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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Street Fighter – A lenda de Chun-li

A essência da artes marciais nascidas e cultuadas no oriente sempre foram a auto-disciplina e a sabedoria de se avaliar o momento correto de se utilizar a sua força milenar. Numa produção norte-americana, a Street Fighter – A lenda de Chun-li mostra que Hollywood ainda tem muito a se auto-disciplinar para avaliar o momento correto de seu utilizar uma história oriental para realizar um filme.

Desde que foi criado nos anos 80, o game Street Fighter quebrou paradigmas e criou conceitos que para sempre seriam utilizados em jogos de luta. Com o lançamento da sua continuação, Street Fighter II, ele virou um fenômeno mundial, invadindo as mídias de todas as casas e de todas as maneiras.

Uma das características mais marcantes da segunda versão era a possibilidade de escolher entre vários personagens de várias caracterísitcas diferentes e nacionalidades distintas. E o que mais chamou atenção, foi a possibilidade de se escolher uma mulher como personagem jogável: Chun-li.

Vinda da China, usando roupa azul com saia curta, bota e dois coques no cabelo, a personagem chamou atenção por ser a primeira mulher jogável num game de luta e por seu carisma e alegria. Porém, por trás da alegria e da jovialidade da personagem, escondia-se uma personalidade triste: o motivo pelo qual Chun-li participava do torneio Street Fighter era para encontrar vingar-se do homem que matou seu pai: M. Bison.

Descaracterizada, Kristin Kreuk luta com os capangas de M. Bison.

O enredo básico da personagem já havia sido explorado de várias maneiras, mas foi no filme americano Street Fighter – A lenda de Chun-li que parecia que pela primeira vez o game ganharia uma boa representatividade nos cinemas, já que a primeira tentativa de se realizar tal feito esteve mais para um filme de ação com comédia de Jean Claude Van Damme.

Porém, parece que os produtores americanos não aprenderam com os erros do filme dos anos 90, ou mesmo com exemplos mais recentes de filmes adaptados de roteiros japoneses, como Dragon Ball Evolution.

Com uma premissa bem próxima da história dos games, o filme mostra a origem de Chun-li: seu pai sendo morto e sua tentativa de vingá-lo. Diferente dos games, Chun-li não treinava artes marciais enquanto seu pai ainda era vivo e só vai procurar ajuda para doutrinar seu corpo e sua mente após o ataque de M. Bison a sua mansão.

Para tal, ela conta com o treinamento de Gen, um perito em artes marciais com estreitas relações com o pai da garota e com seus motivos próprios para se vingar do vilão da história.

O jovem Gen luta contra o bonzinho Balrog. Hã?

O filme ainda apresenta mais outros personagens do game, com destaque para Vega, o espanhol domador de touros que entra para Shadaloo, organização de M. Bison para satisfazer seus desejos próprios de ascensão social.

Com a escolha de Kristin Kreuk para o papel principal, a coisa novamente parecia que ia por um bom caminho. Bonita, com decendência chinesa e uma ótima atriz, Kreuk não era a escolha ideal de Chun-li, mas pareceu uma escolha sensata e foi bem recebida pelos fãs.

Porém, o efeito Christopher Nolan de se fazer filmes reais e o pouco conhecimento dos produtores no enredo dos games fez com que simplesmente todos os outros personagens fossem muito mal caracterizados. M. Bison ficou loiro e burro. O ator de Vega é feio. Gen passou de um velho barbudo para um chinês de meia idade sem barbas. Nash ficou loiro e mais burro que M.Bison. Balrog ficou com a cara de John Coffey. E mesmo Chun-li acaba nunca usando sua roupa mais característica.

Mesmo assim, tudo não seria um mero detalhe se a história fosse bem feita. Afinal, com tantos mundos alternativos nos heróis da DC e da Marvel Comics, porque não aceitar uma espécie de mundo alternativo em um filme feito do outro lado do mundo de um personagem oriental?

Porém não foi bem assim, com poucos recursos e uma escolha de tempo de filme muito limitada, o resultado final de Street Fighter – A lenda de Chun-li ficou mais parecido com um filme de guerra de gangues de China Town do que um filme de heróis dos games.

As artes de divulgação do filme foram boas, mas o conteúdo do filme deixou a desejar.

Se o sucesso de heróis americanos vem estimulando a levada de heróis japoneses para os cinemas por Hollywood, ainda falta muito de conhecimento, pesquisa e percepção do modo de ver a vida de um oriental para que essa visão tão rica e cultuada nos games, mangás e animes possa ser levada para o cinema com a mesma intensidade qualitativa e emocional.

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