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RESENHA: Batman Begins

Medo. Tão atraente quanto a batida de um coração, tão assustador quanto qualquer forma de expressão da morte. O medo sempre foi o fator que altera para sempre o modo como o ser humano vê o seu futuro. Mais que uma história de superação, Batman Begins mostrou que tão amedontrador quanto exigente, o cinema nunca havia experimentado o medo na sua mais vil forma: aquele que dissuade toda a existência de um ser humano.

O INÍCIO

Demorou para os paparazzi de Hollywood descobrir que Christopher Nolan, estava produzindo um novo filme de Batman. E mesmo depois de sair em cartaz, demorou para o público perceber que o quinto longa-metragem do Homem-Morcego era, na verdade, um novo início para a cronologia do herói.

Apesar de comum nos quadrinhos, ainda mais na DC Comics, os reboot não eram comuns no cinema até Batman Begins ir para o cinema. A qualidade e a mudança radical que o diretor apostou ao lapidar seu filme fez tanto sucesso que muitas outras produtoras até então relutantes (alguém lembra do fiasco de Superman – o Retorno?) passaram a apostar no segmento, trazendos novos 007, Homem-Aranha e Star Trek para as telonas.

E não é só isso, se até 2005 a grande referência para levar heróis dos quadrinhos para o cinema era o estilo Christopher Reeve de ser Superman, Batman Begins trouxe um novo conceito de live-action, mostrando que a realidade pode ser uma ótima premissa para a concepção de uma história de ficção.

Tais conceitos só foram possíveis graças ao trabalho singular de de Christopher Nolan como diretor. Fã de Batman e fã dos efeitos especiais sem o uso de computação gráfica, Nolan criou o texto e todos os conceitos do novo Homem-Morcego na garagem de sua casa, junto com seu irmão Jonathan Nolan e o roteirista David S. Goyer com maquetes, miniaturas e muitas referências pós anos 80 que Frank Miller criou nos quadrinhos.

Nem parece herói: as primeiras filmagens foram feitas com outro título de filme para despistar rumores sobre a produção de um novo Batman.

Se antes de Batman o diretor era apenas mais um diretor, após trabalhar com o herói mais popular dos quadrinhos de todo o mundo, Nolan se transformou em um grande ícone do cinema, o maior destaque dos anos 2000.

POR QUE CAÍMOS?

Inédito nos cinemas, o pano de fundo de Batman Begins é segundo o próprio diretor “fazer as histórias de origem do personagem, que é uma história nunca antes contada” em um único longa-metragem.

Baseada na história Batman Ano Um (que ganhou sua versão animada em 2011 e misturando elementos sutis de vários outros quadrinhos, o filme consegue ser uma obra fiel e ao mesmo tempo original, conseguindo a aprovação dos fãs e cativando o público casual.

Após desenvolver um terrível trauma por morcegos ao cair num buraco e presenciar a morte dos pais quando criança, Bruce Wayne recluso cresce amargurado e introspectivo, desejando vingança do autor da morte de seus pais.

Ainda na faculdade, após ser repreendido por Rachel Dawes, sua amiga de infância que se tornou promotora de justiça, e humilhado por Carmine Falcone, o magnata chefão do crime organizado da cidade, Bruce decide sair de Gothan City para iniciar um treinamento que o habilite a livrar a injustiça das ruas e que provoque medo em todos os que provocam medo nas pessoas.

Treinando com o inimigo: Bruce Wayne faz o treinamento para aprender a lidar com o medo com Ra’s Al Ghul.

A temática do medo permeia por todo o filme, fazendo do trauma inicial de Bruce a força motriz para a criação do símbolo por trás do herói, fazendo a analogia perfeita do herói da ficção ao herói do mundo real que Batman se tornou.

A mensagem que Thomas Wayne diz a Bruce no início do longa e é repetido por diversos personagens ao longo do filme, apesar de não denotar medo em momento algum, desenvolve a reflexão do espectador ao mesmo tempo que no personagem, afinal assim como o Homem-Morcego, todos caem, mas as quedas acontecem para que aprendamos a ficar de pé.

SERVIR A JUSTIÇA

Se Christian Bale se tornou o melhor Batman, e já eternizado como tal, que o cinema já teve, a participação de Liam Neeson com vilão da série merece destaque não apenas por sua atuação, mas como pelo significado da participação de seu personagem.

Com a maior gama de vilões dos quadrinhos, não foi difícil para Nolan escolher vilões que nunca houvessem marcado presença nos cinemas. Se o papel de Falcone foi aproximar a realidade das cidades grandes para Gothan, e a função do Espantalho foi aproximar a história do filme as grandes massas, Ra’s Al Ghul foi o grande diferencial da história trazendo filosofia e pontos de vista sinuosos ao desafiar Batman.

Igual aos quadrinhos: Gary Oldman é Jimmy Gordon personificado.

Cunhado em discursos como “a vontade é tudo” e “os criminosos se beneficiam com a tolerância de uma sociedade compreensiva“, Ra’s deseja limpar o mal do mundo com a Liga das Sombras, uma sociedade secreta que históricamente provoca desastres em sociedade corrompidas como Gothan se tornou.

A discordância entre herói e vilão e a proximidade que ambos tem, fazem com que a ligeira diferença de Bruce e Ra’s traga uma grande razão de ser para o filme, fazendo com que o espectador saia da sala de cinema tão deslumbrado pela superação do herói como pelo modo de pensar mesquinho, mas tão convincente do vilão.

NÃO É O QUE VOCÊ É POR DENTRO

O desenvolvimento do personagem é a passagem mais cativante e ao mesmo tempo a que mais gera sequências arrebatadoras para o filme, tanto ideológicamente quanto cinematograficamente. E um dos pontos mais latentes é a relação de Bruce com os coadjuvantes do filme.

Um mito dos tempos modernos, o mordono Alfred ganhou total destaque durante todo o filme. Fazendo o papel da consciência do herói, o mordono sempre reluta com seu patrão quando este desperdiça o subjuga a conduta pessoal, profissional ou representativa de seus pais.

Rachel é o ponto de ligação com Bruce Wayne e Batman.

Lucius Fox, o funcionário do departamento de ciências aplicadas das Industrias Wayne que foi enconstado pela alta gerência por ser um dos braços direitos de Thomas Wayne no desenvolvimento dos programas de filantropia da empresa. Fornecedor do equipamento de Bruce, Fox se torna o porto seguro do herói quando Alfred não consegue cuidar da recuperação do herói.

Mas nada se compara ao papel que Gary Oldman desempenhou como o Sargento Gordon. Além do ator ser a cara do personagem dem diversos traços das histórias em quadrinhos, Gordon desempenha um papel fudamental para Batman, já que mesmo fazendo justiça dentro da lei, a lei de Gothan não tolera uma miliante como o Homem-Morcego e é o apoio do sargento e toda a sua dedicação que possibilita o trabalho de Batman e que conclui o filme de maneira não apenas genial, mas de tirar o fôlego, deixando latente todas as crenças e sentimentos dos personagens a flor da pele quando toda a Gothan se vê envolvida nos planos de extinção de Ra’s al Ghul, mostrando que não só a simbologia de cada que cada um dos personagens é importante, mas tudo o que eles realizam é o que torna o filme tão grandioso.

MEDO RETRATADO

O mehor de todos. Foi assim que a Times definiu a primeira produção de Batman dirigida por Christopher Nolan para o cinema. Indo mais além, Batman Begins não é apenas o melhor filme de Batman já criado, mas o melhor de todos os filmes de super herói da história e uma das maiores obras-primas que o cinema já teve.

Com um enredo instigante, muitas vezes perturbador e sempre cativante, mais que aproximar espectador e enredo, Nolan trouxe Batman para a realidade, fazendo o herói ser crível, dada as condições de sua existência.

O maior herói dos quadrinhos ganhou o melhor filme de todos os tempos!

Batman se fez real. Esse foi o diferencial de Batman Begins, característica que tantos outros diretores tentaram copiar, mas que só o talento de Christopher Nolan foi capaz de produzir em toda a essência que o medo poderia produzir.

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3 Respostas para “RESENHA: Batman Begins

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