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o blog do Davi Jr.

RESENHA: Comando Estelar Flashman

“Um dia, cinco crianças foram raptadas da Terra e levadas aos confins do Universo. E após 20 anos… Comando Estelar Flashman!”

Numa mistura de heróico com nostálgico, esta é a frase que dava início ao seriado que trazia cinco jovens vestindo roupas coloridas combatendo formigas humanóides e monstros espaciais com um super robô para proteger a Terra de toda e qualquer força malígna que pudesse ameaça-la. Mesmo trazendo um enredo muito parecido com uma série que conquistou o Brasil um ano antes de sua exibição (ponto para quem se lembrou de Changeman), o Comando Estelar Flashman fez bonito por onde passou, seja no Brasil, na Europa ou no Japão, a série japonesa mostrou que o tom épico de sua frase de abertura não era só um mero chamariz, era o reflexo de um dos super sentais mais bem produzidos de toda a história!

SUPER SENTAI

Antes de falar de Flashman, é necessário explicar do que se trata o seriado. Com o sucesso de Power Rangers no ocidente desde os anos 90, os seriados japoneses de quintetos de super-heróis que deram origem aos esquadrões americanos foram um tanto quanto esquecidos.

Do mesmo jeito que Power Rangers é o nome de uma franquia, no Japão a franquia de heróis coloridos se chama  Super Sentai (do japonês, スーパー戦隊 Sūpā Sentai) e já tem mais de 35 anos de história. Na verdade, os próprios Power Ranger são releituras dessas séries japonesas, fazendo com que os produtores da Saban e/ou Disney economizem com a produção de design e efeitos especiais.

Criado pelo mangaká Shôtarô Ishinomori em conjunto com a Toei Company, gigante do entretenimento japonês responsável por diversas séries de super heróis e desenhos animados como Os Cavaleiros do Zodíaco e Dragon Ball, os Super Sentais seguem uma fórmula básica: cinco jovens são recrutados para proteger a Terra de extra-terrestres malígnos usando trajes coloridos e robôs gigantes.

O tempo de exibição da série é sempre de um ano, com uma média 50 episódios por equadrão. Um episódio é exibido por semana e imediatamente ao acabar o ciclo de uma série, uma nova a substitui, para que a indústria envolvida com o sucesso desses heróis não perca o fôlego.

Mesmo preso a uma fórmula pronta, o Comando Estelar Flashman mostrou que seu enredo ia além e foi um divisor de águas para a franquia e superou qualquer expectativa da época.

A REVOLUÇÃO

A história de Flashman se passa antes do primeiro episódio, isso tanto dentro das gravações como nos bastidores da produção. Anualmente, o produtor Takeyuki Suzuki é convocado pela Toei Company para a criação do enredo de um novo Super Sentai  que irá substituir o que já está sendo exibido na TV.

Diferente de tudo o que já fora abordado nesse tipo de seriado, o produtor se inspirou em algo diferente. Durante a II Guerra Mundial, as crianças japonesas qu haviam perdido seus pais na Guerra ou que por ventura, a família não tinha mais condições de cria-las, foram enviadas para a China aos cuidados de pais adotivos. Vinte anos após o fim da guerra, as crianças comçaram a voltar ao Japão para reencontrar com a família e/ou parentes mais próximos. Observando isso, Suzuki decidiu que este seria o mote de criação de Flashman.

Mesmo sendo um tema delicado, ainda mais pela franquia se dirigir ao público infantil, o produtor, junto com os roteiristas resolveram seguir em frente e criaram diversas analogias ao contexto escolhido para a elaboração da história.

O primeiro ponto seria como encaixar os orfãso como protagonistas da história. Assim, estes seriam representados por crianças sequestradas por piratas espaciais e criadas em um planeta distante da Terra (o planeta Flash), ao qual precisam voltar para impedir que o Crusador Imperial Mess use os terráqueos em terríveis experiências genéticas. Para portegê-la, os cinco jovens sequestram do planeta Flash uma nave (o Star Condor) que contém armamentos, mechas e gemas que os transformam no esquadrão Supernova Flashman (do jaonês 超新星フラッシュマン Chōshinsei Furasshuman), rebatizado no Brasil como Comando Estelar Flashman.

Por serem criadas em um lugar com características diferentes de sua terra natal, estes adquiririam poderes especiais e comportamentos diferentes dos terráqueos. A casa novidade com que eles se deparam (um balão por exemplo) eles os tratam com grande entusiasmo e curiosidade, comportamento este baseado nos orfãos criados na China que, ao chegarem ao Japão, se surpreendiam muito com o crescimento e a tecnologia do país.

Mesmo sendo um plano audacioso, o roteiro deu certo, atraindo crianças e conquistando adultos, sendo até hoje, a quarta série (empatada com Google V) de Super Sentai que mais deu audiência no Japão.


PROTAGONISTAS CATIVANTES

Não só de enredo vive um seriado, os atores, a produção e no caso dos super sentais, as vestimentas, armaduras e design dos elementos que a ele integram são de crucial importância, visto que um dos pontos que mais atraem o público infantil é o espetáculo da imagem. E a seleção foi perfeita! Para formar os cinco protagonistas, foram chamados quatro atores veteranos dos super sentais e um novato, somando tradição e originalidade em um só elenco.

Din, interpretado por Tota Tarumi é o Red Flash. Com 25 anos, é o mais velho da equipe e também o líder deles. Apesar de no início ser um personagem mais frio e focado na missão de proteger os terráqueos, se mostra o mais caloroso dos cinco, assumindo o posto do altruista irmão mais velho da equipe. Como líder, possui um grande senso de justiça e sempre é o primeiro a tomar a iniciativa em momentos críticos.

Dan (no origial, Dai) interpretado por Kikachiko Uemura é o Green Flash. Apesar de ser interpretado por um ator novato, demonstrou toda a garra, força e determinação que o personagem pedia. Diferente de Din, que foi treinado no planeta Flash, Dan teve seu treinamento no satélite Green Star.

Go (no original Bum) interpretado por Yasuhiro Ishiwata é o Blue Flash. Sendo o mais inocente e brincalhão da equipe, conquistou facilmente o público mais infantil. Seu ataque, o laserball, mesmo sendo um dos de maior dificuldade de produção, é também um dos mais interessantes para a série, sendo utilizado como fator decisivo em diversos momentos.

Sara, a Yellow Flash, é interpretada por Yoko Nakamura. Sem dúvida Sara era a personagens mais interessante dos protagonistas, tanto a composição de seu personagem com incríveis raios de gelo provocados pelo bastão laser, a garota aprendeu no satélite Yellow Star a prever os movimentos do inimigo, sem contar que é a responsável pela mira da bazuca Cosmic Vulcan e da convocação do Cosmic Laser, golpe final do robô do grupo. Romântica e extrovertida, interessantes reflexões acerca do passado dos Flashman foram feitas pela personagem durante a série, sendo a representante máxima do amadurecimento dos super sentais.

Para finalizar, Lu, a Pink Flash, interpretada por Mayumi Yoshida é a pesonagem responsável por uma das trocas mais inusitadas da série. Na gravação dos inserts de abertura para o vídeo de abertura do seriado, a atriz fez uma expressão um tanto quanto “raivosa” em sua primeira aparição, um dos fatores que causou  sua baixa popularidade. Assim, ela foi a única personagem que teve sua performance regravada alguns meses depois da estréia da série.

MECHAS E VILÕES

Os heróis sao interessantes, mas sem sombra de dúvida, o destaque gráfico e comercial de Flashman acontecesse graças aos mechas e aos inimigos dos heróis.

Fora o plano de fundo mais adulto, a primeira grande revolução causada por Flashman foi a quebra de padrão logo no primeiro episódio. Um dos responsáveis pelo grande sucesso da franquia dos super sentais é a presença de um mecha gigante que ajuda os heróis nos momentos mais criticos. A presença do robô começou a ser usado na terceira série sentai, o Battle Fever, e a partir daí se tornou padrão, todos os episódios tem reservado 17 minutos para os heróis e 3 minutos para o robô.

Porém, logo no primeiro episódio da série o Poderoso Flash King, o robô da equipe, não dá as caras, sendo apenas apresentado no episódio posterior. Além disso o padrão cronométrico do robô é quebrado em Flashman ao longo dos episódios, tendo episódios sem a presença do mecha e episódios com batalhas mais longas que o usual.

Além disso, a série é a primeira a apresentar um segundo robô a uma equipe Sentai. Após a derrota do Flash King para um monstro do Crusador Imperial Mess, que se tornou um dos episódios mais dramáticos e cheios de ação da série, os Flashman recebem a ajuda de Barack, um habitante do planeta Flash que lhes traz o robô do Deus Titan, o primeiro guerreiro a usar o poder dos Flashman, o caminhão Titan Flash, que se converte em Titan Junior e mais tarde em Great Titan para vencer os inimigos mais poderosos.

Estima-se que a aparição desse segundo robô se deu por conta de uma queda de vendas do robô principal. Essa idéia deu tão certo, que hoje as séries de sentai apresentam diversos robôs, se multiplicando cada ve mais a cada nova série da franquia.

Deixando os circuitos e metais de lado, encontramos muita genética e experiências inóspitas do lado inimigo. Liderando o rusador Imperial Mess, o grande Monarca La Deus decide que a diversidade biológica da Terra é o local ideal para que seu subordinado mais próximo, o doutor Kepflen realize os desejos de Mess.

A grande maioria dos personagens do “lado negro da força” foram criados a partir de uma viagem que Takeyuki Suzuki fez ao Egito pouco antes do início da composição do tokusatsu. Nefer, Wandar e muitos outros trazem diversas referências do local.

Tão grandioso quanto a inspiração dos nomes e o design dos vilões (o melhor de toda a história dos super sentais) foi a idéia de conquista que está por trás de Mess. Ao invés da simples conquista da terra recorrentes na maioria dos super sentais anteriores a Flashman, La Deus e Kepflen misturam genes (na dublagem brasileira “bio-moléculas) com os seres terrestres como plano de fundo para a ação do vilões.

Para completar o time do mal, nenhum outro vilão fez uma participação tão grandiosa completa do que Kaura, o caçador espacial que sequestrou os protagonistas e aparece posteriormente ao início da série para dar um gás muito mais dinâmico tanto para as cenas de ação como para a complexa relação existente entre Kopfler e La Deus. Só a aparência diferenciada dele (barba, vestimenta negra, cablos tanpamdo um dos olhos) já impõe presença, mas a história envolta dele nos momentos decisivos da luta dos Flashman contra Mess lhe faz um dos vilões mais interessantes (senão o mais interessante) de toda a história dos 35 esquadrões tokusatsus.

A SÉRIE NO BRASIL

Produzida e exibida no Japão durante os anos de 1986 e 1987, Flashman chegou ao Brasil em 1989 com uma dificil tarefa: manter o sucesso que Jaspion (leia o review aqui) e Changeman haviam feito no Brasil desde 1986.

Assim como no japão, Flashman conseguiu grande sucesso e prestígio com o público brasileiro, sendo exemplo de conquista de audiência aos seus concorrentes que começaram a surgir aos montes após o sucesso de Jaspion. O tokusatsu foi exibido na Rede Manchete até 1994, quando passou na Rede Record e deu seu último suspiro na TV Gazeta até 1997.

Atuamente, Flashman pode ser encontrado em uma caprichada coleção de DVD’s da Focus Filmes, como 10 discos divididos em dois boxes digistack. A edição de colecionador inclui uma lata comemorativa, cartões postais e um encarte escrito por Ricardo Cruz com um pouco da história e detalhe inéditos dos bastidores da produção.

Assim como na TV, Din e cia parecem não terem descanso e também tiveram que cumprir uma importante missão para a Focus Filmes. “Queimada” com seus consumidores após erros esdruxulos nos boxes de FullMetal Alchemist, Changeman, National Kid e principalmente Jiraiya, o lançamento de Flashman em DVD teve o objetivo de recuperar a imagem da Focus Filmes com o público-alvo de tokusatsu e, para alegriar dos fãs, tudo ocorreu conforme o esperado.

Os DVDs seguem (quase) a mesma qualidade de som (dublada e legendada) e imagem de Jaspion (o melhor lançamento de seriado japonês  já realizado pela empresa), contém áudio-comentários de Ricardo Cruz e outros nomes do gênero tokusatsu no Brasil no primeiro box e uma tradução de legenda impecável.

A arte de capa ficou abaixo de todos os outros lançamentos da empresa, podendo ter sido melhor trabalhada e mais variada (Flash King repete duas vezes na luva do box da edição de colecionador). Os previews dos episódios poderiam ter sido dublados (já que nos anos 80 isso não foi feito) e há a falta das eye-catchs nos episódios do primeiro box.

E O RESULTADO FINAL É…

Nem é necessário perguntar se assistir aos 50 episódios de Flashman é uma tarefa compensadora. Engana-se quem achar que o retrô das imagens ou do vídeo de abertura de Flashman rfletem uma história desgastada pelo tempo. Surpreendendo todo e qualquer fã de super heróis e ficção científica, Flashman é o seriado ideal para quem quer unir efeitos especiais e uma história inteligente.

Apesar de dirigida ao público infantil, o enredo de Flashman surpreende por sua originalidade e criatividade. Se a “queda do robô” surpreende até o fã mais inveterado da franquia Super Sentai, o que dizer do público casual quando assitir a dramática luta contra o tempo e dedicação do grupo para encontrar respostas sobre o paradeiro de sua família ao fim do seriado?

Impossível não se emocionar com as histórias cativantes de cada um dos protagonistas cada vez que, muitas vezes na inocência acreditam ter encontrado algum ente familiar. Família, irmandade, união, amizade são só alguns dos sentimentos e lições mais importantes que o grupo precisou enfrentar em seu desejo de proteger a terra.

E o que dizer dos vilões mais amarguradamente complexados que os super sentais já enfrentaram? Numa mistura de Guerra nas Estrelas com Frankstein, os vilões se mostram personagens cada vz mais interessates, demonstrando personalidades e desejos que refletem os mesmos sentimentos que os humanos sentem a cada tipo de relação interpessoal que começa a ter.

Analogia histórica, personagens cativantes e panos de fundo que são atuais até hoje fazem de Flashman um seriado inesquecível tanto para quem era criança nos anos 80, como para que decidir assistir ao seriado pela primeira vez agora. Para finalizar, você fica com o vídeo de abertura do tokusatsu para relembrar a nostálgica frase com que iniciou esse review ou para conhecer um seriado que vai te emocionar a cada vez que você assisti-lo e reassisti-lo:

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10 Respostas para “RESENHA: Comando Estelar Flashman

  1. Robson Vieira outubro 29, 2011 às 9:06 pm

    Bom review de uma série que deixou saudades em todos aqueles que assistiram cativamente em suas infâncias. Valeu e até à próxima!

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  4. Rodrigo março 23, 2012 às 2:54 pm

    Na minha opinião Flashman foi junto com Jaspion as melhores séries Japonesas que passaram aqui no Brasil. Changeman foi uma série boa mas na minha opinião não foi lá grande coisa não. Black Kamen Rider foi uma série excelente, mas devido ao excessivo drama e suspense que tinha, talvez não tenha feito tanto sucesso por isso.Black Kamen Rider era uma série que exigia da criança atenção maior para entender o enredo da série. Cybercops foi uma série com história incrivel e também com ótimas trilhas sonoras, porém a série tinha efeitos especial bisonhos e muito constrangedores(péssimo nesse quesitio). Jiraiya, jiban e Winspector foram série boas mas faltavam algo a mais para que fossem ótimas. Por isso novamente concluo que as séries que reuniram todas as qualidades possíveis foram Japion e Flashman. Queria voltar em outra vida e ver a segunda temporada de Jaspion e de Flashman, pois só de lembrar me emociono até hoje.

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  7. diedinhoafonso@terra.com.br novembro 21, 2013 às 1:57 pm

    Para quem deseja ter essa e outras séries em DVD e no conforto do seu lar acessem http://www.tokusatsus.loja2.com.br eu recomendo.

    Lá tem Flashman, Jaspion, Sharivan e todas da franquia Kamen Rider.

  8. José agosto 15, 2014 às 8:01 pm

    Alguem tem alguma gravação principalmente da CNT Gazeta em 97 quando passou na integra? Estou a procura dos previews dublados.

  9. Yugo dezembro 27, 2016 às 11:16 pm

    É um super sentai que tem um green na equipe. exibido no Brasil.

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