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o blog do Davi Jr.

RESENHA: O Diabo veste Prada

Quem nunca sonhou em sair de uma vida no interior e abraçar uma carreira de sucesso na cidade grande? Andréia “Andy” Sachs  é mais uma corajosa jornalista que vai para Nova York tentar a sorte grande em uma oportunidade única: trabalhar para a maior revista de moda do mundo. O que ela não esperava é ter que encarar a pior chefe que alguém poderia imaginar. Miranda Priestly com uma atitude arrogante e presunçosa, mostra-se o verdadeiro diabo em pessoa, disfarçado sob os mantos finos e delicados que mascaram o quanto cruel e absorto pode ser o mundo corporativo.

UMA INDÙSTRIA

Lançado em 2006, O Diabo veste Prada é o resultado natural do que a indústria do entretenimento tem produzido nos últimos 10 anos: com o sucesso de vendas do livro de mesmo nome em 2003 nos EUA, Hollywood voltou seus olhos para que o que poderia se tornar mais best-seller cinematográfico.

Nos cinemas na mesma época que super-heróis e comédias pastelão faziam escola, o filme surpreendeu o público e a crítica. Logo no primeiro fim-de-semana arrecadou mais de 27 milhões de dólares nos EUA. No Brasil não foi diferente e desbancou o todo-poderoso Click de Adam Sandler do topo da lista de mais assistidos.

Mas toda a boa recepção e as grandes cifras arrecadadas só seriam meros números se mais uma vez a indústria do cinema errasse na adaptação de um grande livro. Mas o diretor David Frankel demonstrou atenção aos diversos erros que seus colegas vinham cometendo com “Harry Potter’s da da vida” e captou exatamente o espírito inovador e grandioso de uma garota sonhadora envolta de diversos perigos reais, porém estravagantes. A história é exatamente aquilo que Hollywood tanto necessitava no momento: algo simples, porém autêntico e inovador.

O DIABO VESTE PRADA

O grande espírito do filme já começa por seu título. Prada é uma marca italiana de moda, considerada um símbolo de luxo e status que uma vez associada a uma figura tão esteriotipada como o diabo, resultou num título de filme ousado, que provoca a alta classe e atrai a curiosidade do público de massa.

Anne Hathaway interpreta uma doce aspirante em busca de seus sonhos

É claro que o título não é mérito da produção do filme, mas sim da autora do livro original Lauren Weisberger, mas que tal título ajudou a permear por todas as classes atraindo-as para  o cinema, isso é uma bem da verdade, afinal, assim como em qualquer entrevista de emprego, a propaganda do filme começar por seu visual. E foi aí que Andy, a protagonista do filme, errou.

Interpretada pela maravilhosa Anne Hathaway, a inocente Andy não imaginava aonde estava se metendo quando entrou na sala da temível Miranda Priestly para a sua primeira entrevista. É claro que o ambiente não ajudava, afinal Miranda nem chega a oferecer as convenções sociais mais básicas para a garota. Nada de “bom dia” ou “seja bem-vinda, pode se sentar”, a entrevista foi em pé, a frente de duas cadeiras disponíveis e com um rosto azedo e pouco receptivo.

Assustada pelo estilo Fashion Week que tanto contratava com seu ar interiorano, Andy é dispensada após uma severa e mau-educada crítica de Miranda, mesmo assim acaba ganhando a vaga, pois a garota decide, com o sangue fervendo de vergonha e raiva, responder as insinuações grosseiras da futura chefe com personalidade e determinação, o que Miranda interpreta como um “excelente currículo e […] discurso sobre a ética de trabalho”.

Miranda Priestly é interpretada por Meryl Streep, mas fica dificil entender onde começa o papel e onde termina a megera. O olhar, os meio-sorrisos e até os mais sutis movimentos de Streep parecem tão naturais que sua performance chega a ser o retrato ideal da chefe mais odiosa do mundo. A sensação não é a de atriz e personagem, mas a própria personificação de uma popstar da moda que desdenha a tudo e a todos.

Miranda é implacável! Uma chefe que ninguém gostaria de ter.

Se a performance da atriz chega a provocar a ira e a torcida do espectador por uma reviravolta no fim do filme, é o comportamento da personagem que mais atrai sua análise. Apesar de revestida por uma carcaça indestrutível, Miranda tem um espírito oscilante, que varia entre criança mimada e adulta amadurecida.

As lições de moral, a maneira como conduz as regras da moda e a firmeza de suas decisões se confundem com suas excêntricidades e paranóias, um dos pontos que mais surpreendem o espectador a cada novo segredo que desvenda da personagem e que mais contrastam com a personalidade simples, porém agradável e determinada de Andy.

Se a Andy independente e corajosa se vê em becos sem saída quando se vê alienada as decisões de Miranda, é essa última que mais se mostra dependente da garota quando precisa das coisas mais banais e corriqueiras que um ser humano poderia enfrentar.

Desde que foi lançado o livro com a história, Lauren Weisberger sempre foi sondada a responder se Miranda seria uma metáfora de Anna Wintour, a editora-chefe da revista Vogue, maior revista da moda do mundo não-ficção, mas a resposta nunca foi revelada.

NÃO HÁ LUGAR MELHOR

Nem só de boas atuações e grande elenco vive um contemporâneo de James Cameron, por isso o visual do filme também foi composto para atrair os olhos. Não há nada de efeitos especiais, raio-lasers ou viagem subatômicas, mas o ambiente que compõe o filme garante que nenhum espectador cansado saia da cadeira.

O palco das filmagens, Nova York e Paris não fizeram feio. As capitais do mundo e da arte não poderiam ter sido melhor escolhidas para contemplar um filme sobre moda e sucesso, mesmo que essas duas palavras não pareçam se dar muito bem no vocabulário de Andy.

Divino porém brutal, até onde o mundo da moda pode chegar?

Seja um admirador da moda, seja um cinéfalo casual, basta uma casual escolha para se tornar um admirador de O Diabo veste Prada. A maneira como o filme aborda a relação do ser independente com o ser subordinado são tão envolventes que ao final o espectador parece que faz parte da vida das protagonistas.

Envoltos entre problemas pessoais e profissionais a dinâmica do filme veio para mostrar que a essência de um blockbuster é o seu enredo, sua história, sua mensagem. Não basta apelos atípicos e sensoriais que o cinema tem se mostrado tão eficiente em mostrar. Assim como na moda, é imprescidível que a arte do cinema resgate valores e ideais que a vida cotidiana e corporativa encobre tão brutalmente, facilitando muito para que pessoas como Andy ficam tão a mercê de se tornar uma Miranda Priestly.

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2 Respostas para “RESENHA: O Diabo veste Prada

  1. Dunaz novembro 12, 2011 às 3:46 am

    Agoooora sim, o seu blog tá falando de coisa que eu entendo:FILME (disse a acadêmica do Curso Superior de Cinema do CEUNSP)
    😄
    Se cuida, lindo =*****

    • nextconqueror novembro 12, 2011 às 4:35 pm

      Gosto muito desse filme ^^
      Tem vários reviews de filmes no meu blog. Nem se eu somasse os reviews de anime, games e tokusatsus passaria o número de resenhas de filmes. Dá uma fuçada na categoria “review” ou “cinema” que você encontrará várias coisas ^^v

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