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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Homem-Aranha

Grandes poderes exigem grandes responsabilidades. Um filme todo baseado em uma pequena fala. Um conceito embasado em um breve texto. Um herói criando o futuro devido as falhas que cometeu no passado. Em 2003, pela primeira vez o Homem-Aranha chegava ao cinemas mostrando que mais que um herói, um filme de histórias em quadrinhos precisa de uma razão de ser.

Diferente da maioria dos heróis de sua época, mas já seguindo uma tendência da editora Marvel, o Homem Aranha surgiu nos anos 60 para quebrar o paradigma de herói politicamente correto, com histórias voltadas muito mais para a humanidade do personagem do que para seus atos sobre-humanos.

Em 2003, quando a febre de heróis no cinema ainda engatinhava, Sam Raimi levou para as telonas a primeira leitura cinematográfica do super-herói, fazendo um contra-ponto interessante entre novidade e remodelagem do herói para as telonas.

Seguindo os mesmos preceitos humanitários dos quadrinhos, o filme se inicia com um Peter Parker ainda muito jovem, se formando no colégio e prestes a entrar na universidade. Ineligente, curioso, criativo, mas muito tímido, o garoto franzino era um dos alvos favoritos de bulling na escola o que tornava ainda mais dificil se aproximar de Marie Jane, a vizinha por qual ele é apaixonado desde a infância.

A vida de Peter muda completamente quando ele percebe que a aranha genéticamente modificada que o picou durante uma excursão da faculdade lhe rendeu as mesmas capacidades que os genes que se encontravam na aranha que o picou.

Tobey Maguire e o retrato exato de Peter Parker.

Mesmo com um início corriqueiro dentro de uma comédia romântica americana, o filme começa a ganhar significado quando, sem contar dos poderes para ninguém, o personagem decide utilizar seus poderes em benefício próprio, entrando para um vale-tudo que lhe renderia um gordo prêmio em dinheiro. Após vencer o adversário mas ser vítima das falcatruas do patrocinador da luta, Peter deixa escapar um ladrão que rouba a casa de lutas, mesmo consciente que poderia detê-lo facilmente.

Mais tarde, Peter descobre que foi o mesmo ladrão que assassinou seu tio Ben Parker, logo após ter sido deixado escapar por Peter. Aos poucos as palavras que o tio lhe dava enquanto lhe pregava sermões, “grandes poderes exigem grandes responsabilidades”, começam a fazer sentido na cabeça do jovem que passa a amadurecer os talentos que a aranha lhe deu e se transformando em o Homem-Aranha.

O filme continua a crescer a medida que o tempo passa, pois todas as histórias laterais, com Harry e Norman Osborn, Mary Jane e a tia May vão se desenvolvendo e se mesclando num ritmo perfeito para acrescentar conteúdo a história ao mesmo tempo que se convertem em peças chave para desenvolver a mensagem final da história, que cheia de grandes efeitos especiais, para a época, deram vida ao herói e o eternizou como o mais popular da editora Marvel.

Desde a sua idealização, grandes nomes foram cotados para a participação no filme, antes de Raimi assumir a direção, até James Cameron, fã confesso do herói, chegou a escrever um roteiro onde, ao invés de o Duende Verde, o vilão do filme fosse o Electro.

Para alegria dos fãs, a escolha do Duede Verde foi mais que perfeita, além de óbvia por este ser o mais popular vilão do herói.  Sendo a visão contrária exata de Peter Parker, Norman Osbourne retrata o efeito contrário de uma experiência genética que deu errado, além de mostrar que os valores que precedem herói e vilão são de total importância quando sua personalidade mais escondida é revelada! Com a atuação de Willem Dafoe, o Duende Verde interpretado por Willem Dafoe é a descrição ideal de como um vilão deve ser apresentado no cinema ponderando a divisão de cena com o herói.

Duende Verde: como se usar bem um vilão no cinema.

Tobey Maguire levou a melhor numa disputa que se cotavam Leonardo DiCaprio, Ben Affleck, Heath Ledger, Jude Law, e Ewan McGregor, e fez por merecer. O ator é a encarnação perfeita do nerd tímido que reflete o leitor de longa data dos quadrinhos e provoca a torcida dos novos admiradores.

Maguire fez seu papel tão bem que corre o risco de entrar para a seleta lista de nomes em Hollywood que não conseguem desvincular a imagem de seus personagens em outros filmes, tais como Christopher Reeve e Daniel Radcliff. A imagem do ator coloca em cheque o sucesso de uma produção do herói sem sua participação, tamanha a identidade que criou com Peter Parker.

Cheio de cenas marcantes para a história do cinema, o romance com Mary Jane, mesmo que amplamente criticado pelos fãs mais puristas, que desejavam ver o romance do Aranha com Gwen Stacy, o primeiro amor de Peter Parker nos quadrinhos, trouxe diversas sequências que marcaram para sempre a história do cinema, tendo como pont alto o beijo na chuva de  Maguire e Kirsten Dunst, que conseguiu ser o ponto médio entre a mocinha na visão masculina e femenina ao mesmo tempo.

Hora seguindo fielmente as falas dos primeiros quadrinhos do herói, hora se utilizando de licença poética para dar novas características ao filme, Sam Raimi conseguiu criar um marco no segmento de cinema que adapta histórias em quadrinhos, se tornando uma das produções que mais influenciaram a avalanche de filmes baseados em quadrinhos que se seguiram nos anos posteriores.

Assistir ao beijo de Peter Parker e Mary Jane é como estar participando do desenrolar da história do cinema.

Com um vilão de características fortes e marcantes, um enlace amoroso essencial para a popularização do filme e um herói que cativa e inspira, o Homem Aranha pareceu ser o modelo perfeito para a criação de novos super-heróis nos cinemas. A fórmula do filme foi repetida em diversas outras produções, fora e dentro do universo Marvel, mas como nenhuma outra, o primeiro Homem Aranha se tornou a grande referência, simples e poética, de como transmitir uma mensagem simples, porém rebuscada o suficiente para marcar a vida de todos aqueles que conheceram a história do heróis que voou com teias de aranha pelos céus dos mais altos edifícios de Nova York.

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