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RESENHA: Os Miseráveis, filme de 2012

RESENHA: Os Miseráveis, filme 2013

Há momentos em que os seres humanos passam por eventos que sabem que serão um corte histórico na ideia de conhecimento de mundo, um corte histórico que mudará para sempre a vida daqueles que presenciaram tal ato. Foi assim em 1789, durante a Revolução Francesa e é assim nos anos 2000, quando o filme Os Miseráveis entrou em cartaz em 2012!

Les-Miserables-resenha

Não é novidade nenhuma um longa-metragem de Os Miseráveis. Após virar uma das maiores produções da Brodway nos anos 80, o livro de Victor Hugo já foi adaptado para as mais diversas telas de cinema de todo o mundo, com várias produções européias e americanas em diversos segmentos, seja drama, documentário ou musical. Mas a produção de 2013 é, indiscutivelmente, pioneira em ascender a obra para o mundo com tanto esmero, pois nunca nomes tão preciosos de Hollywood se reuniram para dar vida a uma das mais comoventes histórias de superação, amor e tragédia que a humanidade já viu.

Ambientado na França 35 anos após o fim da Revolução Francesa, o filme conta a história de Jean Valjean, um homem que foi condenado injustamente com uma pena muito maior que o seu delito de roubar pães para sustentar a família poderia carecer. Após fugir da prisão (que logo na primeira cena já dá um banho de efeitos especiais e um texto surpreendente o suficiente para impactar o público), Valjean dá uma reviravolta na sua vida graças a um bondoso padre que vê a bondade no homem, se tornando um rico proprietário de uma empresa de manufatura de roupas que dá emprego a Fantine, uma personagem ainda mais marcada pelas injustiças sociais que o seu patrão.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Valjean reconhece em Fantine toda a sua miséria do passado.

Trabalhando as clássicas 16 horas por dia que todos se acostumaram a ler na escola mas que jamais poderiam compreender como é vivenciar, Fantine dedica cada segundo da sua vida para juntar dinheiro para enviar para a filha Cosette que vive com um casal de estelionatários donos de uma pensão fora da cidade, já que o pai da criança abandonou a mulher antes mesmo da menina nascer. Dona de uma beleza impar, Fantine é constantemente assediada e vítima das maiores injustiças entre as outras costureiras com que trabalham.

O drama dos dois personagens se cruza junto aos numerosos dilemas que ambos são obrigados a passar cada vez que o injusto e corrupto pais governado pela burguesia que se dizia partir dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade começa a mostrar a carência de justiça e o excesso de arrogância e prepotência de quem está no poder. Contrastando com esse cenário de repúdio e desolação, os protagonistas exploram cada um dos pontos que a história deixou de contar e/ou não deu a devida importância por nunca se importar com a história dos menos afortunados, porém que não passaram desapercebidos pelos olhos de Victor Hugo.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Javert é o resquício de uma ideologia falha.

Se para os espectadores o filme já abrilhanta os olhos pelo enredo, pelas cenas de forte emoção e pelo conteúdo crítico inserido, para os atores ali presentes o filme é como um “ode à arte de atuar”. As vezes dá para se perguntar se Hugh Jackman, ator que interpreta Valjean já se acostumou a protagonizar blockbusters, ou mesmo como Anne Hathaway, atriz de Fantine, consegue ficar ainda melhor a cada papel que faz. Se Jackman se mostrou o ator ideal para cada uma das condições que seu personagem se submete ao longo do filme, Hathaway se tornou (mais uma vez) o destaque total do filme, fazendo só com que sua performance durante sua canção em solilóquio já a fizesse merecedora do Oscar de melhor atriz que ganhou em 2013. E como se tudo isso já não bastasse, o público ainda ganha o angustiante, e mesmo assim maravilhoso, trabalho de Russel Crowe como Javert, o antagonista do filme que personifica todo o efeito ideológico reverso causado pela burguesia nos anos da pós-revolução francesa.

Mesclando grandes nomes de Hollywood com atores ainda em ascensão, o diretor Tom Hooper conseguiu dar luz a uma obra-prima dos palcos no cinema da maneira como o clássico de Victor Hugo merecia. O fato da produção ser um musical surpreende ainda mais, por esse ser um gênero que parece extrair o que de mais puro há no ser humano para ser exposto. Se num contexto como o de Moulin Rouge a musica exterioriza toda a magia do amor e dos sonhos, em um drama quase pós-apocaliptico como o de Os Miseráveis, a face desolada e fragilizada do ser humano é revelada de maneira brutal e saliente, emocionando e mexendo com os corações aflitos de dentro e de fora da tela de cinema em canções que revelam vidas, personagens e personalidades do século XIX em seus diversos loops temporais que regem a vida de um protagonista em seu desejo de felicidade.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Os jovens são a esperança de uma jovem França sem monarquia.

Encantador, contestador, intrigante e fascinante. Tudo parece pouco quando se quer descrever Os Miseráveis. Em um misto de sensações, cada personagem se une dentro de um bem maior que começa restrito a Valjean e vai se expandindo em diversas outros analogias históricas conforme a história avança, sendo o exemplo de ficção artística que o cinema precisa para não cair em armadilhas mercadológicas. Se a primavera armada do século XIX pudesse contar como foi a história de sua história, esta estaria estampada neste filme.

“O futuro pertence ainda mais aos corações do que aos espíritos.
Amar é a única coisa que pode ocupar a eternidade.
Ao infinito é necessário o inesgotável.”
Victor Hugo

7 Respostas para “RESENHA: Os Miseráveis, filme de 2012

  1. iigor junho 27, 2013 às 12:56 am

    erraram em relaçao a data da revoluçao francesa que na verdade é 1789

    • nextconqueror junho 27, 2013 às 1:55 am

      Foi um deslize na hora da digitação. Já foi corrigido.

      ^^v

      • gloria ariete p. magalhães setembro 16, 2013 às 9:38 pm

        Um filme surpreendente, bem trabalhado, com visão para atualidade, o mundo não mudou se aperfeiçoa com novos direitos adquiridos -tecnologias. Aspectos dos conceitos passado, há exemplo , poder,arrogância, abuso de autoridade, pessoas de caráter a desejar ocupando espaço governamentais. Em fim o mundo se aperfeiçoa ainda com discriminações, preconceitos….

  2. willy setembro 18, 2013 às 6:56 pm

    esse filme e muito da hora

  3. Carlos maio 9, 2016 às 1:50 am

    Assisti e gostei muito mas preciso assistir novamente sob uma nova perspectiva. Sou muito rigido quanto as producoes holywodianas. O contexto e expetacular principalmente se atentarnos para o pano de fundo.

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