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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Batman Ano Um (Warner Premier)

Toda história tem um início. E por mais vezes que ela seja contada e recontada sempre haverão elementos que durarão para sempre, povoando a imaginação de todos aqueles que se emocionarem com seu início. Batman Ano Um é a animação que transformou em desenho animado a história dos quadrinhos que transformou pra sempre a origem do maior herói que o mundo já teve.

UM NOVO INÍCIO

Nos anos 80, após a grande saga Crise nas Infinitas Terras que reuniu todos os heróis da DC Comics, a editora começou a revisar e a recontar a história dos seus principais heróis a fim de atualizá-los para a nova horla de leitores que estavam emergindo.

O escolhido para recontar a origem de Batman foi Frank Miller, o gênio por trás do roteiro de O Cavaleiro das Trevas, uma graphic novel que mudou para sempre como o herói era visto fora e dentro dos quadrinhos, sendo o conceito mais utilizado em todas as formas de entretenimento fora das revistas do herói.

Intitulada Batman Ano Um, a história conta exatamente o qu seu nome indica, o primeiro ano de Batman na famigerada cidade de Gothan City, passando por todos os medos e dificuldades que a difícil decisão de se tornar heróis acarreta na vida de um ser humano marcado pela dor e pela perda.

Com o sucesso nos quadrinhos, a história quase ganhou uma adaptação live-action nos anos 2.000, quando a Warner pretendia reiniciar a franquia Batman nos cinemas. Mesmo cancelada, a história exerceu grande influência no roteiro de Batman Begins, lançado em 2005 sob o roteiro e direção de Christopher Nolan.

Bruce Wayne chora a morte dos pais.

Com o sucesso dos filmes de Nolan, a Warner se motivou a lançar diversos filmes animados de seus super-heróis (a Warner é a atual dona da DC Comics) e finalmente em 2011, Batman Ano Um teve a sua chance de ser produzida.

NASCE O HERÓI

Na história, dois pontos-de-vista são sumamente contados pincelando o conceito medonho e aterrador que a corrupta Gothan City se transformou ao longo de sua história.

De um lado o rico playboy Bruce Wayne volta para sua cidade natal disposto a acabar com o crime organizado que matou seus pais na sua frente quando ele ainda era uma criança.

Do outro lado da cidade, o tenente Jim Gordon é transferido de Chicago com sua esposa, Bábara Gordon, grávida. Apesar de sua forte ideologia e crenças na verdade e na justiça, Gordon vive frustrado com a maneira vendida que os policiais de Gothan agem, fazendo vista grossa para todos os crimes da alta máfia que assola a cidade.

O filme consegue ser muito fiel aos quadrinhos, chegando a utilizar muitas vezes as mesmas falas dos balões em seu texto.

O então tentente Jim Gordon rouba a cena no filme.

Porém as diferenças adicionadas a animação surtem efeitos difusos dos quadrinhos. Com um traço bonito, maduro e longe dos (excelentes) desenhos animados dos anos 90 que ainda hoje influenciam o traço do herói na TV, o filme peca na forma como posicionou Gothan.

A forma fria mas ao mesmo tempo impessoal que os dois protagonistas narram a famigerada cidade de céu vermelho cria um ambiente pesado, mas acabam contrastando fortemente com o visual limpo e brilhoso que a pintura final da animação deu a cidade, fazendo-a parecer muito mais a avançada Metrópolis que a caída Gothan.

As vezes o espectador do filme pode até se perguntar porque o filme se chama Batman Ano Um se tal ano foi tão cheio de Gordon e tão fraco de Homem-Morcego. Até Selina Kyle, a Mulher-Gato, teve uma abordagem mais impactante no filme que o principal protagonista. Mas tal empreitada foi muito boa para a narrativa da história.

Dedicando um espaço muito maior aos dramas de Gordon ao invés de Wayne, a história ganha uma originalidade genial para um espectador que tem seu primeiro contato com a história de Frank Miller.

A origem como prostitua da Mulher-Gato também é contada.

Pense bem, não seria muito interessante para o espectador casual rever novamente pontos tão bem trabalhados e conceituados em Batman Begins, como a morte dos pais de Bruce, a luta sem o manto do morcego na cidade e inspiração para o milionário criar o Batman.

E mesmo para um fã de longa data, reassistir tudo o que já viu e leu parece perda de tempo.

Com Gordon na guia principal do filme, Batman Ano Um se torna um filme muito mais cheio de razão de ser e muito mais profundo nas reflexões e críticas que originalmente Frank Miller quis passar em sua história em quadrinhos de 1987.

FICA O MITO

É muitas vezes difícil separar o que é verdade e o que é mito nas histórias em quadrinhos, isto porque a quantidade exagerada de fatos contado e recontados que os heróis ganham a medida que o tempo passa aumenta exponencialmente a cada oportunidade mercadológica que as editoras encontram.

Ao mesmo tempo é incrível notar como as grandes histórias sobrevivem ao tempo e conceituam o herói, chegando a influenciar muito mais que o início primordial de sua criação. Batman Ano Um é uma dessas histórias, e seu filme não fica atrás.

Mesmo no início de suas atividades, Batman impressiona com sua astúcia e força de vontade.

Essencial para o fã dos quadrinhos, essencial para o fã do Batman, essencial para o fã de boas histórias, nunca num filme animado americano de apenas 64 minutos conseguiu trazer tanta carga emocional de um personagem que de tanto ser coadjuvante se tornou o protagonista de um filme que nem leva seu nome.

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