 40 anos, a principal revista a conquistar leitores de todas as gerações e levar o Japão para o mundo é a Shonen Jump, que tem como seu mais recente fenômeno mundial o ninja loiro Naruto, que assim como a publicação em que foi concebido inicia sua história com uma ponte entre dois mundos: o da fantasia e o da responsabilidade.

O INÍCIO

Naruto é uma história que começou a ser serializada semanalmente desde 1999, ganhando animações, games e diversas outras obras de analise, apreciação e/ou universos paralelos. Com uma gama tão grande quanto essa, para se fazer uma resenha da história, é necessário dividí-la em partes, tal qual foi como em Bleach (leia a resenha aqui). Para dar início a sequência de textos, a primeira saga abordada será a Saga da Ponte, história na qual Naruto e a Equipe 7 precisam ajudar o construtor Tazuna a construir uma ponte no país das ondas.

Num mercado competitivo como o japonês, não é fácil emplacar uma grande história como a de Naruto, que já se extende por mais de 50 volumes encadernados. A quantidade de revistas é muito grande e o número de autores maior ainda. A entrada e saída de história todos os meses é sempre muito grande e o mercado tem sempre muitas novidades a escolher.

Mesmo na Shonen Jump, não são raros os casos em que as histórias precisam ser interrompidas, encerradas ou trocadas de revista pela baixa aceitação do exigente mercado japonês. Assim, para se conquistar o público, não basta escrever qualquer coisa, antes é preciso construir um mundo interessante aos olhos de quem vê e uma trama que prenda a atenção de quem lê.

Naruto começou com tudo isso, por isso a Saga da Ponte é considerada por muitos como o melhor arco do ninja loiro, mesmo que esta tenha influenciado pouco no desenrolar da história.

A Equipe 7 reunida: quatro personalidades que se completam.

O arco tem um papel básico, comum na grande maioria dos mangás shonen, apresentar o universo da história e seus protagonistas, mas a diferença deste para o de outros mangás é que o autor da história soube construir muito bem uma história que prendesse a atenção do leitor a medida que, aos poucos, ia apresentando os elementos que serviriam de base para os arcos seguintes, além de distribuir as personalidades de seus protagonistas de maneira equilibrada e a fim de alcançar uma gama bem grande de público-alvo.

A TEORIA DOS PERSONAGENS

O leitor veterano de mangás já deve ter percebido que sempre há personagens de estilos em comum em diversas obras. Sempre há o corajoso, o irritadiço, o mais frio, etc. Isso porque a maioria dos autores japoneses se apóia na teoria humoral, muito utilizada até alguns séculos após a Idade Média para avaliar os comportamentos do ser humano, para construir seus personagens.

Divididas em quatro elementos básicos, a teoria humoral ainda pode dar origem a “n” outros tipos de humor a partir de suas combinações. Dentro da Equipe 7, equipe a qual o protagonista da história entra após se formar na academia ninja, logo no primeiro capítulo do mangá, é possível ver os quatro tipos básicos em sua forma mais pura:

Não surpreendentemente, Naruto é o personagem de origem sanguínea. Esse é o esteriótipo do personagem protagonista seguida na maioria dos mangás shonen: corajoso e destemido o personagem costuma agir muito e pensar pouco, sempre tomando a iniciativa e tomando as rédeas da situação. Naruto encarna este personagem, mas também sofre com isso, diferente de Goku, Seiya ou Yusuke Urameshi, na Saga da Ponte o ninja loiro ainda não tem maturidade para lidar com aquilo que desafia, sendo muitas vezes alvo de gozação dos colegas ou, em sua vida comum, de toda a Vila da Folha. A história gira em torno de seu desenvolvimento para realizar seu sonho de se tornar um Hokage, o líder ninja máximo da vila onde vive.

A rivalidade de Naruto e Sasuke dão vida a história.

Rival de Naruto, o último membro do clá Uchiha, Sasuke, é o personagem do tipo colérico. Irritadiço, agressivo e idealista, este tipo de personagem costuma guardar profundas mágoas em seu interior que o leva a pensar demais enquanto age muito. Isso o deixa angustiado e muitas vezes contraditório em suas ações, o que o leva a ficar ainda mais irritado. Sasuke nutre um profundo ódio por seu irmão, o assassino de todo o seu clã e por isso, ainda criança jurou vingança a ele, o que o faz se afastar cada vez mais das pessoas apesar de beleza atrair muita popularidade entre as garotas da academia ninja.

Sakura fecha o trio genin, o nível mais baixo na escala ninja, com sua personalidade melancólica. Esse tipo de personagem é aquele pensa muito antes de agir e mesmo assim ainda age pouco. O autor enfatiza muito essa personalidade da garota criando a “Sakura por dentro”, a cada quadro que Sakura expressa um sentimento diferente do que seria o esperado, sua personalidade verdadeira é mostrada junto de muitos kanjis para expressar seus reais sentimentos. Principalmente na Saga da Ponte, a apaixonada garota mostra-se sempre muito na tangênte da história, cumprindo seu papel básico enquanto o autor desenvolve o amadurecimento de Naruto e Sasuke.

Fechando os quatro tipos básicos de personalidades e liderando a Equipe 7, está Kakashi Hatake, o personagem do tipo racional. Sempre calmo e maduro, o ninja de nível jonin, o mais alto da escala comum de graduações, muitas vezes faz pouco caso das ações ou inações de seus três subordinados, chegando a treiná-los aos mesmo tempo que lê o seu livro favorito, o Jardim dos Amassos, impróprio para menores de 18 anos. Conhecido como o Ninja que Copia, Kakashi é o tipo de personagem frio, que pensa muito antes de agir e sempre tem a situação sob controle, mesmo quando, escoltando Tazuna, acaba preso em uma armadilha do inimigo.

ANTAGONISTAS QUE COMOVEM

Se uma boa gama de protagonistas é necessária para que o leitor se identifique com a obra, são os antagonistas e o plano de fundo da história que o fideliza.

Kakashi foi o personagem mais popular da Saga da Ponte segundo o ranking realizado pela Shonen Jump!

Naruto começa sua história de maneira muito próxima do leitor, em uma acadêmia ninja que mais parece um colégio comum do Japão. Depois de traçar alguns dos elesmentos que permeiam o contexto da história, esta parte parte para o ambiente que os leitores desejam como escape de sua vida cotidiana: aventura, florestas e perigos.

Além disso, a Saga da Ponte ainda nos apresenta personagens comoventes que muitas vezes passam por dramas próximos aos do público-alvo. A que mais vale ser destacada é a do garoto Inari, o neto de Tazuna que não acredita em heróis.

Quando criança, Inari viu seu padastro, a quem ele considerava um herói, ser morto por Gatou, um traficante de drogas e produtos ilegais que utiliza o País das Ondas, que não possui Vila Oculta de Ninjas como é o país do Fogo que Naruto vive, como ponto estratégico para seus negócios. Naruto, smpre cheio de ideais, estabelece um grande contraponto com as crenças de Inari. Não são poucas as vezes que o ninja loiro dá várias lições de moral no garoto, mostrando que seu estado de latência em nada ajudará a realizar as mudanças que o padastro de Inari tanto desejava.

Essas lições sem pensar, muitas vezes infanis, que o protagonista solta em diversos momentos da saga e dos arcos seguintes, reforçam a construção do protagonista que Naruto quer ser, reforçando a imagem de personagem sanguineo, estabelecendo sua posição na história (que em tantos momentos tenta ser ofuscada pelas performances de Sasuke) e enchendo de valores a obra.

Escoltando Tazuna em sua construção de uma ponte que ligará o País das Ondas ao continente, a equipe 7 poderá prover certa liberdade e opções comerciais para o país oprimido.

A primeira vista, e a segunda também, Gatou pode parecer um vilão ordinário, sem graça. Mas é graças a ele que o leitor pôde ter contato com dois dos vilões mais interessantes qu Naruto já teve: Zabuza, o Demônio da Névoa Oculta e Haku, o gênio ninja capaz de fazer jutsus com apenas uma mão.

O sucesso de uma história muitas vezes depende da qualidade dos vilões!

Ambos os personagens foram a principal contribuição e a maior criação do autor para a Saga da Ponte e mesmo hoje, com mais de uma década de criação, a dupla se destaca entre todos os ninjas criados por Masashi Kishimoto.

Na tenativa de matar Mizukage e dar um golpe de estado no País das Águas, Zabuza passou a ser perseguido pelas tropas de elite da vila oculta do país, sendo obrigado a fugir e a fazer serviços para gente da estirpe de Gatou para ganhar dinheiro e sobreviver.

Antes de sair do país das águas, Zabuza levou consigo Haku, um menino que possuia uma Herança Sanguínea que o colocava em vantagem contra a maioria dos oponentes que enfrentasse.

As personalidades violentas dos dois personagens se choca diretamente com as grupo 7. Como um ninja frio e calculista, Zabuza vê em Kakashi o oponente ideal para aperfeiçoar suas habilidades, em contra-partida, o embate entre os dois acaba revelando o lado mais quente do Ninja que Copia.

A partir do momento que um ninja se forma na academia, este passa a ser um instrumento de sua vila, devendo deixar seus sentimentos de lado. Apesar de Kakashi parecer um retrato fiel disto, suas experiências no passado fizeram que seus ideais fossem além das regras da vila, acreditanto que um ninja deve lutar para proteger aqueles que ama.

Aumentanto ainda mais a proximidade de heróis e vilões, Haku compartilha da mesma ideologia de Kakashi, que numa luta épica contra Naruto e Sasuke mostra-se um ser muito mais sensível aos sentimentos que a máquina de matar idealizada por Zabuza.

O CAMINHO NINJA

A conclusão da saga, além de ser cheia de conflitos de ideais e de choque entre personalidades distantes que se aproximam com o tempo, ainda acrescenta uma reviravolta de proporções imensas que surpreende e emociona o leitor.

Naruto e o sonho de se tornar Hokage conquistaram o mundo!

Pondo todos os sonhos de Naruto em choque com as contestações de Kakashi e dos vilões, Masashi Kishimoto conseguiu não apenas criar um universo, mas fazer o leitor refletir sobre um mundo que apesar de aparentar ser pura fantasia, está muito próximo do mundo real.

A partir de todos elementos traçados, Naruto provocou o mundo ao perguntar ao leitor qual deve ser o significado do seu caminho ninja. Como fenômeno mundial, levou ao mundo a jornada de um garoto que quer descobrir o que é ser um herói de verdade.

Mesmo pré-formatado para ser sucesso, o autor provou que uma história pode ser bem contada e cheia de significado seja qual for o contexto que foi inserida, bastando ter o elemento chave que faz histórias de heróis, fadas e bruxas sobreviverem por séculos a fio: a busca e a luta pela realização de seus sonhos.

RESENHA: Densha Otoko

Medo de não passar no vestibular, excesso de estudos, cobranças na vida profissional, solidão no ambiente familiar: todas estas situações sociais brutais estão constantemente presentes na vida do japonês urbano comum. Para aliviar e extravasar todos os sentimentos contidos pela milenar conduta do bushido, milhares de opções de entretenimento e diversão são colocadas a venda na terra-do-sol nascente, possibilitando assim a criação de milhares de nichos de mercado e opções de público-alvo. E o amor não é uma excessão.

Numa terra onde o tempo é curto e a diversão é minuciosamente aproveitada entre um expediente e outro, programas de tv, publicidade, mangás e revistas utilizam as características lúdicas do amor para vender suas milhares de opções de produtos. Além de alimentar a distância entre as pessoas e o esteriótipo de um povo frio, essa exploração mercadológica faz criar a impressão que este caricato é o que reje as relações amorosas entre os japoneses. Densha Otoko (do japonês, Homem do Trem) conta a história de um jovem adulto seduzido por um mercado de nichos que sonha encontrar na realidade todos os sonhos que a ele são oferecidos e que, apesar de contraditório é rotulado por isso.

O OTAKU JAPONÊS

No mercado de nichos o Japão, uma das figuras que mais tem se destacado no ocidente é o Otaku. Viciado em animações, passa horas jogando video-game, colecionador de bonecos de super-heróis, tem toneladas de revistas em quadrinhos, não tem vida social e é despreocupado com o que veste. Este é um pouco do esteriótipo que ganhou o otaku no mundo.

No ocidente o termo é mais genérico e por vezes utilizado apenas como sinônimo da tribo em questão, é o apelido daquele que gosta dos frutos da cultura pop japonesa, não necessariamente refletindo o significado da palavra de origem. No Japão, o esteriótipo descrito acima é por vezes pejorativo, visto que uma figura como a acima vai diretamente na direção oposta das figuras valorizadas socialmente, como o salaryman.

Não raramente, o otaku japonês é excêntrico. Não só seu modo infantil de se vestir ou os montes de acessórios que carrega o afasta socialmente, mas, por vezes, seu comportamento é cheio de fetiches, pré-julgamentos e medos que os colocam em diversas situações constragedoras. Muitos desses otakus estão presentes no seriado Densha Otoko e muitas das visões que as pessoas ditas “comuns” do Japão tem dele.

Getsumen to Heiki Mina é o anime que Yamada é fanático!

O seriado de 12 episódios foi transmitido em 2005 no Japão, mas muitas outras obras foram produzidas (incluindo filmes, mangás e livros) retratando a história do apaixonado Tsuyoshi Yamada e da bela Saori Aoyama.

O HOMEM DO TREM

Yamada é um sujeito aparentemente comum, meio descuidado com a aparência e com um um gosto estranho para roupas, mesmo em ocasiões mais formais. Com 23 anos tem seu trabalho num escritório de Tóquio, já está formado na faculdade e é o que pode ser chamado de otaku.

Apaixonado por animes, mangás e games, o cara vive dando dicas para as crianças de seu bairro, levando broncas de seu chefe e sendo evitado pelas pessoas ao seu redor, incluindo a própria sua família. Seus amigos são os mais excêntricos possíveis, cada qual com sua mania e comportamentos peculiares, os quais sempre o acompanham em seus passeios por Akihabara, um bairro japonês cheio de lojas de tecnologia e venda de artigos e serviços baseados no universo nerd.

Mas ao contrário do que possa parecer, Yamada é diferente do preconceituoso conceito de otaku. O garoto sonha com uma promoção em seu emprego, em formar uma família e ser aceito pelas pessoas. Ele tem orgulho de ser um otaku e, mesmo que as centenas de miniaturas em seu quarto digam o contrário, os animes são apenas um hobby para ele, algo que ele se identifica e cultua. Diferente de seus bitolados amigos, Yamada sabe diferenciar muito bem o limiar entre o real e a fantasia, mas o esteriótipo otaku e as pessoas com quem convive acaba por generalizando-o como apenas mais um viciado em coisas para crianças.

Que nerd nunca ajudou os filhos do vizinho a passar aquela fase dificil de RPG?

Mas a vida de Yamada muda completamente quando em um dia comum ele pega um trem de volta para casa. Num ato de coragem inédito em sua vida ele acaba salvando Saori Aoyama de um bêbado quando este a incomodava com brincadeiras de conotação sexual que pareciam evoluir para um tentativa de estupro dentro do próprio trem.

Neste momento é interessante abrir um parênteses: o trem em questão estava cheio. Pessoas de todas as idades, gêneros e personalidades estavam viajando junto de Yamada, a maioria com uma aparência muito mais valorizada socialmente e que, querendo ou não, o espectador acredita que eles vão intervir. É dificil entender o que mais dá raiva da situação: um cinquentão tentando se aproveitar de uma garota indefesa ou um monte de homens que poderiam impedí-lo ficando prostrados em seus lugares, fingindop que nada acontecia.

Tal situação pode ser explicada devido a situação social do Japão. Na terra-do-sol-nascente a taxa de segurança é alta, guardas monitoram as ruas 24 horas e mesmo de madrugada é considerado seguro sair sozinho pelas ruas. Assim, numa situação incomum como aquela que acontecia é compreensível que todos os presentes ficassem sem reação, mas a falta de atitude, que apenas Yamada superou, ainda incomoda e gera a primeira grande reflexão do seriado.

A gratidão da garota pela coragem de Yamada faz ele ganhar força para chamar ela para sair. Mas como um Otaku teria chances com uma garota linda, rica e inteligente como Saori? É aí que entra em cena os mais diversos caricatos nerds, geeks e otakus que o mercado de nichos do Japão conseguiu criar.

A bela Saori Aoyama é a representação da doce donzela que todo otaku deseja encontrar.

Por meio do fórum online Aladdin, Yamada conhece um grupo de pessoas que o ajuda a transformar sua personalidade nerd em uma pessoa capaz de conquistar Saori. Cada um com sua personalidade única e com vários casos que refletem uma realidade ocultada pela vida moderna do Japão, os usuários do fórum postam para mudar a vida de Densha (trem em japonês, apelido que Yamada utiliza no fórum) sem perceber as grandes mudanças que eles mesmos estão provocando em suas vidas.

DENSHA E HERMES

Densha Otoko ganhou repercussão no universo nerd por abordar o lado sentimental da tribo, mas a série vai muito além dO tema.

A partir do momento que Yamada entra no fórum, várias histórias derivadas vão sendo contadas. Os usuários vão desde o virtuoso estudante de vestibular, passando pelo um casal que posta junto, o apaixonado pelo exército, o devorador de mangás, o estrangeiro que viaja o mundo, um guarda de trânsito que age online como se estivesse no emprego, o salaryman, o empresário, o descrente jogador de basquete, até chegar em casos mais profundos como o homem divorciado que ainda ama a esposa e a mulher que encontra no fórum um meio de estravasar as surras que elas silenciosamente recebe do marido.

Mesmo o criador do fórum não poderia prever a dimensão da história de Densha!

A partir das lições e dos conselhos que estes usuários vão dando a Densha e vendo os resultados e os obstáculos que o personagem vai superando, os usuários do fórum acabam ganhando um pouco da mesma coragem que Densha tanto pede a eles.

E como foram preciosos estes conselhos! Yamada, apesar de seus 23 anos, nunca havia namorado uma garota, por isso, a falta de experiência em relacionamentos sempre o deixa muito nervoso, gaguejando na frente de Saori, não sabendo as melhores formas de cumprimentá-la e sempre sendo alvo de situações exageradamente constrangedoras a cada vez que ele fala ou sai com ela, chegando a tentar aprender a surfar quando sua gagueira fez Saori entender que este era seu hobby.

Mas os dramas não são privados a Densha. Saori, que aparenta ser a jovem gentil, inteligente, bela, compreensiva e sempre bem humorada tem seus motivos para não ter um namorado mesmo transparencendo ser a esposa ideal para qualquer partido: ela não confia nos homens.

O relacionamento mal estruturado de seus pais somado a um namoro frustrado na adolescência faz com que a garota despreze qualquer tipo de mentira e a bloqueia quando tem encontros com os pretendentes que sua mãe marca para ela, uma prática bem comum no Japão, ainda hoje.

No fórum, Saori é chamada de Hermes. Como Densha nunca disse o nome dela abertamente para não expô-la, os usuários deram o apelido da marca de xícaras que a garota deu para Yamada como agradecimento por ele ter ajudado ela no trem.

O apoio que Yamada recebe dos usuários do fórum Aladdin é o, nos momentos difíceis, o deu coragem para seguir em frente.

Hermes, como amor platônico de Densha acaba cada vez mais se aproximando da perfeição e se afastando da realidade, o que acaba deixando Yamada ainda mais inseguro a cada encontro que os dois tem, mas que acaba atiçando a imaginação de todos os usuários, inclusive Sakurai, um homem muito próximo a Saori…

A LINGUAGEM DA SINSERIDADE

Ser otaku. Desde o início da série Yamada coloca a culpa por seu insucesso com garotas e no emprego naquilo que ele tanto ama e cultua. O preconceito, o rechaço e a forma de demonstrar horror ao otaku no Japão acaba por isolar ainda mais quem tem problemas de socialização, o que acaba contribuindo ainda mais para a frustração do ser por trás da figura do otaku. No seriado, isso fica muito claro logo no primeiro episódio, quando Yamada esbarra em uma mulher pouco antes de entrar no trem. O mais interessante é notar um comportamento preconceituoso logo no país que mais se consome desenhos animados.

No Japão, cerca de 90% da população lê mangá regularmente. As animações são abundantes tanto em TV aberta, fechada, pay-per-view ou em home-video. É comum jogos serem lançados grupos de nichos tão específicos como os otakus, como salaryman’s, donas de casa ou crianças em fase de alfabetização. Logo, a hipocresia nas palavras dos personagens mais preconceituosos fica cada vez mais latente com o passar dos episódiso de Densha Otoko, com vários deles mostrando comportamentos muito similares ao de Yamada, mas cada um em seu nicho.

Assim, do mesmo modo que o protagonista do seriado, o espectador percebe que o problema de Densha não é a sua maneira Otaku de ser, mas sim o medo que ele acabou desenvolvendo ao longo dos anos por deixar-se acreditar que isto era um problema.

Saori é uma mulher madura, não era o visual de Yamada que iria “enganá-la”. Logo de início ela percebe o nerdismo nele, tanto que o teria convidado para uma convenção de animes (algo que ela notou que ele gostaria de ir com ela) se Densha não tivesse tomado a decisão errada na hora errada durante seu processo de desotakisação. O que conquistou Saori foi a sinseridade e as próprias tentativas de vencer a timidez que mesmo tentando esconder eram tão expostas em Yamada.

Esse é um dos pontos mais bem explorados em Densha. Assim como os personagens que ele tanto admira, o personagem precisa se superar e amadurecer para chegar ao seu objetivo. A diferença é que, ao contrário dos mundos fantásticos dos animes, não há nenhum autor que possa lhe escrever palavras de audácia e um texto de força e bravura.

Será que o final feliz está privado a ficção?

Assim, em todos os seus textos, Yamada reflete exatamente o ser que é: tímido, medroso e por vezes melancólico e sem confiança, mas sempre sinsero. A simplicidades da palavras de cada texto de Yamada reflete o personagem real, empírico, próximo ao espectador, o que enche a obra de uma riqueza narrativa original e em que facilmente é assimilada por quem quer que assista.

AMOR AMOR AMOR

Densha Otoko é como uma progessão geométrica começa comum e termina espetacular, uma metáfora perfeita da vida de alguém que quer algo da vida. Parece surreal e ao mesmo tempo muito fantasioso que um otaku que ajuda uma mulher num trem possa realmente conquistá-la através do apoio de um fórum, mas isso acontece. E isso não é hipotético, é real, já que Densha Otoko foi baseado numa história real.

Sim, Tsuyoshi Yamada é o personagem da vida real de um mundo que vende o amor como algo ideal e o cobra como algo trivial. A história de Densha é a redenção da fantasia a realidade construindo vidas a partir do ingrediente mais interessante, inesperado e incontrolável do ganancioso mercado de nichos: a capacidade do ser humano de ir além daquilo que ele mesmo é capaz de criar e sonhar.

RESENHA: Comando Estelar Flashman

“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Numa mistura de heróico com nostálgico, esta é a frase que dava início ao seriado que trazia cinco jovens vestindo roupas coloridas combatendo formigas humanóides e monstros espaciais com um super robô para proteger a Terra de toda e qualquer força malígna que pudesse ameaça-la. Mesmo trazendo um enredo muito parecido com uma série que conquistou o Brasil um ano antes de sua exibição (ponto para quem se lembrou de Changeman), o Comando Estelar Flashman fez bonito por onde passou, seja no Brasil, na Europa ou no Japão, a série japonesa mostrou que o tom épico de sua frase de abertura não era só um mero chamariz, era o reflexo de um dos super sentais mais bem produzidos de toda a história!

SUPER SENTAI

Antes de falar de Flashman, é necessário explicar do que se trata o seriado. Com o sucesso de Power Rangers no ocidente desde os anos 90, os seriados japoneses de quintetos de super-heróis que deram origem aos esquadrões americanos foram um tanto quanto esquecidos.

Do mesmo jeito que Power Rangers é o nome de uma franquia, no Japão a franquia de heróis coloridos se chama  Super Sentai (do japonês, スーパー戦隊 Sūpā Sentai) e já tem mais de 35 anos de história. Na verdade, os próprios Power Ranger são releituras dessas séries japonesas, fazendo com que os produtores da Saban e/ou Disney economizem com a produção de design e efeitos especiais.

Criado pelo mangaká Shôtarô Ishinomori em conjunto com a Toei Company, gigante do entretenimento japonês responsável por diversas séries de super heróis e desenhos animados como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, os Super Sentais seguem uma fórmula básica: cinco jovens são recrutados para proteger a Terra de extra-terrestres malígnos usando trajes coloridos e robôs gigantes.

O tempo de exibição da série é sempre de um ano, com uma média 50 episódios por equadrão. Um episódio é exibido por semana e imediatamente ao acabar o ciclo de uma série, uma nova a substitui, para que a indústria envolvida com o sucesso desses heróis não perca o fôlego.

Mesmo preso a uma fórmula pronta, o Comando Estelar Flashman mostrou que seu enredo ia além e foi um divisor de águas para a franquia e superou qualquer expectativa da época.

A REVOLUÇÃO

A história de Flashman se passa antes do primeiro episódio, isso tanto dentro das gravações como nos bastidores da produção. Anualmente, o produtor Takeyuki Suzuki é convocado pela Toei Company para a criação do enredo de um novo Super Sentai  que irá substituir o que já está sendo exibido na TV.

Diferente de tudo o que já fora abordado nesse tipo de seriado, o produtor se inspirou em algo diferente. Durante a II Guerra Mundial, as crianças japonesas qu haviam perdido seus pais na Guerra ou que por ventura, a família não tinha mais condições de cria-las, foram enviadas para a China aos cuidados de pais adotivos. Vinte anos após o fim da guerra, as crianças comçaram a voltar ao Japão para reencontrar com a família e/ou parentes mais próximos. Observando isso, Suzuki decidiu que este seria o mote de criação de Flashman.

Mesmo sendo um tema delicado, ainda mais pela franquia se dirigir ao público infantil, o produtor, junto com os roteiristas resolveram seguir em frente e criaram diversas analogias ao contexto escolhido para a elaboração da história.

O primeiro ponto seria como encaixar os orfãso como protagonistas da história. Assim, estes seriam representados por crianças sequestradas por piratas espaciais e criadas em um planeta distante da Terra (o planeta Flash), ao qual precisam voltar para impedir que o Crusador Imperial Mess use os terráqueos em terríveis experiências genéticas. Para portegê-la, os cinco jovens sequestram do planeta Flash uma nave (o Star Condor) que contém armamentos, mechas e gemas que os transformam no esquadrão Supernova Flashman (do jaonês 超新星フラッシュマン Chōshinsei Furasshuman), rebatizado no Brasil como Comando Estelar Flashman.

Por serem criadas em um lugar com características diferentes de sua terra natal, estes adquiririam poderes especiais e comportamentos diferentes dos terráqueos. A casa novidade com que eles se deparam (um balão por exemplo) eles os tratam com grande entusiasmo e curiosidade, comportamento este baseado nos orfãos criados na China que, ao chegarem ao Japão, se surpreendiam muito com o crescimento e a tecnologia do país.

Mesmo sendo um plano audacioso, o roteiro deu certo, atraindo crianças e conquistando adultos, sendo até hoje, a quarta série (empatada com Google V) de Super Sentai que mais deu audiência no Japão.


PROTAGONISTAS CATIVANTES

Não só de enredo vive um seriado, os atores, a produção e no caso dos super sentais, as vestimentas, armaduras e design dos elementos que a ele integram são de crucial importância, visto que um dos pontos que mais atraem o público infantil é o espetáculo da imagem. E a seleção foi perfeita! Para formar os cinco protagonistas, foram chamados quatro atores veteranos dos super sentais e um novato, somando tradição e originalidade em um só elenco.

Din, interpretado por Tota Tarumi é o Red Flash. Com 25 anos, é o mais velho da equipe e também o líder deles. Apesar de no início ser um personagem mais frio e focado na missão de proteger os terráqueos, se mostra o mais caloroso dos cinco, assumindo o posto do altruista irmão mais velho da equipe. Como líder, possui um grande senso de justiça e sempre é o primeiro a tomar a iniciativa em momentos críticos.

Dan (no origial, Dai) interpretado por Kikachiko Uemura é o Green Flash. Apesar de ser interpretado por um ator novato, demonstrou toda a garra, força e determinação que o personagem pedia. Diferente de Din, que foi treinado no planeta Flash, Dan teve seu treinamento no satélite Green Star.

Go (no original Bum) interpretado por Yasuhiro Ishiwata é o Blue Flash. Sendo o mais inocente e brincalhão da equipe, conquistou facilmente o público mais infantil. Seu ataque, o laserball, mesmo sendo um dos de maior dificuldade de produção, é também um dos mais interessantes para a série, sendo utilizado como fator decisivo em diversos momentos.

Sara, a Yellow Flash, é interpretada por Yoko Nakamura. Sem dúvida Sara era a personagens mais interessante dos protagonistas, tanto a composição de seu personagem com incríveis raios de gelo provocados pelo bastão laser, a garota aprendeu no satélite Yellow Star a prever os movimentos do inimigo, sem contar que é a responsável pela mira da bazuca Cosmic Vulcan e da convocação do Cosmic Laser, golpe final do robô do grupo. Romântica e extrovertida, interessantes reflexões acerca do passado dos Flashman foram feitas pela personagem durante a série, sendo a representante máxima do amadurecimento dos super sentais.

Para finalizar, Lu, a Pink Flash, interpretada por Mayumi Yoshida é a pesonagem responsável por uma das trocas mais inusitadas da série. Na gravação dos inserts de abertura para o vídeo de abertura do seriado, a atriz fez uma expressão um tanto quanto “raivosa” em sua primeira aparição, um dos fatores que causou  sua baixa popularidade. Assim, ela foi a única personagem que teve sua performance regravada alguns meses depois da estréia da série.

MECHAS E VILÕES

Os heróis sao interessantes, mas sem sombra de dúvida, o destaque gráfico e comercial de Flashman acontecesse graças aos mechas e aos inimigos dos heróis.

Fora o plano de fundo mais adulto, a primeira grande revolução causada por Flashman foi a quebra de padrão logo no primeiro episódio. Um dos responsáveis pelo grande sucesso da franquia dos super sentais é a presença de um mecha gigante que ajuda os heróis nos momentos mais criticos. A presença do robô começou a ser usado na terceira série sentai, o Battle Fever, e a partir daí se tornou padrão, todos os episódios tem reservado 17 minutos para os heróis e 3 minutos para o robô.

Porém, logo no primeiro episódio da série o Poderoso Flash King, o robô da equipe, não dá as caras, sendo apenas apresentado no episódio posterior. Além disso o padrão cronométrico do robô é quebrado em Flashman ao longo dos episódios, tendo episódios sem a presença do mecha e episódios com batalhas mais longas que o usual.

Além disso, a série é a primeira a apresentar um segundo robô a uma equipe Sentai. Após a derrota do Flash King para um monstro do Crusador Imperial Mess, que se tornou um dos episódios mais dramáticos e cheios de ação da série, os Flashman recebem a ajuda de Barack, um habitante do planeta Flash que lhes traz o robô do Deus Titan, o primeiro guerreiro a usar o poder dos Flashman, o caminhão Titan Flash, que se converte em Titan Junior e mais tarde em Great Titan para vencer os inimigos mais poderosos.

Estima-se que a aparição desse segundo robô se deu por conta de uma queda de vendas do robô principal. Essa idéia deu tão certo, que hoje as séries de sentai apresentam diversos robôs, se multiplicando cada ve mais a cada nova série da franquia.

Deixando os circuitos e metais de lado, encontramos muita genética e experiências inóspitas do lado inimigo. Liderando o rusador Imperial Mess, o grande Monarca La Deus decide que a diversidade biológica da Terra é o local ideal para que seu subordinado mais próximo, o doutor Kepflen realize os desejos de Mess.

A grande maioria dos personagens do “lado negro da força” foram criados a partir de uma viagem que Takeyuki Suzuki fez ao Egito pouco antes do início da composição do tokusatsu. Nefer, Wandar e muitos outros trazem diversas referências do local.

Tão grandioso quanto a inspiração dos nomes e o design dos vilões (o melhor de toda a história dos super sentais) foi a idéia de conquista que está por trás de Mess. Ao invés da simples conquista da terra recorrentes na maioria dos super sentais anteriores a Flashman, La Deus e Kepflen misturam genes (na dublagem brasileira “bio-moléculas) com os seres terrestres como plano de fundo para a ação do vilões.

Para completar o time do mal, nenhum outro vilão fez uma participação tão grandiosa completa do que Kaura, o caçador espacial que sequestrou os protagonistas e aparece posteriormente ao início da série para dar um gás muito mais dinâmico tanto para as cenas de ação como para a complexa relação existente entre Kopfler e La Deus. Só a aparência diferenciada dele (barba, vestimenta negra, cablos tanpamdo um dos olhos) já impõe presença, mas a história envolta dele nos momentos decisivos da luta dos Flashman contra Mess lhe faz um dos vilões mais interessantes (senão o mais interessante) de toda a história dos 35 esquadrões tokusatsus.

A SÉRIE NO BRASIL

Produzida e exibida no Japão durante os anos de 1986 e 1987, Flashman chegou ao Brasil em 1989 com uma dificil tarefa: manter o sucesso que Jaspion (leia o review aqui) e Changeman haviam feito no Brasil desde 1986.

Assim como no japão, Flashman conseguiu grande sucesso e prestígio com o público brasileiro, sendo exemplo de conquista de audiência aos seus concorrentes que começaram a surgir aos montes após o sucesso de Jaspion. O tokusatsu foi exibido na Rede Manchete até 1994, quando passou na Rede Record e deu seu último suspiro na TV Gazeta até 1997.

Atuamente, Flashman pode ser encontrado em uma caprichada coleção de DVD’s da Focus Filmes, como 10 discos divididos em dois boxes digistack. A edição de colecionador inclui uma lata comemorativa, cartões postais e um encarte escrito por Ricardo Cruz com um pouco da história e detalhe inéditos dos bastidores da produção.

Assim como na TV, Din e cia parecem não terem descanso e também tiveram que cumprir uma importante missão para a Focus Filmes. “Queimada” com seus consumidores após erros esdruxulos nos boxes de FullMetal Alchemist, Changeman, National Kid e principalmente Jiraiya, o lançamento de Flashman em DVD teve o objetivo de recuperar a imagem da Focus Filmes com o público-alvo de tokusatsu e, para alegriar dos fãs, tudo ocorreu conforme o esperado.

Os DVDs seguem (quase) a mesma qualidade de som (dublada e legendada) e imagem de Jaspion (o melhor lançamento de seriado japonês  já realizado pela empresa), contém áudio-comentários de Ricardo Cruz e outros nomes do gênero tokusatsu no Brasil no primeiro box e uma tradução de legenda impecável.

A arte de capa ficou abaixo de todos os outros lançamentos da empresa, podendo ter sido melhor trabalhada e mais variada (Flash King repete duas vezes na luva do box da edição de colecionador). Os previews dos episódios poderiam ter sido dublados (já que nos anos 80 isso não foi feito) e há a falta das eye-catchs nos episódios do primeiro box.

E O RESULTADO FINAL É…

Nem é necessário perguntar se assistir aos 50 episódios de Flashman é uma tarefa compensadora. Engana-se quem achar que o retrô das imagens ou do vídeo de abertura de Flashman rfletem uma história desgastada pelo tempo. Surpreendendo todo e qualquer fã de super heróis e ficção científica, Flashman é o seriado ideal para quem quer unir efeitos especiais e uma história inteligente.

Apesar de dirigida ao público infantil, o enredo de Flashman surpreende por sua originalidade e criatividade. Se a “queda do robô” surpreende até o fã mais inveterado da franquia Super Sentai, o que dizer do público casual quando assitir a dramática luta contra o tempo e dedicação do grupo para encontrar respostas sobre o paradeiro de sua família ao fim do seriado?

Impossível não se emocionar com as histórias cativantes de cada um dos protagonistas cada vez que, muitas vezes na inocência acreditam ter encontrado algum ente familiar. Família, irmandade, união, amizade são só alguns dos sentimentos e lições mais importantes que o grupo precisou enfrentar em seu desejo de proteger a terra.

E o que dizer dos vilões mais amarguradamente complexados que os super sentais já enfrentaram? Numa mistura de Guerra nas Estrelas com Frankstein, os vilões se mostram personagens cada vz mais interessates, demonstrando personalidades e desejos que refletem os mesmos sentimentos que os humanos sentem a cada tipo de relação interpessoal que começa a ter.

Analogia histórica, personagens cativantes e panos de fundo que são atuais até hoje fazem de Flashman um seriado inesquecível tanto para quem era criança nos anos 80, como para que decidir assistir ao seriado pela primeira vez agora. Para finalizar, você fica com o vídeo de abertura do tokusatsu para relembrar a nostálgica frase com que iniciou esse review ou para conhecer um seriado que vai te emocionar a cada vez que você assisti-lo e reassisti-lo:

É Tudo Improviso: nova temporada, velhos erros

Para firmar o conceito de emisora mais inovadora do país, a Band tem ousado em sua grade de programação. Desde o sucesso de CQC, que já segue em seu terceiro ano, a emissora da Rua Radiantes tem estreiado novidade atrás de novidade, o que resultou no ano passado em programas como E24, Toda Sexta e até  uma sessão de bons  filmes, o Top Cine.

Em 2010, a primeira novidade preparada foi o programa “É Tudo Improviso“, que estreou sua primeira temporada como um tapa-buraco das férias do CQC. A idéia era trazer para o palco da TV o “Espetáculo Improvável” que a Cia. Barbixas de Humor realiza nos teatros do Estado de São Paulo e que virou febre na internet, sendo o canal da Cia, um dos mais acessados do mundo.

É Tudo Improviso foi a primeira novidade de 2010.

O Espetáculo Improvável é um show de humor improvisado, onde os artistas no palco encenam jogos de interpretação com temática construída junto com a platéia. Mas a idéia de trazer, os Barbixas para a TV não foi idéia da Band.

Desde o inicio de 2009, a MTV já trazia Anderson Bizzochi, Daniel Sanna e Daniel Nascimento improvisando seus jogos no programa Quinta Categoria, apresentado por Marcos Mion e assistenciado por Mionzinho.

O improviso na TV começou na MTV.

Com uma dinâmica própria de realização de cada jogo e a limitação do número de atores no palco (que já era característica do teatro), fez com que esse humor saudável, jovem e inovador atraísse os mais diversos públicos para a MTV, que bateu recordes de audiência com o programa.

Com a ida de Mion para a Rede Record apresentar Legendários, a Band aproveitou a deixa e contratou os Barbixas para integrar, junto com Mariana Armelina, Cristiane Werson e Marco Gonçalves o elenco do É tudo Improviso.

Com a apresentação de Márcio Ballas, o programa que foi ao ar durante as segundas-feiras do primeiro trimestre conseguiu muitos elogios, mas também muitas críticas. Com o encerramento da primeira temporada a dúvida da continuação do programa persistia nos fãs dos Barbixas, que mesmo com o posicionamento dos artistas de que a atração ia continuar, ficaram aguardando um posicionamento oficial da Band.

Bem posto, com o anúncio da segunda temporada do programa para maio, esperava-se que os erros cometidos na primeira temporada fossem corrigidos. Infelizmente, não foi isso o que aconteceu.

Assistir as piadinhas do Márcio Ballas no teatro é muito legal, mas a TV exige uma linguagem diferente… Essas piadas teatralizadas somadas ao longo tempo que ainda persiste entre um jogo e outro, faz com que o telespectador se canse facilmente.

Márcio Balas continua como apresentador na segunda temporada.

Tempo talvez seja o principal erro que o programa peca… A duração dos jogos é muito pequena, muitas vezes não chega nem a um minuto e meio… E apesar de ter diminuido, o tempo da banda tocando ainda ocupa um espaço muito grande no programa…

Apesar de interessante para os atores, a banda muitas vezes atrapalha, acabam cortando a linha de raciocínio quando inserem uma música ao fundo do jogo. E as músicas de “loading” do jogo ainda fazem o programa parecer algo um tanto quanto retrô, o que contrasta com o verdadeiro humor cirado pelos Barbixas.

Aliás, até Os Barbixas estão sendo cortados… Ou falta o Elídio, ou falta o Daniel ou até mesmo os três simplesmente não participam do programa sem nenhuma explicação do Márcio Ballas… A explicação oficial é que devido aos novos projetos da companhia, Os Barbixas tiveram que se afastar do programa, mas paree até ironia do destino que até mesmo o que o programa tinha de melhor teve que sair.

A falta de atores acaba tendo que ser compensada por um convidado especial, que soa mais uma cópia do Quinta Categoria 2010 do que uma inovação do programa.

Reflexo dessa decaída do programa, também é o horário em que foi colocado, 23h após o “A Liga“, um programa extremamente pesado, que tira o humor de qualquer um após ser finalizado.

Adriane Galisteu no quadro "Caiu de para-quedas" da primeira temporada.

A Band errou feio na segunda temporada do É Tudo Improviso, seja no formato do programa, no horário, na banda, no timing, na dinâmica ou mesmo na quantidade excessiva de atores no palco, já que uma das coisas mais divertidas no Improvável eram as situações bizarras em que os atores precisavam se virar para conseguir interpretar vários personagens de uma vez…

Não só a segunda temporada, mas todo o É Tudo Improviso, só fez com que o telespectador perdesse. Perdesse o melhor elenco que o Quinta Categoria já teve, perdesse um possível programa que inovasse o humor da TV aberta e perdesse o ânimo do telespectador em ter que ficar acordado até altas horas para poder assistir algo que é muito melhor pela internet…

E a Band dá mancada mais uma vez!

Se todos os fãs de Os Cavaleiros do Zodíaco pudessem concentrar toda a sua esperança para conseguir uma transmissão que deixaria orgulhoso qualquer fã que acompanhava a série nos anos 90 na Rede Manchete, certamente se deparariam com uma grande vilã: a Band.

Em 2010, Seiya terá que enfrentar p maior inimigo de todos os tempos: a Band!

A emissora da Rua Radiantes que foi a escolhida para transmitir a série em 2005 por aceitar transmiti-la assim como era feito nos anos 90, não só fez mal uso da franquia, como a “queimou” no mercado.

Com o fim do licenciamento pela Band, os fãs aguardavam que a série fosse para uma emissora com mais tradição em animações japonesas, como o SBT ou a RedeTV!, mas o pior aconteceu: devido a baixa audiência do anime em seus últimos meses de exibição na Band, todas as emissoras recusaram a franquia.

Sem melhores opções, Os Cavaleiros do Zodíaco voltaram para a Band em 2010.

A Band anunciou que faria a diferença na exibição 2010 do anime em 2010, mas os erros cometidos pela empresa antes mesmo do início da exibição já são aparentes.

Primeiro a emissora decidiu transmitir o anime em seu bloco matinal Band Kids, em um horário que a disputa infantil entre Globo e SBT atinge seus pontos mais altos.

Depois a emissora resolveu adiar a estréia de março para julho, para que a exibição da Copa do Mundo não atrapalhasse a exibição d’Os Cavaleiros do Zodíaco.

Por fim, a emissora resolveu adiantar a estréia da franquia para esse dia 30 de junho, no horário da tarde, a partir das 14h30, num horário entre os jogos da Copa do Mundo reservado as emissoras locais.

Ou seja: apenas a Grande São Paulo poderá assistir o desenho animado, um cenário muito parecido com o que “queimou” a série a poucos anos atrás.

Mesmo após os erros do passado e a insatisfação dos fãs, a Band insisti em tornar os Cavaleiros do Zodíaco em uma tapa-buraco da emissora.

Sem um mínimo de respeito com os fãs da série e com a empresa que a licenciou para a emissora (e todas as empresas que pretendem investir no anime neste ano), a emissora faz o pior uso que a franquia já teve…

Seria muito melhor assistir Os Cavaleiros do Zodíaco espremido entre desenhos da Nickelodeon na Globo ou mesmo sendo anunciado pela Maísa sábado sim, sábado não, do que ter que engolir uma exibição regional novamente…

Sobrenatural ganha anime

Depois de “Animatrix“, “Batman – o Cavaleiro de Gothan“, “Halo Legends” e o anúncio de “ThunderCats“, a Warner prepara sua mais nova investida em animações japonesas baseadas em produções americanas.

Supernatural (ou Sobrenatural, título como é exibido no SBT), uma das séries de maior sucesso dos últimos tempos, ganhará uma versão animada pelo estúdio MadHouse, o mesmo de Death Note e Gantz.

O seriado conta a história dos irmãos Dean e Sam Winchester, dois caçadores que sempre estão envolvidos com casos que ultrapassam o limiar da realidade. O seriado já conta com 5 temporadas (a 6ª em produção) e graças ao enorme sucesso que faz no Brasil certamente terá seu anime lançado em terras tupiniquins tão logo o seu lançamento.

Confira o site oficial e a primeira imagem abaixo:

COMENTÁRIO DAVI JR. – Eu acompanho Supernatural desde que começou a ser exibido,  além de uma produção excelente e personagens cativantes, o seriado consegue se reinventar a cada tempoarada, trazendo conflitos e dramas cada vez mais bem construídos. Uma animação segue exatamente todo esse  conceito da série, inovando e surpreendendo o público. Espero que a produção consiga ser tão motivadora quanto foi Batman, o cavaleiro de Gothan.

Legendários: primeiras impressões

Depois do fiasco que foi a ida d’Os Barbixas para a Band, era a vez de ver se valeu a pena, para os telespectadores (claro!), a ida de Marcos Mion, de Hermes e Renato e tantos outros artistas e humorístas para o novo programa noturno dos sábados da Rede Record: Legendários.

Todo o elenco do programa reunido.

Se o nome do programa já sugere que a emissora do bispo Edir Macedo quis construir um programa para ficar na história. Nos dias de hoje, um programa dessa estirpe precisa de ser jovem, inteligente, de qualidade e com um humor leve, crítico e ao mesmo tempo levar uma nova proposta de como fazer TV ao telespectador.

Falando assim parece até fácil, mas o primeiro programa que estreiou ao vivo no último dia 10 de abril, se mostrou um programa que deve demorar para cair no gosto do público. Ao invés de inovar, a atração preferiu coletar e reorganizar elementos e quadros já existentes da TV brasileira, muitos criados pelos próprios atores do programa.

Apesar do elenco ter uma grande afinidade com o público jovem, a produção optou colocar no ar como primeiro quadro uma reportagem com Chitãozinho e Chororó. O que dá para entender dessa escolha é que se pretende atrair telespectadores de todas as idades, colocando na tela algo que misture as preferências de todos os públicos.

Algo que reforça isso, foi Mion, que assumiu o posto de líder de toda a galera do programa, afirmar “Nós não queremos rir de ninguém, queremos rir com todo mundo” em um dos muitos discursos de auto-elogio do programa.

Aliás, as sessões destinadas a se vangloriar ocuparam grande aprte do programa de estréia. Pôxa, o telespectadores não acreditam que algo é bom só pelo fato de alguém dizer que ele é bom. Todo programa é posto em cheque a cada exibição, se não se mostrar apto a cumprir com o que promete é deixado de lado pela audiência.

Mion é o líder natural da trupe de Legendários.

Mas prometer também chega a ser um problema do programa. Não deu para entender exatamente que tipo de programa é o Legendários. Não se sabe se o humor que eles fazem tem a intenção de fazer crítica social como o CQC, tomadas satíricas como o Casseta e Planeta ou entrevistas debochadas como o Pânico na TV.

O maior exemplo dessa falta de foco foi o quadro do pulo da ponte. Iniciado com uma “novelinha” seguido com a filmagem dos bastidores e resultado na queda de para-quedas de um dos atores da ponte Rio-Niteroi, ficou difícil entender se devia-se ver aquilo como engraçado (devido as montagens grotescas), crítico (já que o bom-senso diz que isso é algo que não se deve fazer) ou heróico (já que colocaram uma trilha sonora que ressaltou a última cena da reportagem).

Se Hermes e Renato já não tinham graça na MTV, não foi na Record que que eles se mostraram diferentes, ainda mais agora que o grupo terá que mudar seu nome, como foi anunciado após o primeiro quadro deles, onde encenaram algumas situações que deveriam parecer casuais ms eram notavelmente já ensaiadas.

E esse é um dos pontos que o programa mais menospreza a capacidade de distinção do telespectador. Todos os diálogos entre Mion e os Legendários no palco já estão ensaiados, mas em vez de assumir isso, os atores tentam ao todo custo fazer com que aquilo pareça casual.

O elenco é grande e o programa é confuso.

Felizmente nem tudo foi perdido. Os telespectadores mais corajosos que ousaram assistir o programa até o fim puderam ver dois quadros mais aceitáveis que os demais.

Felipe Solari fez uma reportagem sobre preconceito, que só não foi mais interessante devido a idéia ter sido pouco explorada. A idéia era ver qual dos três tipos testados eram mais vítima de preconceito: uma loira, um homossexual ou um negro.

O primeiro teste, resultou 6 entre 6 homens escolhendo a loira para dar-lhes uma massagem e depois, quando a loira já não entrava nas opções, 7 entre 7 homens escolhendo o homossexual ao invés do negro.

O quadro só não foi melhor pelo que veio a seguir. O programa testou quem seria aordado por seguranças se esses três tipos de pessoa saissem de uma loja ao mesmo tempo que o sensor da loja acusasse a saída de uma mercadoria não paga.

Com apenas três testes feitos, que resultou em uma abordagem da loira e duas do negro, o programa ressaltou as atitudes preconceituosas para com os negros, mesmo usando uma amostra pequena (mesmo para um programa de TV) e aplicando esse segundo teste de forma um tanto quanto desorganizado.

Mion aprontando todas na Record!

Para finalizar o programa ainda foi mostrado uma reportagem de excelente qualidade sobre o desmatamento. Pela primeira vez em quase uma hora e meia de programa pode-se notar uma atitude realmente merecedora da alcunha de legendários, quando os atores plantaram mais de 6 mil árvores para tentar compensar o desmatamento desenfreado das matas nativas do Brasil.

No geral, o programa foi um tanto quanto confuso para o telespectador, que terá suas dúvidas ao querer repetir a dose aos sábados. É uma pena. Seria um desperdício que uma atração que conta com um elenco tão jovem e capaz não conseguir firmar uma identidade televisiva.

Tomare que nas próximas semanas o programa mostre para que veio e pare de tentar competir com os programas já existentes da TV brasileira no quesito de melhor jornalismo humorístico. Pelo menos um bom jargão Legendários já tem “A gente pode não mudar i mundo, mas estamos tentando“, e esse já é um começo.