NEXT CONQUEROR

o blog do Davi Jr.

RESENHA: De Porta em Porta

A tecnologia transforma. Possibilita a aproximação, novas interações e novas perspectivas de futuro para um ser humano que a domina. Mas a tecnologia também pode ser traiçoeira. Aquele que não a acompanha corre o risco de ficar parado no tempo, abandonado por todas as revoluções e possibilidades que ela oferece.

Essa idéia sempre esteve presente em diversas culturas, em sua maioria retardatárias e dependentes de outras nações, e é comumente usada em meios de comunicação, que colocam a tecnologia como força motriz de qualquer sociedade. Porém tal ideia é tão viciada quanto mascarada, pois ela não leva em consideração o elemento que está por trás de toda a tecnologia e sem o qual, tal não poderai sequer existir: pessoas.

Pessoas são o agente mais fundamental que qualquer negócio bilionário ou dinâmica comportamental, podendo ser o guia de um futuro justo e igualitário ou a causa de um desastre social e ideológico. De porta em porta é um filme que não tem a intenção de revolucionar mentes e maneiras de como encarar a vida, mas a história de superação de um deficiente mental chega ainda mais além: mostra como o ser humano é de fundamental importância quando o que se almeja é o próprio ser humano.

VENDEDOR AMBULANTE

EUA, anos 50. O homem da casa levanta e põe seu casaco, a mulher dedicada fecha as abotoaduras de sua camisa, dá o nó na sua gravata e ainda pega o chapéu para mais um dia de trabalho. O homem parece cansado e a mulher já com alguns cabelos brancos, mas a situação ainda é comum para um casal de sua idade, a não ser pelo fato de que os dois não são um casal, mas mãe e filho.

Holliwood já se tornou especialista em surpreender o público em poucos segundos de filme, mas confundir um jovem de 20 anos com um quarentão não seria tão surpreendente se esse cara permeasse apenas no universo da ficção, porém Bill Portter é bem real.

Aos poucos Bill ganha a confiança de vendedor que seu pai tinha.

Quando tinha 20 anos, Bill Porter decidiu (com todo o apoio da mãe) que iria seguir a mesma profissão do pai: se  tornar um vendedor ambulante de porta em porta, profissão bem comum nos EUA entre os anos 40 e 70. Porém, o jovem nasceu com Paralisia Cerebral, o que acarretou limitações na sua fala e nos seus movimentos, o que o faz sempre alvo de muitas gozações e preconceitos.

Se o espectador ainda não se comoveu com Bill apenas pelo seu jeito engraçado de andar e de falar, o cheque-mate chega em meio a sua entrevista de emprego para conseguir o emprego. Após ser recusado e encontrar a mãe  esperando um bom resultado, Bill volta para o escritório da Corporação Watkins e pede que lhes dêem a pior rota da companhia sob a condição de ser demitido caso não conseguisse os resultados esperados pela empresa em um mês.

E a experiência teria sido terrível para qualquer um. A vizinhança que Porter tinha que encarar caminhando 16 kilómetros todos os dias não era fácil: brigas de casal, intrigas de vizinhos, cachorros fujões, crianças medrosas e tudo o mais o que qualquer pessoa é louca para se ver livre em seu dia-a-dia.

O resultado do primeiro dia teria trazido a desistência de qualquer um, mas Bill foi teimoso o suficiente a ponto de voltar lá durante todo o mês até conseguir a confiança e o carinho dos moradores usando as técnicas mais simples e inocentes que se possa imaginar.

Talvéz nem mesmo Porter soubesse exatamente o que fazer, mas o vendedor lidava com pessoas e o segredo para lidar com clientes problemáticos estavam exatamente dentro dessas pessoas.

PACIÊNCIA E PERSISTÊNCIA

Uma das maiores lições diretas que o filme passa é o conceito de Paciência e Persistência que a mãe de Bill lhe ensina. Segundo ela, Bill enfrentaria diversas dificuldades durante a vida, mas isso não deveria ser motivo para que ele desistisse ou se envergonhasse, o filho deveria seguir em frente e continuar fazendo as coisas como ele acreditasse que fosse certo.

As lições de sua mãe estavam até no lanche que comia.

Com o passar dos anos vamos vendo essas lições sendo postas em prática, do jeito sutil e ao mesmo tempo infantil de Bill. Através de cada item comprado pelos clientes o vendedor ia conhecendo suas histórias e resolvendo o problema de cada um deles, mesmo que nenhum dos vizinhos percebessem que ele ajia como uma espécie e fio invisível entre toda a vizinhança.

E problemas e que não faltavam. São estes problemas que podem ser interpretados como uma espécie de lições indiretas do filme, dependentes da interpretação e da percepção de cada um que assistir o filme.

Desde o casal que briga com a vizinha por causa da árvore que invade seu terreno, a relação encoberta de um casal gay, as frustrações de uma senhora com saudades de seu filho, a doença que a mãe de Bill desenvolve até chegar no amor platônico que o protagonista desenvolve por Shelly Soomky Brady, uma universitária que o ajuda a fazer a entrega dos produtos.

A relação de Shelly com Bill é a mais carismática e cheia de significado. Ainda um adolescente na faculdade, a garota se esforça para conseguiro emprego de ajudante de entregas, depois ela passa a admirá-lo de tal forma que passa a considerá-lo como parte de sua família.

Shelly passa a fazer parte da família de Bill.

Diferente da grande maioria de personagens do filme, Shelly nunca viu Bill de maneira preconceituosa devido a sua doença, provavelmente pela força juvenil da menina ser tão inocente como seu patrão-pai sempre foi.

GRANDE RECEPÇÃO

O mundo teve a oportunidade de conhecer a história de Bill Porter quando o vendedor foi retratado nas páginas de um jornal local do Oregon quando o filho de uma cliente decidiu compartilhar suas experiências com o desengonçado vendedor ambulante em 1995.

Bill quase teve um acesso de raiva quando isso aconteceu (ele sempre gostou de tudo do jeito que ele achava certo, como a mãe o ensinou), mas no fim a publicação do artigo lhe rendeu muitos frutos.

O filme em questão foi produzido pela rede TNT diretamente para uma exibição em TV e gerou muita repercussão. Tanto que o filme ganhou um remake japonês em 2009 com o mesmo nome e hoje é referência no mundo corporativo por provocar reflexões que se exigem em profissões adminstrativas, como o estabelecimento do contato com os clientes, apresentação dos produtos, fechamento das vendas, entre outras ocasiões.

O elenco da versão americana conta com nomes de peso na TV americana, entre eles William H. Macy (Bill Porter) conhecido mundialmente pelos seus papéis em Pânico e Jurassic Park III, Kyra Sedgwick (Shelly) protagonista do famoso seriado The Closer – Divisão Criminal e Helen Mirren (mãe de Bill), famosa por interpretar a Rainha Elizabeth nos filmes britânicos que contam a história da rainha da Inglaterra.

Ainda hoje é possível visitar a página de Bill Porter na página da Watkins Online.

Os atores William H. Macy e Kyra Sedgwick eternizaram Bill Porter e Shelly (na foto em destaque) para o cinema.

QUANDO ELE BATER, ABRA A PORTA

A história de Bill Porter é tão fantástica que não parece real. Aos poucos todos os pontos da história vão se completando e ações simples e triviais do início da história começam a fazer sentido aos poucos.

Mas engana-se quem imagina que Bill foi apenas uma cara de sorte. Mesmo com todas as suas dificuldades, sua inocência e seu caráter infantil, Bill tinha algo que muito falta em grandes líderes e profissionais: ele sabia como tratar as pessoas.

Pessoas são a parte chave de qualquer organização e profissão. Mesmo o mais isolado dos programadores de web precisará de alguém para colher o arroz que ele comprará no supermercado ou para dirigir o ônibus que o leva até a sua empresa. Pequenos detalhes transformam cada produto que adquirimos em algo mais humano, e Bill Porter valorizava isso.

O sabão em pó que ele vendia não era um simples composto químico que tira manchas, eram histórias, dores, frustrações, alegrias, felicidades e principalmente, companhia.

Por mais que a tcnologia tenha avançado e culminado na facilidade da internet que transpõe as barreiras do tempo e espaço exigidas ao homem, mesmo que haja muita facilidade em comprar o último Best-Seller via Submarino, não há como qualquer ser humano não se comover com o sorriso sincero de alguém que está ao seu lado no momento de uma compra.

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2 Respostas para “RESENHA: De Porta em Porta

  1. Ânderson Dias Ribeiro setembro 16, 2012 às 3:28 pm

    Fantástico,a história de Bill é sim o que observamos hoje,meio as diversas profissões,desde o empregador ao empregado falta paciência e persistência,é notório o que resulta a esta ausência,é visto a ética deficiente,resultado de uma falta de estrutura familiar,pois está sim!Forma “os Bill”,que é raro,dentro dos milhares de empreendimentos existir um.Se formos aprofundarmos as estatísticas,são alarmantes,pois o que é visível,é que as pessoas estão completamente sem senso do que é socialização,integrado a conduta ética.Perdeu-se a noção!O colapso é real.O que cabe,é que nunca desistimos,que tenhamos o lema paciência e persistência,e escrevermos nossa história pessoal,profissional sendo exemplo,sendo um “Bill”.

  2. james tony setembro 5, 2013 às 7:07 pm

    o filme é uma liçao temos que adquirir em nossas vidas, pois nos ajuda a pensar em superaçao, que todos podem e nao importa como a sociedade vai reagir faça como Bil que conquistou o publico com sua persistencia e carisma e pricipalmente força de vontade.
    apesar de ter uma paralisia cerebral e com muitos defeitos fisicos motra que tudo e possivel se você se dedicar de cabeça e coraçao.

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