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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Procurando Nemo

Uma mãe é vítima de um assassinato que leva também a vida de todos os seus filhos, exceto um deles, que ficou com um problema em um dos membros devido ao acontecido. Agora cabe ao pai temeroso do mundo, criar seu curioso filho a se aventurar por todo o mar. Com uma premissa extremamente trágica, Procurando Nemo mostrou o que um filme infantil precisa ter para se tornar um clássico: carisma e inteligência para crianças e adultos.

ANEMONA

Quando a Pixar iniciou sua parceria com a Disney e deu origem a Toy Story e Vida de Inseto, o cinema animado passou por uma grande transformação: a criatividade, a magia e o legado que a animação tradicional tiveram nas Eras de Ouro (com Walt Disney) e de Prata (anos 90) estavam deixando de existir, e a empresa de John Lasseter se tornou referência na arte do cinema infantil, e como eles são produzidos.

Se em Monstros S.A. pareceu uma investida contra a DreamWorks que entrava num mercado com Shrek em um segmento até então dominado pela Disney e pela Pixar, foi em 2003 que a produtora deu origem a um dos maiores clássicos que o cinema já teve: Procurando Nemo.

Assim como em seus quatro longas anteriores, a composição dos personagens começaram com o desafio de passar ao espectador algo autêntico, já que animar seres humanos sempre  pareceu um apelo ao corte de atores reais na famigerada indústria do dólar do cinema criar um filme com humanos animados.

Levando ao cinema toda a beleza e os mistérios dos mares, personagens dos mais diversos tipos e composições foram sendo desenvolvidos, humanizando peixes e outros seres humanos em um composto que, ao se observar, retratam os mais diversos biótipos e etnias da cultura americana e mundial.

Marlin é a racionaliza tudo. Dory simplifica tudo.

Para os protagonistas, escolheu-se um dos peixes mais carismáticos mas até então, pouco populares: o peixe-palhaço. Para o cenário, nada melhor que o próprio habitat do peixe que, não coincidentemente, apresenta toda a diversidade de espécies para a Pixar trabalhar todos os tipos de personagens que desejasse.

P. SHERMAN 42 WALLABY WAY, SIDNEY

Nemo, um filhote de peixe-palhaço que perdeu a mãe, todos os seus irmãos, ainda em ovas prestes a nascer, e o movimento de uma de suas nadadeiras em um ataque de uma barracuda. Por sua idade e por seu pouco conhecimento de mundo, o personagem não tem muita noção do perigo e é a própria caracterização da inocência.

Marlin, o pai de Nemo vive traumatizado com os perigos do mar desde o incidente com sua esposa, sempre privando sua cria de fazer o que ele quer em nome de sua segurança. Cheio de tiques nervosas e manias provocadas pelo medo, Marlin se torna um personagem frustrado e com pouca vontade de novidades, inclusive quase impedindo o filho de frequentar a escola de peixes.

Logo no primeiro dia de aula, Nemo acaba sendo capturado por um mergulhador enquanto tentava provar ao pai que tem a maturidade suficiente para nadar em mar aberto, o que o leva até um aquário no consultório de dentista.

Gill inspira Nemo a ter iniciativa própria.

Enquanto Nemo conhece os mais diversos peixes comprados em lojas de animais e capturados no mar que desejam a liberdade de viver no mar, Marlin parte em uma jornada atravessando todo o mar da Austrália para recuperar o filho. Desesperado e até certo ponto descrente de conseguir reencontrar o filho, suas primeiras nadadas mais parecem um salto para a morte, colocando-se frente a tudo o que medo. Mas aí aparece Dory.

Dory deve ser o único peixe dos mares da Austrália inocente o suficiente para acreditar na busca de Marlin em reencontrar o filho e acaba sendo o estímulo não só necessário, mas crucial para Marlin não desistisse de reencontrar o filho.

Dona de um carisma sem igual, a personagem é a principal destaque do filme. Sofrendo de “perda de memória recente”, ela muitas vezes encara estar com Marlin como uma novidade, o que sempre há motiva a fazer as coisas novas que Marlin tanto teme.

A personagem é a que a Pixar mais pôde desenvolver diálogos interessantes e inteligentes por todo o filme, pois sua inocência acima da média permite não só o comportamento infantil, como a criação de seqüências inesquecíveis, como a fluência da personagem em baleiês, a língua das baleias, a conversa com sua consciência, a entrada para um clube de tubarões vegetarianos, um esconde-esconde com filhotes de tartarugas e a leitura do endereço em que Nemo se encontra: P. Sherman 42, Wallaby Way, Sidney.

Criaturas exóticas e maravilhosas passam pelo caminho de Marlin e Dory.

CONTINUE A NADAR

Se é o formato e as piadas inocentes do filme que conquistam as crianças, é o modo como os personagens s posicionam diante de situações reais, que fazem com que os pais tanto se identifiquem com as situações apresentadas. A filosofia de vida de Dory, “sempre que estiver com um problema continue a nadar“, não só pode mudar o jeito como Marlin encara a criação do filme, como também é, como a grande maioria dos filmes da Pixar, uma lição de moral para todos os pais que se comportam como Marlin.

Vendendo um filme com características infantis, a Pixar conseguiu com seu jeito próprio transmitir a sua mensagem através da personificações humanas em animais, criar a identificação de espectadores de todas as idades e levantar diversas questões tão filosóficas quanto o modo de viver de Dory, como o que se deve fazer com a liberdade?

Todas as analogias enriquecem a cada vez que se vê o filme, fazendo deste uma experiência inédita a cada vez que se assiste. Desde a prisão psicológica da Anenoma, passando pelo rechaço do conforto do aquário, até “fama” e o orgulho de Nemo ao saber que Marlin atravessa tda a Austrália procurando o filho em uma jornada que parecia perdida, vão ganhando novas maneiras de se olhar a cada vez que temos contato com Procurando Nemo.

Num filme sem vilões onde o principal perigo a ser enfrentado está dentro dos próprios personagens, a obra é um convite ao espectador em avaliar o que vale a pena enfrentar para se encontrar e preservar seus bens mais preciosos, os filhos e os amigos.

Pais e filhos se identificam com o filme, que já é um clássico dos tempos modernos.

“Se você não deixar nada acontecer com ele, bem… Nada vai acontecer com ele“. A frase de Dory pra Marlin resume muito bem a razão de ser do filme: pais e filhos não devem, nem precisam de uma hierarquia em sua relação: ambos devem aprender juntos em suas descobertas, a descobrir o mundo, pois se não entender isso sozinhos, podem passar toda uma vida procurando encontrar aquele com quem deveria valorizar.

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