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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Tokumei Sentai Gobusters

A energia sempre foi o que moveu o universo. Quando um pequeno ponto de pressão criou um Big Bang e expandiu todo o espaço, planetas e estrelas se formaram e o homem passou a manipular a energia de acordo com seus interesses. Em Tokumei Sentai Gobusters, uma forma de energia limpa chamada Enétron move vilões reais e cibernéticos a dominar o mundo, mas deixou o universo dos super sentais sem energia.

tokumei-sentai-go-busters-logo

O SUCESSOR DO MAIOR GRUPO DE TODOS!

Desde que foi anunciado, Tokumei Sentai Gobuster não recebeu uma tarefa fácil: suceder Kaizoku Sentai Gokaiger (clique aqui para ler a resenha), o 35º esquadrão da franquia Super Sentai que era capaz de se transformar em todas 34 equipes anteriores a eles, que atraiu o público adulto nostálgico e de quebra ainda conseguiu arrecadar o triplo de rendimentos de seu antecessor, Tensou Sentai Goseiger.

Visto que Gokaiger apresentava uma linha mais madura de enredo, optou-se por Gobuster seguir essa mesma linha de raciocínio, algo que por muito tempo deixado de lado nos sentais dos anos 2.000, onde as séries ganhavam um tom muito mais infantil e previsível para um espectador mais maduro.

Assim como ocorreu após as últimas três séries comemorativas da franquia, a equipe ainda foi formada por apenas 3 integrantes, despertando a curiosidade de que outros tipos surgiriam ao longo da série.

ENREDO CRIATIVO

Agora a vida urbana do mundo funciona através de uma fonte de energia conhecida como Enétron. Uma organização maligna chamada Varglas planeja ameaçar a cidade roubando esta energia. Um grupo de elite formado por três guerreiros, conhecidos como Tokumei Sentai Gobusters, protegem a cidade de qualquer ameaça. Juntamente com seus parceiros Buddy-Roids, eles devem parar Varglass de obter o Enétron.

A série começou com apenas três protagonistas, o que, em teoria, dá mais tempo para desenvolver suas personalidades.

A série começou com apenas três protagonistas, o que, em teoria, dá mais tempo para desenvolver suas personalidades.

Com uma sinopse simples, mas com vários elementos inéditos, Gobusters começou como uma equipe de operações especiais parecidos com espiões do tipo James Bond. Assim, logo no primeiro episódio, momentos bem característicos foram mostrados, como a facilidade de se enconder, atravessar prédios em silêncio e obter informações sem suspeitas.

A luta pelo Enétron foi uma premissa que pela primeira vez fugiu da básica receita: equipe do mal ou alienígenas que querem dominar a terra. O Varglas é uma entidade cibernética, criada a partir de um acidente de uma estação científica que estudava o Enétron, fazendo de seus integrantes e monstros tão peculiares quanto a sua origem.

Messiah é a entidade por trás do Varglass. Uma inteligência artificial que precisa de Enétron para poder se libertar do espaço virtual, recorrendo a seu servo Enter (e posteriormete também a Escape) para recolher a energia necessária.

Enter é um dos elementos mais interessantes da série. Metido a francês, o personagem é um avatar de um programa que serve a Messiah no espaço virtual. Utilizando seu notebook, o personagem envia vírus de computador a objetos simples do dia-a-dia para criar Metaroids, monstros feitos de tralha eletrônica, e trazer Megazords, robôs gigantes, que são baixados do espaço cibernético para a Terra cada vez que um Metaroid é criado.

Enter é o avatar que executa o roubo de Enétron!

Enter é o avatar que executa o roubo de Enétron!

Você não leu errado: Megazord. Como apelo nostálgico de um público que se formou no Japão com o sucesso das séries Power Rangers (que se utilizam das cenas dos Super Sentais para criar séries americanizadas da franquia japonesa), Gobusters se utilizou de algumas nomenclaturas da Saban (produtora de Power Rangers) para aproximar os públicos.

Além de se utilizar do nome dos robôs gigantes dos Rangers, os heróis da série ainda gritam “It’s Morphin Time“, o principal jargão de Power Rangers para se transformarem.

E as semelhanças não param por aí. Assim como a primeira série Power Rangers tinha um robô para auxiliar os heróis nas missões, uma série de robôs chamados Buddy-Roids foram criados como companheiros dos trio de heróis e ainda completar a personalidade deles.

Hiromu Sakurada, o Red Buster, é o líder do grupo e tem velocidade inacreditável, dando a impressão de que ele se teletransportar. Porém, assim como todos os heróis do grupo, ele possui uma fraquesa: seu corpo se congela quando vê uma galinha, um medo que sempre é tentado contornar por Nick Chida, um Buddy-Roid em forma de chita que serve como irmão mais velho de Hiromu e de transporte quando assume a forma de moto.

Dá gosto de ver as batalhas de Ace o robô vermelho de Hiromu!

Dá gosto de ver as batalhas de Ace o robô vermelho de Hiromu!

Ryuji Iwasaki, o Blue Buster, é o mais velho do trio e o mais racional. Apesar de uma força insuperável, seu traje facilmente sofre com superaquecimento se ele tenta combinar suas habilidades com as limitações de seus trajes, fazendo com que o seu Buddy-Roid Banana Gorisaki sempre de maneira mais passional para segurar as investidas de Ryuji.

Por fim, Yoko Usami, a Yellow Buster, é uma garota energética, que tem o poder de chutar e pular incrivelmente, porém, por ser ainda uma adolescente em fase de crescimento, Yoko fica cansada facilmente e requer doces para se recuperar, algo que o Buddy-Roid coelho Retasu Usada sempre a faz questão de lembrar, como uma babá.

Por fim, Gobuster ainda acertou na dose dos robôs. Diferente de Gokaiger que, assim como as séries mais clássicas, possui apenas um robô (com vários power-ups, mas isso é outra história) Gobusters optou por uma gama bem maior de robôs, mas que foram apresentados aos poucos, visto que as lutas com o uso dos robôs sempre fossem bem distribuídas nos episódios.

Como a existência do Metaroid é que provocava a vinda de um Megazord, os heróis sempre tem uma missão dupla: uma em Terra e outra com o uso dos robôs.

Para completar toda a trama, uma motivação altruista e ao mesmo tempo dramática: Hiromu, Ryuji e Yoko desejam salvar seus pais, todos cientistas que foram aprisionados no mundo virtual quando ocorreu o acidente na base de operações dos Gobusters quando os heróis ainda eram pequenos.

Beet Buster e Stag Buster  são o reforço do time!

Beet Buster e Stag Buster são o reforço do time!

Com uma construção de dar inveja a qualquer trama de sentai, a série começou com grandes expectativas de fãs da nova e da velha guarda. Mas…

EXECUÇÃO FALHA

Tokumi Sentai Gobusters é a prova cabal que planejamento não é tudo: é necessário uma execução ser realizada com maestria para que boas ideias consigam gerar a composição adequada.

Ao analisar episódio por episódio da série, é bem possível de se crer que houvessem divergências conceituais entre os roteiristas ou, no mínimo, uma imaturidade por parte destes, visto a repetência de temas e previsibilidade rotineira que séries como Shinkenger (clique aqui para ler a resenha) e Gokaiger tinha conseguido escapar.

Dá para perder a conta de quantos aniversários foram comemorados, além da quantidade de episódios voltados a ideosincrasia da formação dos personagens.

Mesmo quando episódios interessantes parecem dar uma guinada na série, a sua sequência não consegue manter O mesmo clima de tensão que os bons episódios conseguem despertar, o que faz com que tudo vá a ruínas.

Essa oscilação de climas e roteiros, foi o que mais afetou o desenvolvimento do personagem mais interessante da série: Masato Jin, o dourado Beet Buster.

Até Gavan Type-G deu uma ajudinha.

Até Gavan Type-G deu uma ajudinha.

Desde a sua aparição, o personagem foi rodeado por mistérios e parecia ser a chave para se compreender como formas de vida como Enter e Escape podiam conviver no mundo real, já que este também é um avatar vindo a terra através de sua consciência que se manteve a salvo quando ocorreu o acidente na base de operação que criou Messiah.

Jin é um excêntrico e cientista e como tal, havia criado um plano B caso um acidente ocorresse. Com apenas a sua mente, Jin conseguiu criar um Buddy-Roid no espaço real, o Beet J. Stag, que conseguiu trazer o avatar de seu criador para o mundo real, além de poder se transformar em Stag Buster, o prateado quinto membro dos Gobusters.

As tramas criadas com a chegada de Jin sempre foram alvo de fins de episódio, mas nunca foram desenvolvidos de maneira a guiar a história.

Uma grande possibilidade do porquê disto tudo é que, se os roteiristas já estavam perdidos entre criar uma série mais madura ou mais infantil, a pressão da TV Asahi por uma audiência mais próxima de Gokaiger e da Bandai pela venda de mais bonecos fizeram com que climax inusitados fossem criados, despertando pela primeira vez, uma espécie de segunda temporada em um Super Sentai.

Decididos a acabar com Messiah, os cinco Gobusters entram no mundo virtual para dar um fim nas ambições do vilão. Para tal, uma decisão dramática, e de última hora, diga-se de passagem, é tomada: eles sacrificam as almas de seus pais para utilizar um ataque definitivo com o robô Gobuster-Oh em Messiah.

A morte de Beet Buster surpreendeu a todos os fãs!

A morte de Beet Buster surpreendeu a todos os fãs!

Com a troca de tema de abertura e uma entre-saga excelente de três capítulos com a aparição de Gavan Type-G, o substituto do herói Gavan dos anos 80 que ganhou um novo filme para comemorar os 30 anos da franquia (morta) Metal Hero, Enter desperta como o principal vilão da história, utilizando-se do poder de Messiah que ele acumulou enquanto realizava suas missões.

A pressão foi tanta que a Toei Animation ainda produziu um final que A Toei Company havia prometido nunca mais realizar em um Super Sentai: matar um herói!

Ciente que com a destruição de Messiah sua mente não resistirá no mundo virtual por muito tempo, Jin decide se sacrificar para conter Enter enquanto os outros quatro heróis dão o golpe final no vilão.

Em um diálogo emocionante, digno de cinco estrelas, Beet Buster se juntou ao seleto grupo de heróis que se sacrificaram pela terra nos 36 anos de super sentai. Um ponto positivissímo para o fã que acreditava que finais mais emocionantes estivessem cortados da lista da franquia.

ENTRE ALTOS E BAIXOS

Num plano bem amplo, Gobuster é uma série excelente: uma grande metáfora do criador sendo controlado pela criação, da dependência do homem pela máquina, do papel da energia dentro da esperança de se realizar seus desejos.

Gobuster teve uma ideia madura, mas uma execução infantil.

Gobuster teve uma ideia madura, mas uma execução infantil.

Porém, a comercialização abrupta que move cada vez mais a existência da franquia Super Sentai fez com que a série se tornasse uma das experiências mais angustiantes de assistir.

Se a mensagem fosse passada de uma maneira direcionada, seja ela madura ou infantil, possivelmente a série pudesse ter tido um resultado final melhor, mesmo com as abruptas mudanças de enredo no meio da história.

A grande lição a se tomar com Tokumei Sentai Gobusters é que numa gama enorme de opções e proporções, muitas vezes, a opção mais simples é a mais sensata, seja para o personagem ou para o estúdio que com energia transformam o virtual em real.

3 Respostas para “RESENHA: Tokumei Sentai Gobusters

  1. Jefferson da Costa outubro 14, 2013 às 3:14 pm

    Eu notei um eco de Jetman nesse seriado, foi isso? Outro herói morre no final?

    Yuki Gai manda lembranças! UEhueheuehuhuehu…

    Ótima resenha!

    • nextconqueror outubro 19, 2013 às 6:36 pm

      Não se consigo chamar de eco, pois várias séries tiveram membros morrendo, principalmente um que não faz parte da equipe inicial. Mas certamente foi uma quebra de tendências, visto que a produção da Toei havia prometido não mais matar heróis nos super sentais.

      • Jefferson da Costa outubro 19, 2013 às 8:56 pm

        Olá!
        Ah, eu disse eco no sentido de morrer no final da história/último episódio…
        Estou com o seriado aqui…eu tinha um certo “pré-conceito” com os tokumei, mas um outro brother me falou tão bem que resolvi dar uma chance…e agora você citou vários pontos, negativos e positivos…vou assistir mesmo e ver como é!
        Mais uma vez, ótima matéria!

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