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RESENHA: Homem-Formiga

Explosões, megalomania, personagens grandiloquentes e muitas doses de destruição e efeitos especiais pareciam ter se tornado o padrão super-herói de filme hollywoodiano. Para quebrar um tabu e ao mesmo tempo relembrar o público que um herói é muito mais que grandes salvamentos do mundo, o Homem Formiga é o filme para inspirar multidões com seu universo micro.

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DE WRIGHT A REED

Desde 2006, Edgar Whright, diretor conhecido por sua visão peculiar de filmes de gênero (Shaun of the Dead que o diga), sinaliza o interesse em produzir um filme sobre o Homem-Formiga, um dos heróis mais oscilantes das histórias em quadrinhos da Marvel.

Difícil de adaptar, tanto por seu nome bizarro quanto por seus poderes singulares que não o glorificam em nada quando comparado aos seus companheiros de melhor renome, o Homem Formiga ganhou sua chance nas telonas quando a Marvel Studios decidiu criar o seu Universo Cinematográfico pautado na super equipe d’Os Vingadores, a qual o herói é um dos membros fundadores nos quadrinhos.

Com Wright na direção com a ideia de produzir um filme de gênero para herói, um longa de assalto com pitadas de humor e os bons efeitos especiais que o Homem de Ferro (leia a resenha aqui) já demonstrava ser possível em 2008 parecia ser o cenário ideal para a ascensão do herói.

Porém, com o projeto sendo arrastado por anos, com diversas mudanças de datas e localização dentro do Universo Cinematográfico da Marvel, culminou com o diretor saindo da produção do filme, alegando diferenças criativas com a Marvel Studios.

Hank Pym é o gênio por trás das partículas Pym.

Hank Pym é o gênio por trás das partículas Pym.

Assumindo seu lugar, o diretor Peyton Reed ganhou a difícil missão de adaptar o herói a partir das ideias originais de Wright, somando com as bases que a Marvel Studios queria e apresentar um herói quase desconhecido do grande público em um tempo de produção 7 vezes menor que Wright tivera preparando seu filme.

Tudo parecia macular contra, mas diferente do seu tamanho, o Homem-Formiga se mostrou um grande filme!

UM, DOIS, TRÊS HOMENS-FORMIGA

Mas porque raios o Homem-Formiga seria um herói oscilante se a ideia de um homem que cresce e diminui já foi usada por tantos heróis dos quadrinhos e da TV? A verdade é que, apesar de ser um dos fundadores d’Os Vingadores, o Homem-Formiga nunca foi muito popular, tendo passado pelas mais diversas reformulações de nome, identidade, origem e, ainda hoje, é um herói que não emplaca nenhuma grande história.

Pois bem, como resolver isso? A grande sacada do filme foi fazer de um dos pontos negativos do herói um dos maiores trunfos para a construção dos personagens que compõe a história: o longa apresentou ao público nada mais nada menos que 3 versões do personagem de maneira concreta e todas focadas em um mesmo e consistente tema: a família, um dos grandes valores do herói nos quadrinhos que nunca foi utilizado adequadamente.

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De ladrão à mocinho. Quais as motivações de Scott Lang?

O primeiro dos heróis nos é apresentado em 1989, quando o Homem-Formiga original, Hank Pym (Michael Douglas), demite-se da S.H.I.E.L.D. depois de descobrir que a organização tentou duplicar sua tecnologia de encolhimento que faz com que o Homem-Formiga seja possível; Pym acredita que a tecnologia é perigosa e decide escondê-la em segredo.

O segundo Homem-Formiga e protagonista do filme nos é apresentado nos dias atuais, vários meses após os eventos que ocorreram em Sokovia com os Vingadores: Scott Lang (Paul Rudd) foi libertado da Prisão de San Quentin depois de cumprir três anos, por roubar de seu antigo empregador. Lang visita a casa de sua ex-mulher, Maggie, para a festa de aniversário de sua filha, Cassie, onde ele descobre que Maggie está noiva de um policial, Paxton.

A terceira versão do herói nos quadrinhos é inteligentemente adaptada como o vilão do filme: enquanto Pym faz uma visita à sua antiga empresa, Pym Technologies, o atual presidente e antigo pupilo de Pym, Darren Cross (Corey Stoll) revela o projeto Jaqueta Amarela, um traje experimental que encolhe de tamanho e que Cross acredita irá revolucionar a guerra e a espionagem.

Homem Formiga vs Homem Fomiga: Jaqueta Amarela é uma das muitas versões do heroi nos quadrinhos.

Homem Formiga vs Homem Formiga: Jaqueta Amarela é uma das muitas versões do herói nos quadrinhos.

A vida dos três se mescla quando Scott Lang decide assaltar a casa de Hank Pym e este, descobrindo as habilidade ladinas do ladrão, decide treiná-lo como o Homem Formiga para espionar Darren Cross.

Inteligente e sagaz, o longa pode apresentar ao espectador anos de confusão e dúvida de como utilizar o herói em uma versão enxuta, direcionada e audaz.

Para completar o time, Evangeline Lilly interpreta Hope Van Dyne, a inteligente filha de Hank Pynn que reluta de todas as formas em confiar em Scott Lang. Aliado ao fato dos flash-backs de seu pai sempre mostrarem a sua fiel companheira, a Vespa, a perspicácia da personagem gera a expectativa do público quanto a sua participação na ação, se esta usará ou não o traje da mãe durante o filme, sendo ainda um dos principais chamarizes para sua participação em futuros projetos da Marvel Studios.

E QUAL É O TAMANHO DA FAMÍLIA?

A vantagem criativa que o Homem-Formiga tem perante seus irmãos mais velhos do Universo Cinematográfico da Marvel é contar uma história micro em um universo que parece depender de histórias macro. Enquanto Guardiões da Galáxia (leia a resenha aqui), Os Vingadores: A Era de Ultron (leia a resenha aqui) e todos os seus antecessores criaram situações que colocavam em risco o mundo ou o universo todo, o Homem Formiga se preocupou em problemas de um contexto muito menor, mas de uma importância tão, ou ainda mais, importante que a salvação do globo: a salvação da família.

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Hope Van Dyne é um dos pontos que geram expectativa ao fã!

Enquanto Scott Lang se torna o Homem-Formiga sempre preocupado em dar um bom lar para a sua filha, é o tormento de Hank Pynn em proteger Hope que o atormenta com as sombras do passado por ter deixado a família de lado.

Mesmo a motivação do Jaqueta Amarela não é das mais megalomaníacas. Ele usa o traje de vilão para conseguir a fama, o prestígio e a riqueza unicamente para si, sem nenhuma pretensão de dominação do mundo ou coisa parecida.

Estabelecendo o excelente roteiro, sobrou apenas para os efeitos especiais fazerem sua parte no contexto geral do filme para deliciar o espectador com as cenas mais criativas que a Marvel Studios já produziu no cinema, utilizando o poder de diminuir e crescer da maneira mais engraçada e frenética possível.

USANDO AS PARTÍCULAS PYM

As cenas de ação são excelentes, desde Scott Lang experimentando seus poderes, passando por missões ou em sua luta final. A comédia é na medida, engraçadissíma e utiliza muito bem os personagens secundários, em especial Luis, o amigo de Scott Lang em textos inteligentes e que se mantem divertidos cada vez que se repetem.

Num universo onde tudo é Michael Bay, o filme trata de uma temática micro.

Num universo onde tudo é Michael Bay, o filme trata de uma temática micro.

Evangeline Lilly e Michael Douglas são o ponto forte da interpretação dos atores, sua química notável de filha e pai funciona, cativa e gera interesse. Paul Ruddy encarnou Scott Lang muito bem, mas não se fez essencial como Homem-Formiga, ele ainda precisa encontrar o tom para não criar essa separação entre o personagem e seu alter-ego.

O ponto fraco do filme fica no desenvolvimento do vilão, que parece sobrar no enredo geral do filme. Apesar de criar uma ameaça importante, ele não se mostra um grande desafio, fazendo do clímax mais um deleite visual de criativas cenas de efeitos especiais que um caso a ser solucionado.

Mesmo com a saída de Wright, o Homem-Formiga se beneficiou e muito das ideias que o roteiro do diretor criaram e fundiu o foco da Marvel Studios de maneira exemplar, criando um filme minúsculo de nome, mas gigante em qualidade.

RESENHA: Relatos Selvagens

Com a evolução das tecnologias, com as facilidades de se conseguir comida e com o ideal do sucesso ungido sob uma mente que supera o físico, o homem se tornou um ser cada vez mais humano e complacente com as dores e os sentimentos do seu próximo. Porém, o eu-selvagem sempre habitará a alma humana, seja por herança genética ou como sistema de defesa. Pelo menos, é o que mostra Relatos Selvagens, filme argentino premiado no mundo todo.

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ESTRUTURA SELVAGEM

Em 28 de outubro de 2015, o Cine Belas-Artes da capital paulista bateu um recorde histórico: completou-se um ano ininterrupto de exibição de um mesmo filme estrangeiro nas telas do cinema. Para quem não conhece, o Cine Belas-Artes é um cinema de rua a moda antiga que, após quase fechar as portas visto a concorrência desleal com os multiplex dos shopping centers, conquistou um público cativo ao se dedicar a exibição de filmes mais cults, alternativos para o grande público, mas essencial para os cinéfilos.

O filme em cartaz era nada mais nada menos que o longa Relatos Selvagens, filme indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro que elevou a qualidade do cinema argentino a patamares nunca antes visto: sintetizando qualidade, originalidade e quebra de paradigmas em uma só produção.

A ideia do diretor Damien Szifrón era abordar de diferentes maneiras como o ser humano pode se tornar tão selvagem quanto o meio que ele chama de selvagem. Para isto, ele decidiu dividir o filme em 6 histórias diferentes, cada um com seus personagens, seus cenários e seus dramas particulares, mas sempre abordando uma característica humana que o faz perder o status quo de ser racional.

Erica Rivas de noiva é o maior espetáculo do filme!

Erica Rivas de noiva é o maior espetáculo do filme!

Logo na abertura do longa, nos é mostrado tomadas de vários animais, variando entre estados de caça até momentos de repouso, focando olhares e movimentos que muito se parecem com seres humanos também nesses estados, já iniciando com uma bela metáfora do quão próximos homem e animal podem ser.

DO AVIÃO AO FILHO PRÓDIGO

O diretor Damien Szifrón disse que ele encara a ideia de dirigir um filme como um exercício para explorar a realidade além da realidade, ou seja, eles gosta de pensar em histórias possíveis, porém impensáveis de se acontecer. Por isso, os personagens de Relatos Selvagens são todos visivelmente perturbados ou fixados em ideias comuns do dia-a-dia que elevados a niveis extremos se tornam muito preocupantes.

É muito mais interessante assistir o filme às cegas, sem conhecer o roteiro das seis histórias, por isto, esta resenha vai se conter e evitar spoilers, focando nos pontos interessantes que a linha criativa que o filme segue, provocando o espectador e atraindo a sua reflexão.

Mesmo tendo que criar personagens e situações novas a cada capítulo, o filme em nenhum momento perde o fio da meada, atraindo a atenção do espectador a cada cena, fazendo do filme uma experiência totalmente dinâmica. As seis histórias são fantásticas, mas 3 delas são excepcionais, e a primeira delas é a que introduz o filme: Pasternak.

Nunca faça isso no trânsito!

Nunca faça isso no trânsito!

Esse primeiro capítulo é a grande isca do filme. Mesmo sendo bem curto, o diretor cria uma situação angustiante dentro de um avião numa mescla de O Carro Desgovernado com Força Aérea Um, sendo possível de só esta história protagonizar um filme inteiro. É o tipo de drama que fisca o expectador e o faz ter certeza que ele vai gostar de todo o longa.

As duas histórias que seguem abordam a vingança desmedida em uma lanchonete em Las Ratazanas e a ira que se pode chegar em momentos de provocação em El más Fuerte. Em todos capítulos o humor negro é bem acentuado, mas estas duas histórias destacam-se por brincar com personagens bem caricaturais. Assista ao filme acompanhado e você vai poder ver as reações mais diversas de todos ao seu lado.

O capítulo Bombita é outro excepcional que traz um pouco de alívio ao público. Certamente, não ninguém que não consiga se colocar na pele do personagem de Ricardo Darín, um dos atores mais influentes da Argentina, e dizer que nunca pensou em tomar as atitudes que ele tomou.

Neste capítulo, em específico, é interessante notar como é desenvolvido o gatilho que transforma o homem em fera. Szifrón foi muito feliz em se aproveitar ao máximo dos recursos de câmera para captar os movimentos dos olhos dos atores que demonstram o efeito “chega!” dos personagens.

É angustiante ver consternações das personagens.

É angustiante ver consternações das personagens.

La Propuesta vem como um complemento aos demais, abordando de maneira angustiante o drama psicológico que o próprio ser humano consegue se colocar quando põe seus interesses na frente de qualquer situação de punição.

RELATOS CASAMENTEIROS

E genialmente aumentando as expectativas dos expectadores, Szifrón encerra seu filme com uma verdadeira obra-prima quando coloca a atriz Érica Rivas protagonizando um casamento dos sonhos que consegue captar todos os sentimentos dos episódios anteriores e unir numa mensagem final extasiante e inesperada.

Claramente influenciado pelas noivas que o escritor brasileiro Nelson Rodrigues criou em suas peças, em especial “Vestido de Noiva”, a história aborda tanto o lado racional quanto as atitudes desmedidas que as alucinações geradas por situações selvagens podem causar. Do mesmo jeito que Nelson, Szifrón realidade e alienação se mistura em uma sintaxe reflexiva e provocativa.

Todo mundo se coloca na situação dos personagens.

Todo mundo se coloca na situação dos personagens.

Roteiro, produção, fotografia, interpretação. Tudo em Relatos Selvagens é feito com um primor comparável a poucas poucas produções hollywoodianas. Uma verdadeira quebra de paradigma quanto a ideia de fazer cinema, utilizando-se dos conceitos antropológicas para afetar a quem assiste com exímia proeza que inverte o papel de personagem e expectador e metaforiza como nenhuma outra produção, o quão irônico são os lados selvagens e civilizados podem parecer um para o outro quando colocados lado-a-lado.

 

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RESENHA: Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith

Space Ópera é um sub-gênero da ficção científica que enfatiza a aventura romântica, cenários exóticos e personagens épicos. Unindo todos estes elementos e exaltando a humanidade, os sentimentos e os vários lados da postura de um ser humano, Star Wars – Episódio II: A Vingança dos Sith é o longa-metragem que superou todas as barreiras da criação e se tornando o referencial ideal de um gênero.

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DO MEU PONTO DE VISTA, MALIGNOS SÃO OS JEDI!

Entusiasmado com a nova tecnologia em mãos e depois percebendo que sua obra não é feito apenas de explicações, George Lucas criou dois filmes bem diferentes entre si para contar o prelúdio de Star Wars. Enquanto o A Ameaça Fantasma (clique aqui para ler a resenha) deu uma atenção demasiada à complexa, porém necessária, trama política, O Ataque dos Clones (leia a resenha aqui) foi extremamente simples, criando uma trama de romance leve e clara.

Pesando erros e acertos, o Episódio III chegou em 2006 como resposta aos saudosistas que esperavam um novo longa-metragem mais próximos das aventuras especiais de Luke, Leia e Han Solo nos anos 80, ao mesmo tempo que soube apresentar ao público o quanto a manipulação do Senado Intergaláctico foi de essecial importância para estabelecer o poder do Império sob todos os planetas.

O filme começa amarrando os pontos não fechados de O Ataque dos Clones. Deixando claro que após a República ter sido salva pelos Clones seguiram-se três anos de combate contra a Confederação, que tem como líderes o Sith Conde Dooku, ou Darth Tyranus, e o General Grievous, comandante das tropas de máquinas que formam a maior parte do exército inimigo.

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

Yoda pode mostrar todo o seu potencial combativo no Episódio III

E a missão inicial do filme é justamente o resgate do Senador Palpatine que armou seu sequestro por Dooku. Como não poderia deixar de ser, Anakin Skywalker e Obi Wan Kenobi são os Jedis a liderarem a missão e a travar a primeira luta do filme. Com um defecho angustiante e ao mesmo tempo instigante, esse início serve para estabelecer muito bem a função do longa em abordar a transformação de Anakin em Darth Vader e mostrar todo o processo de tentação por qual passou o personagem.

O DOBRO DO ORGULHO, O DOBRO DA QUEDA!

Apesar de, historicamente, A Vingança dos Sith contar o fim das Guerras Clônicas e a ascensão do Império, é recompensador verificar como George Lucas amarrou a trama política focando a história e os percalços passados pelo Jedi para traçar os efeitos do prelúdio à trilogia clássica, fazendo do personagem a sua grande causa.

Devido a um sonho premonitório que previa a morte de sua esposa Padmé Amidala assim que ela desce a luz ao filho de Anakin, o jovem Jedi começa a buscar maneiras de impedir que o sonho se concretize. É quando entra em jogo o Senador Palpatine que começa uma tentativa desenfreada de coagir o jovem a se entregar aos ensinamentos Sith que, segundo ele, com um potencial enorme, poderia até mesmo trazer os mortos à vida.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

Ian McDiarmid deu um show de interpretação.

E é nesse ponto que a trama chega a um ponto jamais antes alcançada por um filme de Star Wars: sabendo da proximidade de com Palpatine, o Conselho Jedi coloca Anakin como agente duplo colocando-o como segurança particular do senador ao mesmo tempo que colhe informações dele.

Os argumentos de Palpatine chegam a quase convencer o espectador que, se não tivesse todo o histórico de outros 5 filmes da franquia poderia se convencer tanto quanto Anakin que o Conselho Jedi está tentando trair a República. E o jovem Skywalker resiste ao máximo às tentativas do vilão de trazê-lo ao lado negro da força.

É interessante pesar a situação do jovem: enquanto o Conselho Jedi lhe dá uma sabedoria milenar na solução de problemas que não atende a libertação de suas amarras carnais, o lado sombrio parece lhe oferecer toda a possibilidade de viver em potencial sua força e o amor de Padmé, massageando seu ego e atendendo aos seus desejos de poder.

QUE A FORÇA ESTEJA COM VOCÊ

Um dos grandes feitos do filme é conseguir trabalhar em toda a sua potencialidade os personagens chave da trilogia clássica, principalmente quando se trata de Obi Wan Kenobi, onde se justifica o porque de ele ser considerado quase que uma figura lendária em Uma Nova Esperança.

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

A luta entre Obi Wan e Anakin foi a mais épica de toda a Saga!

Em lutas memoráveis e inteligentes, as cenas de ação valorizam de uma vez por todas todo o potencial do Mestre Jedi que, convenhamos, foi bem pouco desenvolvida nos filmes anteriores. Se antes a força de Obi Wan era apenas apresentada, agora sua inteligência, sua capacidade de planejamento, sua sabedoria ao aconselhar e sua humanidade são altamente desenvolvidas, cabendo a ele a vitória na luta contra a derradeira luta contra General Griveous, o único a escapar da Ordem 66 e uma luta extremamente trágica (e épica) contra Anakin.

Yoda é outro destaque. Em todos os filmes, até então, a grande força do personagem estava em sua inteligência e sabedoria. No Episódio III não é diferente, mas é aqui que Yoda também mostra seu potencial guerreiro, encarando Palpatine de frente e impedindo que o recém nomeado imperador fuja após a eleição que lhe garantiu o poder sob toda a galáxia.

A batalha de Yoda não tem um desfecho tão positivo quanto as lutas de Obi Wan, mas a sua conclusão é digna do Jedi, que não fica por baixo em momento algum, mostrando o porquê de ser o mestre supremo dos Jedi.

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Se na trama Padmé assume uma papel quase que totalmente consequencial, estando praticamente fora de todas as sequancias de ação e batalhas, sua participação no filme pe de fundamental importância para o desfecho do filme, perdendo toda a sua motivação e deixando para os Jedi a decisão do que fazer com os herdeiros Skywalker.

ENTÃO É ASSIM QUE A LIBERDADE MORRE… COM UM ESTRONDOSO APLAUSO!

Muitos são os momentos épicos de A Vingança dos Sith. Desde os diálogos muito bem construídos, até as batalhas mais bem coreografadas, não há passagem que tenha maior ou menor importância, nem momento que tire a atenção do espectador.

Não é a toa que o filme chama A Vingança dos Sith. O destaque total vai para a participação de Palpatine e suas manobras de coerção de Anakin e de manipulação do Senado Intergaláctico. O vilão é o exemplo máximo de como a massa é facilmente levada pelas aparências e como o jogo político pode ser perigoso quando é jogado com extrema malícia.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Padmé desempenha papel fundamental para o fechamento da história.

Se o lado sombrio até então era um conceito figurado, a transformação de Anakin em Darth Vader é a analogia perfeita de como alguém pode perder a sua identidade quando o seu ego se sobrepõe aos seus valores básicos, fazendo dos Sith algo muito mais palpável com cada ação do personagem. É impossível esquecer a cena do nascimento de Darth Vader, sendo a sua primeira respirada um dos momentos que se tornaram um clássico automático.

A execução da Ordem 66 dos Clones contra os Jedi é uma das mais bem executadas cenas de toda a saga Star Wars, fazendo da maior tragédia de todos os seis filmes uma passagem poética e de extremo bom gosto artístico, comparável as mais bem executadas óperas dramáticas contemporâneas.

Em Star Wars – Episódio III: A Vingança dos Sith, tecnologia e dramaturgia se unem para fechar a prequela da maior franquia espacial de todos os tempos. Em um tom tenso, porém claro, que exacerba os lados mais intrínsecos de cada personagem sem deixar de lado todo o contexto histórico muito citado na trilogia clássica, mas que só em seu prelúdio pode ser totalmente experienciado, fazendo do filme o exemplo de uma perfeita execução ao construir uma space opera.

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

A transformação de Anakin em Darth Vader é o destaque do filme!

RESENHA: Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força

O que é o novo e o que é o velho quando um choque de gerações se une num mesmo propósito numa mistura de expectativas, aspirações e pontos de vista? O que é o novo e o que é o velho quando não importa qual seja o estilo, a origem ou o destino, mas sim a mensagem final? O que é o novo e o que é o velho quando até mesmo o novo e o velho são contestados quanto a sua ordem cronológica? Meus caros, a resposta para tudo isso é Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força.

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CATANDO LIXO

Interessante notar como a relação do público com os efeitos especiais do cinema muda em um sistema cíclico muito próximo do das artes audio-visuais e literárias. Ainda nos anos 70, George Lucas criou diversas tecnologias e sistemas de filmagem para dar vida a sua ópera espacial, e depois, nos anos 2000, o visionário diretor se entregou a tecnologia do chromakey para usar a computação gráfica como principal recurso para moldar seu rico universo. Em ambos os casos, o diretor estava na vanguarda dos efeitos especiais, utilizando ao máximo os recursos que tinha em mãos.

Mas dez anos após encerrar a exibição do Episódio III no cinema, a exigência do público é outra: a galeria de universos criados por meio dos panos verdes soa preguiçosa por expectadores que valorizam os efeitos práticos de diretores como Christopher Nolan (da trilogia Batman – O Cavaleiros das Trevas) que usam técnicas muito mais próximas das que Lucas utilizou nos anos 80 do que das modernas artes que o After Effects pode produzir. É para estes cinéfilos que foi criado Star Wars – O Despertar da Força.

Referência no mundo dos efeitos visuais, a Lucas Film caiu como um tesouro para Disney, que soube avaliar exatamente como tratar o público fanáticos pelo universo de seu visionário fundador quando entregou Star Wars nas mãos de J.J. Abrams, o aclamado diretor de Lost, Alias e Star Trek: Nova Geração.

 

Aventura é a palavra chave do filme!

Aventura é a palavra chave do filme!

Atento as exigências de mercado e declaradamente fã da maior franquia espacial dos cinemas, Abrams desde o início mostrou que estava pensando com a cabeça do antigo George Lucas, criando cenários com materiais de verdade, arquitetando robôs inusitados que funcionam no mundo real e fazendo atores caminhar por areias e florestas a fim que estes sentissem na pele as dificuldades dos personagens.

Estes conceitos importados de não muito muito tempo atrás, mas já nostálgico, resume-se bem na protagonista de O Despertar da Força: Rey é uma catadora de lixo, que explora máquinas e veículos perdidos e soterrados no inóspito planeta Jakku para trocar maquinário reciclado por comida. Forte, independente e inteligente, a personagem ainda representa muito bem a atual geração de fãs de Jogos Vorazes que valorizam personagens femininas que em nada deixam a dever para os famigerados protagonistas masculinos das obras de aventura clássicas. Interpretada magnificamente pela Daisy Ridler, a personagem quebrou tabus ao mesmo tempo que cumpriu os desejos dos fãs.

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Dá para acreditar que não é um efeito especial?

Até mesmo o seu companheiro BB-8 é um símbolo da união do velho com o novo. Enquanto a cabeça do robozinho parece muito com os traços do andróide R2-D2, seu corpo redondo é umas inovação no designs dos maquinários quadradões da obra, além, claro, de fazer parecer impossível sua existência para a física de Isaac Newton.

Junto com Rey, J.J. Abrams ainda “reciclou” uma outra classe de personagem para formar o casal de protagonistas da história: Finn é um Storm Trooper rebelde. Soldados que herdaram a obediência e severidade dos clones das Guerras Clônicas, os Storm Troopers sempre tiveram um visual muito bem aproveitado nos produtos licenciados, mas sempre deixados de lado na trama dos 6 longas da franquia, fazendo apenas o papel dos “bonecos de massa” que aparecem, cumprem a sua função (seja ela perder ou vencer) e vão embora.

Finn (ou FN-2187, como era conhecido como Storm Trooper) rompe o paradigma dos soldados sem desejos próprios e cria uma trama original a partir de um elemento clássico. Junto com Rey, o casal se mostra digno do legado da franquia, com uma “química” incrível, que além de conquistar o expectador, instiga os fãs a quererem saber mais dos personagens. Enquanto Finn protaoniza momentos hilários e ao mesmo tempo de superação, as descobertas e as revelações sobre Rey é o que mais impressiona no filme. O talentoso Oscar Isaac mostoru-se o mais carismático da história (ok, depois do BB-8) e foi a escolha ideal para a proposta ideológica do personagem.

Finn é o mais carismático!

Finn é o mais carismático!

A VOLTA DOS QUE NÃO FORAM

É claro que presenciar a criação de novos elementos, ainda mais quando muito bem feitos, para uma série clássica é muito realizador. Mas o efeito nostálgico que a presença dos antigos personagens causam são fenomenais. Se no trailer a aparição de Han Solo e Shewbacca já arrepiou os fãs, no cinema ele consegue até tirar lágrimas em cenas que fazem referências muito fortes aos seus antecessores.

Como um todo, O Despertar da Força segue muito a linha criativa do Episódio IV: Uma Nova Esperança. Apresenta os personagens, apresenta o vilão e através de um mentor mostra por que os protagonistas podem quebrar o “status quo” do cenário estabelecido.

É por meio de Han Solo que Rey e Finn descobrem que as lendas sobre Jedis e combates épicos para destruir as Estrelas da Morte são reais e é também por ele que o expectador passa a entender melhor quais são os perigos que passam a Nova República instaurada por Leia e Luke com a criação de um grupo que herdou os desejos dos Sith e de Darth Vader: a Primeira Ordem.

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

Meio sem querer, Han Solo é o mentor do novo filme!

E se os fãs acharam que Harrison Ford não daria conta do seu papel (mesmo quebrando a perna durante as gravações), o ator se mostrou peça chave em toda a trama, estando presente em mais de 80% do filme. De estilo debochado e um romântico canalha, impossível não se emocionar em sua cena com Leia (interpretada pela sempre bela Carrie Fisher), que mais uma vez, parecem ter sido feitos um para o outro tamanha as diferenças que aproximam o casal. Destaque total para a atuação do ator, que mesmo sem ser Jedi, se mostrou um verdadeiro mestre da sétima arte.

Até mesmo o maior desafio do filme foi cumprido. Apesar deixar para os próximos filmes o desenvolvimento do Líder Supremo Snoke (que aliás aparece aos seus subordinados no maior estilo vilão de tokusatsu), Kylo Ren se mostrou um vilão digno de ser odiado.

De personalidade fraca e por vezes oscilante, o rebelde sem causa interpretado muito bem por Adam Driver transita entre aclamado e odiado pelos expectadores por diversas vezes, visto que o personagem é exatamente o retrato de um corte do cordão umbilical com a hexalogia original. Se por vezes, este pareceu indigno do legado de Darth Vader, não há fã no cinema que não torça entusiasticamente para que o vilão seja derrotado em sua batalha final, visto o quão dramático é o seu climax.

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Kylo Ren é um vilão oscilante. Por isso merece ser odiado!

Além disso, o fato de todos da Nova República conferirem a Luke Skywalker a última esperança para vencer a Primeira Ordem, faz que o filme todo tenha um tom de mistério acerca do paradeiro do grande herói da Aliança Rebelde, fazendo com que os fãs fiquem teorizando, durante o filme, a partir das informações passadas, como o último jedi vai aparecer. E o resultado faz muito bonito!

UM NOVO ÉPICO

Explorando cenários diversos como desertos, gelo e florestas, todos os lugares clássicos da hexalogia se fizeram presentes no novo filme. Somando com personagens, atores, máquinas e batalhas especiais de tirar o fôlego, J. J. Abrams se mostrou, além de fã, um diretor tão visionário quanto George Lucas, fazendo com que todos os fãs não possam imaginar melhor mente criativa para tomar conta da franquia.

Como foco na aventura e na trama individual de cada personagem, o longa deixa a trama política às margens de um contexto simples e claro como nos anos 80, mas tão profundo e interessante de ser explorados em outros meios como livros, desenhos animados e games como na trilogia dos anos 2.000.

Essa cena já nasceu clássica!

Essa cena já nasceu clássica!

Um verdadeiro encontro de gerações, o filme respeita o legado de Star Wars ao mesmo tempo que apresenta um rico universo para os fãs de primeira viagem. Apesar de ser muito mais interessante assistir ao longa depois de ter visto os outros seis filmes da franquia, qualquer um que se arrisque a começar sua história com o Episódio VII vai se deliciar com o ritmo frenético dos acontecimentos e de seus três atos muito bem definidos.

Com um final extasiante e cheio de reviravoltas, todos os fãs que sentarem na sala de cinema para contemplar essa verdadeira obra-prima do cinema contemporâneo vão concordar com o mesmo ponto: não importa se é novo, velho, contemporâneo, noir, clássico ou fora de paradigma, Star Wars – Episódio VII: O Despertar da Força é o resultado de uma legado que traz novamente aquela torcida pelo mocinho, a rivalidade com o vilão e a emoção de uma luta entre o bem e o mal tão inocente que só um universo de muito tempo atrás, em uma galáxia muito muito distante é capaz de trazer!

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Leia também na Salada Web: Review de Star Wars – O Despertar da Força!

RESENHA: Os Vingadores – A Era de Ultron

O trabalho em equipe guiou a humanidade em suas ações mais memoráveis em todas as passagens da história! Os gênios sempre tiveram sua função singular, porém foi unindo forças que o homem dominou seu meio e passou a brincar de ser deus. Em Os Vingadores – A Era de Ultron uma equipe de gênios guia uma trama grandiosa!

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PREENCHENDO LACUNAS

Desde que o Marvel Cinematic Universe ganhou proporções massivas com a exibição de Os Vingadores (leia a resenha aqui), todos os fãs de cinema e quadrinhos passaram a “estudar” os elementos históricos dos personagens para adivinhar as tramas e os possíveis enredos dos filmes que o sucederam, que bateram recordes de público e crítica a cada produção.

Até chegar em Os Vingadores – A Era de Ultron, o segundo filme unindo os personagens do universo Marvel no cinema, foi abordada a depressão de Tony Stark em o Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), a morte de Loki em Thor – Mundo Sombrio (leia a resenha aqui) e a queda da S.H.I.E.L.D. em Capitão América – O Soldado Invernal (leia a resenha aqui).

Todos estes temas já haviam sido abordados nos quadrinhos, o que levava os fãs a prever as suas consequências nos filmes vindouros. E parece que o diretor Joss Whedon levou essa tendência do público a sério ao formar o enredo base de Os Vingadores – A Era de Ultron, deixando para os fãs imaginar como algumas das condições iniciais do filme foram moldadas entre um filme e outro.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

Ultron foi criado a partir de uma premissa presente em Homem de Ferro 3.

A trama pouco aborda a queda da S.H.I.E.L.D. e apenas cita que a Torre Stark virou a base de operações dos Vingadores. Apesar de partir de Thor reunir os Vingadores novamente para resgatar o cetro de Loki na Terra, nada se diz de onde partiu a busca. Por fim, a depressão de Stark teria sido o ponto de partida para que ele e Bruce Banner sonharem em criar Ultron, a máquina de inteligência artificial perfeita para a proteção da humanidade.

NASCE ULTRON

Com a cena extra de Os Vingadores aparecendo Thanos, era de se esperar que o grande conquistador do universo da Marvel fosse o vilão do segundo filmes da super equipe de heróis.

Com o anúncio de Ultron fazendo a vilania, muitas das tramas previstas envolvendo as jóias do universo foram por água a baixo, porém, o diretor Joss Whedon sube mesclar muito bem a grande trama do Marvel Cinematic Universe com a trama coloquial de vencer Ultron.

Debochado e egocêntrico, a inteligência artificial de Ultron começa a estudar o que é “proteger a humanidade”, chegando a conclusão que uma equipe como os Vingadores é o maior perigo que a humanidade poderia enfrentar, e começar a colher materiais por todo o mundo para ficar forte o suficiente para deter a todos os heróis.

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

Wanda e Pietro fizeram bonito em sua participação no filme!

As catástrofes geradas por suas ações que matam humanos a máquina considera um pequeno sacrifício se comparada a grande salvação da humanidade em exterminar os Vingadores. Essa personalidade herdade de seu principal criador, Tony Stark, foi o diferencial que deu ao personagem um tom único e inovador para a história.

Criada e finalizada dentro do filme, Ultron nasceu das boas intenções megalomanicas de Tony Stark apoiadas por Bruce Banner, o que foi o estopim para uma troca de farpas entre os heróis.

Se no início do filme, a união dos heróis começa a produção da maneira mais extasiante possível, dando uma grande vitória a equipe indo direto ao ponto e mostrando que a equipe está muito bem estabelecida, é a desconfiança geral e as derrotas dos subgrupos gerados pelos problemas e situações criadas por Ultron que obriga a equipe a parar e repensar suas ações e refletir “o que é ser um Vingador”.

E AFINAL, O QUE É SER UM VINGADOR?

Gavião Arqueiro. O mais menosprezado personagem de toda a franquia Marvel nos cinemas ganhou um incrível destaque no filme ao ser o mais sensato ao responder a grande questão do filme.

Dono de uma maturidade invejável, Clint Barton mostrou que seu romance com a Viúva Negra não passou de mais uma história da imaginação dos fãs ao colocar todos os membros da equipe de heróis para fazer tarefas simples do dia-a-dia em sua casa de campo junto com sua esposa e filhos.

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

O Gavião Arqueiro foi o maior destaque do filme!

Nas cenas de ação, o arqueiro roxo fez piadas o tempo todo com sua condição desfavorável ao se comparar com todos os seus poderosos companheiros. Dando lições de moral ao companheiros de longa e curta data, o filme alcança seu apogeu moral nos diálogos e sequências que conflita com a Feiticeira Escarlate e Mercúrio.

E por falar nos gêmeos, que não foram chamados nenhuma vez por suas alcunhas dos quadrinhos, muito bem eles foram inseridos na série. De maneira sutil e sem muito estardalhaço, os mutantes/milagres/inumanos (a Marvel não definiu exatamente o que eles são no seu universo cinematográfico) fizeram bonito, mostrando-se uma pedra no sapato quando vilões e importantes aliados quando heróis. A ótima atuação de Elizabeth Olsen e Aaron Johnson muito acrescentou aos personagens, que foram a adição mais interessante do filme.

Adicionado também foi Visão, o andróide nascido da união do material criado por Ultron para ser o seu corpo perfeito com a inteligência artificial Jarvis que sempre auxiliou Stark. Se o seu nascimento foi um dos pontos altos do filme, pouco o personagem acresceu na trama. Mesmo que com papel essencial na vitória contra Ultron no final, sua participação foi mais técnica que ideológica, acrescentando efeitos com poucas causas.

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

Quem não se empolgou com a luta arrasa quarteirões do Hulk contra a armadura Hulkbuster do Homem de Ferro?

E na busca por respostas, o veteranos mostrara para que vieram. Enquanto Capitão América e Thor foram mais funcionais, mas mesmo assim donos de muitas das cenas de ação, o romance de Hulk e Viúva Negra foi o que materializou para o espectador as dificuldades e o peso de se carregar as responsabilidades de protetores da humanidade. Mais contido neste filme, Hulk teve de enfrentar sua condição de monstro mais uma vez após ser detido por Tony Stark com a armadura Hulk Buster!

O Homem de Ferro mais uma vez teve papel fundamental e a atenção principal do filme, tanto por não ter nenhum filme próprio nos próximos anos como para justificar o salário exorbitante de Robert Downey Jr. Sendo a fagulha que acendeu o problema Ultron no filme, Stark mais uma vez que teve que enfrentar conflitos de personalidade com outros personagens, o que muito provavelmente vai gerar, no futuro, novas consequências para novas tramas (alguém pensou em Guerra Civil?).

E COMEÇA UMA NOVA ERA

Os Vingadores – A Era de Ultron começou cheio de razão de ser, surpreendeu no início, se mostrou mais maduro em toda a trama, teve seu humor muito bem colocado e se mostrou maior e mais intenso que o seu predecessor.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

A criação de Visão foi um ponto forte. E foi a única coisa que ele fez.

O filme acertou em cheio em utilizar o mesmo estilo de ação da luta contra Loki: enquanto a maioria dos heóis vai dando conta dos “bonecos de massa” do vilão principal, este é encarado por uma dupla ou trio de heróis, que vã se intercalando para dar igual atenção aos seus poderes.

Sua falha ficou em desenvolver muitas tomadas grandiosas muito coladas com a outra, exagerando na ação e deixando a trama, por muitas vezes, em segundo plano ou desconexas. Se o filme tivesse meia hora a mais (como o diretor queria!) esses problemas não tivessem acontecido e alguns fatos isolados, como a busca por respostas de Thor, o abandono de Hulk ou o fim de Ultron pudessem ter sido menos corridas.

Maior e muito mais ousado que o primeiro Vingadores. Mais maduro ao abordar as questões e os conflitos psicológicos dos personagens e ainda mais cheio de tomadas de ação de tirar o fôlego, o que mais define o filme é a palavra “mais”.

O mais completo de conteúdo, mais cheio de personagens, mais abrangente em todo o universo Marvel e o mais condensado filme de super herói que o cinema já teve.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

Calma! Antes da Guerra Civil tem o Homem-Formiga.

RESENHA: Guardiões da Galáxia

A tarefa de criar um grupo que exprima um conceito singular não é fácil. Além dos desafios criativos, elementos de mercado como concorrência e aceitação do novo são, no mínimo, perturbadores quando se tem um histórico de tantos sucessos comerciais em planos em que o espectador já tem uma bagagem positiva desde o primeiro trailer. Guardiões da Galáxia é o filme que provou que para ser sucesso, não é preciso ser clássico, afinal, quando bem executado, o buzz-marketing é muito mais efetivo que qualquer outro tipo de mídia milionária.

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A união faz a força. E isso ficou bem claro em Vingadores. Ainda mais quando uma única equipe reúne personagens tão distintos e com origens tão conflitantes. Pensando nas diferenças, a Marvel Studios estabeleceu públicos em cada um dos filmes dos seus heróis e uniu o fantástico, o histórico, o violento e o realista em uma só obra, fazendo de Os Vingadores (leia a resenha aqui) um marco na história dos cinemas.

Com um referencial tão pragmático e que demorou tanto tempo para fermentar o público, parecia impensável que um novo filme de super-equipe fosse uma opção viável para um filme sem (quase) nenhuma ligação a Thor, Hulk, Homem de Ferro e os demais astros da equipe da S.H.I.E.L.D. Assim, remando contra a correnteza, o anúncio de Guardiões da Galáxia causou certo estranhamento num primeiro momento.

O fato de não ser uma equipe de tradição e/ou histórico cult do universo Marvel (mesmo nos quadrinhos, a equipe não dava as caras há um bom tempo num título só deles) parecia uma desvantagem numa industria movida pela nostalgia, ainda mais com uma equipe tão pouco comum, mesmo para os conceitos de super-equipe da marvel.

Thanos é a ligação dos Guardiões com o Universo Marvel.

Thanos é a ligação dos Guardiões com o Universo Marvel.

Porém, o diretor James Gunn, encarou o desafio e transformou a aparente dificuldade em fator positivo para apresentar ao público um longa-metragem totalmente formatado ao seu estilo, o que deu a toda trama um tom de originalidade impar ao se comparar todos os filmes de super-heróis da feitos até hoje. A possibilidade de apresentar uma equipe nova ao público foi a oportunidade que o diretor teve de conceituar um modelo de narrativa ainda não explorada no cinema, mesclando sequencias de apresentação, estabelecimento de papeis e a função da trilha sonora na trama.

Os Guardiões da Galáxia são uma equipe de ex-condenados que caçam tesouros pelo espaço, numa mistura de Star Wars com Indiana Jones. Liderando a equipe, está o único terráqueo da trama, Peter Quill, ou Senhor das Estrelas, como ironicamente ele trata seu alter-ego dos quadrinhos no filme. Sequestrado quando pequeno e criado por alienígenas, a única ligação com sua família de origem é um walkman com uma fita cassete que ele houve a todo o tempo, principalmente nos momentos de missão. Recheada com hits dos anos 70 e 80, as faixas compõem toda a trilha do longa, dando um tom nostálgico singular ao filme que o torna inesquecível para fãs, ou não, de super-heróis. O ator Chris Pratt encarnou tão bem o papel de Peter Quill que se tornou referência no papel de ator de jovem sério com um tom sarcástico.

Os outro quatro integrantes da equipe, unidos pelo motivo menos heróico possível, são todos ex-riviais de Quill na disputa da Esfera do Infinito, uma das jóias do Infinito cobiçadas por Thanos, o maior vilão do universo Marvel e o principal antagonista d’Os Vingadores.

Impossível não se apaixonar por Groot.

Impossível não se apaixonar por Groot.

Com a aparência de uma raposa bípede, Rocket Raccon se caracteriza pela língua solta, a grande habilidade com armas e a grande ganância por tesouros. Mas foi o bom coração que o uniu a Groot, um alienígena com aparência de árvore que só consegue pronunciar a frase Eu sou Groot conquistando crianças e adultos com seu jeito gentil e sempre salvando Raccon quando este se deixa dominar pelo seu hiperativismo.

A figura feminina da equipe aparece na forme de Gamora. Órfã alienígena que foi criada por Thanos para se tornar a arma perfeita. Como assassina pessoal do vilão, Gamora ganhou reputação como uma guerreira formidável, mas se juntou a equipe após ser usada como marionete para trabalhar com Ronan, vilão da história que está atrás das jóias do Infinito para Thanos. Finalizando o quinteto, também movido por uma rivalidade com o vilão da história, Drax é um ex-condenado com um físico brutal que quer se vingar de Ronan, que matou sua família. Guiado pela raiva, nada irá impedi-lo de levar sua vingança sobre o ser mais perigoso da galáxia.

Se antes d’Os Vingadores era impensável criar um filme de super-heróis apresentando tão distintos peersonagens numa única trama, Guardiões da Galáxia veio para provar que também é possível contar uma história de um número grande de heróis desconhecidos e estabelecê-los de maneira exemplar na mente dos expectadores.

A máscar

A máscar

Ousado e frenético, o filme aproveita todas as suas cenas, compondo uma produção que não peca em nenhum ponto, equilibrando muito bem todos os protagonistas e lhes dando a atenção devida em cada um dos pontos. Mesmo o intervalo em que os Guardiões se encontram com o Colecionador, cena inclusive, que quebrou o conceito passado do personagem provando a força dos inimigos, apesar de vazio, foi essencial para ilustrar a representatividade que as jóias do infinito representam no Universo Marvel.

Diferente de seus predecessores, Guardiões da Galáxia não contava com a herança dos personagens do fenômeno os Vingadores, exigindo muito mais trabalho de marketing para se vender. A Marvel fez tal campanha com excelência, mas foi o buzz-marketing (ou marketing boca-a-boca) o responsável pelo sucesso comercial do filme. A qualidade e o ambiente que mescla o universo dos heróis com Star Wars foi tão bem recebido que todos que assistiam passavam a recomendar o filme, fazendo dele, a 3ª maior bilheteria da Marvel até 2014.

Desafiando ordens planetárias, mas cada um com uma motivação justa, Os Guardiões da Galáxia uniu seus dramas pessoais numa jornada de interesse comum. Do mesmo jeito, a Marvel Studios uniu em um só filme todos os conceitos de ser Marvel: surpreender cada vez mais o público e sendo a vanguarda da produção cinematográfica contemporânea.

A equipe de ex-condenados se une rumo a um grande hit da Marvel Studios!

A equipe de ex-condenados se une rumo a um grande hit da Marvel Studios!

RESENHA: Capitão América – O Soldado Invernal

Grupo é um conjunto de elementos que formam um conjunto. Equipe são indivíduos que se unem por um objetivo em comum. Seja em grupo ou em equipe, Capitão América – O Soldado Invernal mostrou que a figura do líder se adequa a qualquer situação, desde que a personagem tenha a convicção necessária para unir os laços que a compõe.

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ORIGENS INSÓLITAS

Ao se anunciar a segunda aventura do Capitão América nos cinemas iniciou-se uma discussão quanto aos pontos de vista de críticos e fãs sobre o que estaria por vir.

Se por um lado uma aventura fraquíssima de Capitão América – O Primeiro Vingador (leia a resenha aqui) deixou abalado os corações dos fãs mais fervorosos, as ótimas produções de Os Vingadores (leia a resenha aqui) e Thor – O Mundo Sombrio (leia a resenha aqui) e o anúncio do tema do filme envolver um dos arcos mais queridos do personagem nos quadrinho deixou todos os fãs entusiasmados do que iria por vir.

Felizmente, a Marvel Studios mostrou-se uma companhia com ótimo ouvido para fãs e cinéfilos, inserindo em seus filmes elementos que ia acrescentando ou retirando das produções posteriores a medida que tal era (ou não) bem aceito pelo público.

O resultado em Capitão América – O Soldado Invernal foi um filme que deu uma reviravolta no tom dos filmes do herói, trabalhando nele um gênero mais próximo de um thriller policial, e combinando uma característica marcante no personagem aos longo de suas sete décadas: o forte senso de liderança.

Amiga ou Inimiga? Viúva Negra, a soldada que ninguém conhece a origem é realmente confiável?

Amiga ou Inimiga? Viúva Negra, a soldada que ninguém conhece a origem é realmente confiável?

ADEUS S.H.I.E.L.D

Se a Viúva Negra foi um adendo interessantíssimo no fraco Homem de Ferro 2 (leia a resenha aqui), inserir a personagem após sua incrível participação em Os Vingadores num filme do herói patriota da Marvel foi a atração final para convencer as audiências que podiam contar um espírito renovado do filme.

A participação da bela atriz Scarlet Johanson por si só já é um diferencial, mas a atriz fez ainda fez bonito ao interpretar ainda melhor a fria Viúva Negra, parecendo ser a própria encarnação da personagem em carne e osso quando as lembranças de seu passado vão revelando ainda mais o potencial da personagem para um filme solo e instigando a curiosidade dos fãs sobre a formatação de cinema da personagem.

E se a volta de Samuel L. Jackson no papel de Nick Fury sempre traz muitas especulações quanto ao rumo da história, visto a característica intrínseca do personagem de não revelar todos os seus planos de bandeja, foi a amarração que o filme precisava para seu enredo.

Devido a uma traição interna, as estruturas da S.H.I.E.L.D foram quebradas e nem mesmo seu líder Nick Fury escapou das tentativas de assassinato. Reorganizando remanescentes de boa índole, o chefe durão tenta fazer frente ao grupo separatista, entre eles Sam Wilson, o herói Falcão, Maria Hill e a misteriosa Sharon Carter, a Agente 13.

A participação da Agente 13 foi a mais curiosa de todo o longa!

A participação da Agente 13 foi a mais curiosa de todo o longa!

Neste grupo todo, cada um com sua função diferente, ergue-se Steve Rogers como seu líder natural. Estrategista, inteligente e sempre uma frente, o filme criou um ambiente próximo do elogiado papel do personagem em Os Vingadores, mostrando-se a ideal abordagem do personagem no cinema, em oposição ao seu papel solitário e sem graça do primeiro longa.

LEMBRANÇAS DO PASSADO

E apesar de levar nas costas o título do filme, o Soldado Invernal, a grosso modo, é o antagonista que menos importa em toda a trama. Ponto chave para a ligação do herói com seu passado, o alter-ego do perturbado e sem memória Bucky Barnes é o body espiatório da nova Hydra que passou a dominar a S.H.I.E.L.D.

Se no primeiro filme Sebastian Stan encenou o soldado vitorioso que morre por seu amigo, ele é o completo oposto na sequência. Muito mais interessante como Soldado Invernal e, a priori, sendo sua atuação como o único diferencial do personagem para a trama, seu surgimento o estabeleceu apenas como uma origem para o personagem que certamente dará as caras em futuras sequências.

Mais interessante que o vilão e inteligente inserção, foi a inserção de Peggy Carter. O antigo amor do herói das cores da bandeira dos EUA, ainda que envelhecida foi um ponto emotivo dentro de uma trama recheada de muita ação.

Falcão foi o herói terciário da Marvel que apareceu para formar um time alternativo, mas muito criativo!

Falcão foi o herói terciário da Marvel que apareceu para formar um time alternativo, mas muito criativo!

A participação dela e a revelação como fundadora da S.H.I.E.L.D. foi tão bem recebida que a personagem ganhou um seriado de TV próprio contando sua saga após a suposta morte do Capitão nos anos 40.

OH CAPITÃO, MEU CAPITÃO!

Se Chris Evans anteriormente foi visto como um má escolha para O Capitão América, hoje ninguém mais lembra que ele foi o Tocha Humana em O Quarteto Fantástico. Dando uma cara mais jovem e mais adequada aos tempos da geração internet, o ator se personificou como o herói.

Com ritmo frenético de ação, aventura, perseguições e explosões dignas de Michael Bay, o filme abrilhanta os olhos ao mesmo tempo que bem trabalha o protgonista. Com uma trama onde não se pode confiar em ninguém e a desconfiança acontece até mesmo entre aliados, o longa dá um nó a cabeça do espectador, que não desliga até o seu fim.

Uma obra-prima do Marvel Studios, Capitão América – O Soldado Invernal foi uma divisão de águas para o universo Marvel criado nos cinemas. Influenciando todas as produções após seu fim, nele estarão para sempre guardadas conceitos inovadores, transformações criativas e muitas boas lembranças para quem o assistir.

O Soldado Invernal é um capítulo crucial da saga da Marvel nos cinemas!

O Soldado Invernal é um capítulo crucial da saga da Marvel nos cinemas!

RESENHA: Thor – O Mundo Sombrio

Colhendo os frutos de uma bem sucedida fase de grandes blockbusters no cinema, Thor – O Mundo Sombrio, veio como a carta coringa do estúdio para intensificar os elementos semeados em filmes anteriores e criar expectativas para as futuras produções.

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UM ESTÚDIO CHAMADO MARVEL

Só a Marvel Studios consegue ser a Marvel Studios. Com uma capacidade criativa capaz de unir o público casual e hard-core das histórias em quadrinhos no cinema, A Marvel Studios conseguiu renovar e quebrar os paradigmas de receio que cada nova produção de Hollywood causava nos fãs de quadrinhos após os sucessivos fracassos de crítica que outros estúdios faziam com seus heróis.

Como resposta a produções imediatistas, o projeto Vingadores conseguiu reunir em 6 filmes toda a magia e, principalmente, trabalhar a espectativa do fã, característica marcando de toda histórias em quadrinhos em qualquer parte do globo.

O que fazer depois de Vingadores (leia a resenha aqui) era a grande questão. Se o início conturbado de uma segunda fase para o estúdio veio com a estreia de um despreocupado Homem de Ferro 3 (leia a resenha aqui), foi o segundo filme do Thor que tornou possível uma projeção de algo muito maior e muito mais conciso dentro de um universo que tem muito a oferecer e muito a se expandir.

A BASE: THOR E LOKI

Se em Homem de Ferro 3 os produtores pareceram meio preocupados de onde começar e para onde levar o herói, se apoiando em seu contexto, Thor – O Mundo Sombrio soube se aproveitar como nenhum outro filme da Marvel Studios da grande base do universo Marvel que tanto cativa públicos de gerações em gerações: a humanidade dos personagens.

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

É o choque de crenças entre os irmãos que dá vida ao filme!

Parece difuso a humanidade estar latente em um filme que tem deuses como temática, porém essa proximidade entre mortais e imortais que sempre conduziu as mitologias mais antigas e as solidificou para serem contadas e recontadas por toda eternidade. Sendo assim, para que a Marvel se concentrar em disputas de poder, se o que realmente interessa é o que restou da irmandade de Thor e Loki?

Se no primeiro filme do Thor (leia a resenha aqui), o relacionamento, a disputa, a inveja entre irmãos e o relacionamento com o pai tornou o filme rico de mensagens e moralmente reflexivo, é exatamente a quebra dos laços entre os personagens que sustenta toda a trama do segundo filme, fazendo os novos vilões parecerem desnecessários.

DESENVOLVENDO A TRAMA

Depois dos acontecimentos de Thor e Os Vingadores, Thor (Chris Hemsworth) luta para restaurar a ordem em todo o cosmo. Mas uma raça antiga de Elfos Negros, liderada pelo vingativo Malekith (Christopher Eccleston), um inimigo sombrio que antecede o próprio universo, e seu braço-direito, o jovem porém cruel Algrim (Adewale Akinnuoye-Agbaje), retorna para afundar novamente o universo em trevas.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin para saber como agir.

Mais maduro, Thor pede os conselhos de Odin antes de agir.

Diante de um inimigo que nem Odin (Anthony Hopkins) e nem seu reino Asgard podem combater, Thor deve embarcar em sua viagem mais perigosa e pessoal, que o reunirá com Jane Foster (Natalie Portman), que está possuída por um elemento superpoderoso chamado Éter, cobiçado pelos Elfos Negros, e o forçará a sacrificar tudo para salvar a todos. Thor terá que reconstruir Asgard, reunindo um exército para a batalha contra os Elfos Negros. Mas a única maneira de ele poder fazer isso é indo para o Mundo das Trevas, e a única pessoa que tem acesso para o lado negro de Asgard é seu irmão mais novo Loki (Tom Hiddleston), que está trancado em uma prisão.
Com a batalha se aproximando, Thor tem que negociar uma trégua com Loki. Thor, Loki e Jane embarcam em uma missão que pode definir o futuro dos Nove Reinos.

Com um enredo que tentou valorizar a participação de Natalie Portman, reunindo todos os personagens do primeiro filme e uma perfeita sincronia de acontecimentos, a produção acerta em cheio também a medida que conceitua Thor como um herói de grandes feitos, sendo o ponto chave de todo o desenvolvimento do universo criado pela Marvel Studios.

Loki é o maior destaque do filme!

Loki é o maior destaque do filme!

Até mesmo a localização da história na Inglaterra facilitou as possíveis “desculpas” para a necessidade de mais Vingadores no filme. Elevado a projeções de alto impacto, as batalhas, sejam elas na Terra ou em Asgard, em grupo ou em atuações solo, valorizaram o universo da trama e mostrou como Chris Hemsworth encarna o personagem como sempre o tivesse vivido.

Tão grandiosa foi a atuação de Tom Hiddleston. O drama da dualidade do personagem Loki colocou o ator em situações que variavam do cômico ao trágico, desenvolvendo o personagem cada vez mais e, ao que parece, tentando criar um rival de peso para o vilão Coringa dos filmes do Batman, até então, o único vilão das comics americanas capaz de rivalizar sua popularidade com outros heróis.

O drama de Loki, somado a trama paralela que a ele se desenvolve, incluindo uma das mais belas cenas envolvendo René Russo no papel de Friga, esposa de Odin e mãe adotiva de Loki, cria um ponto chave no filme que certamente será um dos elementos que guiarão todos os próximos filmes da Marvel Studios.

PELAS BARBAS DE ODIN!

Icônico, reflexivo, dinâmico, bem construído e bem desenvolvido. Thor – O Mundo Sombrio é (com o perdão do trocadilho) sem sombras de dúvidas o melhor filme da Marvel Studios, superando até mesmo o próprio filme dos Vingadores.

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Todas as tramas se fundem em uma só ao final do filme!

Se a primira fase das produções do estúdio criou todo um público e uma vrdadeira legião de fãs, o segundo longa do deus do trovão entregou aos fãs algumas das principais premissas em continuações que faltam na grande maioria dos blockbuster: respeito ao fã, liberdade criativa inteligente e espaço para os atores mitificarem seu talento dentro de um universo que jamais deixará de crescer.

RESENHA: Homem de Ferro 3

A quantidade de mundo e universos é sempre muito utilizada como premissa para a criação de dezenas de histórias em filmes e histórias em quadrinhos. Tão numerosa como a quantidade de vilões dos heróis, essas histórias ja deixaram de ser enredo para se tornar um conceito. Em Homem de Ferro 3, a diversidade de universos entre cinema e quadrinhos é um ponto separatista entre fãs da nova e da velha geração.

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Quem pode assistir ao filme Homem de Ferro 3 certamente se deparou, ou foi um dos protagonistas, de uma das mais controversas reações que o cinema já teve num fim de filme: enquanto uma grande parte do cinema vibrava com a emocionante vitória de Tony Stark sobre o terrorista Mandarim, um grupo de fãs aqui e acola começava a amaldiçoar diretores, produtores e roteiristas do filme.

O motivo para tamanha controvérsia? O choque de gerações que idolatram o Homem de Ferro tal qual é o herói nos quadrinhos. Só que não.

Após os eventos ocorridos em Os Vingadores, Tony Stark entrou em estado de paranoia. Sem conseguir dormir e sem dar a devida atenção a Pepper Potts, que assumiu com maestria a presidência das Empresas Stark, o herói passa praticamente 24 horas junto de J.A.R.V.I.S construindo armaduras mais e mais aperfeiçoadas, tentando se prevenir de um possível novo ataque alienígena.

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Esta figura do Mandarim reserva muitas surpresas!

Enquanto está com a cabeça em outro mundo, os problemas na Terra começa a ficar cada vez piores a medida que o terrorista conhecido como Mandarin amplia cada vez mais os ataques as metrópoles de todo o mundo com sua organização criminosa auto-intitula Os Dez Anéis.

Quando o segurança Happy Hogan é hospitalizado após uma explosão próxima causada pelos Dez Anéis, Stark declara guerra ao Mandarim em rede nacional. Atacado em sua mansão, Stark é dado como morto – mas ele consegue fugir em uma armadura nova do Homem de Ferro e se abrigar com o garoto Harley, que com sua inocência de criança abalada pela entrada na adolescência, começa a gerar mudanças na humanidade deturpada e auto-corrosiva de Stark.

Com um enredo fechado, ótimas atuações de um elenco de primeira mas com pequenos pontos que podem causar confusão na primeira vez que alguém assistir, o filme teria motivos de sobra para entrar para o a lista dos filmes favoritos de qualquer fã, se não fossem as grandes mudanças que o roteiro tem se comparado aos quadrinhos.

Ele não fez muita coisa, mas é legal ver o Homem de Ferro com a armadura do Capitão América, err.. quer dizer o Patriota.

Ele não fez muita coisa, mas é legal ver o Homem de Ferro com a armadura do Capitão América, err.. quer dizer o Patriota.

Mesmo criando um universo paralelo aos de sua mídia original, muitos e muitos fãs criam barreiras aos novos conceitos que o cinema adiciona ao universo os heróis, mesmo quando estas são realizadas de maneira tão eficaz como em o Homem de Ferro 3. A diversão parece ser colocada de lado quando um vilão como o Mandarim se mostra diferente do oriental cheios de poderes elementais de Stan Lee.

Tão corrosivo como o próprio sentimento de inutilidade de Tony Stark perante possíveis ataques alienígenas, está na hora do entretenimento ser tratado como a sua finalidade: divertir como uma história que se completa a medida que é contada.

O Homem de Ferro 3 pode não ser um marco na história de filmes de super-heróis como foram os filmes de Batman – O Cavaleiro das Trevas, mas é um entretenimento que honra tudo aquilo que se propôs a fazer. Muitos fãs recém-formados pela série cinematográfica dos Vingadores no cinema reclamaram e continuarão a reclamar, mas a verdade é que as licenças poéticas que os diretores de Hollywood criam em cima de seus longas não são a primeira nem a última modificação que as criações de Stan Lee passaram e continuaram a passar nos múltiplos universos dos super-heróis, seja dentro ou fora das histórias em quadrinhos.

O filme tem seu próprio universo, então esqueça o que se passa nos quadrinhos!

O filme tem seu próprio universo, então esqueça o que se passa nos quadrinhos!

RESENHA: Os Miseráveis, filme de 2012

RESENHA: Os Miseráveis, filme 2013

Há momentos em que os seres humanos passam por eventos que sabem que serão um corte histórico na ideia de conhecimento de mundo, um corte histórico que mudará para sempre a vida daqueles que presenciaram tal ato. Foi assim em 1789, durante a Revolução Francesa e é assim nos anos 2000, quando o filme Os Miseráveis entrou em cartaz em 2012!

Les-Miserables-resenha

Não é novidade nenhuma um longa-metragem de Os Miseráveis. Após virar uma das maiores produções da Brodway nos anos 80, o livro de Victor Hugo já foi adaptado para as mais diversas telas de cinema de todo o mundo, com várias produções européias e americanas em diversos segmentos, seja drama, documentário ou musical. Mas a produção de 2013 é, indiscutivelmente, pioneira em ascender a obra para o mundo com tanto esmero, pois nunca nomes tão preciosos de Hollywood se reuniram para dar vida a uma das mais comoventes histórias de superação, amor e tragédia que a humanidade já viu.

Ambientado na França 35 anos após o fim da Revolução Francesa, o filme conta a história de Jean Valjean, um homem que foi condenado injustamente com uma pena muito maior que o seu delito de roubar pães para sustentar a família poderia carecer. Após fugir da prisão (que logo na primeira cena já dá um banho de efeitos especiais e um texto surpreendente o suficiente para impactar o público), Valjean dá uma reviravolta na sua vida graças a um bondoso padre que vê a bondade no homem, se tornando um rico proprietário de uma empresa de manufatura de roupas que dá emprego a Fantine, uma personagem ainda mais marcada pelas injustiças sociais que o seu patrão.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Trabalhando as clássicas 16 horas por dia que todos se acostumaram a ler na escola mas que jamais poderiam compreender como é vivenciar, Fantine dedica cada segundo da sua vida para juntar dinheiro para enviar para a filha Cosette que vive com um casal de estelionatários donos de uma pensão fora da cidade, já que o pai da criança abandonou a mulher antes mesmo da menina nascer. Dona de uma beleza impar, Fantine é constantemente assediada e vítima das maiores injustiças entre as outras costureiras com que trabalham.

O drama dos dois personagens se cruza junto aos numerosos dilemas que ambos são obrigados a passar cada vez que o injusto e corrupto pais governado pela burguesia que se dizia partir dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade começa a mostrar a carência de justiça e o excesso de arrogância e prepotência de quem está no poder. Contrastando com esse cenário de repúdio e desolação, os protagonistas exploram cada um dos pontos que a história deixou de contar e/ou não deu a devida importância por nunca se importar com a história dos menos afortunados, porém que não passaram desapercebidos pelos olhos de Victor Hugo.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Se para os espectadores o filme já abrilhanta os olhos pelo enredo, pelas cenas de forte emoção e pelo conteúdo crítico inserido, para os atores ali presentes o filme é como um “ode à arte de atuar”. As vezes dá para se perguntar se Hugh Jackman, ator que interpreta Valjean já se acostumou a protagonizar blockbusters, ou mesmo como Anne Hathaway, atriz de Fantine, consegue ficar ainda melhor a cada papel que faz. Se Jackman se mostrou o ator ideal para cada uma das condições que seu personagem se submete ao longo do filme, Hathaway se tornou (mais uma vez) o destaque total do filme, fazendo só com que sua performance durante sua canção em solilóquio já a fizesse merecedora do Oscar de melhor atriz que ganhou em 2013. E como se tudo isso já não bastasse, o público ainda ganha o angustiante, e mesmo assim maravilhoso, trabalho de Russel Crowe como Javert, o antagonista do filme que personifica todo o efeito ideológico reverso causado pela burguesia nos anos da pós-revolução francesa.

Mesclando grandes nomes de Hollywood com atores ainda em ascensão, o diretor Tom Hooper conseguiu dar luz a uma obra-prima dos palcos no cinema da maneira como o clássico de Victor Hugo merecia. O fato da produção ser um musical surpreende ainda mais, por esse ser um gênero que parece extrair o que de mais puro há no ser humano para ser exposto. Se num contexto como o de Moulin Rouge a musica exterioriza toda a magia do amor e dos sonhos, em um drama quase pós-apocaliptico como o de Os Miseráveis, a face desolada e fragilizada do ser humano é revelada de maneira brutal e saliente, emocionando e mexendo com os corações aflitos de dentro e de fora da tela de cinema em canções que revelam vidas, personagens e personalidades do século XIX em seus diversos loops temporais que regem a vida de um protagonista em seu desejo de felicidade.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Encantador, contestador, intrigante e fascinante. Tudo parece pouco quando se quer descrever Os Miseráveis. Em um misto de sensações, cada personagem se une dentro de um bem maior que começa restrito a Valjean e vai se expandindo em diversas outros analogias históricas conforme a história avança, sendo o exemplo de ficção artística que o cinema precisa para não cair em armadilhas mercadológicas. Se a primavera armada do século XIX pudesse contar como foi a história de sua história, esta estaria estampada neste filme.

“O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos.
Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade.
Ao infinito é necessário o inesgotável.”
Victor Hugo