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RESENHA: Naruto, a saga da ponte

Japoneses sempre foram especialistas em contar histórias. Seja em mitos milenares passadas verbalmente de geração em geração ou no atual formato do mangá em preto-e-branco, os heróis, vilões e dramas vividos em cenários deslumbrantes fascinam a todo aquele que conhece seus contos. Nos últimos 40 anos, a principal revista a conquistar leitores de todas as gerações e levar o Japão para o mundo é a Shonen Jump, que tem como seu mais recente fenômeno mundial o ninja loiro Naruto, que assim como a publicação em que foi concebido inicia sua história com uma ponte entre dois mundos: o da fantasia e o da responsabilidade.

O INÍCIO

Naruto é uma história que começou a ser serializada semanalmente desde 1999, ganhando animações, games e diversas outras obras de analise, apreciação e/ou universos paralelos. Com uma gama tão grande quanto essa, para se fazer uma resenha da história, é necessário dividí-la em partes, tal qual foi como em Bleach (leia a resenha aqui). Para dar início a sequência de textos, a primeira saga abordada será a Saga da Ponte, história na qual Naruto e a Equipe 7 precisam ajudar o construtor Tazuna a construir uma ponte no país das ondas.

Num mercado competitivo como o japonês, não é fácil emplacar uma grande história como a de Naruto, que já se extende por mais de 50 volumes encadernados. A quantidade de revistas é muito grande e o número de autores maior ainda. A entrada e saída de história todos os meses é sempre muito grande e o mercado tem sempre muitas novidades a escolher.

Mesmo na Shonen Jump, não são raros os casos em que as histórias precisam ser interrompidas, encerradas ou trocadas de revista pela baixa aceitação do exigente mercado japonês. Assim, para se conquistar o público, não basta escrever qualquer coisa, antes é preciso construir um mundo interessante aos olhos de quem vê e uma trama que prenda a atenção de quem lê.

Naruto começou com tudo isso, por isso a Saga da Ponte é considerada por muitos como o melhor arco do ninja loiro, mesmo que esta tenha influenciado pouco no desenrolar da história.

A Equipe 7 reunida: quatro personalidades que se completam.

O arco tem um papel básico, comum na grande maioria dos mangás shonen, apresentar o universo da história e seus protagonistas, mas a diferença deste para o de outros mangás é que o autor da história soube construir muito bem uma história que prendesse a atenção do leitor a medida que, aos poucos, ia apresentando os elementos que serviriam de base para os arcos seguintes, além de distribuir as personalidades de seus protagonistas de maneira equilibrada e a fim de alcançar uma gama bem grande de público-alvo.

A TEORIA DOS PERSONAGENS

O leitor veterano de mangás já deve ter percebido que sempre há personagens de estilos em comum em diversas obras. Sempre há o corajoso, o irritadiço, o mais frio, etc. Isso porque a maioria dos autores japoneses se apóia na teoria humoral, muito utilizada até alguns séculos após a Idade Média para avaliar os comportamentos do ser humano, para construir seus personagens.

Divididas em quatro elementos básicos, a teoria humoral ainda pode dar origem a “n” outros tipos de humor a partir de suas combinações. Dentro da Equipe 7, equipe a qual o protagonista da história entra após se formar na academia ninja, logo no primeiro capítulo do mangá, é possível ver os quatro tipos básicos em sua forma mais pura:

Não surpreendentemente, Naruto é o personagem de origem sanguínea. Esse é o esteriótipo do personagem protagonista seguida na maioria dos mangás shonen: corajoso e destemido o personagem costuma agir muito e pensar pouco, sempre tomando a iniciativa e tomando as rédeas da situação. Naruto encarna este personagem, mas também sofre com isso, diferente de Goku, Seiya ou Yusuke Urameshi, na Saga da Ponte o ninja loiro ainda não tem maturidade para lidar com aquilo que desafia, sendo muitas vezes alvo de gozação dos colegas ou, em sua vida comum, de toda a Vila da Folha. A história gira em torno de seu desenvolvimento para realizar seu sonho de se tornar um Hokage, o líder ninja máximo da vila onde vive.

A rivalidade de Naruto e Sasuke dão vida a história.

Rival de Naruto, o último membro do clá Uchiha, Sasuke, é o personagem do tipo colérico. Irritadiço, agressivo e idealista, este tipo de personagem costuma guardar profundas mágoas em seu interior que o leva a pensar demais enquanto age muito. Isso o deixa angustiado e muitas vezes contraditório em suas ações, o que o leva a ficar ainda mais irritado. Sasuke nutre um profundo ódio por seu irmão, o assassino de todo o seu clã e por isso, ainda criança jurou vingança a ele, o que o faz se afastar cada vez mais das pessoas apesar de beleza atrair muita popularidade entre as garotas da academia ninja.

Sakura fecha o trio genin, o nível mais baixo na escala ninja, com sua personalidade melancólica. Esse tipo de personagem é aquele pensa muito antes de agir e mesmo assim ainda age pouco. O autor enfatiza muito essa personalidade da garota criando a “Sakura por dentro”, a cada quadro que Sakura expressa um sentimento diferente do que seria o esperado, sua personalidade verdadeira é mostrada junto de muitos kanjis para expressar seus reais sentimentos. Principalmente na Saga da Ponte, a apaixonada garota mostra-se sempre muito na tangênte da história, cumprindo seu papel básico enquanto o autor desenvolve o amadurecimento de Naruto e Sasuke.

Fechando os quatro tipos básicos de personalidades e liderando a Equipe 7, está Kakashi Hatake, o personagem do tipo racional. Sempre calmo e maduro, o ninja de nível jonin, o mais alto da escala comum de graduações, muitas vezes faz pouco caso das ações ou inações de seus três subordinados, chegando a treiná-los aos mesmo tempo que lê o seu livro favorito, o Jardim dos Amassos, impróprio para menores de 18 anos. Conhecido como o Ninja que Copia, Kakashi é o tipo de personagem frio, que pensa muito antes de agir e sempre tem a situação sob controle, mesmo quando, escoltando Tazuna, acaba preso em uma armadilha do inimigo.

ANTAGONISTAS QUE COMOVEM

Se uma boa gama de protagonistas é necessária para que o leitor se identifique com a obra, são os antagonistas e o plano de fundo da história que o fideliza.

Kakashi foi o personagem mais popular da Saga da Ponte segundo o ranking realizado pela Shonen Jump!

Naruto começa sua história de maneira muito próxima do leitor, em uma acadêmia ninja que mais parece um colégio comum do Japão. Depois de traçar alguns dos elesmentos que permeiam o contexto da história, esta parte parte para o ambiente que os leitores desejam como escape de sua vida cotidiana: aventura, florestas e perigos.

Além disso, a Saga da Ponte ainda nos apresenta personagens comoventes que muitas vezes passam por dramas próximos aos do público-alvo. A que mais vale ser destacada é a do garoto Inari, o neto de Tazuna que não acredita em heróis.

Quando criança, Inari viu seu padastro, a quem ele considerava um herói, ser morto por Gatou, um traficante de drogas e produtos ilegais que utiliza o País das Ondas, que não possui Vila Oculta de Ninjas como é o país do Fogo que Naruto vive, como ponto estratégico para seus negócios. Naruto, smpre cheio de ideais, estabelece um grande contraponto com as crenças de Inari. Não são poucas as vezes que o ninja loiro dá várias lições de moral no garoto, mostrando que seu estado de latência em nada ajudará a realizar as mudanças que o padastro de Inari tanto desejava.

Essas lições sem pensar, muitas vezes infanis, que o protagonista solta em diversos momentos da saga e dos arcos seguintes, reforçam a construção do protagonista que Naruto quer ser, reforçando a imagem de personagem sanguineo, estabelecendo sua posição na história (que em tantos momentos tenta ser ofuscada pelas performances de Sasuke) e enchendo de valores a obra.

Escoltando Tazuna em sua construção de uma ponte que ligará o País das Ondas ao continente, a equipe 7 poderá prover certa liberdade e opções comerciais para o país oprimido.

A primeira vista, e a segunda também, Gatou pode parecer um vilão ordinário, sem graça. Mas é graças a ele que o leitor pôde ter contato com dois dos vilões mais interessantes qu Naruto já teve: Zabuza, o Demônio da Névoa Oculta e Haku, o gênio ninja capaz de fazer jutsus com apenas uma mão.

O sucesso de uma história muitas vezes depende da qualidade dos vilões!

Ambos os personagens foram a principal contribuição e a maior criação do autor para a Saga da Ponte e mesmo hoje, com mais de uma década de criação, a dupla se destaca entre todos os ninjas criados por Masashi Kishimoto.

Na tenativa de matar Mizukage e dar um golpe de estado no País das Águas, Zabuza passou a ser perseguido pelas tropas de elite da vila oculta do país, sendo obrigado a fugir e a fazer serviços para gente da estirpe de Gatou para ganhar dinheiro e sobreviver.

Antes de sair do país das águas, Zabuza levou consigo Haku, um menino que possuia uma Herança Sanguínea que o colocava em vantagem contra a maioria dos oponentes que enfrentasse.

As personalidades violentas dos dois personagens se choca diretamente com as grupo 7. Como um ninja frio e calculista, Zabuza vê em Kakashi o oponente ideal para aperfeiçoar suas habilidades, em contra-partida, o embate entre os dois acaba revelando o lado mais quente do Ninja que Copia.

A partir do momento que um ninja se forma na academia, este passa a ser um instrumento de sua vila, devendo deixar seus sentimentos de lado. Apesar de Kakashi parecer um retrato fiel disto, suas experiências no passado fizeram que seus ideais fossem além das regras da vila, acreditanto que um ninja deve lutar para proteger aqueles que ama.

Aumentanto ainda mais a proximidade de heróis e vilões, Haku compartilha da mesma ideologia de Kakashi, que numa luta épica contra Naruto e Sasuke mostra-se um ser muito mais sensível aos sentimentos que a máquina de matar idealizada por Zabuza.

O CAMINHO NINJA

A conclusão da saga, além de ser cheia de conflitos de ideais e de choque entre personalidades distantes que se aproximam com o tempo, ainda acrescenta uma reviravolta de proporções imensas que surpreende e emociona o leitor.

Naruto e o sonho de se tornar Hokage conquistaram o mundo!

Pondo todos os sonhos de Naruto em choque com as contestações de Kakashi e dos vilões, Masashi Kishimoto conseguiu não apenas criar um universo, mas fazer o leitor refletir sobre um mundo que apesar de aparentar ser pura fantasia, está muito próximo do mundo real.

A partir de todos elementos traçados, Naruto provocou o mundo ao perguntar ao leitor qual deve ser o significado do seu caminho ninja. Como fenômeno mundial, levou ao mundo a jornada de um garoto que quer descobrir o que é ser um herói de verdade.

Mesmo pré-formatado para ser sucesso, o autor provou que uma história pode ser bem contada e cheia de significado seja qual for o contexto que foi inserida, bastando ter o elemento chave que faz histórias de heróis, fadas e bruxas sobreviverem por séculos a fio: a busca e a luta pela realização de seus sonhos.

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7 Respostas para “RESENHA: Naruto, a saga da ponte

  1. Felipe fevereiro 18, 2012 às 11:20 pm

    É a saga que eu menos gosto. O Anime cresce muito em todos os sentidos após o crescimento e amadurecimento dos personagens.

    • nextconqueror fevereiro 20, 2012 às 6:58 pm

      E tem algo que a gente concorde? Hwahahahahahaha.

      No anime a qualidade continua a partir do exam chunin e até o Shipudden, mas no mangá a coisa é diferente… Kishimoto não consegue ordenar direito as coisas como o início, a narrativa do anime é legal porque ela é lapidada antes, mas no mangá…

      Bom, é melhor deixar para os próximos reviews ^^v

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