NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

RESENHA: Moulin Rouge

Entre versos e rimas, a melodia. Entre passos e compassos, o ritmo. Entre a arte e o luxo, o espetáculo. Entre razão e a emoção, o amor. Produzido numa época em que os musicais haviam sido banidos do cinema, Moulin Rouge ganhou as telonas para voltar com um gênero, mas antes de tudo, recordar aos boêmios os ideias de liberdade.

moulin_roug_logo

O palco, o som, os atores, a luz. O teatro Moulin Rouge é ainda hoje um dos mais fantásticos e luxuosos cabarés da França, com espetáculos grandiosos que o fazem o item obrigatório na estadia de um turista em París, além de ser um dos ícones da boêmia e da vida noturna da cidade luz desde o século XIX. O nome do local significa Moinho Vermelho, nome que ganhou devido a réplica de um moinho na fachada de sua entrada. Com tamanho glamour e criatividade, não é de se estranhar que milhares de casas noturnas copiassem seus elementos, mas o que não se podia esperar é que o cabaré fosse a inspiração para um dos maiores clássicos que o cinema já ganhou.

Produzido em 2001, o filme Moulin Rouge não apenas atraiu o público por tematizar o célebre ponto turístico de Paris, mas por ter tido o atrevimento de rodar uma história em um formato consagrado nos palcos de teatro e no cinema do passado, mas que os efeitos especiais dos filmes contemporâneos parecia nunca mais se utilizar de seus recursos: um musical, que desde 1979 não ganhava uma produção nas telonas. Essa ousadia parecia ser uma mescla de arte com cinema, gerando tanto entusiastas como depreciadores, mesmo trazendo em seu elenco nomes de peso, como Nicole Kidman e Ewan McGregor como protagonistas.

Satine é a grande estrela do Moulin Rouge!

Satine é a grande estrela do Moulin Rouge!

A história se passa em 1899 e gira em torno de um jovem poeta, Christian, que desafia a autoridade do pai ao se mudar para Montmartre, em Paris, considerado um lugar amoral, boêmio e onde todos são viciados em absinto. Lá, ele é acolhido por Toulouse-Lautrec (sim, o pintor) e seus amigos, cujas vidas são centradas em Moulin Rouge, um salão de dança, um clube noturno e um bordel (mas cheio de glamour) de sexo, drogas, eletricidade e – o que é ainda mais chocante – de cancan. É então que Christian se apaixona pela mais bela cortesã do Moulin Rouge, Satine, que por uma cartada de sorte do destino, aceita protagonizar uma peça teatral dentro do bordel, levando ambos a conhecer a graça e a verdade do mais puro amor entre um homem e uma mulher.

Defendendo os ideais boêmios e o amor à vida, os artistas do Moulin Rouge contrastam com os ideais capitalistas e egocentricos do Duque de Monroth, que financia o teatro pensando apenas em satisfazer seus desejos de conquista e glória carnais e morais. Tal personagem simboliza muito bem os conflitos e as dificuldades que a arte com a dependência capital da lucratividade de seus patrocinadores. Esta é uma das principais reflexões que o filme gera ao longo de suas canções.

Arte ou lucro? O que o Moulin Rouge deve privilegiar?

Arte ou lucro? O que o Moulin Rouge deve privilegiar?

Tal reflexão é tão singela quanto poética, pois é uma analogia perfeita sobre o próprio segmento de filmes musicais estarem se extinguindo no cinema. Assim como os ideis boêmios, um filme musical acaba por ter um quê de inocência, seja pela carga cultural que os musicais infantis da Disney criaram nos cinéfilos (fazendo com que todo musical também pareça infantil) ou pela pureza que até a mais fria das canções acaba por exprimir, fazendo com que canções se aproximem muito mais da fantasia e de um mundo de maravilhas do que da racionalização da arte que o cinema contemporâneo insiste em personificar mesmo em seus filmes mais apelativos à imaginação.

Moulin Rouge não foge a regra, toda canção, por mais dramática que seja, exibe seu lado mais puro, sem malícia, mas não menos simbólico que uma atuação sem melodia. O filme se tornou um clássico do cinema moderno não por resgatar a essência de um gênero, mas por um desenvolvimento invejável de qualquer filme mais pop. Se os efeitos especiais do cinema seria uma justificativa para o fim dos musicais, tal argumento se torna infundado a cada canção, que assim como o cabaré que o inspirou, traz diversos efeitos de luzes e computação gráfica aliados com uma performance fascinante de cada um dos personagens, seja da exuberante Nicole Kidman, do tímido Ewan McGregor ou das atitudes mesquinhas de Monroth.

Um dos beijos mais inesquecíveis do cinema!

Um dos beijos mais inesquecíveis do cinema!

Um filme para ser assistido e reassistido para se perceber detalhes, paços não notados e versos não descifrados, Moulin Rouge é um daqueles filmes que consegue unir tudo o que um filme precisa em uma produção só. Utilizando-se de canções atuais em um filme de época, a produção conquista até mesmo os mais despretenciosos, aliando personagens carismáticos e criando uma disputa entre o poder arte e poder da ganância que fará espectadores desejarem viver os ideais boêmios a cada vez que ouvirem Come What May, seja ou não cantado espetacularmente por Nicole Kidman.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: