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o blog do Davi Jr.

REVIEW: Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma

Para quem apreciava a sétima arte nos anos 70 não sabia a revolução por qual o cinema iria passar em 18 de novembro de 1977: era exibido pela primeira vez Star Wars (ou Guerra nas Estrelas, para os íntimos) o primeiro de uma série de filmes, desenhos animados, miniaturas, games, quadrinhos, livros e tudo mais que se possa imaginar.

A trilogia de filmes marcou sua época e a cada novidade o fenômeno era cultuado cada vez mais por mais gerações, conquistando fãs por onde passava. Mas nenhuma novidade causou tanto furor quanto o anúncio daquilo que os inveterados fãs mais desejavam: a produção de uma nova trilogia de filmes contando a origem de todas as revoluções e guerras por qual uma galáxia muito, muito distante passara anos antes da construção do Império Galactico. Nascia Star Wars – Episódio I: A Ameaça Fantasma.

O QUARTO FILME É O PRIMEIRO

Talvéz primeira dúvida dos aspirantes a fãs de Star Wars é por onde começar a assistir os filmes. Nos anos 70, quando George Lucas, criador de todo o universo de Star Wars, dirigiu o primeiro longa da saga, ele precisou começar a história pelo seu quarto capítulo, já que a história que ele havia idealizado era impossível de ser rodada com a tecnologia daqueles tempos.

Somado a isso, os estúdios de cinema duvidavam que um filme com uma temática tão distante de temáticas adolescentes (em grande parte iniciada pelo filme Embalos de Sábado a Noite) que estava conquistando as bilheterias dos cinemas daquela época pudesse render um bom retorno. Assim George Lucas decidiu iniciar sua história do quarto capítulo da história que escrevera, mas foi proibido de, como ele assim queria, colocar a incrição Episódio IV, junto com título do filme.

Assim, o primeiro episódio da saga só pode ser rodado nos anos 90, época que Lucas considerou a ideal para a realização dos efeitos especiais que a história exigia e agora, livre de qualquer empecilho comercial que pudesse barrar a sua produção.

Porém, mesmo entendendo toda a relação produção-tecnologia-tempo, o candidato a assistir aos filmes ainda fica em duvida de qual assistir primeiro, se seguindo a ordem de produção ou a produção cronológica. E mesmo um veterano quando se depara com essa questão fica na dúvida com qual a resposta deve dar ao seu interlocutor.

Essa dúvida se dá por dois motivos principais. Primeiro, por o universo Star Wars ser tão rico em criatividade, personagens e sequências que fica dificil de decidir qual a ordem das surpresas e dramas que se recomendaria primeiro. Segundo, por que mesmo que a cronologia atual tenha muito mais efeitos especiais e condições de surpreender visualmente (um dos pontos chave para o sucesso da primeira trilogia, em sua época), é fato que o Episódio I, não foi produzido exatamente para uma pessoa que tem seu primeiro contato com Star Wars, por isso o medo da decepção com tal filme sempre acaba prendendo uma recomendação prematura do filme, pois o resultado pode ser facilmente decepcionante.

O INÍCIO DE TUDO

O que mais encantava em todos os três filmes da trilogia clássica (episódios IV, V e VI) é que mesmo que alguém se aventurasse a assistir ao filme de um ponto que não fosse exatamente o primeiro filme produzido, esta seria facilmente conquistada por todos os elementos que compõem a obra. É fácil distinguir o que acontece na tela: temos um mocinho e um bandido facilmente reconhecíveis, um loiro com roupas brancas e o outro de máscara com armadura negra, um esteriótipo que seria (e ainda hoje é!) acompanhado por muitas e muitas gerações do cinema.

Qui-Gon Jinn é o mártir do filme.

Porém, o primeiro erro do Episódio I é justamente não deixar muito claro o que acontece na história, e não é um problema do início ou de pontos específicos da tela, isso acontece o filme inteiro! Além disso, mesmo com elementos tão claros do enredo, o episódio IV ainda tinha todo um timing para a apresentação do universo ao espectador, coisa que não acontece no Episódio I.

É claro que o enredo de ambos os filmes e o cenário que os personagens interagiam são muito diferentes em ambos os filmes, o proprio título do filme, A Ameaça Fantasma, é uma referência a um perigo que não esta exatamente claro, e que cabe aos personagens e ao espectador decifrar. Mas com tão poucas pistas a um marinheiro de primeira viagem, esta tarefa é quase impossível.

A história começa quando dois Cavaleiros Jedi são enviados para o planeta Naboo para negociar o fim do bloqueio espacial provocado pelo Vice-rei da Federação de Comércio. Ok! Algum lugar está com problemas e alguém está tentando negociar com o tal lugar problemático.

Porém, o Vice-rei, ao descobrir que os dois são Jedis, manda eliminá-los, mas os dois conseguem fugir, encontram um Gunga, Jar-Jar Binks, que os ajuda levando-os até a sua cidade, que está fora da jurisdição do Vice-Rei de Naboo. Lá chegando, eles conseguem um submarino e vão até a capital de Naboo para salvar a Rainha Amidala, partindo de volta para capital da República, o planeta Coruscant, mas antes são atacados pelas tropas de Naboo, que não conseguem deter a nave dos protagonistas graças a uma operação dificil que o robô R2-D2 conseguiu realizar para que todos partissem em segurança, mas não sem falhas, pois os ataques destruíram uma peça da nave, por isso eles se vêem obrigados a pousar no planeta Tatooine. E é aí que a parte importante começa.

O que essa primeira parte do filme tem a nos dizer? Que tem muita gente envolvida num problema inter-galáctico e que o filme vai ter muitos, muitos efeitos especiais. E só.

Obiwan tinha muito potencial no filme, mas…

Esses trinta minutos que teóricamente serviriam para ambientar e apresentar os personagens saiu tão embolados que pouca coisa é possível de ser absorvida por quem assiste um filme de Guerra Nas Estrelas pela primeira vez. É dificil entender que a pincesa Amidala não é a princesa de Naboo, mas sim de Coruscant. É possível imaginar mil coisas para ela estar fazendo em Naboo, menos que havia chegado momentos depois dos Jedis terem sido detidos.

Sem contar que um problema político gerar tantos disparos de raio-laser soa um tanto quanto exagerado. Para prender a atenção, seria interessante que fosse passado o que é a República, quem é a Amidala, qual a importância dos cavaleiros Jedi e, principalemente deixar mais claro que há interesses por trás das ações dos habitantes de Naboo, pois diálogos de poucas palavras entre personagens que acabaram se serem vistos não sugere muita coisa.

Felizmente, muitas das informações necessárias são mostradas depois, quando a nave dos protagnositas pousa em Tatooine. Mesmo perdido na trama, o espectador agradece, antes tarde do que nunca.

EM TATOOINE

É num planeta pobre, cheio de injustiças e desinteressante tanto para a República quanto para a Federação do Comércio que o personagem mais importante de todos os seis filmes de Guerra Nas Estrelas aparece pela primeira vez.

Anakin SkyWalker é um jovem escravo que adora tecnologia e corridas de naves. Um dos Jedis, Qui-Gon Jinn, que até agora só havia mostrado ter boas técnicas de espada, mostra-se um homem sensível o suficiente para acreditar no potencial do garoto e apostar a liberdade dele e a peça que precisam para consertar a nave com o único alienígena que comercializa tal aparato.

Mesmo com a resistência de Obiwan Quenobi, seu discípulo, Qui-Gon Jinn acredita que Anakin é o garoto previsto numa antiga profecia que irá estabilizar a força, restaurando as disputas entre a República e a Federação do Comércio e por consequência a paz do universo.

É nesse ponto que um ponto-chave de Star Wars é revelada, a existência da força. Todo o universo de Star Wars gira em torno da força, uma energia, como descrita no próprio filme, onipresente que pode ser utilizada por aqueles com habilidade para tal. Mas no filme, após uma leve explicação e a conclusão do espectador que todos os “poderes” que os dois Jedis usaram em Naboo foi fruto da força, o filme volta a dar atenção aos efeitos especiais.

Anakin se mostra o ponto mais interessante do filme.

A corrida de Anakin pode ser considerada um dos momentos mais marcantes do filme. Apesar de, como em todo o filme, os efeitos especiais serem a principal atração, dessa vez diálogos e performances interessantes acontecem mostrando tanto as capacidades de Anakin, como os sentimentos e dramas de sua mãe e da rainha Amidala.

CHEGA A HORA DA BATALHA 

Os sabres-de-luz, tão ricamente explorados na primeir trilogia, até agora pareciam apenas meros artefatos na mãos dos personagens do Episódio I, sem grandes apresentações, sem muito diferencial. Mas foram essenciais para que o longa fechasse o primeiro episódio do jeito George Lucas gosta de colocar em todos os seus filmes: com uma uma grande perda para os mocinhos, mas também com uma grande vitória.

De volta a Coruscant e após convencer o conselho Jedi de que Anakin, mesmo com idade acima do permitido para se tornar um jedi, deve ser treinado, o senador Palpatine (quem?) é eleito como o Chanceler supremo da República.

Apesar de Palpatine estar no filme o tempo todo, suas aparições são tão sutis ou mal-encaixadas, que fica difícil relacionar sua figura ao vilão Darth Sideous, o lorde Sith supremo, maior e melhor usuário do lado negro da força. A subida de Palpatine ao trono é de essencial importância para o desenrolar de todos os cinco próximos episódios, mas infelizmente, o Episódio I mais uma vez falhou em deixar o enredo de lado e focar nos efeitos especiais, já que junto da subida do chanceler ao poder, Coruscant é atacada pela Federação do Comércio, a mando do próprio Palpatine disfarçado.

Durante a invasão, Anakin, mesmo proibido de fazer qualquer coisa, se mostra um excelente piloto de naves espaciais de guerra e, junto com R2-D2, conquista a vitória aérea da República.

Demorou, mas os sabres-de-luz finalmente mostraram pra que vieram.

Na terra, o destaque vai para a luta de Qui-Gon Jinn e Obiwan Kenobi contra Darth Maul, aprendiz de Darth Sidious. Durante a luta, o pior acontece e Qui-Gon Jinn acaba ferido mortalmente, deixando que Obiwan vencesse o oponente. Mesmo a cena do golpe final realizada sem grandes emoções (se o espectador se distraísse com alguém se levantando indo no banheiro no cinema, iria se surpreender quando percebesse que sem nenhum drama ou frase de efeito Qui-Gon já se encontrava fora da batalha). Porém, contrariando o que já fora visto, o posterior discurso do personagem pedindo para que seu discípulo treinasse Anakin foi o momento mais emocionante de todo o filme, e um diálogo para ser guardado por todo fã.

RUMO AO EPISÓDIO II

Se alguém quiser assistir os filmes de Star Wars na ordem cronológica, mas preferir pular o episódio I, não sentirá muito a falta deste. Talvéz a única perda seria não conhecer o inocente Analin SkyWalker quando criança, pois essa foi a única contribuição do filme a toda a série.

O desenvolvimento dos personagens foi muito baixo. Sejam eles novos ou velhos conhecidos dos fãs veteranos, pouco se conheceu da sua personaliade. A única excessão foi Anakin, que a cada fala podia exprimir toda a graça que a origem de seu futuro personagem, que mesmo sendo um vilão, pôde conquistar o mundo na trilogia anterior.

Amidala, mesmo desempenhando um papel crucial por todo o enredo, foi pouco explorada. Ela age muito e pouco fala. Suas cenas não serviram para  explorar sua origem, nem a de seu partido ou o posicionamento de sua personagem perante toda a estrutura da República. O fato de ela “ser rainha” não basta para convencer, mesmo tendo mostrado seus sentimentos pessoais, faltou força em sua majestade.

O pior caso foi com Obiwan. Todas as participações do personagem apenas serviram para salientar a característica de velho abatido e derrotado que ele tinha na trilogia inicial. O personagem nem parece o mesmo dos próximos dois episódios. Ele parece “forçado” a agir segundo os planos de Qui-Gon, mostrando-se um personagem sem iniciativa e a sombra do mestre.

Mesmo Qui-Gon Jinn se tornando o mártir de toda a série, sua importância como personagem pouco rendeu, já que poderia ter sido realizada por qualquer outro personagem, Obiwan (com uma personalidade melhor lapidada) por exemplo. A impressão que dá é que ele nasceu apenas para morrer, para que George Lucas pudesse ter dado aquele sabor de chocolate meio-amargo no final.

Apesar de ter um grande potencial organizacional na franquia, o Episódio I preferiu passar a seu sucessor a responsabilidade de apresentar o universo Star Wars aos novos espectadores da franquia, se limitando a mostrar o quão grandioso os efeitos especiais de uma galáxia muito muito distante podem ser numa tela cinema de uma produção tão tão aguardada pelos fãs.

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