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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Valente

O crescimento assusta. As responsabilidades assustam. A mudança assusta. A verdade escondida atrás dos bravos olhos de uma garota em desenvolvimento podem encantar, mas nada garante o quão sincronizados esses olhos estarão com o seu coração. Valente mostra como uma jovem encara o assustador mundo a sua volta, quando todos esse mundo está encarando ela.

O que foi um fenômenos nos anos 90 e se mostrou uma verdadeira endemia nos anos 2000 chegou na década do fim do mundo trazendo cada vez mais jovialidade, força e novidade em suas produções. Após arrasar com Toy Story 3, a Pixar Animation Studios decidiu investir em algo que nunca havia feito antes adaptar uma história ao invés de criar um roteiro original.

Para criar Valente, o estúdio que se tornou a casa de John Lasseter se inspirou em um antigo conto-de-fadas escocês, The Bear and the Bow (O urso e o arco, em português). E para tal, não faltou uma ambientação toda temátizada no país dos homens de saia para enriquecer o cenário do filme.

Além disso, a Pixar ainda inovou ao trazer para a direção do filme Brenda Chapman, sendo a primeira mulher a assumir a direção de um filme do estúdio. Não coincidentemente, esse também é o primeiro filme da Pixar em que uma mulher é a protagonista. Sendo assim, a proximidade sentimental e racional que uma diretora mulher poderia transmitir no filme.

A princesa Merida decide disputar sua própria mão em casamento.

O conto diz que nas misteriosas Terras Altas da Escócia, muitos e corajoso guerreiros lutaram em prol da defesa de seu reino, vencendo guerras e ganhando honras. Porém, em tempos de paz é a vez da princesa Merida enfrentar a sua guerra pessoal: ter de passar pela cansativa e indesejada disputa de príncipes pela sua mão em casamento.

Filha do gigantesco Rei Fergus, Merida sempre teve que dividir sua paixão, arco e flecha, com as vontades de sua mãe em transformá-la em uma lady da realeza. Sabendo relevar muito bem as suas “duas vidas”, a ira da princesa eclode contra a mãe após a mesma duramente reprendê-la por ela dar um jeito de burlar o sistema de conquista dos príncipes dos outros reinos pela sua mão.

Guiada por luzes mágicas, Merida chega até a casa de uma velha bruxa que ajuda a princesa levando seu pedido de “mudar a sua mãe” ao pé da letra: transformando ela em um urso. A partir daí a protagonista parte para uma breve jornada até o amanhecer para fazer com que sua mãe volte ao normal, porém para isso, ela precisará se colocar no lugar de sua mãe para entender o ponto-de-vista maduro de um adulto para todo o reino.

A difícil relação entre mãe e filha é o tema do filme.

Um pouco Irmão Urso, um pouco De Repente 30, um pouco Branca de Neve e os Sete Anões. Apesar do filme estar cheio de elementos básicos de diversas produções já existentes, a Pixar fez de novo o que já havia começado com UP, Altas Aventuras: vender o filme de uma maneira para depois entregar algo diferente das expectativas do espectador.

Porém, a diferença de Up para Valente é que enquanto o primeiro surpreendeu positivamente, o segundo deixou uma sensação de algo a dever.

Não que o filme seja ruim, aliás está longe disso. O filme tem diálogos fascinantes, um texto muitíssimo bem trabalhado, uma textura gráfica e uma qualidade de animação surpreendente. E tem mais! Pegando o lado emocional do espectador despreparado, o longa assusta com sequências inesperadas (aliás, o cinema nunca tremeu tanto num desenho animado com os urros da luta entre ursos), consegue ser muito engraçado e, para completar o pacote de um bom filme Pixar, ainda faz cair lágrimas dos olhos em vários momentos.

O ponto negativo, é o filme acabar deixando margem para ser muito previsível. Mesmo que as lágrimas escorridas fossem verdadeiras, o espectador acaba por entender que ele já sabia o desfecho final mesmo antes de ele acontecer.

A valentia de Merida fica exposta quando ela precisa defender aquilo que ela lutou contra.

Mais uma vez, quem foi ao cinema para ver um filme de aventura, saiu com uma tremenda lição de moral de filhos para pais e de pais para filhos. Porém, apesar da qualidade incontestável do filme, Valente deixou de ousar, e deixou a ver navios (literalmente) a quem esperava da história de Merida algo como o que a Pixar sempre faz.

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