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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Level E

“Nesse exato instante, há milhares de alienígenas entrando e saindo, levando uma vida tranquila na Terra. Espécies pacíficas, espécies agressivas, espécies à beira da instição .. Alienígenas de todos os tipos, desde envolvidos em intrigas internacionais, a crimes comuns, pesquisadores, cada qual com seu interesses diversos. Eles convivem conosco, mantendo um intrincado equilíbrio, e os únicos que não percebem, são os humanos.” Com vocês, Level E.

DE OUTRO MUNDO

Sempre que se fala de Yoshihiro Togashi, sempre falamos de algo diferente e inovador, obras que quebram paradigmas e se tornam referência da arte de roteirizar histórias para mangás.

Se em Yu Yu Hakusho o iniciante autor escreveu um mangá de ação que se reinventava a cada arco acadêmicamente escrito (leia a resenha do arco inicial aqui e do Torneio das Trevas aqui) e hoje em dia foi o pontapé inicial para gerar uma gama de grandes autores com sua forma inusitada de escrever Hunter x Hunter (leia a resenha do Exame Hunter aqui, da Mansão Zaoldyeck aqui e da Torre Celestial aqui) foi entre as suas duas maiores obras que o autor pode colocar no papel toda a sua genialidade em todos os gêneros.

Publicado na Weekly Shōnen Jump de 1995 a 1997 com o total de 16 capítulos e cinco volumes encadernados, Level E ganhou a notoriedade que merece apenas mais de uma década que foi escrito, quando o estúdio Pierrot (o mesmo de Yu Yu Hakusho, Naruto e Bleach) transformou a obra em um anime de 13 episódios.

Estranho? Para Togashi não existe a palavra estranho, pois até o nome da obra foi escolhida de maneira totalmente inusitada. Escolhendo a temática de seres extraterrestres para compor o mangá, o autor batizou a obra de Level E.

Um alienígena invade seu apartamento e o máximo que você pode fazer é aguentar as suas loucuras!

Level” pois estas formas de vida vivem a um nível acima do humano, “E” pois seria a inicial de “alien” (que se pronuncia “eilien”). Foi numa coletiva de imprensa, coma pergunta de um repórter que indagou sobre a escolha do nome, que o autor percebeu o engano com as inciais da palavra que havia feito, pois imediatamente o autor agiu como um de seus personagens, improvisando a resposta: “É de Alien, mas é uma referência a ET’s“.

PRÍNCIPE PROBLEMÁTICO

Tsutsui é um jovem japonês que se muda de Tóquio para uma cidade do interior, cenário onde sempre acontecem histórias com UFO’s, graças a uma oportunidade de estudar em um bom colégio que se interessou pelo passe do jogador.

Feliz por iniciar uma vida de independência, morando sozinho e tendo seu sustento próprio, o jovem se assusta com a presença de um estranho homem de cabelos loiros em seu quarto, que se revela ser um alienígena sem memória.

Agora cabe a Tsutsui e a sua bela vizinha Miho, filha de um cientista engenheiro que estuda alienígenas, a descobrir a identidade do estranho visitante, que a todo tempo demonstra um comportamento bizarro e provocador, para mandá-lo de volta para o seu planeta e fazer com que ele pare de atazanar a vida de TsuTsui com suas piadas sem graça e com seu comportamento bipolar.

Craft e a Guarda Real fica sem ação com o comportamento de Ouji!

Se a premissa inicial já é interessante para um anime de 13 episódios, o espectador se assusta a descobrir que o enredo dura apenas três episódios, já que Yoshihiro Togashi, provavelmente pela sua impaciência em arrastar longas sagas em uma mesma história, decidiu escrever um mangá com várias histórias curtas, 7 no total, que vão se ligando com o passar dos capítulos e surpreendendo a medida que novas situações são apresentadas e solucionadas pelo autor.

Apesar de o mangá ser basicamente uma comédia, o autor aproveitou a extensão do tema de alienígenas para brincar com todos os gêneros clássicos deste para apresentar ao leitor o inesperado e diversas vezes tirar sarro da cara dele.

A tensão de humanos desaparecendo por uma raça de alienígenas sugadores de corpos, a paixão destrutiva de uma bela jovem de outro planeta em época de acasalamento por um terráqueo, as mentiras de sequestradores de sereias, a prisão em um sonhos e até a formação de um esquadrão Super Sentai são alguns dos temas que vão se ligando a história inicial de TsuTsui e o alien misterioso que se revela o príncipe Ouji, primeiro príncipe herdeiro do planeta Dogura.

Se Tsutsui é a paixão e a responsabilidade em pessoa, Ouji é o príncipe torrão que adora se divertir as custas dos outros e a realizar os mais loucos planos. Dono de uma inteligência acima das expectativas em todo o universo, o príncipe tem os apelidos mais odiosos em cada canto do universo que já passou por querer gosar da independência que sua inteligência e seu poder como príncipe de um dos planetas mais desenvolvidos de todas as galáxias lhe concede.

Para vencer alienígenas no Japão: Esquadrão Colorido Colorrangers!

Apesar de um tanto quanto egocêntrico, é incrível como o protagonista consegue, assim como todos os personagens de Togashi, conquistar o leitor, mesmo que sua conduta pareça, num primeiro momento, um tanto quanto digno de repreensão.

Apesar de usar e abusar de tudo e todos ao seu redor, Ouji faz o que a maioria das pessoas, e o próprio Tsutsui, quer fazer: realizar tudo aquilo que ele tem vontade.

O príncipe e o jogador de beisebol são dois lados de uma mesma moeda: apesar dos dois ansearem pela mesma coisa, liberdade, as suas diferentes maneiras de lidar com as responsabilidades fazem com que ambos entre sempre em conflito, fazendo de Miho e Craft, o líder da brigada de seguranças do príncipe, o pilar central que harmoniza os lados, mesmo que a vontade de ambos muitas vezes seja condenar ou apoiar um dos dois lados.

BRINCANDO DE CAÇAR

Com a dose certa de comédia e o enredo rico em personagens e situações extremas, Level E é uma obra em que o autor brinca com o leitora todo o tempo, acabando com suas expectativas no desenrolar do enredo para depois satisfazê-lo contando-as como ele esperava, para depois revelar que o esperado não é o fim e que o inesperado ainda está por vir.

Uma sereia em meio a um mundo cheio de infâmias. Level E ainda parece comédia?

O anime, produzido com o maior esmero possível agrada pela sua maneira épica de contar uma história que num primeiro momento parece simples, mas que mostra toda a sua graça a todo o tempo.

A mistura de elementos do terror, do suspense, do romance, dos esquadrões Super Sentai, dos esportes e da comédia sem deixar que o ambiente shonen se perdesse durante a trama além de enriquecer a obra, torna ela única, pois por mais incrível que pareça a presença delas não faz com que uma sobrepuje a outra, mas complementa de forma criativa o que cada gênero pode oferecer para a história em sua totalidade.

Assistir ou ler Level E é uma experiência única, assim como tudo o que Togashi escreve. Tanto por abrir a mente para novas perspectivas que a grande maioria das histórias de extra-terrestres carecem, tanto por abrilhantar os olhos a cada nova história que se inicia, fazendo do final algo completo e excitante, fazendo o expectador se perguntar como detalhes tão evidentes não fizessem com que ele desconfiasse dos planos que amarram a história de maneira tão inteligente e carismática.

O carisma de Ouji eterniza a série.

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Uma resposta para “RESENHA: Level E

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