NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

RESENHA: Wall•E

O futuro sempre atraiu a curiosidade e as mais diversas projeções de videntes, cientistas e apostadores. Desde os mais otimistas até os mais apocalípticos, clássicos da literatura e do fanatismo se misturam e aos poucos começam a fazer parte do dia-a-dia das pessoas. Misturando terror e ternura, Wall•E traz uma visão de futuro tão presente quanto palpável nos dias de hoje.

Wall-e-logo

DE OLHO NO FUTURO

Uma das maiores vantagens da Pixar sob seus inúmeros concorrentes que passaram a produzir longa-metragens animados após o barateamento e a otimização de produção que a computação gráfica trouxe ao setor, foi produzir filmes maduros para crianças, conseguindo assim atingir seu público-alvo ao mesmo tempo que ganha uma gama de admiradores jovens e adultos, que compreendem a linguagem animada ao mesmo tempo que refletem com a mensagem falada.

Mas em 2008, a Pixar decidiu atingir seus dois nichos de público por meio de uma linguagem universal, porém complexa: o cinema mudo. Assim como nas épocas de Charlie Chaplin, o novo longa do estúdio irmão da Disney nasceu sob uma perpectiva um tanto quanto audaciosa, fazendo uso da expressão corporal dos personagens e da trilha sonora para contar a sua história.

Mais audacioso ainda, foi a criação dos personagens. Tendo um robô como protagonista e uma barata como coadjuvante, o clima do filme pode parecer longe de ser um filme com apelo infantil. Porém, a estrutura criada em torno das ações dos personagens fez com que as explosões, jogos de luzes e ritmo alucinante de produções do tipo fossem totalmente descartáveis visto o tipo de interação que os dois personagens foram capazes de criar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

O fim do mundo chegou e sobrou apenas lixo para o último robô da Terra coletar.

E como se não bastasse, a Pixar ainda incluiu uma temática não comum dos filmes infantis. Apesar de o futuro ter sido o pano de fundo de milhares de desenhos animados no século XXI (quem não se lembra de Os Jetsons), foi a primeira vez que um longa infantil abordou uma visão mais apocaliptica, abandonando a projeção debochada do presente que sempre foi comum nos desenhos animados para efetivamente falar de uma possibilidade de futuro.

Nascia Wall•E.

COMPACTANDO LIXO

Com uma proposta tão audaciosa quanto a tentativa de pronunciar o nome do personagem, Wall•E conta a história de um robô compactador de lixo movida a energia solar, uma máquina muito comum daqui há alguns anos. A diferença deste para um outro robô qualquer, é que ele é o último exemplar de seu segmento ainda em funcionamento.  Na verdade ele é uma das únicas coisas que se pode considerar viva na Terra, já que toda a humanidade foi obrigada a deixar o planeta após sobrecarregar-lo com lixo, que já estava sendo enviado para o espaço tamanha a falta de espaço que tolerasse a produção dos humanos.

Programado para coletar, agrupar, compactar e organizar o lixo, Wall•E passa todos os seus dias em uma rotina secular, tentando organizar todo o lixo da Terra como se fosse mais um de seus dias. Porém, a influência de uma vida rotineira e um possível chip de inteligência artificial comum em filmes de ficção científica mas que não é citado no filme, fez com que o personagem ganhasse sentimentos, se emocionando com filmes antigos, colecionando alguns tipos de lixos, ganhando algumas manias e fazendo amizade com a única raça sobrevivente do planeta: uma barata.

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

Nada de extinção. As baratas resistem a qualquer tipo de desastre que o mundo passar!

A vida do pequeno robô muda quando este finalmente pode experimentar aquilo que tanto viu nos romances dos anos 50: se apaixonar por um robô de raça superior vinda do espaço para fazer a varredura do planeta Terra e verificar se o planeta pode ser repovoado por humanos. Humanos os quais vivem aprisionados por 700 anos em uma nave interplanetária capaz de gerar comida, água e entretenimento para humanos que não mais necessitam se esforçar para ter o que querem, se tornando sedentários, obesos e dependentes de máquinas até para se locomover.

Envolto de um problemático esquema em que máquina e homem interagem em uma relação onde a própria vontade do homem tenta se sobrepor as suas necessidades primordiais  Wall•E e Eva, a robô de reconhecimento, se apaixonam ao mesmo tempo que vão apresentando um futuro medonho e sem iniciativa humana, deixado a mercê das máquinas para dar conforto ao homem, que aprendeu a desaprender construir seu futuro.

UM CLÁSSICO DO FUTURISMO

Assistindo ao filme, o espectador parece realmente transportado para o século XXII, um futuro não tão distante assim. Com efeitos de primeira linha, por diversas vezes é difícil acreditar que o que vemos em tela é computação gráfica e não a própria visão do de um futuro real filmado por câmeras atemporais!

Os robôs também amam!  Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Os robôs também amam! Graças a amor por Eva, um robozinho muda o destino da Terra!

Uma obra-prima do cinema, a produção é a perfeita personificação do que chama-se de sétima arte. Utilizando-se de toda a herança que os grandes diretores e atores de live-action e animação deixaram como legado, o longa é uma verdadeira pintura gráfica com a emoção de um romance, a imaginação da ficção científica, a inocência da comédia, a arte do cinema mudo e a crítica de um documentário.

Deixando uma mensagem altamente reflexiva para adultos e consciente para as crianças, Wall•E se juntou aos grandes nomes da ficção científica como Adorável Mundo Novo, 1984 e Eu, Robô, se tornando um clássico em montar perspectivas do futuro da humanidade. O filme é a incorporação da essência dos grandes romances da literatura, utilizando uma linguagem contemporânea que coloca o ser humano como agente de seu futuro ao mesmo tempo que sintetiza como suas soluções para problemas podem ser tão ou mais danosos que os próprios problemas que ele mesmo causa.

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