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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Homem-Aranha 2

A medida que envelhece o ser humano se depara com diversos testes e provações que, muitas vezes, vão lhe pesar durante toda a sua vida. Homem-Aranha 2 mostra que tais provações não são diferentes com heróis, muito menos se tais provações estivere tão próximas do admirador do herói.

Quando lançou o Homem-Aranha em 2003, certamente Sam Raimi sabia da responsabilidade que ele tinha em mãos: transformar o herói mais popular da Marvel em um produto que fosse interessante para os fãs de longa data, afinal foram eles que sonharam com um filme do personagem por anos a fil, e ao mesmo tempo prendesse a atenção de novos fãs e espectadores casuais.

A fórmula criada no primeiro filme (leia a resenha aqui) deu tão certo que reutilizá-la na sua continuação foi quase como vender uma nova edição de uma revista em quadrinhos: quem já leu quis mais e quem nunca leu comprou a história para conhecer o novo hit do segmento.

Batendo todos os recordes que podia, o Homem-Aranha 2 chegou ao cinema em 2004, apenas 1 ano após o lançamento da franquia nos cinemas, levando ao espectador um pouco mais do nerd que vendia fotos do novo herói, ou vilão segundo os jornais, de Nova Yorque enquanto enfrenta os problemas que todo adolescente vive na época da faculdade: relacionamentos, falta de dinheiro e crise existencial.

Dando vida a Peter Parker, Tobey Maguire e todo o elenco do primiro filme voltam em cena com um tema reciclado do filme anterior, mas não menos interessante para o espectador: até onde o peso de nossas responsabilidades devem chegar para guiar nosso caminho?

Dr. Octopus é o vilão perturbado que conquista o público sem roubar a cena do heroi.

Se é difícil para uma pessoa comum lidar com uma série de questões durante a vida, o que dizer de um herói? Grande parte do enredo do filme se passa enquanto Peter Parker vive o drama de ter de escolher entre amar Mary Jane e a manter segura, longe do Homem-Aranha, ou abandonar o amor de sua vida (que por vezes já deu sinal de sentir os mesmos sentimentos que ele) e proteger toda Nova Yorque dos perigos da criminalidade urbana.

A mistura dos dramas do Aranha vai se somando aos problemas que os coadjuvantes e o vilão do filme, Dr. Octopus (muito bem intepretado por Alfred Molina, criando uma sequência de fatos que aos poucos vão se explicando ou naturalmente se interpretando e amadurecendo o personagem de James Franco, Harry Osbourn, como estopim do filme.

Os pontos-chave do filme fazem com que o vilão escolhido seja o ideal para manter a sincronicidade dos dois filmes do herói, deixando o espectador satisfeito com a fidelidade dos quadrinhos e a originalidade da produção.

Os diálogos, os personagens e as situações que o filme apresentam, além de ricamente explorados pelo contexto do cenário cinematográfico, tem o apoio de Alfred Gough e Miles Millar, dois roteiristas que viviam o auge de suas carreiras escrevendo grandes roteiros para adolescentes no seriado Smallville.

De mocinho a vilão: o segundo longa mostra a transição de Harry Osbourne.

Com o apoio dos roteiristas, o diretor fã do herói soube mesclar o humano e o mítico dentro de Peter Parker, fazendo do Homem-Aranha 2 deu uma aula de como fazer uma continuação de um filme de super-herói para os cinemas, tanto que várias sequências de outros personagens seguiram muito da linha da produção de Sam Raimi para dar o tema a seus filmes.

Mas nenhuma qualidade técnica se compara a mensagem final do filme que o diretor soube explorar tão bem: a humanidade do herói presente nos quadrinhos persiste nas telonas e ao mesmo tempo que o protagonista do filme vive as dúvidas de ser um herói, a população nova-iorquina vive o drama de viver sem um herói.

Tal conceito de herói é muito bem abordado durante todo o filme, mas muito bem sintetizado no discurso da tia May, que novamente faz valer seu papel como o exemplo de pessoa mais velha que guia o amadurecimento do herói:

“O que um heroi faria?”, indaga Peter Parker.

Crianças [..] precisam de um herói, pessoas que se sacrificam pelos outros são um exemplo para nós. Todo mundo adora um herói, as pessoas fazem filas para vê-los para gritar seus nomes e daqui a uns anos eles contarão como ficaram na chuva durante horas para ver aquele que lhe ensinou a continuar acreditando. Eu acredito que exista um herói em todos nós, que nos mantém honestos, que nos dá forças, nos enobrece. E no fim nos permite morrer com orgulho, ainda que as vezes tenhamos que ser firmes e dsistir daquilo que mais queremos, até de nossos sonhos.

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