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RESENHA: Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge

Por mais de 70 anos, o herói de capa negra sobrevoou Gothan com muita astúcia, inteligência e equipamentos especiais por ele desenvolvido. Com a maior gama de vilões e de aliados que um personagem dos quadrinhos já teve, o alter-ego de Bruce Wayne continua apovoar a imaginação de milhões de pessoas ao redor de todo o mundo, com histórias que variam do cômico ao amedrontador, chegando ao seu máximo apogeu em Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge.

O FINAL DE UMA ERA

Em 2005, quando Batman Begins chegou nas telonas pela primeira vez, o conceito de herói real permeou todas as produções hollywoodianas do segmento e fora dela, fazendo do Homem-Morcego como o melhor herói já representado nos cinemas. Mas foi em 2008, quando Batman – O Cavaleiro das Trevas apresentou o maior e mais caótico vilão que o cinema já teve (com o perdão de Darth Vader), que Christopher Nolan se sagrou como um dos maiores diretores de Hollywood do mundo da ficção, ao lado de Steven Spielberg, Peter Jackson e George Lucas.

Com o sucesso do Batman de Christian Bale e do Coringa de Heath Ledger, uma terceira produção do maior herói dos quadrinhos era certa. Após muitas (muitíssimas!) especulações de vilões, de roteiro, de atores e de mistérios, Christopher Nolan apresentou ao mundo uma proposta audaciosa e inóspita no mundo dos super-heróis no cinema: encerrar a história de Batman numa trilogia.

Se nos quadrinhos finalizar um herói é algo impensável, pois mesmo quando isso acontece ele acaba voltando uma hora ou outra, nos cinemas isso beira a loucura! Dirigir um filme de super-heróis, além de ser o sonho de muitos fãs, é um negócio milionário, que envolve muito dinheiro e dá ao diretor e a produção condições exageradamente grandes de se produzir um bom filme, assim quanto mais filmes, melhor para os fãs (que sempre querem mais histórias), melhor para o estúdio de produção (que sempre querem mais lucro) e melhor para os diretores (que sempre querem mais reconhecimento).

Christian Bale foi mais que um ator, foi o próprio Batman!

Felizmente, a ótica que Nolan tem do cinema é muito mais apurada que a da maioria dos excutivos de Hollywood, e ele parece saber que acima dos interesses de qualquer envolvido na produção, a razão de ser de um filme deve ser superior a razão ganânciosa de qualquer estúdio, e assim como em todas as suas produções, o terceiro filme da nova era de Batman fez mais do que por merecer, foi uma experiência extasiante para todos os expectadores e apreciadores de cinema.

SURGE BANE

Segundo o próprio diretor, uma trilogia de filmes dá aos realizadores um tempo interessante de criação: começo, meio e fim. A partir do quarto episódio o filme se torna uma série e a quantidade de pessoas mexendo na história começa a divergir e contradizer muito do que já foi feito (Harry Potter no cinema que o diga).

O diretor disse que só voltaria a fazer um novo filme caso encontrasse a temática ideal para encerrar sua história, e assim como Platão escrevia sobre o Mundo das Ideias, Nolan soube captar muito bem o pano de fundo para o tão aguardado Batman 3: a raiva!

Utilizando o medo no primeiro filme e trazendo o caos para o cinema na segunda produção, o diretor decidiu explorar o lado humano de Batman criando um espírito de luta jamais visto nos seus filmes anteriores. Explorando a raiva do herói, Nolan mais uma vez colocou o destemido herói no mesmo nível que o espectador e assim como nas produções anteriores provocar a reflexão do espectador ao sair da sala de cinema.

Anne Hathaway foi a melhor e mais real Mulher-Gato que o cinema já teve!

E a escolha de antagonista para tal empreitada não poderia ser melhor que nada mais nada menos que o vilão que deixou Bruce Wayne paraplégico nos quadrinhos: Bane, o latino vilão que vem a Gothan para exterminar o herói e criar um clima de guerra em Gothan City.

Para a escolha do papel, Tom Hardy foi escalado. Veterano nos filmes de Nolan desde A Origem, Hardy captou o espírito violento, sagaz e traiçoiro do vilão como ninguém, e mesmo sem mostrar o rosto nenhuma vez em todo o filme, cumpriu seu papel como ninguém, apagando a sombra que personagem pessonhento que Joel Schumacher criou em Batman e Robin nos anos 90.

LUZ, SOMBRA… MORCEGO!

Assim como nas versões anteiores, Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge se utiliza de referências e situações vistas nas histórias em quadrinhos em grandes episódios do herói. Desta vez, além da visão sombria que Frank Miller mostrou do herói em The Dark Knight Returns usada nas três produções, Nolan se utilizou das histórias A Queda do Morcego e Terra de Ninguém.

Após o Comissário Gordon ter de responsabilizar Batman pelo assassinato de Harvey Dent (o Duas-Caras do filme anterior), a polícia iniciou uma investida poderosa contra Batman, que sumiu da cidade de Gothan por 8 anos. Do mesmo modo, Bruce Wayne ficou recluso em sua nova mansão construída se culpando pela morte de Rachel, assassinada pelo Coringa.

Nesse longa, a face mais reprimida de Alfred foi mostrada.

Ao mesmo tempo que o espírito de Harvey estimula a prosperidade e a harmonia em Gothan, o sentimento de culpa de Gordon, Bruce e Alfred corrói a alma dos heróis que outrora viam a cidade como fruto da esperança e da boa vontade que um dia as pessoas viriam a ter.

Paralelo a isso, os negócios da Wayne Enterprises vão mal, obrigando a Miranda Tate ter de assumir a presidência no lugar de Lucius Fox, os bairros de Gothan passam apenas a dar lugar a criminosos inteligentes e habilidosos como a ex-garota de programa Selina Kyle (que em momento algum é chamada de Mulher-Gato no filme) e o audacioso Bane arma um exército de homens caídos pela ganâcia e a corrupção em todo o mundo para honrar a promessa da Liga das Sombras (liderada por Ra’s Al Ghul no primeiro filme) de exterminar a cidade do Homem-Morcego.

Como é de prache nos filmes de Nolan, a quantidade exagerada de fatos, acasos e acontecimentos vai moldando o filme aos poucos e o encadeamento de sequência resulta em reviravoltas inesperadas tanto para fãs como para o público casual que vai ao cinema ver um filme de super-herói.

SOB A MÁSCARA

Christopher Nolan é uma pessoa no mínimo excêntrica, mas de muitíssima personalidade. Além de o diretor preferir utilizar o mínimo de computação gráfica possível para realizar os efeitos especiais em seus filmes (a título de curiosidade, ele tentou utilizar morcegos de verdade em Batman Begins e explodiu um prédio de verdade para realizar a cena do Coringa destruindo o hospital de Gothan em Batman – O Cavaleiro das Trevas), ele vetou a transformação de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge em 3D.

Uma grande surpresa aguarda John Blake no final do filme!

Preferindo usar camera IMAX (que no filme anterior ele quebrou uma das cinco únicas existentes no mundo na época), o terceiro longa criou uma sensação épica e emocionante, fazendo o espectador entrar na história muito mais facilmente do que se estivesse com um par de óculos na cara.

Se isto parece estranho, tão irônico quanto é a perceber que tanto O Cavaleiro das Trevas Ressurge quanto Os Vingadores foram produzidos ao mesmo tempo. Assim como no filme de heróis coloridos da Marvel, o filme de Nolan cria um quê épico nas cenas de ação, percorrendo vários e vários prédios de Gothan. Porém, enquanto o primeiro apela mais para a imaginação e para o lado cômico de uma invasão aliênígena, o segundo tem um ar muito mais pesado e letal, mostrando toda a realidade de uma Guerra feita por humanos em um contexto humano. Se Vingadores foi feito para agradar a todos os públicos, Batman – O Cavaleiro de Gothan Ressurge agradou a todos os públicos porque tem uma carga emocional muito mais atraente.

Tão atraente que mesmo os medos mais terríveis dos fãs se transmutaram numa escolha acertada do diretor. Se o rosto de princesa de Anne Hathaway parecia não ser a escolha ideal para a ardilosa e sensual Selina Kyle, a atriz acertou no ponto, criando uma vilã inteligente e pragmática. Mesmo quem viu as produções animadas ou em live-action com a personagem antes, vai ver em Anne Hathaway não só a verdadeira Mulher-Gato, mas a melhor e já eternizada vilã mais querida do Homem-Morcego.

Bane foi o vilão ideal para o encerramento da série de filmes!

E para completar a lista dos desesperados, a quase indesejável e mais misteriosa participação de Joseph Gordon-Levitt como o policial John Blake se resultou como a maior e mais bem escolhida inserção de um personagem nos longas de Batman. Mesmo sendo apenas um policial, Blake respresenta a esperança e a crença em Gothan que tanto Bruce Wayne como o Comissário Gordon perderam conforme os oito anos de paz em Gothan foram passando.

Se os novos personagens foram destaque, o que dizer das magníficas e já conhecidas atuações de Morgan Freeman como Lucious Fox, Michael Cayne como o mordono Alfred e Gary Oldman como Jim Gordon? Além de já imortalizados pelo cinema, os três atores tiveram papel chave tanto no desenvolvimento como na conclusão da história, fazendo das reviravoltas e das combinações de ações de cada um dos personagens, herois e vilões essencial para a épica conclusão.

A ASCENSÃO

Não é preciso mais delongas para contar que Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um dos maiores filmes feitos em toda a história do cinema. Assim como nos seus predecessores, o filme apresenta uma história sólida, que cresce a medida que cada cena se desenvolve e acaba com surpresas atrás de surpresas, deixando o espectador não menos que boquiaberto ao sair da sala de cinema.

É claro que Batman nunca terá um fim. Seja nos quadrinhos, na TV, ou mesmo no cinema, o formato de quadrinho americano que as editoras adotam nunca deixariam que um ás na manga em vendas e repercussão cessasse suas atividades. Mais que um ícone, Batman já se tornou uma lenda dos tempos modernos, quase um ser mitológico, que por gerações vai ser adorado e recriado.

Chistopher Nolan deixou um grande legado de como fazer cinema.

Porém, se acaso huvesse um fim, caso a história do Batman um dia se encerrasse, mesmo que Nolan tenha dado um jeito de, inteligentemente, deixar uma ponta da história em aberto para uma possível continuação, não haveria final melhor para o herói que ser encerrado tal qual foi encerrado por Christopher Nolan. Mais que um final, o diretor passou uma mensagem e transformou sua trilogia de filmes em algo superior a um filme de super-herois, uma verdadeira ascensão da história do cinema.

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Uma resposta para “RESENHA: Batman – O Cavaleiros das Trevas Ressurge

  1. Eduardo Zucchi dezembro 14, 2013 às 4:13 pm

    Parabéns, excelente texto, ótima resenha. Nolan mudou o modo de fazer cinema ao nos brindar com esse que é um dos melhores filmes já feito, tão bom, que como bem mencionado pelo autor, se tornou muito mais do que um filme se super-herói. É um espetáculo da sétima arte.

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