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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Getsumen to Heiki Mina

Em dias de grande apelo midiático, se torna cada vez mais comuns que histórias se tornem franquias e estas, por sua vez, dêem origem a diversas outras formas de interação para a aprovação de cada vez mais nichos de públicos e mercados. Os grandes hits mundiais estão aí para provar que quando bem trabalhado, não mercado que não possa ser atingido. Do mesmo modo, Getsumen to Heiki Mina dá a receita ideal para quem quer afundar um hit: jamais vender morangos para quem quer cenouras…

UM INÍCIO INESPERADO

A concepção de um anime no Japão pode ser oriunda de muitas variáveis: mangás, games, cards, projetos de estúdio, grandes escritores, autores ou só mais um tapa buraco na grade da TV japonesa. Porém, com Getsumen to Heiki Mina a derivação foi um pouco além do que já se havia visto.

Quando foi exibido na tv, o seriado Densha Otoko (clique para ler a resenha aqui) chamou a atenção do público nipônico por sua maneira inteligente e divertida de tratar o romance inesperado entre Saori Aoyama, uma jovem filha de um casal milionário, e  Yamada Tsuyoshi, um otaku que sofre o preconceito hipócrita do Japão.

Entre as excêntricidades que Yamada fazia durante toda a série era assistir a um anime de uma garota com foguete em formato de cenoura que protegia a Terra do ataque de alienígenas, nascia Getsumen to Heiki Mina.

Logo de início, a abertura do seriado já era ilustrada com uma rica animação de Mina, com a personagem voando por entre frutas, aliens e trens, com uma qualidade altamente detalhada e grandes efeitos especiais que faziam até o otaku mais purista a querer assistir o anime que o protagonista de Densha Otoko tanto idolatrava.

Percebendo o ouro comercial que tinha nas mãos (as miniaturas de Mina, iguais as que Yamada tinha em seu quarto já estavam vendendo toneladas no Japão), o estúdio Gonzo, estúdio de animação que auxiliou na realização de Densha otoko, começou a produzir um anime de Mina. Porém…

QUERO SER REPÓRTER!

Com um nome e uma temática muito comum nos seriados tokusatsu e em animes dos anos 70 e 80, Getsumen to Heiki Mina parecia ser um anime que seguiria uma linha de história padrão dos animes no Japão, com um enredo voltado a salvar o mundo com uma heroína corajosa e que todas as crianças desejam ser. Porém, logo de início, as coisas pareceram ir para outro rumo.

Graças a um concurso em sua escola Mina Tsukuda ganhou um lugar na bancada de um programa jornalístico esportivo na tv local de sua cidade. Tudo isso não passaria de um jornalismo normal se os jogos esportivos não fossem o alvo de alienígenas que, fanáticos pelos esportes do planeta Terra, único local no mundo a realizar tais competições, vêem a Terra para sequestrar jogadores ou protestar por bons espetaculos.

Apesar de o Japão sempre ter sido protegido por Ootsuki Mina, uma guerreira da verdade e da justiça que usa os poderes das frutas para derrotar os aliens, a Força Coelho escolhe Tsukuda para se tornar Tsukuda Mina, que graças aos betacarotenos presentes nas cenouras do planeta Terra pode usar poderes especiais e livrar o mundo de uma vez por todas das ambições dos seres extra-terrestres.

JU JITSU

Getsumen to Heiki Mina ressalta vários pontos dos fetiches japones: seios fartos, jovens inocentes protagonistas em diversas poses sexys, amores platônicos, chefes intolerantes, esportes, super-heróis, robôs, alienigenas e diversos outros elementos misturados em uma comédia forçosa e superficial.

A qualidade da animação é muito inferior ao da abrtura de Densha Otoko.

Mesmo os pequenos mistérios que envolvem a protagonista, como a presença dos genes de Mina em seu DNA, a origem da Força Coelho e a identidade secreta do maior destaque sa série, Ootsuki Mina, não conseguem comover ou prender a atenção do espectador.

Um dos muitos pontos que foram abordados explorados em Densha Otoko é o comportamente “Moe“, uma gíria japonesa para otakus que nutrem um amor platônicos por personagens de animes e seus derivados, chegando ao ponto de virarem seguidores de suas dubladoras e ficarem excitados ao menor sinal sexual que a personagem insinue.

Chun-Li, May Shiranui, Serena Tsukino, Chichi, Bulma. Todas elas são símbolos do Moe. Os seios fartos, as curvas e os biotipos de Tsukuda e das outras Minas após suas transformações exploram bem esse lado do fã, mas o conteúdo por trás do anime chega a por em dúvida se mesmo os personagens cheios de Moe como os de Densha Otoko acabariam realmente desenvolvendo um amor platônico pelas personagens.

E se o Moe já é um ponto forçado, o que dizer do sensacional chute que a Mina dá no episódio 7 que os amigos de Yamada tanto comentam em Densha Otoko? O chute foi mais uma das muitas (quase todas) sequências mal elaboradas do anime, fazendo parte de mais uma de suas cenas cruas e deixando o mínimo de esperança dos fãs de Densha otoko por algo interessante em sua adjacência.

PYOOOO!

Casual, simples e sem mérito, essa é a melhor descrição de Getsumen to Heiki Mina.

Uma pena.

A variação de minas acontece para atingir a todos os público do Moe.

O anime tinha tudo para ser um sucesso de crítica e público, já que já nasceu com ambos já formados mesmo antes de ser transmitido pela primeira vez nas TVs japonesas. Se o vídeo de abertura fez Mina conquistar milhões de fãs asiáticos e ocidentais, os 11 episódios do anime frustraram até o menos exigente dos espectadores.

Com uma linha de história fraca e uma animação bem abaixo do tema de abertura de Densha otoko, Getsumen to Heiki Mina é a prova cabal que para o sucesso midático não basta que uma produção seja composta de idéias e preconceitos, mas de conteúdo e razão de ser, mostrando que a execução é a parte mais importante de qualquer estratégia de marketing, fazendo o insight de sucesso apenas mais um detalhe no grandioso, porém exigente mercado de animação mundial.

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