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RESENHA: Sakura Card Captors, a captura das Cartas Clow

Muito pequeno para já fazer algumas coisas, muito grandinho para ainda fazer outras coisas. Assim é tratado o ser humano em uma das fases mais confusas de sua vida, a pré-adolescência. Entre novas experiências e os primeiros conflitos, sentimentos e dúvidas começam a trazer dúvidas e atitudes. Na primeira fase de Sakura Card Captors é retratado as mais distintas personalidades desta fase da vida, enquanto a protagonista ainda captura as fantásticas Cartas Clow.

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OH, MAGO CLOW

Conhecidas por terem dado origem a verdadeiros clássicos do mangá japonês, as mangakas do grupo CLAMP sempre surpreendem a cada obra. Seja ela curta ou dona de vários, volumes, suas histórias rapidamente entram para o imaginário popular do japonês e logo ganham repercussão mundial. Entre seu clássicos estão Guerreiras Mágicas de Rayearth, XXXholic e Tsubasa Cronicles, mas nem mesmo juntos, todos seus sucessos conseguem superar a fama de Sakura Card Captors.

Publicada originalmente em 1996 e ganhando uma versão animada pelo estúdio MadHouse que rendeu mais 60 episódios, Sakura Card Captors ganhou o mundo no início dos anos 2000, quando a distribuidora internacional, espalhou a produção animada por todas as principais emissoras da Europa e das Américas, incluindo, no Brasil, o canal pago Cartoon Network e a toda poderosa Rede Globo.

Diferente da versão em mangá, o anime estendeu a história exponencialmente a fim de render mais episódios e manter a regularidade da série sem precisar pausá-la, visto que a produção de ambos os veículos aconteciam simultaneamente. Tal decisão criou diversos personagens originais da produção televisiva sem, no entanto, prejudicar a história original.

Tomoyo nutre o amor mais honesto por Sakura, desejando sua felicidade acima de tudo.

Tomoyo nutre o amor mais honesto por Sakura, desejando sua felicidade acima de tudo.

O primeiro arco foi o mais afetado por tal decisão do estúdio MadHouse, que sempre produz obras-primas nas terras nipônicas, rendendo duas temporadas com mais de 50 episódios. Ainda no primeiro arco, é que as meninas do CLAMP exploraram diversos tabus da pré-adolescência e dos relacionamentos em geral, criando uma história carismática, mas ao mesmo tempo contestadora.

Dentre os temas mais comuns, está no fato de a protagonista ser órfã de mãe, as responsabilidades que uma criança de sua idade é obrigada a assumir em casa, a dupla jornada do irmão mais velho, as relações amorosas entre pessoas de idades diferentes, a atitude passional de personagens ciumentos e a frequente homossexualidade entre a grande maioria dos personagens da série.

CHAVE QUE GUARDA O PODER DAS TREVAS

Sakura é uma garota comum do ginasial da escola Tomoeda que adora esportes e detesta matemática. Ativa e curiosa, um dia ela acaba encontrando no porão de sua casa um misterioso livro com uma fechadura que ela decide abrir com a chave que estava junto, mesmo com a mensagem de alerta que avisava que aquele que abrisse o livro traria o caos e a destruição ao mundo.

Com essa carinha de ursinho, nem parece que Kero é um guardião do livro do maior mago do mundo!

Com essa carinha de ursinho, nem parece que Kero é um guardião do livro do maior mago do mundo!

Envolta de um verdadeiro conto-de-fadas, Sakura liberta as cartas mágicas criadas por um antigo mago chinês chamado Clow, que havia aprisionado suas cartas sob a guarda de um poderoso guerreiro chamado Kérberos, que renasce na frente de Sakura com a aparência de um ursinho de pelúcia que ela apelida de Kero. Confusa, mas ainda assim determinada, a garota decide ir atrás das cartas espalhadas pela cidade para que o fim do mundo não aconteça.

Contanto, personalidade simples de Sakura não reflete as complexidades que os pré-adolescentes de sua idade costumam enfrentar, sendo ela, como protagonista, a representação da solução destes problemas. Sua melhor amiga, Tomoyo, adora costurar e fazer roupas para filmar Sakura as vestindo enquanto a menina captura as cartas Clow, um tipo de fetiche precoce, despertado pela paixão que ela sente pela melhor amiga, sem contando a protagonista perceber.

O amor platônico de Sakura é outra, Yukito, o melhor amigo de seu irmão mais velhos, ambos alguns anos mais velho que a garota. Simples, sorridente e inocente, Yukito parece o par ideal de Sakura, se não fosse pelas diversas pretendentes que o garoto tem, sem contanto ele perceber. E para piorar a situação, juntam-se à lista o próprio irmão de Sakura, Touya, e o descendente do mago Clow, Li Shiaoran.

O casal Sakura e Shaoran é um dos casais mais cultuados de todos os tempos por fãs do shoujo mangá!

O casal Sakura e Shaoran é um dos casais mais cultuados de todos os tempos por fãs do shoujo mangá!

Vindo da China para acompanhar de perto a captura das cartas de seu antepassado se darão e garantir que o pior não aconteça ao mundo, o garoto quieto, franzino e de aspecto intrigante, se torna o rival de Sakura por ambos gostarem de Yukito, porém o elo de ligação dos dois personagens vão se unindo a medida que as dificuldades para captura das cartas vai se tornando cada vez mais dificil.

Se o amor platônico de Sakura pode aprecer distante da concretização, o grupo CLAMP joga uma semente de esperança no coração das fãs mais esperançosas quando coloca junto da história o diferente namoro da colega de classe de Sakura, Rika Sasaki, com o seu professor Yoshiyuki Terada. Mesmo escondidos, a relação dos dois parece ser o carma que o colégio da cidade adquiriu, pois quando ainda estava no colegial, foi a vez de Touya ter uma relação com sua professora Kaho Mizuki.

Médiun e descendente de um templo xintoísta, a professora Mizuki faz Sakura sentir as mesmas sensações de calma e plenitude que sente ao estar próximo de Yukito. Tal afirmação de Sakura é o primeiro passo para, no fim do arco, o grupo de autoras conseguir justificar a quantidade de relações homossexuais que acontecem dentro da história, que mesmo não interferindo em seu contexto, gerou repercussão por onde passou, além de fazer da obra uma das maiores estimulantes do moe, fetiche japonês caracterizado pela paixão de fãs por personagens de anime, mangá e games.

Os personagens de Sakura são bem amplos dentro do universo.

Os personagens de Sakura são bem amplos dentro do universo.

VOLTE A FORMA HUMILDE QUE MERECE

Sakura Card Captors não é a solução para todos os planetas de pré-adolescentes, e por isso mesmo fez sucesso com seu público-alvo e com fãs de animação japonesa de todas as idades. Mesmo assim, as metáforas apresentadas dentro do universo das Cartas Clow ajudam a compreender muito o que se passa na cabeça de um jovem de 12 anos.

Transformar as cartas para uma batalha são uma analogia ao que um jovem com a idade de Sakura precisa fazer fazer para enfrentar seu problemas: mostrar tudo o que tem de bom dentro de si e mostrar que pode controlá-lo diante de uma provação. Do mesmo modo, aprisionar cartas pode ser interpretado como conter dentro de si os impulsos infantis, ou os id’s de Freud, para utilizá-los com controle. A própria abertura do livro do mago Clow tem um significado: descobrir tantas coisas novas ao mesmo tempo que seja a ser impossível controlá-las em curto tempo, precisando amadurecer e buscar respostas para suas questões.

Até mesmo o final do arco da captura das cartas (50 no anime e 19 no mangá), coloca Sakura a prova entre decidir pela razão e pela emoção, lincando todos os personagens em uma difícil escolha que só a garota pode fazer para impedir a destruição do mundo. Uma espécie de teste que une tudo o que a personagem passou para confirmar se a caçada de cartas a fez amadurecer o suficiente para comandar os poderes seculares deixados por Clow.

O teste de Yue é emocionante, mas reduz drasticamente o significado de "fim do mundo".

O teste de Yue é emocionante, mas reduz drasticamente o que se entender por “fim do mundo”.

Com frases marcantes, uma produção de primeira no anime, e um traço excepcional do CLAMP, o primeiro arco de Sakura Card Captors se destaca no segmento shoujo por conquistar leitores do gênero shonen sem deixar as características do típico shoujo, explorando as descobertas da pré-adolescência ao mesmo tempo que cria um ambiente cheio de fantasia e personagens a serem explorados, envolvendo e criando um elo de ligação com seu leitor.

Uma resposta para “RESENHA: Sakura Card Captors, a captura das Cartas Clow

  1. Nekomimi julho 1, 2013 às 6:07 am

    Diálogo imaginário entre otakus:
    Otaku 1: Você soube da última sobre a série Card Captor Sakura?
    Otaku 2: Não. Qual é a última?
    Otaku 1: É sobre um dos personagens da série. Para ser mais exato, é sobre o mago Clow Reed.
    Otaku 2: Ah, aquele Clow Reed. Eu me lembro dele. E o que têm ele?
    Otaku 1: É que esse personagem pode ter sido inspirado em uma pessoa que existiu na vida real. E, ainda por cima, eram um mago, também.
    Otaku 2:É mesmo?(disse, surpreso) E quem foi esse mago que pode ter sido a inspiração para aquele personagem?
    Otaku 1:Segundo comentários que correm por aí, havia um mago que viveu na primeira metade do século passado, chamado Aleister Crowley, que era famoso internacionalmente. E ele era inglês. Era considerado um mago competente, que escreveu livros sobre magia e ocultismo e, detalhe interessante, um baralho de 78 ilustrações, todos na cor vermelha, reunidos num livro chamado de O livro de Thot Tarot, foram pintadas por uma artista inglesa sob a direção do próprio mago em questão. Mais tarde, esse baralho foi impresso pela primeira vez em Dallas, nos EUA, mas na cor vermelha. Só anos depois é que eles foram impressos com suas cores originais.
    Otaku 2: Hummm,isso é interessante. Ainda mais por causa desse detalhe do baralho ilustrado e do tal livro, que fazem lembrar as cartas Clow e o livro em que elas estavam reunidas.
    Otaku 1: E isso não e tudo. Tem mais coisas que reforçam as semelhanças entre os dois, o mago criado pela Clamp e o mago que existiu no mundo real.
    Otaku 2: Ainda há mais?(disse, mais surpreso do que antes).
    Otaku 1: Segundo as pesquisas que fiz na internet, esse tal de Crowley viajou pelo mundo afora. Ele visitou diversos países, entre eles, Hong Kong e Japão.
    Otaku 2(perplexo): Hong Kong…a terra natal de Shaoran.
    Otaku 1: Além disso, têm a personalidade do tal mago Crowley. Segundo informações na rede, ele tinha uma personalidade que, de certa forma, se assemelhava ao do fictício mago que criou as cartas Clow. E, por fim, um detalhe curioso: você notou que o nome completo do mago da série da CLAMP – Clow Reed (クロウ・リード) – têm uma semelhança fonética com o sobrenome do mago inglês que viveu no século passado – Crowley (クロウリー) – e que, escritos em katakana , a escrita japonesa utilizada para palavras e nomes estrangeiros, leia-se não japoneses) são quase semelhantes?
    Otaku 2: É mesmo! Agora que você falou isso, percebi a semelhança entre os dois nomes.
    Otaku 1: E mais uma coisa que me veio à mente: lembra da frase que a Sakura usava para transformar a chave em báculo desde o começo da série, até o episódio em que ela passou pelo julgamento final, aquele em que ela enfrentou e venceu Yue, quando o báculo mudou de forma, com aquela estrela na ponta ao invés do símbolo do sol e da lua?
    Otaku 2: Ah, eu me lembro sim. Era assim: “Chave que guarda o poder das trevas,…”
    Otaku 1: Pois é. No anime, e principalmente no mangá, da série Card Captor Sakura, consta que o poder de Clow vinha das trevas, ao contrário do poder da Sakura.
    Pois bem, eu soube também que o tal do Aleister Crowley, o mago inglês do século passado, praticava tanto a magia branca como a magia negra. Algumas pessoas o associavam mais à magia negra, o poder das trevas. Seria essa, possivelmente a semelhança maior entre os dois magos – o fictício e o real? Numa música do Raul Seixas, intitulada “Sociedade Alternativa”, há uma citação tanto ao mago Crowley quanto à uma famosa frase dita pelo mago:”Faze o que tu queres, há de ser tudo da lei” ,frase essa que algumas pessoas poderiam ter entendido como “faça todo o mal que queres”. De qualquer forma, tanto Clow como Crowley eram excêntricos, como pode ver.

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