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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Homem-Aranha 3

Toda história tem começo, meio e fim. Todo protagonista precisa de uma origem, um apogeu e um fim memorável. Todo vilão tem sua curva de ascensão e queda. Mas no cinema nem sempre isto fica claro, Homem-Aranha 3 mostra que todo herói nasce, cresce mas nem sempre acaba.

Sim, você fã de quadrinhos, de Homem-Aranha ou mesmo apenas um novo fã da gama de filmes de Sam Raimi no herói aracnídeo, vai ao cinema para assistir a tão aguardada terceira produção de uma das franquias mais bem sucedidas de todos os tempos e o qu vê ao sair de lá? Um filme que te deixa tão impressionado quanto confuso a respeito da opinião sobre gostar o não do longa-metragem.

Não se preocupe, você não é o único. Inclusive o próprio diretor Sam Raimi deve ter seu terceiro longa do herói na sua lista de “filmes que não deveria ter feito”.

Em 2005, quando o filme começou a ser produzido, o diretor, fã confesso do herói, propôs a Sony Pictures um filme bem diferente do que foi para a telona. Na trama, Peter Parker enfrentaria apenas o Abutre, ao mesmo tempo que tratava de seus problemas com Harry Osbourne.

O estúdio acreditou que tal vilão não teria o apelo que o filme precisava numa época em que os filmes de herói começavam a não ser mais o maior atrativo dos cinemas. Sugerindo então, que Raimi utilizasse Venon.

Criado nos anos 90 por Todd MacFarlne, o personagem se tornou um dos personagens mais populares do Homem-Aranha, tanto pela proximidade que ele tem do herói quanto pelo estilo grotesco e psicodélico que tanto atrai os entusiastas da nova era.

Harry foi um personagem que cresceu durante três filmes para ter seu grande momento no terceiro filme. Pena que isso não aconteceu.

Raimi tinha planos de usar o personagem em um filme que encerrasse a franquia, utilizando Venon num combate introspectivo contra Peter Parker. Mesmo contrariado, o diretor seguiu as recomendações do estúdio a risca e produziu um filme com mais vilões do que ele previa.

Feliz da vida com o fato de ser um super-herói amado por toda Nova York, mesmo que suas fotos contribuam para a imagem estapafúrdia que o diretor d’O Clarin Diário prefere se utilizar para vender mais jornais, Peter Parker segue ainda mais apaixonado por Mary Jane, a quem pretende pedir em casamento.

Ao mesmo que o herói pede conselhos para Tia May para fazer o derradeiro pedido a sua amada, três vilões começam a se desenvolver na cidade: a simbiose Venon (que nem tem seu nome citado no filme) chega à Terra através de um meteorito, Flint Marko é banhado por energia atômica em uma área de pesquisa científica ao fugir da polícia dando origem ao Homem-Areia e Harry Osbourne alimenta cada dia mais ódio por Peter Parker, a quem acredita ser o responsável pela morte de seu pai.

Se em Homem-Aranha 1 e 2 os vilões contribuíam para o amadurecimento do herói, o terceiro não é diferente, porém a quantidade de vilões acaba atrapalhando o desenvolvimento do filme.

Homem-Areia: mensagem certa no filme errado.

Sempre embasado pelos conselhos e lições de moral de seus tios, o que vemos na telona é um Peter Parker envolvido em duas tramas que pouco tem para se completar no fim do filme, previsão acertada do espectador.

Enquanto o Homem-Areia se torna um body expiatório da agressividade que Peter Parker começa a sentir após servir de hospedeiro para Venon, Harry se torna o algoz da separação do herói com May Jane.

Para a criação de tais sequências, muitas ações desnecessárias foram criadas, como a perda de memória de Harry ou a vitória prematura do Homem-Areia.

Talvéz a série de erros que o filme comete para com trama teriam sido evitados se Sam Raimi tivesse mais liberdade para trabalhar o roteiro. As oportunidades que o Harry desenvolvido no filme anterior e que Venon geraram como escolha dava não apenas um contexto interessante mas também o momento para encerrar a franquia com chave-de-ouro ou prepará-la para um continuidade mais independente do primeiro e clássico filme.

É fato que o que Raimi fez com Homem-Aranha foi um trabalho memorável, utilizando uma narrativa cheia de lições e conteúdo que faz a diferença no cinema.

Aproveite bem as cenas de Venon, elas são poucas, rápidas e só acontecem no fim do filme…

Enquanto o primeiro filme retratou a melhor maneira de se contar um filme de super-herói, sua continuação deu um guia de como se produzir uma continuação, o Homem-Aranha 3 é o reflexo de como Hollywood pode ser mesquinha e cruel quando está em jogo não o entretenimento e arte de se contar histórias, mas quantos zeros poderão ser adicionados em um longa que prospecta sucesso até em rumores décadas antes de se iniciar a sua produção.

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