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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Yu Yu Hakusho, a saga do Detetive Espiritual

Há sempre quem anseie por inovações, criações e novas aspirações nos segmentos de entretenimento, e no mangá não é difenrente. Sempre há um ponto em que tudo parece derivado, mistificado ou apoiado em uma obra de grande sucesso quando grandes blockbusters revolucionam o mercado. Invertendo o fluxo do próprio mangá, Yu Yu Hakusho chegou se destacou numa época em que nada parecia possível de sobreviver, e por isso mesmo, se eternizou.

COMEÇANDO PELO FIM

Não, não é o que parece, o subtítulo não indica uma nova explicação para a leitura de sentido reverso que o oriente tem em seus livros e, mais notóriamente no ocidente, de seus mangás.

Mas fazendo uma metáfora inteligente do que é o mangá para o ocidental, e provavelmente sem nem se dar conta disso, Yoshihiro Togashi se utilizou de algo inusual para um mangá shonen até então: começou a contar a história pela morte do personagem principal.

Sim. Yusuke Urameshi, um japonês brigão que só arranja confusão na escola onde estuda, tem péssimas notas e é indiferente para tudo e para todos morre logo no primeiro capítulo da história.

Yusuke morre para salvar uma criança de ser atropelada!

Estranho? Sim, mas ainda mais por essa ser a descrição de um herói muito diferente do ser confiante, corajoso e bondoso do formato do herói nos anos 90. Porém, contrariando conceitos e premissas, Yusuke morre exatamente contrariando o conceito preconceituoso que personagens e leitores formam do personagem nos primeiros momentos de contato com o receptor da história.

Para salvar uma menina que desapercebida atravessa a rua movimentada de Tóquio, Yusuke se joga na frente de um carro e morre atropelado.

É essa reversão de expectativas que logo no início marca o início de Yu Yu Hakusho e a acompanha ao longo de toda a sua história, fazendo da trama uma das mais cativantes e impressionantes da história dos animes.

O DETETIVE ESPIRITUAL

Yusuke morreu por engano. Sim, logo que perde a vida, o espírito do protagonista da história descobre que não estava em seu destino salvar a menina, que pouco se feriria no acidente que acabara de impedir. Além da revelação macabra, o universo de Yu Yu Hakusho começa a se fundir com o rico folclore japonês, tornando a história interessante para o oriental e fascinante para o ocidental.

Para buscar a alma de Yusuke, a jovem Botan vai de encontro com o rapaz e para reparar o engano sofrido, Koenma, filho do rei Enma Dayou, rei do mundo espiritual, lhe oferece a chance de voltar a vida se este aceitar o emprego de detetive espiritual na Terra após sua ressurreição.

Botan e Koenma aplicam o teste para Yusuke voltar a vida e se tornar um detetive espiritual.

Nesse ponto começa a primeira saga de Yu Yu Hakusho. Cheia de arcos para apresentar os protagonistas, firmar conceitos e desbancar os mais crentes de uma história linear, vilões e heróis começam a aparecer e mostrar que tem mais em comum do que a aparência fugaz que cada um apresenta pode aparentar.

Rival de Yusuke e sempre cheio de si, Kazuma Kuwabara rivaliza o posto de bad boy número 1 da escola e da cidade. Dono de uma sensibilidade espiritual incrível, o machão acaba se juntando a Yusuke no trabalho de detetive espiritual após se tornar peça chave para ressurreição do personagem junto de Keiko, a namorada de Yusuke.

Assim como Yusuke e Kuwabara, os outros dois protagonistas começam exatamente mostrando seu lado mais cruel para depois se revelarem excelentes aliados. Durante o arco para recuperar objetos espirituais de grande poder, são apresentados o youkai Kurama e o misterioso Hiei.

Dotados de grande poder, Yusuke precisa enfrentar a ganância de Hiei e a decisão de Kurama antes de tê-los como aliados, algo que acontece apenas durante o ápice da saga, quando os dois se juntam a Yusuke e Kuwabara para deter a maldição causada pela flauta utilizada por Suzaku, um dos quatro monstros do inferno para transformar humanos em demônios.

A história mescla o inesperado com cacuetes clássicos de uma história.

Focado em mostrar habilidades e apresentar os personagens que passarão a integrar complexas sagas ao longo de todo o desenvolvimento da história, a Saga do Detetive Espiritual, além de ter uma trama bem leve e despojada funciona perfeitamente para atrair e fidelizar fãs.

SORRISO CONTAGIANTE

Nascido numa época em que o mangá estava efervescêndo graças aos fenômenos dos anos 80 da Shonen Jump, Yu Yu Hakusho se destacou como uma obra original misturando conceitos da mitologia budista e xintoísta com personagens vistos no dia-a-dia do japonês.

Desenvolvendo seu estilo inesperado que depois estaria muito mais amadurecido em Hunter x Hunter (clique aqui para ler as resenhas do Exame Hunter, da Família Zaoldyeck e da Torre Celestial), Yoshihiro Togashi foi um dos grandes destaques dos anos 90 por trazer grande originalidade na criação de contextos e personagens.

Começando de uma maneira branda, quase didática, e com arcos bem definidos, Yu Yu Hakusho já começou mostrando o que mais teve de melhor durante todo desenvolvimento da saga do Detetive Espiritual: contar uma história de ficção através de personagens que quebram esteriótipos e são politicamente incorretos, mas que cativam a cada sorriso após uma vitória inovadora na história dos mangás.

Entre heróis e vilões: na saga de introdução, os protagonistas mostram seus dois lados.

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5 Respostas para “RESENHA: Yu Yu Hakusho, a saga do Detetive Espiritual

  1. A. Felipe agosto 26, 2012 às 5:33 pm

    Análise precisa e coesa, simplesmente direto ao ponto ^^

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