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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Kamen Rider Decade

A partir do momento que se toma consciência de sua existência, o ser humano começa a se deparar com as questões mais primordiais e que mais provocaram os maiores pensadores de toda a história a refletir sobre uma resposta geral. Kamen Rider Decade começa uma jornada através de tais questões e mostra que como na filosofia, uma história também não precisa dar todas as respostas para se ter um fim.

UMA JORNADA ATRAVÉS DA DÉCADA

Há quem diga que Kamen Rider Decade já começou como um engano, tanto por seu fim inesperado (ou ainda esperado) como por sua criação incomum dentro do universo das produções da Ishimori Productions para a Toei Company.

Desde o ano 2000, a franquia dos motoqueiros mascarados assumiu um perfil muito semelhante ao das séries Super Sentai (como Changeman, Flashman, Jetman, etc), com uma série substituindo a anterior a cada ano, com uma média de 50 episódios e claramente caracterizadas com a finalidade de vender bonecos.

Em 2009, com o fim de Kamen Rider Kiva, os produtores da Ishimori Productions tinham em seus planos o lançamento de Kamen Rider W, porém as datas comemorativas do Japão não batiam com a estratégia de marketing que a equipe de produção tinha para o lançamento dos produtos e do desenrolar da história.

O jeito de evitar a reconstrução do roteiro e não perder o horário na TV Asahi, foi criar uma série tapa-buracos, previamente planejada para durar apenas 31 episódios e ainda se aproveitar do fato de esta ser a décima série criada a partir do reinício da série no ano 2000, criando uma história que homenageasse as chamadas séries Rider da Era Heisei. Nascia Kamen Rider Decade em um modelo mais profundo e mais psicológico, que logo pela abertura cantada pelo cantor GACKT, um fã da série) já se mostrava algo como nunca antes visto.

HENSHIN

Tsukasa Kadoya é um jovem de vinte e poucos anos que trabalha como fotógrafo para o Hikari Studio do senhor Hikari Eijirou e sua neta Hikari Natsumi. Sua razão de viver é simples: capturar com a lente de sua câmera (que ele mesmo construiu) uma imagem que possa representar toda a beleza do mundo. O problema disso tudo é que ele nunca conseguiu tirar uma única fotografia que não saísse cheia de borrões e fora de foco.

Apesar da compreensão do Hikari, Natsumi não tolera os gastos e as reclamações dos clientes das fotos de Tsukasa, fato que o sempre o deixou desconfortável, levando a pensar nos extremos de suas reflexões que ele não pertence ao mundo em que nasceu.

Um contexto tão pessoal, porém poético, dá início a história com o primeiro episódio mais espetacular de toda a história da franquia (e arrisco a dizer, de todas as séries tokusatsu já produzidas) onde um contexto épico passa a ameaçar o planeta.

A iniciar por um sonho premonitório de Natsumi onde o guerreiro conhecido como Kamen Rider Decade enfrenta e derrota todos os Kamen Riders da era Heisei e chegando a uma invasão coletiva a cidade que ameaça por um fim a ela, os primeiros traços do enredo começam a ser traçados.

Diferente de aliens ou seres monstruosos, o mundo de Tsukasa está ameaçado a acabar por um fenômeno que está unindo todos os nove mundos existentes, cada um protegido por seu Kamen Rider, provocando um evento que pretende trazer a criação através da destruição.

Natsumi tem a premonição do fim do mundo nas mãos de Decade!

Após monstros de todos os mundos ameaçarem o mundo de Tsukasa com os efeitos especiais mais incríveis de toda a história tokusatsu, Natsumi encontra o cinto de transformação do herói e um misterioso homem diz a Tsukasa que ele deverá viajar através de todos os mundos para restabelecer a paz em cada um deles e parar a destruição do seu.

O problema disso tudo é que em cada um dos nove mundos, Kamen Rider Decade é conhecido como “aquele que exterminará a todos os Riders”, provocando sempre muitas disputas com cada um deles antes que o problema que assola o mundo de cada um seja resolvido.

UM KAMEN RIDER QUE ESTÁ SÓ DE PASSAGEM

Não só pelo início com um enredo diferente de todas as séries da franquia já produzidas, mas pela sistemática adotada nos episódios onde não haviam o “monstro da semana” e sim um problema que percorria episódios duplos, Kamen Rider Decade surpreende pela audácia de sua concepção.

Porém, o que parecia algo cânone, unindo todas as nove séries anteriores, onde a maioria não contém nenhuma ligação entre si, começou a carecer de consistência a cada novo Rider que aparecia em cada um dos mundos, que a não ser pela armadura e pelo contexto do mundo não tinham nenhuma relação com a série que dava o nome ao personagem.

Com Riders alternativos que só existiam em Decade, a série seguiu até completar todos os mundos da Era Heisei e a partir daí quebrar o conceito inicial de nove mundos, criando novos mundos que apesar de muito interessantes, como o crossover de Riders e Sentais no mundo de Shinkenger e a participação do ator Tetsuo Kurata que reviveu seu papel como Kamen Rider Black e RX, quebraram a premissa do início da história.

Épico! Kamen Rider Black e RX voltam a ativa depois de quase 20 anos!

As coisas ainda pioraram com o fim da história contada num mundo onde os mundos se unem mas não é o mundo inicial da história, e os outros dois fins alternativos criados no filme All Riders vs Dai Shocker e Movie Taisen 2010.

Cada novo elemento bagunçado incluído da na história que nem a mente mais criativa dos fãs era capaz de encaixar de forma contundente, faz com que a frase que Tsukasa dizia a cada novo vilão que enfrentasse “Sou um Kamen Rider que está só de passagem”, fosse uma pista da inexistência de um fim para a história.

ANJO OU DEMÔNIO

A primeira coisa a se pensar de Kamen Rider Decade é uma história ruim, feita como mais um caça-níquel da Toei (o que não deixa de ser verdade), mas engana-se quem pensa que todos os inúmeros erros de concepção de Kamen Rider Decade possam privar a série de uma qualidade sem precedentes.

Com personagens cativantes, histórias que conquistam a todos os públicos e um protagonista com uma postura estranhamente indiferente e heróica ao mesmo tempo, as lições e os valores que Decade passa a cada episódio são tão profundos quanto divertidos de se assistir.

É incrível pensar como os produtores não conseguiram dar um fim de verdade a série, após assistir a todos os episódios e filmes é fácil encontrar todos os elementos e ganchos que criariam algo épico.

Decade carrega uma homenagem de mais de 40 anos da franquia Kamen Rider!

Kamen Rider Decade é uma história para curtir, para gostar, para delirar, mas não para se entender. Com tantos efeitos pós-Decade (como a criação de Gokaiger e o futuro filme já anunciado pela Toei estrelando Tsukasa), a série é a prova cabal que assim como na filosofia não são as respostas que movimentam o sucesso de uma teoria, mas sim a quanto ela possível de ser teorizada.

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Uma resposta para “RESENHA: Kamen Rider Decade

  1. Rafael Kaen maio 3, 2012 às 11:55 pm

    Pra toei foi uma maravilha, venderam muito brinquedo!

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