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o blog do Davi Jr.

REVIEW: Gakuen Tokusou Hikaruon

Um mundo onde todas as pessoas são iguais, pensam iguais e agem iguais. Todos de face apagada, todos da mesma cor, caminhando para direções diferentes mar para chegar ao mesmo lugar. Um jovem diferente sentado ao redor de todos leva as mãos a cabeça, pensativo, desesperado por parecer ter percebido o estado de latência da sociedade. Num ato irresponsável ele sai correndo e salta a frente de um trem. Todos ao redor se espantam com a morte prematura de um estudante do colegial. É com um clima denso e pesado que começa a história de Gakuen Tokusou Hikaruon, uma mistura de anime e tokusatsu que teria tudo para gerar uma nova tendência no mercado da animação japonesa, mas que se limitou a apenas um OVA lançado em 1987.

ANIMESATSU

Mesmo que o conceito não tenha pegado, Hikaruon foi a obra que mais conceituou o termo animesatsu, um espécie de mistura dos gêneros anime e tokusatsu. Produzido, roteirizado e dirigido por Kazuhiro Ochi, mesmo diretor de Transformers e Sailor Moon, o OVA (Original Video Animation, ou seja, videos produzidos diretamente para home-video, sem passar pelo cinema ou TV) o anime prestou uma homenagem e tanto para os heróis da franquia Metal Hero de tokusatsus, além de alimentar a curiosidade dos fãs sobre como ficariam seus heróis se produzidos em traço e tinta.

Em uma primeira impressão, não é dificil que o fã fique tentando entender em qual herói Hikaruon foi baseado, isso porque o personagem tem um pouco de cada um dos cinco Metal Hero’s que o precederam. A armadura do heróis é muito similar a d’O Fantástico Jaspion, porém, as cores lembram muito o Detetive Espacial Sharivan. Até a vinheta de chamada para comercial, tão comum nesses tokusatsus, está presente em Hikaruon, mesmo esse não tendo intervalo comercial por se tratar de uma produção em vídeo.

Até o nome do personagem principal não foi escolhidoa toa. Hikaru é uma homenagem ao ator Hikaru Kurosaki, nome artistico de Seiki Kurosaki que interpretou o Jaspion em 1985.

Mesmo a ajudante do heróis não foge das similaridades com o mundo de carne e osso. A atitude de Azumi lembra muito Anri e Diana, as ajudantes de Jaspion e do Guerreiro Dimensional Spielvan, tanto em atitude como no papel que desempenhavam na história.

A transformação de Hikaruon lembra muito lembra Spielvan, mas tem traços de outras animações também.

Mas não é só do mundo do tokusatsu que Hikaruon tirou suas referências, é muito fácil assimilar a aparência do heróis a do protagonista d’Os Cavaleiros do Zodíaco, Seiya de Pégaso, mesmo que o desenhista do OVA não seja o mesmo do anime dos cavaleiros de Atena. Além da aparência, a coreografia de transformação lembra muito o traçar dos 13 pontos da constelação de Pégaso que Seiya fazia para lançar seu meteóro de Pégaso. É bom lembrar que no ano de produção de Hikaruon, foi no ano em que Os Cavaleios do Zodíaco bombavam de audiência na TV japonesa e na venda de bonecos, se uma produção conseguisse pegar o carisma que a série passava ao spectador, seria sucesso na certa.

LUZ, CÂMERA E…  SOM?

Quem assiste aos primeiros minutos de Hikaruon fica na dúvida se a produção é realmente uma espécie de tokusatsu em formato de anime, já que mesmo as histórias dos anos 80 sendo um pouco mais maduros que os do século XXI, o clima infantil e inocênte que permeia os tokusatsus estão bem distantes do início sórdido da produção.

O clima de herói em roupa metaltex só entra em sua abertura cantada por Akira Kushida, o mesmo das aberturas de Gavan, Sharivan, Sheider e de inserções em Jaspion e Spielvan. Para os ouvidos mais sensíveis, é fácil de notar a semelhança do tema de Hikaruon com o de Sharivan, em muitos momentos a vontade é começar a cantar “Shine shine shine Sharivan shine (shine!)“.

E a semelhança musical não para por aí, todas as músicas de back-ground foram recicladas dos Metal Hero’s, sendo os temas de Jaspion a comparação mais comum, principalmente durante a perseguição de carro que o herói sofre.

DETETIVE ESCOLAR

Diferente da temática a la Star Wars que os tokusatsus dos anos 80 costumavam ter, Hikaruon optou por trazer a temática dos tokusatus para um ambiente mais anime. Isso porque a primeira apareição de Hikaroun acontece quando o heróis é transferido para a escola que o garoto que se suicidou no preview da história estudava.

A trama adulta nota-se quando violência e cenas de nudez começam a ser largamente utilizadas.

Logo o clima pesado do local pode ser notado e é a YaYoi, após quase ser estuprada dentro da sala de aula, que dá detalhes do porque de tantos estudantes morrerem de medo dos alunos mais valentões.

A escola é parte de um esquema de gangues que trafica armas e drogas e comete todo tipo de barbaridade na cidade, não temendo a policia ou a justiça. Os valentões, que aparentam ter muito mais idade do que o comum para um estudante, são alguns dos líderes da gangue.

Essa temática mais adulta mostra que o público-alvo da produção, apesar de ser feita aos moldes de produções mais infantis, visa um público mais adulto, em geral aqueles que se entretinham com produções como Akira, Ghost in the Shell e outras produções cyber-punk da época. Os maltratos que Yayoi e Azumi, a ajudante de Hikaruon, sofrem durante os ataques dos vilões da história não são comuns mesmo em animes shonen, com várias cenas de nudez e animações violentas.

O sobrenatural entra na história para fechar o ciclo da mistura animesatsu, levando o enredo hard-core da cidade sem lei até os monstros sobrenaturais comuns em tokusatsus e que muito lembraram La Deus e os monstros enfrentados pelo Comando Estelar Flashman.

PORQUE NÃO PEGOU?

Apesar da qualidade excepcional para a sua época, uma história madura e conceitos que atraiam uma gama bem variada de público, Hikaruon ficou privado aos seus 30 minutos de OVA. Os motivos, apear de nunca terem sido revelados, não são muito dificeis de se entender.

Dos anos 70 para os anos 80 todos os gêneros de tokusatsu começaram a perder a audiência exorbitante que tinham em seu início, mesmo assim esse tipo de programa ainda servia para o que foram criados: vender bonecos dos heróis e alimentar a indústria de brinquedos.

As referências do anime são inúmeras, Saint Seiya é só uma delas.

Caso séries como Hikaruon se multiplicassem na TV japonesa, não seria dificil que a queda dos heróis em carne e osso chegasse ainda mais fundo.

Divagando um pouco poderia se chegar a conclusão que a indústria talvéz não perdesse com tal mudança, que houvesse apenas uma troca de foco nos produtos. Porém, a indústria do anime já estava dando conta, e muito bem, da demanda para esse segmento (os bonecos diecast de Os Cavaleiros do Zodíaco que o digam). Assim correr o risco de aumentar a concorrencia e de perder um nicho específico como o de tokusatsu não seria nada atrativo.

A impressão que dá é que Hikaruon foi uma espécie de episódio piloto que foi negada a produção devido aos problemas mercadológicos que a industria de brinquedos poderia passar, mas que mesmo assim foi lançado em formato OVA pela alta qualidade da produção, tanto em enredo, como em animação.

Os fãs agradecem, mas pedem mais.

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4 Respostas para “REVIEW: Gakuen Tokusou Hikaruon

  1. Rafael Kaen novembro 27, 2011 às 6:12 pm

    Eu escutei uma vez que fizeram 3 animações e fizeram uma votação pra ver qual deveria ter uma continuação, o público votou e continuaram uma animação que tem elementos de terror e suspense!
    Uma pena, pois adorei Hikaruon! =)

  2. Sílvia novembro 29, 2011 às 2:47 am

    Oow! Falei do teu blog no meu ^^

    se cuida
    =***

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