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o blog do Davi Jr.

RESENHA: A Bela e a Fera, Walt Disney

Os contos de fada são o alicerce de todas as histórias de ficção e fantasia dos tempos modernos. A cada vez que é contado, a história se transforma, ganha pontos e projeções do interlocutor, ganhando cada vez mais riqueza e contribuindo para a formação e a evolução natural da história no tempo e no espaço a qual está inserida. A Bela e a Fera dos estúdios Walt Disney é a representação máxima de um conto que se transformou com o passar de gerações e perpetuou seus personagens no imaginário de todo mundo todo, extendendo-se muito além de uma vida no interior.

UMA VEZ DISNEY…

Após a morte do gênio Walt Disney, fundador, principal diretor e produtor dos filmes e desenhos produzidos pelo estúdio que leva seu nome, os filmes canônes, principal animação do ano que entra para a linha clássica, da Disney tiveram uma queda significativa de qualidade, aprovação da crítica e do público.

Isso levou o estúdio a fazer diversas parcerias com outros estúdios nos anos 70 e 80, originando filmes interessantes, mas de pouco impacto para o público. O retorno de grandes produções de sucesso só viria em 1989, quando a Disney estreiou A Pequena Sereia, com direção de  Ron Clements e John Musker.

A Pequena Sereia ficou conhecido como o filme que renasceu a Disney, mas foi graças A Bela e a Fera que o sucesso inicial de Ariel pôde ser repetido várias vezes em todos os seguintes filmes do estúdio durante os anos 90.

Mesmo sendo sondados diversas vezes pela produtora, os diretores de A Pequena Sereia se recusaram a produzir A Bela e a Fera. Assim os escolhidos para a produção, após o então presidente da Walt Disney Studios, Jeffrey Katzenberg, ter recusado os storyboards iniciais ainda no fim dos anos 80, foram Kirk Wise e Gary Trouslade, que já haviam produzido filmes para serem exibidos no Epcot center, um dos parques do gigantexto Walt Disney World na Flórida.

Junto com a roteirista Linda Woolverton e os compositores Howard Ashman e Alan Menken, os mesmos de A Pequena Sereia e futuramente de Aladdin, o resultado do filme superou qualquer expectativa inicial transformando o conto original francês numa das obras mais cultuadas dos anos 90. O sucesso de crítica foi tão grande que A Bela e a Fera foi a primeira animação a concorrer ao Oscar de Melhor Filme em 1992.

As canções de Ashman, que havia descoberto recentemente que sofria de AIDS, o que levou a produção toda a realizar o filme em Nova York para ajudar na saúde do compositor, garantiram ao filme o Oscar de Melhor Trilha Sonora e o Oscar de Melhor Canção Original com o tema “Beauty and the Beast”.

MAIS QUE A VIDA NO INTERIOR

O primeiro tema do filme e também aquele que embala a maioria das trilhas sonoras variantes serve como apresentação de Bela, a jovem camponesa de um vilarejo francês que sonha com heróis, mocinhas bandidos e todo o tipo de fantasia que os livros da biblioteca podem lhe transmitir.

O sonho de quem quer ascender. Essa é a mensagem de da sonhadora Bela.

Apesar de ser a jovem mais admirada da cidade, Bela sempre recusava os pedidos de casamento dos homens da vila, principalmente do insistente Gastão, o caçador mais habilidoso (e menos inteligente!) das redondesas. Apesar de ser o galão mais desejado pelas donzelas da cidade, Bela via em Gastão um homem superficial, negligente com assuntos sentimentais.

O que Bela não imaginava seria que os contos que ela tanto se fascinava nos livros se tornariam realidade quando tivesse que salvar seu pai que, tão sonhador quanto a filha, acabou se abrigando num castelo escondido no meio de uma floresta quando sua carroça foi pega por uma tempestade mas acabou refém do dono do castelo, o aterrador Fera, que há 10 anos vivia isolado do resto do mundo após um feitiço que ele mesmo provocou.

UM CONTO RECONTADO

A história original de A Bela e a Fera é oriunda da França. Escrito e publicado por Gabrielle-Suzanne Barbot, a Dama de Villeneuve, em 1740. Mais tarde o conto foi reescrito por Madame Jeanne-Marie LePrince de Beaumont, que resumiu e modificou a obra de Villeneuve.

Apesar de grande parte dos elementos do filme da Disney estarem presentes nos contos originais, estes apresentam muitos pontos distintos que, como acontece na grande maioria dos contos-de-fada, acabam chocando quem está acostumado com o jeito Disney de narrar os contos-de-fada clássicos.

Historicamente, os contos-de-fada foram largamente utilizados para dar lições nas crianças que a ouvem. Com o conto de A Bela e a Fera não é diferente, mas sua primeira versão é ainda mais complexa. Publicada em meados do século XVIII a obra já começara a sofrer grandes influências do Romantismo que já eclodira na Inglaterra e aos poucos começava a ganhar força na França.

A exploração do grotesco. Influências do Romantismo europeu estampados em Fera.

O ponto mais claro dessa influência é a exploração do grotesco. Antes do Romantismo era comum que o bem e o mal ficassem muito claros numa história através de sua aparência. Durante a Antiguidade na Grécia e depois resgatado por toda a Europa durante o Resnascimento, os ideais de beleza e simetria estampavam heróis, deuses, damas e seres fantásticos, enquanto que o aterrador, o horroroso e o despresível eram estampados por monstros e seres inescrupulosos e cruéis.

Fera é o retrato do mal, com aparência que causa espanto, medo e sua personalidade também não é das mais amigáveis. Porém conforme Bela vai conhecendo o coração por trás da pele de monstro, Fera revela seus verdadeiros sentimentos e toda a sua capacidade de amar.

A fuga do lugar comum para lugares idealizados também é muito clara. A história se passa em um vilarejo não muito distante dos existentes na França no século XVIII, mas a história toda gira em torno de um castelo escondido numa floresta de dificil acesso. É quase inimaginável que um castelo gigante como o do Fera não fosse conhecido do povo, ainda mais em um período ta curto entre o seu feitiço e o encontro com Bela (apenas 10 anos), mas  a liberdade criativa romântica permite isso.

Mas a riqueza do universo de A Bela e a Fera da Disney não pararm por aí. Até mesmo a versão brasileira do filme, num caso único e particular, permite um escopo de interpretação interessante. Tanto a voz de Gastão e de Fera são realizadas pelo mesmo dublador, Garcia Junior, famoso pela voz de He-Man e, mais tarde, de Simba adulto de O Rei Leão.

Gastão é metido presunçoso. Mas devido ao su tipo másculo, apenas Bela vê isso.

Mesmo isso tendo acontecido apenas no Brasil, é interessante interpretar a mesma voz como um mesmo lado que ambos os personagens tem em comum. Gastão é o retrato escrito da personalidade de Fera antes de ele se encontrar e rejeitar a feiticeira que o transformou em monstro devido a sua aparência simples e anciã.

A VERSÃO 3D

Em 2012 A Bela e a Fera voltou aos cinemas para cair no gosto dos pequeninos, dos fanáticos pelo 3D e dos marmanjos de plantão.

A Disney saiu na frente em 2010 quando exibiu Toy Story e Toy Story 2 em 3D e viu que o retorno de filmes de sucesso, mesmo com inúmeras opções em DVD, Blu-ray e TV a cabo existam, pode ser algo de muito retorno para a empresa. Com o sucesso de O Rei Leão 3D em 2011, a ação parece que não vai parar tão cedo.

Comparados aos seus três antecessores de velha guarda, o 3D de A Bela e a Fera foi o mais bem explorado. Mesmo com que o ambiente do filme fosse muitas vezes composto de apenas um plano de foco, as camadas posteriores foram tão bem trabalhadas que facilmente o expectador se sentia dentro do laboratório do pai de Bela ou do Castelo de Fera.

Mesmo com uma divulgação muito menor que O Rei Leão, a animação conseguiu em duas semanas arrecadar 100 milhões de dólares em todo o mundo e esse número só tende a aumentar. Ainda para 2012, a Disney prepara Monstros S.A e Procurando Nemo em 3D e os resultados não serão diferentes.

Um romance que diverte crianças e emociona adultos.

UMA ROSA PARA SE GUARDAR

Assim como a flor que o mantinha o Fera vivo, A Bela e a Fera é um clássico precioso que merece ser guardado, relembrado e repassado para todas as gerações.

Mais que representante da ascensão das animações Disney, mais que um sucesso comercial e de entretenimento, o filme transmite uma das mais belas, com o perdão do trocadilho, mensagens que um conto de fada pode passar para crianças e adultos: independente da aparência, da maneira de agir ou de como as pessoas vêem algo, o importante é o ser humano, como agente individual de ideias e opiniões saiba avaliar o quanto vale o coração do seu próximo, seja ele o mais belo príncipe de um reinado ou o mais devasto animal aterrador de toda a floresta escura inundada pelos mais frios temporais.

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5 Respostas para “RESENHA: A Bela e a Fera, Walt Disney

  1. Elci G. Santos Fernandes março 4, 2012 às 10:11 pm

    Gostaria que escrevessem um breve relato sobre a mensagem que o filme passa para as pessoas , para ser lida por um mestre de cerimônia em uma festa de quinze anos. obrigada. Elci

    • nextconqueror março 5, 2012 às 1:49 am

      Olá Elci,

      Sim, eu posso escrever mas por favor, me dê mais detalhes do que você deseja: qual é o tamanho do texto? O filme deve ser citado? O texto deve conter alguma coisa técnica sobre o aniversário? Se quiser, me mande um e-mail diretamente.

      ^^v

  2. Tanita outubro 17, 2012 às 8:22 pm

    Cara, muito bom o seu texto!!! Continue escrevendo mais sobre as histórias da Disney… =D

  3. tamires dezembro 12, 2013 às 10:17 am

    Eu amo essa historia e sempre me identiifiquei muito com a Bella. Tanto por amar ler quanto por querer dar prioridade ao interior das pessoas. Seu texto foi lindo.

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