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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Hikonin Sentai Akibaranger

A busca de reconhecimento é uma angustiante e muitas vezes traiçoeira necessidade social que muitos seres humanos sobrepõe a sua própria ideia de sucesso. Passando por comédias e dramas, comédias e filosofias, Hikonin Sentai Akibaranger surgiu com uma proposta jamais vista na franquia dos Super Sentais, mas foi tão bem produzida que jamais entrará para a augusta seleção de 36 equipes já criadas.

COMO TODO FÃ GOSTARIA DE SER

Por mais que a distinção entre o real e o ideal seja algo maduro o suficiente para se conviver, não há fã de super heróis que nunca se imaginou como um de seus ídolos.

Apesar de parecer criancisse, o desejo de aproximação da figura a que se admira acontece em todos os segmentos do entretenimento, do mundo profissional e da religião.

No meio da cultura pop japonesa, o cosplay é a projeção mais palpável desse desejo, onde entre devaneios e sonhos, os fãs podem se ver como personagens da ficcção para extravasar os seus sentimentos de uma maneira tão divertida quanto excêntrica.

Mas e se os fãs pudessem deixar de ser cosplayers e pudessem chegar até onde nenhum ser humano chegou, se tornando o herói tão sonhado em plena vida real? Esta é a proposta de Akibaranger.

UMA FRANQUIA INFANTIL PARA ADULTOS!

Fazendo uma sátira do comportamento do fã maduro da franquia Super Sentai (a mesma de Changeman, Flashman e Shikenger), a Toei Company inovou em 2012 levando ao ar duas produções de um mesmo gênero de heróis de roupas coloridas.

Otakus de Akihabara tem a oportunidade de virarem herois de verdade!

Tudo indica que tal investida teve origem na observação do mercado durante a comemoração de 35 anos de Super Sentai em 2011 com a produção de Kaizoku Sentai Gokaiger.

Lucrando com os heróis o dobro em vendas de bonecos em metade do tempo que a série anterior (Tensou Sentai Goseiger), a Toei e a Bandai perceberam um vasto nicho de fãs maduros dispostos a comprar muitas bugigangas dos heroís coloridos antigos.

Como Gokaiger era uma série focada ao público infantil, uma série focada nesse nicho adulto teria de trazer diversos elementos que, assim como é feito com as crianças, fizesse o público se identificar com a história.

Assim, o cenário ideal para a criação desse “sentai adulto” não poderia ser outro senão o bairro que mais atrai nerds, geeks e otakus da cidade de Tóquio: Akihabara.

DIRETO DE AKIHABARA

Os japoneses sempre foram muito bons para encontrar nichos, não é a toa que todo tipo de música, todo tipo de programa de tv e todo tipo de todo tipo de coisas vira sucesso lá, gerando lucros para a indústria do entretenimento e fidelidade dos consumidores.

Os guerreiros vencem Mesugurohyōmonchō. O nome dos vilões exagera a complexidade do nome dos vilões dos sentais originais.

Um misto de Santa Ifigênia e Bairro da Liberdade da cidade de São Paulo no Brasil, Akihabara é o bairro que se desenvolveu em Tóquio por vender tecnologia variada, de boa qualidade e com preços muito baixos.

Como tecnologia e video-game andam de braços dados desde o Atari, e o mundo dos mangás e animes são o mundo das ideias ideal para o desenvolvimento do enredo de jogos, todos esse nichos acabaram crescendo ao redor de Akihabara e muitos eventos com dubladores, cantores, tarde de autógrafos ou ações de lançamentos de produtos do segmento são feitos em Akihabara, atraindo nerds de todos os níveis.

Produtos novos e usados, raros, exóticos, comuns. Tudo é encontrado em Akihabara, inclusive pessoas como Nobuo Akagi, um entregador de 29 anos que é fanático por super sentais que já assistiu a todas as 36 séries que a Toei produziu e está cheios de tendências “moe”, um tipo de fetiche sexual japonês por persnagens de ficcção.

Também facilmente se encontram cosplayers em Akihabara, como Yumeria Moegi, uma senhorita adulta que mora sozinha após a morte da mãe (também cosplay e interpretada por Rica Matsumoto), mas que parece uma adolescente de 15 anos. Bobinha e inocente, ela é fanática por roupas kawaiis e acessórios fofinhos, sem necessariamente conhecer a origem dos personagens que interpreta.

E para completar o nicho que a Toei quis atingir com a série, entra em cena Mitsuki Aoyagi, uma estudante do Ensino Médio preste a entrar na faculdade que vê no anime Z-Cune Aoi a saída mais simples para fugir da pressão dos pais por sua aprovação no vestibular.

Z-Cune Aoi ganhou destaque no tokusatsu, que mostrou várias sequências animadas da heroina.

Com um líder vermelho e duas garotas fazendo as integrantes amarela e azul respectivamente, Hiroyo Hakase, dona de uma loja de Akihabara, conseguiu a equipe ideal para testar o experimento do seu pai, que levava pessoas até o mundo das ilusões atraves de seus devaneios. E a Toei, maior produtora de tokusatsus do Japão, conseguiu acertar no ponto para dar início a história de Akibaranger!

UM SENTAI NÃO OFICIAL

Com personagens tão próximos da realidade, um sentai como Akibaranger não poderia pertencer ao roll da Toei Animation. A própria exibição do seriado na tv é diferente.

As séries Super Sentai a décadas são exibidas nas manhãs de domingo em um horário com prado pela Toei para exibir seus seriados e desenhos animados.

Como nem todo trabalhador adulto tem ânimo para assistir um seriado num horário pré-determindo, Akibaranger foi posto para ser assitido em pay-per-vier num canal afiliado da TV Asahi com um novo episódio por 12 semanas, de abril a junho de 2012.

Assim, o grande contexto que norteia o seriado é conseguir atingir um “poder” suficiente no mundo das ilusões ao qual são enviados por Hakase para se tornarem oficiais e vencerem o Corporação Descaradamente Maligna Guerrilha Marketing B, onde a vilã Marushina parece a versão em carne e osso das mulheres-fetiche tão comuns em animes dos dias de hoje.

Seios fartos, pernas a mostra e até uma cena de nudismo caracterizam a tendência fetiche da vilã Marushina.

Apesar da grande sacada é ser feito em uma comédia bonachona, Akibaranger conseguiu momentos muito mais épicos que seus irmãos oficiais em diversos momentos.

Cheios de referências, músicas temas, e cenas de sentais antigos que Akagi se recorda a cada novo episódio esteriotipada da franquia ao qual a primeira equipe de um homem e duas mulheres são submetidas, Akibaranger se supera ao homenagear Kazuo Niibori, o dublê que fez todos os primeiros 15 rangers vermelhos, de Goranger até Jetman.

Se uma comédia japonesa pode parecer, a um primeiro momento, um pouco distante da realidade brasileira pela diferença de cultura e de fãs de ambos os países, a reviravolta de tramas, que acontece em mais da metade dos episódios, não só prende a atenção do espectador como faz dar gargalhadas pela inusual maneira como é colocada no contexto.

Chegando próximo do final, a série que parecia estar rumando para um desfecho padrão do sentais se supera mais uma vez ao se deparar com as forças de Hatte Saburo, o pseudônimo que a Toei Animation dá a equipe de criação de todos os super sentais desde Battle Fever J, primeira série feita sem o criador original, Shotaro Ishinomori.

Demorou até os heróis conseguirem executar seu roll-cal: o grito de guerra com o nome dos heróis!

Tal desafio, além de cheio de referências a teoria filosófica de George Berkeley concluiu a série como nenhuma outra, fazendo da série um marco na história da franquia e um divisor de águas para os próximos sentais, espera-se.

ROLL-CALL

Após 36 séries, o fenômeno Power Rangers pelo mundo e virar o sinônimo de séries tokusatsu, a franquia Super Sentai, além de ser a com o maior número de série, heróis e lucratividade, criou uma legião de fãs e uma cultura própria.

Hikonin Sentai Akibaranger, como nenhuma outra, soube se utilizar dessa cultura em benefício próprio, criando mais que uma história, mas uma verdadeira e justa homenagem aos milhares de profissionais que desde 1975 dão vida as histórias de heróis coloridos que dão força para adultos e ensinamentos preciosos as crianças.

Brincando com os piegas das séries oficiais, sem se privar de sequências politicamente incorretas de um seriado infantil, com reflexões sobre o que é e como é ser fã de algo nos dias hoje e com uma rica base de sustentação que deu origem a personagens inesquecíveis, Akibaranger pode até não ter se tornado um Super Sentai oficial, mas para sempre será o sentai oficial dos fãs que tanto admiram a magia dos seriados de super heróis japoneses.

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2 Respostas para “RESENHA: Hikonin Sentai Akibaranger

  1. Kamau setembro 24, 2012 às 3:28 am

    sem querer puxar o saco…essa foi a melhor resenha sore akibarangers que eu li.
    Parabéms

  2. EDUARDO - PUNK DA PERIFERIA março 29, 2013 às 10:42 pm

    tomara que já tenha chega nas lojas de dvd do bairro da liberdade os dvds (genericos a bem da vdd) do akibaranger)

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