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RESENHA: Thor

A lenda diz uma coisa, a ciência outra, mas há pontos em que elas se confundem. A crença, a fé e a realidade dependem de pontos-de-vista onde está em jogo a inocência ou maldade.  Thor ganhou vida para completar o ciclo de produções estreladas pelos fundadores de Os Vingadores, porém a magnitude com que a história foi contada transformou ele não no quarto filme de uma saga, mas num verdadeiro épico do cinema.


DA MITOLOGIA ÀS HQ’S

Nos anos 70, quando Stan Lee vivia a efervecência de sua criatividade, a produção e o desenvolvimento de heróis da editora Marvel sempre movimentava novas alternativas de universos e idéias a serem construídas.

Num ambiente propício para se apostar em novos universos e o amparo de idéias semelhantes da sua tradicional concorrente, a DC Comics, com heróis como a Mulher Maravilha, surgiu o primeiro herói da Marvel baseado em mitologia, nascia Thor.

Como o próprio nome do herói diz, Thor foi baseado no deus nórdico do trovão, filho de Odin e uma das figuras mais carismáticas e populares de tal mitologia nos países ocidentais.

Transmutando o universo mitológico para adaptá-lo as histórias em quadrinhos, Thor virou um misto de deus e humano, onde a medida que suas histórias avançavam elementos clássicos da mitologia nórdica e as maiores tendências dos quadrinhos se fundiam e, como nas diversas HQ’s, arcos contados e recontados se tornaram comuns.

Para levar a origem do herói até os cinemas, o diretor (e de quebra ator renomado também) Kenneth Branagh colheu todos os elementos que o herói reuniu por toda a sua história e, reunindo um elenco de primeira linha, deu origem ao maior filme do Universo Marvel já produzido.

Anthony Hopkins é o Odin do cinema.

UM TROVÃO DE PRODUÇÃO

Sempre que um filme de super-heróis conta com um elenco famoso demais, a tendência é que as personalidades nele envolvidos chamem mais a atenção do que a própria história. Mas com nomes de peso como Anthony Hopkins como Odin, Natalie Portman como a cientista Jane Foster e Rene Russo como Frigg, fica dificil de apostar num roteiro fraco.

Pegando o que cada um dos três filmes anteriores a Thor tinha de melhor e dando um toque de drama e emoção que vemos em todos os filmes de Kenneth Branagh como ator, Thor não foi desenvolvido, foi lapidado.

O drama de Homem de Ferro (leia a resenha aqui) foi aprimorado, o carisma dos personagens de O Incrível Hulk (leia a resenha aqui) foram mais variados e a qualidade dos efeitos especiais de Homem de Ferro 2 (leia a resenha aqui) foram superados.

Com mais ação, mais efeitos especiais, mais personagens, mais enredo e humor na dose certa, Thor é o filme ideal para agradar fãs quadrinhos, adoradores de ficção e o público casual do cinema.

CONFRONTO ENTRE IRMÃOS

Em duas horas seria dificil com que a história original dos quadrinhos pudesse ser desenvolvida em sua totalidade, mas as adaptações para o cinema foram bem fiéis ao conceito do herói e as mudanças foram essenciais para seu bom desenvolvimento.

Como filho favorito de Odin, Thor está prestes a receber o título seu pai Odin de rei de Asgard, um dos nove mundos previstos na mitologia nórdica (a Terra, ou Midgard, é um deles), quando gigantes de gelo atacam o castelo onde é feita a cerimônia.

O amadurecimento de um herói é abordada em Thor.

Dissoluto com o que aconteceu, Thor parte com Sif, os grandes três guerreiros e seu irmão Loki para vingar o acordo de paz que o rei dos reino dos gigantes de gelo, Laufey, acabara de quebrar com a invasão de Asgard.

Na verdade Thor age despeitado com situação, age com o orgulho ferido por os gigantes de gelo terem impedido sua coroação como rei. Com um invasão sem a aprovação de Odin, o deus supremo de Asgard não vê outra alternativa senão exilar o filho na Terra, onde deverá ser humilde o suficiente assumir o poder de rei.

Enquanto Thor, sem poderes, é ajudado na Terra pela cientista Jane Foster, Loki descobre que foi adotado por Odin e seu pai biológico é, na verdade, o próprio Laufey. Usurpando o posto de rei de Asgard de Odin, Loki inicia um meticuloso plano para aniquilar o irmão e invadir o reino dos gigantes de gelo, indo contra todos os preceitos que pai adotivo lhe ensinou.

A disputa de poderes, de orgulho e a volátil relação entre pai e filho é um ponto alto do filme, fazendo com que o espectador reflita, na condição humana, que de nada adianta ser deuses quando a disputa envolve a relação afetiva.

ELEMENTOS QUE CATIVAM

O universo da mitologia sempre foi fascinante e a riquesa de seus elementos é a premissa ideal para qualquer história. Em Thor, os elementos foram utilizados de maneira concreta e concisa, além de fazer a combinação ideal com elementos não apenas nórdicos, mas de todo o universo Marvel.

As referências aos outros heróis dos Vingadores são inúmeras, fazendo o fã de quadrinhos se divertir a medida que elas vão aparecendo, tendo como ponto máximo a primeira aparição de Gavião Arqueiro, um membro já recrutado pela S.H.I.E.L.D que comparilhará um lugar com os membros da super equipe da Marvel.

Loki é invejoso irmão de Thor!

Mas a riquesa de elementos não pára por aí. Cada elemento posto no filme tem a sua razão de ser, metaforizando diversas situações de comportamento, relacionamento e questões existenciais.

A medida que o filme avança e a medida que os laços existentes entre o galanteador Thor e apaixonada Jane Foster vão se estreitando o vaidoso, o arrogante e orgulhoso Thor vai amadurecendo, entendo grande parte do exílio que
seu pai o obrigou a fazer.

A personalidade ascendente de Thor é confrontada pelas atitudes frias e egosistas de Loki, que como rei, torna-se autoritário e absoluto, ainda que inteligente e preciso em seus planos.

A analogia do verdadeiro poder de um rei que Odin tanto quer que os filhos entendam é grandiosa a partir do momento que Mjonir, o martelo que contém o poder de Thor, se torna a grande analogia para tal.

Para finalizar, o filme ainda transforma Thor em um mártir, algo que não só cativa, mas eterniza um herói no cinema. Percebendo que nã poderá deter as maldições de Loki em destruir o mundo dos Gigantes de Gelo, Thor decide se privar de seu amor por Jane Foster, destruindo os caminhos que ligam Asgard a outro mundos.

A ponte entre os mundos faz uma metáfora aos caminhos para se conseguir o que ama. A parir do momento que Thor a destrói, ele sacrifica seus interesses por algo maior que a própria felicidade, entendendo o verdadeiro papel de um rei.

Apesar de o espectador já saber que tal sacrifício será quebrado em Os Vingadores, é impossível não se emocionar com tal atitude, onde a perspectiva de um deus loiro fortão é substituída pela de um grande herói.

Enquanto isso, há o paralelo de Jane, que procurava respostas como cientista. Thor foi sua maior resposta, mas com a separação dos dois ela continua buscando-o, assim como o amor sempre busca continuar a conquistar a pessoa amada.

O amor por Jane Foster faz Thor desenvolver a humildade necessária para se tornar rei.

PELOS PODERES DE THOR

Certamente não foi fácil para Kenneth Branagh conceber o filme de Thor. Com tantas referências mitológicas e um visual tão fora do comum, o herói parecia impossível de se encaixar ao contexto dos outros Vingadores. Mas a adaptação foi tão bem feita, o herói que mais parecia longe da realidade, se tornou o mais crível de existência.

Apesar do contexto complexo, a combinação entre Asgard e a Terra foi ricamente ilustrada, trazendo o universo de Thor para o espectador comum como algo fascinante e animador para futuros filmes da franquia, seja junto ou separado do projeto da S.H.I.E.L.D.

Cheio de ideologia e contado da maneira como todo filme de super-herói deve ser contado, a produção mostra que Hulk pode até ser o mais forte, o Homem de Ferro o mais inteligente e o Capitão América o mais patrióta, mas nada supera o coração d’O Poderoso Thor.

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2 Respostas para “RESENHA: Thor

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