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o blog do Davi Jr.

Saint Seiya Ômega: primeiras impressões

Estreiou nesse 1º de abril (é verdade!) a nova animação produzida pela Toei Animation da meteórica franquia de Saint Seiya, ou Os Cavaleiros do Zodíaco no ocidente, intitulada Saint Seiya Ômega. Após tanta repercussão com diversos elementos que comporiam a série e uma avant-premier que entrou para a história da nipo-animação no Brasil, é hora de avaliar as primeiras impressões do trabalho final, que mesmo planejado para durar 52 episódios, já dá seus primeiros sinais de sucesso.

O ENREDO

Certamente o maior dos medos dos fãs de longa data residia no enredo que a trama traria para a franquia. A data escolhida para se passar a história (nos tempos atuais em 2012) e a envelhecimento que todos os personagens sofreriam já soava desagradável. Após saber de um novo Pégaso, de um filho de Shiryu e de um inimigo com cara de Digimon, a tensão só aumentou.

No primeiro episódio, não aconteceu nada que abalasse o conceito geral da obra. Kouga, um jovem criado na Mansão Kido por Saori e treinado por Shina de Cobra (ou Serpentário, no original) se recusa a se tornar um cavaleiro por não saber exatamente do que isso se trata. Sem conhecer Seiya, ele pouco se importa com o fato de ter sido criado quando criança por ele.

Se o treinamento que ele recebe não é o que mais lhe agrada, o jovem nutre profunda admiração por Saori, que o criou desde bebê. Apesar de não deixar claro no primeiro episódio, a deusa está sofrendo de algo que deixa seu corpo com uma aparência muito próxima das galáxias que formam o corpo de Marte, o vilão da história que, até onde se sabe, matou Seiya quando este tentou matar Kouga.

Sem Santuário e concentrado na conceitualização do protagonista e nos conceitos básicos da história (como a fonte da Cosmo Energia) que os novos telespectadores do Japão não estão acostumados, o episódio terminou com Kouga vestindo a armadura de Pégaso, que não tem mais a forma object e nem urna, agora guardada dentro de um cristal que Saori lhe entregara pouco antes de Marte ressurgir, vencer Shina e tentar sequestrar a deusa Atena.

Seiya agora veste a armadura de ouro de Sagitário!

Terminando com aquele gostinho de “quero mais” que a série clássica tanto tinha e que as novas produções da franquia pouco conseguiram alcançar, o início de Saint Seiya Ômega começou diferente de tudo o que já foi visto em Saint Seiya, mas com o espírito que todos os fãs queriam ver.

A ANIMAÇÃO

Um dos grandes impactos do anúncio da nova série foi a profunda transformação que alguns personagens passaram com o novo traço adotado pela Toei Animation. A nova roupagem não só deu nova cara aos personagens já conhecidos dos fãs, como também redefiniu as armaduras e o estilo do inimigo.

A começar por Saori e Seiya, que agora com 38 anos deveriam trazer um traço mais maduro caso alguma mudança nos seus traços fossem feitos, o novo conceito foi simplificado demais. Mesmo com os olhos parecidos com o que eram desenhados na série clássica, o formato da boca, do nariz e a magreza do corpo chegam a incomodar.

O perfil até colabora para o design de novos personagens, mas parece ter tirado aquele ar doce e sereno que Saori costumava ter e a emoção latente que o rosto de Seiya sempre expressava. A impressão que dá é que os desenhistas preferiram “caprichar” no traço de Kouga para que este logo se destacasse entre os novos telespectadores da saga e logo ganhassem sua preferência.

Mas nem tudo são rosas negras, pois a qualidade da animação surpreendeu muito. Apesar do traço utilizado ser muito próximo das produções mais infantis da Toei, a série é madura o suficiente para agradar a fãs de todas as idades, tanto em enredo quanto em qualidade de imagem.

Mais madura, o traço de Saori Kido, a Atena, estranha a primeira vista.

A qualidade movimentação dos personagens enche os olhos de qualquer um que assista ao episódio, principalmente após um trabalho tão estático da Toei com OVA’s das fases Inferno e Elíseos de Hades. A somatória da dinâmica com o traço ainda não chega ao nível de estúdios como o Mad House ou Studio Ghibli, mas estão na mesma qualidade das atuais animações do Estúdio Pierrot.

A TRILHA SONORA

Para quem esperava uma nova música de abertura, “caiu do Pégaso” quando foi anunciado que Pegasus Fantasy seria mais uma vez o tema de Saint Seiya. Depois, mais uma queda sofreram todos que escutaram a versão cantada por Shoko Nakagawa (nova dubladora da Saori) e Nobuo Yamada.

Começando por um melodia leve e emocional por Shoko, a música ganha toda a força e o dinamismo da voz de Nobuo Yamada, entrando em êxtase total com a combinação dos dois no refrão da música.

E como BGM’s (Background Musics), foram utilizadas muitas músicas inéditas e novas roupagem para velhas trilhas conhecidas do público compostas pelo premiado compositor Seiji Yokoyama ainda nos anos 80 durante a produção da série clássica.

DESTAQUES E DESASTRES

Algo muito, mas muito interessante aconteceu após eu assistir o primeiro episódio de Saint Seiya Ômega: nunca, em já quase 20 anos como fã da série, eu havia notado como a personagem Shina de Cobra é interessante. Extremamente habilidosa, honrando seu título de amazona de prata com capacidade para ser mestre, a breve troca de golpes com Marte e a sua astúcia ao treinar Kouga demonstraram como ela foi uma personagem mal aproveitada durante todo o desenvolvimento da série clássica.

Também temos o detalhe da armadura. Armadura essa que ainda parece estranha de se guardar num pingente de um colar. Atire uma pedra o fã que nunca ficou analisando parte por parte os encaixes do object da armadura no cavaleiro. Masami Kurumada, o autor da série, fez escola ao criar as armaduras que desmontadas se tornavam figuras de constelações, mas parece que a nova geração de fãs não terá tal experiência.

Com tal alteração na montagem das armaduras, fica inclusive uma dúvida nos produtos a serem lançados. O hobby de montar um Cloth Myth é comparável ao de colecionadores de automodelismo, que transpassa para a figura um pouco da sua paixão pelo esporte. Será que os novos bonecos da Bandai trarão junto com o novo conceito do anime uma nova forma de action figures de Os Cavaleiros do Zodíaco? É esperar para ver.

E já que o assunto são armaduras, muito interessante a ideia que adotaram para Kouga, Shina e os outros protagonistas. Próximo do que era na série clássica, porém mais dinâmico e arrojado, os trajes são perfeitos para cair no gosto da garotada japonesa e ser aprovadas pelo fãs da velha guarda.

Shina foi o destaque do primeiro episódio!

Como o traço das armaduras varia bastante de acordo com o autor que escreve para a franquia (vide o Episódio G) é muito viável que Ômega não repita as velhas fórmulas da série original. O único porém foi a armadura de Sagitário de Seiya: as asas muito retas e a espécie de cachecol que fica no colarinho da armadura ficaram um tanto quanto exageradas, não acompanhando o dinamismo das demais armaduras.

Outro ponto positivo foi Kouga, que mesmo carregando nas costas o legado de Tenma e Seiya, conseguiu se mostrar um protagonista interessante, com um passado a ser conhecido e uma personalidade contestadora capaz de chamar a atenção de novos fãs e honrar a armadura de Pégaso.

Não que a proposta da série consiga me agradar, mas o enredo em geral foi muito positivo dentro da mesma. Toda a história precisa de um motivo para ser contada, e a de Saint Seiya é a história de Seiya. É difícil imaginar que após tantos fenômenos ocorridos com os cavaleiros nos anos 80, o ciclo de Guerras Santas continuaria, o final de Saint Seiya sempre me pareceu perpetuar o fim da história. Logo, a história de Ômega me parece algo incabível, do nível de fanfics sonhadoras que gestalticamente quiseram seguir com a história com os cavaleiros de bronze na vestimenta de ouro.

Porém a proposta da série está aí e não adianta colocar as possibilidades virtuais que a série clássica dá para seguir com o enredo. Para avaliar Ômega, é necessário tomar por base a essência do universo de Ômega.

Kouga sente o peso de se tornar cavaleiro.

COSMO FINAL, AFINAL

Saint Seiya Ômega nasceu em um momento oportuno, e por isso mesmo é uma série oportunista. Não que isso seja ruim, todo anime é criado para gerar retorno para todas as partes envolvidas e a comemoração de 25 anos da série (na verdade em 2012 já são 26!) é uma situação que não pode ser disperdiçadas.

Para a Toei, criar algo novo de Saint Seiya é sempre uma maneira de colocar os holofotes em cima dela, a obra é consagrada dentro e fora do Japão e, com excessão dos EUA, é (junto com Dragon Ball Z) o principal cartão de visita do estúdio em todo o mundo.

O formato adotado em Saint Seiya é claramente voltado ao público internacional, com personagens com nacionalidades dos principais países em que a franquia faz sucesso, inclusive o Brasil.

O tom da série é muito próximo da emoção passada pela série clássica, ponto que considero o mais relevante em sua produção. Os efeitos especiais estão dentro do parâmetro que os japoneses costumam assistir, os personagens são cativantes e o ambiente é propício para que a franquia ganhe novos fãs no Japão e no mundo.

São apenas dois os pontos que podem barrar o sucesso da série. O traço muitas vezes é irritante e infantil, com narizes pontiagudos, falta de detalhes e certas deformidades, imperceptíveis para crianças abaixo de 10 anos, mas que incomodam os fãs de animação de longa data.

E por fim, o enredo que, apesar de bem contado, mediocriza a franquia no geral, transformando-a cada vez mais em produto (como são os tokusatsus da Toei, as séries Digimon e as produções de Transformers) e menos em fantasia, utilizando-se do racional sistema de Guerras Santas que Masami Kurumada criou para dar continuidade a série ao invés de encerrá-la como um épico.

Írá Kouga dar continuidade ao legado do lendário Seiya?

Sabendo como os japoneses são mestres na arte de contar histórias, é certo que Saint Seiya Ômega será mais uma produção genial. Mas se ela terá a mesma força motriz que comoveu o mundo e se ela é digna de continuar o legado iniciado nos anos 80, só o tempo irá dizer ao longo dos próximos 51 episódios da série.

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8 Respostas para “Saint Seiya Ômega: primeiras impressões

  1. luiz maio 4, 2012 às 6:10 am

    Eu não gostei muito, essa coisa de elementos e as armaduras agora serem ”guardadas” em um pingente e não nas urnas como eram em Saint Seiya e o Marte não parece nem um Deus nem um humano, parece mais um digimon ou um ser mecanico sei lá, o fato é que ele é muito estranho, fora que as armaduras ficaram parecendo mais umas roupas com adereços do que uma armadura de fato. Eu só venho acompanhando para saber como estão os atuais cavaleiros, o Seiya já vimos que assumiu a armadura de Sargitário, o Geki virou instrutor do High School Musical,eita, foi mal, ele é instrutor da Palaestra(oq é outra porcaria, o massa dos cavaleiros no início era saber como cada um conseguiu a sua armadura, os treinamentos específicos para cada cavaleiro, como o Ikki na ilha da rainha da morte, o Shun na ilha de andromeda, o Geki matando ursos com as mãos, o Yoga na Sibéria, ou seja, treinamentos que justificavam suas técnicas, aew eles jogam essa de elementos que tirou a graça das técnicas tradicionais dos cavaleiros e ainda tem a escolinha dos cavaleiros que a Saori criou, aff), o cavaleiro de hydra, que não lembro o nome, continua cavaleiro de bronze mesmo coroa e continua fraco como de costume, pior até do que antigamente, e que o Shiryu não pode mais lutar e tá cegueta(sério que ele tá cego ? acho que vimos ele mais cego do que enxergando hehe), falta agora sabermos dos outros cavaleiros, que rumo tomaram o Ikki, o Shun, o Yoga, o Jabu, a Marin, enfim os outros cavaleiros!

  2. Yumi Chan junho 25, 2012 às 1:31 am

    Acho ridículo criticarem CDZ omega… Não é ruim é apenas diferente, uma novidade! Muitos alegam que é infantil, “modinha” e etc… Mas não é nada disso, até porque é algo inovador, ao contrário de “modinhas” clichês de verdade… As criticas ao character design idem… Eu meio que estranhei no início por estar acostumada com a série classica, mas longe de achar ruim, por sinal o desenhista de SS omega é um dos meus favoritos! (Ele desenhou Casshern Sins)! E a história foi criada pelo próprio Kuromada (Criador de CDZ)! Ele apresentou a história de Kouga no Next Dimention…

  3. Peruibense julho 4, 2012 às 3:43 am

    Peraí, o Seiya morreu? Pô, faz anos que torço para que ele e a Shina se entendam !!! Podia ser agora …

  4. camila julho 25, 2012 às 10:52 pm

    Olha o que o luiz disse eu concordo plenamente! estou acompanhando a serie via online! gosto da serie classica desde os meus 4 anos hoje estou com 22 e é meu hobby afinal anime é uma forma de arte! e não vejo problema nisso; continuo gostando do anime até hoje! bom aprovei a saga de hades/elisios gostei até o final; Mangas tenho quase todos; gostei comprei os dvds! e aprovo a saga hades, que teve muito igual a classica serie, mas esse ainda bem que vi primeiro na net, porque até agora não me empolgou não; Acho que não tem muito carisma como o classico que tinha sangue/suor/rock n’ roll. E tambem sinto falta do traço carismatico e preciso de shingo araki morto no final do ano passado! uma pena salve pro shingo! mas vou continuar acompanhando pela net, fazer o que, se curiosidade de fan é foda!

  5. camila julho 25, 2012 às 10:56 pm

    ah esqueci de dizer que tá foda sem o ikki (e o hyoga tambem) tá fazendo falta pra karai porque até agora não o vi nenhum dos dois mas estou esperando so pra matar saudade desse personagens fodas!

  6. Pingback: RESENHA: Os Cavaleiros do Zodíaco Ômega, o arco de Palaestra « NEXT CONQUEROR

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